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Férias são um luxo.
Nem todo mundo tem.
Claro que tem!
Desde 1936, todo mundo tem direito.
A luta continua.
Mesmo assim, precisamos renovar as energias.
- Quem quer mais? - Enche o meu.
Um brinde às férias do Cyril!
A vida dele já é umas férias! Trabalha no trem.
Outra vez com isso!
Trabalha só quando quer. A cara do Cyril!
Continua servindo!
Ele é tão folgado, que acha que férias é trabalho remoto.
E seis meses de licença médica!
Às férias do Cyril!
- À felicidade! - Cyril!
Cyril!
Droga, Louna, amor.
Louna, amor?
Louna, amor?
O que foi?
Pode me ajudar? Não consigo sozinha.
Minha ciática...
Pede pro Lucas.
Cadê ele?
Sei lá, em algum lugar.
Obrigada, tá?
Saia logo antes que o trânsito fique complicado.
Estou há três anos sem férias, então, olha,
vou curtir mesmo se tiver engarrafamento.
Você contou para ela para onde vai?
De jeito nenhum.
FÉRIAS FORÇADAS
Vou resolver isso já.
Sim, Sra. Lambert, estou na agência.
O pagamento foi recusado por uma mísera passagem de avião.
Sim, em executiva, não na classe econômica,
nem no bagageiro.
Por favor!
Que cheque especial?
Inflação, Sra. Lambert!
Uma casa à beira-mar custa cinco mil euros por semana.
Férias? É viagem de trabalho.
Vou ajudar uma autora jovem a terminar o próximo best-seller.
Já ouviu falar da Dolly Di?
Pois é, famosíssima.
É tiktoker, influenciadora, facebookeira.
Tem mais de dois milhões de seguidores.
Dois milhões de seguidores. Consegue imaginar?
Sim, estamos enfrentando dificuldades há umas semanas.
Há alguns meses.
Tá bom, anos. Não vamos ficar enrolando.
Entenda, a Dolly Di vai gerar um tsunami de vendas.
Vai ser enorme. Prepare o colete salva-vidas.
Estou avisando.
Trezentos euros por semana? Vou fazer o que com isso?
Não dá pra fisgar a Dolly com esse trocadinho!
Alô?
Oi, meus queridinhos. Tudo bem por aí?
Em breve, direto da praia,
estarei com meu editor e mentor, o grande Raphaël Dolmaire,
escrevendo durante duas loucas semanas.
Será minha nova vida como autora!
Beijos, queridinhos. Nos vemos na praia?
Aí está você!
Tudo bem?
Bem, mas estou confuso. Não era de tarde?
Sim, mas fiquei ansiosa e com fome. Almoçamos no Deux Magots?
Se for assim, por que não no Flore? Também está totalmente fora de moda.
Deixa pra lá. Como algo no avião.
Já volto.
Muito bem. Não se mexa...
Sra. Berger!
O que está fazendo aqui? Estou trabalhando.
Íamos sair às 9h.
Você adiou para às 11h, e já passa das 13h
e ainda está furando dentes?
Para. Sabe quem é ele?
Não estou nem aí!
Bom dia, Sra. Berger.
Olá.
Venha ver.
Viu o abscesso sob a coroa, atrás do pré-molar?
Ele toca hoje à noite. É o dever me chamando.
Seu dever é cumprir suas promessas.
Duas semanas de disponibilidade pra mim e pro Alex.
Te espero no carro.
Tchau.
Essas férias vão ser uma tortura.
Tem filhos, Brinca?
Quatro. De três mães diferentes.
E suas férias, como são?
Vou pra Dubai com meus amigos. De boa.
E as mães aceitam?
Claro, tá tudo bem. Escrevo poemas pra elas.
"No divino pudor da mocidade,
nesse êxtase pagão que vence a sorte."
Não cabe mais nada.
Calma. Meus amigos me esperam em Perpignan.
Entra logo. Anda.
Nem um pio. Anda logo.
Estou indo.
Vai, logo!
Aí, pronto! Entrou!
Acho que ele já ouviu.
Cyril!
Calma, Louna. Estamos de férias.
Onde você estava? Poxa!
Você fica linda quando está brava.
Só lembrando que vamos passar essas férias
todos apertadinhos.
Vamos evitar brigar.
Apertados é pouco. Seis num trailer.
Qual a diferença? Vivemos espremidos o ano todo.
Nosso apartamento é menor.
Não está feliz em fazer isso com o pai?
Não te interessa.
Temos que abastecer antes de sair.
Quer assaltar um posto?
Engraçadinha.
Calma, gente.
Calma, esquentadinho. Vamos relaxar
com um pouco de música.
Mas nada de Gérard Lordnorman.
E por que não Gérard Lenorman?
É brega!
Brega? Que bobagem.
Posso tocar uma do Springsteen.
Não, Dédé. Vai ser Lenorman.
O mundo inteiro cheio de amor e sol
E o céu, assim como você, é belo
Eu canto a canção da alegria
Para quem é feliz em todo lugar
Eu canto a canção da alegria
Para quem é feliz em todo lugar
Bom garoto, Rafale.
Como ele se chama?
Rafale, vai lá.
Não imaginava que usava o BlaBlaCar.
Que absurdo.
Tá brincando?
Divido carro há 30 anos.
Impossível.
O app foi criado em 2006.
Quero dizer que já era pioneiro na causa climática.
Avião? Nem morto.
Pela pegada de carbono?
Pelo preço.
Entendi.
Na minha idade, devia estar mais ligada à natureza.
A ecologia é a bandeira das novas gerações.
É hora de entrar nessa onda.
Estou bem assim. Prefiro ficar no carro.
Oi, meus queridinhos!
Neste verão, pra reduzir emissão de gases,
nada de avião pra Dolly.
Cada gesto conta.
Beijos, queridinho. Amo vocês!
Eu sabia que devíamos ter saído antes.
Mas é porque você trabalhou até tarde.
Sim. E trabalhei até tarde pra pagar estas férias,
o apartamento e a escola do Alexandre.
Então sim, eu trabalho pra termos uma vida decente.
Eric, eu podia estudar em escola pública.
No carro não, porra.
Escola pública. Claro.
Pegaria o metrô também?
Mal posso esperar pra chegar e fugir desses...
Olha pra eles.
- Francamente, no clube... - A gente só se vê nas refeições.
Porque cada um tem suas atividades.
- Alex tem o clube infantil. - Não vamos pra nos divertir.
Vamos pra nos reconectar.
Belas férias!
Estamos na Estrada da Praia. Isso é bom.
Número dois. É aqui!
"Sonho de Verão." Para, encosta.
Certo.
Parece a Califórnia.
- Amor! - É incrível!
Boa pegadinha...
mas estou cansada. Cadê o camping?
Fica atrás disso!
Essa casa é incrível.
Amor, chega, por favor. Estou exausta!
Leva a gente pro trailer, vai.
Louna, meu amor, o cara vem às 18h com as chaves.
O trailer está ali dentro, esperando por nós!
Para com isso! Não temos grana para um lugar desses.
Como é que é? Não temos grana?
Não temos grana?
Pai?
O que é isso?
Está invadindo casas agora?
As chaves estavam na caixa de correio.
Boa!
É ótimo ter um filho malandro.
Mandou bem!
Vamos, pestinhas! Vamos lá.
- Vamos, Dédé! - Estou indo.
- Espera pra ver. - É fantástico.
Espera pra ver.
