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N�o sei Neve, quantas vezes preciso dizer que voc� n�o est� pronta
para assumir compromisso, at� que a pessoa acredite?
N�o, n�o tive outra escolha, al�m de terminar.
Estou falando s�rio, n�o estava suportando.
Oi, n�o... acho que o meu pneu furou, s� isso.
Sim, eu estou legal. Te ligo quando chegar em casa. T�.
Al�, operadora pode me ligar com o autoclube, por favor.
Era s� o que me faltava!
Tire as suas m�os de mim!
- Me passe logo o dinheiro! - Me solte!
N�o estou brincando, dona! Cad� o dinheiro?
- Socorro! - Cale essa boca!
- Socorro! - Chega, pare com isso!
Precisamos de ajuda, aqui!
Dr. Field, o que est� fazendo no setor de emerg�ncia?
Temos pessoas. Leve-a para o quarto 18.
- Quem temos aqui? - Anne Marie Reynolds.
A pol�cia disse que um marginal acertou a cabe�a dela com um cano.
A respira��o dela � r�pida e superficial, mas o cora��o est� est�vel.
Coloque-a no soro! Quero um eletroencefalograma.
- Quando aconteceu? - H� cerca de uma hora.
O tr�nsito est� um caos na cidade, esta noite.
- A press�o est� caindo. - Os sinais cessaram.
- Estamos perdendo a mo�a! - Desfribilar, agora!
Para tr�s!
Aumente para 300 joules! Para tr�s!
10 mg de adrenalina. Aumente para 360 joules.
Outra vez!
Ela se foi, doutor.
Outra vez!
Anote a hora do �bito.
N�o h� nada errado com a sua televis�o. N�o tente ajustar a imagem.
Pois agora temos o controle da transmiss�o.
N�s controlamos o horizontal e o vertical.
Podemos inserir milhares de canais,
ou expandir uma imagem com clareza cristalina... e mais al�m.
Podemos adequar a sua vis�o a qualquer coisa
que a nossa imagina��o possa conceber.
Na pr�xima hora, n�s vamos controlar tudo o que voc� vai ver e ouvir.
Voc� est� prestes a experimentar o assombro e o mist�rio
que v�m desde as profundezas da sua mente
para o al�m do inimagin�vel. Por favor aguarde.
Em cada um de n�s, existe uma voz interior
que modera as nossas a��es.
Mas, o que acontece quando este eu interior
sobrepuja a face que mostramos ao mundo.
Bom dia, como est� se sentindo?
Como uma idiota. N�o acredito que discuti com aquele cara
por 37 d�lares.
Sorte sua, ele n�o ter uma arma.
�. Devo estar horrivel. Eu precisei levar pontos?
Alguns. O cano n�o deixou les�es graves, mas deixou um hematoma bem feio.
Um galo. Pre�o pequeno a pagar pela minha valentia.
Receio que o trauma possa ser maior.
N�o entendi?
O golpe abalou o seu c�rebro gravemente.
Seu c�rtex cerebral sofreu um choque muito grande.
Eu estou me sentindo bem agora.
� impressionante que esteja bem. Anne, n�s perdemos voc� ontem � noite.
O que quer dizer?
N�o apresentava atividade cerebral. E nem batimento card�aco.
Est� dizendo que por alguns segundos eu estive morta?
Clinicamente falando, sim.
E por mais de alguns segundos.
Por quanto tempo?
N�o temos certeza. 10, talvez 15 minutos.
15 minutos. Mas isso n�o � possivel, n�o �?
Sim e n�o.
H� precedentes de ressuscita��o depois da parada completa dos sinais vitais.
H� casos de crian�as pequenas retiradas de lagos congelados,
que sobreviveram mesmo depois de uma hora sem respirar.
Mas, esse caso � diferente, n�o �?
O que n�s sabemos, Anne, � que voc� tem uma vontade de viver extraordin�ria.
N�o, elas s�o lindas, Libby.
�, foi uma estupidez o que fiz.
Na pr�xima vez, eu sigo com o pneu furado at� chegar ao posto de gasolina.
�, eu devo receber alta amanh�. Eu passo na galeria.
Quem sabe a gente possa almo�ar juntas.
�timo! Ent�o, at� amanh�. Tchau.
Ser� que poderia tirar as flores daqui? Elas est�o atraindo insetos. Obrigado.
- Oi, posso entrar? - Oi.
Eu vim assim que pude. Fui a Boston visitar o seu tio Jerry.
