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Welsh
Wolof
Xhosa
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Yoruba
Zulu
[Música]
Boa noite. O Tia Internacional da Mulher
é uma celebração da força feminina. E
por uma daquelas coincidências da vida,
uma mulher que se tornou exemplo para
muitas nasceu justamente nesse dia. Se
estivesse viva, Eb Camargo completaria
96 anos e eu tenho certeza que ela faria
um maravilhoso brinde à vida. E para
celebrar todas as mulheres,
especialmente essa mulher que nos
inspira até hoje, te convido a mergulhar
comigo na trajetória de É Camargo.
[Música]
>> Ela não era uma apresentadora de
televisão como eu, como os outros que
tem por aí. Ela era o símbolo da
televisão brasileira, né? Ela
representava isso, a mulher brasileira
forte, a mulher brasileira decidida, a
mulher brasileira alegre, a mulher
brasileira mandando. Ela representava na
televisão a alegria da mulher brasileira
e a fortaleza da mulher brasileira. Com
certeza, por todos os feitos dela, é
nítido o quanto ela sempre foi uma
mulher à frente do tempo, que se hoje
eu, Eliana, Angélica, Xuxa, entre outras
apresentadoras, enfim, temos esse
espaço, é por conta de mulheres como EB,
que deram a cara tapa e conquistaram, na
verdade, esse espaço com muito esforço,
tendo que ouvir muitos nos, tendo que
engolir muitos sapos. Quando Eb estava à
frente, à frente das câmeras, segurando
o microfone, não tinha quem dissesse o
não para ela, porque ela brilhava
independente do lugar.
>> Será que as pessoas depois dos 40 não
praticam sexo? Porque era justamente
falando do do negócio dos dos 40, das
pessoas da p
>> acho de repente se você deixar de falar
de sexo, você deixa de falar da própria
vida.
>> Você tá me olhando assustada nos dias de
hoje, Norma, Bengo, ainda ainda tem
gente que diz: "Mas como falar sobre
isso? Ainda mais você, Ebe, como se eu
não fizesse, não é? Não é.
>> A EB é um efeito especial, é um conjunto
extremamente
brilhante que vão desde a postura física
até a psicológica.
E hoje, na medida em que a gente vai
ficando mais lúcido, né, do que é o que
e do dos nossos direitos, a gente
percebe o quanto essa mulher ela, sem
saber, sem perceber, ela ajudou muitas
mulheres, né, a se posicionarem, a serem
respeitadas.
Que incrível, EB, ela ela fez mais
história do que ela imagina.
Eb nasceu em 1929 e quando as mulheres
tinham poucos direitos e quase não
podiam se expressar. Mas a menina
faceira de Taubaté não se importou com
isso não. E foi com a sua bela voz que
começou a abrir estradas pelo mundo.
>> Eu sou muito apaixonada pelo meu filho,
sou apaixonada pelo meu trabalho, sou
apaixonada pelos meus amigos, pela minha
família. Eu sou apaixonadíssima por isso
tudo que está aqui à minha volta. Isso
não é uma beleza. Eu sou apaixonada pela
vida.
>> Minha mãe nasceu em Taubaté, no Vale do
Paraíba, né, no dia 8 de março de 1929.
E uma coisa muito importante frisar, o
nome dela de registro era Eb Camargo
mesmo, não era um nome artístico.
>> Uma das irmãs da mãe estava lendo um
livro que a EB ia se chamar Beatriz. E
nesse livro tinha o nome EB.
>> EB, né? Realmente tem tudo a ver a deusa
da juventude porque ela era alegria em
pessoa, né?
>> Você herdou a musicalidade do seu pai?
Eu creio que sim.
>> É, ele tocava violino muito bem e era
engraçado. Ele nunca estudou, era uma
coisa nata mesmo.
>> Ela contava que ele acordava ela todos
os dias com ao som do violino.
>> Ele era uma pessoa maravilhosa que só
era o próprio amor. Sempre quando eu
entro no palco, eu olho para cima e
digo: "Pai, me ajuda até chegar ao final
do programa".
Minha mãe estudou só até a quarta série
do primário e eu acho que foi realmente
por por necessidade, pela vida difícil
que eles levavam.
>> Você estudou aonde? Lici
>> Lice Jacar.
>> Licê Jacar na Suíça.
>> Ah, eu estudei no grupo Escolar
Imaculado da Conceição aqui em São
Paulo.
>> Dá esse closu
avô ele tocava violino no cinema mudo em
Taubaté. E aí quando veio a voz pro
cinema, o cinema falado, ele perdeu o
emprego e aí ele veio com toda a família
para São Paulo e ela era caçolinha com 6
anos de idade.
>> Eu sempre acompanhando o papai, ouvindo
ele tocar na orquestra.
>> Seu pai fazia você cantar já desde essa
época ou não?
>> Não, não, não, não. Ele nunca me
obrigou. Eu é que cantarolava até
comendo. Até mamãe chamava minha
atenção, porque eu tava comendo,
almoçando, né? E fazia hum
hum. Hum.
E mamãe, para disso, menina. Agora é
hora de comer.
>> A começou a participar de programa de
calor, a tinha 12 anos e começou a
ganhar. E aquela ocasião os prêmios eram
em dinheiro. E com esse dinheiro ela
ajudou muito. Era mesmo como ela dizia,
para levar comida para casa.
>> Foi uma infância pobre. Mas pobre
quanto? Pobre um de uma vez quando aqui
em São Paulo nós morávamos num porão. A
mamãe dizia: "Somos pobretes, mas
alegrites".
>> E quantos vocês eram? Muitos. Vocês quer
muitos irmãos? Seis irmãos, dois homens
e quatro mulheres.
>> A EB ajudou a o sustento da casa também
trabalhando na casa de uma tia.
>> Eu arrumava a cozinha de uma tia rica
que eu tinha, mas eu fazia bem. Eu eu
acho que eu até gostava porque também
tinha aqueles bolinhos, né, que eu comia
quando vo
uns bolinhos de couve com farinha,
era muito bom. E eu ganhava esse
dinheirinho para para para pagar o bonde
para ir nos programas de caluro.
