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Acabei de saber pelo escriv�o, conseguimos a liminar.
A liminar?
Nosso pedido foi acatado. A Suprema Corte vai apreciar a nossa apela��o.
� mesmo?
Podia mostrar um pouco de entusiasmo.
N�o sabe a gin�stica que foi para conseguir.
Eu fui sentenciada ao enforcamento, Nicky. Desculpe se...
- n�o estou de p�, batendo palmas. - Eu lamento.
Sei que pensam que sou louca. Voc� tem que ver como me olham.
Se prepare. V�o transferir voc� para outra pris�o pr�xima ao tribunal.
Seja franca, quais as minhas chances?
� dificil dizer. Nunca houve um caso igual.
Voc� se lembra de Cassandra? Da mitologia grega.
- Ela tinha o dom da profecia. - Era mais como uma maldi��o.
Apolo lhe concedeu o poder de ver o futuro,
em troca de seus favores.
Quando ela se recusou, ele a castigou.
N�o importava o que ela previsse. Caia em ouvidos surdos.
Eu sinto como se estivesse sendo castigada pelos deuses.
Vamos!
Observadores do tribunal acham que estamos frente a um divisor de �guas.
N�o se trata, de um divisor de �guas, a quest�o
� acordar e perceber que estamos em rota de colis�o com a extin��o.
- Eu vi o futuro. Eu estive l�. - Eu sei que esteve.
Quando aboliram a tecnologia,
eles prepararam o caminho para o apocal�pse final.
N�o perca a f�. Voc� vai conseguir.
N�o se trata de mim. Pouco me importa a esta altura.
Mas, se eu for condenada, o mundo inteiro tamb�m ser�.
N�o h� nada de errado com a sua televis�o. N�o tente ajustar a imagem.
Pois agora temos o controle da transmiss�o.
N�s controlamos o horizontal e o vertical.
Podemos inserir milhares de canais,
ou expandir uma imagem com clareza cristalina... e mais al�m.
Podemos adequar a sua vis�o a qualquer coisa
que a nossa imagina��o possa conceber.
Na pr�xima hora, n�s vamos controlar tudo o que voc� vai ver e ouvir.
Voc� est� prestes a experimentar o assombro e o mist�rio
que v�m desde as profundezas da sua mente
para o al�m do inimagin�vel. Por favor, aguarde.
O que resultar� de um mundo que abole as mesmas
ferramentas �s quais ele sempre confiou as solu��es.
Ah, Earl, voc� sabe muito bem que se o presidente do tribunal
o pegar comendo aqui de novo, vai dar confus�o.
Eu passei a manh� inteira lendo esses autos.
Se eu n�o comer alguma coisa, vou comer o martelo dele.
Onde est� Hayden? Temos que entrar em sess�o em 20 minutos.
Isso aqui parece uma del�cia. Se importa se eu...
Sai, sai, claro que me importo. V� comer a sua comida. Anda, v� embora!
Elise, pode trazer aquelas balas do presidente?
S� com uma ordem executiva.
N�o acredito que esqueceram dos picles.
Desculpem o atraso, colegas, mas a ferradura do meu cavalo se soltou.
Bons tempos quando o que se soltava era a roda!
Est� com saudade da polui��o por acaso?
Suponho que est�o todos a par do caso do Estado contra Givens.
Me diga uma coisa, Hayden.
Voc� acredita que esta mulher tenha viajado no tempo e vindo do passado?
Voc� leu o parecer do nosso especialista em ci�ncias.
O fato � que os nossos especialistas em ci�ncias entendem de tecnologia
tanto quanto um arque�logo da constru��o de pir�mides.
- Ou seja, nadinha. - Por favor, Ollie.
Temos evid�ncias comprovadas de que esta mulher nasceu em 1954.
E se ela tem 122 anos, quero o segredo de beleza dela.
Vou dizer o que eu penso...
essa viajante do tempo, ou seja o que for,
sua vinda aqui � como um presente dos deuses.
Nos d� a oportunidade de tirar a nave da na��o da rota do desastre.
� exatamente o que eu esperava de um cora��o mole, de um grande molenga.
Se revogarmos a decis�o da Corte de Apela��o, abriremos a porta para
os dem�nios da ci�ncia e da tecnologia nos consumirem mais uma vez.
E agora n�o se contentar�o em eliminar 80% da popula��o mundial.
