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Anteriormente…
Cheguei a olhar para o espelho e não saber para quem estava a olhar.
A Gina encontrou uma reunião a que eu podia ir e isso ajudou.
A melhor parte desta bebida é uma sombrinha gira.
- Antonio! - Vou ver nas traseiras.
Antonio!
Desapareceu.
- O Ulster está morto há quase dois meses. - Isso é o que pensas.
Recebi uma carta. Era assim que ele falava comigo.
Falava assim com todos nós.
Se não tive nada que ver com as cartas…
Então, há outra pessoa que sabe sobre o Antonio, a minha mãe, tudo.
- O meu tio? - Nunca vais saber.
Onde está ele?
O que aconteceu?
Aranhas. Veneno.
Will, aguenta-te. Vem ajuda a caminho.
Will, aguenta-te.
Ang.
Estás acordado. Como te sentes?
Estranho. Tonto.
Deram-te antiveneno para as picadas de aranha
e um sedativo porque estavas alterado.
Tentaste tirar a intravenosa e ir atrás do Antonio.
O que sabes?
Sabemos que a Adelaide foi vista no Brasil.
Não sabemos se ele está com ela.
O FBI tem uma equipa a tratar disso e estão a fazer a cena deles à FBI.
Tenho de fazer alguma coisa para ajudar.
Podes tirar-me daqui?
Will, acordaste há cinco segundos.
Podes recuperar de quase morreres
antes de te martirizares outra vez?
- Ele é a minha família, Ang. - Eu sei.
Eu sei. E eles avisam-me assim que souberem alguma coisa.
Vão encontrá-lo.
Dormiste aqui?
Claro.
És a minha família.
Vou chamar alguém para tirar as correias. Deves estar esfomeado.
Vou pedir ao Seth para te trazerem o rolo de carne bom.
Isso existe?
Acredita, não queres o mau.
Foi o senhor que o encontrou?
Sim, esta manhã, reparei que a porta estava aberta e encontrei-o lá dentro.
- Vou ter de fazer uma limpeza a fundo. - Sim, parece uma trabalheira.
Sabe o nome dele?
Não, pagou em dinheiro.
Pediu-lhe a identificação?
Isto parece um sítio que verifica identificações?
Não encontro a carteira dele.
A porta está escancarada.
Qualquer um podia tê-la levado depois.
E ele tinha dinheiro.
A camisola dele é mais cara que a minha hipoteca.
Auscultadores, teclado.
Este caderno está cheio de coisas de música.
Coisas de música?
WILL TRENT
Sim, Franklin, coisas de música.
Partituras, anotações musicais, composição.
Porque trabalharia um ricaço nesta espelunca?
Drogas? Temos aqui pó branco. Parece cocaína.
- Pois. - E o que temos aqui? Adderall.
- O frasco tem nome? - Tem a etiqueta rasgada. Custa ler.
Vamos registar isto e ensacar.
Então, snifou um pouco de coca e tocou nas teclas.
Parece uma noite divertida até ser alvejado.
A Cooper ensinou-te?
A Cooper não tem as minhas capacidades.
A capa do teclado diz: "Propriedade da Orquestra de Atlanta."
Não.
- Sei quem ele é. - Quem?
Ronaldo Benetti, maestro da Orquestra de Atlanta.
Porquê o "não"?
Porque um homem morreu e as vidas perdidas são uma tragédia.
Pois…
A sério, porquê o "não"?
Sou um mecenas das artes.
Desde quando?
Sabes, vou à sinfonia.
Porque estás tão estranho? Desde quando vais à sinfonia?
Durante a minha vida privada, da qual nada sabes.
Temos de ir ao Symphony Hall?
Parece que sim.
Temos dois ovos, meio pimento e espinafres murchos.
Posso fazer-te uma omelete.
Não tenho fome.
Comi rolo de carne.
Está bem. Que tal um chá?
Sim, pode ser.
Odeio este chão.
Sim, eu também.
Vamos livrar-nos do chão.