[Música]
Nunca mais quero lhe ver.
Nunca mais. Nunca mais.
Estou cansada de sofrer
e agora eu quero viver em paz.
Ela se vestia com as roupas que vinham
das primas.
>> Quando a gente abria as malas, era uma
festa em casa. Quatro mulheres, imagina.
Então eu punha luva, eu andava de luva
com as punha a luva e a mão ficava
assim. O sapato era um pouco apertado, o
pé do Will era uma coisa de por que que
elas não têm o mesmo número do do meu
pé, mas eu andava sempre muito chique a
custa delas.
Cansada de sofrer
e agora eu quero viver.
>> As primas ricas moravam no Rio, a Helena
e a Maria. Um pouquinho antes de 44 nós
formamos um quarteto, um nome tão bonito
do Remifá. Aí saiu uma prima, a Maria
saiu para casar. Então nós falamos,
>> não, três Américas,
>> eu, Helena e Estela. Aí a Helena casou.
Eu
>> eu não sei. Eu e minha irmã sobramos. Aí
nós formamos uma dupla caipira,
a Rosa Linda e Flores Bela.
Nós cantáamos num programa chamado
Arraial da Curva torta.
Ora sem consolação
[Aplausos]
e toquei madeira
s
que
meu coração.
>> Até hoje eu não sei se eu era rosa linda
ou se era flores bela.
>> A dupla sertaneja não deu muito certo e
tal. E aí a EB em 1944
passou a ter a carreira solo.
>> A jovem Ebbe Camargo não estava para
brincadeira não. Enquanto muitas
mulheres nem podiam sonhar em trabalhar
pela sua independência, ela já tinha a
carteira assinada. E durante a sua
carreira, ela se mostrou uma mulher
atenta ao seu tempo e aquelas mudanças
que ajudaria a popularizar na frente das
câmeras.
tiveram uma ideia de dela fazer uma uma
entrevista, um programa com entrevista.
>> O Mundo é das mulheres, que esse
programa foi muito marcante na minha
carreira. Era um entrevistado,
era uma espécie do roda viva de hoje, um
entrevistado no centro e e e cinco
mulheres ao redor. Mas para falar só de
mulheres naquela época as mulheres não
eram como hoje. Havia um preconceito
muito grande naquela época, imenso. E
uma mulher bonita, cantora, vai ser
apresentadora. As pessoas acho que até
chegaram a duvidar um pouco.
Acho que foi até nessa época ela começou
a conhecer melhor o ser humano, porque
nessa entrevista, esse lado
investigativo foi dando uma força muito
grande para ela. E eu lembro do programa
como se fosse hoje a beleza do programa,
a força do programa e a força da EB.
EB inicia na TV
o primeiro programa feminino, vamos
dizer assim, ou feminista.
>> Eu acho que a partir dali começou uma
uma evolução da mulher. A mulher começou
realmente tomar mais rédeas e pulso.
Hoje em dia a mulher tá dando medo nos
homens. A independência da mulher hoje
assusta os homens. ou quando não
assusta, eles acham muito bom quando
elas aderem a, como é que se diz? Bancar
>> a
>> quando elas bancam a vida deles.
>> Quando banca a vida. Isso eu não jamais
faz.
>> O Décio começou a frequentar a cuchia
de um dos programas dela na TV paulista.
E foi uma vez, a me olhou, achou ali
interessante,
foi a segunda, foi a terceira, começaram
a conversar, falar.
>> Minha mãe eh casou em 1964 com meu pai,
Décio Capuano, e o meu pai ele não
queria que ela continuasse na televisão,
porque ele achava que ela tinha que
cuidar da casa, do filho.
>> Então você largou a televisão para
casar? Larguei a televisão para casar,
mas eu larguei com a absoluta certeza
que não iria voltar. Eu eu queria casar,
queria ter filho, queria formar minha
família. Tanto que eu casei com 33 anos.
O Capuano era uma pessoa assim,
lidava com automóveis, vendia automóveis
importados, uma pessoa que não tinha
mais ou menos o comportamento e
aproximação da realidade da vida
profissional da EB. E isso provocava uns
certos ciúmes e uns ciúmes até às vezes
violento.
>> Casei gostando do meu marido, não casei
só para ter o filho não, que tem muita
mulher que casa só para ter o filho,
não. Casei gostando dele.
>> Ela começou depois já grávida,
eh, ficamente adediada. O que ela achou
que ela não fosse sentir a falta do
palco, ela já estava sentindo. Meu pai
nessa época era o diretor da rádio
Celson, procurou a EB e falou: "Ebbe,
você não quer fazer rádio então?" Aí ela
falou: "Eu topo, eu adoraria, mas o
dessa não vai deixar".
>> Meu pai não queria, não queria. Aí ele
falou assim: "Pblema dela é sair de
casa". Aí meu pai falou: "É". falou:
"Então eu vou trazer a rádio até a casa
dela".
>> Foi um dos primeiros programas feito em
casa e era feito através do telefone.
Ganhou um roquete pinto por esse
programa de rádio. Aí ela foi na Record,
recebeu um Roquete Pinto, já foi aquela
coisa, ela muito assediada, tal.
>> Os convites, convites, convites,
convites para voltar, convites para
voltar, convites para participar de
programa. Então disse assim: "Bom, se eu
tenho que ir em tudo quanto é programa
só como convidado, então é melhor voltar
pra televisão para ganhar".
>> Aí vamos então tentar falar com a Ébia.
Aí eu fui lá na casa dela e expliquei.
Olha, eu acho que tá na hora de você
voltar pra televisão. Seria importante a
sua volta. Vamos fazer um programa aos
domingos em que você vai representar a
família brasileira. Quando ela acabou
aceitando, o descio, entrou na sala
e disse: "Você tem que escolher uma
coisa ou outra, a televisão ou eu".
Ela falou: "Olha, eu não gostaria de me
separar de você e eu não consigo me
separar da televisão. Eu preciso de um
microfone
para eu me comunicar, para eu falar com
as pessoas. Eu preciso disso, senão eu
vou morrer.