N�o sobrar� nada para contar a hist�ria do que baratas e tufos de mato.
Uma coisa � certa. O povo americano estar� atento.
O mundo estar� atento.
S� espero que Deus nos ajude a tomar a decis�o correta.
Wallace Gannon, procurador-geral. A melhor arma do arsenal do governo.
Ele espera um caso marcante como esse, desde que foi nomeado.
Apenas cinco cadeiras? Achei que fossem nove ju�zes.
Desde 2062 � o Congresso que estabelece o n�mero.
J� foi modificado sete vezes. A� v�m eles!
Ponhamo-nos de p� diante dos ju�zes da Suprema Corte dos Estados Unidos.
Queiram sentar-se, por favor.
N�o preciso lembrar aos presentes neste honrado tribunal que a mat�ria que
tratamos aqui hoje vai al�m do destino da apelante, dra. Givens.
Na maior parte do passado desta na��o, reverenciamos o mundo da tecnologia
as inova��es da ci�ncia prometeram facilitar as nossas tarefas, prolongar as
nossas vidas, estender o nosso alcance at� as estrelas. A promessa foi quebrada.
Ou mantemos a nossa proibi��o � tecnologia ou religamos esta
poderosa m�quina, isso ser� determinado por nossas a��es hoje.
Daremos inicio ouvindo o apelado, o procurador-geral.
Sr. Gannon?
Creio que podemos todos concordar que n�o existe trivialidade
no caso do Estado contra a dra. Theresa Givens.
Mas, afirmar que n�o possui precedentes, me obriga relatar
os in�meros casos de jurisprud�ncia existentes.
Como os da retomada da pena-de-morte, em Gregory versus Georgia.
Ou o apoio � clonagem humana em 2009.
Em Estado versus rob�tica, a defesa afirma que a dra. Givens construiu uma m�quina
de viagem no tempo, na �ltima d�cada do s�culo 20, e que usou a inven��o para
se transportar at� o nosso tempo, juntamente com um genu�no arsenal
de aparelhos eletr�nicos. Mas, para qu�?
Em suas pr�prias palavras, diante da Corte do Nono Circuito:
"Eu pretendia iniciar uma nova revolu��o industrial."
"Eu pretendia reacender a chama das inova��es cient�ficas."
E foi exatamente o que tentou fazer. Ela foi detida...
tentando entregar projetos e prot�tipos para os rebeldes.
Mas, o senhor n�o est� dizendo por qu�!
Por favor, sente-se, dra. Givens. Ter� a sua oportunidade de falar.
A advogada da apelante n�o apenas referiu o contrabando desses artigos...
Protesto, � pejorativo! Jamais usamos o termo "contrabando".
Est� bem. O transporte desses artigos para o nosso tempo e nosso pa�s.
Mas, a defesa tamb�m admite que a dra. Givens j� havia utilizado a mesma
m�quina de viagem no tempo, para prop�sitos mais escusos, repetidamente.
- Beck? - Como entrou aqui?
- Voc� � Robert Beck? - Quem quer saber?
- Voc� � Robert Beck? - Sim, eu me chamo Beck.
- Em 13 de setembro de 1994. - O que � isso?
Voc� foi setenciado por homicidio doloso de oito mulheres.
Eu vim aqui executar esta senten�a legal e justa.
- Eu n�o estou entendendo. - Basta um de n�s entender.
Espere um momento! Espere!
A realidade � que ela utilizou o dispositivo para se transportar ao passado,
onde, por iniciativa pr�pria, assassinou, a sangue frio, pelo menos, 17 pessoas.
Sou obrigada a lembrar ao ilustre sr. Gannon
que a minha cliente nunca foi acusada de homic�dio.
E por uma boa raz�o. E como se sabe, a Theresa Givens,
que cometeu aqueles atos em outro ponto do tempo,
salvou in�meras vidas, impedindo os assassinos antes que eles agissem.
Excel�ncias, ela pagou caro pelo que fez.
- Me solte, me deixe ir! - � melhor se calar!
� melhor ficar quieta, ou vou ficar muito zangado!
- Pare! Deixe-a em paz! - O que voc� quer?
Eu sonhei com voc� por 15 anos.
Eu o imaginava com 3 metros de altura, e com grandes chifres do lado.
Voc� est� falando com o cara errado.
