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- Comeste? - Atrasaste-te e comi sem ti.
Não faz mal.
Quando voltas?
Talvez na segunda.
Podes…
De certeza que tens miúdas à tua espera naquela cidade.
Espero que sim.
Vais estar com elas?
O que achas?
Não sei.
Acho que cheiras a mulheres sempre que chegas a casa.
Porque não me dizes o que fazes?
Porque me amas.
Abram os olhos.
É um padrão simples.
Uma estrela-guia vermelha.
Uma cruz de cinco pontas
mostrará o caminho.
É formado por cinco ruas.
A rua da direita
leva ao local onde a dívida será paga.
Vou ser sincero, Agnes.
Vim como presidente do Comité de Justiça
e votarei contra a proposta
que permite que os polícias andem armados em serviço.
Vou persuadir o Centro e a Esquerda a fazerem o mesmo.
Tenho plena confiança no teu parecer e no do comité, Eddy.
Pois… Está bem.
Pensei que ias tentar convencer-me a votar a favor.
Não é o que os polícias querem?
- Andar armados? - Não.
Devias ter estado na reunião com a Associação dos Agentes dos Narcóticos.
Sim, era uma associação fascista, mas já não existe.
Sabes que mais? Sinceramente,
facilita-me muito mais o trabalho se votarem contra a proposta.
Então, achas que vocês não deviam andar armados?
Podemos culpar os políticos quando o público se queixa da polícia.
Dizemos não estar a receber o apoio necessário.
Pois.
Essa associação desapareceu do dia para a noite
quando o Departamento de Justiça se impôs.
Talvez. Talvez não.
Como assim?
Pode não ter sido do dia para a noite, pode ter sido pela noite dentro.
Referes-te à clandestinidade, é? É isso?
Imagino que alguns dos membros mais extremos e perigosos
não sejam travados facilmente.
Mãe, uma chamada para ti.
- Møller? - Desculpe incomodá-la num domingo.
Recebemos algo pelo correio.
Também parece que a Lisbeth Barli teve o dedo dela cortado.
Estás a dizer que…
Estás a dizer que temos um…
Um daqueles?
Sim, parece que sim.
Está bem. Vou para aí.
Mais uma coisa. Se isto se confirmar, precisamos do Harry Hole.
Ele foi despedido.
Sim, mas ele é o único aqui com experiência nestas coisas.
- Está bem. Fala com ele. - Ótimo.
Vou tratar disso.
E, agora…
… falei muito sobre mim e sobre as minhas coisas.
Tens mesmo saudades dela.
Adoraria ter assim tantas saudades do Anders.
Então, porque estão juntos?
Porque ele ganha muito.
Não, eu…
Não sei.
Talvez não me atreva a partir?
Onde está ele?
Algures na Europa.
Vai chegar hoje à noite.
O que é…
O que é que ele faz?
Ele vende…
… material para igrejas. Cruzes, retábulos, púlpitos.
Velho e novo.
Então, é cristão?
Belas mamas.
Olhe…
Peço desculpa pelo comportamento dos meus amigos.
Hoje, andam meio animados.
Mas, dito isto,
tens uma bela prateleira, miúda.
Não, deixa lá. Está tudo bem.
Tentei contactar-te no trabalho.
Queria dizer-te coisas sobre a Camilla
que não pude dizer quando estiveste em nossa casa.
- Porquê? - Porque o Anders estava lá.
Ele ficava furioso sempre que eu dizia que a Camilla levava um homem para casa,
como se não o tivesse ouvido também.
Porque ficava furioso?
Bem, acho que ele julgava
que eu estava a acusar a Camilla de ser uma prostituta.
Mas…
Eu só queria dizer que ela tinha uma ótima e saudável vida sexual.
E querias contactar-me para me dizer que a Camilla fodia muito?
Não, era…
Não era só por isso, era…
Alguém me ligou de um número privado. Nunca ligaria muito a isso, mas…
Após o que aconteceu à Camilla, eu…
Sim?
Ouvi a respiração de alguém
e essa pessoa não falou.
Creio que a pessoa que fez isso estava muito próxima.
Mas…
Tu ou o teu parceiro conhecem a Lisbeth Barli?
