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Original subtitles

ST. LOUIS, DEIXE O SOL ENTRAR PREVISÃO DO TEMPO COM CLARK FORREST

- Oi. - Olá.

Oi?

- Ué. - "Ué" o quê?

Ué, me deixa pedir, não?

Eu ia só adiantar o seu suco, o Brisa.

E se eu não quiser esse hoje?

Me deixa decidir, tá?

Claro.

Tá, hoje eu vou querer o Ambicioso.

Isso aí.

Beleza.

Uau.

Ambicioso.

- Outro Ambicioso? - Isso.

E esse seria o terceiro. Sai de graça?

Não, fica US$ 8,42.

Sem gorjeta.

- Outro Ambicioso? - Isso.

Esse é de graça?

Não. US$ 8,42.

Muito obrigado.

Oi!

Ah, oi!

- Um Ambicioso? - Sim, claro.

O de sempre. O Ambicioso.

Também. Geralmente faço uma pausa no meio do dia pra recarregar.

Sei como é.

Ela mentiu pra mim hoje.

Sobre isso aqui?

- Jamba Juice? - É. Pedi o extrato logo que voltei.

SAQUES E DEDUÇÕES

Ela disse que o Forrest insistiu numa relação,

que ela foi seduzida.

Na verdade, ela foi lá e ficou esperando por ele

no dia em que a relação de fato começou.

Quase um dia inteiro fora do trabalho

esperando ele lá.

E ela enganou ele lá.

Como?

Ela é do Brisa de Melancia.

Ela é do quê?

Ela me disse que eles sempre pediam o mesmo.

Pediam o mesmo o quê?

O mesmo suco.

Ela mentiu pra ele.

Jodie.

Traição de subúrbio, mentira de subúrbio.

As pessoas mentem sobre gostos em comum no começo dos relacionamentos.

É assim que se constrói relações.

O que ela ganharia se envolvendo?

Ele não era rico, não tinha seguro de vida.

Você tá lendo as correspondências, monitorando tudo.

Algum sinal de seguro de vida?

Não.

Já falou disso com ela, certo?

Já.

O marido não tem seguro de vida.

Ótimo. Então, qual é a motivação?

TESOURO DA PLAYGIRL

Rapaz, é ele?

Engordou bem, hein?

Acontece.

Certo. Por quê?

Por que ele tava com isso?

E por que o rosto tá riscado?

Se estivesse perdida numa garagem,

não faria a menor diferença.

Mas por que isso tava na cena do crime?

Vamos descobrir.

Vai interrogar Forrest de novo?

Vou, sim.

Posso ir também?

Eu sei que eu não devia falar. Eu sei que eu devia ter um advogado.

Por favor, não fala ainda.

O investigador não chegou.

Eu não devia falar nada,

mas vocês têm que entender.

Eu não sei como explicar pra vocês.

Agora, só por enquanto,

para de falar.

É a sua bicicleta, Forrest.

Você tava lá.

Não era eu.

Isso é seu?

É.

O que foi que aconteceu lá, Clark?

ANFEZINA

Um Bloody Mary com uma dose letal de anfetamina.

Fotos desse cara pelado.

Floyd.

Não gosta que eu chame de "esse cara"?

- Não. - Por quê?

Ele era meu amigo, e ele morreu.

Por que tava vendo fotos do seu amigo Floyd nu,

às 4h, longe da sua linda casinha?

Você tava lá, Clark.

O que foi que aconteceu lá?

Eu tinha uns 18, 19 anos, estava pensando em qual faculdade fazer,

só que eu fui fichado em Vancouver

por causa de um saquinho com quase nada de maconha

que meu anfitrião me deu.

Me levaram pra uma salinha.

Lá dentro só estávamos eu e um cara,

um cara ruivo com um bigodinho.

Sei lá, eu falo "cara", mas eu não sei.

Podia ser uma mulher,

porque o bigode não era cheio.