Tem id�ia do que me fez? Voc� roubou a minha vida.
Espere! Todo mundo calmo. Eu n�o quero machucar a mo�a. A gente s�...
vai dar uma volta. Me faz companhia por um tempo, e depois deixo ela ir.
Voc� pode ter certeza, nada importa. Nada do que eu fiz, resolveu.
Drogas, terapias, matar monstros como voc�...
Como eu...
Qualquer coisa seria melhor do que esta dor.
Tudo o que eu queria � que isso terminasse.
Voc� pediu...
Ent�o, est� dizendo que Theresa Givens, a mulher que cometeu estes crimes,
morreu naquele confronto.
- Exatamente. - Mas, e a jovem que foi salva?
Ela foi adiante e criou a sua pr�pria m�quina do tempo.
Ela � a Theresa Givens que est�o vendo aqui hoje.
- Sr. Gannon... - Sim?
Por favor, apenas um esclarecimento.
N�o est� alegando que a apelante tenha cometido algum desses crimes?
Aceitando sua pr�pria defini��o de cursos do tempo e as possibilidades que eles
permitem, sim. Uma encarna��o da dra. Givens praticou uma s�rie
de assassinatos. De qualquer modo, ningu�m pode contestar as repercuss�es
de cunho violento de sua m�quina de viagem no tempo.
Agora, com a permiss�o da Corte, conforme a Lei 32, para a aprecia��o
da evid�ncia, eu gostaria de exibir esta m�quina junto com os crit�rios cient�ficos
da era pr�-apocal�ptica, cuja posse e uso foram a base da causa do Estado.
Protesto, exibir a evid�ncia no tribunal s� motiva atrair a aten��o,
e o procurador sabe disso.
Est� dado o consentimento. Prossiga, sr. Gannon.
Obrigado.
O que est� diante dos senhores n�o � nada menos do que o detonador
do pr�ximo, ou quem sabe do �ltimo holocausto tecnol�gico.
Sr. Gannon, por favor, uma faca pode ser usada como instrumento
de homic�dio, mas n�s n�o abolimos a cutelaria.
Sua concep��o de que estas inven��es constituem uma amea�a
palp�vel, � um tema a ser discutido.
A observa��o da minha cara ju�za Woods est� devidamente registrada.
- Prossiga, sr. Gannon. - Obrigado.
Senhoras e senhores, os autos de apela��o sustentam que o c�digo
antitecnologia fere tanto o esp�rito quanto o conte�do da Constitui��o.
Eu quero chamar a aten��o para uma frase do pre�mbulo deste respeit�vel
documento que descreve que o prop�sito maior � o de "promover o bem geral".
As leis em quest�o foram designadas para proteger, alimentar e resguardar
a tr�mula vela da civiliza��o contra os nefastos ventos da guerra.
E, membros da Corte, estas leis se provaram v�lidas e eficientes.
A nossa sociedade prosperou desde a sua implanta��o.
Elas nos salvaram de cairmos num abismo indescrit�vel.
E, agora, eu destino o meu tempo restante a uma resposta da advogada da apelante.
Obrigado, sr. Gannon. Agora, ouviremos a advogada da apelante.
O sr. Gannon acabou de citar o inspirador texto da Constitui��o.
E, se me permitem, eu gostaria de citar este mesmo manancial da democracia:
Artigo 1, se��o 8, par�grafo 8 o qual concede direitos aos inventores:
"Promover o progresso da ci�ncia e das artes �teis".
At� mesmo em 1789, h� quase tr�s s�culos,
os nossos antepassados enxergaram a esperan�a na ci�ncia e na tecnologia.
Existe algum aspecto de nossas vidas que n�o tenha sido beneficiado
com a revolu��o industrial, ou esp�rito da descoberta?
Desde a agricultura � produ��o, ou � comunica��o.
Ou quanto aos avan�os na tecnologia m�dica,
que n�o apenas estenderam radicalmente o nosso tempo de vida,
mas tamb�m melhoraram a qualidade de vida.
Avan�os em tecnologia que permitiram substitui��o de �rg�os doentes por �rg�os
de doadores, culminando com a primeiro transplante de corpo inteiro.
Removendo a cabe�a do doador.
Ver�o que deixamos expostos oito cent�metros de medula espinhal
com o tronco cerebral ainda fixado.