Saí em 64, tive o filho em 65, em abril
de 66, no dia 6 de abril de 66, eu
voltei pra televisão e foi o maior
sucesso. O programa era os domingos,
>> começou com 2 horas de duração, depois
como o sucesso era muito grande, começou
passar para três, depois para quatro,
depois para seis. Eu cheguei um um
domingo a fazer 8 horas de programa,
cheguei a dar 72 de audiência. Então
hoje eu fico dizendo: "Puxa vida, já dei
72 de audiência".
A gente gravava os programas na
quarta-feira e toda quarta-feira quando
desse o capuano parava num daqueles
automobil americano, tal, que ele
adorava aquela vaidade, tal.
Quando a EB tava descendo na rua da
consolação para ir pro teatro, ele
acelerava o carro, levantava o capô, a
porta batia e ela ficava no meio da rua
consolação e ele patinando com o carro
embora. Isso acontecia todas as
quartas-feiras.
Aí ela vinha, Niltinho, eu não sei, eu
não tenho coragem, eu não sei o que eu
vou fazer, como é que eu vou entrar
nesse palco, eu não tenho condições, eu
tô inteira abalada, agredida.
>> Eu tive problemas com o D por causa da
minha independência.
Chegava convite em casa,
vinha só é Camargo ou quando vinha
senhor e senhora Desse capuano, ele não
queria ir porque ele dizia: "Não vai
chegar, todo mundo só vai festejar você,
ninguém vai olhar para mim". Eu lembro
que uma vez ela veio aquele maldito não
sei o que que faz isso para mim e ficou.
O solitário entrou no batente e nós não
conseguíamos tirar a mão dela. Aí eu fui
buscar uma chavinha de fenda e
devagarzinho fui lascando
em volta do solitário
e foi depois. Aí tirou a mão dela. Ela
falou: "Ai, ai, graças a Deus. A
separação dela com o Dio foi na fase da
Record.
Cansada de sofrer
e agora eu quero viver em paz.
>> Em 1970 ela separa do meu pai. Em 73 vem
o Lélio. Ela conheceu o Lélio Raviani,
meu padrasto. A grande diferença, acho
que do Lélio e do meu pai assim, é que o
Lélio era extremamente orgulhoso da EB
artista.
>> Hélio, dá licença, Léo.
>> Não, ele tá do lado de
>> Isso aqui é um amor antigo.
>> Ele tá ali do lado da Lolita Rodrigues.
>> Dá licença, seu L faz.
>> Pode botar a mão aqui.
>> Não,
>> vai devagar. A minha idade eu só vou
devagar, velho. Não tem problema.
>> Ele tinha ciúmes da EB mulher, né? Que
minha mãe era uma mulher muito bonita,
ela era muito assediada das pessoas
quererem chegar próximo dela. Então,
nisso que ele tinha ciúmes, mas jamais
da EB artista.
>> E eu quero agradecer a você, Léio, não
é? Porque nós compramos essa roupa e eu
disse: "Essa roupa eu vou pôr no
aniversário do nosso programa".
>> O Lélio gostava do sucesso dela porque
ele gostava. Ele ele aparecia, ele
passou a ser conhecido pelo sucesso da
>> me pergunte se eu casaria de novo. Faz
camar.
>> Você casaria outra vez?
>> Nem morta.
Não quero dizer que não fui feliz com o
Lélio.
>> Fui. Tive lindos momentos com ele. Tive
momentos terríveis,
terríveis, que o Léo era muito ciumento
e ele não não conseguia se conter.
Quando ele tinha o seu momento de ciúme
doentinho, quase que posso dizer, ele
extrapolava, ele chegava a querer me
bater. Eu uma vez tive que pegar uma
garrafa porque ele veio querendo. Eu
disse: "Vem, vem que eu te arrebento
também". E ele ficava mansinho.
>> Nunca mais quero lhe ver.
Nunca mais. Nunca mais.
Estou cansada de sofrer
e agora eu quero viver em paz.
>> Numa época em que a grande maioria das
mulheres ainda eram submissos maridos,
Eb Camargo teve a coragem de ir atrás
dos seus sonhos e objetivos e o público
aplaudiu por isso, garantindo um sucesso
atrás do outro. Depois desse sucesso da
EB, ela foi contratada pela Bandeirantes
também para fazer um programa do jeito
que ela tinha na Record com o sofá
recebendo convidados e foi também um
sucesso.
>> A EB aceitou a Bandeirantes e indicou o
Eduardo Sydney e a Bandeirantes
concordou para ser o diretor do
programa. Ali
nasceu a EB empoderada, porque ele dava
liberdade
pra EB perguntar o que ela queria, falar
o que ela quisesse, coisa que ela não
tinha lá com maior sucesso da TV Record
que ela foi, tinha uma equipe que faziam
as perguntas e o Eduardo Syidney deu
essa liberdade pela
>> ninguém me faz de parar de fazer o quê?
de falar o que eu sinto, de falar a
minha verdade,
ninguém me cala. 8 anos acho que eu
fiquei na na TV Bandeirante, eu não
ganhava essas maravilhas na Bandeirante.
Tinha um pouco de dificuldade para
receber porque não tava, a emissora não
tava lá essas maravilhas. Aí
o Silvio Santos chama o Lélio, me chama
que a gente mora perto, venham aqui em
casa que a gente vai conversar.
E ele não deixou por menos. Quer dizer,
já teve que assinar contrato e você vem,
dobrou, triplicou a ao convite para eu
vir. Acho que eu ganhava 19 na
Bandeirante. Ele bateu 50.
[Aplausos]
[Música]
A EB fazia muito sucesso naquela época.
Então, ter a EB no cast do SBT era ter
um grande sucesso, uma grande estrela. a
todos vocês que me mandaram telegramas,
flores, a todos vocês, meus convidados,
que aqui estiveram abrilhantando essa
nossa entrada aqui no sistema brasileiro
de televisão. Muito obrigada. A estreia
dela foi em 86, em março de 86. E o SBT
tava se colocando eh como uma rede
poderosa de comunicação. Eu lembro que o
Silvio deu a liberdade total, assim,
essa frase eu lembro perfeitamente.
Eu quero que vocês façam um programa que
vocês gostem de assistir, sentado ao
lado da sua família em casa.
