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Original subtitles

O Jogo do Pecado

Número Um: Pureza

Número Dois: Pureza Hipócrita ou Falsa

Pare! Polícia!

Filha-da-mãe!

Mandei-te parar!

Tens o direito de não divulgar isto.

E tu tens o direito a um treinador profissional.

E se tivesses de apanhar um carteirista? Já estavas em New Jersey.

Graças a Deus, já não há carteiristas.

Boa desculpa.

Então, Detective, novidades? Já sei que tens o coração aos pulos.

Apareceram três mortos. Não, afinal são dois, eu sobrevivo.

Eram dois turistas que visitavam a nossa bela cidade.

Achas que o Mayor vai utilizar esta história no panfleto turístico?

Já alguma vez viram uma coisa assim?

Por acaso, já. É a 13ª vez que isto acontece,

nos últimos três meses, mas este é o primeiro com setas.

Nunca tinha acontecido.

- Ele cortou-lhe a língua? - Como é que sabe?

São casos do género o gato comeu-lhe a língua.

- Você é umbrincalhão, Bill. - O pessoal da Esquadra adora-me.

- Quantas vezes já disse essa piada? - Hoje?

Faça-me um favor, entregue-me o rolo da máquina deles.

Pode ser que tenhamos sorte, pode ter algo.

Smith, ultimamente só conheço pessoas que já foram desta para melhor.

Quando prendia prostitutas,

diziam que a altura de deixar a vida era quando se vinham com os clientes.

Já não apanhamos criminosos, contabilizamos mortos.

- Sinto-me um contabilista de mortes. - Havemos de o apanhar.

Vais seguir a pista do filme com homicídio?

Duvido.

Isto do Gozador já me ocupa o tempo todo.

Ainda bem que reconheces as tuas limitações.

Afinal, és humano.

Lembras-te da tua primeira intervenção?

Claro, mas não me lembro da última.

- Qual foi a tua? - Um tipo chamado Billy Anderson.

Dedicava-se a mostrar a pila a miúdas de liceus.

Lindo.

Quando o capturámos, foi com a acusação de pedófilo.

- O que lhe aconteceu? - Fez um apelo e foi solto.

Mas teve um aspecto positivo...

Um dos presos não gostou do crime dele e cortou-lhe o pénis.

Quem disse que o sistema prisional não funciona?

...no meio de uma tempestade...

...mortos por todo o lado, nunca me senti tão vivo.

É só adrenalina.

Só existe uma certeza, podemos morrer.

Podemos morrer, é certinho. E, de repente...

Parabéns, a sua presença no programa Day Talk foi confirmada.

Está cheio de sorte. Toda a gente importante da cidade...

Quando é?

- Na próxima quarta-feira. - Optimo.

- Tem de lá estar... - As 12:00H.

- Diz que o tema é... - O segredo do sucesso.

Exactamente.

Obrigado, Tina.

Cortei-lhe o pescoço...

la morrer de qualquer forma...

Experimentem para saber como é.

As coisas americanas de que tanto gostamos.

O basebol, a tarte de maçã,

os churrascos,

tudo isso deixa de importar!

Este caso do Gozador está a dar cabo de mim.

E o Tenente dá cabo de nós se não descobrimos algo.

Por favor, digam-me que têm um suspeito.

Sempre achei que você era maricas.

Enquanto dizes piadinhas, Sr. Polícia Gozão,

tenho 15 homicídios por resolver em cima da minha secretária.

- Não deviam estar na morgue? - Engraçadinha. Isto é um pesadelo.

O FBI não me larga. Vocês são detectives,

por isso, façam-me um favor, detectem algo.

Podemos prender alguém para mostrarmos trabalho.

Tratem do caso, ou então o FBI trata de nós.

Ninguém é insubstituível nesta actividade.

E os jornais estão a delirar com esta história do Gozador.

A imprensa adora um assassino em série com personalidade.

Não têm culpa dos homicídios, mas, contudo,

como são os detectives responsáveis, serão culpados pela sua continuação,

nao se esqueçam.

Ainda estás a trabalhar no caso do filme com homicídio?

A parte, sim.

Então, desiste. Concentra-te unicamente neste caso.

Essa decisão é minha.

Quem utilizou a minha cafeteira?

Que tal está a Oxmontek?

Hoje caiu seis pontos, mas quem percebe disto vendeu a tempo.

Peter, já te telefono.

Em que te posso ajudar, Eve?

Podes comprar-me a pulseira que vimos na ourivesaria.

Ou então podemos ir passar a nossa lua-de-mel a Paris.

Tenho de trabalhar, obrigada por telefonares.

Só telefonei para dizer que reservei mesa no 601, para as 21:00H.

Não posso, já combinei com o pessoal.

Quero passar os meus últimos dias de solteiro... como solteiro.

Se estás farto de me mimar da forma a que estou habituada,

há muitos pretendentes que estão dispostos a fazê-lo.

É a primeira coisa inteligente que disseste hoje.

Qual é a situação?

Treze cadáveres, homens e mulheres,

todos com uma parte da cara cortada.

- Os primeiros seis? - Olhos arrancados.

Para não ver.

- Os outros seis? - Orelhas cortadas.

Para não ouvir.

- Os últimos três? - Línguas cortadas.

Porquê seis?

Não sei, 666, o número do Diabo,

um sinal do Mal no Mundo.