Esse é meu garoto.
Pode entrar, meu amor.
A casa é sua.
SONHO DE VERÃO
Que legal!
- Tem piscina! - Incrível!
Você zerou a poupança?
Por que fez isso?
Por isso! Olha isso aqui!
Sabe pra que era aquele dinheiro?
Não.
Pra um carro novo, a faculdade das crianças.
Pai!
Tem um monte de quartos. É demais!
Ótimo! Escolham seus quartos.
Tem uma cozinha na piscina com uma geladeira cheia de bebida.
Posso?
Claro, amigão! Fique à vontade.
Esse lugar é surreal.
Com caminho direto pra praia.
Leva as crianças pra lá, filho?
Pode deixar.
Obrigado.
Louna, amor,
nosso ano foi uma droga.
Você trabalhou demais. Minhas costas estão acabadas.
Minha mãe faleceu.
Lucas quase foi preso.
Quando foi nossa última viagem?
Três anos atrás.
Três anos.
Quis nos dar o verão mais lindo da nossa vida.
A gente merece, né?
Você está louco.
Estou mesmo.
Louco pela minha esposa.
Eu te amo.
Deve ser o cara das chaves.
Esse vai ser meu verão Magnum.
Thomas Magnum.
O caseiro e a faxineira ainda estão aqui.
Lá vem ele.
Bom dia.
Senhor, marcamos pras 18h30.
No meu papel diz 18h. Mas tudo bem.
Meu filho... enfim, a gente entrou.
Pode terminar.
Podemos guardar as malas?
Tudo bem, já fizemos isso.
Cuidamos nós mesmos disso, não se preocupe.
Muito obrigado.
Tem certeza de que é essa casa?
Tenho
Espera.
- Pequeno erro. - Foi grande!
Pois é, vinte é demais.
Fizemos tudo sozinhos. Com cinco basta. Boa tarde.
Houve um engano.
Eu aluguei esta casa.
Amor, o que está acontecendo?
Nada. Só um cara que acha que alugou a casa.
Acho, não. Tenho certeza.
- Onde está o seu contrato? - Isso.
Que contrato?
- O contrato de aluguel da casa. - Pois é.
Ué...
- Louna, amor! - "Louna, amor."
- O que foi? - Nada.
Beleza.
Olha na mala azul. Deve ter um contrato.
Um papel. O contrato.
Não temos mala azul.
Sem mala, sem contrato.
Talvez não seja azul, mas procura o papel.
Diz que o lugar é nosso.
Com licença. Aqui é a vila "Sonho de Verão"?
Talvez. Por quê?
Nós alugamos a casa.
Não acho o maldito contrato!
- Olá. - Boa tarde.
Não fale palavrão. Tem uma criança aqui.
Pelo amor de Deus, o que o alemão quer?
Não me importo com palavrão.
O que odeio é a hipocrisia, Eric.
Alexandre, agora não é hora de brigar.
É você quem está criando uma briga.
Sim, mas se você...
Cala a boca.
Ele não liga pra palavrão.
Reconexão!
Tortura.
Aqui.
"Sonho de Verão, Estrada da Praia 2."
Aqui. Nossa reserva, o contrato, a foto do dono.
Sou o locatário oficial. Então, senhores, até mais!
Olha. Então...
"Sonho de Verão, Estrada da Praia 2."
E a foto do dono. Desculpa, eu sou o locatário oficial
desta casa.
Achei! Aqui.
Isso deve esclarecer tudo.
Seu contrato é ilegível. Não dá pra ver nada.
É falso.
Como é?
As loirinhas chamando a gente de falsos?
- Como é? - Calma! Minha esposa é loiro-escura.
Agora, por favor, caiam fora.
Não vamos sair por causa de uma impressora ruim.
E aí, senhor altinho, veio sozinho?
Quero ver me despejar.
Vai ser engraçado.
Que palhaçada é essa?
Sem tinta pra imprimir, mas aluga uma mansão?
Chega disso!
Gastei tudo para esse retiro criativo da Dolly Di!
Então vou entrar com a Dolly!
Di!
É a Dolly Di!
É a Dolly Di! É ela!
Sim, é a Dolly Di! Lucas, olha.
Para. Estou ouvindo música.
O que você está fazendo aqui?
- Oi. - Oi.
Vem, a gente te mostra a casa.
Você vai ver, é incrível.
Quem é Dolly? O que é isso?
Sei lá.
Olha, somos pessoas civilizadas.
Vamos ligar pra agência.
Eles fecham às 18h.
Então não podemos ligar.
Não quero me meter nessa briga chata,
mas deixaram um contato escrito.
E sei disso porque eu li o contrato. Só isso.
O que é aquilo?
Aquilo é meu filho.
Três locatários por duas semanas. Espertinhos!
Um vigarista covarde usando um pescador como laranja.
É bom o marinheiro resolver ou vai sobrar pra ele.
É o derradeiro embate...
Os fracos sempre se ferram.
Pra entender, tem que ser de esquerda.
Estou fora.
Tem alguém aí?
O que querem?
Boa tarde, senhor. Na verdade...
- Ele tem um problema. - Fala você.
Tá bom, já entendi!
Estou descendo.
Não sou da agência!
Só faço uns reparos, a piscina, as chaves...
As chaves?
Coisa pouca.
Minhas bolas estavam esperando.
E daí? Eu cheguei às 18h em ponto.
A bocha!
Entendi.
Se não gostaram, podem ir embora.
Uma casa dessas, no verão,
aluga em menos de uma hora.
Não é essa a questão. Eu fico.
A gente foi passado pra trás e vamos ter que sair como mendigos?
Desculpa, mas isso é um absurdo. Esses métodos são...
Os métodos são o quê?
Feios.
Feios?
Tenho uma proposta.
Vocês dividem a casa,
assim o aluguel fica em três partes.
Cada um paga um terço. Nada mal, né?
Se quiserem, podem deixar uma gorjeta. É costume.
- Nem doido. - É costume!
Pensem nisso com carinho.
Mas não demorem!
Eu não estou de férias.
Trabalhei a vida inteira pra pagar isso.
- Estou ouvindo. - Sem problema.
Eu também não estou de férias.
Então...
Sinceramente, se a Dolly Di
puder trabalhar em paz pra entregar o...
O livro dela, por mim, tudo bem.
Assim você compra uma impressora nova.
Estou pouco me lixando pra grana.
Não sou contra a ideia de comunidade, de ajudar.
E...
As crianças ficaram felizes. Viram a Lady Di.
- Dolly Di. - Tanto faz. Sem trocadilhos, tá?
E você?
Não, desculpem. Não entro nessa.
- O que isso quer dizer? - É óbvio. Ele é um...
Corta essa, vai.
Você assina o pacto social?
Assinei um pacto com minha esposa e meu filho, então...
Bem...
Seu filho parece se dar bem com os meus. Talvez ele se divirta.
Então vai ser tipo um clube.
- Um clube? - Ele não vai dar trabalho.
Digo, ele pode ter um pouco de liberdade.
Um pouco de liberdade...
- Decidiram? - Quase.
Olhando assim, pode ser uma solução.
Agora tem que convencer sua esposa.
Relaxa, eu convenço.
Não sabe se impor em nada. Dentista do ano!
Tudo bem, acho outra casa. Relaxa.
Relaxar seria viajar só com sua esposa e seu filho.
Quer ficar sozinha? Dormimos na praia.
- Sob as estrelas? - Vamos acampar, é?
