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Esse � o major William Anders,
da for�a a�rea dos EUA e astronauta da NASA.
Nossa, veja aquela imagem ali!
� a Terra aparecendo. Nossa, � linda!
Eu n�o sabia o impacto que teria na sociedade.
Me d� um filme colorido.
-�timo. Onde est�? -R�pido.
Estava em contraste com um horizonte lunar �rido
que enfatizou a beleza da Terra.
Tire v�rias fotos.
Borman recebeu um telegrama
que dizia: "Obrigado, voc� salvou 1968".
Deixe-me pegar o cen�rio perfeito.
Calma, Lovell.
Se pud�ssemos colocar todos os integrantes da ONU na Apollo,
em retrospecto, talvez tivessem aprendido a se dar bem.
Voc� pensa que pode morrer voando em uma espa�onave?
N�s sabemos que podemos morrer tanto em uma espa�onave
como em um T33 ou T38 ou dirigindo meu Corvette.
Essa � uma das certezas da vida para todos.
Mas n�s temos um trabalho que � muito fascinante,
pelo qual nos interessamos e cujo risco vale a pena.
Eu estava em casa, aparando a grama,
quando meu amigo, Alan Bean, me ligou
para falar que houve um inc�ndio.
E tr�s pessoas estavam mortas.
Como eu era o mais pr�ximo de uma das vi�vas,
me pediram para contar a Pat White
que seu marido havia morrido.
O inc�ndio na Apollo 1 pegou todo mundo de surpresa.
Mas, sinceramente, se n�o fosse por esse inc�ndio,
todo o programa Apollo teria sido um fracasso muito maior.
Em �rbita ou qualquer outro lugar.
A ideia de fazer um teste de pressuriza��o com 5% de oxig�nio
acima da press�o atmosf�rica foi estupidez.
Como a NASA foi t�o est�pida?
Ent�o eu pensei: "No que mais eles n�o pensaram?"
A d�cada de 1960 foi um per�odo
em que os EUA estavam mal das pernas.
A guerra no Vietn�.
Os assassinatos de Martin Luther King
e de Robert. F. Kennedy.
Por qu�? Por qu�?
Por qu�? Eu n�o sei.
Havia pessoas preocupadas com a polui��o urbana
que protestavam em frente a usinas el�tricas
usando m�scaras de g�s.
Pessoas que se preocupavam com a destrui��o dos Grandes Lagos,
com derramamento de petr�leo em Santa Barbara.
Os EUA e a URSS
ainda estavam envolvidos em sua corrida armamentista.
Quando vemos os problemas
que estavam em destaque para as pessoas,
o que inclu�a o potencial para uma guerra termonuclear,
tudo isso deixava aquela �poca deprimente para um conflito.
Eu achava que a corrida espacial com a Uni�o Sovi�tica
era uma extens�o da pr�pria Guerra Fria.
Est�vamos muito preocupados com a possibilidade
da Uni�o Sovi�tica atacar os EUA.
Sempre que nos d�vamos conta, os russos estavam � frente.
Eles enviaram Gagarin.
5 de maio de 1961. Alan Shepard aguarda.
Entendido. N�s voamos, e o rel�gio est� contando.
A NASA, com a ajuda da CIA, disse que a Uni�o Sovi�tica
planejava enviar um voo para dar a volta na Lua.
A ideia de eles nos derrotarem
era muito inc�moda para mim.
Ent�o, quando a Apollo surgiu,
eu achei que era um jeito ainda melhor,
um jeito definitivo,
de provar que o capitalismo era a melhor sa�da.
O incr�vel em rela��o � Apollo 8
foi a velocidade com que aconteceu.
N�o foi planejado a longo prazo.
O que a NASA decidiu
foi envi�-la para dar a volta na Lua
com os astronautas dentro, sem separar nada,
e s� trazer de volta � Terra.
Eles iam contornar a Lua e voltariam para a Terra depois,
orbitando a Lua algumas vezes.
Esta � a Lua,
a primeira parada do homem a caminho de explorar
nosso sistema solar.
A Apollo 8 se tornar� a 1? espa�onave tripulada
a usar o melhor ve�culo de lan�amento dos EUA,
o Saturn 5,
porque essa � uma miss�o sem precedentes,
e seu destino � a Lua.
Em nossa equipe na Apollo 8,
eu era 4 anos mais novo que Borman e Lovell,
mas era muito mais inteligente do que eles.
Eu n�o tinha ido ao espa�o,
portanto, tecnicamente, eu era o novato.
Eu me tornei uma esp�cie de engenheiro de voo.
Eu cuidava do m�dulo de comando e de todas as v�lvulas e bot�es.
Borman cuidava da trajet�ria, e Lovell, da navega��o.
Eu mergulhei completamente
nos v�rios sistemas da espa�onave
e me especializei muito.
Como tripula��o, fic�vamos no simulador
durante o dia todo e a noite toda,
e isso causava um impacto na fam�lia.
Eu fiz um c�lculo uma vez que mostrou que eu passava
10 minutos com cada filho por semana.
Isso era dif�cil.
Para eles e para mim.
O qu�o perigoso �?
Projetamos a Apollo. Dissemos que �amos � Lua.