Então haverá mais três mortos até o padrão se completar.

- A menos que o padrão esteja errado. - Também é possível.

Será apanhado, ou então pára. Acabam sempre por parar,

é um acordo não escrito entre criminosos destes e a Polícia.

Nada dura para sempre, nem os homicídios.

Olá, querido.

Olá, amor.

Eu vim interromper algo?

Não.

E que tal ele?

- Querido? - Sim?

Sabes...

- Estás sempre a dizer que me amas. - É verdade.

Bem, vou dar-te oportunidade de mo provares.

O nosso modelo contratado foi substituir um actor.

E eu estou tramada.

Matem-me, por favor.

Um homem armado.

A nossa filha terá orgulho nestas fotografias.

Tenho a certeza que sim. Já estou a ver a dedicação:

Do teu pai, um homem sem auto-estima e calças.

- Muito bem, machão, tira a toalha. - Isso mesmo, tira a toalha.

Vá lá.

Se alguém não ficar impressionado com o que vai ver,

quero esclarecer três coisas:

Primeira, não sou um profissional. Repito, não sou profissional.

Segunda, tenho tido muitas preocupações.

E terceira...

Bem, o ar condicionado arrefeceu muito a sala.

- O que vamos pedir, meus senhores? - A Bouilabaisse é excelente.

Talvez.

Então, sugeres o quê, Peter? Um prato de comida mexicana?

- No Taco Bell, já lá comi. - Pede o que quiseres. Despacha-te.

Tens um encontro marcado com a linda Eve?

Tenta não te babares quando dizes isso.

Então deixa-me dizer-te isto.

Tom, tu és o meu herói, merda.

- Ganhaste. - Que queres dizer com isso?

Tom, só tens 30 anos e já conseguiste mais

do que a maioria dos corretores de 50 anos sonha alcançar.

- És o menino de ouro. - E nós só ganhamos em estar contigo.

Os meninos dourados.

Sinto-me como uma esponja, absorvo o teu sucesso através de osmose.

Qual é o teu segredo? Fizeste um acordo com o Diabo?

Possuo algo que vos aconselho a cultivar mais.

Certeza e uma dose saudável de ego.

Têm de ter mais auto-confiança.

Eu acredito em tudo o que faço, penso, sinto e digo.

As dúvidas e insegurança são sinónimo de fraqueza.

Há tanta coisa que ensombra as nossas vidas,

o medo, a negação, a impotência mental.

A hesitação paralisa-nos,

na nossa mente e no caminho para o sucesso.

Vejo isso nos vossos olhos.

Se permitirem que essa parte fraca vos domine,

mais vale pensarem em deixar este meio.

Porque restar-vos-á apenas viver na sombra de homens como eu.

- Muito bem dito. - O que vão desejar esta noite?

Bouilabaisse?

Bouilabaisse.

- Isso está ao contrário. - Então faz tu, tenta.

Sra. Sabichona.

Não és nada como o Al Bourlan.

Quem é esse?

É o faz-tudo do programa Home lmprovement.

Nem todos podemos ficar em casa a comer chocolate e ver televisão.

- Há quem tenha de trabalhar. - O que tu fazes não me importa.

Mas tens de estar cá quando as águas desta donzela rebentarem.

- Também não te estás a sair bem. - Estou a fazer melhor do que tu.

- Tenho de atender. - Atende à vontade.

Daqui fala Renart. Michael.

Quando?

Se se confirmar, fico a dever-te um grande favor.

Diz-me a morada.

Sim, está bem.

Por vezes, penso em desistir...

Antes que seja tarde demais, antes que eu acorde

e descubra que a minha vida é um pseudo-excesso.

Queria fazer outras coisas.

Construir uma casa, escrever uma canção, criar algo.

Nunca conheci ninguém que criasse algo.

Segunda Avenida?

- Queres vir connosco, Tom? - Eu vou para outro lado.

- A noite ainda é uma criança. - Diverte-te.

- Dá cumprimentos à Eve. - Não disseste para me divertir?

Tem cuidado, Tom, senão és apanhado pelo Gozador.

Já começou?

Sim, Sr. Turner.

Posso apresentar-me?

chamo-me Fricke, advogado do Ministério Público.

Espero poder tirá-la daqui em breve.

Olá, eu sou a Sandra. Posso fazer-lhe uma pergunta?

O que se está a passar? Julguei que ia ser só uma encenação.

Não lhe posso dizer ao certo, mas julgo que cometeu um homicídio.

Ridículo. vVocês são loucos?

Isto é uma parte nova do guião? Não me foram entregues mais páginas.

Para podermos trabalhar em conjunto, tem de me contar a verdade.

Se quiser confessar, esta é altura ideal.

Não matei ninguém, nunca cometi crime algum.

- Eu sou actriz. - E isso não é um crime?

Quer declarar-se inocente?

Não, quero é ir-me embora.

Não sei se pode, mas vou tentar.

Mas antes disso, terá de assinar isto.

Diz aqui que admito ter cometido actos hediondos...

...contra a Humanidade, incluindo homicídio,

que peço perdão e que desejo ser executada.

- Você apreendeu bem a situação. -Vá-se lixar, mais a merda do papel!

- O que se está a passar? - Silêncio!

Larguem-me! Quero ir-me embora daqui já!

Vamos lá começar.

Afaste-se de mim!

Larguem-me!

Amadores.

