All language subtitles for Belas e Corrompidas xx

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Original subtitles

Dona Isabel.

Alguém viu? Não.

Dona Isabel, eu...

Francisco.

Vai dormir, Arthur.

Eu queria saber se... Deixei o portão do quintal aberto.

Eita chuvinha que não vem.

Diga, Maria. Fale de Nossa Senhora.

Ai, meu Deus.

Nossa Senhora, faz isso.

Meu Deus.

É o palhaço de Olímpico.

Obrigada, Igor.

Está todo molhado.

Nome mais sem juízo. Você pode pegar um resfriado.

Tira a roupa. Tira, meu bem.

Ah, não tem importância. Ela sabe que você está aqui.

A patroa.

É.

Ela que abriu o portão do quintal.

E foi ela... que me deu esse perfume.

Por quê?

Por quê?

Eu me fiz um serviço.

Você está girando bem.

Vai ser como da primeira noite.

É Jolin, o palhaço.

Estava desempregado há alguns meses.

Mas senhoras caridosas tinham feito uma lista para ajudá -lo. Veja, arranhões

aqui e aqui.

Interessante. Parecem picadas e arranhões.

Deve ter havido luta corporal. Eu não diria isso.

Mas me parecem arranhões causados por unhas femininas.

Nas zonas erógenas.

Mas o que o matou?

Algum instrumento contundente. Ou picada de escorpião.

Escorpião? Mas isso depois da vítima ter copulado.

Copulado?

Mas como é que o senhor sabe?

Eu não sei. Mas calculo pelos arranhões e pelo inconfundível sorriso da vítima.

Acorda, vagabundo!

Acorda! Acorda, seu cretino!

Acorda. Bêbado.

Tula, me ajuda aqui.

Acorda. Vamos.

Vamos. Vamos para o quarto.

Anda. Todo dia mesmo foi.

Será que você não toma jeito?

Ai. Estão bêbado outra vez.

Pobre Isabel.

Que pecado ela fez para merecer um irmão desse.

Claro.

Eu estava melhor dentro do carro.

Não, mas eu bêbado. Eu bebo para esquecer. O quê?

Você não ia entender.

Sei, eu que sei que essa mulher trabalha.

Maldito. É uma opção para dentro da casa.

A senhora não pode fazer isso.

Você não me disse ainda como ela me deixou entrar.

Foi para pagar um favor.

Como que ela é, hein?

É uma mulher como qualquer outra.

Ela é bonita. Não me venha falar de outras mulheres.

Você tem a mim e deveria levantar as mãos para o céu.

Lembre -se que você me conheceu virgem.

Virgem. E não foi fácil para mim conservar a virgindade.

Preciso só saber.

Pois, afinal de contas, o perfume é dela.

É dela, sim, eu sei.

Pede só bengala e saia. Vamos.

Saia.

Sai.

Pronto, vai embora.

Vai embora.

Sai.

Quando volto? Quando encontrar o portão aberto.

Sim, acho que nós da sociedade aqui somos as verdadeiras culpadas. Por quê?

Porque fizemos uma lista para ajudar o coitado. Rendeu dois mil cruzeiros. O

dinheiro desperta a cobiça.

É, o dinheiro foi encontrado com ele. Mas como ele não foi roubado?

Bem, aqui diz que ele foi vítima de uma tarada sexual.

E tem mais.

Ele morreu com um sorriso nos lábios.

Veja.

Está sorrindo mesmo.

Nunca vi o Deolin sorrindo assim.

Está com inveja.

A patroa mandou pedir um quilo de alcatra.

Diga a ela que o Guto leva depois.

Bem, dona Tula, a senhora vai perdoar, mas... estamos sem alcatra agora.

Mas nós temos alcatra.

Indo lá podem se tornar íntimos. É o que quer, não é?

Acho que sou eu, patrão.

com a rudeza com que minha irmã julga o seu Teolim.

Era um palhaço amado por duas ou três gerações. Nunca se soube de uma única

mácula em sua vida.

O seu contato com essa senhora... Senhora? Com essa fera, quer dizer?

Se me permitem... O

contato com essa criatura...

Pode ter sido uma espécie de recompensa... por toda uma vida de...

abstinência e... pureza.

Recompensa.

Recompensa. Ora, você deveria ter vergonha.

Essa é uma teoria. Que você deveria ter vergonha.