- A cantora desaparecida? - Sim.
Porque a conheceríamos?
Pois… Porque a conheceriam?
Tenho de ir para casa.
Posso acompanhar-te.
São só 400 metros.
Sim…
Acho que me desenrasco.
Eu poderia ter-te feito esquecer a Rakel?
E que rabo também. Merda!
O que queres?
Mas que porra? Está bem…
Mas que raio? Por amor de Deus!
Olá. Onde está o Hole?
- O bêbedo? - Está na cela 129.
O guarda deixa-o entrar.
É ali?
O que raio se passa?
Diversão a mais?
Pelo menos, uma parte da Lisbeth Barli apareceu.
Veio num envelope.
Lidero os casos Barli e Loen.
És o único que já lidou
com este tipo de assassinos,
mas depende de mim.
E então?
Pergunto-me se já pensaste sobre o que falámos antes.
Sim.
Sobre quereres ajudar-me.
Sobre nos ajudarmos.
Mataste a Ellen?
Está bem.
Vou dizer-te isto a ti, Harry.
Eu matei o Sverre Olsen.
Entrei na cabana.
Pousa a arma!
Ele pousou a arma e levantou as mãos.
De joelhos, mãos atrás da cabeça.
E, depois, vi a Ellen.
Vi o que ele lhe fez.
Ela estava…
Ellen…
Tu viste.
Ellen.
Eu ia fazer o quê? Ia deixá-lo apenas ser preso?
Nesta porra de país? Com prisão perpétua, sairia em 15 anos.
Então, alvejei-o.
Disparei dois tiros para a porta, para parecer legítima defesa.
Então, não mataste a Ellen?
O Sverre Olsen matou-a.
Já pensaste no que é
que nos faz fazer o que fazemos?
A minha primeira memória.
O meu pai junto à minha cama.
Ele cheirava a tabaco.
Era um conforto.
Ele era pedreiro e chegava a casa depois de eu me deitar.
Eu sabia que ele ia trabalhar antes de eu acordar, então…
Se eu abrisse os olhos,
ele sorriria para mim, afagar-me-ia o cabelo e sairia.
Então, eu fingia estar a dormir, para que ele ficasse um pouco mais.
Era assim com o teu pai?
Não, o meu pai era professor. Estava sempre em casa.
Eu tinha um vizinho lá na rua.
Era juiz.
Ele tinha um pastor-alemão enorme que estava sempre a ladrar.
Ladrava a noite toda.
Uma manhã, ia a caminho da escola
e parei onde ele estava.
Tentei olhá-lo nos olhos, mas ele só ladrava.
Ele atirou-se à cerca e rosnou.
Então, fui até ao portão.
Abri o portão.
Como se eu percebesse a raiva dele.
O cão saltou-me para cima e mordeu-me em todo o lado,
o juiz saiu e afugentou o cão.
E ele gritou: "Nunca mais entres na minha propriedade, fedelho!"
Não que eu tenha pressa, mas há alguma moral nessa tua história?
Naquela noite, acordei
e estava um silêncio total.
E depois ouvi a porta da frente a abrir.
Ouvi os passos do meu pai.
Ele abriu a porta do meu quarto.
Então, fechei os olhos…
… mas vi o martelo na mesma.
E percebi.
Nunca mais voltaríamos a ver aquele cão.
Fingi estar a dormir.
O cheiro a tabaco.
O conforto.
Eu matei o Sverre Olsen.
Pela Ellen.
Por nós.
Pelo bem de toda a maldita sociedade.
Então, vocês são
uma espécie de esquadrão da morte?
Não, somos apenas homens e mulheres
que levam muito a sério a sua responsabilidade cívica.
Fazemos o que a polícia não consegue fazer.
E temos alguns patrocinadores que nos pagam bem por isso.
Muito bem.
Sim, e quem são? Quem são eles?
Que escolha tens, Harry?
Um homem alcoólico e quarentão.
A quem deves isso?
À polícia?
Aos teus chefes?
Esses viram as costas mal cheiram problemas.
Vira-casacas de merda.
Posso oferecer-te dez vezes mais aquilo que ganhas agora.