Tens um plano ou estamos só a demolir?
Sabes, é uma boa pergunta.
Que tal ires à loja de ferragens
- e trazeres amostras de linóleo? - Está bem.
Anda, Betty.
Vamos às compras.
Pronto…
Estou farto de ti.
Este chão é horrível, mas o nosso esforço seria melhor empregue noutras coisas.
Achas sensato deixar o FBI procurar a Adelaide?
Não há "nosso".
A culpa é toda tua.
Não acredito que te deixaram procriar.
Vê o lado positivo.
Quem melhor que tu
para encontrar um louco obcecado pelo James Ulster?
Vá lá, Will. Por onde começamos?
Pela minha mãe.
Estou melhor.
Tenho menos recordações.
Mas é difícil.
Ainda não me sinto eu mesma.
Estou habituada a controlar.
Sou eu que protejo as pessoas que amo.
Ultimamente, tenho pensado em edifícios.
Os que são construídos para ceder
são os que sobrevivem a terramotos.
Mas os que são rígidos
são os que desmoronam.
Tenho de acreditar
que conseguir andar enquanto o chão se move debaixo de mim…
… é a única forma de sobreviver.
Olá.
O que disseste foi muito bonito.
Obrigada, Casey.
- Viste a carrinha do teu ex? - Algumas vezes.
Estacionada no fim do quarteirão?
Precisamente a 100 metros.
Se ele se aproximar mais, liga-me.
Prendo-o por violar a ordem de restrição.
Não estavas a brincar quando disseste que eras protetora.
Gosto disso.
Gosto de te ver viva.
Queres jantar em minha casa hoje?
Eu levo o vinho.
Olá, pessoal. O GBI foi chamado.
Parece que o Ronaldo Benetti é importante.
Sim, o Franklin é um grande fã.
Passa-se algo estranho e ele não me conta.
Mas limpou os dentes no caminho para cá.
Que é feito do código dos parceiros?
Tens alguma novidade?
Sim, falei com o Pete à saída.
A causa da morte foi um tiro, mas a vítima tinha hematomas pós-morte.
Quem fez isto alvejou-o e depois espancou-o?
Odiava mesmo o tipo.
- Devíamos entrevistá-los todos. - Sim.
Fico com o trompetista.
Mais ninguém pode fazer esta entrevista?
Já é stressante assassinarem o Ronaldo,
e agora apareces tu.
É trabalho, Leon.
Tomas medicação prescrita?
Sabes que sim. Qual é a relevância?
Encontrámos um frasco de Adderall no local do crime
e as letras na etiqueta parecem corresponder ao teu nome.
Escuta, o Ronaldo estava sob imensa pressão.
Tinha dificuldades em trabalhar
e pediu-me para partilhar os medicamentos com ele.
Então, dei-lhe alguns comprimidos.
Que tipo de pressão?
Vamos ter um grande espetáculo.
Vamos tocar uma composição original do Ronaldo.
Ele também era compositor?
Ele falava muito sobre isso.
Esta foi a primeira que ele terminou.
Mas o Ronaldo demorou uma eternidade a mostrar-nos.
Ele estava a agir de forma cada vez mais errática.
Começavam todos a passar-se, especialmente a Claudia.
- Quem é a Claudia? - A diretora executiva da sinfonia.
A Claudia tinha medo que não tivéssemos nada para tocar,
que tivéssemos de cancelar tudo.
Mas, finalmente, depois de desaparecer durante 24 horas,
o Ronaldo apareceu ontem e disse que tinha acabado.
E é irritantemente brilhante.
Quanto tempo vai demorar isto?
Lila, querida, vamos deixar os detetives trabalhar.
Tom, estás sempre a tentar controlar-me.
Preciso de um cigarro.
- Tudo bem. - Obrigada.
Pippa, ainda vamos tocar ou quê?
Não sei.
- O teu solo está pronto? - Sim, claro.
Mas os metais… Confusão.
