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Original subtitles

Hoje eu vou contar a história de Blanche, a secretária.

Linda Blanche é uma garota para quem o sonho acabou.

Mas se um dia o sonho acabar para todas as Linda Blanches que habitam nos

corações sinceros, infelizes seremos todos nós.

Linda Blanche é minha amiga.

Faz muito tempo que não a vejo.

Ela foi embora para qualquer lugar deste país.

Mas sua ausência virou canção.

A canção que ela deixou.

Bom dia, Blanche. Que faz acordada tão cedo? Parece que nem dormiu.

Tem razão, mamãe.

Não consegui dormir a noite toda.

Então resolvi me levantar.

Mas isso é parte dos classificados?

Por que ele é isso?

Procuro emprego, dona Lala.

Mas você ainda não esqueceu isso, Blanche?

Não vejo motivos para você trabalhar agora.

Papai não pensa assim. Nem eu.

Eu acho besteira. E além do mais, você é mulher.

E daí, mamãe? Tenho mais é que trabalhar mesmo.

Ajudando o papai hoje, me preparo para ajudar o meu marido amanhã.

Ouça aqui, Blanche.

A maioria diz, mas não pense exatamente assim.

A intenção delas é se mandar da casa, do marido, dos filhos. Depois fica

reclamando no emprego por ter que trabalhar, que já não se fazem mais

como antigamente.

Ah, mulheres tão difíceis de se contentar. Tá vendo?

Não acha que eu tenho razão, Duda? Mas como tem razão, mamãe? Você não vê que

coisas... Mas o que há, hein? Tão cedo já estão discutindo. Mas papai... Mas

pode ser assim? Calma, calma, feministas e machistas. Vamos juntar as pontas da

discórdia porque o mar não está pra peixe. Pra ninguém.

Esse abismo que se faz entre homem e mulher nada mais é do que a velha arma

capitalista da competição, onde só quem lucra é o capital, enquanto que a

sociedade mesmo, ó, top, top, vai pra merda. Em casa onde falta pão, todos

gritam e ninguém tem razão.

Puxa, mas que papo pesado logo de manhã, hein?

Júlia, você concorda com a acusação que você ganha dinheiro difamando as

secretárias? Claro que não concordo. Pelo contrário, exalto e defendo os

secretários com a minha canção.

São ou não amantes do chefe?

E o que seria do mundo sem os amantes?

É, é verdade.

Mas o que você me diz disso?

Estão equivocadas, certamente.

Julia. Nós queremos manifestar a você o nosso desagrado pela divulgação da

música anúncio de jornal.

Esta música, Júlia, denigre a nossa classe.

Mas não é essa a minha intenção, a minha intenção da música?

Contamos com o apoio dos empresários nossos chefes que se sentiram também

ofendidos. E vamos proibir sua música. Júlia, me dê o autônomo, por favor.

Sim.

Júlia, é verdade que a artista não presta? Sim.

Está vendo, colega?

Já vi uma classe mais difamada do que a minha.

Devo então sair ostentando faixas, abajucinados, protestos?

É, a língua do povo.

Mas quem segura a chuva quando ela cai? Hein, Júlia?

Está aí.

Dá licença que vou me preparar.

Ei, Júlia, qual é a sua posição política?

Não fazer política.

Mas essa é uma posição política.

É você quem diz.

Então, assim é. Se lhe parece.

Sua maior ambição?

Ah, tá.

Viver como um simples mortal.

Ser imortal quando morrer.

Maurício.

Julia, o que aconteceu?

Desculpe, papi. Estamos em cima da hora.

Puxa, Julia, assim não dá.

Você tem que ser mais profissional, minha filha.

Ainda estamos seguindo.

Vamos, Blanche, não vá se atrasar.

Justo no primeiro dia.

Está vendo como não é fácil?

Já vou, mamãe. Puxa esse zíper aqui para mim.

Mas você vai trabalhar com esse vestido?

Mamãe, sou uma secretária, lembra -se. Tenho que andar bem vestida.

Devia ter ido com seu pai. Ele sai mais cedo.

Hoje não é um bom dia para ouvir os resmungos de papai, mamãe.

Não sei por quê.

Come mais um pedaço de pão com manteiga. Você pode sentir fome.

Não, não quero escovar os dentes de novo e estragar meu batom.

Tchau, escarvinho.

Me queira bem que não custa nada.

Tchau, mamãe. Tchau, vai com Deus.

Não faz beicinho para sua irmã, não.

É feio.

Era seu primeiro emprego.

E Nelly Blanche depositava suas melhores esperanças.

Esperanças de aliviar o pesado orçamento doméstico, mantido a duras penas por um

pai bancário com um salário de classe média agonizante.

Não pensem, porém, senhores, que ela fosse uma coitada.

Muito pelo contrário.

Era ambiciosa.

E só pensava em ajudar a sua família.

Longe, portanto, de uma aventureira vulgar, como tantas que invadem os

escritórios e até mesmo a cidade inteira.

alimentando a falência dos costumes em detrimento do trabalho.

Não, senhores.

