All language subtitles for Outer Limits The S05E06

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Original subtitles

�rbita da Terra, 16 de setembro de 1963.

Com uma vista dessa, n�o sei porque a c�psula toda n�o � feita de vidro?

Aproveite enquanto pode. Esta � a �ltima rodada.

Inicio da inser��o em 21 minutos e 10 segundos.

Consegui, Madelaine.

Aspire 7, estamos sentindo um desvio de um grau e meio por segundo.

Estou sentindo, devo corrigir manualmente?

Negativo, vai continuar sendo controlado daqui.

Iniciando desvio de propulsores em uma libra.

Parece bom. Est� se estabilizando.

Acionar comando... bomba... sequ�ncia... meia gravidade...

Repita. Controle? A transmiss�o de r�dio est� sendo interrompida.

Os controladores est�o falhando.

O que � isso?

Tem um tipo de pirotecnia l� fora...

N�o est� saindo da nave, est� vindo em dire��o a ela.

Meu Deus, tem alguma coisa l� fora.

Est� entrando!

Abortar miss�o...

Vou tentar de novo. Passando para o manual.

Acionando os retrofoguetes...

E esta foi a �ltima comunica��o que tivemos da Aspire 7, naquela miss�o.

At� recuperarmos o controle, trazermos voc� de volta, e o paraquedas abrir.

Deve ser muito doloroso ouvir isto. Mesmo cerca depois de 38 anos.

N�o, o que � doloroso, coronel Wayne, � que ainda tenho dificuldades depois

de quatro d�cadas, convencer as pessoas de que isso aconteceu comigo de verdade.

Deus sabe que voc� teve tempo bastante

para pensar sobre o que o levou a fazer sua nave girar fora de controle.

- Pensando naquilo, o que acha que foi? - Eu sei o que n�o foi.

Sei que n�o foi o que a Nasa disse que pode ter sido. N�o foi priva��o de oxig�nio,

n�o foi dem�ncia espacial, eu n�o desmaiei, n�o foi um surto epil�ptico.

N�o preciso dizer que os dados n�o corroboram com a sua vers�o.

� claro que tem uma teoria?

Alguma coisa estava tentando se comunicar comigo, naquele dia em 1963.

Se era amigo ou inimigo, sinceramente, n�o sei....

Se n�o tivesse entrado em p�nico, podia ter descoberto.

Por isso � importante, eu voltar l�. Essa � a �nica forma de saber o que houve.

Com todo o respeito, coronel Harris, quando fomos intimados a selecionar

os membros do programa original, para o �nibus espacial,

foram feitas algumas reservas a sua adequa��o para essa miss�o.

Eu n�o sou mais um frangote e nem digo que sou, mas gozo de boa sa�de.

Acho que a deputada estava se referindo � sua prepara��o mental.

O registro diz que passou um per�odo de interna��o mental depois do v�o original.

Bem. Quando todo mundo te chama de louco, parece que a profecia se concretiza.

No entanto, isso j� passou.

Eu submeti as minhas avalia��es psicol�gicas junto com o relat�rio.

Houve � claro, o incidente em que o senhor entrou no computador do Pent�gono.

S� estava procurando os meus pr�prios arquivos.

Justi�a seja feita ao coronel Harris, essas acusa��es foram arquivadas.

Obrigado.

Eu estou curiosa sobre mais uma coisa.

O senhor indicou esta manh�, em suas pr�prias palavras, que � "agora ou nunca."

Isso mesmo, o alinhamento dos planetas durante o meu v�o era virtualmente

igual ao que vai ocorrer no pr�ximo lan�amento do �nibus espacial.

Isso n�o vai acontecer nos pr�ximos

24 anos e nessa �poca eu vou estar morto e enterrado.

Ent�o, � agora ou nunca.

Bom, isso encerra o caso. Obrigado, coronel,

o comit� tomar� a decis�o rapidamente.