Ela trauteia a melodia animada do Ronaldo enquanto dorme ao meu lado à noite.
Mas quem vai ser o maestro, Tom?
Lamento muito. Estamos ambos muito transtornados.
- Vens? - Sim.
Onde estiveste ontem à noite, Leon?
Tens de responder. És suspeito.
Sou suspeito?
Não és "não suspeito". Deste medicamentos a um morto.
- Adderall. - Uma substância controlada.
A sério, Franklin, tu conheces-me.
Pensava que te conhecia.
- Sê sincero. Estás a castigar-me? - Dá-me um álibi.
- Passei a noite em casa do meu namorado. - Namorado?
Podes verificar a câmara da entrada.
Pergunta-me o que queres mesmo saber.
Estou curioso. Quatro meses de encontros felizes.
Eu tinha uma gaveta em tua casa, tu tinhas uma escova de dentes na minha.
Porque me ignoraste?
"Não tens piada."
- Ele disse isso? - Sei que o fazia rir.
Não me consigo lembrar de um momento específico,
- mas sei que fazia. - Pippa!
Pippa!
- Onde está a Pippa? - Claudia, olá.
Já soubeste? Como estás?
Sim, é horrível. Os psicólogos de luto vêm a caminho.
Quem quiser, pode falar com eles, mas, por favor, não saiam do edifício.
Temos de ensaiar.
Não vamos cancelar o espetáculo?
Nem pensar.
Lamento. Porque não?
O Ronaldo não iria querer isso.
Devemos-lhe que a sua obra-prima seja ouvida.
Pippa, precisamos de um maestro.
Consegues fazê-lo?
Sim.
Ótimo. Vai dizer a toda a gente.
Olá, peço desculpa.
Claudia Sobinsky, diretora executiva. Em que posso ajudar?
Precisamos de ver o gabinete do Ronaldo.
- Por aqui. - Obrigado.
Parece que o Ronaldo andava estranho ultimamente.
Conheço o Ronaldo há 25 anos, desde os tempos da escola de música.
Nunca o tinha visto assim.
Era esta composição.
Eu disse-lhe que ele já era um grande maestro.
Não precisava de compor, mas não me deu ouvidos.
Ele colocou muita pressão sobre si mesmo.
Como é que isto ficou tão em cima da hora?
Ele insistiu que a estreia fosse o ponto alto da temporada,
até assentou a renegociação do contrato nisso.
Depois, quando estava tudo assinado,
ele ainda nem a tinha escrito.
Por isso, não queria que a Pippa a visse.
Quase tive um ataque cardíaco à espera.
Mas ontem, o Ronaldo apareceu com uma obra de câmara completa
e era tudo o que ele prometeu.
- Era deslumbrante. - O Ronaldo tinha problemas com alguém?
Era um chato, mas era o nosso maestro.
Todos o adoravam.
Sim, eu percebo. Também toco umas coisas.
A sério? Sempre?
Não faça isso. Por favor, não faça isso.
É estranho.
VAI PARA O INFERNO
Parece que alguém aqui não venerava o Ronaldo.
De todo.
Já disse ao FBI que não sei onde está a Adelaide.
Claro.
Mas se lhe ocorrer alguma coisa
que nos possa ajudar a encontrá-la,
agradecemos.
Sempre houve algo de errado com ela.
Sai ao pai. Fiz mal em rejeitá-la.
Por falar nisso, as cartas que a Adelaide me enviou…
… devolvi-as sem as abrir.
Talvez estejam por aqui algures.
Tentei pôr a Adelaide no caminho certo.
Mas por mais tempo que a fechasse
no guarda-roupa,
nada acontecia.
No guarda-roupa?
É a nossa alcunha para o castigo.
Tinha de a mandar para lá quando se portava mal.
- Mamã má. - … disciplinar as crianças.
Não sei porque fiz sexo com ela.
Sra. Trevens, posso pedir-lhe um copo de água?
Obrigado.
Isto é doentio.
Até para mim.
Ela era uma miúda.