Mas o mais importante é que posso dar-te alguma dignidade.
Consigo ver…
… que não queres desistir.
Vamos reunir a equipa de investigação às 8 horas. Daqui a três horas.
Só me deixam sair daqui depois das 10 horas.
Eu trato disso.
Tirem todos daqui!
Por aqui! Fora!
Após o tiroteio da semana passada,
houve vários pedidos para que os polícias andassem armados.
Neste programa, vamos falar com um ouvinte.
Olá. Não percebo porque é que os políticos não atuam.
Nunca acontece nada nesta cidade.
Esta é a mão da Lisbeth Barli,
e este é o dedo que recebemos pelo correio.
Segundo a Lønn, no apartamento da Barli, confirmou-se a impressão digital.
Ainda esperamos pelo relatório de ADN, mas vamos presumir que é da Lisbeth Barli.
A polícia continua sem informações
sobre o homicídio de Camilla Loen e o desaparecimento de Lisbeth Barli.
Uma fonte na NTB diz que os dois casos estão relacionados.
Esta gema foi encontrada sob a pálpebra de Camilla Loen.
Como podem ver, tem a mesma forma da joia no anel da Lisbeth Barli.
E tenho falado com uma especialista em diamantes da De Beers.
E ela crê que a espectrometria
e a microtomografia podem ser usadas
para identificar com exatidão a origem de um diamante.
Ela vem de Londres, esta noite, para nos ajudar.
Excelente trabalho, Beate. Muito bem.
Tens mais alguma ideia sobre o caso?
Não, mas não é um caso terrível?
Pelo contrário.
Não… Vá lá, temos de ser otimistas. Quero dizer, temos…
Temos dois casos, mas procuramos um criminoso.
Sendo dois, temos o dobro das pistas e usamos o dobro dos recursos.
É um caso de sonho. Nós…
Como te chamas?
O álcool fez assim tanto estrago? Já não te lembras de nada?
Skarre.
Só me lembro de que vieste dos Narcóticos
há menos de um ano.
Mas tenta lembrar-te de algo, Skarre.
Um detetive, num homicídio premeditado, sabe que o bandido tem certas vantagens.
Ele pode ter provas técnicas escondidas,
pode ter encontrado um álibi aceitável para a hora do homicídio,
ou ter-se livrado da arma do crime, mas há uma coisa
que o bandido quase nunca consegue esconder do detetive,
que é o quê, Skarre?
É o motivo.
É tão básico que, às vezes, nos esquecemos.
Até que um dia aparece o assassino do pior pesadelo do detetive,
ou sonho molhado, acho eu, dependendo da tara dele.
Um assassino sem motivo.
Disseste isso tudo, mas estás a exagerar.
Sem um motivo compreensível para pessoas normais.
Pode ser um motivo simples e clássico.
Por favor, ele tem razão.
Claro que tenho. Não podemos…
Mas, Skarre…
O Harry tem razão, claro.
Temos trabalhado nestes casos há cinco e dez dias, respetivamente,
e não encontrámos ligação entre ambos os casos, até agora.
E quando a ligação é o método,
um ritual, algo que parece um código,
começam a pensar numa expressão que vos sugiro que tenham em mente.
Também sugiro que todos aqui
fiquem de boca calada
e que ouçam quando o capitão Hole fala sobre casos destes. Está bem?
Resumindo, há duas coisas em que estamos a pensar.
Por um lado, na investigação sistemática…
Quanto propõe pagar-me pelas aulas?
Eu sei o preço.
Uma amiga minha tem aulas de francês
por 18 pence à hora, com um cavalheiro francês.
Não me pediria o mesmo para me ensinar a minha própria língua,
então, não pago mais do que um xelim.
E se não aceitarem…
Se não aceitarem, esqueçam.
- Vamos repetir. - Mais uma vez.
Eu sei o preço.
É o nosso primeiro dia em palco. É demasiado, com a luz, o som e tudo.
Sim, claro.
… não pago mais do que um xelim. E se não aceitarem…
Vês como elas são parecidas?
… esqueçam! Porra!
Não está a funcionar!
Willy, este diálogo é completamente impossível.