Vergonha de expor perante a senhorita Isabel.

Deolim. Deolim, quando se viu de posse do dinheiro... perdeu a cabeça.

Entregou seu...

Nosso próximo beneficiário está para sair da prisão. Não receberá um centavo

nosso. Vamos lhe dar trabalho.

Está encerrada a sessão.

Seu Brotero, aceita uma xícara de chá?

Sabe, está para chegar... a cama estilo Maria Antonieta que a senhora me

comentou.

Passe na loja esta semana.

Sua interpretação da morte de Diolinho... foi muito humana.

Dona Isabel, eu lido com feriarias, mas meu espírito é... Seu Brotero.

É um assalto! Um assalto! Ele tocou no meu corpo todo!

Pensa que eu sou um quebra galho!

Porra!

Você não entende. É Wagner.

Eu prefiro coisas românticas.

O que significa isso?

É uma opção de venda desta casa.

Eu não vendo a casa.

E metade dela é minha.

Se você assinar, nós ficaremos... X de grana.

É muito mais cômodo, mais confortável e higiênico.

Morou em um apartamento.

E sabe o que eu vi outra noite voando por aí?

Um morcego.

Um morcego?

Vamos vender a casa.

Eu não assino.

Estou falido, tritão.

Como posso me casar com sua irmã? Eu sei, eu li nos jornais.

Mas uma mão leva a outra, não é?

Não entendo.

Você conhece minha irmã.

Passa em casamento com uma condição.

A casa.

Vale um dinheirão.

Eu entro na minha parte.

Você casando -se com uma moça endinheirada.

Sai do buraco. Mas por que você acha que ela gostaria de mim? Porque até mesmo

as solteironas mais empedernidas querem se gasar.

Faça esse favor.

Puxa.

Eu paro sua vida.

Ele escolhia suas vítimas e daquelas haviam sido marginalizadas.

Henri Desiré Landru era um criminoso

sui generis.

Ele não matava por ódio.

O ódio nunca esteve em seu coração em sua

carreira criminosa.

O crime para ele era uma espécie de eutanásia.

Eutanásia.

Pode -se inclusive dizer que ele

amava as suas vítimas.

E com isso ele pretendia livrá -las do sofrimento.

da angústia e da solidão. Porque entre as mulheres que Landru

matou, não havia uma que fosse bela, feliz ou

despreocupada.

Todas viviam sob um clima de tensão.

Eram mulheres aflitas, tristonhas e sofredoras.

Acredito... Que muitas delas agradeceriam até ao criminoso

pelo seu gesto.

E aqui estão algumas das armas usadas por Landru. O

veneno.

E havia também um punhal deste feitinho.

Este estilete, muito eficiente, era com uma machadinha

assim, que Landru cortava os corpos de suas

vítimas, para depois colocá -las no forno.

E ele usava uma técnica toda especial, depois elogiada inclusive por

cirurgiões de renome, por...

A senhora não quer se retirar também?

Parece que a chuva parou.

Acho sua conferência interessantíssima.

Pode prosseguir, professor.

A senhora veja.

É a cópia fiel da machadinha usada por Landru.

Essa também corta? Sim.

A senhora veja o corte, como é aguçado.

É maravilhosa.

Até uma criança poderia retalhar um corpo humano com ela.

É? Ele usava sempre esse tipo de machadinho?

Sim.

Era um dos seus pertences mais estimados.

Conforme demonstrou Landru no julgamento com invulgar brilhantismo.

Interessante, ele fez essa demonstração no tribunal com cadáveres.

Se...

Trabalhava com uma machadinha, até com uma certa elegância.

Assim, assim, com elegância.

Assim, assim.

Como eu

gostaria de tê -la com o meu filho.

Conhecido Landru?

Obrigado.

Cuidado, Vendino.

Vendino.

Mas a senhora disse que gostaria de ter conhecido Landru.

Professor, eu me interesso por esses assuntos como o senhor.

Poderia vir até minha casa?

Tenho coisas interessantes para lhe mostrar.

Bem, ao menos terminemos antes o vinho.

Tenho bons vinhos em casa.

Garçom, eu pago a conta, professor.

Essa é a ala social.

A ala social?

A outra ala é assim.

Meu museu particular.

Mas antes de mais nada, gostaria de lhe mostrar algo.

Pois não.

Professor.