>> Silvio Santos, muito obrigada. Eu quero
dizer para você e de assim para todo o
Brasil, eu estou muito feliz de estar
aqui nesta casa. Era um espaço muito
desejado, né? Era um espaço disputado.
As pessoas queriam ir ao programa para
ter espaço para falar suas ideias, né?
Todas as tendências políticas e sociais
da época frequentaram o programa naquela
época.
>> Eu fico rezando lá em casa pro meu Deus
para passar logo a semana para chegar a
segunda pra gente estar junto. Quer
coisa melhor? Ela
nunca se negou a entrevistar ninguém,
porque ela dizia que não existia
pergunta indiscreta, mas respostas
atravessadas e maldadas. Teve muita
gente que foi ao programa dela e saiu
contrariado de lá, políticos,
principalmente, porque ela era de
encarar. Prometo que eu vou falar pouco
hoje sobre esse mar de lama que tomou
conta do meu país, que eu não quero
encher vocês porque eles já estão
enchendo a gente, né?
>> A qualificação do SBT se deve muito à
época má. O Ju só veio pro SBT por causa
da EB, Serginho só veio pro SBT por
causa da EB. Então, a EB começou a
qualificar o SBT e trazer outros nomes.
>> Eu fiquei muito orgulhosa porque depois
que eu vim pro SBT e hoje ainda recebi
umas flores e um cartão belíssimo do
Silvio e da Iris, dizendo que eu fui a
primeira pessoa que acreditou no SBT.
>> Ela foi também uma das responsáveis para
dar credibilidade na liberdade que eu
teria aqui no SBT. De certa forma,
Programa Livre considera você me uma
madrinha aqui, ó. Felicidade, estamos
>> muito bom. Eu quero que você faça uma
longa carreira aqui no SBT.
>> Ela não tinha papas da língua. Eu nunca
sofri esse tipo de pressão da emissora,
mas eu sofri sim pressão lá do Planalto.
>> Muitas vezes
a linguagem dela
beirava o proibido na época. Ela
avançava. que esses rios de dinheiro que
foram desviados voltem a beneficiar a
população.
O resto, o resto é com o judiciário e
dali para cadeia.
>> Ela era a mesma pessoa na frente da
câmera e com a câmera desligada. E eu
acho que essa percepção o público tinha.
É uma pessoa que se colocava verdadeira,
autêntica. Parece muito clichê falar
isso, mas eh e no caso dela era muito
real, né? A gente não tá fazendo média.
Quando eu faço os meus pronunciamentos
ou a minha revolta, eu nunca faço com a
intenção de prejudicar,
sabe? Não é assim, não tolero não sei
quem, então vou falar para ver se eu
consigo. Não, é sempre em favor da
população.
>> Eu vejo a o comentário até hoje, a falta
do microfone de Camaro.
>> A sociedade clama por soluções rápidas e
definitivas.
>> Eu eu acho um absurdo. Eu digo: "Meu
Deus, onde é que tá essa gente? Pensou
que acabou? Imagine se nós vamos deixar
por menos.
Mentira boa para mim não tá com nada por
arrasgação de seda, sabão pra cara
lavada. Se eu gosto, gosto mesmo. Se não
gosto, mete o pé, puxa saco e sem ideia
paga pó. Para quem não é, tem simpatia.
Hipocrisia, coisa de gente vazia.
Prefiro sinceridade. Uma vida com
alegria, correndo pela verdade.
Falsidade causa ira. Melhor poucos de
verdade do que ves de mentira.
>> Eu assisti ratos de coragem da EB
muito significativos. Nós estamos aqui
com um grande bolo, muito bonito, um
bolo. Aliás, esse bolo é novo, é bem
fresquinho. Agora as moscas continuam as
mesmas.
[Música]
Que maravilha. Olha que coisa boa a
gente tá aqui com vocês. Guarde as suas
energias pras coisas que nós vamos
apresentar. Ela era uma pessoa, uma
profissional que qualquer equipe de
produção queria ter. O profissionalismo
dela era muito grande.
>> Eu não tenho um episódio da de ah, para
tudo, eu vou dizer o que eu penso, não é
nada disso. E ou pegar um texto e dizer
jamais. Não, ela ela não era essa
figura, assim, ela não era uma pessoa
rebelde ou incontrolável, muito pelo
contrário, ela era uma pessoa de
diálogo, de ouvidos.
>> Tudo isso que vocês estão vendo aqui, eu
devo a vocês, vocês que me presentearam
durante esses anos todos e eu sem vocês
não seria nada.
>> Ela era uma pessoa extremamente
positiva. Eu nunca vi a EB reclamar.
Tudo bem? Tudo lindo. Se não tiver lindo
para vocês, para mim tá uma maravilha
que estou com vocês. Ah,
>> ela já chegava pronta para entrar, fazia
alguma coisa ou outra, ela vinha pro pro
programa.
>> A vida da EB era a televisão, ela amava
o que ela fazia. Estamos aqui juntinhos
de novo para aquela conversa de todas
segundas-feiras, para trazer as atrações
maravilhosas que nós temos. Vou fazer um
programa lindo de viver.
>> A EB era viciada em ler jornal e
revista.
>> A rotina dela era todo dia ela quando
ela levantava ela tinha uma salinha de
de almoço, né? descia, tomava o
cafezinho o jornalzinho dela, depois
descia e ficava com os bichinhos dela.
>> Paixão tem pelos meus cachorros, são
mais amigos, não tem bolso, não pedem
nada. Essa não tem bolsa é boa, hein?
>> É boa.
>> Ela pegava muito as reclamações
das pessoas, coisas contra algum
político, contra um determinado governo,
alguma coisa assim. E ela levava isso
pro microfone dela.
>> Ministro, eu não sei a quem eu devo
recorrer, mas eu quero meu dinheiro de
volta.