Não, é ótimo. É muito bom. Começa do início e, depois…
Vai ficar bem, prometo.
A Toya é a irmã mais nova da Lisbeth.
Vamos repetir.
Era vocal de apoio na banda da Lisbeth, mas o Teatro Nacional é diferente.
… pelas aulas?
Eu sei o preço.
Há algum sítio onde possamos falar?
Sim, com certeza.
Pessoal, um momento.
Preciso de sair para conversar.
A Petra vai assumir a direção.
Já venho. Vai ficar ótimo.
Tenho de te dizer algo.
Sabias que me candidatei à Academia de Teatro?
Na audição, eu estava naquele palco,
a fazer vozes engraçadas, imitações e…
"Sim, vais receber o dinheiro, Frank. Sim, agora. Não te preocupes."
Como não entrei, candidatei-me à Academia de Dança.
Não havia homens suficientes, então, entrei.
Reformei-me aos 40 anos e depois percebi que tinha um talento
para pôr os outros a fazer o que eu não conseguia fazer.
Recebemos um envelope.
Continha um…
Um dedo cortado.
Representar, Hole, é…
É o que fazemos.
Achamos que podemos decidir tudo, depois isto acontece
e ficamos completamente indefesos.
Temo que seja da Lisbeth.
Após outra semana de guerra entre gangues,
na qual armas automáticas terão sido usadas,
há cada vez mais pedidos para os polícias andarem armados.
O confronto resultou em mortes e ferimentos graves.
Os polícias e o sindicato acreditam que a situação está descontrolada
e que o tempo das soluções temporárias acabou.
O VG escreve que Oslo está cheio de armas
e o Aftenposten acredita que gangues fortemente armados estão em guerra.
Muitos perguntam agora como devem os polícias lidar com isto
quando, regra geral, não podem andar armados no trabalho.
Segundo fontes da NRK, o Comité de Justiça do parlamento
está a ponderar fazer, neste outono, uma nova audiência na primeira sessão.
Segundo fontes, podemos estar a rumar para uma polícia armada nas ruas.
COBRANÇAS DE DÍVIDAS ABC
Cobranças de Dívidas ABC.
Alexia? Ainda bem que ligaste.
Confirma-se de que esta é a maior…
Sim, claro que vou.
E vais dizer isso "por acaso" ao Petter.
Obrigado, Barbara. És um anjo.
Diz-me.
Olá, fala a Maya Ek do Aftenposten.
Pode confirmar que combinaram os casos Loen e Barli
e que agora procuram um só criminoso?
Tem de falar com o chefe de homicídios.
Chama-se Bjarne Møller.
Ele não me diz nada.
Não, e o que a faz pensar que direi?
E ajudarmo-nos mutuamente?
Ouvi dizer que gosta de beber.
Podíamos ir beber uns copos? Conversar?
Ou talvez só um?
Tenha um… dia.
O costume?
Não, hoje não.
Olá.
O que fazes aqui?
Disseram na esquadra que tinhas…
Que tinhas saído, então, pensei que estarias aqui.
- Obrigado pelo disco. - Sim.
- Mas… - Quero que voltes para casa.
Acho que a tua mãe não quer isso.
Não, ela é que ainda não sabe.
Tens de vir. Podias fazê-la feliz.
Por favor!
Ou nunca me vencerás no Tetris.
Afinal, o recorde é meu.
Não sei bem o que…
Vá lá. Eu levo-te a casa.
Olá.
- Onde estiveste? - Olá.
Não tinha com quem brincar, então, fui à cidade de metro.
- Não podes desaparecer assim. - Desculpa.
Vou jogar futebol.
Olá.
Olá.
Com quem tens lutado?
Diz-me tu.
O Oleg disse que estás a pensar em deixar o emprego.
O que queres, Harry?
O que queres?
Teria feito diferença se eu parasse?
Não és capaz disso.
- Refiro-me a sair da polícia. - Eu percebi.
Eu poderia arranjar um emprego que me deixe…
Eu poderia ter tido mais tempo para estar convosco.
Para.
Para.
Não é o teu emprego que é o problema, é…
És tu.
Tu és o problema.
Harry.