Como era o cabelo?

Tipo um topete reto.

Então, devia ser homem.

Só que era um topete feminino.

E tinha uma força dominadora.

Meio que jogava o corpo contra mim.

Eu tava meio, sei lá...

Era uma força opressora.

Mas eu tava meio que gostando um pouco, sabe?

Então...

eu tava pensando se a gente podia fazer alguma coisa

com essa energia.

Você quer ser subjugado.

Como eu faço isso?

Já ouviu falar da posição da Amazona?

Não.

Eu deito de costas.

Levanto as pernas, mas trago elas pra perto de mim.

É uma posição vulnerável pra homens.

E aí você fica em cima de mim,

assumindo o controle.

Isso aí.

Isso aí.

Calma...

ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: E-MAIL loschulosteam@gmail.com

Me fala desses encontros de sonhos.

Era...

faz-de-conta, uma brincadeirinha,

nos encontros de sonhos.

Qual papel a Carol assumia

nessas brincadeiras?

Pode falar "dominante"?

Dominante.

- Isso aí. - Dominante.

- Dominante. - Isso.

Dominante.

- Dominante. - Não.

- Não? - Não.

- Muito macho? - Sim.

- Dominante. - Isso.

Grita pra mim.

Dominante!

- Dominante! - É.

Eu vou cuspir em você. Dominante!

- Doeu um pouco. - Desculpa.

Dominante.

- Tá. - Que tal assim? Dominante.

- Isso. - Uma força dominadora.

É, pensa em alguém invadindo.

- Dominante! - Isso.

- Dominante! - Chama alguém.

Dominante!

Era uma força me controlando. É isso.

Era tipo isso.

Você gosta de ser controlado?

O que foi?

É o Floyd...

O quê? Como assim?

Ele paga pensão.

O Floyd já foi casado?

Sim, com uma cartomante.

Ele casou com uma cartomante.

Ele paga uma boa grana, sabe?

E ele tem, sem brincadeira, cinco anos de imposto atrasado.

E, a cada ano, a gente deve mais.

Mesmo quando eu acordo de manhã e penso que vai ficar tudo bem,

eu acabo levantando

já sabendo que vai chegar uma intimação oficial no correio,

que o pessoal dos empréstimos vai ligar todo santo dia.

É tão...

E o Floyd não vai ser promovido

a Rei da Língua de Sinais nem nada assim.

Me desculpa.

É que o ano não tá fácil.

E eu amo sentar na sua cara, gracinha, eu adoro.

Mas é que, às vezes, é difícil conseguir fugir pra fantasia,

por causa de todas essas preocupações.

Preocupações financeiras?

Eu posso ajudar com isso aí.

Como eu ajudo? Me fala.

Eu também quero ouvir os seus sonhos.

Controlado. O sonho era dela ou seu?

Eu pedia essas coisas nas conversas.

Nas conversas, eu pedia esse tipo de coisa.

Por que você falou desse jeito?

De que jeito?

"Nas conversas, eu pedia esse tipo de coisa."

As pessoas sempre conversam pra pedir coisas.

Por que disse isso?

Porra, eu tô só...

Ele tá falando que eu matei o Floyd.

O Floyd!

Tá perguntando sobre os meus sonhos sexuais.

Você quer falar dos seus sonhos sexuais? Acho que não, né?

Porra!

Eu quero falar sobre isso.

O que é que tem?

- É do Floyd. - Certo.

E você reconhece?

Beleza.

Olá,

eu sei usar

a língua de sinais.

Boa! Tá arrasando!

Você precisa de ajuda?

Arrasou.

- Não precisa... - Tá.

Ótima primeira frase pra aprender.

Agora, se encontrar uma pessoa surda em apuros

num ambiente auditivo, você pode chegar

e fazer isso. Vai ajudar, cara.

Que calor.

A gente tá aqui pra falar da onda de calor.