Pode ser legal.
Daphné...
Quando há tanta gente,
ou, digamos, ao compartilhar tudo,
é preciso considerar as diferenças entre as pessoas
Corta o papo furado.
Vocês pegaram os melhores quartos.
Não são suítes. Ele disse que são escritórios.
Olha, não estamos de férias.
Já disse isso. Todo mundo já sabe.
Sorte a sua que vamos dividir tudo.
Ela tem razão.
Se fosse uma divisão proporcional, nós somos seis e vocês dois...
- Os armários... - A geladeira.
Sobre o barulho, como vamos acordar cedo...
Vamos?
Dá trabalho escrever, querida Dolly.
- Entendeu? - Não.
A literatura é puxada, cara.
As crianças ficarão felizes se quiserem brincar.
Resumindo, evitem farra na piscina
antes do começo da tarde.
E o seu mergulho matinal?
Verdade, adoro mergulho de manhã.
Ele adora pular fazendo bomba.
É, faço várias, gritando,
"Viva o proletariado!"
Relaxa. A gente vai pra praia.
Você é um amor.
Obrigado, Sra. Toussaint.
Agora, poderia colocar suas tralhas no quarto do capitão?
Está um forno! O ar-condicionado quebrou.
Nem uma lagartixa vai sobreviver.
Uma o quê?
Uma lagartixa.
Um lagarto pequeno.
Eles adoram o sol,
e é endêmico de...
Alta temporada, tudo lotado.
Até os trailers.
Então dividimos em três.
Vamos embora amanhã. Ficaremos esta noite e vamos embora.
Fazemos uma divisão proporcional.
Que mão de vaca.
Eu fico. Vocês podem ir.
Tá bom.
Estou brincando, claro.
Alex, por que falou isso?
Se chama "Sonho de Verão".
Não transformem em um pesadelo.
Você dorme no quarto das crianças.
Tudo bem.
Alex!
O que vamos fazer? Deitar o banco do carro e dormir lá?
Guardamos o melhor para vocês O quarto do capitão.
- No porão. - É fresco. Põe o ar no máximo.
O quarto do capitão pro povão não rola.
Nosso destino é esfregar o convés.
Claro.
Ótimo. Obrigado.
Quarto do capitão? Parece um porão.
Pelo menos temos um colchão.
Melhor do que dormir no carro.
Sério? Vai fumar aqui?
Isso é um sim.
Meu último prazer.
E ainda disfarça o cheiro de mofo.
Ouviu isso?
Que rangido é esse?
Procura na sua memória.
Maldito ventilador!
Nem todo mundo tem marido faz-tudo!
Vão parar com essa barulheira?
Metido!
Viajar com tanta gente estranha é bizarro.
É?
Eu acho interessante. É legal.
Interessante?
Percebi.
Acha que não vi você babando para aquela garota?
A Dolly Di? Ela tem a idade do Lucas!
Não é a Dolly Di.
Não é a Dolly Di?
Não!
Dorothée?
Daphné.
Só muda umas letrinhas.
Nem pensar.
Quer saber de uma coisa?
O que eu gosto é
de morenas
um pouco apimentadas.
É disso que eu gosto.
O que você está aprontando?
O que está fazendo?
Eu? Aprontando?
É verão.
Você é famosa.
Por que viajar com um velhote?
Não estou de férias. E você está com seu velho também.
Eu estou de castigo.
Quase fui preso.
Sério, gângster?
Nem parece, mas o Delmaire é bem famoso.
O interesse dele me surpreendeu.
É sério?
É.
O mundo inteiro se interessa pela Dolly Di!
Dolly?
Uma noite escura pode ajudar numa louca inspiração,
ou aspiração.
Sugiro não dormir muito tarde.
Pra cama, Dolly.
Vamos, Dolly.
Qual é a dele?
Duvido que esse "Pablo Escobar" seja o muso certo pro seu livro.
Não força. Já fumou um baseado?
Já, uma vez.
Faz 20 anos, um defensor do Nouveau Roman me levou ao Le Baron.
A balada top da época.
E aí?
Não lembro do lugar, só que hoje nem me deixam entrar.
Queria saber qual delito o maconheiro cometeu.
Não me diga que eles...
É uma música peculiar para se ouvir em grupo.
Boa noite, Dolly.
Boa noite.
Você me paga! Espera eu te pegar!
Para com isso!
Para com isso!
Tem alguém aí?
André, suas gotas!
Naïa, não faça barulho. Está incomodando a Sra. Berger.
Tudo bem. Eu vou embora depois do café.
Melville! O café da manhã está pronto!
Esta casa é um sonho mesmo!
No sentido figurado. Não estou...
Enfim. Até mais!
Cyril, cuidado! Vou te empurrar!
Esse aí tá feliz da vida.
Pelo visto.
André!
- Tem gente? - Tem.
E o quarto?
Apertado.
E o seu?
É, não está...
Parecem grandes, mas não são.
Pois é.
Até que enfim. Melhorou? Quase chamei a polícia.
Espero que não tenha quebrado o cachimbo.
Amor? Posso falar com você?
- Eu estava indo... - Vou primeiro.
Tenho a impressão de que, pelo bem de todos,
devíamos ficar.
O Alex parece estar se soltando
com as outras crianças, apesar das diferenças.
Soltando, não sei.
Mas há dez minutos ele corria atrás do colete amarelo na piscina.
Viu só?
Se aceitar os termos, já é um começo.
Desfaço as malas?
Bom...
Sim.
Beleza.
Vai demorar muito ou...
Está ocupado!
Então vão ficar?
Sim, se não tiver problema.
Claro que não tem.
Ótimo.
Comprei carne de Kobe. A melhor carne do mundo.
Comprei dois quilos pra comermos à vontade.
Kobe? O que é isso?
Carne de Kobe.
Carne japonesa maturada.
São 417 euros, por favor.
Puta merda!
Isso é um terço do salário-mínimo.
É, mas...
Dá pra comprar um rebanho com isso.
Mas é deliciosa. Você vai ver.
E pro senhor?
Quero linguiças merguez tunisianas.
Bem picantes. Isso, ótimo.
Mais... Isso.
Não passe dos 400, mas manda ver.
Ótimo. Cada um belisca o que pode.
Exato.
Compra velas perfumadas. O povão vai comer linguiça.
Pão de mel.
E sem glúten. Alex, quer um pedaço?
- Não. - Não?
Então come uma fruta.
Posso?
Quer um churro em vez da maçã?
É uma nashi.
Uma o quê?
Nashi.
- Nashi. - Nashi.
O que é isso?
Uma perinha japonesa cheia de fibra.
Parece maçã.
- Mas não é. - É nashi.
Parece maçã.
Toma.
Não!
Desculpa. Nutella é proibida lá em casa.
Minha esposa evita qualquer coisa com óleo de palma.
Não só por nós. Destrói o hábitat dos orangotangos,
e é importante pensar no meio ambiente.
Olha essa pasta orgânica,
sem aditivos e sem óleo de palma.
Posso?
Pode.
Oito euros! Então ser ecológico é pra rico, Sra. Berger.
Bom, eu só sei
que Nutella é uma delícia e estamos de férias.
Posso provar?
Alex!
Um de pão de mel sem glúten.
Eles parecem bem vivos.
Porque estão, querida Dolly.
- Não acredito. - Mas estão.
É sério?
Podemos levar?
Encontro doido no mercado com o Raphy!