Linda Blanche é uma moça honesta em todos os sentidos.

Bom dia.

Dona Peppa? Ali.

Dona Peppa? Seria bom que chegasse no horário, Blanche.

Desculpe -me se acertando. Principalmente no primeiro dia.

Apresente -se ao Sr. Maurício.

Foi ele quem escolheu você.

Obrigada. Ali.

Vamos lá, gente. Trabalhando.

Bom dia.

Desculpe a minha atrapalhação com o horário, seu Maurício. Por enquanto, não

preocupo. Não precisa se justificar.

Obrigada.

Você é... linda.

Blanche. Sim, senhor.

Sempre fazem trocadilho com o meu nome.

Não. Eu não fiz trocadilho, não.

Inclusive, nós aqui somos todos feios.

Vamos trabalhar?

Ei, Blanche, vamos almoçar no Almanara?

Não, Alfredo, obrigado.

Vou almoçar com a Márcia.

Fica pra outra.

E você acha ele bonito?

Ah, não sei.

Acho que é.

Qualquer dia te apresento ele.

Tá bom.

Alô? Ivan?

Então, como vai a nova escrava do patronato? Não brinque.

Estou tão feliz.

Que pessoal legal.

Imagina, Ivan, já sou secretária.

Já estou ficando com ciúme desse seu emprego, hein?

Bobagem.

Tudo bem?

O que mais tem de bom nesse seu escritório aí? Tanta coisa.

Vamos, Doda. O pessoal tá esperando. Nós estamos atrasados.

Vamos, Oscar.

Você não vai ao clube com a gente, Blanche? Hoje não, papai. Dora vem aqui

nove.

Dora, Dora.

Ô, mãe.

Eu posso levar o meu montatudo? Vai, vai, pega.

Eu não gosto dessa sua amiga, viu?

Vamos, Doda.

Vem, vem, vamos, vamos.

Dora, Dora.

Linda Blanche, já te falei para você não me levar muito a sério. Nem parece que

você me conhece. Então tá, vamos subir.

Vem, corre, corre, corre.

Essa ideia da Blanche trabalhar ainda vai acabar prejudicando os estudos dela.

Bobagem, Lala. Isso é até bom para abrir a cabeça da menina. Além disso, as

despesas estão ficando um pouco pesadas para mim.

Ela arcando com as suas próprias alivia um pouco.

O chefe gosta muito dela.

Então, depois do sonho de Blanche, sempre foi ser secretária.

Ô mãe.

Mãe, por que a Blanche não casa logo e resolve esse negócio de trabalhar, não

trabalhar, trabalhar, não trabalhar?

Estava ouvindo a Júlia. É, eu sei. É sua amiga, não é? Do colégio.

Menina, tenho um montão de coisas pra contar pra você. Você sempre tem um

de coisas pra contar.

Ah, não goza, Blanche.

Dessa vez é sério.

Mas antes, por que você não coloca aquela fita aí de rock?

Ai, menina, preciso me acalmar.

Com rock?

Tudo bem, ela fica aí pra quando você vem.

Flush, eu conheci um cara incrível.

Eu estava no rock louco quando o cara apareceu e me tirou.

Menina, eu nem acreditei que o coroa desse no coro daquele jeito.

Fui fundo na pele até aqui.

Agora vais conhecer o castelo do conde.

Agora, vamos conhecer os seus aposentos. Pois entrai, ó trefegadonzela.

É chegada a hora de conheceres o paraíso.

Trefegadonzela? Ah, caramba.

Chegamos?

Olha, que bonito.

Obrigado.

E aí, menina, quando eu senti aquele pedaço de homem em cima de mim, aquele

calor gostoso assim... Blush!

Oh, Blush!

Blush! Você está me ouvindo?

Mas para que tanta minúcia, Dora?

E tem mais.

Nós passamos a noite toda se amando.

envolvidos pelo cheiro da relva molhada que entrava pela janela

vindo do bosque.

Veja só a cidade, Sr. Conde.

Não se parece nem um pouco ao turbilhão de ontem à noite, hein?

Como conseguiu esta casa num lugar deste?

Vendi muito automóvel, boneca.

Sem contar os outros mil baratos.

Sabia que fui pobre durante muito tempo?

De me cansei.

Pela manhã eu olhei no espelho e disse, Pita, chega.

De agora em diante você é outro homem.

Levante a cabeça, saia à rua e ganhe dinheiro enquanto a revolução social não

vem. Ou, já que ela não veio, cuide de si, rapaz.

E fiz a revolução social em mim mesmo.

E aqui sou eu.

Madurão, com você.

Jovem, bonito.

Pogosa.

Vivendo a juventude que eu nunca tive.

Você sabia que a melhor coisa do capitalismo é o capital?

Nova essa, hein?

Puxa, quanto cinismo.

Que não é?

Fizemos desse país um grande país cínico.

Quando se desvanece o mito da juventude, é que percebemos que fomos enganados.

E em poucos anos saímos da barbárie para a decadência sem termos conhecido o

apogeu.

Bebamos, querida.

