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Neste projeto, há o grande mistério do tempo.
Fotografei geleiras por 30 anos,
mas só quando estive aqui, em 2005,
entendi pela primeira vez que podia ficar na base de uma geleira
e ver o tempo ali mesmo, no gelo.
Podia sentir a morte da geleira.
Percebi então: "Meu Deus, dá para tirar uma foto disso".
Dá para enquadrar isso
e dizer algo que toque o coração humano.
Muito depois de essas paisagens sumirem,
muito depois de todos os vivos hoje sumirem,
haverá um registro dessas características transitórias
preservado nas fotos.
Legendado por Cabine de Projeção
Tradução: Lzito
Agora tenho 69 anos.
Quase um terço da minha existência nesta terra foi dedicada a elas.
Certo, mãos à obra.
Trabalhar com o Jim sempre foi o emprego dos sonhos.
Fotógrafo da National Geographic, matéria de capa,
indo para a Islândia, Alasca e Groenlândia.
Aventuras épicas com apenas 20 anos.
Tem todo esse outro caminho que aprendi com o Jim,
sobre ver como ele via o mundo, como via a mudança acontecer,
como pensava sobre tempo, lugar e paisagens.
As ruínas de uma cidade perdida.
Faz três anos que trabalhamos juntos,
então esta semana foi bem-vinda.
A sensação é quase a mesma da primeira viagem, 17 anos atrás.
Vai ser difícil superar essa foto.
Mas vamos tentar.
Vamos.
Há uma verdade sobre a natureza que tento abordar.
Pelo ângulo da arte, da ciência e da exploração física.
E, num sentido muito significativo, pelo ângulo espiritual.
Não estou aqui só tirando fotos e congelando as pontas dos dedos.
Eu sinto a essência espiritual desta paisagem o tempo todo.
Tem muito a ver com o que me atrai de volta.
A Islândia é um lugar muito especial para mim.
É como um primeiro amor.
É o primeiro lugar onde o gelo,
como manifestação da mudança climática, fez sentido para mim.
Ao ver aquelas torres de gelo desmoronando,
o Extreme Ice Survey nasceu.
No projeto, colocamos 28 câmeras em 21 geleiras
na Groenlândia, Islândia, Alpes, Alasca e Montanhas Rochosas.
Lá vamos nós.
As câmeras são programadas para fotografar a cada hora de luz.
No fim, teremos mais de 200 mil fotos
que serão montadas em vídeos time-lapse.
E esse será o registro do mundo em fluxo.
Nunca pensei assim, mas sinto que minha vida tem um propósito nisto.
Faz muito sentido.
Foi para isso que vim ao mundo.
Estou preocupado com a queda de rochas.
Ela foi feita para aguentar o impacto.
Entrei no projeto como diretor de fotografia
para filmar tudo o que a equipe fazia.
Com os registros, James começou a apresentar o trabalho.
Nunca esperamos estar aqui 15 meses depois
e ter o tipo de material que estamos prestes a mostrar.
Olhamos para um penhasco de gelo de 30 andares.
É este o visual da geleira fluindo para o mar e se partindo,
já em fase de recuo.
Pela resposta do público,
sabíamos que precisávamos transformar isso em filme.
Pegamos todos os vídeos e fizemos um documentário chamado Chasing Ice.
Nosso próximo convidado está neste novo documentário
fascinante e cativante: Chasing Ice.
Senhoras e senhores, digam olá a James Balog.
Muito obrigada por vir.
Este filme, Chasing Ice, é impressionante.
Li seu livro, vi seu filme e, de repente, entendi tudo.
Após o lançamento do filme, Jim continuou.
Estamos no ano 8 agora.
Não faço ideia de onde é o fim.
Apenas continuo seguindo.
A cada ano, produzimos centenas de milhares de fotos.
E quando espera concluir este projeto?
Não sabemos se este projeto será concluído algum dia.
Este projeto traz muito estresse, ansiedade e risco.
Fiz uma quarta cirurgia no joelho.
Depois tive que substituir o quadril direito.
E, além disso, fui atingido pela temida palavra: câncer.
Muitas vezes pensei que o projeto tinha que acabar,
em razão do meu próprio cansaço.
Este tem sido um projeto incrivelmente caro.
Todas essas viagens, elas se somam, se somam, se somam.
Não posso fazer isto para sempre.
Aqui é janeiro de 2009. Tudo se alinhando: 2, 3, 4, 5.
No começo do Extreme Ice Survey, falavam da mudança climática
como algo abstrato e em algum lugar no futuro.
As câmeras tornaram tangível
a evidência visual da mudança climática.
Essa é a contribuição que o Extreme Ice Survey deu à história.
Se for só isso que eu levar para o túmulo, estou feliz.
Percebi que é hora de dizer adeus a este projeto.
Então comecei a retirar algumas câmeras.
E agora só resta uma câmera, na Islândia,
onde tudo começou.
Estava temendo retirar esta câmera.
Tirá-la marca o fim de algo que tem sido incrivelmente importante.
Muito da identidade dele
está física e espiritualmente ligada àquela caixa e àquela câmera.
Por isso, acho muito mais difícil para ele encerrar esta parte.
A maior lição que aprendi com James é perseverança.
É difícil trabalhar com ele e não aprender isso.
Você o vê indo ao extremo e ao limite,
e ele apenas continua.
Tem coisas que você tem que fazer.
E percebe que não há atalhos...
para algumas coisas na vida.
O Extreme Ice Survey é sobre provas.
Eu era meio cético sobre a mudança climática.
Não tinha certeza se acontecia, 25 anos atrás.
Não achava que humanos poderiam
alterar o caráter fundamental do sistema físico em que vivemos.
E eu estava errado.