Duas lagostas do tamanho do meu Air Jordan.
Hahaha!
Acredita que estão vivos?
- Vivos. - Levo as duas.
Presente de boas-vindas.
Se for pra ajudar os pescadores locais.
- Droga! - O quê?
Um colega da escola. Quer dizer...
O pai dele tinha uma peixaria em frente ao escritório.
É um idiota.
Passei a infância caçoando dele no recreio.
Pois cresceu.
Aí que tá o problema. Me esconde.
Pro outro lado!
Obrigado, senhora. Dolly, vem.
Obrigada.
Bom apetite.
Essa geladeira está lotada.
Invasão total.
Tomaram a geladeira!
Oi, Daph!
Oi.
"Oi, Daph."
Que foi? O Magnum diria isso.
Thomas Magnum falaria desse jeito.
Falando nisso.
Pestinhas,
querem um sorvete?
Pai, estamos fazendo o castelo de areia. Depois a gente vai.
Beleza!
Temos tempo. Estamos de férias.
Olha só vocês dois!
Louna, amor, quer algo?
Uma água mineral? Café?
Um coquetel de algas?
Um Magnum de chocolate com amêndoas.
Não?
Não estava com medo de usar o biquíni novo?
Quem tem medo é o biquíni, não eu.
Sei!
Está lotado, né?
Estamos no verão.
Em Estrasburgo tem menos gente na praia, e menos praias.
Bom que seu humor voltou.
Mas o celular...
é que nem sua broca: Não tira férias.
É o Brinca. Ele mandou bem de novo.
Está me agradecendo com um poema.
Mas esse site idiota não traduz do português.
"Muchas gracias" resolve.
Alex?
- O que você está fazendo? - Pescando caranguejo.
Você nem sabe de onde eles vêm!
Do oceano, pelo visto.
Alex!
Seu chapéu.
Coloca! O sol tá forte. Alex!
Ansiedade de mãe é tipo celular: não tira férias.
- O psicólogo disse... - Pra estar presente.
Sem ser invasivo.
Sabe, querida. Digo, Dolly.
Não, por mim tudo bem.
Não podia perder uma heroína chamada Dolly.
Dolly é diminutivo de Dolores.
Lolita,
do Nabokov.
Sei...
É por causa da Dolly Castro,
pioneira latina no YouTube, com seis milhões de seguidores.
Estou chegando lá. Tenho dois milhões.
Imagina se cada seguidor compra meu livro.
Surreal!
Um a cada três já seria ótimo.
Vou pegar uma coca.
Alguém quer?
Quero, sim.
Aquele garoto está com algo em mente,
e acho que não é apropriado.
Qual é. Não era assim na idade dele?
Não. Na idade dele eu era vidrado em literatura.
E essa chama segue acesa.
Dei uma pesquisada. Ele roubou uma mobilete.
Roubou uma mobilete?
Também não é o Scarface!
É sim. É bandido. Reconheço de longe!
Quem quer fazer um colar?
Eu!
Eu também.
- Eu também! - Você não.
Quero fazer tudo como meu filho e como minha filha.
Eles têm 20 anos. O que pode rolar, além de se pegarem?
Só estou protegendo o seu filho.
O que tem ele?
A Dolly Di não é garota pra flertar e esquecer.
Ela é empresária.
- Entendi. - Pois é.
Então o cara do povão não pode ficar com uma patroa?
Nada mudou, né?
Para com isso de luta de classes.
Na idade dele, eu era anarco-sindicalista.
Protestei por Paris cantando Léo Ferré. É verdade!
No verão de 95, quase peguei minha mobilete
pra ir à Bulgária ao Partido Comunista.
Isso aí!
Gente como você só diz "quase". "Eu quase".
Quase. Foi o que disse.
- Você é um "quaseiro". - Esse é o problema.
A prática nunca bate com a teoria.
Mandou bem. Correto.
Pai, olha nossos colares de concha.
Um colar havaiano pro Thomas Magnum.
Obrigado.
Viu que eu estava com o Higgins?
- Eu sou o Robin Masters. - Alex?
Que tal comer ostras com a mamãe hoje?
Ou jogar uma bola no quintal?
De frente pro mar, pode ser legal.
- Cinco pênaltis cada. - Vou jogar damas chinesas.
Tenho mesmo que me curvar
à sua agenda adulta onipotente?
Que vocabulário.
Sinto que sempre estou atrapalhando.
Que nunca apareço no momento certo.
Com você.
- E com o Alex. - Ele vai superar isso.
Ele nem me chama de pai. Me chama de Eric.
Qual é seu nome? Eric.
E o seu? Daphné.
Mas te chama de mãe.
É verdade.
Não entendo.
Nós o criamos juntos, não foi?
É impossível ter uma conversa séria nesta casa.
Depois de se entupirem de comida, têm que queimar calorias.
CLIQUE SUA VIDA! FIM
Estou com areia em tudo que é canto!
Estou com areia pra todo lado!
Entra logo, caramba!
Também não sou muito habilidoso.
Sei lá...
Meu filho pediu pra eu fazer uma cabana com troncos de madeira.
- Com "troncos flutuantes". - Isso.
Não é o mesmo. Eu ajudo.
E como vai o livro com a Dolly?
Quem dera fosse um livro.
Também não ia ser pra ganhar o Pulitzer.
Não, isso não é tronco flutuante.
Isso é flor de eucalipto. Bom pros coalas.
Me dá um pedaço de madeira mais encorpado.
É essencial fortalecer o telhado.
Viu? Com o telhado firme, fica fácil.
Está sozinho?
Pedi pro meu pai fazer uma cabana de troncos flutuantes.
Era brincadeira, mas o coitado levou a sério.
Me sinto envergonhado.
Não entendo bem o problema, mas bora caminhar?
Você tem a vida toda pra ser sério!
Aproveita.
Você não tem obrigação nenhuma. Relaxa.
- Dá pra ser engraçado e maduro. - Claro.
Olha, estou com alguém há quase seis meses.
E é sério.
Que lindo. Maravilha.
Minha mãe revirou os olhos quando contei.
Como se coração de jovem não batesse forte.
Vou te dizer uma.
Quando conheci a Louna,
eu tinha só 17 anos.
Nunca nos separamos.
E sabe de uma coisa?
Não.
Quero que dure pra sempre.
Alex e Cyril parecem se dar bem.
Ele sempre foi o queridinho das crianças.
Das nossas e as dos outros.
É normal. Ele ainda é uma.
- Quer se sentar? - Quero.
Já o Eric perdeu a criança interior dele.
Sério? Mas ele ainda é jovem.
É, mas quando nos conhecemos eu estava grávida do Alex.
O pai biológico
tinha sumido.
O Eric apareceu como um milagre.
Quando falei que estava grávida, ele disse que seria o pai.
Nossa!
Homens assim são raros. Ele é ótimo.
É.
É, ele é ótimo.
Só que...
a paternidade pesou demais nele.
Começou a trabalhar feito louco pra termos tudo.
O consultório pequeno dele virou
uma clínica enorme em Neuilly.
E depois ficou distante.
O Alex está cobrando caro isso dele.
- Onde ela mora? - Dinamarca.
Passa as férias no Atlântico.
O nome dela é Else.
Você não quer vê-la?
Claro que quero.
Vou te dizer uma coisa.
As pessoas dizem "depois". Mas não é assim.
O "depois" pode ser tarde demais. Não vacila no amor.