Por favor, eu preciso saber. Todos n�s precisamos.

Obrigado, coronel Harris.

- Sr. Powers? - Como foi, eles negaram o pedido?

Digamos, que deve reservar espa�o em sua nave para mais um passageiro.

�timo!

N�o h� nada de errado com a sua televis�o. N�o tente ajustar a imagem.

Pois agora temos o controle da transmiss�o.

N�s controlamos o horizontal e o vertical.

Podemos inserir milhares de canais...

ou expandir uma imagem com clareza cristalina... e mais al�m.

Podemos adequar a sua vis�o a qualquer coisa

que a nossa imagina��o possa conceber.

Na pr�xima hora, iremos controlar tudo o que voc� vai ver e ouvir.

Voc� est� prestes a experimentar o assombro e o mist�rio

que v�m desde as profundezas da sua mente

para o al�m do inimagin�vel. Por favor, aguarde.

O peso da solid�o � muito poderoso.

Seja uma voz solit�ria quando nas trevas...

ou o grito de humanidade no universo desolado.

Eu fiz tudo que podia, disseram que seu pedido seria considerado para v�os futuros.

Fale com eles de novo, por favor, voc� n�o pode fazer eles mudarem de id�ia?

Sinto muito, Ted!

Ah, sim!

- Quem �? - Coronel Harris?

- Coronel Harris... - Chega de entrevistas!

Eu n�o sou rep�rter. Represento a Carlton Powers.

Ind�strias Powers. - E, da�...?

Ouvi dizer que quer voltar ao espa�o.

Entre.

Sabe que a nossa divis�o a�rea espacial tem um avi�o capaz de entrar em �rbita.

Sim, a XR-141. Eu sei.

Um milh�o de libras de empuxo, sem foguetes, um �nico est�gio parado.

Que vai ser lan�ado daqui a seis meses. Eu sei disso.

� o que a imprensa acha. Na verdade,

j� estamos prontos para uma viagem inaugural, agora mesmo.

E o sr. Powers fez o convite para que o senhor esteja a bordo.

N�o est� gozando da minha cara, n�o � amigo?

Como disse?

N�o est� gozando da minha cara, n�o �, porque n�o tenho mais nada a perder.

Eu lhe asseguro, isso � totalmente garantido.

O que eu tenho que fazer?

- Seu ch�, sr. Powers. - Obrigado, George, coloque a�.

Tenho que admitir, Ted, n�o se importa se eu o chamar de Ted, n�o �? (- N�o.)

Caras, como voc�, que se espremiam dentro de um balde de lata. Sentavam em cima

de um barril de p�lvora, sendo jogados na estratosfera com computadores

piores que o Gameboy. Aquilo era coragem. N�o s�o como os figur�es que temos hoje.

- Voc� � piloto? - Sim, senhor.

Os melhores anos da minha vida.

Pra falar a verdade, tem dias que d� vontade de largar tudo isso,

pra sair voando no Blackbird novamente.

Sabe que eu vou ser o co-piloto no v�o inaugural da D�dalo?

Mas n�o se preocupe, aquela coisa � t�o automatizada que s� falta

fazer xixi por voc� e chacoalhar ainda por cima.

A cavalo dado, n�o se olha os dentes, por que me escolher, sr. Powers?

Voc� � aut�ntico, Ted, astronauta no Mercury,

ser� nosso convidado palestrante.

N�o vou mentir para voc�. Esse v�o,

vai tornar a privatiza��o do espa�o, uma realidade.

E eu aprendi h� muito tempo, o valor da promo��o. Veja s� o alvoro�o

em torno do v�o... dois passageiros meus foram escolhidos por sorteio.

Ganharam um concurso. Est�o at� levando um rep�rter no passeio.

- E eu fa�o parte do circo? - Pelo fato de voc� ter sido esnobado

pelo comit� espacial. E pela controv�rsia

em torno de sua miss�o original. Publicidade igual a essa n�o se compra.