Bebamos aos últimos instantes de uma era em que ainda se pode enganar.

Um brinde à colina do nada.

Um brinde.

Ah, você não acha ele um cara incrível? Um dos últimos varões da Terra. Ah, não

goza, Blanche.

Desculpe, Dora. Acho uma loucura, sim. Invejo você, sua louca. Você é muito

diferente de mim, Blush.

Como vai o seu emprego?

Nem te conto. Um anúncio de jornal pode nos levar a lugares muito interessantes.

É.

Estou te achando muito diferente mesmo.

E o Ivan, como é que vai?

O Ivan?

O que é que tem ele?

Ora, Blanche, estou falando do romance.

Você é muito bonita, Blanche.

Alguém já lhe disse isso?

Obrigada.

Você está tão distante. Não vê que não é mais a mesma?

O que aconteceu?

Aconteceu nada, Ivan.

E não procure problema onde não existe.

E agora me dá licença que eu tenho que entrar para estudar.

Quero aproveitar o fim de semana para isso.

Eu volto amanhã.

Pode ser?

Volte quando quiser.

Nada mudou.

Não dá mais, Ivan. Acabou tudo.

Outra pessoa.

Não existe outra pessoa. Eu simplesmente não te amo mais.

Blanche. Não queira ser dramática, Ivan.

Blanche. Me larga. Tenho que ir.

Demorei? Tomei todos os cuidados.

Ah, as faturas que o senhor pediu estão aqui.

Ninguém pode dizer nada.

Nós estamos trabalhando.

Marquei a reunião com a diretoria da Ferraz para terça -feira.

A carta dos acionistas da estrada de ferro, eu deixei com a Doroteia para

A Blanche anda muito distraída.

Eu preciso ficar de olho naquele pessoal do escritório, porque ele é danado para

fazer coisas erradas.

Olha, não se preocupe que eu estou redigindo o relatório da companhia de

Desculpe para não poder trabalhar no próximo domingo.

É que eu tenho que lecionar a Bíblia para o grupo de casalhas.

Para o grupo de casalhas da igreja presbiteriana do Tucuruvi. Mas olha, eu

prometo. Eu prometo na segunda -feira recuperar tudo.

Tudo.

O senhor não tem namorada?

Combinamos que você não ia mais me chamar de senhor.

Então, você tem?

Não, namorada não eu não tenho. Mas eu fui casado.

E a minha mulher desapareceu com meus filhos há cinco anos.

Desculpe, eu não sabia.

Bem, isso não é motivo para você encerrar a entrevista.

Vá em frente, Blanche.

Vou parar por aqui.

Sem querer eu estava sendo indiscreta.

Não seja por isso. Eu ajudo você.

Sou brasileiro, reservista, vacinado, eleitor. Era pobre, hoje nem tanto.

Situação matrimonial e afetiva sem solução. Por isso não consigo me fixar

ninguém. Em resumo, um coração afeto.

Mas não se fixa.

É, é isso aí.

Um barquinho navegando ao léu.

Em busca de um porto seguro.

Procurando o que perdeu.

Ou nunca teve.

Talvez um dia.

Talvez um dia.

Em algum lugar.

Alguém. Alguém.

Sr. Ortega, está aí.

Ah, é o negócio das máquinas.

Deixa que eu ligo para o Marcelo.

Acabe de conferir isso aqui, Blanche.

Alô, Marcelo?

É Maurício.

Tudo bem?

Olha, é sobre as máquinas.

Não está me interessando agora.

É, meu financiamento também não saiu.

Tá bom, tá bom. Eu mando preparar uma reunião pra hoje com a diretoria.

Tchau.

Diga ao seu Ortega que volte amanhã, quando teremos uma solução pro caso das

máquinas. E marque uma reunião pra hoje.

Por favor. Sim, senhor.

Muito bem.

Da minha parte, está perfeito.

Vamos deixar tudo para quando fecharmos um outro contrato de vendas.

Então, a reunião de hoje está encerrada.

Um momento.

Você pode dizer para a gente como é que você arranja sempre secretárias bonitas

assim? É simples.

Com um anúncio no jornal, não é verdade?

Com um anúncio no jornal? Com um anúncio no jornal, até eu arranjo uma belezinha

assim.

Tchau, Maurício.

Já é tarde.

Gente comigo, depois te levo para casa.

Como foi que tudo aconteceu?

Eu sei que você não gosta de falar nisso.

Mas queria apenas ser solidária.

Não importa.

É problema só meu.

Diga.

Imagine que lhe tenho tirado o bem mais precioso.

E que este bem esteja em algum lugar nesta cidade, país... Ou um mundo tão

grande que você não consiga encontrar, por mais que procure.

Agora, imagine um dia de jogo do Brasil em Copa do Mundo.

O silêncio de cemitério reinante na cidade.

O povo recolhido às casas e apartamentos, enquanto você perambula

o coração aflito.

Embora por razões diferentes daqueles milhões de pessoas que sofrem à mesma

hora. Passando sob as janelas, você só ouve a voz embargada do narrador. No

desespero de uma partida tão difícil quanto a sua.