Deixe a medula oblongada at� as extremidades.
Estamos prontos para o transplante.
Avan�os na intelig�ncia artificial e rob�tica
nos libertaram das tarefas pesadas e entediantes.
Produz�amos mais e trabalh�vamos menos horas.
Nos deram mais tempo para gozarmos os frutos do nosso trabalho,
para ficarmos com as nossas familias.
Nossos filhos eram mais saud�veis, mais espertos, mais felizes.
N�o � necess�rio enumerar estes fatores como b�n��os.
Mas eram b�n��os.
Eu lamento me intrometer em seu discurso, mas h� alguns
exemplos not�rios da inova��o cient�fica que a senhora omitiu.
Passou por cima da bomba at�mica, tecnologia nuclear...
manipula��o gen�tica. S� para citar alguns.
Eu entendo, juiz Harbison, que a ci�ncia � respons�vel pelo que aconteceu
com o nosso mundo, h� 20 anos. Mas, falar em abismo...
Ficamos muito receosos. Nosso medo da mudan�a � tamanho que estamos caindo
de cabe�a em uma nova idade das trevas. E s� Deus sabe, quando vamos emergir.
Eu pe�o permiss�o para trazer a minha cliente � tribuna. O que ela tem a dizer
� muito mais importante do que qualquer coisa que eu possa dizer em sua defesa.
Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa.
Cresci perguntando, por que o c�u � azul...
por que n�s sonhamos, o que � a intelig�ncia artificial.
E, devido a essa minha curiosidade natural, fui atra�da pela ci�ncia.
O termo usado naquela �poca era nerd. N�o sei como chamam agora.
Talvez tenham banido os nerds, tamb�m.
Quando eu era adolescente, eu cheguei muito perto da morte.
Fui raptada por um psicopata. Ele tentou me estuprar e,
certamente teria me matado.
A mulher que impediu o ataque n�o foi outra, al�m de mim mesma.
Era eu mesma, adulta.
Foi essa mulher, a primeira pessoa e inventar a viagem no tempo,
foi a mulher que eu me tornaria.
Ela fez muito mais do que salvar a minha vida.
Ela me modificou para sempre.
E eu acabei me apaixonando pela id�ia
de dominar os cursos do tempo.
Como, da mesma forma que um poeta se apaixona pelas palavras,
o m�sico se apaixona pelo seu instrumento.
A ci�ncia era a minha express�o. Uma maneira de me perder,
uma maneira de me encontrar.
Ent�o, qual acha ser a sua miss�o, dra. Givens!
N�o sei, n�o sei ao certo. Cresci com a no��o de destino pessoal.
Algo que me impulsionava. Uma for�a. Ser uma esp�cie de exploradora.
Me aventurei no futuro. Alguns dias de cada vez no in�cio, depois alguns meses.
E, finalmente, eu acabei aqui, e o meu cora��o se partiu.
Como assim?
A principio, achei que fosse apenas um problema no ajuste do computador.
N�o poderia ser o ano de 2076.
Eu pensei, n�o h� carros, telefones, nem computadores, nem tomografia.
Nem um sinal de uma era eletr�nica.
Apenas um ou outro sinal de �tens mais avan�ados do que a l�mpada el�trica.
Quando eu voltei para o meu tempo, comecei a refletir
o que aconteceria a um mundo que virou as costas para a ci�ncia.
Ent�o, voc� viajou mais � frente no futuro?
Viajei. Trinta anos al�m. Em 2105.
- Pode nos dizer o que viu, dra. Givens? - Foi horr�vel.
Um v�rus varreu este planeta.
Nenhuma parte deste mundo foi poupada.
E n�o havia meios cient�ficos para combat�-lo.
Com exce��o de pequenas quantidades de soro, produzidas por pesquisadores
renegados, e n�o foram suficientes para conter a onda de mortes.
- Precisamos de mais suprimentos! - N�o, senhora, n�o h� mais.
Estamos ficando sem �gua pot�vel e n�o temos mais alimentos.
N�o posso ajudar a senhora.
Escute. H� outros doze, aproximadamente, na cidade, subindo a interestadual.
Entreguei a eles, o mesmo que entreguei a voc�. Talvez consiga se juntar a eles.
- Ent�o, h� outros? - N�o h� muitos, a maioria morreu.
� isso, � para l� que as suas leis est�o nos levando.