Está claro. Temos as medições.
Os fatos estão aqui.
Não é algo sobre o qual se tem uma opinião.
É apenas ciência.
Ao olhar fotos tiradas há apenas 20 anos,
as geleiras são robustas e largas.
Como se avançassem.
E agora elas recuaram e estão finas.
Estão derretendo.
No mundo todo, as geleiras mostram a mesma tendência.
Há um sinal global.
O clima está aquecendo e as geleiras, encolhendo.
Desde 1930, agricultores locais se voluntariam
para ir uma vez por ano fazer medições e coletar fotografias.
Alguns são muito dedicados a isso.
Sentem como se tivessem uma geleira adotiva.
Como a Islândia é a terra de vulcões e geleiras,
sinto que estamos perdendo parte da identidade.
O gelo não é só essa coisa grande, estática, fria e morta.
Há uma vida aqui.
Há uma vida geológica
numa escala de tempo diferente do que percebemos.
São lugares vivos, que respiram.
E estão morrendo.
Literalmente, penso nisso todo dia.
E é por causa do câncer que sou forçado a pensar nisso.
Jamais esquecerei de estar atordoado no consultório
e caminhar pelo corredor...
...e ver a enfermeira chorando.
James me ligou e lembro dele contando sobre o diagnóstico.
Nunca recebi uma ligação dessas de ninguém.
Não sabia... E agora?
A quimio foi terrível, os remédios, terríveis.
Ele só tem lutado para sobreviver.
Inacreditável.
Olha só.
Aí está a câmera.
Ainda de pé.
A caixa foi branqueada pelo ultravioleta.
Uau.
15 anos. Quem diria, hein?
Nunca imaginei que ainda estaríamos aqui em cima 15 anos depois.
Graças à medicina moderna, o câncer não é uma sentença de morte
instantaneamente, pelo menos o tipo que tenho.
Ainda se paga um preço, não é fácil.
Não é como tomar aspirina uma vez por dia. Com certeza não.
Ainda está em mim. Não foi embora e nunca irá.
Mas ainda estou aqui.
O câncer me ensinou como a vida é preciosa.
O fato de abrir os olhos de manhã e ver o sol...
Isso é incrível.
A chave que une todas.
- A chave mágica. - A última chave.
Boa camerazinha, esta aqui.
Bem, vamos ver se funcionou.
Olha só.
Nossa.
É de hoje de manhã.
Conseguimos.
Acabou.
Como pode?
Há quase uma sensação tipo...
Será que cometemos um erro?
Adeus, minha fiel companheira.
Tanto sofrimento para colocar isto aqui.
E agora...
Acabou.
Desde que fui à Islândia, em 2005,
perdemos algo em torno de 13 trilhões de toneladas de gelo,
o que já elevou o nível do mar em mais de 5 centímetros.
Isso é real, específico, medido, quantitativo, não hipotético.
Está acontecendo enquanto vivemos.
É uma mudança monumental.
Aqui está a prova visual.
15 anos de filmagem.
Assim era o gelo.
Sem a foto, sua mente não reteria a memória do que havia lá.
Esta era a Columbia em 2008.
Isto é o que se tornou em 2019.
Nunca imaginei ver rios e lagos se formarem
no decorrer deste projeto, e aqui estão eles.
O gelo será uma representação para as pessoas, daqui a 100 anos,
de como esta civilização fracassou.
A Islândia inaugurou uma placa na geleira Okjökull,
a qual foi a primeira no país a derreter devido à mudança climática.
A geleira Okjökull cobria 15 km² da encosta da montanha.
Agora mal tem 1 km² e menos de 15 metros de profundidade.
Nos últimos 20 anos, perdemos várias geleiras.
Na verdade, tivemos a ideia de fazer
uma lista de geleiras ameaçadas e de geleiras mortas.
UMA CARTA AO FUTURO: OK É A PRIMEIRA A PERDER O STATUS DE GELEIRA
NOS PRÓXIMOS 200 ANOS, PREVÊ-SE QUE TODAS AS NOSSAS GELEIRAS SIGAM O MESMO CAMINHO
ESTE MONUMENTO ATESTA QUE SABEMOS O QUE ACONTECE E O QUE DEVE SER FEITO
SÓ VOCÊS SABEM SE CONSEGUIMOS AGOSTO 2019 - 415 PPM CO2
Acho que temos os óculos para ler tudo isto,
mas, de alguma forma, não conseguimos traduzir
numa linguagem que todos entendam.
As pessoas sabem o que podem fazer, mas não fazem.
Podemos ser muito melhores.
Nenhuma foto muda o mundo sozinha.
Ninguém muda o mundo sozinho.
Minha contribuição foi com minha fotografia e histórias.
Cada um de nós tem uma história para contar.
E juntas, todas as nossas histórias podem remodelar o futuro.
O EXTREME ICE SURVEY INSTALOU 72 CÂMERAS
EM 48 GELEIRAS, GERANDO 1,75 MILHÃO DE FOTOS
CENTENAS DE FOTOS FORAM SELECIONADAS
PARA O ACERVO PERMANENTE DA BIBLIOTECA DO CONGRESSO
COM TRATAMENTO MÉDICO RIGOROSO,
O CÂNCER DE JAMES ESTÁ EM REMISSÃO
EM 2023, JAMES E A SOCIEDADE GLACIOLÓGICA
INICIAM UM PROJETO DE CIÊNCIA CIDADÃ
A EQUIPE INSTALOU MONUMENTOS NA ISLÂNDIA
PARA COMPOR UM TIME-LAPSE COLABORATIVO
COM ESTE PROJETO, O LEGADO DO GELO PERDURARÁ POR GERAÇÕES
Legendado por Cabine de Projeção
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