Tudo bem.
Ainda n�o sei bem o que aconteceu.
Parece que ficou inconsciente por algum tempo.
- Mais ou menos isso... - Como se sente?
Vou sobreviver. Como sempre.
Sei que n�o deve estar a fim de receber visitas.
Falei com aquele doutor, como se chama... Field?
Ele disse que voc� levou uma grande pancada.
�, a cabe�a humana n�o foi projetada para receber
uma bordoada com um cano de chumbo.
S� n�o entendi, porque discutir com um assaltante.
Sua vida � mais importante do que qualquer coisa de valor material.
M�e, eu n�o estou precisando de um serm�o agora.
N�o, � claro que n�o.
Enquanto eu vinha para c�, pensava no tombo que voc� levou
na escadaria da rua Granbury. Lembra?
Eu peguei voc� do ch�o, e corri diretamente para o hospital.
Foi um quarteir�o e meio.
N�s tivemos muita sorte.
Foi uma das raz�es pela qual o seu pai e eu escolhemos aquele bairro.
Me desculpe. Sei quanto voc� sente a falta dele.
Estou cansada. Acho que s�o os sedativos.
Eu me preocupo com voc�, � s� isso.
� por isso que s� tenho not�cias suas
em datas especiais?
Querida, n�o � escolha minha. Toda vez que fa�o um esfor�o,
sejamos francas, voc� n�o torna as coisas mais f�ceis.
� rid�culo. Moramos na mesma cidade. N�o nos vemos, nunca conversamos...
Somos ocupadas. Tenho a minha vida, e voc� a sua.
E este n�o � o momento ideal...
Nunca � o momento ideal.
Me desculpe.
Eu n�o devia estar fazendo isso.
Vou te ligar quando chegar em casa.
Est� bem.
- Posso ajudar em alguma coisa? - N�o.
Toc, toc... Eu posso entrar?
Oi. A senhora deve ser a m�e de Anne. Eu sou Eric Tanner.
Talvez Anne tenha falado de mim.
Vou deix�-los a s�s.
- � um prazer conhec�-lo, Eric. - Igualmente, sra. Reynolds.
E a�... como voc� est�?
Estou bem, apesar dos pesares.
Vai gostar de saber que pegaram o cara que agrediu voc�.
Que emo��o.
Anne Marie Reynolds, voc� � uma mulher cabe�a dura! � uma piada.
Sua visita foi uma surpresa quase t�o grande quanto a da minha m�e.
�, eu n�o desisto t�o f�cil. Devia saber muito bem.
Por favor, Eric. N�o dificulte as coisas.
Anne?
Voc� est� bem?
Anne? Anne?
- Oi, como est� se sentindo? - Vou bem, eu acho.
- O que houve? - Se refere a qu�?
Cad� o Eric?
O jovem que veio visit�-la? Foi embora h� algumas horas.
Algumas horas? Est� brincando!
Depois voc� almo�ou, e tirou um cochilo. N�o se lembra?
A �ltima coisa que lembro � ter cumprimentado Eric e depois eu...
A perda de mem�ria � comum nesse tipo de les�o na cabe�a.
N�o � motivo para preocupa��o. Os exames dar�o certeza disso.
�, tomara. Enquanto isso, prefiro ficar em casa, na minha cama.
Imagino que deva estar ansiosa para ir embora, mas tem...
que ficar aqui por mais alguns dias, para observa��o.
N�o leve a mal, doutor, mas n�o estou a fim
de virar artigo para revista m�dica.
Acha que � por isso que queremos mant�-la aqui?
Se quiser fazer os exames, eu volto. Eu prometo.
Anne, vou ser direto com voc�.
O seu hist�rico m�dico deixa claro que voc� tinha alguns complicadores.
�lcool, depend�ncia qu�mica... Eu n�o sei, mas voc� voltando para casa.
Seria a �ltima coisa no mundo que precisaria.
Considere-me avisada.
- Est� decidida? - Com certeza.
Preciso v�-la umas duas vezes por semana.
- S� at� a gente resolver isso. - Est� bem.
- Oi! - Oi.
Entre! Era s�rio quando disse que ia se mandar do hospital.
Achei que n�o lhe dariam alta, t�o f�cil.
Ei, vem c�!
� t�o bom ter voc� de volta.
- Eu, s� vim para buscar as minhas coisas. - N�o entendi.
�, minhas coisas. N�o vai precisar vend�-las na garagem.
Eu perdi algum detalhe? Pensei que a gente ia falar sobre isso.
