Afrikaans
Akan
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Breton
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Interlingua
Irish
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Polish
Portuguese (Brazil)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Sundanese
Swahili
Tajik
Tamil
Tatar
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Saturno Devorando um Filho,
do mestre Francisco de Goya,
que o pintou entre 1820 e 1823.
Queremos agradecer ao embaixador espanhol pelo seu trabalho,
para que o quadro de Goya fique connosco durante um ano.
Obrigado.
Muito obrigado.
NOVA IORQUE (EUA)
Obrigado por virem a este evento, especialmente o marquês de…
BANGUECOQUE (TAILÂNDIA)
Inés.
Diz sim, por favor.
Contigo, sou a mulher mais feliz do mundo.
CIDADE DO PANAMÁ (PANAMÁ)
Tenho uma boa notícia para te dar. O embaixador aprovou.
EMBAIXADA
Sim, enviei-te opções para escolheres o quarto que preferes.
Com as dimensões, etc.
Depois de amanhã, ligam-te do ministério
para irem buscar todo o material.
TÓQUIO (JAPÃO)
EMBAIXADA ESPANHOLA
Bom trabalho, Takeshi.
Obrigado.
AGENT ZETA
RIBEIRA SACRA, GALIZA
CENTRO NACIONAL DE INTELIGÊNCIA (CNI) MADRID (ESPANHA)
Aqui está.
A Operação Ciénaga acaba de ser revelada.
O que sabemos disso?
Os quatro agentes assassinados estiveram envolvidos
e, desde então, todos usaram identidades falsas.
Elena, se a imprensa topa, vai ser um inferno.
Sabes o que tens de fazer. Terrorismo, EIIL, Al-Qaeda, etc.
Está bem.
Na pasta, havia mais um documento.
Este.
Chama o ministro.
Não divulgamos nada enquanto não soubermos com o que lidamos.
Está bem.
O que vais fazer?
Só há uma solução.
Pepe! Tenho de ir.
Está bem. Eu termino.
Obrigado.
Vamos.
Que subtil.
Não terias concordado por telefone.
Nem vou concordar.
Já viste televisão hoje?
Não tenho televisão.
Estou aqui para desconectar.
- Estou de baixa, caso não te lembres. - Lembro.
Pedi-te um ano. Há meio ano.
Falamos daqui a seis meses.
Volto já.
Iago.
Vá, come isto. Assim.
Tens de usar a colher.
Toma.
Vá, tu consegues. Vá.
Isso, mãe. És uma campeã.
Porque não me disseste?
É o que é. Tem dias.
Quando voltei de Beirute, já não falava.
Muito bem.
Isso mesmo.
Tens os olhos da tua mãe.
Ela diz que tenho a personalidade dele.
Certo, mãe?
O teu pai é uma lenda.
Todos os mortos acabam por ser lendas. Vá.
É a última. Isso mesmo.
Andreia.
Muito bem.
Isso, coma.
As vítimas tinham identidades falsas,
em embaixadas espanholas.
- Todas protegidas pelo governo. - Escondidas. Porquê?
Não faço ideia, mas acharam-nas e mataram-nas.
Porquê as quatro?
As vítimas estavam ligadas.
Participaram numa missão há 37 anos.
Antigos membros do CESID, espias à moda antiga.
Que tipo de missão?
Não te posso dizer mais nada. Não há registos da missão.
Deixamos pouco por escrito, mas há algo.
Certo, mas não há nada sobre a Operação Ciénaga,
ou foi destruído. Não sei.
Elena, a minha prioridade é a minha mãe.
Quero estar ao lado dela até ao fim.
- Entendo perfeitamente. - Certo.
Mas pode haver outro assassinato.
A Operação Ciénaga envolveu cinco agentes.
Só houve quatro vítimas.
- Não sabem do quinto. - Exatamente.
O nome atual é Salvador Ancares.
Desapareceu. Não foi trabalhar hoje.
Foi transferido para Talin, na Estónia.
Ou já está morto, ou está escondido.
Certo, mas é muito importante encontrá-lo.
Só ele nos pode dizer o que foi a Operação Ciénaga
e quem matou a nossa gente.
Lamento, Elena, mas é o que é.
Como te disse, falamos daqui a seis meses.
Se falasse, a tua mãe aconselhava-te a fazer isto.
Desculpa?
Juro que não queria que soubesses assim.
CONFIDENCIAL
Isto é uma piada?
É o ficheiro de Salvador Ancares.
Ciénaga, 1987.
É o quinto agente que quero que localizes e protejas.
Não, o meu pai morreu numa missão quando eu era bebé.
Não pode ser ele.
Certo.
Éric Baena morreu há 34 anos.
Os agentes foram enterrados
antes de terem novas identidades.
A minha mãe não me mentiria.
- Lamento. - Não.
Também acabei de descobrir.
Iago, encontra o Ancares.
Que seja ele a contar-te tudo.
O meu pai morreu.
Iago, a tua mãe está na cama. Vou-me embora.
Obrigado.
- Até amanhã. - Até amanhã.
O meu pai ainda está vivo?
Diz alguma coisa, mãe.
Por favor. Um gesto, o que for.
TALIN (ESTÓNIA)
EMBAIXADA ESPANHOLA
A decoração é porque ia reformar-se hoje.
Achámos que vinha.
- Como não apareceu… - A mesa dele?
É essa.
- Ele recebeu alguma carta ou encomenda? - Não.
Comprou algo que lhe pudessem ter enviado?
Ele não costumava receber nada aqui.
- De certeza? - Já me esquecia.
- Os cigarros dele. - Isto aqui?
Sim.
Ele fumava, mas a mulher não sabia, por isso, entregavam-lhos aqui.
Um volume todas as sextas-feiras.
Hoje é quinta.
Pode dar-me um segundo, por favor?
- Claro. - Obrigado.
Porque não apareceu como os outros? Deve estar vivo.
Vou pedir as imagens de vigilância.
O Ancares ou o assassino terão deixado rasto.
Fala com a mulher dele. Vê o que consegues.
Ligo-te quando tiver as imagens.
Elena, só uma coisa.
Ele tem outro filho.
Sabias disso?
Zeta, o importante é encontrar o Ancares, certo?
Certo.
A tua mãe está?
- A tua mãe. - Mãe!
- Olá. Jesús, certo? - Sim.
- Entre. - Obrigado.
Notou algo estranho ultimamente?
Alguns dias, agia de forma estranha.
Uma vez, disse que achava que alguém o seguia,
mas quem ia seguir um adido cultural na Estónia?
Não sabemos.
Hans, amor, vai para o teu quarto, por favor.
Tem algo que ver com isto?
Céus! Sabia que ele me escondia alguma coisa. Sou tão estúpida!
Ouça, não se preocupe. Vamos encontrá-lo. Está a ouvir-me?
Sra. Karlsson, em que sítio na casa passava ele mais tempo?
Sra. Karlsson, acalme-se.
É por aqui.
CLIQUE NO BOTÃO PARA DESCRIPTOGRAFAR
CHAVE DESCRIPTOGRAFADA COLAR SENHA
Bom dia, boa tarde, boa noite.
Se estás a ver isto, andam atrás dos cinco de Ciénaga.
Se vieste matar-me, não me vais encontrar.
Nem te vou contar nada sobre aquela missão ou sobre o que aconteceu. Nada.
Por favor, não lhes faças mal. Eles não estão envolvidos, não sabem nada.
E, se fores dos bons…
Bons e maus, é complicado de definir, eu sei.
Duas coisas: protege a minha família
e, nesse envelope, vais encontrar tudo de que precisas.
Iago, estamos a verificar os códigos. Parecem-se com os nossos.
- Não te disse mais nada? - Mais nada.
- Chefe, olhe para isto. - Espera um pouco.
Os códigos levam-nos para estas coordenadas de GPS.
Zeta, confirmo. Os códigos são nossos.
Filho da mãe.
Zeta?
Levanta-te!
Mãos no ar!