E antes que as primeiras estrelas salpiquem o céu azul profundo de vinho,

explosão nas ruas e nos céus de uma vitória entalada na garganta.

Só a sua vitória não vem.

Seu inimigo é mais perigoso que a Holanda, a Argentina ou a Rússia.

Muito mais traiçoeiro que uma bola de efeito.

Ele se aloja nos corações e mentes das pessoas e se chama maldade.

Tudo em fã. Não há inimigo a combater.

Eles estão ocultos num seio da multidão futebolizada nas ruas. E tudo vira

carnaval.

Imagine ainda você com seu problema no meio da ralé futebolística. E o repórter

chega perguntando o que achou do jogo.

Não estou a fim de jogo nenhum. Tenho que encontrar um menino chamado Marcos e

sua irmã Elisa. Estão com a mãe Medéia.

Vou levar você para casa.

Eu não quero ser procurado como raptor de donzelas.

Aquele é do papai.

Não, não é não. Do papai é aquele grandão lá.

Ai, Deus.

Pobre de mim.

Sofre soluço bem alto.

Filhos malditos de mãe odiosa.

Por que não morrem com o vosso pai?

Por que não foi aniquilada toda essa família?

Medea, que culpa tem os teus filhos dos desacertos dos pais?

Por que os odeia, Medea?

Por que os odeia? Por que me fazem lembrar do pai deles?

Que só fez contrariar minhas vontades.

Oh, teus caprichos.

Sonho todas as noites que os estou assassinando para que nunca mais

o pai os veja.

É por isso que toda noite eu acordo chorando.

Não é a eles que você mata. É o pai deles que tiramos.

Acho que cometemos um crime.

Houve uma reunião da diretoria, mamãe. Tive que ficar.

Seu namorado esteve aqui até há pouco esperando você.

E ele está de cara feia, hein?

Mas eu não tenho mais nada com o Ivan.

E eu não sei.

Bem, ele disse que volta amanhã.

O que é com você, Blanche?

Nada, mamãe. O que poderia haver?

Quem trouxe você, Blanche?

Seu Maurício.

Eu estava numa reunião dele com outros senhores.

Pra isso sou sua secretária, né?

Puxa, como ficou tarde, hein?

Blanche, eu quero falar com você. Puta, o que você quer? Não temos nada a

conversar. Não quero que venha aqui, não quero que ande me seguindo por aí,

entende? É, e você pensa que é assim, acabou e pronto.

Blanche, o que foi que eu fiz?

O que aconteceu?

Você quer mesmo saber?

Pedro ama Rosa, que ama Alfredo, que ama Carmen. E assim por diante. E entre

nós? Ivan ama Blanche, que ama outro.

Que ama outro e não ama Blanche.

Adeus, Ivan. E não me procure mais.

Eu devia ter batido na porta.

Não é o que você está pensando.

Eu não tenho nada com a Marcia.

Foi iniciativa dela.

Foi de surpresa, Blanche. Eu juro.

Com isso, eu vou te levar à escola.

Único. A única.

Eu digo melhor depois.

Aqui não.

Depois, amor.

O contrato da Boreal está pronto.

Quer examinar, por favor?

Está bem, dona Pepa.

Senti dentro de mim que estava amando.

Caminhamos por aí, em silêncio e sem dizer uma

palavra.

Em seus olhos percebi esse fogo do amor

que eu esperava.

E deixei ao coração.

de sentir por este amor e fui amante.

Eu sei que nunca terei alguma coisa na sua vida.

Talvez eu seja uma triste despedida ou sua amante

quando você quiser.

Você fala que sou eu, a mulher que você quer ter na sua

vida.

Isso já não pode ser, porque você tem mulher e eu

sou a minha.

Eu não penso pra você, pra deixar tudo que tem.

Não penso nada.

Quero dar para você isso que você não tem na sua

casa.

Eu sei que nunca terei alguma coisa na sua vida.

Talvez eu seja uma triste despedida ou sua mãe.

Chefe, eu vou ter que fazer um desfoco na sua firma. Você nunca vai poder dar o

aumento que eu mereço. Sabia que anões delinquentes também vão pra cadeia?

Se você garantir a minha posição no parque de conversões, sabe, eu topo.

É, pra ficar no lugar daquele boneco que leva bolada.

Eu prefiro ser anão de jardim.

Ô dona Fleche, você viu que o nosso chefe hoje está com um senso de humor

horrível?

Que dia é esse? Não consigo sossegar. Nem eu.

Logo hoje que eu queria tanto te pedir um favor.

Pode pedir, amor.

Esta carta da Boreal é muito importante batê -la hoje.

É para ser entregue amanhã cedo. E qual o problema?

Tem o colégio. Teremos que ficar aqui até depois das seis. Mas eu quero ficar.

Sou sua secretária para quê?

Você é um amor.

Você não vai, Blanche?

Não, pintor de serviço tem que ficar.

Tchau.

Bebidinha? Afinal, ninguém é de ferro, né? Claro.

Tá.

Saúde.

Como é que tá?