Não tem bom corpo.

O senhor acha?

Desculpe, mas eu acho.

Tem uma outra coisa que eu gostaria de lhe mostrar.

Venha comigo à cozinha.

Veja o fogão.

Um fogão antigo?

Teria as mesmas dimensões daquele que lá no lugar?

Ele não seria menor que esse?

Queria conhecer a outra alma.

Saúda!

Mandei -os buscar nas pontas da garganta do diabo.

São belos.

Belos.

São tão belos.

Belos.

Não os trocaria por nenhum cachorro de raio.

Filhos de aranha?

Não, não.

Que lugar tentado.

Não se assuste. É minha empregada.

Os dentes. O quê?

Nossa indústria não faria esse primórdio.

O que tem mais?

Livros.

Livros de terror!

São biografias mais notáveis e criminosas.

Mas aqui tem algumas realidades.

Livros que eu só conheci de referência.

Sobre vampirismo eu tenho tudo.

Um escorpião.

Incrível. Parece verdadeiro.

É verdadeiro.

Bom rio.

Muito bom rio.

Pode ser maravilhoso.

Então, o que é?

Sonho de uma bucha misturada com álcool.

É a flor de zinco.

Viu?

Viu?

Obrigada.

Não!

Não!

Por que não abriu o portão do fundo?

Porque hoje não vou precisar de você para carregar o indústria.

Mas o que vai fazer com ele?

Igor não tem visão, mas tem o passo. A senhora vai.

O professor me ensinou.

Era um homem lindo para ter esse silêncio.

Sabia de tudo.

Dificilmente vou conhecer uma pessoa igual.

Vou sentir saudade.

Vamos levá -lo para o quintal. O professor disse que seu Landru fazia -se

sobre a terra seca para o sangue ser absorvido.

Pena que a chuva atrapalhou a conferência deles.

O que eu faço com isso?

Estou sentindo cheiro de fumaça.

Fumaça.

Ai, que fumadeira dos diabos! Me esqueci que o Celandru fazia.

Trabalho em uma casa de campo.

Estou nas toalhas.

Mariana.

Você está se mexendo?

Vem da casa de Isabel.

Parece carne da boa.

Para nós, o senhor Amadeu dá carne de segunda.

Reserva sempre o melhor para uma mulher bonita.

É estranho se fazer churrasco.

Seu porco, não se esqueça disso.

Melhor não atender.

Com essa fumaça toda, não dá para acreditar que não tem ninguém em casa.

atender. Ai, meu Deus.

Eu já paguei a mensalidade.

Não é isso.

Uma pessoa tentou entrar pela porta dos fundos.

Se era cego, certamente se enganou de porta.

Ele parecia furioso.

Eu segui por quatro quarteirões.

E daí?

Daí ele entrou no terreno baldio.

Fez uma coisa feia com as mãos.

E parecia um tarado sexual.

A casa está pegando fogo.

Deixe que eu ajudo.

Afaste -se desse fogão.

O que estou fazendo aqui?

Seu guarda, eu não tive culpa inteira. Não foi minha.

Eu vou dar um jeito.

Não tenha medo, não. Tudo vai dar certo. Não se preocupe.

Ainda não existe muda para poluição.

Agora está legal.

A fumaça já acabou.

Muito bem.

Agora você pode respirar.

Muito obrigado, senhor.

Minha senhora, um guarda noturno é para qualquer emergência.

Osso do ofício.

Osso. Osso.

Foi o que eu disse.

Osso.

Espere um pouco.

Não, senhora.

Por favor.

Não, de jeito nenhum.

Eu faço questão, por favor.

O dinheiro não é tudo nesse mundo.

Ah, acho que já estive outra vez.

Não sei como aquele senhor conseguiu um táxi.

Que senhor?

Aquele que veio com a senhora. Boa noite.

Um homem equilibrado e sem vícios como ele, não se perde numa cidade grande

esta.

Sou obrigado a levantar a hipótese de que foi raptado ou coisa assim.

Então, estava acompanhado com uma mulher.

Falava sobre crimes.

Mostrava uma machadinha, moça.

Será mais um dos crimes da mulher fera?

Hã? Mulher fera?

Podia me descrever essa mulher?

Posso tentar.

Ela me impressionou.

Era de uma impressionante beleza.

Vamos fazer um retrato falado.

Às vezes funciona.