Não me toquem! Parem!

Larguem-me! Ajude-me, por favor. Ajude-me, por favor.

Entregas o teu amor, apesar do amor ser o tesouro das mulheres.

No teu caso, tudo é possível, mesmo sem amor.

Como é que alguém te pode amar e respeitar,

se qualquer homem te pode possuir?

Mas amo-te, á minha maneira, e devias agradecer esta minha prenda.

Não terás de passar pelos horrores que estão para vir.

Não o posso deixar entrar.

Acho que podes.

O seu distintivo não vale de nada.

A menos que traga um mandado, não entra aqui.

Mas tu és aluno de Direito?

Conheces a Lei da Gravidade?

Depois de morreres, colocam-te num caixão e enterram-te,

ficas só e abandonada.

Está escuro na tua sepultura.

Nela entra água suja.

E ao baixarem o teu caixão,

nem o coveiro deixará de rir-se perante a tua vida insignificante.

E com esse riso, tu e a tua memória serão enterradas.

Assina e podes ir ao funeral dos teus pais.

Que conversa é essa?

Ela sabe que tem de morrer,

que tem de fechar o pano sobre o espectáculo.

Ela ouve tudo.

Lembra-se do Juiz, das testemunhas, advogados, do médico,

dos funcionários presentes.

O seu corpo, agarra-se aos braços da cadeira,

partem-se-lhe as unhas, antes de...

...finalmente morrer.

Sandra, olha.

Está aqui a tua assinatura.

Há muito que não vês este papel.

Não te surpreendas.

Esta é uma assinatura que todos fazemos.

Corta.

- Obrigado por terem vindo. - Está feito.

Eu sigo o meu caminho,

juntamente com os meus irmãos e irmãs pelo rio.

A água negra e gélida enche-nos as narinas...

Eu sou uma vaca, alguém me atinge na cabeça.

E eu contorço-me e caio.

Sou um pinto recém-nascido que foi separado dos seus irmãos.

Sou posto de lado

e a máquina trituradora desfaz o meu corpo vivo.

Sou o soldado ferido que será atacado pelo inimigo,

que me arrancara o coraçao como troféu, comuma baioneta.

Um carrasco aproxima-se,

encosta uma lâmina ao meu pescoço e corta-mo.

A minha cabeça cai dentro de um cesto, consigo ver o céu.

Saia daí, sacana. Saia.

Mãos contra a parede.

Estava só a fingir.

Ai sim? Então finja que é esperto e faça o que lhe mando.

Tem identificação?

Soube que ia dar-se aqui um espectáculo.

Sim, acabou agora mesmo, foi muito entusiasmante.

Estávamos a ensaiar o número que vamos apresentar esta semana.

Pode perguntar ao gerente da casa. Deve haver aqui algum engano!

O que se passa? Eu sou actor, estávamos a ensaiar.

- Eu não sou criminoso nenhum. - Já conheço essa conversa!

Muito bem, De Niro, vou confirmar junto da Associação de Actores.

Se me estiver a enganar, vai passar a viver na cadeia.

Tem muita raiva dentro de si, Detective.

Tem uma aura de fúria, isso e perigoso.

Devia juntar-se ao nosso grupo, pode concentrar essa emoção,

pode controlá-la.

Como actor, chamo a esta técnica motivação.

Ai sim?

Ponha-se a andar daqui.

Pire-se!

Michael?

Michael? Mas que merda é esta?

Mas que merda é esta? Não se passa nada na cave.

Vim cá por tua causa, idiota.

Isso mesmo.

Se me voltas fazer perder tempo...

Telefona-me quando tiveres dados concretos.

Tommy! Magoaste-me!

Magoei?

Magoei?

E agora?

Pára!

E agora?

Dói-te?

Tom?

Aonde vais?

Estava no meio duma tempestade,

mortos e miséria por todo o lado.

Só temos certeza duma coisa: Estamos lá, não é uma brincadeira.

Mortos por todo o lado, mas sentimo-nos vivos, a adrenalina.

Só há uma certeza, podemos morrer,

De repente, apercebemo-nos disso.

E pumba, um amigo meu é atingido.

Começa a chamar pela mãe: Mãe, por favor...

Bill, novidades?

Agrada-me ver pessoas felizes no seu local de trabalho.

- Tens novidades? - Por acaso, até tenho.

Consegui salvar o rolo da máquina do vosso turista.

Boa.

São coisas típicas de turista.

Um passeio pelo parque, nada de novo.

Olha esta. É uma rua da Baixa,

olha para a parte de trás, onde a luz é difusa, mal se nota.

Olha para a esquina do beco. Estás a ver alguma coisa?

- Não se nota o que é. - Eu disse exactamente o mesmo.

Por isso mandei ampliar. E voilá.

- Cumprimente-o, Detective. - Olá, parvalhão.

Deve ter tirado a fotografia antes de ser atacado.

Primeiro deve ter-lhe acertado com as setas, à índio.

Os índios não atacavam assim.

O nosso homem atacou outra vez, desta feita uma rapariga de 16 anos.

Olá.

- Quer vê-la? - Quero.

Merda.

- Morta à coronhada? - Sim.

Quero que examine outra vez a área, não é um acto isolado.

- Há testemunhas? - Não há muitas.

Era de prever. Uma rua da cidade, pela manhã, e nada de testemunhas.

Isto está cheio de abutres.