>> Trabalhar com a EB era uma
responsabilidade, porque o programa EB
sempre foi um programa de muita
importância, referência da televisão
brasileira. Era um programa de
entretenimento, mas que a gente eh
lidava muito com o factual. tinha até o
motivo dele ser ao vivo as
segundas-feiras, porque a gente pegava o
que havia acontecido no final de semana
e no decorrer da segunda-feira nós
atualizávamos aquele programa que estava
estruturado para que ele fosse o mais
factual e que ele tivesse mais dentro do
que os brasileiros gostariam de ver
naquele momento na televisão.
>> Olha que coisa engraçada que eu vi hoje
no jornal do Boris aqui no SBT. Põe aí o
VT, por favor. Olhem bem. Cadê eles?
Olha lá, gente.
Depois eles falam que eu que falo
demais. Ora, gente, vamos trabalhar.
>> Como o programa era ao vivo por muitos
anos, alguma coisa que acontecia, a
gente tinha que organizar o roteiro de
novo que ela queria trazer o factual ali
no palco. Já aconteceu de a seleção
brasileira de vôlei ganhar no final de
semana, a gente pegar um carro, eu fui
pro aeroporto esperar os atletas
chegarem. Eles acabaram de chegar do
aeroporto e eles estavam dentro do do
programa dela horas depois. As pessoas
faziam isso porque era ela.
>> Agora vocês podem ter certeza que a
gente ama vocês, a gente torce por
vocês, a gente agradece por vocês,
eternamente grata pela maravilha de
juventude que vocês são e que vocês
representam a todos nós brasileiros lá
fora. a gente leva uma coletânea de
assuntos para ela, assim, nas reuniões
que antecediam o programa e escolhia, a
gente escolhia esses assuntos juntos e e
e produzia esse texto para que ela fosse
se amparando durante as entrevistas.
esse formato da pessoa vir ao programa,
falar de um assunto específico do
trabalho que ele estava lançando ou
divulgando e ele participar do resto do
programa foi a grande mudança. Foi o que
funcionou bastante.
>> Nós nos reunimos aqui. Então chega o
Tadeu disse: "Olha, você viu essa coisa
aqui que saiu na folha da tarde?" Então
a gente lê disse: "Puxa vida, que que é
isso? Licença maternidade 120 dias". Aí
de repente nós estamos discutindo, isso
aqui é um bom tema por programa. A gente
discute o que será um bom tema.
>> Num período nós íamos paraa casa dela
todas as terças-feiras fazia a reunião
de pauta com a equipe toda. E aí depois
ela falava: "Acabou a reunião". E aí uma
mesinha lá fora em frente à piscina,
bebidinhas e comidinhas, ela tomando a
bela cervejinha dela.
>> E a gente fazia essa reunião e sempre
virava uma grande festa. Tudo para ela
virava festa. Eles ficam bravos quando
eu falo. Eles ficam loucos da vida
comigo. Eles ficam, como diz a Fafá, pda
vida comigo. Mas eu não posso deixar de
falar.
>> Muitas vezes discordei das posições
políticas dela, mas ela era fiel ao que
ela pensava. Ela tinha posições, ela era
mais conservadora, mas ela tinha
posições progressistas. Progressista
mesmo, não progressista irresponsável.
>> Eu não faço nada. com a intenção de
ferir A, B ou C. Apenas comento aquilo
que o meu coração manda.
>> Por exemplo, o fato de ela ter uma
relação melhor com o malufismo
não a prejudicava nas outras áreas
políticas. Eu sou testemunha disso.
>> Por favor, Dr. Paulo, se por acaso o
senhor for eleito, o senhor vai poder
realmente dar uma solução, porque se
não, se for eleito e não der, eu vou
cobrar, hein? Ela arcava comos de alguns
posicionamentos que foram muito caros
para ela, né, que custaram caro para
ela.
>> Quando você se assume politicamente,
você paga um pedágio, porque se o
político erra, você vai ser
automaticamente atrelado a ele, né?
Porque você foi cabo eleitoral dele. Ela
pagou um preço político por isso.
>> Você sempre eh fez muita campanha para
uma
>> participava gratuitamente das campanhas
dele.
>> Hoje em dia, quando sai no noticiário
essa história de banco, ele sendo detido
para esclarecimentos em Paris, isso te
perturba eh eh balanças te entristece,
mas isso não não elimina a amizade? Não,
pelo contrário, não. Amizade. Eu tenho a
impressão que não fui eu que eliminei.
Eu acho que foi ele, porque numa das
últimas candidaturas
ele mandou, ele não teve coragem de me
ligar para pedir para eu participar da
campanha. Ele mandou um amigo muito
querido meu como
>> intermediário.
>> Intermediário.
Inclusive mandou perguntar quanto eu
queria para participar. Eu falei para
esse meu amigo, olha, em primeiro lugar,
não quero participar mais de campanha,
nem dele, nem de ninguém. Não quero mais
participação política, porque me
prejudicou muito, muitos anos. Alguns
artistas contrários à posição política
do Paulo Malúv passaram a apresentar uma
certa rejeiçãozinha a Éb Camargo, mas
ela politicamente aberta à discussão.
Nunca foi uma pessoa de que a verdade
dela era absoluta.
>> Ela desafiava a ditadura várias vezes.
foi ameaçada e ela com o microfone na
mão dizia: "Vocês não vão tirar esse
microfone. Eu tenho liberdade de
expressão. Se vocês quiserem me levar,
pode me levar, mas eu vou com esse
microfone e esse fio." Então, ela sempre
ficou muito agressiva, porque a cessura
pressionava muito ela.
>> Eu recebi um telefonema de Brasília de
um de um colega jornalista dizendo: "Ey,
eh, você sabia que você vai ser
processada pelo Dr. Ulíes Guimarães?"
Falei: "Eu o que que eu fiz?"
>> Ave sempre fez aquilo que ela desejava
fazer, falava aquilo que ela pensava que
tinha que dizer.
>> Eu acho que eh são atitudes que eu tomo
que acho que uma dona de casa comum, se
tivesse o veículo que eu tenho, ela
diria a mesma coisa que eu digo, porque
eu não digo como política porque não
sou. Eu não digo postulando nenhum cargo
político que jamais serei e jamais
aceitaria. Eu digo como uma mulher
comum. A EB usava o palco para falar
tudo que outras pessoas não diziam.