Eric, n�o sei o que a gente tem para discutir. J� esgotamos esse assunto.
Voc� est� me confundindo. Achei que combinamos em nos dar outra chance.
O qu�? Quando?
Hoje de manh�, no hospital.
Eric, n�o me lembro muito bem do que conversamos hoje no hospital.
As �ltimas 24 horas est�o emba�adas.
Se voc� mudou de id�ia, tudo bem. Eu s� queria que voc� fosse mais sincera.
Olhe, me desculpe, se eu fiz voc� pensar ao contr�rio.
Foi para valer o que disse naquela noite, n�o posso assumir nenhum compromisso.
Voc� acha que eu vou fazer o qu�? Acha que vou te engolir?
� melhor empacotar as minhas coisas. Libby vem busc�-las.
N�o acredito nisso. Voc� alega que a quest�o � a independ�ncia.
Mas tem medo que algu�m se aproxime de voc�. Tem medo de viver.
- Mais alguma coisa? - Apenas, boa sorte!
Mas se voc� pensa que vai encontrar um homem, qualquer homem que
esteja � altura daquele santo, quase deus grego, que voc� transformou
a mem�ria do seu pai, boa sorte, vai precisar mesmo!
Doutor, me diga, por favor, o que est� acontecendo comigo.
Nem a resson�ncia, nem a tomografia foram 100% conclusivas, mas
conseguimos identificar os tumores an�malos que voc� descreveu.
S�o massas musculares estranhas.
Acreditamos que o tecido, pelo menos na sua forma inicial, sempre esteve a�.
Eu nasci com isso?
Anne, pelo visto, talvez voc� carregue partes n�o desenvolvidas
de um g�meo absorvido.
- Como? - Vou lhe mostrar.
H� casos que inicialmente s�o concebidos g�meos...
um se torna dominante, e o outro definha.
Em alguns casos, muito raros, o g�meo dominante absorve estes tecidos.
Meu Deus!
- Sei que parece assustador. - Isso � inacredit�vel!
O tecido do g�meo latente n�o toma a forma de �rg�os funcionais,
mas sim, repousa no corpo do hospedeiro.
Voc� apresenta v�rios tumores, inclusive este na sua coluna, mas s�o benignos.
Mas est�o se movendo, dr. Field. Como se estivessem vivos.
Sim, devem dar esta sensa��o.
Mas � apenas uma massa de tecido, nada mais.
O golpe sofrido pelo seu c�rebro pode ter desencadeado
reflexos musculares involunt�rios, que provocaram o deslocamento da massa.
Acho que isso � impossivel. Doutor, eu nem sabia que era g�mea.
Bom, pelo que consta, esta situa��o n�o apresenta nem uma amea�a a voc�.
�timo!
Anne, n�s temos total convic��o de que o seu corpo recuperar� o equilibrio.
Meu corpo? Com certeza n�o parece mais assim.
Ei, Libby, � a Anne. Eu estou tentando falar com voc�.
Estou bem. Voltei para casa e estou em uma campanha publicit�ria.
O que vai fazer hoje? Eu estava pensando...
O cara da academia? Legal!
�, � amanh� est� �timo. Passo na galeria?
T� bem, divirta-se, tchau!
Al�. N�o, n�o estou interessada em mudar de operadora.
Que volta triunfal. Eu e o meu amigo aqui, o Sr. Daniels.
Quem tirou os m�veis do lugar.
O que est� havendo?
Al�, preciso de ajuda. Acho que algu�m entrou no meu apartamento.
N�o sei se algu�m levou alguma coisa. S� sei que algu�m entrou aqui.
A porta da frente, �...
Ainda est� fechada, mas...
A noite � minha. Marie.
Ai, meu Deus!
Como fez isso comigo? Como p�de mentir para mim todo esse tempo?
Eu tive medo. Achei que poderia ser ruim para voc�.
Eu n�o sabia o quanto era importante...
Acabei de voltar do Hospital Rose Mercy.
Eu n�o era apenas g�mea, era g�mea siamesa!
Segundo isto, voc� concordou em participar de uma experi�ncia
que eliminaria um dos beb�s.
Procure entender. Tudo que quer�amos era dar � g�mea sobrevivente,
dar a voc�, a chance de viver uma vida normal.
E te disseram que a g�mea morta, seria parcialmente absorvida pela sobrevivente?
O m�dico disse que havia uma remota possibilidade.