Vivia na rua, não tinha família, nem amigos, pelo que sabemos.

Um tipo encontrou-a aí, telefonou para o 111,

e nestes casos aparece logo gente.

- Onde está o tipo que a encontrou? - No meu carro, chama-se Tom Turner.

Eu sou o Detective Renart e esta é a Detective Smith.

Como se sente?

Tenho as pernas a tremer que nem varas verdes,

- Mas acho que estou bem. - Não quer nada?

Um café?

A última coisa de que preciso é cafeína.

Só me apetece fechar os olhos durante anos, depois do que vi.

Conte-nos o que viu.

- Vinha a descer a rua... - la para onde?

Estava a dar uma volta.

E vi algo...

Parecia uma criança a dormir na rua.

Como este não é um bairro muito bom,

achei que podia ajudar. Por isso fui ter com ela...

Levantei-lhe a cabeça com jeito e vi logo o que tinha acontecido.

Tem sangue aí.

Devo ter-me sujado quando lhe levantei a cabeça. Meu Deus.

Por que fez isso?

- O quê? - Por que lhe levantou a cabeça?

Ia tentar acordá-la.

Pensei em levá-la para um abrigo.

Viu alguém antes ou depois de encontrar o corpo?

Não sei,

não estava à procura de ninguém.

Não me lembro de nada.

Nesta zona, anda-se de cabeça baixa e sempre com passo apressado.

Por isso não entendo o que fazia aqui, este bairro é muito perigoso.

Responda.

Desculpem.

Sei que a manhã foi tramada, O que fazia neste bairro?

- Estava a dar uma volta. - Só isso?

Só vim dar uma volta.

- Há café? - Temos aqui.

Agora deram em servir café nestes copos.

- Já li algo sobre este tipo. - Leu o quê?

É um tipo da Wall Street, um geniozinho da Bolsa.

É dos melhores.

O que achas?

O que acho? Acho que o gajo só disse balelas.

Não veio passear aqui sem mais nem menos.

Não é do género de dar passeios, já viste a roupa dele?

Só aquela roupa é o meu ordenado todo.

Não...

Este tipo está a esconder-nos algo.

- Podia estar a procurar prostitutas. - Um tipo como ele não precisa disso.

- E o Hugh Grant precisava? - Tens razão, mas escuta...

- Quero lev á-lo à Esquadra. - Vais apertar com ele?

Sim, vou abanar a árvore, para ver o que de lá cai.

Sr. Turner, ainda bem que sabe que tem direito a um advogado.

O meu cliente conhece os seus direitos. E você?

Não tem impressões digitais,

o meu cliente não abandonou o local e até ligou para o 111.

Mas temos uma rapariga morta.

Lamento muito, mas o meu cliente fez uma declaração.

Vamos lá rever isto.

O seu cliente andava a passear

numa zona em que nao convem sequer cuspir.

E vê um corpo.

Vai lá, mexe no corpo, levanta-lhe a cabeça

e fica sujo de sangue?

Foi isso o que meu cliente disse. Lamento que não baste para vocês,

mas é o suficiente para os legisladores deste estado.

Quero saber o que lá estava a fazer. Está todo manchado com sangue dela.

Pode servir-me um copo de água?

Ela não é sua criada.

O Sr. Turner é um homem de negócios bem sucedido e respeitado,

que nem uma multa de estacionamento tem.

É também testemunha de um homicídio muito bem executado.

Pode ser o nosso único suspeito.

Tenha calma, Detective Renart.

Desde quando o meu cliente é suspeito de ser assassino em série?

Quem falou em assassino em série? Eu não falei.

Tu falaste? Tenente?

Aqui ninguém falou em assassino em serie.

Então, podemos ir para casa?

Ou temos de ir ao jornal The Times divulgar este incidente?

Então que fotografem bem a cabeça esmagada da rapariga.

- Assim aumentam a tiragem do jornal! - Isto é um procedimento de rotina.

O Detective Renart é um bom agente e quer fazer um bom trabalho.

É um tanto telhudo, por isso... Pode ir-se embora, Sr. Turner.

- Só quero saber o que lá foi fazer. - Não, Jim... Peço desculpa.

- Se vos puder ajudar em algo... - Optimo

Não toquem mais no assunto e esquecemos este incidente.

O Tenente não precisa doutro processo, tem mais que fazer.

Tem toda a razão.

Obrigado pela água.

A cidade está muito perigosa e se não fossem os bons polícias,

o que seria de nós?

Espero sinceramente que encontre o homicida, Detective.

Vou encontrar, esteja descansado.

Muito bem, meus senhores...

Este tipo é tão culpado, mas tão culpado...

Nota-se a milhas. Viste a atitude dele?

Senta-te.

Quando vos pedi para prenderem um suspeito, deduzi, peço desculpa,

que o fariam acompanhar de provas. No tribunal, convém ter provas.

Tu disseste que sou bom agente, que tenho bom instinto.

Não vou perigar do Tom Turner nos processar.

Ai com cuidado. Não arrisco a levar com um processo,

a menos que tenhas provas concretas, estás a entender?

Entendo. Então estás a dizer que Justiça é cega.

Por que és tão idiota?

Apresenta-me provas e eu apoio-te incondicionalmente.

Até lá, tens um trabalho a fazer.

Jim. Fecha a porta.

Um conselho, sigam o vosso instinto, mas tenham cuidado, sejam racionais.