- Sabe o que dizem sobre mim? - N�o � pior do que dizem sobre mim.

S�o um bando de idiotas falando besteiras.

Parei de escut�-los anos atr�s. Sei que voc� fez a mesma coisa.

E far� o lan�amento de acordo com a minha hora prevista?

O avi�o est� pronto. Voc� est� pronto. Eu estou pronto.

E ent�o, o que acha de tomar uma coisa mais forte e oficializar tudo?

N�o, n�o, n�o!

Ted, eu era um p�ria do programa Mercury.

A ovelha negra do projeto. Ningu�m queria

falar comigo depois que eu voltei. E n�o os culpo, certo?

E por implica��o, suponho que isso me inclua?

N�o, voc� estava fazendo o melhor poss�vel pela miss�o.

Voc� foi o �nico que veio me ver enquanto eu estava no manic�mio, fora minha esposa.

Como, como est� a Madelaine, voc�s... ainda se falam?

N�o, eu a vi algumas vezes, depois que voltou para Maryland.

- Bom... - N�o, obrigado.

Bem, eu n�o convidei voc� para dar os parab�ns, Ted.

Eu... tenho que tirar um peso dos ombros.

Aquela experi�ncia, pela qual passou, em 63. eu quero dizer que...

voc� n�o foi o �nico que passou por uma coisa que n�o teve explica��o.

Do que est� falando?

Bem, eu, n�o cheguei nem pr�ximo de tudo o que voc� viu.

Mas... estava na minha sexta �rbita,

passando por cima do Saara,

e eu vi luzes, fora da c�psula. No come�o achei...

que eram as correias dos retrofoguetes queimando. Mas, n�o eram.

Voc� n�o disse nada, poderia ter mudado tudo.

�, eu sei. E Deus sabe, que carrego esse peso h� muitos anos.

- Ei, amigo...! - Tudo bem, tudo bem...

- Olhe, Ted...! - Seu desgra�ado...!

Eu mere�o,

mas a verdade � que eu estava com medo pela minha carreira.

Com medo que eles n�o... me deixassem voar de novo.

Por que decidiu contar isso, agora?

Acho importante que voc� saiba.

Que outra pessoa compreende esse desejo incontrol�vel que tem de ir at� l�, de novo.

Que existe outra pessoa que precisa obter respostas.

- Meu Deus, voc� cortou a m�o! - Saia daqui!

La est� ele! � verdade que est� tentando provocar a Nasa, indo para o espa�o...

antes do v�o do �nibus que o coronel Harris esperava pegar?

A Nasa tem os recursos do governo dos Estados Unidos por tr�s dela.

Eu sou apenas um empres�rio tentando avan�ar nas pesquisas cient�ficas.

Alguns, ex-colegas dele, dizem que ele � um lun�tico, perturbado, isso o preocupa?

Se tivesse ganho um d�lar por cada insulto que me fizeram,

eu seria muito mais rico do que sou. N�o, senhor, isso n�o me preocupa.

O coronel Harris � um homem com uma miss�o, como eu.

Com a ades�o em massa ao cubismo, e a rivalidade com Picasso,

esperava-se mais rigor na pintura.

Mas, a surpresa � que existe uma serenidade neste trabalho

que � bem at�pica para este est�gio na vida do artista.

Com licen�a, alcan�o voc�s, daqui a pouquinho.

- Ted! - Madelaine. Me desculpe, por isso.

O que est� fazendo aqui?

Me desculpe por incomodar voc�, mas � muito importante.

- Ainda faz trabalho volunt�rio, n�o �? - Eu quero me sentir �til. (- �...)

- Deve ter ouvido falar do meu v�o? - Os rep�rteres j� me procuraram.

E n�o posso dizer que me trouxeram boas lembran�as.

�, sei do que voc� est� falando.