Que escolha eu tinha? No inicio me disseram...
que era uma gravidez normal de g�meos. Eu fiquei t�o feliz.
E depois me disseram que os beb�s eram ligados.
O seu pai ficou arrasado com a not�cia. N�s dois ficamos.
N�s decidimos jamais lhe dar o sofrimento da verdade.
- Meu pai jamais mentiria para mim! - N�o tinha problema em mentir para mim.
N�o acredito em voc�. Continua tentando me virar contra ele. Nada muda!
O seu pai idolatrava voc�. Foi onde acabou a fidelidade dele.
Chega! Voc� afastou o meu pai. Partiu o cora��o dele.
- Foi isso que o matou. - Sei que � isso que quer acreditar.
� claro. Foi por isso que me mandou estudar longe.
N�o conseguia ficar perto da sua aberra��o.
N�o diga isso!
Voc� nunca amou o papai. E nunca me amou.
Eu sempre amei voc�, sempre!
Voc� era tudo o que eu tinha para me agarrar.
Simplesmente, acontece... sempre que te olho,
eu tenho que encarar a decis�o que tomei h� tantos anos.
Eu deliberadamente tirei a vida de uma das minhas filhas.
Voc� tinha um nome escolhido para a minha irm�?
Deixe eu adivinhar.
Marie.
Quando sua irm� morreu, dei a voc� os dois nomes, para que voc� pudesse...
O qu�? Carregar uma parte dela comigo? Voc� teve sucesso, m�e!
Mais do que imagina.
O que est� acontecendo?
- Como eu... o que houve? - Alguma coisa errada?
Como cheguei aqui?
N�o sei. Voc� apareceu na minha porta h� cerca de uma hora.
- Meu Deus! - O que, n�o se lembra?
Voc� est� bem?
N�o. Eu n�o estou bem. Vou embora.
Espere, n�o est� em condi��es de ir. Vamos conversar sobre isso.
Eu n�o posso, n�o agora.
Ent�o, quando? Voc� fica me mandando mensagens contradit�rias,
n�o sei mais o que est� havendo... Um dia, � sim, outro, � n�o.
Tem que parar de me fazer de idiota.
Desculpe, Eric. Eu lhe devo respostas.
E voc� as ter�, assim que eu descobrir quais s�o.
Meu Deus!
- Mas, quem � voc�? - Marie, sua irm�.
- Isso n�o est� acontecendo! - Faz muito tempo, Annie.
Voc� n�o existe. Voc� morreu no ventre.
Os boatos sobre a minha morte, foram exagerados.
Isso � impossivel!
Quando voc� quer demais uma coisa, nada � impossivel.
- E voc� tem algo que eu quero. - O qu�?
O qu�? Eric. Vida.
- Esta � a minha vida. - N�o � mais!
- Me deixe em paz! - Sinto muito, Annie.
Voc� teve a sua chance, mas estragou tudo.
- Agora � a minha vez. - N�o!
Sinto como se eu estivesse sendo perseguida por dentro.
Sei que � fruto da minha mente, mas n�o sei at� onde posso aguentar.
Parte disso � psicol�gico, mas parte tamb�m � fisiol�gico...
Significa?
Fizemos um diagn�stico amplo da massa em sua coluna.
E conclu�mos que est� al�m do crescimento celular aleat�rio.
� um agregado de tecido cerebral.
E o que isso quer dizer?
Que ele tem sinal de um c�rebro humano real em desenvolvimento.
Um c�rebro? Meu Deus!
Ele est� crescendo dentro de mim.
Fa�a o que for preciso, para tir�-lo! Voc� entendeu?
- Quero isso fora de mim, agora! - Mas, n�s n�o podemos fazer isso.
Como assim n�o podem? Espera que eu viva desse jeito!
Anne... o tecido se incorporou em sua coluna vertebral.
Se tentarmos remov�-lo, podemos acabar incapacitando voc�.
- Eu posso ficar paral�tica? - Pode inclusive morrer.
N�o!
Meu Deus!
- Olhe por onde anda! - Fique longe de mim! Me deixe em paz!
N�o possos deixar que me domine. N�o pode tomar conta de mim!
N�o!
Ser� que Marie est� tentando fazer com que eu me mate?
Isso parece muito improv�vel. Voc� a mataria tamb�m.
Doutor, eu sei que voc� disse que a opera��o era muito perigosa,
mas, se apenas incapacit�ssemos o c�rebro de Marie de alguma forma?