Vai lá, bagunça o cabelo!
Fala pra ela!
"Eu te amo!"
Eu te amo, Else!
Estava abandonada há meses.
Mobilete parada estraga.
Você pegou pra consertá-la.
E ainda botei cinco euros no tanque.
Na real, você é um herói.
Sabe, Dolly,
tive sorte de te conhecer, porque...
de onde eu venho, uma garota como você é demais.
De onde você acha que eu venho?
Agora a gente não é do mesmo mundo.
E mesmo assim estamos juntos, zoando, pegando sol.
Pode parecer estranho,
mas eu sinto algo entre nós.
Então eu pensei,
você acha que há possibilidades de que um dia
a gente
transe?
Ou não?
Com certeza.
Vem.
Agora?
Tem coisa melhor pra fazer?
Não...
Mas onde?
No meu quarto.
Falei de planejar pro futuro, quer dizer...
- Tá com medo? - Não.
Meu cartão!
Tem alguém aí? Me dá...
Devolve meu cartão!
Dolmaire?
Raphaël Dolmaire!
Wilfried Ballu. Da escola da rua Saint-Sulpice.
Claro! Wilfried Ballu.
- A velhice é uma droga. - Deixa disso.
Brincadeira! O que faz aqui?
Acompanhando uma das minhas autoras.
Você?
Moro aqui. Saí de Paris faz mais de dez anos.
Já almoçou?
Sim, belisquei algo.
Vai perder o Chez Will.
Chez Will?
Meu restaurante de frutos do mar.
As melhores lagostas.
Se é seu, não vou negar esse prazer.
E sempre tem lugar para uma lagosta.
Comecei com algo pequeno.
Um quiosque na praia, depois outro.
Hoje...
- tenho dez. - Dez? Impressionante!
Depois da pandemia,
as pessoas torravam grana em viagens e lazer.
A palavra-chave: Se mimar.
Combina perfeito comigo.
Adoro mimar as pessoas.
- Aqui. - Valeu, já está bom.
E você, ainda é da esquerda?
Paparicando autores no auge da fama?
O auge está pra baixo hoje em dia.
No tempo do seu pai,
a Editora Dolmaire era fabulosa.
Livraria de rua.
O cheiro dos livros.
A escada de madeira com estantes...
A escada está lá, mas ninguém sobe mais.
Vou te contar um segredo.
No outono, vou pedir falência.
Tão ruim assim?
Vou tentar a última cartada,
mas preciso de grana que não tenho.
Eu tenho grana.
Posso injetar uma grana.
Se não ligar pra um investidor caipira.
Está brincando?
Nunca brinco com dinheiro. De quanto você precisa?
O que disse?
Duzentos mil.
Isso é tranquilo.
Duzentos mil é uma bolada!
Pra mim, menos de um milhão
vão e vem.
Então, se eu disser, por exemplo...
Duzentos e cinquenta mil?
Isso é vai ou...
vem?
Arredonda pra 300 mil.
Confirmo por mensagem hoje à noite.
Não sei como te agradecer.
Não agradeça.
Pela nossa bela juventude em Saint Germain.
André?
André?
Suas gotas!
Cadê ele?
André!
Tenho certeza de que algo aconteceu.
Sinto as tragédias nos ossos. Olha, arrepiei.
Louna, amor...
No Réveillon, você jurava que ele tinha morrido congelado.
Ele só estava tocando com os vizinhos.
Esquece seus ossos.
O bar da cidade tem shows.
Ele deve estar lá. Relaxa.
Acho que ele tem razão.
- Aconteceu algo? - Não acho o Vovô.
Não estava na praia?
Não, não tem ninguém lá.
Ele tem celular?
Sim, liguei e não atende.
Posso ver seu celular?
Obrigado.
Então, André, né?
Dédé.
Dédé, desculpa.
O ponto vermelho piscando é o Dédé.
Olha, está mexendo. Ele está se movendo!
Calma.
É muito longe!
"Em 800 metros, vire à direita."
"A 700 metros, vire à direita."
"A 650 metros, vire à direita."
"A 600 metros, vire à direita."
"A 450 metros, vire à direita."
- "A 400 metros, vire à direita." - Eu vejo, ele é meu pai.
Não. Você está envolvido emocionalmente, não vai pensar direito
"A 200 metros, vire à direita."
"A 150 metros, vire à direita."
Chega! Já ouvi que é à direita.
Então por que perdeu a entrada?
Merda.
Pare de falar a cada cinco segundos!
Quando dirijo, devo estar focado. Preciso de silêncio.
"Retorne assim que puder."
Ouviu? Retorna.
Sim, assim que puder.
Vá até Paris, se quiser.
Calma!
Fui eu que geolocalizei seu pai.
Papo de filhinho de papai aflorando.
Filhinho de papai?
O que quer dizer?
"Retorne assim que puder."
Eu sei, já ouvi!
Filhinho de papai, almofadinha.
Endinheirado sabichão, desdenhando do povo.
E o que isso tem a ver?
Só estou tentando dirigir o meu carro direito.
"Meu" carro,
"minha" clínica, "meu" dinheiro...
- Vai dar meia-volta ou não? - Pare de encher o saco!
Chega!
Essa gritaria está enchendo meu saco.
Ainda temos que retornar!
Calma. Me dá meu celular.
Viu?
"Meu" celular.
Por que está marcando 90 metros?
Bem no penhasco. O que é isso?
André!
André!
Qual é a sua? Meu pai não é cachorro.
- Ele não é um labrador! - Labradores voltam sozinhos pra casa.
Tem que vir do fundo do peito.
- André! - Jesus.
André!
Pai do céu.
André!
Não entendo. O pontinho vermelho parou de piscar.
André! Dédé!
Se não apita, ele não deve estar longe.
Inacreditável. Ele veio se jogar desse penhasco,
que nem elefante velho.
Quando sentem o fim chegando, eles se separam da manada...
Tchau.
É ele ali?
Aquela massa disforme, toda torta e nojenta?
- É uma pedra. Não está se mexendo. - Ao pular de 30 metros, a vitalidade cai.
Você pode...
Cala a boca, certo?
Pronto.
Te saquei.
Você é um sádico. Brinca com os nervos dos outros.
Não é isso que você faz com a sua broca?
E ainda é pago.
É tratamento, não prazer pessoal.
Canalha.
Se olha no espelho, fracassado.
Cyril, aqui!
Me esperem!
"Penhasco da Madeleine."
Que idiota!
Gente!
Devia ter percebido. Madeleine era o nome da minha mãe.
Ela morreu no último inverno.
Caramba.
Filho da mãe.
Não me deixam em paz.
Eu estava preocupado.
Preocupado. Cyril, escuta.
Tenho 80 anos, se lembra?
Eu sei, mas esqueceu da mãe bem rápido.
Como é que é?
Como se atreve? Amei sua mãe loucamente, e você sabe.
Mas era, como dizer, um amor de inverno.
Nos conhecemos em Nancy no meio de uma nevasca.
Um ano depois, nós nos casamos e estava nevando.
Você nasceu em março e estava nevando.
- Desculpa. - Com a Henriette
é um amor de verão.
Entende?
Um amor mais leve.
Mais passageiro do que eu tive com sua mãe.
Mas...
Na minha idade, é extraordinário.
Quero fazer um brinde
ao nosso querido dentista,
que nos presenteou este banquete de reis. Obrigado.
- Obrigado! - Obrigada.