Eu n�o consegui dormir, pensando... no que n�s t�nhamos e no que n�s perdemos.

- Ted, eu n�o aguento isso... - N�o, n�o me entenda mal,

eu desisti de tentar reviver o que n�s vivemos.

- Depois do que fiz voc� passar. - Eu n�o choro mais, Ted.

Eu era s� uma espectadora, voc� era o desastre em pessoa.

Lembra disso? Voc� me deu. Algo como premoni��o. As coisas n�o iam dar certo.

- O que que voc� quer, Ted? - N�o quero ficar sozinho.

Madelaine, faz 30 anos que eu estou em um quarto escuro,

e esta � a chance de me libertar.

- A chance de encontrar as respostas. - Voc� vai ficar maluco de novo,

toda aquela ang�stia, aquela confus�o. Tudo faz parte do passado, tudo acabou.

Como n�s?

Voc� age como se tivesse acontecido ontem, e j� faz mais de 30 anos.

As pessoas mudam.

Eu mudei.

Eu tenho que ir, Ted.

Boa sorte!

Como eu disse na primeira reuni�o,

de estrat�gia de v�o, suas botas de tens�o magn�tica vari�vel

v�o mant�-los no ch�o quando a gravidade for zero.

Por favor, me desculpem, por algum desconforto que possam sentir.

Essas roupas unissex � que eu acho um horror. Considerando o que

eu paguei por essa passagem, poderia ter contratado um estilista.

Bem, voc� vai ter que abdicar da alta costura por alguns dias.

Ent�o, voc�s t�m os seus pr�prios aposentos para dormir, mas

se forem como eu, n�o v�o passar muito tempo na cama.

Nossos rec�m-casados podem ter uma id�ia diferente.

Quando estivermos em �rbita, vamos dar 31 voltas na grande bolota.

Vamos percorrer, aproximadamente, 750 mil milhas numa altitude orbital de 136 milhas.

Acho que s�o 30 milhas a menos que o seu apogeu na Mercury.

Estava pensando se n�o pod�amos entrar em uma �rbita mais alta?

O plano de v�o � bem justo, n�o seremos um fator de risco,

ent�o gostar�amos de manter a programa��o.

Vou come�ar a checagem pr�-v�o, sr. Powers.

Por que raz�o quer uma �rbita mais alta, coronel Harris?

Eu s� queria voltar aonde eu fui, sabe, sou um tolo sentimental, eu acho.

Tem outros predicados mais perigosos, n�o?

Sem querer ofender, � claro!

O sr. Reese est� cobrindo a nossa viagem para o National Scout.

Em outras palavras, � pago para ser um chato.

O que posso dizer, as mentes sujas querem saber.

Sugiro que apertem os cintos, sr. Powers, o lan�amento vai come�ar �s nove horas.

Bem, vejo voc�s no espa�o.

- J� vai recarregar. - O qu�?

Coloque o seu cinto.

N�o t� com medo, t�? Se acalme.

Voc� acha que um cara que nem o Carlton Powers ia subir com a gente

se houvesse algum perigo? - �, voc� tem raz�o.

Respirem bem fundo. Vai dar tudo certo, eu prometo.

N�o paro de pensar naquela jovem professora da Challenger.

Estamos anos-luz na frente daquela tecnologia. N�o se preocupe.

Tudo bem.

Entendido, D�dalo, leitura do tanque de combust�vel a cem por cento.

Trava de emerg�ncia em ordem. Checagem de propuls�o completa.

Est�o com os monitores a 5.0.8.

- Propulsores prontos. - Aqui � o controle de Denver,

a checagem est� completa, D�dalo. Dois minutos para lan�amento e contando.

- Diga que me ama, Ty! - � claro que te amo.

Somos o casal de mais sorte neste mundo. - Voc� est� falando s�rio?

Sabe quantas pessoas entraram naquele concurso?

Uma viagem gr�tis ao espa�o. Quais s�o as chances?