Devia prendê-la por maus-tratos a menores.
Não te distraias. Ainda não viste aí dentro.
Para James Ulster Prisão Estadual da Georgia
DEVOLVER AO REMETENTE
De nada.
Cala-te.
Tu és eu. Para de ficar com os louros.
Aqui está a senhora a entrar no gabinete do Ronaldo há três dias.
Sabemos que destruiu o piano dele.
Vimos os estragos. Aquilo é que é ódio.
É maestra secundária há quanto tempo? Há seis anos?
É muito tempo para ficar em segundo plano.
Não é fácil ficar à margem a ver alguém viver os nossos sonhos.
Faz sentido ficar ressentida.
Às vezes, é mais fácil do que admitir que não tem o que é preciso.
Eu tenho o que é preciso.
A paixão, a concentração, a dedicação.
O sacana tentou vergar-me, mas ainda aqui estou.
Sim. Está pois, no centro da maior noite da sinfonia.
O quê? Não.
Está a correr-lhe bem.
Está bem, destruí o piano, mas não o matei.
Mas matou o piano.
O que fez o Ronaldo para a irritar tanto?
Menosprezava a minha condução, a minha roupa, os meus conhecimentos musicais.
Durante anos, disse-me que eu nunca seria maestrina
e recusou dar-me uma recomendação.
A propósito, ele sabia do piano.
Quando viu o que fiz, ficou impressionado.
Disse que já estava na hora de eu mostrar garra.
Juro que não o matei.
Não queria conseguir o trabalho assim. Queria merecê-lo.
Pode dizer-nos algo sobre o desaparecimento do Ronaldo
no dia antes de entregar a composição?
Só sei que, quando lhe perguntei como conseguiu terminar a obra,
ele disse que tinha encontrado a musa.
Sabe a quem se referia?
Não. Pensei que queria dizer que ele tinha dado uma queca.
Ele era mais excitado do que uma lebre.
Encontraram o carro do Ronaldo abandonado.
Vai ser rebocado para o parque. Vamos.
Olá.
Sim, pensei que estarias a trabalhar.
Trouxe comida chinesa.
- Onde está o Seth? - Está a beber cerveja sem álcool
e a ver um documentário sobre Dunquerque.
Olá, querida. Tive saudades tuas. Anda cá.
Ajudas-me a levar esta comida para a mesa de jantar? Sim?
Então, o que tens?
As cartas de Adelaide para o Ulster na prisão.
Queres ler-mas enquanto comemos crepes?
Uma noite perfeita.
O que se passa na cozinha?
Não é nada. Não te preocupes.
"Ela é estúpida e nunca me ouve. Odeio-a. Odeio-a.
Oxalá nunca a tivesses conhecido. Por favor, diz-me como matá-la.
Faço qualquer coisa. A tua filha, Adelaide."
Dizes que namoriscaste com esta mulher?
Estávamos na selva.
Estava muito calor e baixei a guarda.
Tenho andado muito vulnerável.
A Adelaide nunca teve hipóteses.
Mãe violenta, não tinha amigos. Podia ter sido como nós. Podia…
Mas nós tínhamo-nos um ao outro.
- Mudaste de penteado. - Sim.
Controlo o que posso.
Gosto.
Faz sentido a Adelaide criar uma rede.
Outras pessoas que foram ignoradas, como ela.
Essa rede é a melhor forma de apanhar o Antonio. Tem de ser.
Tenho de falar com o Jeb Oswald.
- Algum conselho? - Não vais assustá-lo.
Não vais chamá-lo à razão com lógica.
A única pessoa com quem ele quer falar é o James Ulster.
Por mim, tudo bem.
Não entendo… Espera, tira as mãos da louça suja.
Céus, não sabes relaxar, pois não?
Deixa-me cuidar de ti. Vai-te embora.
Está bem. Mandona.
Quem o diz é quem o é.
Talvez tenhas razão.
Tirei-a quando tinha 18 anos.