Tira o capacete. Já.
Já!
Vira-te.
Vira-te, raios!
Vira-te!
Serviços Secretos Colombianos.
Larga a arma.
Salomé Suárez. Certo.
Nome de código?
Alfa.
- E o teu, Jesús Bao? - Zeta.
Chamam-me "Alfa" porque era a melhor da turma.
Devias ser o pior.
Porque procuras um antigo espião espanhol na Estónia?
Nos últimos dias, alguém seguia o Ancares.
Não sei. Quando cheguei, ele já tinha desaparecido.
E, em vez de te identificares, atacaste-me e roubaste-me.
Desculpa?
Fui eu que atravessei um para-brisas, não fui?
- O envelope diz onde está o Ancares? - Como sabes do envelope?
Fui a melhor da turma, já disse.
Porque é que o CNI não controlava o Ancares?
Desculpe!
- Não queres nada? - Não bebo.
- Eu pago. - Não bebo.
- Fazes isto há muito tempo? - Demasiado.
- Porque escolheste esta profissão? - Alguém tem de o fazer.
Certo. E tu és do tipo que nunca revela o nome.
Não o revelo porque não me lembro de qual é.
Tu andas por aí a dizer o teu?
Depende. Só a colegas.
Não somos colegas.
O que queres fazer?
Faz o que quiseres. Eu aguardo ordens.
Tentemos outra vez.
- A Operação Ciénaga foi na Colômbia? - Operação Ciénaga?
Se estás à procura do Ancares, deve ter sido lá.
- Não te faças de parva. - Não.
- Desde o começo… - Não sei por onde começar.
- Não sabes? - Não.
Fazemos assim.
Se me disseres onde está o Ancares,
digo-te o que sei sobre a Operação Ciénaga.
Ficamos os dois a ganhar. Queremos a mesma coisa.
Não trabalho em equipa.
Agora, trabalhas.
Como queiras.
Fala comigo.
Falei com uma colega colombiana.
A Alfa é a melhor agente dela. A melhor da turma.
O Ancares e os quatro agentes mortos operaram ilegalmente na Colômbia.
Parece que a tal Operação Ciénaga era secreta para todas as agências.
Agora, Colômbia e Espanha têm o mesmo objetivo.
Encontrar Ancares e saber o que aconteceu há 37 anos.
O que te prometeram?
A Colômbia sabe mais sobre a operação do que nós.
Mas não nos dizem nada até falarem com ele.
Se os levarmos até ele, eles dão-nos o assassino.
Parece que sabem quem é.
Cheira-me a esturro.
Zeta, de agora em diante, trabalhamos em conjunto com a DNI.
- Deves estar a brincar. - Não posso fazer nada.
As coordenadas. Descobriste alguma coisa?
Sim, levam-nos ao Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Verificámos todos os ficheiros do Centro para serviços associados a este lugar.
Encontrámos uma fatura de 1990 com despesas funerárias.
É uma campa com um nome e um apelido.
Não digas mais nada.
- Ele enterrou lá o Éric Baena. - Isso mesmo.
Zeta, vais para o Brasil.
CEMITÉRIO SÃO JOÃO BATISTA
Ouves-me?
Alto e em bom som.
Varredor. Uniforme laranja.
Alfa, encontrei a campa.
E agora?
Alguém deixou flores frescas.
Ouve. Tu aí. Para imediatamente.
Mandei-te parar.
- Posso fazer uma pergunta? - Estou a trabalhar.
Para imediatamente.
Para.
Filho da mãe!
Alto!
Merda!
Para!
Alto! Para já!
Deixa-me ver as tuas mãos.
Vira-te para mim.
A arma que tens contigo, vais baixá-la lentamente, sim?
Anda.
Isso. Calma.
O Ancares. Onde está o Ancares?
Achas divertido, é?
Baixem as armas!
Baixem as armas, filhos da mãe!
É melhor que baixem as armas.
Vamos, porra!
Certo. Faz o que dizem. Muito bem.
A mala.
Dá-lhe a mala.
A mala!
O que foi?
Sabes como é.
Vocês podem ir embora.
- Depressa. - Vamos, raios!
Anda, vamos.
O velho não quer a miúda.
Ouve.
Céus! Que merda!
Ótimo. Estamos quase lá.
Chegámos.
Vá. Desce, porra!
Devagar. Entra.
Vá, vamos.
Está tudo bem na embaixada?
Claro que sim. Não se passa nada naquela embaixada.
Era preciso este circo todo?
Devias ser profissional.
Essa não é a atitude certa.
Vou voltar a perguntar-te. Porque me procuras?
Para te proteger.
Jesús Bao.
Nem te consegues proteger a ti próprio. Qual é o teu nome de guerra?
Zeta.
Estão todos bem na Casa, na Cuesta de las Perdices?
Agora, chamamos-lhe Centro.
Há muitas colombianas no Centro?
Missão conjunta, até os teus capangas a atirarem de uma carrinha em andamento.
- A Colômbia procura-me porquê? - Sabes bem porquê.
Pelo que aconteceu há 37 anos, em solo colombiano.
Operação Ciénaga. Que foi?
Quem faz as perguntas sou eu. Está bem, Zeta?
Foste à minha casa e viste a minha família. Como estão eles?
Porque não me esclareces com a tua sabedoria e me dizes o que vês?
Tens outra família que precisa de proteção?
Muito bem, Zeta. O puto fez o trabalho de casa.
Nos registos espanhóis, és casado e tens um filho.
Essa vida pertencia ao Éric Baena.
Sabes onde o Éric Baena foi enterrado, há 34 anos.
Tem muito cuidado com esta vida, Zeta, muito cuidado. É complicado.
O Centro vai permitir-te viver muitas vidas, muitas.
Todas essas vidas, Zeta, vais vivê-las em troca da tua.
A minha agora é lá, na Estónia, em Talin.
- Vais proteger a minha família? - Já te disse que é o meu trabalho.
Mas fala da Operação Ciénaga
e de como nos afeta.
Como me vais salvar a vida com tiros no escuro?
Não há registos da missão. Assumimos que o CESID destruiu tudo.
Não havia o que destruir nos anos 80.
Quem te quer morto? Porquê?
Mantém sempre a calma.
A missão foi montada à volta de uma propriedade colombiana,
muito perto de Medellín. Ciénaga.
Porque agiu o Centro sozinho no estrangeiro?
Porque fomos até Ciénaga atrás de um gigante da cocaína,
um tipo muito inteligente. Sito Baltar.
Sito Baltar?
O CNI não lida com tráfico de droga.
O Sito ia levar-nos a Tirapu.
Um membro da ETA.
Asier Zabaltegui ou "Tirapu".
O maior filho da mãe da poderosa ala militarizada da ETA.
Como o Tirapu foi parar à Colômbia
é o início da nossa tragédia, a tua e a minha.
Nos anos 80, o Tirapu teve uma ascensão astronómica entre os recrutas da ETA.
Ainda nem tinha 25 anos e já liderava o comando Biscaia.
E o puto tinha garra.
Se farejasse o espanhol em ti, morrias.
Instintivamente, sem perceber,
Tirapu tinha-se tornado uma estrela no mundo do terrorismo,
uma perfeita máquina de matar.
Até que foi longe demais.
Acerta-lhe!
Raios! Merda!
Lá está!
Merda, ele ainda está vivo.
Livra-te do cão!
Depois desse massacre, o governo decidiu eliminá-lo.
Deram-nos carta-branca, olho por olho, dente por dente.
Assim, o governo podia ganhar uns pontos.
O problema foi que a ETA previu esse movimento
e exilou a sua estrela do terrorismo na Colômbia.
Como localizaste o Tirapu?
A Inteligência da Polícia Nacional informou-nos de que o Sito Baltar
se encontrava regularmente com o Tirapu, por isso, seguimos essa pista.
Devagar.
Devagar, sim? Isto não é areia, custa dinheiro.
Sito Baltar. Que personagem.