O fim da humanidade.
Este � o verdadeiro armagedom, senhor presidente.
O seu intitulado novo "holocausto," sua guerra termonuclear, foi apenas o inicio.
Dra. Givens, sei que deve reconhecer o quanto � dificil, para n�s,
compreender a no��o de sua viagem avan�ando e voltando no tempo.
Sim, � claro.
Justamente o fato de a dra. Givens ter voltado no tempo e salvado voc�
quando adolescente. A dra. Givens que foi o anjo vingador,
justamente o fato de ela ter modificado a hist�ria
prova que a hist�ria pode ser alterada.
� a minha mensagem. Podemos intervir, ainda h� tempo.
Mas, como saber que esta praga resulta deste curso de tempo que vivemos?
Resultaria da proibi��o � tecnologia
ou seria uma consequ�ncia da altera��o de curso nessa apela��o?
S� posso dizer, excel�ncia, que o mundo que eu vi era destitu�do de tecnologia,
destituido da ajuda m�dica que teria impedido que o virus varresse o planeta.
Conhece a pesquisa m�dica de um certo dr. Ledbetter?
Sim, ele foi o precursor do trabalho em nanotecnologia.
Exatamente. "M�quinas" min�sculas invisiveis a olho n�.
Anunciadas como uma panac�ia pelas revistas cient�ficas da �poca.
Era algo como um milagre. At� que alguma coisa saiu errada.
O que est� fazendo aqui, � s�bado.
Os seus nanorob�s trabalham at� no fim-de-semana.
Isso � incr�vel!
O que � isso?
Est�o parecendo br�nquias.
Os nanorob�s devem ter interpretado a sua incapacidade
de respirar debaixo d'�gua como uma defici�ncia f�sica.
- Quem �? - Sou eu, me deixe entrar!
Passei a noite inteira trabalhando nisso. Eu sei como desativ�-los.
Temos que usar eletricidade para restringi-los.
O que foi, mais transforma��es?
Eu n�o sei. Sinto uma dor muito forte atr�s da cabe�a. N�o consegui dormir.
Me deixe ver!
- V� alguma coisa? - Apenas dois pequenos caro�os.
- Isso d�i! - Desculpe!
Parece que eles apresentam uma esp�cie de flu�do.
- O que �? - Eles se movem.
- O que �? - Meu Deus!
S�o olhos!
O problema, dra. Givens, o caso levantado pela ju�za Parkhurst � s� um de muitos.
Com certeza, deve saber do pesquisador, dr. Simon Kress, que levou uma mostra
do solo marciano para o laborat�rio em casa e que sem querer propagou
uma amea�a biol�gica que levou quase uma d�cada inteira para ser erradicada.
A visita do dr. Kress ao inferno � um mostra
do que ocorreu muitas e muitas vezes neste s�culo.
Cientistas tentando brincar de Deus.
Existe uma diferen�a entre brincar de Deus e almejar...
realizar o potencial de grandeza nos dado por Deus.
� uma velada pretens�o � santidade?
Mas eu n�o sou uma santa. E nenhum dos pioneiros que o senhor mencionou.
Erros foram cometidos. A pr�pria natureza da ci�ncia � tentativa e erro.
� assim que as pessoas aprendem, � assim que as pessoas crescem.
A menos, claro, que seja o �ltimo erro que cometamos.
O que talvez saiba ou n�o, dra. Givens, � que a sociedade mudou muito depois
do novo holocausto. - Al�m do fato de que a tecnologia ter
sido usada como um bode expiat�rio para os males da sociedade?
Foi um fator consider�vel, sim. Mas, houve outras mudan�as profundas.
Uma esp�cie de anestesia involunt�ria do espirito humano.
Os nossos estimados l�deres pol�ticos se convenceram
que n�o s� precis�vamos demolir a era eletr�nica,
como tamb�m precis�vamos modificar a nossa paisagem interior.
Houve um poderoso movimento pol�tico e social para deixar o passado para tr�s.
Antes mesmo que a poeira radioativa fizesse a sua �ltima v�tima
o c�digo antiluto foi constituido.
Passou a ser considerado crime chorar a morte de um ente querido.
O c�digo antiluto foi revogado,
mas eu acho pertinente observar que n�o s�o s� os cientistas
que cometem erros quando tentam remodelar a nossa esp�cie.