Quero erguer minha taça
ao André e à Henriette por lembrar que o amor não tem idade.
Isso.
A neve nos teus cabelos não apaga o fogo
numa chama longa e cruel
Os lobos internos me consomem
- Aragon! - Aragon!
Os lobos do amor, claro.
À Henriette!
E às deliciosas rillettes de Le Mans?
Qual é, só estou zoando!
Só peço uma coisa:
nada de um irmãozinho ou irmãzinha.
Sem risco!
Vai saber? Eu estou inteiro!
Escuta essa.
Olha ele. Não dá pra acreditar!
À Henriette e ao Dédé!
À saúde e à felicidade.
- Um conhaque? - Não, obrigado.
Senta ali do lado do seu filho.
Você fez tudo. Eu faço isso. Pode ir sentar.
E aí?
Leu?
Li.
E?
Como posso dizer? Sabe, a literatura...
Quer dizer, não é bem a literatura, mas escrever...
é uma arte em que a subjetividade tem lugar de destaque.
Ou seja?
Os gostos e a sensibilidade de cada pessoa...
Com licença.
FECHADO EM 300 MIL ME ENCONTRA NO CHEZ WILL
Serei sincero com você, a Editora Dolmaire é careta demais
para bancar um projeto geracional.
Tá de brincadeira?
De jeito nenhum.
A Dolmaire ficou careta rapidinho.
Posso achar colegas mais propensos a...
Você é covarde demais pra dizer na minha cara!
O quê?
Não ouviu? É um covarde!
Estou protegendo o seu ego. Você quer ouvir o quê?
A verdade, Raphaël!
Ninguém quer isso.
Eu quero!
Seu livro é uma porcaria.
Não serviria nem para apoio de mesa bamba.
Então continua fazendo seu blog medíocre,
e não cuspa suas merdas na literatura.
Ela já está bem frágil, entendeu?
O que te deixa tão irritado
é que uma mulher bonita como eu possa sacudir o seu necrotério!
Sabe de uma coisa? Vá apodrecer com seus livros!
Claro.
E já que estamos sendo sinceros, você é o mais pão-duro que existe,
seu poesia e prosa bundão!
Agradeçam ao babaca por estragar a melhor noite do verão!
Oi, queridinhos!
Tive um dramão aqui. Acabei de peitar meu editor.
Ela disse "seu poesia e prosa bundão"?
Engraçado.
No meu tempo era filho da puta ou velho chato...
Poesia e Prosa era uma feira de arte um pouco superestimada.
Mas no dicionário da Dolly, quer dizer bundão.
Boa noite. Obrigado e tchau.
Raph...
Sinceramente, estou com raiva de mim.
Me odeio por ter acreditado nisso.
Seu livro vai dar o que falar.
O Dolmaire foi sincero comigo.
Uma garota das redes sociais com um intelectual
já começa esquisito.
Isso pesa uma tonelada.
Me dá o último gole aí.
Aí. Saúde.
Pelo capitão.
Valeu, camarada. Nada se joga fora.
Puxa, são pesadas.
Tenho que te agradecer.
Há muito tempo que não passava cinco minutos sem discutir com o Lucas.
Talvez juntas sejamos a mãe perfeita.
Qual a senha do cartão?
Pra quê?
Baixar um app de gamão.
Por que não brinca com os gêmeos?
Eles são superlegais,
mas bem superficiais e imaturos.
- Eles só têm oito anos. - Não é desculpa.
Tem que pedir a senha pro seu pai.
Passando a bola. Belos princípios educativos!
Qual a senha do seu cartão?
Sei lá. Vejo depois. Pega uma cadeira.
Não, são pesadas demais. Qual é a senha?
Disse que vejo depois. Pega uma cadeira.
E eu disse que são pesadas demais.
Vi o Cyril quase morrendo ali.
A senha, por favor?
Estamos na praia, larga o tablet.
Me dá a porra da senha, Eric.
Como é que é?
O que você disse?
A porra da senha, Eric.
Você é um babaca!
- Você está louco? - Estou de saco cheio daquele garoto!
QI alto, QE alto, diz-sei-lá-o-quê!
- O quê? - Chega!
Todos os discursos dele de vida e troncos flutuantes e tal!
Se um dia tivermos um filho, quero que seja burro que nem...
uma cadeira!
Se tivermos um filho?
Digo, se tivermos outro.
Acontece que eu já tenho um.
E não me peça pra escolher entre vocês pois vai ser fácil.
Alex!
Alex.
Alex.
Abre.
Alex.
Pode falar comigo.
Não conto pro seu pai.
Ele não é meu pai.
Não fala assim.
O que ele fez foi péssimo.
- Ele não devia ter batido em você. - Agressão física não leva a nada.
Você tem razão de estar com raiva.
Ele foi muito babaca.
Pensando bem, talvez eu merecesse o tapa.
Dói ouvir que o Eric cansou da minha suposta "diferença".
Não escolhi ser assim.
Abre a janela para respirar melhor.
Não funciona. Nada funciona neste carro.
Boa noite.
De novo, o povão lava a louça!
Vem ajudar em vez de reclamar.
Caramba!
O que foi?
Travei. Ai...
O Eric tinha razão. Você vendeu um rim pra alugar isso.
Não me faça rir. Estou travado e dói.
O que eu faço?
Pra começar, me dá um beijo.
Mais um.
Já estou melhor. Vem comigo.
Vamos vazar.
Os ricos lavam a louça amanhã.
Tem certeza?
Meu pai não é preguiçoso.
Ele só tem medo de fazer merda.
E mesmo assim, ele era muito talentoso quando era jovem.
Ele cantava em bares e em casamentos.
Uma vez, um produtor o chamou pra cantar em Mônaco.
Duas mil pessoas.
Incrível.
Ele não foi porque estava morrendo de medo.
Na real, o Dolmaire é parecido a ele.
Tudo que é novo o assusta.
É normal.
A vida dele também já ficou para trás.
Seu pai pode olhar pra trás, mas se importa com você.
A minha...
nunca liga nem deixa recado.
Nem uma mensagem.
Você não disse que seu pai perdeu os dedos?
Dito isso,
com uma filha como você, ruim ele não pode ser.
Você está salvando a minha vida.
Eu quase mancho minha reputação.
- Hora do champagne! - Eu aceito.
Obrigado.
À reputação da Editora Dolmaire.
Sabe, há anos uma lembrança me persegue.
É besteira,
mas é daquelas coisas que não dá pra esquecer.
Lembra como me chamava na escola?
Wilfried, eu acho.
Ou talvez...
Willou...
É isso?
Sim, no recreio.
Mas quando fui ajudar meu pai na peixaria.
Lembra a música que você e seus amigos fizeram?
- Não lembra? - Não.
Não?
Cheira a podre na rue Saint-Sulpice
Onde a gente viu o pequeno Wilfried Ballu
É o Wilfried Ballu
Wilfried Sardinha cheira a podre
É o Wilfried Sardinha
Wilfried Sardinha já foi embora!
Agora me lembrei!
Nessa idade, a gente é besta demais.
Tínhamos dez anos. Era zoeira inocente.
Cinco colegas gritando todo dia que você fede.
Até na cara do meu pai.
E o que sente sobre aquilo?
Bem, quer dizer...
Guarda rancor depois de 40 anos?
Claro que não.
Posso até dizer
que construí minha vida graças a essa raiva.
Pois é.
Toma.
Obrigado.