Espera.
Depois de amanhã, podemos ir às Piscinas de Frogner?
Quero tentar a dos 10 m.
Sabes? Com um público.
Por mim, tudo bem.
- Mas tens de perguntar à tua mãe. - Sim.
- Adeus. - Adeus.
São 16h55, e este é o boletim meteorológico.
Só vinho branco, sem drogas.
Não, tu também não.
Credo! Não, estou tão farta disso.
Tenho de desligar. Adeus.
- Olá! - Olá.
Posso ajudá-lo?
Tenho uma reunião com o Halle daqui a minutos,
mas os cinco andares acabaram comigo.
- Sim. - Dá-me um copo com água?
- Sim, claro. Um momento. - Obrigado.
Céus!
Desculpe, eu…
Eu só…
Sim, hoje, ando algo nervosa.
Mas está na casa de banho das senhoras.
POLÍCIA
Fox 20, estamos a caminho.
- Onde está ela? - Ali à frente.
O teu colega está lá, aquele tipo sueco.
Vendi 22 Ceskas ao Dearpmis, pode ser uma dessas.
Pelo menos, um dos do Dearpmis foi alvejado. Está no hospital.
Está bem.
O que queres que faça?
Está bem.
PROCURAR NO HOSPITAL POR UM BALEADO
Agora, não posso falar. Vemo-nos logo.
Quem é ela?
Barbara Svendsen.
Rececionista.
Vinte e oito anos.
Um tiro na nuca.
Uma Ceska zbrojovka?
Sim. O silenciador é feito à medida.
Ela está numa posição estranha.
Sim, parece provável
que o assassino a moveu e deixou o corpo dela assim.
Quem a encontrou?
Uma das advogadas.
Testemunhas?
Não. Um cliente pediu um copo com água.
A Barbara Svendsen veio buscá-lo, às 16h55,
mas já não voltou.
Veio buscá-lo aqui?
Sim, é o que parece.
É mais perto do que a cozinha.
E…
Sabes se alguém a viu a vir para aqui da receção?
Não me parece.
Sim. E o que disse ele?
O que fez ele quando ela nunca mais voltou?
Quando se cansou de esperar, foi para o respetivo gabinete.
Então, ele conhecia o sítio?
Não, era a primeira vez dele aqui.
Tanto quanto sabemos, foi a última pessoa a vê-la com vida?
É o que parece.
E aconteceu algures entre as 16h55 e as 17…
- 17h11. - Tens de fazer isso?
Tens algum problema?
Alguma vez lhes tocaste
depois de terem sido mortos, mas antes de arrefecerem?
Quase se sente a energia
a sair-lhes do corpo, mas…
Ainda a sentimos.
Toca.
Sei que queres tocar.
Sentes, não sentes?
O que vais fazer sem este emprego?
És tão viciado nele como eu.
Não há nada que substitua isto.
Vais beber até morrer. Vais matar-te.
Precisamos de uma resposta.
Foda-se!
Os diamantes têm impressões geológicas.
Eu diria as minas de Kiuvu, na Serra Leoa.
Acho que são diamantes novos
que terão sido contrabandeados da Serra Leoa para outro país,
onde foram entregues com certificados falsos.
Um assassino em série?
Sim, vais ter de começar a cancelar férias, chefe.
Precisamos de todos.
Não podia acontecer em pior altura.
Assassinos em série convenientes são raros.
Há outras coisas que também apontam para a Europa de Leste.
A Europa de Leste?
Já vi estes diamantes em forma de estrela.
Foram contrabandeados da Alemanha de Leste e da Chéquia.
- Uma mulher foi encontrada morta… - Mais informações em breve.
Olhe, ouça. Desculpe.
- Sabem quem foi? - Pode dizer-nos quem é a vítima?
Só queria pedir desculpa.
Fui eu que lhe liguei.
Maya Ek, do Aftenposten.
Sinto-me uma grande idiota.
Ouça, sei muito bem o que é o vício.
O meu irmão mais novo…
Era viciado em heroína. Está preso em Kumla, na Suécia.
- O que eu disse… - Terminou?
Sim.
Ótimo.
EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS DO CARL
Ainda há uns minutos,
soubemos de outro homicídio de uma jovem, em Oslo.
A polícia continua a trabalhar num edifício na Carl Berners Plass,
mas ainda não responde às perguntas da imprensa
sobre uma possível ligação ao homicídio de Camilla Loen.
Os familiares já foram notificados.
Decorrem interrogatórios
e uma área alargada foi isolada.
Há dez dias, Camilla Loen foi encontrada morta…
Só vendemos "matrial" usado. É para que saiba!
Sim, é a polícia.
A nossa equipa falou com a irmã de Lisbeth Barli…
Teve algum cliente hoje que tenha agido de forma estranha?
Diferente? Algo em que tenha reparado?
Diferente?
Sim… Toda a gente! O bairro todo vai de mal a pior.
Pois…
Por exemplo, alguém que parecesse que fosse cometer um homicídio.
Pois… Quem é que nunca pensou em matar alguém, de vez em quando?
O mundo está cheio de pessoas que são um desperdício de pele…
Não… Não entrou ninguém o dia todo, por isso…
Obrigado.
Segundo fontes policiais…
Vamos atualizando este caso, ao longo da noite,
com a conferência de imprensa das 21 horas.
ENCONTREI ALGUÉM. LIGA-ME.
Com o resto da população a tirar férias de verão,
a polícia está sob enorme pressão com casos graves…
Olá, Harry.
O que encontraste?
Uma pista no Hospital Aker.
Não me dão nomes, mas há uma pessoa que foi baleada
e que pode pertencer ao gangue Dearpmis.
- Número do quarto? - 505.
Obrigado, Sissel.
Podes continuar a ler o livro, nos próximos dez minutos.
Com calma.
Quem raio és tu?
Sou a única coisa que pode impedir
que fiques com a cabeça desfeita em pedaços.
Olha… Sabes aquele gangue que vocês atacaram?
Eles disseram-nos quem incinerou aquele tipo.
E podes ser localizado, desde que tenhas isto.
Isso é bluff. Se eles soubessem quem usou o lança-chamas,
saberiam que não fui eu.
Não é o outro gangue que te quer matar.
É o teu.
Quando detivermos o homem que matou aquele tipo,
a minha história será que o denunciaste quando percebeste que suspeitávamos de ti
e aquele guarda à tua porta dirá ao teu gangue
que saí daqui com um sorriso na cara.
O que queres?
Eu sei que tens andado a comprar muitas armas.
O que eu quero é que respondas "sim" ou "não"
a se foi a este a quem compraste.
Que se lixe isso! Nós não bufamos.
Não. Claro que não.
Não um dos vossos.
Foi a este tipo?
Sim ou não?
Agora, estamos todos aqui.
Temos dois novos membros.
Sem rosto, sem nome e, por fim, sem história.
Seremos todos engolidos pelo tempo e esquecidos.
Três, seis, um.
Lembrados pela luta por uma causa,
por tornarmos a vida do rebanho, da humanidade, um pouco melhor.
Eu e o nosso líder somos os únicos aqui
que conhecem as identidades dos presentes
e sei que alguns são religiosos, alguns são ateus,
mas todos partilhamos da convicção de que nós mesmos,
como grupo e como indivíduos,
temos uma responsabilidade de moldar e manter uma sociedade,
para que se assemelhe a um Céu justo mais do que a um Inferno anárquico.
Iremos criar uma civilização feita para e pelo homem civilizado.
Temos de quebrar as leis fracas e inúteis para implementar as leis fortes.
Devias vender o nosso produto, não roubá-lo!
As que realmente protegem os cidadãos do nosso país.
Não roubei nada!
E assim, e só assim,
podemos ajudar este país a encontrar o caminho de outrora.
Não consegues pagar?
Porque nós somos os fortes.
Não tenho nada!
E com a força…
… vem a responsabilidade.
Não tenho nada!
Tens um dia para arranjar o dinheiro, está bem?
Um dia, porra!
Sim? Estás a ouvir?
- Estás a ouvir? - Eu arranjo-o!
Não!
BASEADA NA OBRA A ESTRELA DO DIABO DE JO NESBØ
Legendas: João Braga
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