Não tinha nada melhor para fazer do que seguir uma estrada de terra batida.
Pensei mesmo que era fotógrafa.
Diz o roto ao nu…
Tive uma aula de olaria e podia jurar que era profissional.
Sempre disse que voltaria. Mas depois conheci o Dallas e…
Lá se foram os planos.
Escuta, com tudo o que passaste…
Para de te preocupar comigo.
Começa a pensar no que queres.
Queres isto?
Que tal isto?
Isto é a garrafa de cerveja ou a cafeteira?
A cafeteira.
És incrivelmente corajosa, Casey.
Tu também.
Não te incomodes, Amanda. Ele safa-se sempre.
Espero que tenha motivo para me trazer aqui.
Porque não se senta?
Diga-me porque estou aqui.
Atirou uma pedra à janela da sua ex-mulher ontem à noite.
Isso é vandalismo, assédio e violação da ordem de restrição.
Nem me aproximei da casa dela.
Sei que estaciona na rua da Casey, a tentar intimidá-la.
Estaciono onde quiser.
Sei tudo o que fez a Casey passar.
Sei todas as nódoas negras e todas as cicatrizes.
Mas isso acabou. Tem de a deixar em paz.
Não tem provas, pois não?
Parece que é você que está a tentar intimidar-me.
E não serei intimidado.
Acho que esta conversa acabou.
Já conheci milhões de tipos como você.
Homens que se julgam intocáveis.
Acha que pode pôr as mãos em quem quiser e sair impune.
Desta vez, não.
Faith, este carro está quase tão sujo como o teu.
- O que se passa com os criativos? - É um caos organizado.
A questão é que…
Não quero parecer defensivo,
mas tenho muito mais piada do que o Leon.
Sim, tens piada. É a tua cena.
A minha cena?
É como gostas de ser visto.
Achas que não tenho piada? Faith, tenho piada?
- Não és sem piada. - És divertido.
- É divertido estar contigo. - Não é o mesmo.
Não me achas piada. A Faith tem mais piada que eu?
O Leon está a mentir-te porque tem medo de te dizer a verdade.
Faith, isso faz sentido.
Não é que eu não tenha piada, mas o Leon é um cobarde.
- Encontraste alguma coisa? - Sim.
Um recibo de comida rápida de há três dias,
na altura em que o Ronaldo desapareceu.
Esteve em Cleveland, Ohio.
Alguém reconhece este batom?
Encontrámos os seus cigarros no carro do Ronaldo.
Acho que tinham um caso.
Lila, era a musa dele?
Desculpe, é disso que se trata?
Tenho um solo para ensaiar.
O que aconteceu? Acabou com ele?
Ele ameaçou contar ao seu marido e matou-o?
Não seja ridículo. Pare, por favor. Claro que fomos íntimos.
Profundamente, apaixonadamente e febrilmente.
Mas não foi um caso, porque eu e o Tom combinámos
poder dormir com quem quisermos desde que ninguém se apaixone,
e acreditem, eu nunca me apaixono.
Mas não com o Ronaldo.
Concordámos que ele estava na lista negra.
Nunca concordei com isso.
Foi algo que disseste e eu não te respondi.
O que importa? O homem está morto.
- Tom… - Então, amigo?
Tenha calma, está bem?
Não sejas histérico. É banal.
Desculpem, o que se passa?
Tom, cuidado com as mãos. Tens de tocar esta noite.
Sabe porque é que o Ronaldo esteve no Ohio?
Temos um recibo dele lá no dia antes de morrer.
Não, não faço ideia.
A nossa relação não se baseava em conversa.
Não é o seu dia de sorte.
- Acho que o parti. - Não faz mal.
Não tocas com os pés. Anda.
Queres companhia?
Já tiveste suficiente disso.
Lila, quer dizer-nos mais alguma coisa?
Só digo que, seja o que for que ele fez no Ohio, ainda bem que foi.
- Porque diz isso? - Antes de desaparecer,
ele mostrou-me o que estava a compor. Era atroz.