Talvez, sem tentar retir�-lo, mas fazer com que ela n�o pense mais
e n�o possa mais me mandar estas imagens assustadoras.
- � muito arriscado. - Por qu�?
Esse c�rebro na coluna, de Marie, pode tamb�m ter assumido
as suas fun��es aut�nomas. Respira��o, batimento card�aco...
Ent�o, minha �nica forma de continuar vivendo, � coexistir com ela?
Ao que tudo indica, sim.
Com base nos �ltimos exames, quanto mais
o c�rebro dela se fortalece, mais o risco do seu se atrofiar.
Eu posso sentir como ele est� se fortalecendo.
Tenta se apoderar do meu corpo.
Tentando reclamar a minha mente... a minha alma...
Ela est� me seguindo o tempo todo...
Sempre me observando, esperando a chance...
Est� tentando me matar. N�o posso deixar isso acontecer...
N�o quero morrer! N�o quero morrer igual ao meu pai...
Tenho que det�-la... faz�-la parar agora!
- O que est� fazendo? - V� embora!
- Estou preocupada com voc�, Anne. - Eu sei o que voc� quer!
- Sabe mesmo? - Quer que eu desapare�a, que morra!
- Voc� n�o entende. - Adeus, Marie.
Anne, n�o! Me escute! N�o estou tentando lhe fazer mal.
- Eu sou a raz�o pela qual ainda est� viva. - Isso � mentira!
Pense, voc� morreu naquela noite na sala de emerg�ncia.
E alguma coisa a trouxe de volta. N�o foram os m�dicos.
Eu trouxe voc� de volta.
Quando tentou tomar os comprimidos, fui eu que joguei tudo fora.
Eu venho resguardando a sua vida todo esse tempo.
Por qu�?
Porque me importo com voc�. Porque voc� n�o merece morrer desse jeito.
Porque eu amo voc�.
Marie...
Estou desaparecendo. Sinto isso.
Est� tudo bem, tudo bem!
Tudo o que eu sempre quis foi ser feliz.
Verdadeiramente amar algu�m e ter algu�m que me ame.
- Voc� ser�, Anne. Eu prometo. - N�o, acabou.
N�o finja que n�o.
Preste aten��o... voc� n�o vai embora. Voc� sempre estar� aqui.
Vai ser sempre parte de mim. � uma promessa.
Voc� me deu a vida. Agora � a minha vez.
- Quanto tempo me resta antes de partir? - N�o muito.
- Preciso fazer uma coisa. - Eu compreendo.
- Se eu soubesse antes... - Sabe agora, e � isso que importa!
- Anne... - Oi, m�e!
Por favor, entre!
Depois da nossa �ltima conversa, fiquei em d�vida se a veria novamente.
Precisamos conversar.
J� me desculpei com voc�. N�o sei mais o que posso...
N�o, n�o, por favor. H� algumas coisas que preciso dizer.
Quando o papai se suicidou,
o meu mundo inteiro desmoronou.
Eu n�o soube lidar com isso. Eu precisava culpar algu�m.
- Eu sei. Acredite, eu sei... - Me deixe terminar.
Ainda que voc�s estivessem separados, sei que foi doloroso para voc� tamb�m.
Eu acho que n�s tomamos as nossas dores e nos recolhemos
dentro de n�s mesmas, com o objetivo de nunca mais nos ferirmos.
Mas o pre�o que n�s duas pagamos foi o de jamais poder amar
nem outra pessoa, e nenhuma outra.
- N�o precisa dizer mais nada, Anne. - Sim, eu preciso.
Eu preciso dizer que o que fez antes do meu nascimento
foi muito corajoso, foi muito altru�sta.
Eu te amo, mam�e. Eu te amo.
Agora, eu preciso ir.
- Pensei que tivesse perdido voc�. - Jamais vai me perder, mam�e.
O que sempre quis foi ver voc� com os meus pr�prios olhos
e tocar voc� com as minhas pr�prias m�os, e dizer o quanto voc� significa.
Marie?
- Anne? - Oi!
- Est� pronta? - Estou.
Espere um pouco a�! S� um segundo.
Tem alguma coisa diferente em voc�. - O qu�?
Lentes coloridas, n�o �? Eu adorei.
Obrigado.
- Estou pronta. - Vamos!
Sem as trevas, n�o haveria a luz.
Sem o engano, n�o haveria o caminho certo para a verdade.
Em um mundo, onde domina o absoluto...
talvez o mais importante seja encontrar o equilibrio.
Brunks der Preu�ischen
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