Inclusive, enquanto eu estiver interpretando,

eu vou fazer uma expressão de urgência.

Por quê?

Então, imagina que você é surdo.

Você tá na sua casa, tá andando.

Com a sua bebida, sua revista.

Aí, você olha pra TV

e vê um cara fazendo sinais,

mas sem expressão no rosto, sem urgência.

- Você só segue a vida, né? - Claro.

Segue a vida. No final das contas,

tem uma onda de calor, e você morre.

Então, o intérprete tem que fazer expressão de urgência.

- Imagina que você é surdo. - Certo.

Você tá ali na sala da sua casa,

com a sua bebida, sua revista, o que seja.

Você olha pra TV, olha pra mim, e eu tô assim...

É. Perigo.

Você pensa: "Eita, porra! Será que tem uma onda de calor rolando?"

Saquei.

- Salvamos pessoas assim. - Certo.

Toma uma ducha gelada

pelo menos meia dúzia de vezes por dia, se necessário.

E não esquece de ver como estão os parentes e os vizinhos.

Vão pela sombra.

METEOROLOGISTA CLARK FORREST BEM-ESTAR NO CALOR

Tá melhor?

É essa roupa, cara.

Tem que dar pra ver as suas mãos.

Muito calor, e lá não tinha água.

- É. - Nem sombra.

É.

- Cara. - Oi?

DTF.

Sério?

Deu match.

Cara, deu match no DTF.

No DTF?

Um match no DTF. Amor Moderno.

- Legal. - Amor Moderno.

Meu irmão. Olha que mulher bonita. Amor Moderno.

Eu não reconheço a chave.

Mas reconhece isso?

CLÍNICA MÉDICA TWYLA

Explica pra mim.

Não quer falar disso?

Não é o que você pensa.

- Eu devia pensar o quê? - Não quero falar disso.

Esquerda.

À esquerda!

À esquerda!

Nossa.

Campeões da Vida, capítulo nove.

Todas as relações envolvem o ato de dar e receber.

Pense nas diversas formas como suas relações exigem seu tempo,

sua atenção e seu investimento emocional.

Então, pergunte-se:

o que você ganha em troca?

Agora, tire algo disso.

Nós estamos jogando o jogo da vida.

Você nunca vai chegar em primeiro lugar se não se colocar em primeiro lugar.

Você é um campeão da vida. Chegue em primeiro lugar.

Quer sobremesa?

Eu posso pedir?

Pode, claro!

Nossa.

Você cuida tão bem de mim.

- É mesmo? - É.

Você me dá a oportunidade

de estar com você nesses momentos, sabe?

Sem ficar me preocupando com tudo que me preocupava.

Mas acho que eu ainda me preocupo.

É.

- Posso te falar? - Claro, o que é?

Eu posso falar?

Claro.

O Floyd.

Lá no festival.

Ele foi ótimo.

Ele foi mesmo.

Mas tá tão acima do peso.

Ele toma um remédio que sobrecarrega o coração.

E ele tem pressão alta.

Ele não dorme bem, e a alimentação dele é...

Ele não tá bem.

E eu te falei que ele deve empréstimos, impostos e tal.

Ele se preocupa.

É.

Eu acho que se ele tivesse

um seguro de vida, ele ficaria mais...

Ele ia...

se sentir melhor, sabe?

Sei.

Você tem, não tem?

- Seguro de vida? - Isso.

Tenho.

É.

Isso te dá mais paz de espírito?

Dá. Assim...

Claro.

Nossa. Pois é.

O Floyd podia ter, mas...

Ele teria mais paz de espírito.

Mas nem a pau, Juvenal. É muito caro.

Então...

Você sabe, né?

É.

Durante a sua amizade com o Floyd,

enquanto acessavam o DTF St. Louis,

vocês tinham conversas sobre o uso do site?

Sim. Várias.

Então está ciente

de que o Floyd começou a sair com homens.