Íamos ser humilhados em público.
O que andou ele a fazer nesses dois dias?
Não sei. Ele nunca me disse.
Só sei que agora tenho um solo de violino excelente.
Vai ser…
Vai fazer a minha carreira
e deviam vir, se arranjarem bilhetes.
Já dei os que tinha. Se me dão licença,
quero mesmo ensaiar, portanto…
Não sei quanto a ti, Faith,
mas está na hora de o Franklin ter um encontro.
Nem pensar.
Foi o que o Ronaldo compôs?
Até há dois dias, sim.
A Lila tinha razão. É muito…
… amador.
Não entendo como isto se tornou a composição que o Ronaldo apresentou.
- É sequer parecida? - Não, nem de perto.
Isso parece escrito por outra pessoa.
Talvez a tenha roubado e acabou morto por isso.
Nunca subestimes a audácia de um heterossexual
com ego e uma cabeça cheia de cabelo.
Não… Sei que não te estás a rir.
Agora achas que tenho piada?
Diz-me a verdade.
Não quero filhos.
- Eu sei. - Gosto da minha liberdade.
- Não preciso de filhos. - Eu disse.
- Estou bem sem filhos. - Mentiste.
A mim ou a ti, está bem?
Parecia que pensavas que me vencias pelo cansaço
se ficasses tempo suficiente, mas não ias convencer-me.
- Eu disse… - Benjamin.
Nunca te devia ter dito o meu primeiro nome.
Sê sincero, Benjamin Franklin.
- Cá vamos nós. - Queres filhos. Queres. Não faz mal.
Mas Deus nos livre…
Se houvesse uma criança perto do sítio do brunch,
só olharias para ela.
Fiz isso uma vez.
Está bem.
Não te devia ter ignorado.
Nem acredito que fiz isso. Foi muito…
… imaturo.
Deixa-me compensar-te.
Vais ao espetáculo desta noite? Arranjei-te um bilhete.
- A sério? - Sim. O melhor lugar da casa.
Adoraria que fosses.
Será que podemos ser amigos?
Está bem.
Está bem.
És tu, o Will Trent.
O homem que apanhou o James Ulster.
- Isto foi um trabalho teu, não foi? - Sim.
Dizes ser aluno do James Ulster.
Sou mais do que um aluno, sou um acólito.
E achas que o teu trabalho homenageia o James Ulster?
Sabes o que vejo quando olho para isto?
É uma imitação barata.
Este trabalho é para ser apreciado.
A única coisa que vejo aqui
é medo, hesitação, falta de disciplina.
- O que é isto? - É uma avaliação.
Para te dar nota, na verdade.
Vejamos.
Suficiente menos.
E estou a ser generoso.
Não tem alma.
Sim.
Ao menos gostaste?
Tiveste pica? Uma ereção?
Não… Acho que não.
Acho que tiveste medo.
- Tive medo de ser apanhado. - Dava para ver.
Quando trabalhas em meu nome,
tem de ser digno.
Agora falo através do Will Trent.
É o mais próximo que tenho de um filho.
- Mas ela disse… - A minha filha.
Ela não é ninguém.
Tu…
… foste enganado.
Diz-me que não lhe deste o teu número da Seg. Social.
Não percebo.
Isso é claro como a água, seu simplório sujo.
Senta-te direito quando falas comigo.
O meu nome, o meu legado, está a ser poluído por esta cabra
e vamos acabar com a blasfémia dela.
Ou posso ficar aqui sentado
e arrancar-te as unhas uma por uma até ganhares juízo.
Ninguém me vai impedir. Eles aqui adoram-me.
Não se fartam do Will Trent.
Começas a perceber…
… porque escolhi este tipo como veículo?
Como posso ajudá-lo, Sr. Ulster?
Diz-me,
o que está a Adelaide
a fazer?
Não sei. Ela não fala comigo…
Não?
Recebo as instruções de outra pessoa.
Ele chama-se Comandante.
E como falo com o Comandante?