Se o Turner percebe que está a ser seguido, somos despedidos.

Por isso, se decidirem continuar a investigar este suspeito,

voltem com provas, senão digo que desconheço esta investigação.

- Entenderam? - Obrigado, Tenente.

A adolescente foi identificada como sendo Sally Mart.

Conseguiu sobreviver nas ruas apenas oito meses,

o tempo necessário à cidade para a destruir,

tal como destrói dezenas de crianças desta idade.

A polícia não tem pistas, nem suspeitos.

O que é mais entristecedor...

- Importas-te de desligar isso? - Já vai.

...o suspeito pode não ser apanhado, como já sucedeu antes.

O mundo fica mais perigoso por isso. Eu sou a Cindy, em KFS News.

- Tiveste um mau dia no trabalho? - Tive, pior do que imaginas.

Jim.

Já pensaste em pedir demissão?

Não digo da Polícia, mas do Departamento de Homicídios.

Isto não te afectava tanto.

Quando chegas a casa, os teus olhos têm cada vez menos vida.

- Achas que devo demitir-me? - Só te fiz uma pergunta.

Quando eu era miúdo, um rapaz do meu bairro, Jimmy Peters,

foi assassinado.

Levou uma pancada na nuca comum tubo de aço.

Deixaram o corpo atrás do meu prédio.

- Por que me estás a contar isto? - Deixa-me acabar.

Eu e os meus amigos começámos a procurar pelo assassino.

Achávamos que podia ser fulano ou sicrano.

Talvez devesse dinheiro a alguém, talvez tivesse chateado alguém.

A polícia apanhou o culpado, vivia dois prédios abaixo do meu.

Era o Billy Orneson, um rapaz introvertido, ia à missa.

A minha mãe ia tendo um ataque, um assassino entre nós.

Mas a Polícia conseguiu apanhá-lo e todos ficaram satisfeitos.

- Menos eu. - Porquê?

Exactamente, eu tinha de saber porquê.

Fui à Esquadra e pedi para falar com o Detective responsável.

- E ele veio falar comigo. - Estás a brincar.

Não, veio mesmo. E eu perguntei-lhe:

Sr. Agente, por que fez isto o Billy Orneson?

E aquele polícia olhou de cima para mim e disse:

Rapaz, isso é um segredo da Polícia.

Estava a aliciar-te.

- Funcionou. - Tornaste-te agente por curiosidade.

Desculpa lá, mas a curiosidade não matou algo?

- Sim, o livre arbítrio. - Não.

Tenho medo que mate outra coisa. Não entendes?

Está estabelecido um limite.

Todos os dias é estabelecido por pessoas que mudam as suas vidas.

Estamos muito perto de realizar a maior mudança das nossas.

Talvez eu não contasse com esta mudança,

talvez não esteja preparado.

Este bebé é a coisa que mais quero no mundo.

- Eu sei. - E julguei que também quisesses.

E queria... quero.

- Sarah, não te sei explicar. - Quando souberes explicar...

...espero que tenhas algo para me dizer.

Eu vou deitar-me.

E se não querias o bebé, devias ter dito isso há oito meses.

- Aqui tem, Cabernet. - Obrigada.

E para o senhor.

Querem pedir?

Não, precisamos de mais tempo.

Falaram-me duma residencial adorável em Westchester.

Podemos ir até lá este fim-de-semana. Podias comprar-me algo sexy...

Neste mundo, a imagem é tudo, somos todos mercadorias.

Não me digas que não me entendes.

Nós modelamos a nossa aparência segundo a procura e oferta.

Há coisas que passam de moda.

E então?

E tu, Eve, és mercadoria antiga. O quê?

Está tudo acabado entre nós. Lamento.

- Mentira, não lamento nada. - Estás a gozar, não estás?

- Tu achas que me amas, Eve? - Claro que te amo, querido.

Então, diz-me, doce Eve,

o que amas em mim?

- Como? - Nem a pergunta entendes.

A resposta é simples, amas o meu dinheiro.

Não tenho outra qualidade que te leve a entregar-me o teu coração.

- Não é só isso, tu és... - Sê verdadeira, Eve.

Não me amas. E, para ser sincero...

- Acho-te repugnante. - Como te atreves?

É verdade, não preciso de ti para nada, és uma mentecapta.

Nos últimos dois anos, não formaste sequer uma frase interessante.

Passas-me a manteiga, por favor?

Em vez de resistires, presta atenção. Se escutares os meus conselhos,

podes ser uma pessoa diferente quando tiveres 30 anos.

- Mas nem aos 30 eu casaria contigo. - A igreja...

...o copo-de-água, a lua-de-mel, está tudo preparado.

- Eu estou a morrer. - O quê?

Eu estou a morrer e tu já estás morta.

Ou ser apanhado por um polícia, mas, claro, eu terei de o ajudar.

Ele não faz ideia que temos tanta coisa em comum.

Isto não pode acabar assim, a mesa.

Já alguma vez tiveste de esperar um telefonema?

Já deste contigo a olhar para o telefone,

até teres a sensação de ali estares há horas, à espera que toque?

Há três anos que estou à espera de um telefonema.

Lamento muito, Sr. Turner, mas a sua noiva morreu.

Estão a olhar para ti, Eve.

É melhor ires embora, já.

Bem, têm dois dias até o FBI tomar conta do caso.