AMOR MODERNO TWYLA, MO

CURTE GENTILEZA, DISCRIÇÃO PROCURA DIVERSÃO

Pedra Dura?

Sim.

Amor Moderno?

- Sou eu. - Oi.

Oi.

É, "Pedra Dura".

Eu quis dizer que eu sou uma pessoa confiável,

não falar do corpo, que é meio...

Percebi o duplo sentido quando já era tarde demais.

Mas eu espero que não...

- Tudo bem. - Que bom.

Ai, nossa, eu tenho que fazer uma ligação,

mas eu pedi frutas e tudo aqui é muito bom.

Eles têm todo o basicão.

- O basicão tá ótimo. - Maravilha.

Ei, oi.

Eu tô sem os meus óculos.

Olha aqui, isso é uma mulher, né?

É o David Bowie.

Homem.

Certo.

Tá...

Foi mal por isso.

- De Pedra Dura. - Imagina.

Eu vou trocar pra tirar o duplo sentido.

Vou botar "Sr. Confiável". Algo assim.

E você é fã do Bowie?

Muito.

É, eu reparei que era o Bowie na sua foto.

O perfil do DTF diz pra postar uma foto sua,

ou uma imagem que fale sobre você.

Certo.

Ele foi meu herói.

Quando eu era mais novo, porque...

Quando eu era criança,

os outros garotos adoravam as dançarinas do Solid Gold.

- Lembra desse programa? - Solid Gold? Claro!

Os meus amigos falavam: "Ela é muito gostosa!"

E eu ia na onda: "Nossa, muito gata!"

Só que também tinha os dançarinos,

e eu pensava, só na minha cabeça,

eu pensava:

"Ele também é gostoso, gente."

E aí...

Eu soltei um dia, em voz alta:

"Ele é gostoso também."

E eles me fizeram me sentir

esquisito e nada bem.

Mas o Bowie...

Ele me fez me sentir de boa com isso

mais tarde, quando eu me senti bem sozinho.

É, porque ele curte tudo, né?

É, ele é corajoso. Ele é autêntico.

São coisas boas de ser, né?

Eu tenho...

um filho... Enteado.

Ele é meio... Ele não é que nem as outras crianças.

Ninguém é normal.

É só o que parece pra quem vê de fora.

É mesmo.

Ele é meio solitário também.

Queria botar ele numa escola que não tem esportes e tal.

Uma escola particular.

Mais focada em artes, sabe?

Coisa boa.

É, Uma das coisas da minha listinha

de motivos pra economizar.

Ele usa um colete o tempo todo.

Um colete de pescador. O tempo todo.

A mãe dele quer que eu converse com ele sobre isso.

Pra sugerir que ele não use o colete

todo dia na escola

porque as crianças provavelmente vão zoar ele.

Só que eu penso: "Se ele quer usar o colete, e daí?

Se é um conforto pra ele, quem liga?"

Ela usa um casaquinho da Purina

dentro de casa o tempo todo.

Eu não acho o máximo,

mas eu sei que é um conforto pra ela. Ela se sente à vontade.

Então eu prefiro não falar nada sobre o casaquinho da Purina.

Portanto, eu também não vou falar nada pra ele

sobre o colete que ele usa.

Só que aí ela fica brava comigo.

Chegou uma encomenda.

O que será que é?

Tomara que seja o robô sexual que eu pedi.

Ai, que delícia, é o robô sexual que eu pedi.

Ativa o robô.

Como?

Finge que tá apertando uns botões aí.

Deixa eu ativar esse negócio.

Nossa!

Olá.

Eu sou K-12 TX.

Pode entrar, robô sexual.

O que você faz, Pedra Dura?

Eu sou intérprete de língua de sinais.

Olha só!

E você, Amor Moderno?

Eu tenho um negócio pequeno.

Eu sou dono, gerencio e me apresento numa pista de patins.