Eu me prometi uma coisa...
que um dia você pagaria por isso.
Cai fora.
Que se danem você e sua editora.
E agradeça que não te dê uma surra.
Vaza.
Se...
Se eu morresse antes de você, que tipo de cara você iria procurar?
Que pergunta idiota é essa?
Não quero pensar nisso. Você é besta ou quê?
Acho que sou.
É por causa do Dédé. Eu olho pra ele e...
Tem razão, é bobagem. Esquece.
De preferência, britânico,
alto,
loiro,
com cabelo longo e sedoso.
Sério?
Engraçado isso, porque eu justamente estava pensando
que eu sou mais ou menos esse tipo de cara.
Você fala inglês?
- Sim. - Sério?
Sim, falo.
Falo muito bem.
Noite calma hoje, né?
É.
Para variar um pouco.
Você não perde tempo.
Quer um cafezinho?
Sim, por favor.
Esse suco de laranja é meu!
Meu suco de laranja.
Está ótimo.
- Quer brioche? - Não, valeu.
Com Nutella?
É, Nutella.
É gostosa.
Não é orgânica, mas é gostosa.
Alex e Daphné dormiram no carro.
Boa sorte, camarada!
Boa sorte? Só isso que vai dizer?
Chama todo mundo de camarada, mas na hora do aperto,
não faz nada.
Belo espírito de equipe!
Sou eu. Eric.
É o papai. Trouxe brioche com Nutella.
Alex, desculpa. Não sei o que deu em mim.
Não é verdade.
Não estou de saco cheio de você.
Tenho sorte de ter um filho tão...
inteligente e culto.
O burro sou eu.
Pior que uma cabra.
Vai, Alex. Abre a porta.
Também tentei, mas ele não abriu.
Não quero ser o tipo de pai que não fala com o filho.
Quero te ajudar.
Juntos somos mais fortes.
Somos mesmo.
- Mais pesados também. - É, um pouco.
Bom dia.
Bom dia, Dolly.
Sabe o que me fez amar literatura?
A poesia.
Por isso decidi suceder meu pai.
Na sua idade eu lia Mallarmé, Rimbaud, Verlaine...
Bebia absinto.
Andava de bengala, de olhar intenso...
Enfim, eu não tinha personalidade.
Por isso eu peguei uma emprestada.
Nunca ouvi uma desculpa tão ruim!
Nem eu. Que mico.
Mas é sincera.
Não cabe a mim julgar seu livro.
Afinal,
talvez seja literatura.
Mas não pra um cinquentão metido, falido e ciumento.
Sim, ciumento
de ver você dominar o mundo enquanto...
meu horizonte vai sumindo sem parar.
Meus amigos!
Problema na casa dos Berger. O garoto não quer sair do carro.
Estou indo.
Eu saio pelo outro lado.
Nado borboleta?
Mamãe me contou da sua amiga por correspondência.
Devia ter me contado.
Queria o carro pra visitá-la?
É melhor pegar um avião para ir até a Dinamarca.
Ela não está na Dinamarca.
Onde ela está?
- Em um camping. - A duas horas daqui.
Como sabem disso?
Não sei.
Então tá...
Vamos!
- Pra onde? - Pro camping, pra achar a...
- Else. - Else.
Else, isso.
Alex, quer ir na frente?
Sim!
Espera!
Afinal, sequestrar uma princesa é coisa de homem.
Ele não levou outra roupa.
Compram algo no caminho, e ele vai ficar bonito pra "Else".
Ele não pegou a brioche nem comeu nada.
Tem 14 anos. Dá um tempo.
- Vamos beber um spritz! - São 9h da manhã.
E daí? Sua fresca!
Está com medo de quê?
De nada.
Bom...
Nessa velocidade,
ele vai achar a princesa no Natal.
Desculpa, mas o limite é 90 por hora e está cheio de radares.
Não há nenhuma emoção aqui.
Escuta,
esse bicho voa baixo.
Vai, Ricou.
Solta o pé. Só se dirige devagar quando já está morto.
Ele tem razão. Não é só um carro.
É o carro do futuro.
E a estrada está vazia.
Deixa os cavalos galoparem.
Gasta pneu nessa estrada linda. Solta o pé.
Agora, sim!
Puta merda.
Droga. Não era pra correr tanto.
De repente...
Que merda.
Quer que eu fale? A sabedoria conquista as mentes simples.
Não, obrigado. Eu resolvo.
Bom dia. Polícia rodoviária.
- Bom dia. - Olá.
Olá.
Sabia que desde novembro de 1974 há limite de velocidade?
Sim, claro que sei. É que...
A gente...
Estamos numa...
missão.
Nada disso. É que meu filho...
Enfim, o garoto está apaixonado,
e vamos ver a princesa dele no camping.
Certo.
Documentos, por favor.
É uma cruzada do amor e reconexão de pai e filho.
Mesmo que não seja bem o pai dele.
Claro que sou o pai dele.
É...
Claro que sou o pai dele.
Tem razão. Geneticamente, não é bem assim.
Tá, mas não é hora pra esses detalhes.
Fui eu que te criei.
Foi, mas geneticamente, não é.
Sr. Policial, já leu
É sobre um garoto rico como ele,
vagando por Nova York
pouco antes do Natal.
Como ele, nunca ficou paralisado pela ansiedade incontrolável
de virar adulto?
- Acho que não funcionou. - Estou hipnotizando o homem.
Boa viagem.
Obrigado, oficial. Bom dia!
E vai te catar.
Tirou dois pontos e me multou por 135 euros!
Salinger é oito ou oitenta.
Aqui foi oitenta.
Agora não, Brinca. Não é hora.
Brinca?
- O jogador? - É.
Cada gol ele me agradece com um poema.
Uma lesão poderia me salvar disso.
Bonito. Parece Pessoa.
"Perdi minha fauna selvagem
nas canas do lago de vidro."
Agora fala português?
Tenho noções básicas.
Olha.
Ali, à esquerda.
230...
229...
Quanta cabaninha!
Pois é.
228...
Alex!
Olá.
Quem é esse velho tarado?
É meu pai.
E nem é tão velho.
Que bom que agora pude associar um rosto ao seu nome.
Alexandre fala de você nas cartas.
Fala?
"Meu pai é um baita dentista.
Meu pai isso, meu pai aquilo..."
E a Else de mim fala o quê?
Um monte de coisa.
Tudo coisa boa, ainda por cima.
Tipo o quê?
Não sei, porque está em dinamarquês.
E o Alexandre não é de falar.
A gente gosta de deixá-lo no cantinho dele.
Contanto que diga "te amo".
Isso é essencial.
Foi mal, Helmut, não fazem mais pizza de arenque.
Trouxemos o que tinha.
"Quando uma estrela cai,
uma alma sobe a Deus."
É lindo.
Adoraria publicar poesia,
mas os poetas são complicados na França.
Temos um ótimo pra você.
- Quem? - Brinca.
Brinca não é poeta.
É sim, não seja bobo.
O cara tem 200 milhões de seguidores.
Nem todos leem, mas coloca uns emojis, e vai chover grana!
Helmut! É guerra.
Palm Grove nos desafiou, precisamos de jogadores. Bora!
Vem rápido!
Quem é Palm Grove?
O camping do lado.
Cinco estrelas, cheio de playboy bombado, TV a cabo, piscina de ondas,
e tudo mais.
Ótimo! Rapazes, vamos acabar com eles!
O saque é nosso!