Paco! Ouves-me? Paco!
Nos anos 80, o rei incontestável do tráfico de cocaína era o Sito Baltar
e, como um bom rei, tinha controlo total sobre certos portos na Colômbia,
dos quais os carregamentos partiam para o mundo.
O Sito pagava bem e mantinha todos felizes.
Mostrava a quem se pusesse no seu caminho quem mandava dos dois lados do Atlântico.
Porque o Sito Baltar sabia que os seus amigos das FARC o protegiam.
Meu, ficas bem de verde.
- Como está a família? Bem? - Tudo bem.
Ao protegê-lo, a guerrilha alimentava o seu negócio,
que não era a revolução.
Eram armas e cocaína.
Como a minha mãe dizia, pescadinha de rabo na boca.
O acordo era simples.
A ETA treinava as FARC para produzir e manusear explosivos,
e as FARC forneciam armas à ETA.
E o Baltar, por uma boa comissão, levava as armas para Euskadi.
Pegamos na ponta, aquecêmo-la ao mesmo tempo…
Então!
Temos um traficante com portos e navios,
um exército com soldados e armas,
e um membro da ETA bem camuflado a mandar armas para casa.
- O que nos falta? - As armas. De onde vinham?
De Ciénaga,
o rancho do maior traficante de armas do continente americano.
Quem?
Vou dar-te outra aula de história.
Em 1985, há 40 anos, eu era responsável por…
Vamos chamar-lhe "tráfego portuário ilegal".
E, às vezes, por sorte,
levávamos vantagem e evitávamos
que um pequeno número de armas entrasse em Espanha.
O que raio estás a fazer, idiota? Fica quieto.
Dá-me isso.
Numa dessas operações, descobrimos
o nome da pessoa que fornecia as armas
que acabavam na poderosa ala militar da ETA.
Furiase. Teo Furiase.
Teo Furiase ou "Fúria de Deus".
Furiase tinha a vida toda em Ciénaga.
Era a sua casa, templo, esconderijo…
Descobrimos que o Furiase era completamente intocável.
Tinha construído o seu império a subornar juízes, empresários e polícias
que o deixavam operar livremente na América Latina.
Nunca teríamos ido atrás dele se ele não tivesse contactado o Tirapu.
Mas contactou, e foi assim que nós, cinco agentes, fomos para a Colômbia.
Olá.
- Um segundo. - Sou eu.
Não, nada.
O Tirapu era um profissional. Nunca punha os pés fora de Ciénaga.
O tempo e o dinheiro estavam a acabar e nós não tínhamos nada.
Os mandachuvas começavam a perder a paciência.
Como chegaram até ele?
Uma dica.
- Uma dica? - Sim. É sempre uma dica.
E a fonte era confiável?
Confiava-lhe a minha vida.
Ele deu-nos o dia, a hora e o local
em que havia uma troca de pastas entre Fúria de Deus, Baltar e Tirapu.
A Santíssima Trindade dos filhos das mães, juntos no mesmo lugar.
- Viste tudo o que preparei para ti? - Que maravilha.
O local era complicado. Famílias, crianças…
Mas era a nossa única hipótese.
O Tirapu ia deixar a Colômbia nessa noite, e nós, da Operação Ciénaga,
estávamos convencidos de que a missão seria rápida e limpa.
Se alguém se está a vingar do CNI 37 anos depois,
é porque a operação não foi tão limpa como pensaram.
- O que correu mal? - Repara.
O Tirapu era um grande filho da mãe, mas não era nada parvo.
Certo, chegaram.
Tirapu escolheu ser visto no grande dia do festival,
no dia em que sabia que teria proteção máxima,
que todas as famílias seriam o seu melhor escudo.
- Olá! - Olá!
Como estás?
O pior para um agente secreto
é causar vítimas civis num país estrangeiro.
Tirapu sabia que ninguém iria atrás dele naquele contexto.
Não tínhamos escolha. Tínhamos de abortar.
Mas não abortaram.
Apanhar Tirapu era um assunto de estado.
Ele ia sair da Colômbia e não haveria outra oportunidade.
Para complicar ainda mais, alguém avisou o Furiase.
Sabiam que estávamos em cima deles.
Foi tudo por água abaixo.
Eu era um miúdo.
Foi o momento mais lixado da minha vida de agente.
Quem achas que se quer vingar de vocês?
Alguém ligado a qualquer uma das pessoas que matámos naquele festival.
O que achas?
Vamos fazer uma coisa, sim?
Eu e tu vamos a Bogotá.
Agora.
A DNI tem perguntas para ti.
Primeiro, vais dar um recado à avó, Capuchinho Vermelho.
Por que raio queres conhecer o lobo?
Vim para te proteger e vou fazê-lo. Vamos embora.
Pede que baixem as armas. Não vou repetir.
Estou curioso. Quero ver como vais fazer isso.
Tenho alguém a apontar para ti. Não faças disparates.
- Cuidado! - Filho da mãe!
Baixem as armas! No chão!
Ponham as armas no chão!
- Calma. - Baixem as armas.
Larguem as armas!
A criança vai-se embora agora!
Baixem as armas!
A criança vai-se embora!
Baixem as armas! Larguem!
E ponham essas merdas na mochila. Vamos!
As coisas dele…
As coisas na mochila.
Todas as coisas na mochila.
Dá-me a mochila.
Já ouvi tempo suficiente.
Anda, vamos. Depressa!
- Devagar. - Esquece. Agarra.
Agarra a mala, raios.
Vamos. Anda. Tu, não te mexas.
Rebento-te os miolos.
Veio dali, raios!
- Larga a arma! - Para! Larga!
Dou-lhe um tiro na cabeça!
Baixem as armas.
Calma! Baixem as armas.
Baixem as armas.
Está tudo bem!
Está tudo bem!
Está tudo bem. Baixem as armas.
As chaves do carro.
Dá-me as chaves.
A cabra! Apanhem-na!
Vá, vamos. Corre!
Sai daí, porra! Sai!
Para de fazer isso, raios!
Vamos, raios.
Perdeste, porra.
Não disparem.
Não me matem.
Calma!
- Larga-o! - Larga-o, porra!
- Calma. - Onde está a mota?
Anda, raios, avança!
Arranca, vamos!
Ele é doido! Não me viste?
- Aonde vais? - À casa de banho.
BOGOTÁ. DNI. ATIVAMOS EM 5 HORAS.
Está tudo bem?
Está tudo mal, graças a Deus.
BOGOTÁ (COLÔMBIA)
DIREÇÃO NACIONAL DE INTELIGÊNCIA BOGOTÁ (COLÔMBIA)
Olá. Alfa.
- Elena Faron. Prazer. - Hugo Landa.
Alfa
Elena Faron, Hugo Landa.
Estão à nossa espera lá dentro.
Ancares, venha comigo.
Zeta, é melhor esperares no hotel.
- Por aqui. - Estou dispensado?
Não tens autorização para entrar.
Mas o seu hotel é ali em frente. Pode ir a pé.
Vê se descansas. Mereces. Falamos depois.
Senhor, ponha os seus pertences aqui.
Lamento, mas tenho de apreender isto.
Boa tentativa. Por aqui.
Obrigado.
BOM DIA. AQUI, ESTÁ TUDO BEM. ELA DORMIU A NOITE TODA.
Se não se importam, prefiro a versão resumida.
A Colômbia procura algo relacionado com a morte dos cinco agentes.
Não sabemos bem,
mas ameaçam com uma crise diplomática se não colaborarmos.
Insistem que és a única pessoa que pode ajudar.
Em troca, dão-nos o culpado pelos assassinatos.
Essa é a prioridade do ministro. Temos de responder à opinião pública.
Não mintas, Landa. O ministro precisa de se manter à tona,
que é o que os ministros fazem. Mantêm-se à tona nas crises.
O Zeta sabe as condições.
Colaboro convosco uma última vez e desapareço. Vivo.
- Para sempre. Sim? - Muito bem.