>> Eu acho que a finalidade da televisão,
do do da rádio, dos jornais é essa. É
exatamente abrir os olhos das pessoas e
dar o direito das pessoas falarem,
reclamarem. Há uma lenda de que o Silvio
fica em cima, ele não quer isso, não
quer aquilo, mas ele sempre deu muita
liberdade a todo mundo que trabalhasse
nos programas da casa dele. Ele nunca
foi isso, pode ou aquilo não pode.
>> Ele nunca chegou para mim e disse: "Eb,
não fala mal do Sarnei, não fala mal do
ministro Funar, nada. Eu jamais, se eu
disser para você, eu estou mentindo para
você. Eu não posso mentir. Ele nunca
disse: "Não fale isso. Eu falo tudo que
o meu coração sente".
>> Ela não tinha a obrigação que tenha um
jornalista com determinados cuidados.
Então, ela era uma pessoa do povo, da
população que estava lá na televisão,
que tinha um determinado pensamento, uma
defensora dos direitos da população e
dos direitos humanos e ela ia para cima.
>> Estão querendo dar um um carro para
sortear para eles irem ao Congresso para
votar a a nova Constituição. Tem sentido
uma coisa dessa, gente? Quer dizer,
então tem que que dar um carro, gastar
mais dinheiro nosso dinheiro nosso de
nós todos para eles vagabundo, né?
>> Sem medo, sem receio, sem nada. E nunca
foi presa, ao que me consta, nunca foi
presa. Mas ela tinha gente que gostaria
em determinado momento de enjolar a
Évia. Muitas vezes ela incomodava, ela
era agressiva.
>> Na época que você precisa do voto, você
vai onde quer que seja necessário ir.
Depois de eleito, nunca você recebe
essas pessoas que precisam. Não. Você se
esquece da cara deles.
Você não tem esse direito.
>> Sem papas na língua, Eb fez o seu palco
um lugar de credibilidade e de
influência. E sabendo da
responsabilidade que vinha com tanto
poder, ela ajudou a repercutir causas
sociais que reverberaram mais alto
através do seu microfone.
>> Fim trágico. É enterrado em São Paulo, o
casal de adolescentes assassinado
durante viagem de fim de semana.
>> Champinha e o amigo Paulo César,
conhecido como Pernambuco, estavam indo
pescar quando viram um casal que seria
alvo fácil para saltar. Liana foi
estuprada durante a noite e no dia
seguinte Felipe foi assassinado com um
tiro na nuca. Na madrugada do dia 5 de
novembro, Champinha esfaqueou, tentou
degolar e agrediu Liana na cabeça com
uma faca.
>> Depois que os corpos da Liane e do
Felipe foram encontrados, uma semana
depois disso, depois do do enterro da
Liana, eu fui convidado para vir no
programa da EB. Essas pessoas merecem
que o país parevi-los.
O advogado Aim Flend
e auxiliar de enfermagem Lenice Cach.
Boa noite. Obrigada, viu?
Obrigada por ter vindo.
>> Foi muito emocionante. Eu tava
obviamente super carregado de emoção e a
EB era uma pessoa que era só emoção.
>> A dor que vocês estão sentindo é
incalculável. Eu tenho visto vocês,
tenho acompanhado, choro com vocês,
tenho sofrido muito com isso, mas sempre
eu fico pensando
o que se passa
na sua cabeça no momento desse
Ari. Posso chamar de Ari?
Bom, o que se passa na minha cabeça no
momento é é tentar reverter essa grande
desgraça que que nós estamos passando e
e discutir os caminhos que a população
quer tomar. Nós estávamos organizando
uma manifestação pro domingo seguinte e
eu contei isso no programa da EB e ela
não só imponhou a ideia, como ela
falou ao vivo no programa que ela
estaria presente.
>> Eu convidei a Maria Eugênia, a Maria
Eugênia convidou todas as mulheres
amigas dela. Nós vamos para lá porque
realmente isso não pode ficar desse
jeito.
>> Uma manifestação que era para ser grande
foi gigantesca. Eu não sei exatamente se
era 10 ou 15.000 pessoas. Eu sei que
notou Avenida Paulista, foi uma coisa
muito emocionante e a participação dela
foi incrível, a emoção dela, ela é uma
pessoa que era só coração, era uma coisa
muito impressionante.
>> Eu tô solidária com essas famílias
todas. As pessoas estão aí
reivindicando, mas não é o caso. Nós não
queremos mudar para pena de morte. Nós
queremos mudar para leis mais rígidas. O
povo não aguenta mais viver. sobre esse
impacto da violência todos os dias.
>> A, como poucas pessoas tinham a extrema
responsabilidade, a dimensão da
ferramenta que ela tinha nas mãos. Ela
usava isso como uma sabedoria e era uma
pessoa extremamente verdadeira. Isso era
muito, muito incrível e ela fazia
justiça com a voz.
>> Nós respeitamos vocês nesses altos
cargos porque foram foi o povo que os
colocou lá. Então vocês têm que
respeitar essa população, não pensar que
isso só acontece para nós, para vocês
também pode acontecer. Não desejamos,
não desejamos uma desgraça como essa
para vocês, mas vocês têm que se
conscientizar que vocês estão aí para
cuidar da população. Eu lembro muito
bem, além do do Champinha, que ela falou
de segurança e tudo mais, eu lembro
muito bem de dois fatos que a EB
incessantemente falou no programa.
Susane Von Ristofen, que ela achava um
absurdo uma menina ter matado os pais.
Então a EB fez uma campanha.
Você não escapa,
stopem, você será sempre
assassinar.
como fez uma campanha pra dona Glória
Perz, que era liberada da Globo, para
vir pro SBT falar do caso Daniela Perez
para conseguir assinaturas para levar
pro Congresso.
>> Daniela Perz tinha 22 anos e desapareceu
ontem à noite depois de uma gravação.
Algumas horas mais tarde, o corpo da
atriz foi encontrado neste mataga na
Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O
marido de Daniela, o ator Raul Gazola e
a mãe dela, a autora de novelas Glória
Perez, ficaram muito emocionados. E o
programa inteiro era sobre a Daniela
Perez.