Por que serve carne de primeira para Dona Isabel e não para mim?

Como sabe disso?

Nunca viu a carne que eu sirvo para ela?

Carne boa a gente conhece pelo cheiro, está sabendo?

Quem sabe agora que vai comprar o seu fusca.

Que isso, seu Amadeus. Na frente de Dona Isabel eu fico tremulo e mudo.

Então leve a carne para ela.

Antes que mande a corcundinha.

Queria falar com o dono de Isabel.

Traga uma carta de recomendação.

Entre, eu vou chamá -la.

Meu nome é Batista.

Ah, Batista. E isso ajuda em alguma coisa?

Quer falar comigo?

A senhora Dona Isabel?

O que deseja?

Estive na sociedade de senhoras.

Boas pessoas.

Saí esta semana.

Quantos anos esteve?

Quatro anos.

É casado?

Não, não tenho família.

O que foi acusado?

Cinco mulheres me acusaram de praticar atos atentatórios, Amaral.

Eu acho que elas me confundiram com alguém.

Eu tenho uma cara muito comum.

Entende mesmo de jardinar?

Eu era jardineiro no presídio.

Volte amanhã.

Pode vir uma vez por semana.

Depois condenamos o pagamento.

Obrigado. Até amanhã.

É leitura do Presidiário.

Até amanhã.

Seja qual for o preço, eu compro.

Só para me ajudar.

Adorei a peça.

Pode mandar para minha casa.

Quando tiver saudade da sua guilhotina, vá visitá -la em casa.

Posso ir?

Tudo

bem,

eu digo a ele.

Guto, Guto, é do consórcio. Seu Fuscão saiu.

Saiu? Olha lá fora, rapaz.

Não quero conhecer seus amigos. Mas isso é diferente.

Aposto que vai gostar dele.

Ele anda bem deprimido porque foi mal nos negócios, mas assim que se

restabelecer, virá visitá -la.

Está contando o que?

Sumiram as minhas calcinhas.

Escute aqui, Isabel, você precisa se casar.

Se você se casar, eu me caso também.

Isabel, espera aí.

Juro, Isabel, eu me caso também.

O que é isso? Uma máquina de costura do século XVIII.

Ela está no jardim, eu vi.

Olha lá, ela está de olho no seu fuzicão.

Gosto desse Guto.

Guto, eu acho que desta vez você emplacou.

Hoje eu terminei.

Tula tarde.

Queria lhe pedir um favor.

Será que seu irmão não tem uma roupa velha que eu possa usar?

Meu irmão é muito alto.

Não serviria.

É uma pena.

Espere.

Um parente meu deixou uma roupa aqui.

é um doce.

Cai bem?

Como se fosse feito sob medida.

Eu já me sinto outro.

Até a semana, patroa.

Mande o guardião. O guardião tem mais jeito.

Espere.

Tive outra ideia.

Você vai lá.

Mesmo se ela não quiser papo.

Você tira a roupa. A roupa? Sim. Fique nu, pelado, peladão, entende?

E comece a correr pela casa.

Aí eu entro.

E faço o flagrante.

Tem visto o Igor?

Sim.

Então diga a ele... que esta semana a porta estará aberta.

Obrigada.

Dona Isabel, ele encontrou os ossos do professor.

É.

Veja o que encontrei.

São ossos humanos.

Eu vou à polícia, senão acaba complicado.

E se eu ajudar a resolver esse crime, eu liro minha condicional.

Me leva para o quarto.

Obrigado, senhor.

Que Igor vem essa noite?

Que presta tu lá? Não vou.

A que horas partem o último trem?

À meia -noite e meia.

Obrigado.

Hoje aqui não passa mais trem, não.

Essa revista deve ser boa para diálogo.

Síncope cardíaca, sem a menor dúvida.

Mas uma coisa que eu não entendo são essas... Mordidas.

Então confere com as manchetes.

É mais um trabalho da mulher fera.

Problemas, Tristão?

Ele é fera, tá? Outra vez.

O tarado que entrou pelo cano. Sabe quem era?

O jardineiro.

Isabel!

Isabel!

Isabel!

Isabel!

Viu no que dá suas caridades?

Pôs um tarado dentro de casa.

Um homem que se metia com feras humanas.

É perigoso.

Isso pode até nos complicar. Leia isso aqui. Mais um motivo para vendermos a

casa.