- Certo. - Se me dão licença,
tenho o Jordan no cesto.
- O quê? - Tenho de cagar.
Vocês não cagam? Claro, vocês nunca cagam!
- Esperamos aqui. - Credo.
Anda.
- Mãos. - Relaxa.
Quem são vocês?
O velho espanhol mandou-nos.
O Ancares?
- Não sei como se chama agora… - Fiquem onde estão.
Muito bem.
Sou o Marlon, este é o Flaco e esta é a Vivi.
Não estamos armados
e só queremos ajudar.
Ajudar com o quê?
O velho vai contar-te. Por agora, confia em nós.
Flaco.
Devagar. Ponham o conteúdo da mochila em cima da mesa. Vá. Os dois.
- Desequipamos. - Certo.
Certo. Na mesa. E nada de inventar, está bem?
Está bem.
- Vá. - Certo.
Passa-me os fones.
Ótimo.
Vamos trabalhar.
Marlon, estás a ouvir?
Marlon, ouves?
Querido!
É bom ouvir a tua voz depois de tanto tempo, irmão.
Estamos no hotel do outro lado da estrada com o teu novo namorado.
Zeta, agora ouve
e aprende um pouco com os mais velhos.
Marlon, há algo errado aqui, mas ainda não sei o quê.
Preciso de que sejas os meus olhos lá fora.
Não te preocupes.
É para isso que estou aqui.
E estamos todos a trabalhar para ti.
Mas tens de me ouvir e não falar até eu te dizer.
Estou nas tuas mãos, Marlon.
E quando estou nas tuas mãos ficas muito animado.
E isso deixa-me nervoso.
Bem, o amor é assim, querido.
O amor é assim.
- Elena Faron. - Olá!
- Queria muito conhecê-la. - Igualmente.
- Hugo Landa. - Olá.
- Faça o favor. - Obrigado.
- Boa noite, senhores. - Boa noite.
Chamo-me Diana Herrera. Bem-vindos à Colômbia.
Diana Herrera e Diana, a Caçadora.
Finalmente, associo uma cara à pessoa responsável por este festival.
Sabe muito sobre festivais na Colômbia, certo?
Sim, bastante. Quem são os Três Mosqueteiros?
Sr. Pastor, Sr. Ovelha e Sr. Cão.
Diana, precisa aqui é de um bom veterinário.
Continua o mesmo filho da mãe.
Que bom sentido de humor.
Não se preocupe, quem manda sou eu.
Eles só estão aqui para garantir que não nos desviamos da rota.
Isso mesmo. E, como verá, trouxemo-lo aqui
porque a DNI quer saber o que aconteceu em solo colombiano em 1987.
Para isso, não tinham de me raptar.
Raptá-lo? Perdão, senhor, trouxemo-lo para conseguirmos paz.
Claro. Eu sou a pomba da paz.
Ele está a provocá-los.
E acho melhor guardares essa arma antes que dispare.
Então, dá pelo nome de Salvador Ancares?
Sim, há já muito tempo.
- E antes disso era… - Éric Baena.
- Como sabe. Vá direta ao assunto. - Claro.
Operavam ilegalmente em território colombiano
atrás de um terrorista espanhol.
A missão acabou num massacre. Temos de atribuir responsabilidades.
Defina "responsabilidades".
A pessoa que deu a ordem para abrir fogo
num sítio público onde estavam famílias num feriado.
Essa pessoa está à sua frente.
A foto, Alonso, por favor.
Vinte mortos e dezenas de feridos.
Já prescreveu, Diana.
Não entendo que raio fazemos aqui. Prescreveu.
Sabe o que eu não entendo? Próxima, Alonso, por favor.
Sr. Ancares, temos imagens suas no dia das mortes nas embaixadas.
Estão a provocar-te.
Vê alguma coisa fora do comum?
Cuidado com o que dizes.
Não.
Não?
Não, tudo normal. Vejo coisas de agentes dos serviços secretos.
Não é suspeito que o único sobrevivente da Operação Ciénaga
seja o responsável?
E mais suspeito que o assassino não o tenha tentado matar, mas raptar.
O meu raptor foi identificado?
Não, não está no ficheiro.
Nem nenhum dos responsáveis pelos atentados.
Claro que não.
É preciso muito dinheiro, recursos, e uma Diana, a Caçadora
para chegar a esse nível de profissionalismo e invisibilidade.
E já sabe isto tudo porque sabe quem os contratou.
Irei revelar quem foi. A seu tempo.
Certo. Quero perguntar o seguinte.
Teve contacto com os falecidos nos últimos meses?
Sabemos que teve, Sr. Ancares.
Só queremos confirmar.
Correto.
A Celia foi contactada por uma jornalista há um mês.
Estou?
Ela tinha muitos detalhes de Ciénaga
e queria falar com todos para publicar um relatório.
Aquele dia foi errado.
Havia demasiados civis. Descontrolou-se.
- Teve contacto com ela? - Não, não tive.
Mas encontrámo-nos os cinco, porque não sabíamos como proceder.
A Celia informou-nos de que a jornalista sabia tudo
e de que não revelou a sua fonte,
mas sabia coisas que só os envolvidos poderiam saber.
Obviamente, foi uma reunião tensa.
Pode ser mais preciso?
Já sabes que é um jogo.
Vão disparar a qualquer momento.
Vejamos…
Tem o nome da jornalista?
A vossa inteligência sabe que são burros?
Sr. Ancares, muito cuidado. Não estamos em Espanha.
Vou repetir a pergunta.
Tem o nome da jornalista? Sim ou não? É muito simples, até para si.
Não havia jornalista nenhuma.
A jornalista foi um isco para nos marcar e, depois, eliminar.
Quem vos queria eliminar?
Isto é uma seca, Diana. Não estamos a progredir.
Pode ser uma querida e dizer-nos quem é?
O que é isto?
Uma interferência.
- Ouviram aquilo? - Sim.
Não somos os únicos à escuta.
O sinal vem do hotel. Acima de nós.
Chefe, continua o que estás a fazer e olha pela janela.
Estão a espiar-nos.
Porque desapareceu depois do incidente em Talin?
Porque tinha tanto medo,
que estava, literalmente, a borrar-me pelas pernas abaixo.
Certo, mas podia ter pedido ajuda ao CNI.
Claro que podia.
Podia tê-lo feito.
- Mas não fiz. - Porquê?
Chega de tretas, Diana, a Caçadora.
Alguém nos tinha traído.
Só podia ser alguém do CNI
ou de outra agência com acesso a informação delicada.
Vinte pessoas mortas num país estrangeiro é suficientemente delicado.
A partir desse momento, não haverá coincidências.
Porque, neste trabalho, não há coincidências, Diana.
Não compreendo. Como assim?
A confusão em que estamos metidos está a 12 andares de altura.
Este andar, nós os dois,
estamos enterrados até aqui.
Se continuarmos a brincar aos espiões,
a merda vai subir pelo menos mais oito andares.
Portanto, decida.
- Vigésimo andar. - Confirmado.
Vigésimo andar, quarto 20-06.
- Vivi, vai. - Que brincadeira
de merda é esta, Diana…
Vamos recapitular.
Alonso.
Em 1987, houve um massacre no dia mais importante
do Festival das Flores de Medellín.
Atribuíram o massacre a uma guerra entre dois cartéis.
Até que descobrimos que um grupo de espiões espanhóis agiu sem autorização
e foi responsável pela operação.
E agora alguém está a eliminá-los.
Esteban Furiase, primogénito de Teo Furiase e herdeiro do seu império.
Está limpo.
Livre. Podes subir.
Ótimo.
Há 37 anos,
Esteban Furiase perdeu o pai na sua operação descuidada.
Ele anda à procura e vai atrás de cada um de vocês.
Nós descobrimos e queremos saber o que aconteceu
antes que aconteça outra situação daquelas.
- Então? - Está tudo sob escuta.
Chefe, há um infiltrado aí contigo.
A escuta está em direto.