Governos, pol�ticos, demonstraram a mesma arrog�ncia quando
tentaram modificar em ess�ncia quem n�s somos.
Quando tentaram reconstruir a alma humana.
Algemar o cora��o humano.
O juiz Harbison fala da arrog�ncia da ci�ncia.
E, em rela��o � arrog�ncia daqueles que tentaram
nos recriar � imagem deles?
Antes de proferirmos o julgamento da apelante
pe�o que reconsideremos onde se encontra o maior mal.
Em fazermos da tecnologia um deus, ou em fazermos de n�s, deuses.
Aqueles de n�s que sobreviveram � guerra de 2059 jamais esquecer�o.
Eu perdi os meus dois filhos. Minha filha agonizou por seis meses
at� os seus �rg�os decomporem-se devido ao envenenamento t�xico.
N�o pudemos sequer oferecer um sepultamento digno.
Foi necess�rio lacr�-los em chumbo e concreto.
Junto com os outros detritos da guerra.
O fato � que... estas leis foram criadas para que pud�ssemos viver.
O que lhes deu tanta certeza
de que o retorno � �poca das trevas seria a solu��o?
Trevas, dra. Givens? � assim que a senhora v�?
Eu prefiro ver como uma era de luz.
A luz nos olhos das crian�as,
que sobem nas �rvores e contam as estrelas,
n�o obscurecidas por nuvens de polui��o t�xica.
Perdemos algo em abrir m�o de nossas m�quinas, doutora? Sem d�vida que sim.
Mas veja o que conquistamos.
Familias sentam-se ao redor da lareira � noite.
N�o fixam os olhos inexpressivos em imagens eletr�nicas.
Conversamos uns com os outros A intera��o humana
deixou de ser obsoleta. A vida � menos complicada.
Voltamos a prazeres mais simples, a tempos mais simples.
O juiz Harbison tem raz�o quanto a uma coisa.
Nenhum de n�s jamais esquecer� o que ocorreu em junho de 2059.
Tamb�m perdi uma filha.
Os meus outros netos, o mais novo tinha quatro anos e era muito esperto.
Sonhava ser astronauta. � claro, mesmo que tivesse sobrevivido,
isso n�o teria se realizado. N�o havia mais astronautas e nem programa espacial.
N�o havia mais computadores, nem cientistas ou sonhadores como voc�.
Quem brinca com o fogo, pode se queimar.
Mas se eliminar o fogo,
talvez voc� nunca sinta o seu calor e nunca se deleite com a sua luz.
Pode retornar ao seu lugar, dra. Givens. As partes, agora, far�o as alega��es finais.
Senhor presidente, caros ju�zes...
A hist�ria nos ensina que nenhuma inven��o � imune � subvers�o.
Os m�sseis que lan�aram o homem a Marte
tamb�m lan�aram proj�teis bal�sticos contra cidades.
A Internet nos prometeu a dissimina��o da informa��o
que ao fim foi usada para despojar os segredos dos governos
e torn�-los vulner�veis ao ataque.
Agora, a minha distinta colega invoca o esp�rito da inven��o como se
ele fosse um Santo Graal, uma divindade � qual devemos nos prostrar � sua frente.
Mas, n�o somos mais inteligentes do que isso?
Me perdoem por parecer antiquado mas...
e quanto a educarmos os nossos filhos em um mundo pac�fico
e quanto � ora��o tranquila diante do altar do bom senso?
Eu reflito sobre esses altamente aclamados avan�os do s�culo.
Genomas foram decifrados e os segredos do c�rebro humano, revelados.
E, em que resultaram estas descobertas? Ent�o, me reporto � cruel realidade
de empres�rios que roubavam conhecimentos e habilidades
dos mais velhos para serem vendidos, como se fossem mercadorias.
Para que isso?
Para ajudar voc� a dormir e tamb�m para esquecer.
Por que eu ia querer...
...esquecer?
Os mais vulner�veis em nossa sociedade tiveram a sua humanidade arrancada.
Seus c�rebros destitu�dos dos talentos de uma vida inteira.
Foram registrados e catalogados, abandonados como casas vazias.
Armazenados e esquecidos. Essa � a sua id�ia de milagre cient�fico?