Vendermos, entendeu?

Ei, Isabel.

Eu não vendo.

Mas... Essa casa é grande demais para nós.

Ela disse que não vende.

Será que ela realmente chupa o sangue das vítimas?

É o que o jornal diz.

Se você encontrasse com ela, como se comportaria?

Tenho muito sangue. Costumo doar.

Eu faço um acordo com ela.

Um litro de sangue em troco de uma... Entendeu, né?

Tem filé?

Tem, do bom.

Então me dá um quilo.

Com licença.

Então mataram o jardineiro da senhora?

Alguns jornais dizem que ele morreu de medo.

Quem não morreria de medo diante de um vampiro?

Boa noite.

Um quilo de contrafilé.

Mas acontece que esse vampiro pode ser uma mulher bonita.

Não deve ser ruim morrer nos braços dela.

Obrigado.

Guto, boa piada.

Dona Isabel, gostaria de ir em sua casa dar uma olhada na guilhotina.

A lâmina não está deslizando bem.

Está certo.

Boa noite.

Não vai tirar a roupa?

Pula.

Como é sua patroa?

Ah, não é feia.

Mas sofre de visitela, viu?

Toque nela que é doença contagiosa.

Tira a roupa.

Como é? Cadê o perfume?

Acabou o frasco.

O quê?

Então vai já pedir a sua patroa? Porque senão eu vou embora.

Será que o senhor fugiu me informar se o seu Antero Sampaio, o conferencista,

era seu preguês?

O que desapareceu?

Era.

Até logo.

Passar bem.

Sua afirmação foi confirmada. Então ele usava a roupa do conferencista.

Usava. Isso significa que ele matou o homem.

É estranho.

Batista nunca matou nem feriu ninguém.

Como também nunca se interessou por homens.

Talvez tenha matado para roubar.

Ele nunca matou ninguém.

Mas como então vestir a roupa dele?

Acredito mais que alguém lhe tenha dado a roupa.

Talvez a própria mulher fera.

A própria mulher fera o tenha matado.

Bem pensado.

Quer dar um passeio?

Quero. Quero sim, Dona Isabel.

Quer que a leve a algum lugar?

Num drive.

Drive? Por quê?

Você já foi num?

Nunca. Nem eu. Vai ser uma coisa nova para nós dois.

Você vai gostar.

Por que você está comendo tanto?

É que quando eu fico nervoso, eu preciso comer.

Coitado. Coitado, eu não sei. Talvez tenha morrido feliz.

Como assim?

Olha só o sorriso do bicho. O legista me mostrou a foto. Parece que foi a mulher

fera. Quando ele saiu da sogue, para onde ele foi?

Entregar carne.

Onde? Na casa da dona Isabel.

Passeando? Um pouco.

Observei que a senhora anda sozinha todas as sextas -feiras.

Se preocupa com os meus hábitos.

O delegado diz que todas as mulheres do bairro são suspeitas.

A senhora quer saber de uma coisa?

Se a senhora fosse a mulher fera, eu a não denunciaria.

Não?

Porque talvez eu tivesse um acordo para fazer.

Boa noite, seu guarda.

A senhora não quer saber qual é o acordo?

Uma garrafa de vinho.

Acabou minha ronda. Vai curtir um vinhozinho, hein?

O que aconteceu, cara?

Os guardas noturnos também amam. Isso dá samba. Quer ver só?

Os guardas noturnos também amam. É isso aí.

Também amam.

O irmão de Dona Mariana está consertando a guilhotina.

O que é isso?

É um disco do agrado de Tula.

Nada, é romântico.

Diz -se para alguém que vinha aqui?

Não.

Alguém não viu entrar?

Mas, dona Isabel, a senhora é vice -presidente.

Escure o tesoureiro. Vamos trair a entidade.

Mas não está justo.

Não é certo, Dona Isabel.

Dona Isabel, faz 25 anos que eu não consigo uma mulher.

Será que eu vou conseguir?

Espera um instante.

Deixa eu me despedir.

Sabe, Dona Isabel, eu não.

Não possuo uma mulher faz... faz 25 anos.

O sangue da bruxa vai resolver.

Está dando certo.

Está dando certo, Dona Isabel.

Fazia um quarto de século.

Eu pensei que tivesse gastado sem usar.