Localiza o IP.
- Aparece Medellín. - Medellín?
Um rancho.
É Ciénaga.
Chefe, é o Esteban Furiase.
Preciso que entendas a situação.
Uma das pessoas nessa sala contigo
é espia do cartel do Esteban Furiase.
Tosse para cortarmos a transmissão, mas vão perceber.
Parece que o caso foi resolvido.
Já temos o assassino, certo?
Como diz, Elena, assim parece.
Que o Esteban Furiase
esteja a vingar a morte do pai
é apenas uma possibilidade.
Têm provas de que Esteban Furiase está por trás dos assassinatos.
Prendam-no e tratamos da extradição.
- Não é tão simples. - Porquê?
Entregamos Esteban Furiase
quando tivermos a história completa. Falta uma parte.
Voltemos ao princípio.
Porque matam quatro agentes e o deixam vivo?
Compreendo.
O quê, Ancares?
Compreendo o problema.
Vamos puxar a ficha. Vamos fundir-lhes os tímpanos.
Toma, filho da mãe.
Pronto, chefe.
Hora do baile, querido. Espero que estejas em forma, velhote.
Preciso do protocolo de segurança de Ciénaga. Agora!
Entendido.
Paramos?
Não, tudo bem.
Portanto, Esteban Furiase.
Há duas hipóteses: não têm provas suficientes
para ir atrás dele ou não podem, porque tem amigos poderosos.
Já todos estivemos numa situação dessas, Diana.
- Ele ainda vive em Ciénaga? - Sim, vive.
Quase nunca sai de lá. Porquê?
Antigamente, CIénaga era um forte.
Ninguém entrava nem saía.
Imagino que continue assim, não?
Vejo que sabe como tudo funciona.
Entrar em casa do Sr. Furiase seria começar uma guerra.
Especialmente, sem provas.
Diana, entrem.
Sejam corretos.
Não deixem rasto e vivemos felizes para sempre.
"Ser corretos" como vocês na Operação Ciénaga?
Não, não temos essa autorização.
Tenho a certeza
de que há mais alguém a espiar-nos.
Não deixes que eles te lixem primeiro.
Vamos falar abertamente.
Pode ser, Diana?
O que quer de mim?
Já disse.
Quero a pessoa responsável pelo massacre.
Aqui vai.
Prepara o escudo, mano.
A pessoa realmente responsável.
Queremos Casiel.
Casiel?
Não contaste à tua gente?
- Vocês sabem quem é Casiel? - Não.
Ancares,
podes clarificar quem é Casiel
e porque não está nos ficheiros?
Esses filhos da mãe sabem.
Quem é Casiel?
- Não posso dizer. - Estás surdo ou quê?
Fiz uma pergunta.
Isso é algo para o velhote te contar.
Só nós os cinco de Ciénaga é que tínhamos conhecimento desse nome.
E Casiel.
Digam-me como chegaram a Casiel ou isto acaba aqui.
Não, a informação não vem dos mortos, vem do clã do Furiase.
Ou alguma coisa lhe está a escapar, ou está a enganar-nos, irmão.
Há três semanas, descobrimos que o Furiase
estava a esconder informação secreta há mais de 30 anos.
Tínhamos um infiltrado que nos trouxe informação.
Muito bem, Andresito.
Vês esta câmara?
Vais dizer-lhe tudo o que nos disseste.
Só isso.
Vá lá. Relaxa, não te vai acontecer nada.
O dinheiro e o bilhete estão prontos. Não te vai acontecer nada. Vá.
O chefe estava obcecado pelo espanhol, o Ancares.
E ordenou que todos os colegas embaixadores fossem mortos.
Quero dar tudo nesta festa.
- Eu trato disto. - Claro. Não te preocupes.
- Andresito. Adeus, amor. - Chefe, vá com cuidado.
Entrei em casa quando o chefe saiu e clonei os computadores.
Ouves-me?
Abri as gavetas e encontrei um computador mais pequeno.
Clonei-o.
E depois reparei que havia um envelope.
Abri-o e lá dentro estava um cartão com um nome escrito à mão.
Que nome era?
Casiel.
Aí têm. Já está.
Estamos a ver o computador do Furiase, onde encontrámos a pasta escondida.
Quem é Casiel, Sr. Ancares?
Têm como prova o depoimento deste rapaz e o computador. Apanhem o Furiase.
Já decidimos que entrar na casa do Furiase
seria declarar guerra.
Além disso, o Andresito apareceu morto dois dias depois das imagens.
Que grande coincidência.
Está bem.
Dou-vos Casiel quando garantirem a minha segurança e da minha família.
E só poderão garantir isso quando apanharem o Esteban Furiase.
A escolha é vossa. É pegar ou largar.
Aonde vai?
Vou fumar um cigarro.
Vocês têm muito que conversar.
Uma última coisa. Têm um soldado do Esteban Furiase nesta sala.
- Ele tem microfones, câmaras… - Apanhem-no!
Minha nossa…
Calma, Diana.
Por agora, está tudo bem. Conseguimos desligar o sinal.
A minha oferta não é negociável.
Dê-me o Esteban e eu dou-lhe Casiel.
Quero isso por escrito, Elena.
- Não concordo com isto. - Não.
Quando isto acabar, quero-vos aos três na minha sala.
- Diana… - Disse-te que agora, não.
Abre as mãos.
Continuem a monitorizar.
És um filho da mãe, mas és um génio, Marlon.
És manhoso, chefe.
Ancares, quem é Casiel?
Relaxa, Zeta.
Acabámos de expor um dos soldados dele no coração da DNI,
é provável que eles tenham infiltrado a parte do CNI que nos expôs a nós.
Sobre Casiel, vamos devagar.
Agora, não é seguro partilhar nada.
Ele cedeu e disse para quem trabalhava?
Um intermediário ofereceu dinheiro
para ter acesso às câmaras e microfones do edifício, só isso.
Jornalistas, intermediários… O Esteban Furiase sabe.
Há boas notícias. A DNI aceita as exigências
em troca de entregares Casiel.
Ancares, quem é Casiel? Porque é que o CNI não tem registo?
O que farão os colombianos com Casiel?
Não sei nem quero saber.
Era um agente nosso?
Foi quem deu a ordem
e por isso saiu de circulação?
Ancares, quem é? Porquê tanta proteção?
O que se passa? Não ouço nada.
O que aconteceu?
Perdemo-lo.
O que te leva a pensar que é um homem?
Casiel é uma mulher?
Com tudo de bom e de mau,
é a agente mais leal que a Casa já teve.
Pedimos-lhe Tirapu, ela deu-nos Tirapu,
com sacrifícios inimagináveis.
O nome dela.
Ainda é viva?
Posso dar-te o nome dela, mas nunca vais apanhá-la.
Porquê?
Porque a Casiel que conhecemos já não existe.
Ela não opera como nós agora.
Mas a lealdade dela vive, certo?
Não me olhes assim. Foi por isso que escolheste o filho dela,
porque sabias que ele cumpria.
Ancares, não brinques com o fogo.
Brincaremos com o fogo nesta vida e na próxima.
Casiel é a Pilar.
E esta merda de conversa acabou.
Volta aqui.
Verifica se há algo a bloquear o sinal.
- Vai demorar? - Não sei.
Quem sabe tudo aqui és tu…
Mas não sei.
Qual foi o papel da Pilar em Ciénaga?
Ainda não te posso dizer isso.
Já sabias que o Iago era teu filho?
É a minha família, Elena. Estive sempre à vossa frente.
Vais contar-lhe?
A seu tempo. Por agora, deixa que pensem
que Casiel é um homem, sim?
Porque me disseste?
Se não sobreviver, tens de fazer tudo
para que estes filhos da mãe tirem o Furiase da equação.
Sabes que a Colômbia não vai agir contra o Furiase.
Ele é demasiado poderoso.
Mas oferecem apoio à tua equipa.
És esquizofrénica, Elena? Vês alguma equipa?