Lixo, Palmeiras Grove é lixo!
É disso que estou falando!
Parece que com a Else está indo bem.
O que foi?
Não é coisa que um pai pergunta ao filho?
Tá bom, não responde. Respeito isso.
Então, eu pensei...
quer ficar a semana toda?
Falei com o Helmut. Ele não tem problema.
E a mãe?
Eu falo com ela.
Sabe...
A gente vai mudar o esquema.
Vou tentar trabalhar menos.
Estar presente
com mais frequência.
Ainda tenho empréstimos pra pagar.
Do apartamento, do consultório, do carro...
Mas se eu ralar pesado,
em 10, 15 anos no máximo,
estou 100 por cento disponível pra você.
Queria te dizer também...
Quero que você saiba que...
Não estou acostumado a fazer isso...
Quero que você saiba que...
50 euros podem não dar pra semana.
Também te amo, pai.
Obrigado.
Estou achando que tenho com prostatite.
Tanto faz! Nem é órgão vital.
Você não é meio hipocondríaco?
Não pode ser!
É impossível!
O quê?
Sim.
Ainda bem que ele não olhou pra baixo.
Ele está aqui! Droga, é hoje!
É o destino! Partiu!
Destino de quem, exatamente?
Não estou entendendo. A gente só vai pra casa.
Mudar os planos de última hora? Não dá.
GÉRARD LENORMAN SHOW EXCEPCIONAL
Qual é a sua idade? É só um show.
Não, senhor, não é "só um show".
Lenorman é um cara extraordinário.
Teve mil vidas. Escreveu pra Bardot, né?
Fez musicais, até correu o Dakar.
E isso mexe com a gente?
Vendeu milhares de discos também.
Traduzidos no mundo todo. Fez "Gente Feliz".
Isso, a gente feliz,
coletes amarelos, camisas floridas...
Você vive numa utopia.
- Talvez. - Isso é bom.
Enquanto isso, ele ganhou aquela...
Aquela medalha das artes e tal...
e do mérito.
Isso mesmo!
Deve convencer o cabeção.
Por que você virou?
Me diz que não é verdade! Não dá.
Como conseguiram ingresso de última hora?
Dois anos atrás, antes de um show, ele teve um abscesso.
Chega de dente! Curte o show.
Que dentista atende após às 20h?
A coroa dele era um desastre...
Cala a boca e curte o show.
Isso aí, gente.
Eu não ajo como uma princesa, ajo?
Nós somos princesas.
- Simples assim. - Verdade. Somos princesas.
Lá vou eu!
Mergulho da meia-noite é pelada, mas não estou pronta pra isso.
São as melhores férias da minha vida!
Total!
Vou te ver em Paris?
Me falaram
que hoje na plateia tem...
escutem bem...
meu maior fã.
E queria que ele viesse cantar comigo.
O nome dele é
Cyril Toussaint.
Tem outro Cyril?
Estou te convidando para subir aqui.
Como ele sabe disso?
Ele sabe a letra!
Isso!
Você canta sempre?
Sem querer encher o saco, mas...
eu poderia conhecer o jogador?
Aquele dos 200 milhões de seguidores?
Esse mesmo.
Nós três podemos ir num jogo. Assim eu conheço o Brinca.
Pode ser bom pra mim.
Tá bom, fechado.
Todo mundo!
Sr. Lenorman, muito obrigado.
Me chama de Gérard.
Obrigado, Gérard.
Gente,
já falei que foi o melhor dia da minha vida?
- Já falou. - O melhor dia da minha vida!
Mostra o vídeo.
Vai, vai!
Mostra o vídeo de novo.
Deixa o homem ver.
Melhor impossível.
Gente,
tive uma ideia meio boba.
Minha família tem um apartamento em Megève.
Querem passar o Ano-Novo juntos?
- Por que não? - Bora.
Você está brincando?
Ótimo.
Se a Editora Dolmaire escapar da falência graças ao Brinca,
o champagne é por minha conta.
De jeito nenhum.
O champagne é por minha conta!
Venham de mãos vazias. São meus convidados.
Ouviu, Cyril? Os ricos vão bancar!
É...
As estradas pra Paris...
mudaram, não acham?
Estranho demais, porque não estou reconhecendo Paris.
Paris?
Se não se importa,
vamos terminar as férias antes, tá?
Cyril.
- O que houve? - Ele não tá bem.
- Cyril. - Merda.
- Porra, merda. - Cyril.
Está me ouvindo?
Como ele está?
- Colocamos Soradol. - Ótimo.
O que é Soradol?
Contatamos o hospital onde ele é tratado.
Tratado?
Desculpa, achei que sabiam. Podem entrar para vê-lo agora.
- Saber o quê? - Soradol
é um remédio dado a pacientes que têm...
câncer.
Olá, camarada.
Como você está?
Nunca estive melhor.
Contou pra Louna?
Não.
Eu queria passar
bons momentos com ela...
Só curtir a vida.
Não dar notícias ruins.
Você devia contar.
Antes que ela descubra sozinha.
Você tem razão.
Então...
- A gente vai saindo. - Esperem.
Quem é seu oncologista? Quais as opções?
Eu conheço o Dr. Doukan
no seu hospital.
Nem preciso dizer que não somos iguais.
Na saúde, pior ainda.
Vamos deixá-lo descansar. Liga depois para ele.
Com câncer não tem "depois"!
Vamos!
Quanto tempo ele tem?
Não sei quais são as chances dele.
Isso não é matemática.
Se acontecesse comigo, eu saberia.
Uma chance em dois não é igual a uma em três.
Não é?
Que chances
temos de que você fique com a gente?
Que chances?
Quer a verdade?
Quero.
Uma em quatro.
Mas, olhem,
não façam essa cara.
Tem que ver o copo meio cheio: tipo uns 25 por cento.
Imagina um empréstimo a 25 por cento. É muita grana!
A partir deste verão, passei a acreditar em milagres.
Se não fosse isso, como passaríamos as férias juntos?
Sério! Não é um milagre?
Seu bobo.
Por que você não me contou?
Porque
eu queria que a gente vivesse o melhor verão de todos.
O verão não acabou.
Não, não acabou.
Nada acabou.
Não, nada disso.
Além disso, o pessoal pagou dois terços do aluguel.
Estamos com grana
então...
Sim, meu amor.
Pensei melhor.
O cara com eu iria ficar...
não quero que seja britânico, alto, loirão, de cabelo sedoso.
Não quero outro.
Você está certíssima.
Eu tenho tudo que preciso.
Alex!
Camarada!
E aí, seguidores! Me reconhecem? Raphaël Dolmaire.
- O bundão. - Pra quem sabe das coisas.
Estou abrindo um novo setor.
Vai se chamar "Poste sua Poesia". Sabem quem me deu a ideia?
Foi a Dolly Di.
Então, eu a escolhi, se ela topar, para ser minha sócia.
E ela disse...
Sim.
Ela topou! Demais!
Excelente!
Até mais, queridinhos.
Hahaha!
Aceita uma gelada, camarada?
E o papa é católico?
Não tem, não!
Você vai de vinho tinto.
Que se dane a plebe!
Amigos,
preciso dizer uma coisa...
que é...
eu nunca pensei que ia me dar bem
com o Dr. House e o Aragon,
com a princesa Daphné,
nem com a Dona Influencer...
Obrigado. Guardarei bem aqui.
Saúde!
Saúde, filho! Esse é meu garoto.
Eu te amo.
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