Se essa Corte revogar a senten�a da dra. Givens, enviar� uma mensagem
muito clara. O g�nio vai bradar e vociferar. Ele vai se debater em sua garrafa e mais
uma vez amea�ar� emergir. Tenho certeza de que fincar� o �ltimo prego no caix�o
do maior experimento de Deus, e isso determinar� o fim da humanidade.
Eu, particularmente, n�o tomarei parte dessa rendi��o. Vou lutar at�
o meu �ltimo suspiro e imploro aos senhores que fa�am o mesmo.
Com a permiss�o da Corte, eu gostaria de ceder o meu tempo para a mulher
que viver� ou morrer� conforme o vosso veredito.
Quando a minha hom�nima inventou o transportador temporal,
ela o utilizou para salvar vidas.
E quando eu segui os seus passos sabia, que como ela,
teria que dedicar esta incr�vel inven��o a um prop�sito humanit�rio
e talvez fazer o mesmo sacrificio que ela fez.
Eu adquiri um conhecimento privilegiado,
devido �s circunst�ncias. Singulares da minha jornada.
Ficar impassivel,
teria sido o mesmo que dar as costas aos cidad�os do futuro.
�s incont�veis crian�as, que dependem de mim, agora.
Eu acho que elas... dependem dos senhores, agora.
Obrigado.
Faremos um recesso de 15 minutos, e em seguida proferiremos o veredito.
- Voc� est� bem? - Eu estou com medo, Nicky.
Toda essa conversa de eu n�o estar ligando o que v�o fazer comigo � uma mentira.
Uma est�pida mentira. - � natural sentir medo, Theresa.
Se, se eles mantiverem a decis�o,
o que acontecer� com tudo aquilo?
N�o vou mentir. V�o destruir.
Todos aqueles anos... Todas aquelas mentes...
N�s ainda n�o perdemos. Ainda h� esperan�a.
Sim, sim. � claro, algu�m achar� a resposta.
Ainda h� bastante tempo. S�o trinta anos.
Podem construir outro transportador.
Podem encontrar uma cura, Se souberem que a praga est� a caminho.
H� um caminho, eles encontrar�o. Deve haver.
Voc� dir� a eles, n�o dir�? Que eu n�o era louca.
Claro que eu vou dizer.
Eu n�o sei quanto a voc�s, mas tudo o que ouvi, neste tribunal,
s� fez ratificar a opini�o que eu j� tinha.
� isso que eu gosto em voc�, Ollie. � previs�vel como um dado chumbado.
Simplesmente sou fiel ao meu senso de �tica, senhora ju�za.
E essa �tica torna f�cil voc� sentenciar uma mulher � morte.
Por ela dar tudo de si para salvar a ra�a humana.
Ah, vamos parar de representar, pelo amor de Deus.
N�s estamos entre quatro paredes, com cinco velhos bobos ranzinzas.
Ningu�m est� aqui representando, ju�za Fletcher.
Como disse o Hayden, esta decis�o repercutir� de agora at� o ju�zo final.
A qual se a apelante estiver certa, daqui a 35 anos no m�ximo.
O tribunal est� em sess�o.
Antes da vota��o dos membros da Corte,
tenho algumas palavras para a apelante, dra. Givens.
Estou impressionado com o seu comportamento, neste processo, doutora.
Eu admiro a sua intelig�ncia e coragem sob fogo.
Antes que a Corte profira a sua decis�o, eu quero que a doutora saiba disso.
Obrigado, senhor presidente.
Isso dito, explicarei o procedimento que suceder� a vota��o de cada juiz.
Com licen�a, excel�ncia, creio que exista mais uma voz a ser ouvida,
antes de proferirem o veredito correto.
Lamento, mais isso � totalmente contr�rio � ordem.
Lamento senhor, mas vou ter que pedir que se retire do tribunal.
Eu n�o vou poder fazer isso.
Quem � voc�?
Sou a sua consci�ncia, juiz Harbison.
Pode me chamar de Ezequiel.
Oficial, afaste-se!
Meu Deus! � uma bomba!
N�o, n�o. Tecnicamente n�o � uma bomba, � um dispositivo de fus�o fria.
Eu aconselho, veementemente, que ou�am o que tenho a dizer,
sen�o, se n�o eu posso ter que deton�-la.
E a� v�o ter que dizer adeus a este tribunal,
a esta cidade, e o que mais, a metade do litoral leste.
Brunks der Preu�ischen
Continua...
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