Estamos a poucos momentos de uma nova era em v�os espaciais particulares.

Um minuto para o lan�amento e contando.

Informaram que haver� mais 12 v�os nos pr�ximos tr�s anos.

Trinta segundos para o lan�amento e contando.

Seis meses para para o pr�mio Pulitzer estar na conta.

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...

Igni��o.

Aspire. Voc� est� indo bem...

Altitude, 32 milhas. Est�o agora, na pot�ncia m�xima.

V�o atingir velocidade de escape em 1 minuto e 44 segundos.

Todos os sistemas parecem funcionar perfeitamente.

Foi um lan�amento de sucesso, do v�o inaugural

do avi�o reutiliz�vel das Ind�strias Powers, o D�dalo.

Senhoras e senhores, bem-vindos � falta de peso.

Est�o livres para andar pela cabine, contanto que mantenham suas botas.

Estou de volta.

Santo Deus, eu voltei!

� mais bonito do que eu jamais poderia imaginar!

As fotos n�o fazem justi�a.

Sou s� eu, ou todos os filmes de fic��o cient�fica

que eu j� vi me fazem sentir que j� estive aqui e fiz isso.

Tenho a sensa��o, Martin, de que

as primeiras palavras que disse na vida foram: "que saco?"

Eu n�o ouso escrever isso para os meus leitores, mas, c� entre n�s,

esse n�o � o espa�o sideral. N�o de verdade.

Esse � um Concorde de alta altitude, sem a aeromo�a.

Felizmente, eu trouxe a minha pr�pria.

Bem adaptada para a ocasi�o.

N�o que eu queira estragar a experi�ncia religiosa de algu�m.

Deus me livre da pobreza de esp�rito!

- Quem disse isso? - Acho que eu acabei de dizer.

Olha, � muito mais bonito do que Puerto Vallarta, n�o �?

Os caras do escrit�rio n�o v�o acreditar nisso.

D� uma humildade, n�o d� pra evitar de se sentir pequeno.

�, eu acho...

Parab�ns, amigos! Acabamos de entrar para a hist�ria. O espa�o n�o � mais

prov�ncia de um grande governo e de uma elite de privilegiados.

- Imagino que isso seja bom? - Est� brincando?

A Nasa manda uma nave para o espa�o,

volta com 40 milh�es de d�lares a menos em foguetes.

A empresa privada entra no jogo, volta com uma nave completamente reutiliz�vel.

Agora, me digam quem tem a melhor tecnologia?

Eu vou guardar o meu julgamento para quando estivermos em terra firme.

Ainda � uma quest�o de prioridades. Podem falar o que quiserem sobre a Nasa

e tivemos as nossas diferen�as, mas o desejo b�sico deles � ainda descobrir,

explorar e desvendar os mist�rios do espa�o.

Espera, Ted, eles n�o querem desvendar buracos negros, s�o os buracos negros!

Meu grupo de pesquisa e desenvolvimento,

foi melhor que os cientistas do governo em tudo.

- Os dois defendem a mesma hip�tese. - Ah, e qual �?

De que a ci�ncia � capaz de dar todas as respostas.

- O que quer dizer, Lil? - D� uma olhada l� fora, � um

universo grande. � arrog�ncia acreditar que tudo isso possa ser quantificado.

Que os segredos possam ser desvendados por um bando de panacas

que n�o reconheceriam um milagre nem se dessem de cara com ele.

Que papo cabe�a para uma mulher que fez fortuna vendendo cosm�ticos.

A menos que esteja falando da divindade do... creme milagroso.

D� um tempo, Martin!

- Oi, vem c�. Quero te mostrar uma coisa. - O qu�? (- Vamos!)

- O que foi, Ty? - Nada mesmo.

Eu s� estava achando aquele papo meio chato.

- Eu tava gostando. - Ah, �!