>> Foi aqui que nós viemos buscar, eu e
Josélia, esse 1.300.000 assinaturas que
fazem hoje dessa lei uma realidade. É
uma vitória nossa e muito de São Paulo.
>> E eu acho que é o único jeito, né,
Glória, da gente conseguir a coisa é
mobilizando mesmo a sociedade um todo,
né? Minha mãe, ela tinha o microfone com
uma grande arma, entre aspas, dela, né?
Ela falava assim: "Vocês têm a vontade
de falar tanta coisa e eu tenho o
microfone aqui, então eu posso falar por
vocês, né?
>> Que será de nós?"
Tava falando outro dia em casa blindada.
Gente, o que que é isso? Numa época da
minha vida, eu fui secretário de
imprensa da prefeitura de São Paulo. O
prefeito era Figueiredo Ferraz. Nós
tínhamos um secretário do abastecimento
e sob essa secretaria existia um
departamento que cuidava de ambulantes,
de frutas, flores, etc. Repentinamente,
o secretário resolveu tirar as floristas
da frente do cemitério do Araçá. A EB
tomou as dores das floristas. Aí ela
levou essas mulheres e abriu uma
campanha a favor das floristas. Ela fez
lobby das flores ao vivo em cores e
pessoalmente. Ela vinha o meu gabinete.
Olha Bor, isso é um absurdo. E o
secretarial, estamos cumprindo a lei. A
lei foi a EB Camaro.
Voltou-se atrás e estão lá floristas até
a obra da EB Camaro.
>> Como uma mulher que vivia intensamente o
seu tempo. EB não fugia de polêmicas não
e ajudou a trazer assuntos diversos para
a mesa de jantar do brasileiro. Alguns
eram considerados só de mulherzinha,
enquanto outros são tabus que até hoje
geram polêmica. A her foi uma das
mulheres que sempre defendeu que a
mulher era dona do seu corpo. Por outro
lado, que a mulher tinha obrigação de
cuidar da estética desse corpo. A
primeira plástica que a fez, ela ainda
tava casada com o Do, que foi de seio
para diminuir o seio. Foi até numa Copa
do Mundo que eu me lembro que ela
estourou os pontos, porque foi gritar
gol, foi coisa assim.
>> Fazia sucesso esse peito ou não?
>> Fazia, fazia muito sucesso.
>> É bonito, né? Eu não gosto muito grande
virou moda outra vez. Gosto. Eu não
gosto muito grande não. Não gosto. Tanto
que cortei.
>> Mas plástica de rosto, essas coisas. A
primeira que a Abia fez foi em 82, 83. A
maior mesmo, a grande no rosto que ela
fez foi quando ela fez 75 anos.
>> Tô bonitinha, como diz a La Bíblia, tô
bonitinha. Abi quando foi paraos Estados
Unidos em 57 com Luiz Ramos, ela ficou
encantada, voltou dos Estados Unidos com
essa coisa das mulheres loiras. Foi aí
que ela começou a clarear o cabelo.
>> Comecei a ver aquelas mulheres
americanas louriras, eu achava lindo
aqueles cabelos. Aí quando eu voltei,
comecei a atingir assim em cima, passava
oxigenada,
>> bem forte passava. Aí comecei a lourar,
lourar e aí fiquei louro. Nunca mais me
adaptei morena.
A EB tinha um cabelo muito bonito mesmo,
loiro. Tinha cliente que apareceu no
salão por causa da EB. Olha, eu quero o
cabelo igual da EB. E a gente conquistou
as clientes. Ganhamos muitas clientes
através da
verdade que a sua, a sua mãe tomava
conta da sua virgindade,
era necessário ela naquele tempo. Era
meu amor.
>> Por que que era necessário? que era
>> não, mas você tô dizendo, você não
respondia por
>> Mas é porque eu tinha muito respeito por
eles, que hoje não existe mais. O filho
não tem, não tá nem aí. O dia que eu
perdi a minha virgindade com o Luís, eu
quase morri de vergonha da minha mãe e
medo dela saber.
>> Na primeira relação a EBA ficou grava.
>> Você já fez algum aborto?
>> Eu fiz. Ela conversou com uma vizinha
dela que eu não sei quem é, mas é o que
ela me contou e levou numa dessas
particulares que faziam em casa esse
aborto.
>> Eu achei que eh era uma coisa muito
delicada
eh esse filho eh ter eh irmã
de um do mesmo pai com uma outra mulher,
outra irmã com outro com a outra mulher,
outra irmã com outra mulher. O, essa
criança ia ficar com uma cabeça tão
louca, tão louca, que ela ela ia ficar
sem saber
que mundo que eu estou, que ela se
recusava a se enquadrar numa caixinha
mesmo. A questão do aborto, por exemplo,
que é extremamente progress, é um tema
muito progressista, ela assume, né, eh,
um posicionamento forte nesse assunto e
o público dela nem por isso deixa de
gostar dela. Então, Eb, eu acho que foi
a primeira pessoa que conseguiu furar
bolhas nesse sentido, né? A EB era além
de um corpo político, ela era um corpo
reivindicador. Ela reivindicava direito
de fala, de justiça, de liberdade, de
pessoas que não eram nem ouvidas naquele
tempo. Existiam, mas não eram faladas.
>> Os transformistas Tina dublando Tina
Turner e Maquiba dublando a cantora
Vivian Reed. Vamos ver, vocês vão
adorar. É uma beleza. A EB tá nisso aí.
Ela tá muito além de ser um ícone de
representatividade,
de incentivo, de acalento, de liberdade.
A EB é uma mulher que nós não temos mais
outra que faça isso. Com tanta vemência,
com tanta coragem, com tanto
discernimento e sem medo de que vão
pensar, ela matava a cobra e mostrava o
porrete.
No auge dos seus 80 anos, Ebby era uma
lenda viva, respeitada e admirada. Mas
nem por isso ela deixou de ser uma
artista inquieta. E antes do último
adeus, Eb voltou para cá, a sua casa.
>> Minha mãe acho que nunca saiu do SBT,
né? saiu fisicamente, mas a alma dela
sempre ficou no SBT, o coração dela.