Nossa! E o que você apresenta?

Magia de patins, hipnose de patins.

E dança de patins.

Olha, que legal!

É.

E as suas frutas?

É fruta, né?

Tô tentando perder uns quilinhos.

Uns 15 quilos.

Foi legal.

Foi firmeza, como sempre.

- Tenho que vir mais aqui. - Tem!

- A rabanada tava boa. - Tava.

Beijinho de despedida?

Como é que é?

Quer dar um beijo rapidinho?

Eu sei que não vai rolar nada de mais, eu já peguei a vibe.

Mas um beijinho de despedida

pra ter essa lembrança no caminho de casa?

Eu quero te dar um beijo.

Só um beijinho.

Espero que seja uma sensação legal.

Espero que seja uma sensação legal pra eu compartilhar com você.

- Tá certo. - Certo.

Beleza. Tchau, cara.

Beleza. Tchau.

Defeito por bateria fraca.

Conectar o sistema.

Eu vou conectar o sistema.

E como foi?

- O DTF? - Sim.

- Amor Moderno? - Isso.

- Foi bom. - Sério?

Sim.

Assim, era um cara, então não foi...

Foi diferente do que eu esperava.

Mas o café da manhã foi bom,

ele era bem gente boa.

Não foi um encontro de verdade.

- Vocês tomaram café? - Sim.

E a gente se beijou.

É, depois, a gente...

deu uns beijos perto do carro dele.

Porque eu não...

Eu não queria magoar ele, entende?

Ou fazer ele se sentir errado, ou que era indecente

fazer aquilo se ele quisesse.

Beleza, tava rolando, e aí ele pegou na minha...

Ele meio que agarrou a minha bunda com a mão dele.

Saquei.

E eu afastei a minha bunda quando ele fez isso.

Saquei.

Aí, eu pensei: "Isso foi meio insensível."

Ele me pegou de surpresa.

Me pegou de surpresa, e eu afastei a bunda.

Eu só afastei a bunda porque fiquei surpreso.

Nisso, eu pensei: "Bom, melhor aproximar de novo

pra não deixar subentendido que isso é errado.

Porque cada um faz o que quer, não tem nada de errado nisso."

Então eu cheguei pra frente.

- A bunda? - Isso.

Então, eu mexi a bunda pra frente e pra trás,

e eu acho que ele entendeu que era tipo uma sarrada

porque ele sarrou de volta.

Ele sarrou de volta.

Você acha que eu magoei o cara?

- Não, cara. - Digo...

Com os sinais e tal.

O cara é tão gente boa. Foi um papo muito bom.

Acho que você lidou bem.

Beleza. Mais 10 segundos.

- Vai, vamos lá. - "M" total.

- O quê? - Motivação total.

- É o que a gente dá um pro outro. - Sempre.

- Tamo junto. - "M" total.

Você confirmou que assumiu o nome Tigrão Tigrão, um homem,

e marcou de ver o Floyd.

Eu cansei de falar com vocês. Vocês não entendem nada.

Vocês acham que ele queria ficar com outros caras do DTF?

Amor Moderno.

Desculpa. Foi um mal-entendido. Você não sabe.

- O quê? - Esse encontro, tá?

O Floyd pensou que fosse mulher.

Eles se pegaram no estacionamento.

Eu interroguei ele. Eles se pegaram.

Eu tô sabendo. Ele me contou.

Língua pra todo lado.

Teve língua no mal-entendido,

mas o Floyd beijou o cara...

Ele pegou o cara de jeito.

- Ele beijou o cara... - De língua.

O Floyd beijou aquele cara

porque o Floyd não queria magoar os sentimentos dele, tá?

Pra você ver como ele era bom. Ele não queria que o cara se sentisse

esquisito ou desconfortável com a sexualidade dele.

Então, ele foi na onda do momento, tá?

Porque ele era legal.

É, muito legal.

Beijar um cara por caridade.