Tu és o nosso melhor ativo aqui. Tens contactos.
Estou reformado.
- Reformados vão à pesca. - Ancares, quero o Furiase
e o preço é a identidade de Casiel.
Então, ficamos com o Furiase, tu denuncias Casiel,
arranjo proteção para ti e para a tua família
e tu vais à pesca. Durante o tempo que quiseres.
Um dia, vais afogar-te em merda e vou estar lá a ver.
Vocês estão aí?
Estamos! O que aconteceu?
Descobre por que raio não me ouvem.
O sinal foi-se. O que perdemos?
Não vais gostar, Marlo. Nem um pouco.
Estou a caminho.
Muito bem.
Arrumem tudo. Vamos para Medellín.
Vamos.
GUATAPÉ (COLÔMBIA)
O que te disse o oficial?
Que 250 mil dólares compram 15 minutos de escuridão.
Combinámos 30 minutos.
Bem-vinda a Medellín, Colômbia.
Bem, durante 15 minutos, seremos fantasmas naquele labirinto.
Depois, ficamos expostos.
Se queremos desistir, é agora. Vocês decidem.
Marlon, é contigo.
Muito bem. Bem-vindos a Ciénaga,
propriedade do pai Teo.
Melhorada com a melhor tecnologia:
câmaras de vigilância com sensores de movimento
e sensores biométricos dentro da casa.
O teu contacto desativa a segurança?
Não, senhora. Os 250 mil só cobrem a segurança passiva.
Eu trato dos geradores.
O que não sei é quem vai lidar
com os filhos da mãe.
Quantos homens?
Doze na quinta e mais alguns dentro de casa.
Quarto principal?
Pelo tamanho, achamos que é este,
então, o Esteban e a Miss Venezuela 2015 dormem aqui.
E neste, as crianças.
- Quantas crianças? - Duas, um casal.
Aquele paspalho vive com a sogra.
- É preciso ser muito panhonha… - Quero o gajo vivo.
Documentos, transferências, pagamentos.
Para o extraditar, temos de o associar aos assassinatos
e não bastam quatro fotos de computadores merdosos.
Quinze minutos rápidos. Quando tiverem tudo,
o Marlon vai ao ponto de encontro.
Isso mesmo.
Zeta. Vivo.
Muito bem. Flaco. Vivi.
Falta uma hora para o apagão.
Uma hora.
O que aconteceu?
O que aconteceu às luzes?
Manda cinco para ali.
O que foi?
Chefe, há um apagão em Ciénaga.
O gerador?
Está comprometido, chefe.
- Vamos buscar as crianças. - O que se passa, amor?
Princesa, acorda.
- Acorda, princesinha. - Querido, meu príncipe.
- Vai ficar tudo bem. - Acorda, amor.
- Vai ficar tudo bem. - Passa-se algo?
- Vai ficar tudo bem. - Não há energia.
Leva as crianças para a sala.
Anda, querido. Vamos. Isso mesmo.
Está tudo em ordem?
Sim, senhor.
Estão a passar tudo a pente fino.
Mas, se quiser ir buscar algo, é agora.
Do escritório.
Chamem reforços, os paramilitares.
Cuidado, para a direita.
Vamos!
Vamos.
Já passaram dez minutos.
SEM SINAL
O que se passa?
- Sem sinal. - Calma.
Escondam-se atrás do sofá.
Anita, anda cá. Toma.
Lamento, estão atrás de mim.
- Esteban, o que se passa? - Protege as crianças.
- Meu amor, e tu? - Protege as crianças!
Volto já. Não saiam daqui.
- Cuida deles. - Sim, senhor.
Imediatamente! Temos de proteger o chefe!
Disparem!
Estás bem?
Dois minutos. Temos de ir.
Tira-os já dali.
Baixa a arma, Furiase.
Baixa! Abre a cortina.
Foste tu que me enganaste.
O que raio estás a fazer?
Legítima defesa. Vamos.
O Marlon diz que a energia voltou.
Há viaturas paramilitares a caminho de Ciénaga.
Zeta, tens o Esteban Furiase?
- Acho que não nos ouvem. - Zeta!
- Os paramilitares estão a um minuto. - Ancares, tira-os dali.
Chefe, os paramilitares chegaram.
Vai ser difícil tirá-lo daqui.
- Anda. - Tira-os dali.
- Marlon, agora. - Está ferida.
Extração! Raios! Vamos!
Entra!
- Vamos! - Depressa. Vamos.
Entrem.
Vai, arranca!
Vai passar num minuto.
Eu sei.
- Vai! - O telemóvel do Furiase.
Ainda bem que só havia 12 homens.
Doze, vinte e quatro, trinta…
- É o mesmo. - Não me chateies!
Está bem.
Avô, a voltar à base. A dupla está sã e salva.
Ótimo.
- Muito bem. - Está bem.
Certo, muito bem. Bom trabalho. Muito bom.
Certo, Zeta. O Furiase?
- Está morto. - O quê?
A Alfa matou-o.
- Merda. Mas porquê? - Legítima defesa.
O telemóvel do Furiase.
Pelo menos, temos algo.
Obrigada, Zeta. Bom trabalho. Vamos ver.
Muito bom trabalho.
Bom trabalho? Sabes que o Furiase morreu?
Que cara é essa?
Preferias estar tu morto?
Não.
Menos um filho da mãe. Estamos todos felizes, Iago.
Chefe, ela está bem.
Um tiro no colete. Foi forte e um grande susto. Só isso.
Estarão orgulhosos do trabalho de merda que fizeram.
Que bruto.
Passa para trás.
- Isto? - Sim, está preso.
Não sei.
- Volta atrás. - Certo.
Como estás?
- Está tudo bem, obrigada. - Certo.
- Têm alguma coisa, certo? - Não, por agora, nada.
- Boas notícias do telemóvel? - Não.
Ainda nada.
Muito bem.
É a sua vez. Onde está Casiel?
Cuida da tua saúde. Falamos disso depois.
Alfa, o acordo era o Furiase. Vivo.
Morto ou vivo. Precisavam de provas contra ele.
Têm o telemóvel.
Ouve, Alfa,
quando soubermos o que está no telemóvel, falamos.
Casiel. Ou ninguém sai daqui.
- Elena. - A caminho.
Certo, Ancares.
Isso mesmo.
É hora de começares a falar.
Onde está Casiel?
Porque a protege tanto?
Certo, estou a protegê-la.
Estou a protegê-la.
Como sabes que é uma mulher? Nunca o disse a ninguém que esteja vivo.
Não me subestime. Fui eu quem desenterrou o caso.
Há anos que andamos atrás dela.
Casiel foi a nossa
fonte de informação a mais valiosa.
Ciénaga era impenetrável,
por isso, a Casa fez a única coisa que sabe.
Mandaram uma mulher infiltrada.
Uma mulher cujo papel e identidade foram mantidos em segredo.
Na época, chamava-se Sara Varela.
Foi para a Polícia Nacional,
porque o pai era um dos guardas civis mortos por Tirapu.
- Viva a Guarda Civil! - Viva!
A motivação dela era forte.
Por isso é que nos seria tão valiosa.
Porque seria leal até ao fim. E foi.
Veio para a Colômbia pelo Fúria de Deus
e conseguir Tirapu. - Sara.
- Inés. Prazer em conhecer-te. - Prazer.
- Éric. - Como estás? Prazer.
- Lucas. - Prazer em conhecer-te.
O Furiase perdera a esposa e metê-la na cama dele
seria uma boa forma de obter informação.
Raios.
Bonita, não é?
Mediana.
Mediana?
Sara, isto é Ciénaga.
Estas são as três zonas onde trocaremos informações.
Temos de arranjar um nome.
Instruímo-la sobre o caso
e fomos nós quem a transformou numa agente infiltrada.
A Sara Varela deixou de existir e surgiu a Ana Vázquez.
Mas, por segurança, batizámo-la de Casiel, um acrónimo.
As iniciais dos nossos seis nomes.