[Aplausos]
No fim de 2010, ela deixa o SBT,
foi pra Rede TV e estreia em março de
2011 na Rede TV. tava, ela tava bem
ainda de saúde, mas no segundo semestre
de 2011 ela começa a ficar um pouquinho
debilitada porque a doença volta, né?
>> A gente via ela cada vez mais
acabronhada, mais tristinha, mais
coisada. Aí a gente via que a gente
sabia que ali alguma coisa ia acontecer
de triste.
>> Apresentadora E Camargo foi internada
novamente no hospital de São Paulo.
Infelizmente no início de 2012 ela
começou a ter muita idas ao hospital,
cirurgia, tratamento, mas ainda se
recuperava.
>> Na época em que a don ficou internada,
já quase no final, eh nós revesávamos.
Uma noite ficava o Cláudio, uma noite
ficava eu, uma noite ficava o Marcelo.
Então, algumas ligações não passavam. O
Cláudio falava que era para ela não se
emocionar, não ficar mais emotiva ainda.
Porém, muitas vezes que nós ficávamos
juntas, eh, ela se queixava que estava
muito sozinha, que ninguém ligava, que
ninguém falava com ela, porque o celular
dela também não ficava com ela. Aí
quando ficava, quando eu ficava com ela,
teve um dia que o seu Silvio ligou.
Aí, prontamente, eu passei para ela. Aí
foi a maior alegria do mundo para ela.
Era como se o céu tivesse aberto. Ela
sorria e era Silvinho para cá, Silvinho
para lá. E ela ficou muito feliz aquele
dia. Fazia tempo que eu não via ela
feliz daquele jeito. E ele falou para
ela quando ela ficasse bem, que tivesse
alta, ficasse boa, que o lugar aqui na
casa para ela estaria pronto esperando
ela. E aquilo para ela sim foi acho que
tudo que ela precisava ouvir naquele
momento. E aí assim que o Cláudio
chegou, ela falou para ele, ele me deu a
maior bronca do mundo. Ele falou: "É
mesmo?"
deu aquela olhada para mim, como quem
diz, eu te pego.
Mas aí já tava feito.
>> Daniela Beirut foi em casa, eu estava lá
e chamo web, tá na hora de você voltar
para casa. Você quer fazer o quê?
Semanal, quinzenal, mensal. Você que,
mano,
>> eu sei que foi com muita alegria, tanto
minha, quanto do do meu pai, quanto do
SBT, de ir lá e falar, vamos pegar a EB
de volta, sabe? É tipo resgatar a nossa
rainha.
>> E ela sim, ela tava bem fraquinha, né? E
mas ficou muito feliz. E uma coisa muito
importante que eu sempre falo que a
Daniela Beirut, o SBT, não a recontratou
porque assim, ah, mas ela já não vai
conseguir, não. Eu acho que que que eles
tinham em mente que ela ia se recuperar
e voltar a fazer o programa no SBT. Não
foi uma atitude de piedade, não. Foi
realmente de amor, de reconhecimento.
>> Foi com carinho, foi com gratidão, foi
com com amor, foi com respeito.
>> Ela partiu eh empregada no SBT, de volta
ao SBT, eh verbalmente, mas ela sabia
que a casa dela era aqui.
O domingo legal ele estava preparado
durante a semana toda. A produção
inteira trabalhou para preparar um
programa que anima todo final de semana
o Brasil. Quando me ligaram do SPT,
falaram: "Olha, aí ele faleceu".
[Música]
Difícil para mim. Eu acho foi um dos
momentos mais difíceis no palco, porque
eu não consegui controlar a emoção.
Então, programa de hoje, eu deixei acho
que o apresentador embora e ali ficou o
cara que admirava a EB como artista,
como como pessoa e eu desabei. Homenagem
para ele.
[Música]
Convivi,
compartilhei,
mas faz muita falta. É um buraco na
minha alma.
[Música]
Agora eu tô meio sem fôlego para falar
da EP.
[Música]
>> Não chore por mim, tá?
>> Raia sempre, porque olha, fui, olha, eu
já pensei que morri. Eu ia dizer, fui,
fui uma pessoa muito feliz, a vida foi
maravilhosa, Deus foi generosíssimo
comigo, então eu quero morrer feliz
também.
[Música]
Ela
[Aplausos]
é muito viva, porque foi uma pessoa que
que deixou
maravilhosos registros e memórias
afetivas. Assim, é difícil até de falar
no passado.
[Música]
Uma mulher guerreira,
uma mulher de luz
e de muita paz.
Tem pessoas que a gente, se a gente
pudesse, a gente perpetuava pra vida
inteira. Tinha pessoas que não, não
deveriam embora da terra. Eu diria
obrigado pra Ebos presenteado com a
presença dela enquanto ela viveu, com o
talento dela, com os ensinamentos que
ela deixou pra gente.
>> Ela brilha até hoje. Estamos nós aqui
falando dela.
>> Uma figura extraordinária
da nação brasileira.
viver
e não ter a vergonha
de ser feliz.
>> Eu não sei se a televisão brasileira
vai conseguir produzir uma figura sequer
parecida com a uma receita, uma fórmula
que não existe mais. Foi única.
Tem não tem outra.
Vem melhor como
isso não
>> Eu sou muito grata a Deus por tudo que
eu vivi com ela.
>> É bonita.
É bonita.
>> Isso aí. Bravo,
>> a grande dama da TV, uma pioneira do seu
tempo. Icony Fashion, uma voz feminina
forte, combativa, mãe amorosa, amiga
atenciosa. E foi tudo isso e muito mais.
Talvez a capirinha de Taubaté nunca
tenha sonhado em chegar tão longe, mas
quando percebeu o significado estar
diante das câmeras, ela não se
amedrontou. Com muito talento e um
coração sincero, ela conquistou o seu
lugar. E falava a todas e também por
todas. Com sua alegria de viver, ela nos
deixou um legado afetuoso e de coragem.
Viva Ebbe Camargo, viva nós mulheres. E
como ela sempre dizia, viva a vida.
[Música]
[Aplausos]
[Música]
[Aplausos]
[Música]
[Aplausos]
[Música]
[Aplausos]
[Música]
[Música]
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