Estou pronta, você quer ver?

Já?

Perfeito.

Você é ótima.

Estamos sozinhos no escritório.

Eu sei.

Eu não posso evitar de pensar em você,

de sonhar, sentir que precisa de seus

beijos.

Eu não posso evitar esse medo de amar e viver

como estamos.

Eu não posso gritar.

Eu não posso gritar.

Esta paixão tão louca.

Que me queima a boca, me arrasta, me mata.

E me deixa sem paz.

Eu não posso gritar.

Estas frases de amor.

De sentir um sabor.

De desejos perdidos.

Eu não posso gritar.

Estar perto de você e sentir.

Que estou amando.

Eu não posso gritar.

Eu não posso gritar.

Esta paixão.

Te abraço e deixas -me levar.

Eu não posso evitar de entregar pra você a

minha vida.

Eu não posso evitar de entregar pra você

meu sentimento.

Blanche, te fiz mulher.

O que vou

dizer em casa?

Blanche?

Oi, mãe.

Quero falar com você.

Eu estou muito cansada, gostaria de dormir logo.

Dora esteve aqui à sua procura.

E o que ela queria?

E vocês falam dos seus assuntos comigo?

Eu não gosto dessa sua amizade.

Ai,

mamãe, vai começar, é?

Blanche, algum problema?

Seu pai foi quem pediu para falar com você, Blanche.

Esse seu emprego pode estar te prejudicando.

A gente quase não consegue ver você.

Está tudo bem comigo, mamãe.

Vou tomar um banho.

Posso preparar o seu jantar?

Sim, mamãe.

Obrigada.

Eu não posso evitar de pensar em você, de

sonhar, sentir que preciso seus beijos.

Eu não posso evitar esse medo de amar e viver

com esta luz de ar.

Eu não posso evitar.

Eu não posso evitar.

Esta paixão tão louca.

Que me queima a boca, me arrasta, me mata.

Já? Vou mandar o patrão te dar um aumento. Chegue e não me dá um beijo?

Por favor, Blanche, não coloque mais seu retrato sobre a minha mesa e nem

escreva recadinhos de amor, tá? Guarde isso. Eu não quero que as pessoas daqui

saibam ainda o que existe entre nós.

Não é por nada, meu amor.

Mas é que as fofocas vão fazer disto um tanque de lavadeiras, tá?

Ora, vamos.

Só estou tentando defender a tua reputação, tá?

Oi, dona Lala. A Blanche está? Faz tempo que eu não vejo essa menina. E nós

também.

Espera um pouco, que eu vou chamá -la.

Blanche! Oi, Dória! Há quanto tempo! Que saudade!

Tudo bem? Nossa, que saudade, menina! Sai do carrinho. Sai que eu quero falar

com ela. Tó, pega seus brinquedos. Tó, tchau.

Tó, tó seus brinquedos. Tó, tchau.

Sua chata!

Menina, tenho tanta coisa pra te contar.

Conta, conta!

Dória, dessa vez eu tô realmente...

Apaixonada.

Continuo fazendo todos os dias.

Mas Blanche, você ficou louca. Sem se prevenir, você pode ficar grávida. Tudo

que se faz com amor está justificado.

Okatsu, você quer ter um filho para prender ele. Muitas mulheres fazem isso,

Blanche. Dora, você está me ofendendo.

Blanche, você é maravilhosa, eu sei.

A mulher faz tudo isso por instinto. E quem acaba sofrendo é ela mesma, porque

não é racional.

E você, como é que você faz?

Não te acontece nada?

Ah, comigo é diferente.

Primeiro quem sabe do meu corpo sou eu, e não o meu homem. Ele não tem a mesma

obrigação que eu tenho de saber. E além do mais, desde Eva que a mulher vem

seduzindo o homem.

E quem vai pra cadeia é ele.

Que discurso é esse?

Arriba homem, e a mulher também.

Mas Dora, eu não sei porque tanta preocupação.

Está tudo bem comigo.

É, talvez eu esteja exagerando.

Mas eu não amo ninguém como você.

Ainda mais se tratando de um homem nessa situação.

Nem casado, nem solteiro.

Cuidado, Blanche.

Você pode se machucar.

Entre. Olá, menina bonita.

Tudo bem?

Blanche, que bom que tenha vindo.

Vocês viram ver meu show?

Claro. Esse é o Maurício.

Fiquem tranquilos, que o primeiro assinala ainda.

Muito prazer.

O prazer é todo meu, Júlia. Nós estamos aqui pra te ver cantar, hein?

Puxa, muito obrigada. Espero que gostem.

Blanche, quando você vai aparecer lá em casa?

Quando você menos esperar.

Vai na segunda.

Tem um monte de correspondência para classificar.

Aí você pode me ajudar.

É, uma boa ideia. Eu passo na segunda.

Bem, vamos ao show e não abro, não é, Juliana?

Obrigada. Deixemos a estrela, hã?

Nada de atrapalhar mais.

Tá bom, até logo.

Festival Júlia

Graciela hoje?

Claro, você não gosta?

Gosto.