Eu estou pensando em uma coisa que vai gostar mais ainda.

- Ty, agora n�o � hora. - Por que n�o?

Ningu�m vai vir aqui.

T� na hora de entrar

para o clube de milhagens espacial.

Est�o vendo aquele ponto al�. Estamos bem em cima do cabo da Boa Esperan�a,

d� pra prever o tempo aqui de cima.

Sim. Lutamos muito para conseguir uma janela na c�psula da Mercury.

Muitos na ag�ncia achavam que os astronautas eram meros coadjuvantes.

Hoje em dia, n�s somos.

O piloto autom�tico vai iniciar o procedimento

de reentrada, pode at� aterrissar o avi�o, se necess�rio.

- Que foi isso? - O qu�?

Bem al�. Achei que tinha visto um facho de luz.

Deve ser um reflexo do vidro.

Sim.

Estamos ganhando velocidade, para corrigir a altitude.

Controle manual acionado, indo para a direita, 3.8 graus...

Propuls�o � direita, em dois segundos...

Muito bom. Macio como as costas de uma mulher.

Lembro a noite em que fui selecionado para o programa Mercury como se fosse hoje.

Estava com um milh�o de coisas na cabe�a. Quem seria o primeiro a subir?

Se fosse eu, como iria reagir? Como isso mudaria a minha vida?

O que eu diria aos rep�rteres? E a� eu fui at� o meu carro e parei.

Olhei para cima e de repente eu vi um monte de estrelas.

Ent�o entendi que n�o importava a corrida espacial.

Que n�o se tratava da pol�tica, ci�ncia e tecnologia.

Tratava-se, na verdade, de todos n�s.

De todos n�s indo aos c�us.

E tocando Deus.

Isso � bem cafona.

� um homem religioso, coronel Harris?

N�o, at� aquele momento!

E depois que foi ao espa�o, sente o que aconteceu,

o senhor tocou Deus?

Cheguei perto.

Um contato imediato. O senhor viu a luz, eu me lembro disso.

Isso est� em todos os meus relat�rios.

� claro que deixou de fora a vis�o da mam�e ganso.

- Martin! - S� estou tentando entender

o nosso estimado amigo. Tudo era muito confuso nos relat�rios oficiais que eu li.

N�o foi uma alucina��o.

Mas as avalia��es psicol�gicas da Nasa dizem outra coisa.

J� me chamaram de tudo. De louca de pedra a tiete c�smica.

Normalmente por pessoas apavoradas no seu pequeno mundinho aconchegante.

Que talvez n�o seja t�o aconchegante, afinal.

Um pequeno passo para os man�acos bipolares.

Voc� tem a sutileza de um rinoceronte!

Ted, � a Lil!

Posso entrar?

N�o deixe o imbecil do Martin, te irritar! Tem gente que acredita

que a ra�a humana foi criada milhares de anos atr�s por visitantes espaciais.

Que esperam, pacientemente, nosso amadurecimento para entrar em contato.

Ted, me diga o que voc� viu na �poca?

Luzes, linda luzes violetas.

- De onde elas vinham? - De toda parte. Sei l�, elas...

- O que voc� acha que eram? - Estavam crescendo, mudando, virando...

- Virando o qu�? - N�o sei, elas...

- elas estavam vivas. - Me diga, Ted.

- Est� vendo agora mesmo, n�o est�? - N�o...

N�o... n�o...

O que foi isso?

- O que est� acontecendo? - Eu n�o sei.

Acabamos de virar 90 graus. Os propulsores de popa est�o ligados.

- Tire do autom�tico. - Estou tentando.

Mas, o computador, ele n�o me deixa assumir.

- A gente est� se afastando. Isso � certo. - Sim, com certeza.

Como uma coisa assim pode acontecer?

Espere um pouco. Os propulsores est�o diminuindo sozinhos.

- Estamos voltando para a �rbita. - Confirmamos, D�dalo, captamos

a sua trajet�ria. � de volta � orbita da Terra a 166 milhas.