Nem o sangue de todas as bruxas do mundo ia fazer efeito.

Este serve.

Jogue -o de lá de cima.

Suba pela escadaria, Tula. Ah, mas são cinco andares, Tula. Pela escadaria,

Tula.

O senhor está fazendo mal.

Apenas uma dor de cabeça.

Eu não sei o

que

ele fazia sem cabeça dentro do

elevador.

A não ser que a mulher fera seja a censorista.

Dentro de duas horas estarei lá.

Olha as letras.

Negócio pesado.

Você vai ver.

Eu vim aqui para fazer um escândalo.

Chamar a atenção de toda a vizinhança. Um escândalo.

Você vive cá? Não.

Só o teu irmão sabe que eu vim aqui.

Onde que é? Ah, aqui.

Nu. Está nu.

Alistair, alguém viu você entrar?

Não.

Não faz isso, Isabel.

Não faz isso.

O seu irmão disse que você é uma puritana.

Não adianta. Não,

eu não consigo.

Não faz assim, Isabel. Não adianta. Eu não estou apavorado. Estou

assustadíssimo. Isabel, por favor, Isabel. Para com isso, Isabel.

Isabel, onde estão vocês?

Onde estão?

O homem estava correndo nu.

Vamos lá, Isabel. Vamos lá.

Vai fazer bem.

É,

e a gente vai gastar com a grana.

É isso aí, pessoal.

O que é isso?

Figurando de filme de terror?

A patroa pede que vocês se retirem.

Você viu Aristides?

Não bebo isso.

É sangue. É muito forte.

Você quer?

Esteve aqui um amigo meu?

Aqui não veio ninguém.

Coitada da Isabel. O irmão dela chegou bêbado e com um bando de mariposas.

Vê se pode.

Pobrezinha. Ela deve estar precisando de proteção.

É melhor vir para cá, dona Antonieta.

Há meses que venho pensando na senhora, Dona Isabel.

Tenho sonhado com a senhora.

Não bebam isso.

É muito forte.

Seu Tristão, leve essa gente daqui.

Eu só irei com uma condição.

Que a irmãzinha assine a opção.

Se não, vou transformar essa casa num pandemônio.

Pessoal.

Sabe quem está lá em cima, nu, na cama da maninha do Tristão?

Quem? O Aristido.

Não. Está sim.

Eu vou ver isso.

Vamos lá, gente.

Tua maninha, hein, Tristão?

Eu vou contar.

Senhora, não pode, patroa.

Onde está Aristides, Sueli?

Estava nu na cama, eu juro.

A gente deve ter levantado, foi para outro lugar.

Perto do corredor tem uma porta secreta.

Faz tempo que eu não entro lá.

Mas quem decorou isso?

Drácula? Que quarto mais esquisito, Isabel.

Tinha um cego bolinando ele.

O Aristides está brincando com a gente.

Brincamos de esconde -esconde.

Longe para por aí. Ele deve estar por aí. Parabéns.

Parabéns. Para com essa brincadeira.

É você, Fortão.

Você não é Isabel?

Ah, o amante de Isabel.

Como é macia.

Igor.

Igor.

Igor.

Elas precisam conhecer um homem como você.

E tem mais?

Mais três.

Mais três?

Vamos lá.

Vamos lá.

Nossa, parece incrível, mas há anos que eu não entrava aqui.

Cuidado aí.

Aristides!

Aristides!

E o

cadáver?

Ah, não sei.

A bebida só me faz ver escorpiões. Escorpiões, cara.

Aranha. Vamos embora.

Vamos embora.

Aranha. Mas o que é isso, hein?

Museu de horrores?

Por isso que ela não quer vender a casa.

Ei, veja, mais roupas do Aristides.

Roupas do Aristides? Então ela anda nu por aí, né? Do Aristides?

O que faz aqui?

Ele está morto.

Quem? Aristides. Não, ele está bêbado.

Eu sei quando um homem está morto.

O que vai fazer?

Depende de você.

De mim?

Não, seu gordo.

Grandito. Você está me traindo?

Larga essa vagabunda.

Você não tem nojo?

Você?

Você me enganou esse tempo todo.

Esmolou meu corpo.

Esmolou minha alma.

Usou e abusou de um pobre cego.

Louco.

Agora vai ter que me pagar!

Vem cá!

Toma! Para!

Não faz isso! Pelo amor de Deus, para!