Tem uma voz gostosa de menina.

E me fará sempre lembrar de você. É mesmo?

É. E me fará sempre lembrar de você.

Vou tomar uma cerveja.

O que você quer?

Você.

Eu não consigo parar de pensar em você.

É?

Considerando -se que eu não sou o último varão na face da terra, isso me enche

de medo.

Não brinque. Eu estou falando sério.

Eu também.

Oi,

pessoal.

Deitando e rolando...

Você pensa que já é dona de si?

Enquanto morar nesta casa, mando eu, entendeu bem? Que negócio é esse de

noites na rua sem avisar em casa?

Chegar a altas horas como se fosse dona de tudo.

O que é que você está pensando, menina? Eu sei o que faço, papai. Além do

mais... Ah, sabe, é? E você pensa que ser uma secretária qualquer é grande

coisa? Lhe dar o direito de saber tudo?

Pois olha aqui, menina.

Está vendo sua mãe?

Ela é professora formada, você sabia?

Claro que sabe.

E sabe por que ela não liciona?

Porque na escola onde um dia ela começou a licionar, havia lá um professor

chamado Giuseppe.

Ele cantou e comeu a primeira professorinha.

Cantou e comeu as cinco venerandas mestras de nossas crianças.

Simplesmente, dona Linda Blanche.

Porque uma era separada do marido, a outra era mãe solteira, a outra era

do prefeito e a outra... o diabo por aí afora.

Eu pergunto, lá era lugar para sua mãe?

Não, não era. E resolvemos que ela deveria sair e vir ser sua mãe.

E você tem alguma coisa contra isso?

Então, e é nas mãos dessa gente que temos a formação da inteligência

E é graças a esse tipo de educador que o ensino no Brasil é hoje uma instituição

falida.

Tudo aqui é feito nas coxas porque as pessoas vivem com o juízo enfiado no

Olha o nosso cinema, não consegue sair da merda porque não se posiciona com

dignidade.

Se procurarmos desculpa para tudo.

Até o diabo é inocente.

Ninguém, mas ninguém mesmo, bate no peito e diz, mea culpa, mea culpa, mea

máxima culpa.

E pelo que eu estou vendo, quer que eu ajude a engrossar a fileira dos

incompetentes, sendo um pai burro, bonzinho, boa praça. Mas eu não sou isso

Uma coisa que eu ainda tenho é vergonha na cara.

Essa coisa que vocês chamam de careta e fora de moda, chamada dignidade.

E agora, vai já para a cama. Depois vamos ver como é que fica tudo isso.

Você tem razão.

Apenas modere a linguagem.

Não precisa ser tão rude.

Blanche é ainda uma menina.

Melhor a rudeza dos pais do que a do mundo, Lala.

É, senhor, ajuda que a Blanche case logo, porque ela é muito chata.

Eu já disse para você não vir aqui sem me avisar.

Por quê? Está com medo que eu pegue você com outro?

Não é nada disso.

É que às vezes eu não estou no seu astral.

Está me chamando de ordinária?

Não é isso que você é?

Estou começando a gostar.

Afinal, é das ordinárias como eu que você gosta.

É, eu gosto, sim.

São as únicas que me permitem fazer o que eu gostaria de fazer com todas.

Não, eu não estou necessário. Não, Angela, pelo amor de Deus.

Para com isso, porra!

Não me enche o saco!

Eu já estou boa.

Já passou.

Eu quiser até palavras para expressar tudo que me vai na alma numa hora

Mas para tanto me falta talento e arte.

Lindo isso, não?

Perfumada, amor.

Dos raros momentos de felicidade completa em minha vida, o

maior foi, sem dúvida, aquele em que imaginei minha declaração de afeto,

acolhida pelo teu coraçãozinho carinhoso.

Consagreite.

Definitivamente, meu coração e minha vida.

Porto Alegre. É, uma ardente declaração de amor, Júlia.

É, como tantas outras.

Como é que você se sente paquerada assim por tantos homens desconhecidos, Júlia?

Feliz.

Afinal, sou mulher.

Tenho o maior respeito por todas elas.

Esta aqui, por exemplo, me parece tratar -se de uma coisa muito séria. Vamos

ouvir? Vamos.

Júlia, eu gosto tanto de você.

Gostaria que você fizesse um favor para mim, querida.

É que estou muito doente aqui em Paranaguá.

Vou ter que fazer uma operação muito perigosa e não sei se vou sobreviver.

Tenho 15 anos e não vejo meu pai desde muito pequeno.

Minha mãe disse que ele morreu, mas eu não acredito.

Ele está vivo em algum lugar do Brasil.

Júlia, encontre meu pai para mim, tá?

Minha mãe não quer que eu o encontre, mas eu gostaria que ele estivesse ao meu

lado nesta hora em que minha vida corre perigo.

Tenho certeza que ele procura por mim.

Talvez eu possa ainda ser feliz com meu pai.

Fico ouvindo você pela rádio aqui no hospital e esperando o recado seu.

Pelo que sei, ele é caminhoneiro. Será que tenho chance?