Ainda n�o conseguem assumir, Denver?

Tentamos de tudo, seu piloto autom�tico est� travado.

O que me diz de reiniciar o computador da nave?

Eu tentei duas vezes e n�o deu certo.

Acha que pode ser um v�rus?

N�o captamos nada aqui. Continue tentando, D�dalo!

Eu n�o entendo, essa n�o foi a �rbita que programamos.

N�o foi a �rbita que achamos que t�nhamos programado.

- Est� dizendo que isso n�o � um defeito? - O quer que esteja controlando a nave,

est� seguindo protocolos r�gidos de navega��o.

O que vamos dizer aos passageiros?

N�o h� raz�o para p�nico. Pelo menos, por enquanto.

Algu�m notou que estamos muito mais alto, do que est�vamos antes?

Eu notei, com certeza!

Estamos em uma �rbita mais alta.

Convenceu o piloto a equiparar com a altitude do Mercury?

Ele fez isso sozinho.

E ent�o, era mais ou menos assim, em 63?

Mais apertada.

Se vir algum fantasma espacial, me avisa, t� bom?

Voc� n�o sabe a hora de parar, n�o � Martin?

N�o, eu nunca desisto de nada. Mas, sempre reconhe�o os desertores.

E os in�teis, tamb�m.

Admita isso, palha�o! A �nica raz�o para voc� derrubar

as pessoas com essa sua lingua ferina � porque voc� tem medo.

Voc� perdeu a esperan�a, idiota,

tem medo do que pode estar l� fora esteja l� fora mesmo.

- E vou te dizer uma coisa: eu vi, e est�! - J� entendemos isso.

Eu vi uma coisa que homem nenhum deveria ver.

Como Dorothy puxando a cortina do m�gico de Oz.

Ah, falou. S� falta seguir a estrada de tijolos amarelos.

N�o trate ela, assim. N�o a trate como uma boneca de pl�stico oca.

E n�o confunda a solu��o dela, como fraqueza ou estupidez!

Trate-a com respeito!

- O que foi? - Estou me sentindo tonta.

Est� ficando abafado aqui.

Os n�veis de oxig�nio est�o baixando.

Pode aumentar?

- Nada. - Sr. Powers, por favor, nos ajude!

Eu j� vou.

- T� faltando ar aqui. - Me passe o oxig�nio de emerg�ncia.

D�em espa�o para ela.

Vai, amor...

respira.

�timo, ela est� reagindo.

Cad� o coronel Harris?

- Est� trancada. - Como pode estar trancada?

- Coronel Harris...? - Ted?

Ted, voc� est� a�? Fale comigo, abra a escotilha.

Ted, preciso falar com voc�. Voc� n�o pode fazer isso!

Podemos conversar sobre o que voc� quer fazer, abra a escotilha.

- Estamos andando? - Estamos.

Lil, tente voc�.

�rbita de 166 milhas, lembra dessa marca?

Exatamente o apogeu da Aspire 7.

J� sabemos quem programou o piloto autom�tico.

Ah, que maravilha, voc�s convidam

um lun�tico num v�o espacial e agora ele est� comandando a nave.

Ted, est� me ouvindo? Voc� tem que abrir agora!

- Sim, sim, estamos quase chegando. - Chegando onde?

Abra a tranca, tente o sistema redundante.

Oh, n�o, n�o, n�o, estamos quase chegando. N�o, n�o...

Meu Deus... ( -O qu�?) Droga! O programa de navega��o.

Ele deve ter substituido por outro. Por isso, n�o deu para reiniciar.

Coloque o disco de novo no sistema de navega��o e reinicie agora mesmo.

Espero que n�o seja tarde demais.

Senhor, se algu�m se ferir por causa do seu comportamento irrespons�vel,

eu garanto que vou process�-lo at� o fim do mundo.