Não faz isso comigo! Vem cá!

Toma! Bota aqui e toma! Louco!

Parada, sem vergonha!

Isabel!

Com o guarda noturno?

Safado!

E o cadáver?

Saia daqui.

Não é para isso que pagamos.

Eu quero

casar

com a sua irmã. Nós somos classe média.

Legal.

Ele está bêbado. Trouxemos ele lá do museu. Enquanto sua mãe estava com esse

cara aí.

Saia daqui, seu pilantra! Saia!

Bêbado sem vergonha.

Não vou pagar as suas letras.

Ela vai assinar a opção sem a sua ajuda.

Detesto gente sem senso de responsabilidade.

Bêbado. Vista -se e suma daqui.

Porco!

O Igor... o Igor me matou.

Matou o cego?

Vocês chegaram. Está acontecendo alguma coisa na casa de Isabel.

Foi uma pena.

O cego era uma parada.

Igor?

Igor, onde você está?

Igor, meu amor, eu te perdoo, Igor.

Tem gente aí.

Nós queremos saber o que está acontecendo nesta casa.

Que eu saiba nada.

Nós ouvimos uma algazarra.

Algazarra?

Dona Mariana está tudo em paz.

Estas moças querem entrar para a sua entidade.

Elas são muito generosas.

Eu acho que... Vai ser uma estética.

Por que matou o palhaço de Olinho? Ele estava desempregado.

E ela queria resolver o problema do desemprego no país.

E o que fez com o corpo do conferencista?

Cremei. Cremou?

Muito bem, a prefeitura gastou milhões para fazer o seu crematório e a senhora

prefere fazer o serviço em casa.

Adoro trabalhos manuais.

Ela merece ser absolvida. É boa demais.

Por que matou o entregador de carne?

Bem, ele nunca tinha ido a um drive -in. Ah, então a senhora achou que ele nunca

mais devia voltar a um drive -in.

O que tem a dizer sobre os crimes que acusam sua irmã?

Minha irmã é uma santa criatura.

Ela foi enfeitiçada por aquela bruxa.

Isabel sempre foi uma mulher normal.

Até que apareceu essa criatura.

É uma bruxa!

Está sendo um sarro o julgamento da mulher fera.

Enquanto a sua hedionda auxiliar, Tula da Silva, já foi condenada a pena

espera -se alguma clemência para a estranha dama.

Milhares de cartazes têm chegado à justiça pedindo piedade para ela.

Hoje será o interrogatório do guarda noturno do bairro onde ela residia.

Espera -se que ele seja uma voz implacável contra a ré.

Sebastião Rodrigues, vulgo Gardel, confessou espontaneamente ter

cego Igor da Silva a golpes de bengala.

Pode fazer livremente as suas declarações sobre o caso, já que o

acompanhou desde o início.

Declarações? Bem, eu escrevi alguma coisa.

Ah, escreveu? Pode ler.

A rima não é boa.

O quê? Bem, eu disse que a rima não é boa.

Mas o que é isso?

Um poema.

Não pode fazer as suas declarações em prosa?

É um poema de amor.

Exijo que a testemunha leia seu poema, meritíssimo.

Não me parece própria tal leitura no tribunal.

Dizem que ela era uma fera.

Mas para mim, ela não era.

As feras não sorriam.

As feras não falam com doçura.

Todos que ela matou, desejariam por ela tornar a morrer.

Eu não tive essa sorte.

Ela não me matou.

Por isso, eu hoje não vivo.

Já tem o viridito?

Culpada!

Chega -nos a informação de que Tula, a empregada que teria influenciado a ré ou

a enfeitiçado, enforcou -se no presídio, certamente sob a pressão de suas

culpas.

Por outro lado, esse poema lido por uma das nossas testemunhas nos faz

pensar... Que morrer assassinado pela ré não é tão desagradável assim.

A prova disso é que muitos morreram com sorriso nos lábios.

Minha sentença, portanto, não pode ser das mais rigorosas.

Condeno a ré por cometer atos antissociais. Tendo que cumprir sua

cinco anos de reclusão num sanatório. A sessão está encerrada.

Muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito.

Então vamos entrar.

Vamos tomar um chá.

Vamos. Me deixa.

Me larga. Vamos tomar um chá, vai ficar calminha.

Por favor, me deixa.

Obrigado.

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