Chego a pensar que ele nem existe mais.

Fico imaginando como ele deveria ser conforme gostaria que ele fosse.

Andei por muitos lugares procurando um rosto na multidão.

Mas minha mãe mandou o juizado me pegar e fui trazido para casa novamente.

Fiz um retrato dele a partir da minha fotografia. Bem, acho que não ficou

bom. Nos lugares onde eu andei pedindo ajuda, complicaram tudo e eu fiquei na

mesma. Me responda.

Júlia, o que devo fazer?

Não gostaria que você fosse como meu pai, fruto da minha imaginação.

Como chego a pensar às vezes.

Sinto que vou partir e talvez não volte tão cedo.

Quis ser antes ver você que é meu sonho.

E ver meu pai que é minha vida.

Se existe memória além, o infortunio da minha viagem,

Seria mais leve com tão gratas recordações.

Venha, Júlia.

Venha me ver.

E traga meu pai.

De qualquer forma, ninguém ia conseguir ficar em paz mesmo.

Lamentamos pelo Maurício, né?

Sacrificando -se por nós.

Absolutamente. Não podem imaginar o quanto essa viagem me diz respeito.

Como está você, Davi? Ainda estou vivo.

Que bom.

Feliz em me ver?

É lindo.

Um sonho lindo.

E esse, quem é?

Não, eu não sou quem você gostaria que fosse, Davi.

Mas é como se fosse.

Inclusive, eu também tenho um filho desaparecido.

Vamos ser amigos, tá bom?

O que você tem, amor?

Tão pensativo.

Aquele garoto não me sai da cabeça.

Agora ele descansa.

É incrível, não há cadeia para mães neste país.

Sabe que roubar o filho da casa paterna, cometer violência, não é crime.

Sabia? Eu não entendo disso.

É, mas esse papo já está ficando muito chato.

Concordo com tudo que você disser contra esse mulherio.

Assim me sinto só eu no teu coração.

É mesmo?

Blanche, quer vir até aqui, por favor?

Quer sentar -se aí, Blanche?

O que está acontecendo, Dona Peppa?

Bem, não é nada pessoal, Blanche.

Inclusive, todos aqui gostam muito de você.

Como assim?

Não estou entendendo, Dona Peppa. Blanche.

O escritório está passando por algumas dificuldades financeiras.

Bem, nós precisamos fazer um corte de pessoal e... Você quer dizer que eu

sendo dispensada?

Mandada embora.

É, é isso mesmo.

Ouça, não há nada de pessoal nisso.

Inclusive, seus direitos estão sendo respeitados integralmente.

Aqui estão.

Uma carta de demissão com fundo de garantia por tempo de serviço.

Uma carta de recomendação onde você é muito bem recomendada.

E aqui nesse envelope fechado, o seu Maurício me deixou alguma coisa pra você

que eu não sei o que é.

É pessoal.

É mentira sua!

Quero falar com ele!

Isso é trama sua!

Não adianta, Blanche.

Foi o seu Maurício mesmo quem mandou fazer isso antes de viajar.

E ele só vai voltar daqui a uma semana.

Lanche, foi melhor assim. Para que não se sinta prejudicada, aí vai um presente

pessoal meu.

Compre o que mais gostar.

Eu nunca fiz aborto, doutor.

Você não acha que eu não corro risco nenhum?

Você não corre nenhum risco, minha filha.

Você não corre nenhum risco.

Tá bem, doutor.

Eu não sei o que dizer.

Não se preocupe.

Pegue suas coisas, menina. E aguarde na recepção.

Tá bem.

Obrigada.

CVV, boa tarde.

Em que posso ajudar?

Você gostaria de conversar comigo?

Meu nome é Walter.

Sinta -se à vontade para chorar.

Se você sente que pode confiar em mim e quiser desabafar, tudo bem,

já que você não quer falar.

O primeiro anúncio no jornal é da telógrafa Zinnia.

Uma coisa que eu ainda tenho é vergonha.

Foi ele quem escolheu o livro e também mudava a necessidade. Bem, seria bom

saber agora, pessoal. E você, galera, é presente pessoal? Você está apaixonada

pelo chefe? Você está natado! Você está natado!

Foi numa segunda -feira que tudo começou.

Eu me lembro porque ela me disse que já era mulher.

Eu... Não é à toa que se diz que a segunda -feira é o pior dia para se

as coisas.

Você exige sempre serviços extras de sua secretária? Se estiver sendo muito

sacrifício, é só falar.

Não, não.

É só pedir.

Para você eu faço com muito prazer.

E não cobro extra.

Só aquilo que eu gosto.

Te acho um tesão.

Você vai longe, menina.

O que foi?

Essa música.

O que é que tem?

Ouça.

É você?

Está falando de nós dois, parece?

Ah, Maurício.

Come as menininhas.

Depois manda embora.

Vamos parar, Laura.

Logo numa segunda -feira.

Pare com isso, Laura.

Mal, mal, Maurício.

Vocês são capazes de qualquer coisa. Qualquer coisa para satisfazer seus

caprichos e fantasias.