Só nós os seis a conhecíamos por esse nome.
Bem?
- Ela era uma deusa. - Vamos? Toma.
Furiase iria cair a seus pés.
O velho Teo Furiase afogava as mágoas em Sausalito,
um lugar de ricos nos arredores de Medellín.
Só tínhamos de lhe pôr a Casiel à frente e esperar que ele atacasse.
E atacou.
Pedrito, quem é aquela miúda?
- Ana, Sr. Furiase. - Prazer em conhecê-lo.
A Sara tornou-se o passatempo de Teo. Começou a ver e ouvir coisas.
E muito nobre.
E muito bem cercada. Isto é maravilhoso.
Vamos. Ao Furiase, claro.
Isto é…
Sim, é disso que precisas.
Um presente que…
Todas as segundas-feiras, ela reportava.
Encontrávamo-nos às escondidas, claro, e…
- Estás bem? - Estou.
Um dia, o inevitável complicou tudo.
Porque não deixamos isto tudo?
Podem mandar outras pessoas.
Não me vou embora enquanto não o apanhar.
Ela arriscou a própria vida para saber
tudo sobre as armas que Tirapu ia comprar a Furiase.
O dia, a hora e o lugar. Tudo.
A operação perfeita, tirando um detalhe.
O Tirapu deveria ter sido
o toque final de tanto sacrifício, mas tudo correu mal naquele dia.
Vou levá-la ao Festival das Flores.
- Divirtam-se. - Sim.
Devemos voltar às 17 horas.
- Claro, cá estarei. - Tenham cuidado, sim?
A operação correu mal assim que houve civis envolvidos.
E podia piorar.
E piorou.
Arranja-me outra.
Filho da mãe.
Brindemos aos de casa,
como se diz aqui.
Tem uma chamada.
Dá-me licença.
Vá… Pai!
Essa mulher está a enganar-te.
É uma cabra.
E juro que, por momentos,
eu e a Sara estávamos prestes a concluir como em qualquer missão, mas…
Quem és tu?
Mãe!
Éramos uns miúdos.
Ninguém estava preparado para aquilo, nenhum de nós.
- Mãe! - Nenhum de nós.
Acorda!
Só queria tirá-la dali.
Todos fomos culpados e, de certa forma, todos
morremos naquele dia.
O que houve depois de Ciénaga?
Olha.
Assim. Acena assim.
Tiraram-nos da Colômbia e ficámos escondidos um bom tempo.
Quando voltámos,
eu e a Sara focámo-nos no importante,
começar uma família.
- O nosso filho nasceu e o nosso plano… - O quê?
- … era envolvermo-nos… - Cala-te!
- Acalma-te! - O que raio dizes?
Zeta!
- Devia arrancar-te a merda da cabeça! - Acalma-te!
- Juro que o faço, palhaço. - É uma ordem! Para!
- És um palhaço! - Cala-te, já chega.
- Não me toques. - Já chega!
És um palhaço de merda, meu.
- Pronto, já chega. - Vai-te foder! Palhaço!
Está tudo bem? Zeta.
Olhe…
… não sei o que se passa entre vocês,
mas sei que foi a Casiel quem começou a disparar no festival.
Portanto, deixe-se de tretas e diga-me onde ela está.
O nosso plano era não voltar ao ativo, ficarmos escondidos.
Mas, quando o nosso filho fez um ano,
a Casa disse que a Colômbia e os Furiase estavam a investigar
quem estava por trás do massacre.
Se descobrissem, estávamos feitos.
Por isso, a CESID chamou-nos,
porque essa era a única forma de se protegerem.
Têm um destino
e a informação necessária para começar uma nova vida.
Simularam as nossas mortes e enterraram-nos a todos.
A Sara passou a ser Pilar e eu, Salvador Ancares.
A Sara passara marcas
sobre as quais a Casa nunca se responsabilizaria.
Foi por isso que nos tiraram de Espanha com novas identidades.
E estávamos ambos prontos para começar uma nova vida,
mais uma, longe de Espanha.
Mas, naquele momento, já demasiado se tinha passado entre nós.
Só eu entrei naquele avião.
Ancares, essa Pilar, a Casiel,
seja qual for o nome dela, onde a podemos encontrar?
Não sei.
E sabes do filho dela?
Nada.
Landa.
A ti, também cheira a esturro tudo isto?
Ainda não sei de onde vem o cheiro,
mas vou descobrir, parceira.
De que merda fala aquele palhaço?
- Zeta, sei que é difícil. - O quê?
Sei que é difícil de digerir.
O Ancares contou-me na DNI e encontrámos documentos
que ligam a tua mãe à Operação Ciénaga. - Como assim?
- A minha mãe é uma agente? - Sei que é difícil perceber,
mas não é mentira.
Vocês vão enlouquecer-me.
Não sei quem mente ou não. Quero explicações.
- E eu dou-tas. - Quero que expliques agora.
Não quero saber. Conta agora.
Falamos depois.
Sabem quantas pessoas morreram na operação?
Contámos 15, mas podem ser mais.
Veremos, porque o Furiase já não pode falar.
Mas temos o telemóvel e há lá muita informação.
Veremos o que há.
- Apareceu algo mais? - Não. Olá.
Como estás? Tudo bem?
Sim.
- Sabemos algo? Temo-lo? - Negativo.
Casiel é uma mulher, como imaginei. Mudou de identidade várias vezes.
Atualmente, chama-se Pilar
e foi só isso que o Ancares nos disse.
Certo…
Aquele tipo anda a enganar-nos.
Certo.
Vejamos o que lhe arrancamos.
Acompanha os espanhóis ao hotel,
enquanto corroboramos a informação.
O quê? Não. Nem pensar. Vamos voltar para Espanha.
Claro, podem voltar para Espanha quando quiserem,
mas o Ancares fica até termos a Casiel.
- Não foi o acordo. - Queremos a localização.
Não sabemos. Ouça,
podemos procurá-la, mas, hoje, vamos embora
e ele vai connosco.
- O avião não vai partir. - Landa.
Sra. Herrera, se aquele avião não partir na próxima hora,
vou ter de ligar ao ministro. Ou pior, ao presidente.
Claro.
- Ganhou, Sra. Faron, mas… - Muito bem.
… a Alfa vai para Espanha
e continua a investigação de lá.
Ótimo, ganhamos todos.
- Foi um prazer. - Igualmente.
- Estamos aqui para o que precisarem. - Nós também.
Esta vida é muito difícil, é…
Mas é do que gostamos. Habituas-te.
Há quanto tempo sabes quem sou?
Um pai está sempre dois passos à frente do filho.
E abandonas a tua família?
Não é assim tão simples.
A tua mãe não dava para esta vida.
Não queria estar presa ao trabalho, mas eu queria.
Eu queria. Por isso, desapareci.
Naquele momento, pareceu uma decisão legítima.
Porque te queriam vivo?
Nós teríamos feito o mesmo.
Deixaríamos vivos os próximos de Casiel.
Vais dizer-me a verdade, por uma vez?
- A verdade? - Sim.
Quem sabe o que é a verdade?
Ciénaga desfez-nos.
Merda de vida!
Desfez-nos e nunca recuperámos.
Nunca me perdoaria pelo que fizemos na Colômbia.
Ver a tua mãe todos os dias lembrava-me sempre.
Discutíamos e chorávamos todos os dias.
Um dia, acordei a gritar,
a odiá-la e a abaná-la. Foi quando lhe disse
que me ia embora e só voltaria quando estivesse pronto.
Isso nunca aconteceu.
Um dia, ela disse-me que eu não existia para ti,
que te tinha dito que eu tinha morrido e que não te escrevesse.
Porque eu mandava-te postais
dos lugares incríveis aonde ia.
O que esperavas?
Ela decidiu que eu não merecia existir para ti
e eu decidi respeitar isso.
Tu existias para mim.
Zeta, vai buscar as tuas coisas. Vamos para casa.
Não a envolvas.