Assim que colocarmos o programa correto on-line, tudo vai ficar bem.

- N�s todos vamos morrer, n�o �? - Ningu�m...

vai morrer!

O que aconteceu, Ty?

� uma loucura!

Nunca dev�amos ter entrado nessa.

Devia ter confiado na minha intui��o.

Ia estar mais feliz em uma praia do M�xico.

Mas, e o que eu queria?

Isso n�o conta?

Oxig�nio suficiente nas cabines.

Est�vamos apenas a alguns minutos do destino dele,

qualquer que fosse.

O que ele queria encontrar?

O cara � um doente.

N�o est� sugerindo ficarmos para descobrir, t�?

N�o. O controle de combust�vel est� a 20%, n�o podemos correr esse risco?

- Vamos virar esse beb�. - Disparando o propulsor de rota direito,

na contagem 3, 2, 1...

Est�o descendo para uma rota mais baixa.

� a minha �ltima chance.

Lil, se voc� acredita que pelo menos parte do que eu digo � verdade

- voc� tem que me ajudar! - Eu n�o sei mais no que acreditar!

Voc� tem que me ajudar, me solte, tem que me ajudar. Por favor, me solte!

Estamos de novo no comando, Denver.

Est�o liberados para as coordenadas prim�rias. (-Am�m)

- O que foi? - Algu�m entrou na c�mara de press�o.

Cad� o Harris? Me passe para a c�mara de press�o.

Ted, sei que est� triste, mas, por favor, n�o fa�a nada impensado.

Ningu�m precisa saber o que aconteceu aqui.

Eu fico do seu lado, prometo.

Meu Deus!

N�o tem amarras.

Ele veio at� aqui em cima s� para se matar.

Deus.

Major Sullivan se comunique com o coronel Harris, por favor.

- D�dalo, D�dalo, est�o ouvindo? - Estamos ouvindo.

Essa � a minha escolha. Eu nunca mais vou ter a chance de novo.

- Aguente, n�s vamos peg�-lo. - N�o!

Observe o seu combust�vel. N�o podem se arriscar.

- Ted, est� me ouvindo? - Sim.

- Voc� tem que voltar. - Est� tudo bem, voc� fez a coisa certa.

Diga a Madelaine que eu a amo.

Que nunca deixei de am�-la. Voc� faz isso para mim, Lil?

Eu prometo.

Eu n�o estou s�.

Pela primeira vez, eu n�o estou s�!

Sei que isso n�o faz sentido. Mas, eu tenho certeza...

Ele est� delirando.

� a falta de oxig�nio.

Ah, meu Deus!

Elas voltaram. Estavam esperando por mim, este tempo todo.

- O que � aquilo? - N�o temos nada o que temer.

Eu n�o tenho medo delas.

Incr�vel. � maravilhoso!

Est�o tocando nele. Envolvendo-o.

Eu entendo. Eu entendo.

Entende o qu�? Ted, queremos saber!

Precisamos saber.

� um presente. Elas foram mandadas para observar.

N�o queriam interferir.

Elas est�o dando uma chance.

Outra chance.

Bem-vindo, coronel Harris!

- Eu estou vivo! - � claro que est� vivo!

Foi um v�o perfeito. Agora, vamos com calma. Vamos tirar o senhor da�, t� bom?

- Que dia � hoje? - 16 de setembro...

N�o, o ano? Em que ano estamos?

1963. O que esperava?

Deve ter parecido uma eternidade, mas s� passou um dia e meio.

- E Madelaine, a minha esposa? - Esperando pelo senhor, no cargueiro.

Linda mulher, a sua esposa! � um homem de sorte.

Sim, eu sei!

Finalmente, eu sei...

Nossas vidas s�o definidas por nossas escolhas.

Os caminhos tomados, os mundos explorados,

mas assim que decidimos n�o podemos mais voltar atr�s.

Ou podemos?

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