As setas foram fabricadas no Canadá, só são vendidas lá.

O nosso suspeito é discriminativo, ou então patriótico.

- Os pais do Tom não são canadianos? - Não, são alemães.

Detective Smith, não tenho mais ideias.

Eu tenho uma ideia, mas tens de me ouvir.

Talvez eu deva aproximar-me dele e utilizar os meus trunfos.

charme feminino.

Acha mesmo que tem habilitação para este trabalho, Detective?

Vá-se lixar, Detective, sabe que tenho os meus meios.

Sim, mas não acho que esteja certo meteres-te na toca do lobo.

Na pior das hipóteses,

ficaremos a saber melhor se ele é culpado ou não.

Na melhor das hipóteses, apanhamos o sacana.

De qualquer forma, ganhamos.

Não ponho em causa a tua capacidade profissional,

mas o Tom Turner vai fazer pior. Se fosses homem, eu diria o mesmo.

Deixa-me tentar, deixa-me ser simpática com ele,

deixá-lo á vontade, até que ele se descontraia...

As pessoas desleixam-se quando confiam em alguém.

Duas coisas. Primeira, tem correio.

E está aqui uma Dorothy Smith da Polícia para falar consigo.

Peça-lhe que entre.

As datas de casamento, tal como as regras, são para desrespeitar.

Compareça á nossa festa ás 12:00H de 20 de Novembro, no café Ritz.

Tinhas razão, Tom, não és homem para mim.

E também tinhas razão quanto a sermos amigos, por isso te convido.

Boa tentativa, Eve.

Por aqui.

Está tão escuro.

Devia estar pendurado no tecto de cabeça para baixo.

Que engraçadinha, Detective, piadas de vampiros.

Não têm piada nenhuma, ainda que esteja mesmo escuro.

Mas o que importa aqui é saber o que faz no meu escritório.

O meu advogado, a quem pago muito bem,

avisou-vos de que a investigação não poderia ser divulgada.

E no entanto veio até cá e apresentou-se como polícia.

É verdade que estou a realizar uma investigação

e é verdade que você encontrou o último corpo.

Vim interrogar uma testemunha e não um suspeito.

Não acredito que eu seja intimidante.

Não confunda apreensão com intimidação.

Mas não a posso ajudar mais do que já ajudei.

Tem a certeza de que não viu mais ninguém na rua naquele dia?

Uma sombra, uma voz, qualquer coisa...

Não, como já disse ao seu colega muito intenso...

O Detective Renart tem trabalhado comigo desde o primeiro homicídio

e não temos pista alguma. Peço-lhe que entenda.

Parece-me um homem determinado.

Os homens determinados não têm uma paixão pela sua vida

igual á paixão que têm aos problemas do momento.

- O que faz aqui? - Sou corretor.

Sempre gostei mais do trabalho físico.

Nada de computadores ou secretárias. Como é que isto funciona?

- Dê-me o seu telefone... - Por que lho haveria de dar?

Você pretende algo de mim e eu pretendo algo de si.

Quid pro quo. É uma expressão latina, quer dizer...

Eu vi o Silêncio dos Inocentes, sei o que quer dizer.

Que condescendente da minha parte, peço desculpa.

Está desculpado.

No meio em que me movo, todos querem ser os melhores.

- É fácil vermo-nos enredados. - Acontece o mesmo no meu trabalho.

É uma actividade que dura 24 horas por dia.

Por vezes, é solitário. Vemos o mundo sob uma perspectiva clínica.

Partimos do princípio de que todos têm algo a esconder

e não desistimos até comprovar que estamos certos, ou errados.

É assim que descobrimos a verdade.

Voltamos ao mesmo ponto, á verdade.

Julgava que estávamos a progredir.

Não vim aqui fazer progressos, vim interrogá-lo.

Eu ofereci-lhe a solução, mas voce recusou-a.

Está bem, eu alinho. O que quer de mim?

O seu número de telefone e uma noite agradável.

5550129.

Quid pro quo. O que faz aqui?

- Quanto ganha num ano? - Isso é um tanto pessoal, não é?

42 mil dólares por ano, 28 limpos.

Se levar este dinheiro a um banco,

um idiota vai falar-lhe das coisas que pode fazer com o seu dinheiro.

E esse mesmo idiota vai entregar-me o seu dinheiro

para eu fazer o que bem entender.

- O meu trabalho é menos assustador. - Exactamente, medo.

É isso que impede as pessoas de ascenderem a um nível superior.

Os seus 5% são utilizados para cobrir despesas de transferência.

O que resta não cobre a inflação e se excede o depósito bancário,

passa a conhecer a nossa actual e muito legal forma de escravatura.

Parece-me um homem interessante. Pode ser ás 19:00H?

Perfeito.

- Adeus, Detective Smith. - Adeus.

Ou posso tratá-la por Dorothy?

Não, ainda não pode.

Diz-me uma coisa, vais ficar aqui muito tempo?

Não. Desculpa lá ter andado distante.

Prometo que quando solucionar este caso...

Surgirá outro e depois outro... Escuta, casei-me com um polícia.

Foi uma decisão minha, eu sei lidar comisso.

Mas a tua filha não. Não escolheu ser filha de um polícia.

Aguento estar só nos meus anos, mas uma criança não aguenta.

Tens deveres para com os mortos, mas também para com recém-nascidos.