Eles só ouvem se for eu a dizer diretamente.
Então,
marca um encontro.
Sim.
Raios!
Isso é muito sensual.
- Agora é a tua vez. - Está bem.
Está bem.
Se levantares a arma, tens de estar pronta a usá-la.
- Aponta ao centro da massa. - Está bem.
- Está bem. Pés. - Pés.
- Ombros. - Ombros.
Muito bem. Respira,
visualiza e dispara.
- Meu Deus! - Linda menina. Conseguiste.
Vou arranjar uma para mim.
Vamos fazê-lo agora.
Escuta, Casey. Tenho um mau pressentimento sobre o Dallas.
- Precisas de proteção. - Sim.
Só quero pesquisar um pouco primeiro, mas prometo que o farei.
- Leva a minha. - Não posso. Precisas dela no trabalho.
Não. Esta é a minha arma pessoal.
Nota-se que estás à vontade com ela.
Fica com ela até teres a tua.
Guarda-a num sítio seguro.
Obrigada, Amanda.
- Estás no meu gabinete. - Sim, falta de açúcar no sangue.
Mas devo dizer que gosto disto. É sossegado, tem bons petiscos.
Está bem, não te ponhas muito à vontade. Quem está ao telefone?
Estou à espera com a biblioteca de arquivo da escola de música do Ronaldo.
O restaurante de comida rápida aonde ele foi ficava a 32 km de lá.
As câmaras mostram que foi lá.
- Boa. - Olá. Sim.
O Ronaldo requisitou uma tese de mestrado de há 25 anos.
Com licença.
Estou na sinfonia. O que foi?
O Ronaldo roubou a composição à Claudia.
O quê?
Depois de ela ouvir o primeiro ensaio,
percebeu o que ele fez, confrontou-o,
e, como ele não confessou, seguiu-o até ao motel e matou-o.
O lugar dela é ao lado do meu.
Ótimo. Fica de olho nela. Vamos a caminho com reforços.
Certo.
Claudia!
Claudia, apareça.
Estão a tocar por cima de nós.
Claudia… estou a vê-la.
Claudia Sobinsky, está presa pelo homicídio de Ronaldo Benetti.
Silêncio. Esta é a melhor parte.
Há 25 anos, mostrei esta peça ao Ronaldo
e ele convenceu-me de que não prestava.
Eu era tão jovem e insegura.
Acreditei nele.
Mas agora estou a ouvi-la.
Eu era boa.
Sim.
Era.
Por favor, deixe-me ouvir até ao fim.
Depois, prometo que vou tranquilamente.
Venha, temos de ir.
O Leon tinha razão.
Eu quero aquilo.
Marido, filhos, tudo.
Sim, é fantástico.
Sim.
- Desculpa, posso ajudar-te? - O Jeb diz que o Ulster fala por ti.
Certo.
És O Comandante.
A Adelaide deve confiar em ti.
Nós entendemo-nos. Ela ajudou-me a ver o que é a liberdade.
Matar?
Magoar inocentes?
Ninguém é inocente.
Eu sei o que é estar zangado.
Há alguns dias, mais do que gostaria de admitir,
em que penso que a minha raiva pode consumir-me.
Matar não nos faz sentir livres ou poderosos,
seja quem for ou porquê.
Corrói-nos a alma.
Como te chamas?
Se sabes onde está o Antonio Morales, tens de me dizer agora.
Não deixes a Adelaide meter-te em mais sarilhos.
Ela disse que tentarias salvar-me.
- E isto? - Entraremos em contacto.
Se me seguires, eu digo-lhe.
Se isso acontecer,
não sei o que ela fará ao Antonio.
Falaremos em breve.
- Casey. - Amanda, ele está aqui!
- Quem? O Dallas? - Ele está na casa!
Pega na arma. Lembra-te da aula.
Volta aqui, cabra! Vou matar-te.
Vou mandar a polícia. Aguenta aí.
Não!
Casey?
Tradução: Paulo Montes
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