Mas foi isso. O Floyd era gentil.

E maravilhoso.

- O quê? - O Floyd era maravilhoso.

Oi.

Oi!

Oi! Gente boa.

Sem bronca, só que... Se alguém fala "oi", você fala de volta.

Eu tenho que fazer dever de casa antes da gente ir lá longe pra terapia.

Eu sei, mas é só um segundo, sabe?

Não inventaram essa palavra à toa. É porque a gente vive em comunidade.

A gente usa palavras pra interagir,

como "oi",

"tchau" ou "obrigado".

Bem, você vai matar essa parte do gramado.

Você tava molhando o mesmo lugar esse tempo todo.

É, eu esqueci a mangueira

porque você é mais importante pra mim do que a grama.

Beleza.

Ei, escuta.

Oi. Ei!

Olha... Cara!

A gente... Quer saber?

Vamos matar a terapia.

Eu quero te mostrar algo.

Aquelas barras são pros moradores de rua não dormirem no banco.

As pessoas decidiram que não querem ver moradores de rua.

Porque elas querem fingir que eles não existem. Só pode.

O nome é arquitetura hostil.

É literalmente esse o nome.

Esse mundo pode ser muito cruel.

Por isso, eu quero ouvir "oi", tá?

E "obrigado" e "tchau" todo dia.

Se falar todo dia, vai fazer todo dia.

Todo mundo precisa de uma ajuda de vez em quando.

Valeu por me mostrar isso.

Ah, não. Desculpa.

Eu não queria mostrar isso. Eu quero mostrar isso aqui.

Eu faço isso todo dia desde os sete anos de idade.

Porque aí eu sempre conseguiria fazer.

E agora isso virou parte de mim.

É tipo um poder. Não importa o que aconteça.

Eu engordei um pouco? Engordei. Mas eu ainda faço.

Eu quero que você seja educado. Todo dia.

Todo santo dia. Se for todo dia, você vai ser mais feliz.

Eu tô bem, tô só dando pirueta com sobrepeso.

- Você tá bem? Tem certeza? - Tenho.

Eu tô bem.

Aquilo foi irado!

É mesmo?

- Por que riram de mim? - É.

Porque eu não gosto de futebol.

É, eu sei.

Eu desenho aves predadoras de ficção científica.

É muito legal.

Só que...

Fala.

Ninguém na minha escola é que nem eu.

Ei.

Ninguém nesse mundo é que nem você.

Se você for educado,

vai fazer amizade.

Pode demorar, mas tudo bem.

Eu levei um tempão pra achar o Clark.

Isso é bem melhor que a terapia.

Sério?

A gente devia só vir pra cá.

É mesmo?

Pode ser.

- Só não vou contar pra sua mãe. - Tá.

Aí, a gente tem uma coisa no computador.

Uma planilha de Excel.

Sua mãe fez pra mim quando eu tava estudando pro emprego em Chicago.

Eu usava pra marcar quando eu fazia as fichas de matemática,

quando eu estudava pra prova pro emprego.

Você quer usar?

Você pode marcar quando você for supereducado e tal.

Pra acompanhar todo dia.

Tá.

Eu já fui casado antes da sua mãe.

Fui casado com uma cartomante.

E eu não posso ter filhos,

mas eu queria ser importante como um pai pra alguém como um filho.

Aí, o meu casamento acabou, eu conheci a sua mãe,

e ela tinha você.

E isso foi perfeito.

Você é perfeito.

Só quero que você saiba.

Valeu, Floyd.

Como a cartomante não sabia quando vocês casaram

que o casamento não ia dar certo?

Essa é uma ótima pergunta.

Essa é uma ótima pergunta.

- Ela devia saber. - Ela devia saber!

- Ela devia saber! - Pois é.

Aqui, tudo certo. É só marcar quando fizer.

PTD (PRA TODO DIA)

Todo dia.

Todo dia.