Eu sei e estou preparado.

Prometo que as coisas serão diferentes, mas se não fizer isto...

Se não o quê? O que vai acontecer, O que vai ficar na mesma?

Está bem, Jim, salva o mundo, é o que melhor sabes fazer.

E eu faço o que ultimamente sei fazer melhor, virar-te as costas.

Então, sou aquilo que esperava?

Tento manter o meu espírito aberto.

Deixe-me adivinhar.

Achou que me ia gabar do meu dinheiro

e a iria impressionar com o meu conhecimento de boa comida e vinho.

Qualquer coisa assim.

Detective, bem sabe que as pessoas não se resumem ao seu trabalho.

Você é policia, por isso é rija, mas tambémuma mulher.

E noto em si o seu lado meigo.

Nota? A maior parte das pessoas não se apercebe.

Sou um astuto observador de detalhes.

Agora que já a analisei, como acha que eu sou?

É muito mais simpático do que eu pensava.

E divertido, não se esqueça disso.

Claro, essas palavras são utilizadas

para descrever assassinos em série desconhecidos.

Para além de calmo e modesto. Não é por isso que veio até cá?

Quer saber se sou o assassino.

Bem, não o descreveria como calmo e modesto.

- Por isso estou safa. - Não me importa.

Se isso é indispensável para estar na sua companhia, que assim seja.

O seu colega, o Detective Renart, acha que eu sou o culpado.

Bem, digamos que o júri ainda está a deliberar.

Depois informe-me da decisão.

Olá, fala Dorothy Smith. Agora não posso atender,

mas se quiser deixar mensagem...

...não é preciso ser Detective para a decifrar.

Olá, cowboy.

Faça favor de entrar.

Meu Deus, que apartamento lindo.

O que faz?

500, não é?

Sim.

Tenho duas perguntas a fazer.

Podes colocar isto? E posso tratar-te por Dorothy?

Dorothy, é o Jim. Desculpa telefonar-te a esta hora.

Não é nada importante, mas...

Tive outra vez o mesmo sonho. Estou a ver o jogo da Taça,

recebo um telefonema, o estádio foi tomado por terroristas.

Eu vou pelo corredor que vai dar ao campo,

mas quanto mais corro, mais longe fico do campo.

Só ouço o público a pedir mortes.

Quando consigo chegar ao campo, a multidão desaparece.

Só vejo os corpos dos terroristas junto á linha dos 45 metros.

A medida que me aproximo, vejo que não são os terroristas.

São os corpos de todas as pessoas que não salvei, enquanto agente.

A última vítima da fila és tu.

Faz-me um favor, apaga isto.

- Como é que ele se comportou? - Foi simpático.

É assim que se descrevem os assassinos em serie.

- Curioso, ele disse a mesma coisa. - Sim, tem muita piada.

- Achas que não é o culpado? - Não disse isso.

Tens um palpite que posso confirmar, eu posso chegar mais longe.

Posso confrontá-lo, ver nos seus olhos se ele é capaz de matar alguém.

E então?

Não tenho certezas, por isso hoje vou fazer-lhe o jantar.

Lindo.

Não te armes em meu pai. Já tive um, bem mau, já me chega.

- Smith, isto não é pessoal. - Ai não?

Para que me deixaste a mensagem? O que se passa contigo?

Desculpa lá, estou a ficar apanhado com este caso.

Isso é óbvio, merda.

- É do bebé, eu vou ter uma filha. - Parabéns.

Eu estou a lidar com questões importantes,

se mais compreensiva. Uma filha minha vai vir ao mundo,

peço desculpa se estou preocupado com as merdas que nele vemos.

Tenho de encontrar sentido nisto para aceitar a ideia de procriação.

Especialmente se não apanho um idiota que anda a cometer genocídios.

Não quero discutir contigo.

Por que não revemos tudo? Hoje é o meu dia de folga,

mas não me importo de rever os casos até descobrirmos algo.

Que tal?

Já é alguma coisa.

Isto é pela mensagem.

- Trouxeste-me café, que simpática. - Eu preocupo-me contigo.

Quero que tenhas cuidado com ele, mais nada.

Está bem.

Lamento, foram retirados do caso. O FBI chega amanhã.

Sim, tenho autorização para fazer isso.

- Mas eu pensei... - Não penses quando falas comigo.

Faz o que te compete. Obedece ás minhas ordens.

- Ou então desces de categoria. - Quais são as contas?

Utiliza o dinheiro de todas as contas que temos.

Não deixes nenhuma de fora.

- Quais são os limites? - Não há limite.

Compra até que eu dê ordem para parar. E, Peter...

- Sim, Sr. Turner? - Se voltas a duvidar de mim...

...vais passar o resto da tua vida a vender cachorros quentes na rua.

Cachorros quentes.

chiça!

- Como é que entrou? - Não me ouviu bater á porta?

A porta estava aberta, por isso entrei.

- Pensei que estava trancada. - Não, devia ter mais cuidado.

Obrigada pelo conselho. O jantar ainda não está pronto.

Por isso, ponha-se á vontade.

Sente-se.

Ponha-se á vontade.

- Já estou á vontade. - Ainda bem.

- Estou? - Estou?

- Jim. - Ele já chegou?

Sim, já chegou.

Vou servir-lhe o jantar.

Se fizer as perguntas certas, da forma certa, na altura certa...