Não te preocupes. Ela é uma mulher doente.
- Não vão conseguir extraditá-la. - Arranco-te a cabeça, Elena.
Hei de garantir que nunca descobrem a identidade dela.
Vamos.
Para quem foi o pior da turma, bom trabalho.
Obrigado.
Vejo-te em Madrid.
- Está feito. - Adeus. Foi um prazer.
Olá.
- A Elena está errada. - Como?
A tua mãe não está a salvo. Vem.
Como assim?
Vem.
Todos para dentro!
Abriguem-se!
Venham!
Abriguem-se!
Entrem!
Vão para dentro!
Segurem-no!
Olha para mim, filho da mãe!
Olha para mim, filho da mãe!
Fica comigo!
Olha para mim! Foda-se!
Para cima.
Pressiona aqui!
Olha para mim, cabrão!
- Pressiona, raios! - Fica comigo, cabrão!
Porque não esperaste pelo meu sinal?
- Não lhe acertei? - Tens a gravação?
Espera.
Fazer aquele serviço no hotel
e fingir que o Esteban Furiase os espiava é uma coisa,
mas esconder-me numa base militar cercado de homens armados
sem preparação? É outra história. Quero o dobro.
Está bem. Dás-me a gravação?
A Elena está errada.
Como?
A tua mãe não está a salvo. Vem.
Não se ouve a última parte.
É o avião, é inútil.
- Não dá para recuperar? - Não.
Disse que esperasses o meu sinal.
O que fazemos agora?
Meto-lhe uma bala na perna, fujo ou o quê?
Alvo abatido. Como está o Ancares?
Viemos despedir-nos do nosso amigo Salvador.
Apesar de sentirmos um enorme vazio e tristeza pela sua morte,
a sua memória vai viver nos nossos corações
e o amor que partilhámos não esmorecerá.
Esperamos que a família e amigos do Salvador
encontrem conforto nas memórias que partilharam.
Estamos aqui para vos apoiar.
Pepe, está tudo bem?
Tudo. A tua mãe está lá em cima com a Andreia.
"Sei o que isto é, meu amigo", respondeu Dixie.
"A minha mãe ralhava-me quando percebia que tinha ido ao ginásio."
Olhe, o Iago chegou.
Depois, continuamos. Vou deixá-la com ele.
- Olá. - Olá.
Certo, vou-me embora.
- Obrigado! - De nada.
Tive muitas saudades.
És muito corajosa, mãe.
Baixa a arma.
Mandei-te baixá-la.
No chão.
Como conseguiste?
Como encontraste os cinco de Ciénaga?
Todos têm um preço.
Estou?
- A Celia. - Só um momento.
Contactaste-a e ela levou-te aos outros.
Mas eles estavam lá dentro à tua espera.
- De certeza que era uma jornalista? - Sem certezas,
ou não estaria aqui. - Vamos ser específicos.
Sem pressa, Celia. O que te disse ela exatamente?
Que tinha informação sensível sobre Ciénaga.
E que ia escrever um livro.
Quem é a fonte?
- Ela não disse. - Disseste algo sobre ela?
Claro que não.
Mas ela sabe que éramos seis
e que a sexta era uma mulher.
Só alguém que estivesse lá e nos tivesse visto, saberia.
O Furiase Júnior.
Não, o Furiase Júnior não estava lá.
Certo, mas o Furiase Júnior conhecia-a.
Ele revelou o segredo e avisou o pai.
Achas que ela trabalha para o filho?
Ele era quem poderia mais querer vingança.
Tinham razão.
Eu e o Furiase queríamos matá-los a todos.
Ela falou da Casiel?
Não.
Dá-lhe o nome, nós seguimo-la
e vamos ver onde isto vai dar. Está bem?
Quem dissesse esse nome seria marcado como uma nota falsa.
Casiel?
- Pode soletrar? - Claro.
C-A-S-I…
Quando apareceste a fingir ser jornalista,
a Celia montou uma armadilha.
Aviso quando o livro sair.
Era uma questão de tempo.
- Adeus. - Até à próxima.
Recebido. Obrigado.
Usaste o Esteban para executar o plano e matar os agentes.
Ao mesmo tempo, usaste mentiras do Andresito
para pôr a DNI atrás do Furiase e desmascarar a Operação Ciénaga.
Abre a cortina.
Chegaste ao Ancares, já não precisavas do Furiase.
Foste tu quem traiu…
Vi-te a matá-lo, não foi legítima defesa.
Aconteceu o mesmo com o Ancares. Ele apanhou-te.
Como sabes que é uma mulher? Nunca disse a ninguém vivo.
Não me subestime.
Fui eu quem desenterrou o caso.
Há anos que andamos atrás dela.
Ele ia descobrir quem eras e contrataste o assassino.
Fica onde estás.
Para quem trabalhas?
Para mim.
Porque queres a minha mãe?
Por que raio queres a minha mãe?
Passei a vida a persegui-la.
Ela causou um massacre no festival.
Mãe.
Mãe.
Mãe! Socorro. Ajudem!
Eu estava lá.
Eu vi-a.
Mãe!
Acorda!
Os meus pais esvaíam-se em sangue.
Chamo-me Ainara.
Iago, não estou contra ti.
A DNI está informada.
Já morreu gente suficiente, Ainara.
Ouve-me.
Vais baixar essa arma.
A que tens nas costas.
Vais pô-la em cima da mesa.
Acabou.
Não tens saída. Confia em mim.
Olha.
Já está.
Pousa a arma.
Está bem.
Olha para mim.
Vai ficar tudo bem.
Tem calma.
Isso mesmo.
Deixa-a aí.
Já está.
Olá, Casiel.
- Não me toques. - Quieta.
Não te mexas. Fica quieta.
Pressiona isto.
Aqui. Pressiona.
Isso mesmo.
- Não me toques! - Não te mexas.
Pressiona e vira-te de lado.
Isso mesmo.
Aqui, por favor.
Foi inconsequente da tua parte.
Sabias tudo desde o princípio.
- Muito obrigada, Zeta. A sério. - Elena.
Estou a ir.
Está tudo bem.
Mãe…
Ouve. Fala comigo.
Fala comigo.
Acabou.
Acabou.
Acabou.
Eu mandava-te postais…
… dos lugares incríveis aonde ia.
PARA O IAGO
Querido filho,
se estás a ler esta carta, significa que já não estarei contigo.
É muito difícil para mim escrever estas palavras,
mas tenho de o fazer, já que nunca tive coragem de to dizer.
Vou-me embora. Até daqui a uns dias, mãe.
O teu pai não morreu a trabalhar.
Não te preocupes connosco. Estamos bem.
Obrigado.
- Adeus. - Adeus.
Quando eras muito pequeno, tomei a decisão de me separar.
Sei que terás muitas perguntas.
Mas só tenho uma resposta.
Queria proteger-te. Não dele, ele amava-te muito, mas de mim.
Queria enterrar a mulher que era
e, com ele, isso era impossível.
Por isso, deixei-o e tirei-lhe a possibilidade de ser teu pai.
Sei que é injusto para contigo,
tal como foi com ele.
Os postais que estão com esta carta foram enviados por ele,
na esperança de que um dia ele te reencontrasse
e recuperássemos o amor que perdemos noutra vida.
Espero que um dia me possas perdoar.
Adoro-te.
O homem que enganou todos.
Quem, eu? Não, mano.
Foi tudo planeado pelo teu pai.
Nada a fazer.
Lamento muito.
Não fazes ideia do pai que tens.
Não é fácil matar aquele filho da mãe,
e a bala esteve muito perto.
Tens muita sorte em tê-lo.
Onde está ele?
Já te vais embora?
Vou ficar de papo para o ar em Cartagena.
Bom plano.
Porque não a mataste?
Sabes que ela vai voltar, não sabes?
Boa viagem.
É igual àquele filho da mãe.
Legendas: Carolina Belo Matias
Supervisão Criativa Pedro Renato Ribeiro Marques
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.