O Floyd era maravilhoso.

E eu nunca faria mal a ele.

Porque eu amava ele.

Porque eu amava o Floyd.

Você amava ele?

Sim.

- Mas você amava ela. - Sim.

Mas amava mais ele. Eu nunca faria mal a ele.

Amava como?

Do jeito que a gente ama as coisas.

Como o sol quando tá frio.

Como...

água, quando você precisa de água.

Eu não entendi. Tipo sexo?

Não.

Tá mais pra...

Eu amava o Floyd.

Eu te amo.

Você não amava ela assim?

Não mesmo.

Vamos falar disso de novo?

Eu não vou falar mais nada.

Eu quero um advogado.

Forrest.

Qual é, Forrest?

Você falou umas coisas bem pesadas, sinceramente.

E agora vai começar a fazer jogo duro?

Depois de tudo isso?

Você disse que ia falar pra se salvar.

O que mudou?

É a chave.

É a chave, não é?

Traz o advogado, ou me tira daqui. Eu não falo mais nada.

Que modelo é esse?

É uma bicicleta reclinada.

Mais segura, mais visibilidade,

mais conforto nos passeios mais longos.

Eu comprei uma pra Eimy.

Ela nunca nem aprendeu a andar.

Eu ia adorar isso aí.

Sério?

Sim.

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Tudo bem eu ficar falando do Floyd?

Sim.

A nossa relação,

o tempo que a gente passa junto

ainda tá tomando forma.

- Eu gosto. - É.

Nossa.

- Gosto pra cacete. - É.

Gosto pra cacete, sabia?

É isso aí!

Mas como eu tava falando, acho de boa você saber que o Floyd,

ele tem...

Ele tem um pênis estranho.

Ele tem um pênis torto.

O que aconteceu? Ele ia me contar.

PACIENTE 6 DE PEYRONIE

Nossa, foi surreal.

CONDADO DE ST. LOUIS HOMICÍDIOS

Aquele dia.

Meu Deus.

O que houve?

Ai, eu não quero falar daquele dia agora.

Acho que eu não quero falar nunca.

Mas ele toma remédio pro pau torto,

e é muito forte.

Como eu falei, ele deve impostos, empréstimos.

E eu sinto que, se ele tivesse seguro de vida,

seria mais...

Ele ia se sentir melhor.

Sabe? Ele ia dormir melhor e tudo mais.

Só que...

é inviável pelos valores.

Eu posso ajudar com o Floyd.

Posso ajudar nisso se for te dar um alívio, sabe?

Certo.

Mas não é só pelo dinheiro.

Por favor, não entende isso errado, mas...

a gente não tem uma vida sexual.

Eu e o Floyd. Acho que faz um ano ou mais.

E eu quero voltar.

Mas o problema no pênis dele

dificulta um pouco a ereção, sabe?

- Sei. - Pois é.

E tudo tem que estar...

Tem que estar sempre tudo certo.

É.

Então, se ele souber que eu sei que você pagou as contas...

Pelo amor de Deus.

Ele vai ficar mais arrasado ainda.

E aí vai ser mais difícil ainda levantar.

É.

Então, por favor.

É.

Eu só não quero saber, tá bem?

Se eu ajudar ele?

Eu não quero ficar sabendo, tá?

É sério.

Fala que é sério.

É sério.

Você é tão fofo.

PISCINA PÚBLICA KEVIN KLINE

O que aconteceu, Clark?

O que aconteceu com o cara que você amava e morreu?

Oi.

Eu sei que a gente tá sozinho de novo, mas vai dar tudo certo.

Não temos mais problemas agora?

É só você.

É só você agora.

Quais problemas?

Tipo dinheiro.

Você sabe que eu sempre faço o que for,

eu sempre faço de tudo pra nós dois ficarmos bem. Tá?

Tá tudo bem, Richard.

A gente vai ficar bem.

Legendas: Thiago Moshe

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