...saberei se ele é culpado. - Optimo.

Tem cuidado. Se houver algum problema, sabes onde estou.

Obrigada pelo telefonema, pai, mas agora tenho de trabalhar.

Está tudo bem?

Tom?

Tom?

Tom?

Belo tiro, não foi?

Atingi-a acima duma artéria principal, ao lado da medula espinal.

É o suficiente para a paralisar, mas não para a matar.

Treinei este tiro durante muito tempo.

A precisão excita-me.

O que é pior, Dorothy?

Saber que jamais deveria ter confiado em mim?

Ou saber quais as consequências que daí advieram?

É mais agente do que é humana?

A Humanidade, por favor...

A população humana está reduzida a parasitas e lambe-botas.

É enojante e aborrecido.

Por isso, sabe o que fazemos?

Arrancamos os olhos a uma pessoa,

porque ela jamais verá a verdade diante de si.

E tiramos-lhe as orelhas porque ela só ouve o que lhe convém.

São acessórios inúteis.

Tiramos a língua a uma pessoa

porque já não aguentamos tanta mentira.

É a teimosia, cega e surda, das pessoas que nos leva a fazer isto.

Tenho más notícias.

A nossa relação não vai resultar.

Mas não se preocupe,

dizem que uma bala no lugar certo muda tudo.

E o assassino e a vítima ficam unidos para sempre.

Nunca mais vai estar só, Dorothy.

Não tem de quê.

- Estou? Fala Renart. - Nunca mais vai estar só, Dorothy.

Meu Deus.

- Peter? - Tom.

- Como está a correr isso? - Es o maior, se vendermos...

- Não vendas nada, cabrão. - Não te estou a perceber.

Não sei por que insistes em pensar, não vale a pena.

- Mantém tudo, entendes? - Sim, mas...

ai buscar a minha roupa á lavandaria.

Smith?

Dorothy!

Céus!

JIM RENART

Meu Deus, Sarah! Sarah, não!

- Comprar mais? - Acredita, sei o que estou a fazer.

- Tens a certeza? - Continua a comprar.

Espero que estejas em casa. Sarah, atende.

O programa vai começar, não devia ter chegado atrasado.

- Assim não podemos ensaiar. - Tive assuntos a resolver.

E quando se ensaia demais, perde-se a espontaneidade.

É verdade. Vamos.

O tema de hoje é O Segredo do Sucesso.

Iremos falar com jovens americanos que são exemplos desta noção.

Vamos dar as boas-vindas ao primeiro convidado,

um corretor da Bolsa que ganhou mais de dez milhões de dólares

só em comissões este ano. Apresento-vos Tom Turner.

Olá, Tom.

Diga-nos, como é estar no topo?

O sucesso é algo que nos é intrínseco.

Daqui Renart, enviem um carro patrulha para a minha casa.

Vamos filmar o Turner. Câmara três, preparar. Filmar.

O que o fascinou no seu trabalho?

O perigo é que é atractivo.

A única forma de não sermos assaltados e mortos,

é assaltando e matando.

- Está a falar em termos figurativos. - Não.

Pilhar sempre foi a política oficial Não me podem dar ordens.

Não são meus donos.

Não me podem criar, eu ja sou quem sou...

Não!

Sarah!

Meu Deus!

Aguenta-te, não te mexas!

Pronto...

Pronto, está descansada, não te largo.

Não tenhas medo, vais ficar boa.

...para ajudar os ricos a permanecerem ricos.

- Nós influenciamos este método. - Importa-se de explicar melhor?

Aguenta-te.

- Agarre-a. - Está quase.

Vais ficar boa.

Glorificamo-nos como heróis, perante a Humanidade,

á custa dos que matámos.

Mas não há nada...

...seja politica ou financeiramente...

Temos por política não nos envolvermos.

Sr. Turner, admiro a sua honestidade.

- É um pensamento nada convencional. - Que análise exacta.

- Não admira que tenha tanto sucesso. - Ainda bem que me compreende.

Sabe, eu tiro prazer daquilo que faço.

E para obter a felicidade verdadeira, outras pessoas têm de sofrer.

Está a dizer que para nos sentirmos bem, outros têm de sofrer?

Não há outra explicação para alguém matar uma jovem de 16 anos

e se achar esse acto, não só aceitável,

como também necessário.

Acho que chegámos a uma boa altura para passarmos á publicidade.

Detesto publicidade, é tão comercial.

O que posso fazer para manter a conversa interessante?

Isto é a morte!

A sua morte!

Adoro programas da vida real.

Vai apanhar esse sacana. Vai lá.

Eu estou bem, vai apanhá-lo!

- Está bem. chame uma ambulância. - Está bem.

Está a cair como? Não é possível.

Sim, está bem, verifica a outra.

Merda, eu já te telefono.

Estou tramado.

O mercado está em queda, as acções que o Tom mandou comprar.

- Sabe para onde ele foi? - Acho que foi para o café Ritz.

Muito obrigado.

Tina! Onde está o Turner, merda? Que andou ele a fazer?

Isto é terrível. Telefona-lhe imediatamente!

PROBLEMAS TÉCNICOS

- Renart? - Sim?

Vai ao café Ritz, a secretária do Turner diz que ele foi para lá.

- Fica-te a caminho. - Não estou longe. Como é que sabes?

Confia em mim, vai lá ter.

Legendagem corrigida Palito

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