Caprichosas e calculistas é o que vocês são.

Pensa que eu me esqueci, hã?

Chega de pobreza. Meu negócio é riqueza.

Meus filhos.

O que ela fez dos meus filhos?

Vagabunda! Porra!

Então o homem é sempre culpado, né?

Quem seduz quem? Você sabe?

Eu não sei.

Eu não sei. Todo mundo usa todo mundo.

É isso que acontece.

para esta região uma mulher com um menino e uma menina, não?

Não, não vi. Ela tem olheiras, sobrancelhas grossas e a boca meio

Não, não conheço ninguém por aqui. Tá, tá legal, obrigado.

De nada.

Peppa, faça as contas da Laura. Ela está sendo demitida.

Já?

Receio que tudo isso esteja te prejudicando.

Viver é morrer todo dia um pouco.

Você sofre.

todas te amam.

Trouxe o relatório?

Mas eu te amo mais do que as outras.

Marque nova reunião com a diretoria da Boreal.

Seis horas.

Passa para as quinze horas.

Porque no final da tarde tem muito cliente. E não pega bem.

Sei que você não é só meu. Mas uma noite como esta é como se fosse para sempre.

Mas está certo. O poeta não disse que o amor é eterno enquanto dura?

Ah, teoria.

Estou conformada em dividir você.

Você não está me dividindo com ninguém.

Hoje eu sou só teu.

Mas, e amanhã?

Amanhã é outro dia.

Ficar com uma só enquanto há tantas necessitando é egoísmo.

O amor, quando é amor mesmo, é egoísta.

Lembra -se de Blanche?

Ela não aceitou o jogo.

Como as outras.

Como você.

Eu sou de vocês.

Sabe, eu não tenho direito... De amar uma só?

É. Eu sei.

Mesmo assim, eu te amo tanto.

Tanto.

Eu gostaria que fosse diferente.

Mas não é, Marcia. Eu sou um objeto sexual apenas.

Um fetiche, um amuleto, entende?

Diga -me, se eu fosse pobre ou feio, ainda que possuidor de um belo espírito,

você me amaria?

Eu duvido.

Se sou um sucesso, você, mulher, me inveja.

Por isso, me hostiliza.

Me combate. Sou prepotente.

Se fracasso...

Você me despreza e me abandona, mulher.

Só quero ser seu companheiro nesta ilha azul que rola no espaço.

Amar é confiar.

Confia. O que você quer?

Você.

Eu não sei o que é que está havendo.

Isso nunca me aconteceu antes.

Ai, Deus, como eu sofro.

Porra!

Mudou o pessoal que morava aqui?

Ah, não deixaram novinheiros com ninguém. O senhor sabe, né? Desde que a

se enrabixou com o chefe e acabou daquele jeito. Tá, tá, tá.

Obrigado.

Teve um superávit de 30 % este mês. Você vai ou não vai me dar o aumento que eu

lhe pedi? Vou sim.

Trate de receber mais estas duplicadas aqui.

Mas, patrão, isso é aumento de serviço. Não foi isso que eu lhe pedi.

Vamos lá, seu punguista. Pensou que ia ficar rico às minhas custas, é?

Ô, preto, não lhe fazendo de escravo. Você ouviu o que o patrão disse?

Ouvi sim, meu homem senhor.

Quer fazer o que o patrão mandou?

Sim, sim, claro, meu homem senhor, claro. Ô, escravo.

Pois não.

Não lhe fazendo de preto, isso aqui é serviço seu.

Eu já sabia.

Anão, pobre e escravo.

Só comida.

Só falta ser batedor de carteira.

Ô, gigante. O que é?

Essa sua malinha da minha mesa. Ah,

é só comigo.

Julia, você não pode negar. Eu amo Blanche e você sabe disso.

Talvez eu possa reparar o mal.

Reparar como?

Já lhe disse que não sei onde anda a linda Blanche. Diga -me, pelo menos, ela

está bem?

Maurício, eu não tenho notícias de Blanche.

Esqueça essa garota.

Espere, por favor, Julia. Você não acha que já lhe fez bastante mal?

Patrão, dizem que cada um de nós tem sua alma em cheiro.

No mundo ou em algum lugar no espaço.

É.

Será que essa garota não é a sua?

Que saudade que eu tenho, grande.

É. A vida...

De repente deixamos passar.

Por falar nisso, cadê Julia?

Ah, está excursionando aí pelo Brasil com o show.

Contando a história de Blanche.

Blanche?

É.

Vamos embora daqui, que esse escritório está me dando muita tristeza. Eu acho

que você tem razão.

Espere.

Desce isso aí e vamos embora.

Precisa -se de moça.

Boa aparência faz secretária.

Onde você se meteu, linda blanche? Eu amo você.

Eu amo você porque você fugiu de mim.

Aquele anão filho da puta me deixou na mão.

Você dá uma coisa ali.

Obrigado.

No jornal Usei meu melhor vestido

E meus sonhos coloridos Precisava trabalhar Tudo

parecia um sonho Eu já era secretária De você

Eu estava tão contente Tudo era...

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