Quando decidimos avaliar os detalhes
e confirmar nossa ida, as pessoas surtaram.
L� est�vamos n�s.
Seria a primeira vez em que uma tripula��o decolaria
em um ve�culo nunca antes testado.
Valerie, minha esposa, estava acostumada
com a morte e acidentes de colegas astronautas.
Eu sabia que era arriscado, ent�o eu tinha duas fitas.
Uma para tocar para meus filhos no Natal,
e uma para tocar s� para Valerie,
caso algo desse errado.
21 de dezembro de 1968,
o dia mais curto do ano, mas, em import�ncia,
talvez um dos mais longos no fluxo da Hist�ria.
A NASA vai usar um novo conceito para montar o Saturn 5.
O foguete Saturn 5 � um monstro gigante.
A montagem ser� feita em um edif�cio
com mais de 50 andares de altura.
3.400.000kg de propuls�o.
Um ve�culo com esteiras
carrega a espa�onave e sua torre de lan�amento
� plataforma de lan�amento.
Cinco motores enormes
se movimentavam para frente e para tr�s
para manter a coisa vertical.
Com todos os preparativos prontos,
o objetivo final, a viagem � Lua,
ser� iniciado.
Contagem regressiva: 15, 14, 13, 12, 11,
10, 9...
A sequ�ncia de igni��o come�ou.
Os motores est�o ligados.
4, 3, 2, 1, 0.
N�s temos uma decolagem.
-Temos uma decolagem. -O tempo est� passando.
Decolagem realizada �s 7h31, hor�rio local.
Eu fiquei maravilhado quando aquilo decolou.
Como nosso treinamento tinha sido ruim!
Deixamos a torre.
Entendido.
-Est� ouvindo bem, Houston? -Perfeitamente.
N�s n�o t�nhamos treinado para nada parecido com aquilo.
Eu me senti um rato na boca de um terrier gigante.
O painel de controle era um borr�o na minha frente.
Muito bem. Parece �timo.
�timo.
Se eu tivesse um problema e pedisse a Borman para abortar,
n�o conseguir�amos nos ouvir.
Frank, com grande sabedoria,
tinha tirado a m�o do cabo de abortar
porque pilotos militares
preferem morrer a passar vergonha.
Se algo desse errado,
n�s acabar�amos em uma bola de fogo.
Certo, Houston. Vamos para o 1? est�gio.
Quando o 1? est�gio desacoplou,
n�s fomos, de repente,
de uma acelera��o de 6g a uma acelera��o um pouco negativa.
Voc�s veem um S1C, o 1? est�gio est� desacoplado.
Instintivamente, joguei as m�os para cima,
porque me senti sendo catapultado
em dire��o ao painel de controle.
Agora o 3? est�gio coloca a espa�onave
na �rbita estacion�ria da Terra.
Borman me disse em tom �spero
para eu n�o perder tempo olhando pela janela.
Eu dei uma olhadinha quando passamos por LA,
porque San Diego � minha cidade natal.
A ideia de ir para a Lua estava al�m da minha imagina��o.
Certo, ITL liberada. C�mbio.
Entendido. Vamos prosseguir com a ITL.
ITL, inje��o translunar.
Esse era o objetivo.
Borman, Lovell e Anders estavam prontos para a manobra
que os levaria para a Lua.
Ap�s cerca de uma �rbita e meia,
n�s ligamos novamente o propulsor do 3? est�gio...
Igni��o.
...para nos levar mais r�pido para a Lua.
Os astronautas v�o passar a maior parte da viagem
em macac�es leves.
Certo, Houston, est� tudo certo.
O trabalho de Frank Borman era cuidar do propulsor.
Depois, ele se preocupava em ter que fazer manobras.
Jim monitorava para Frank e ficava de olho
no que estava diante dele no painel de controle.
Apollo 8 estava viajando mais r�pido
do que qualquer outro homem.
O meu trabalho era garantir que a espa�onave funcionasse,
ent�o era algo cont�nuo verificar tudo
e garantir que todas as luzes e controles estavam funcionando.
Esta transmiss�o est� indo at� voc�s
do meio do caminho entre a Lua e a Terra.
Faltam cerca de 40 horas para chegarmos � Lua.
Quando eu olhava para tr�s, para fora da espa�onave,
era interessante observar o nosso lindo planeta
ficando cada vez menor.
E eu tamb�m pensava:
"L� vai ele. Ser� que eu vou voltar?"
Nos d� uma ideia de como � a� de cima.
Eu posso ver a Terra toda agora da janela central.
Consigo ver a Fl�rida,
Cuba, Am�rica Central.
Na verdade, vejo at� a Argentina,
passando pelo Chile.
Voc�s escolheram um dia bom.
Agora vem chegando a hora do maior objetivo da miss�o.
A inje��o na �rbita lunar, ou IOL.
O acionamento do m�dulo de servi�o
colocaria a Apollo 8 na �rbita da Lua.
Se o foguete n�o funcionasse depois daquilo,
ficar�amos l� para sempre.
Apollo 8, aqui � Houston.
A 68 horas e 4 minutos de miss�o, a IOL est� liberada.
Vemos voc�s do outro lado.
Uma vez na �rbita lunar com aquela espa�onave,
se o foguete na espa�onave n�o funcionasse,
o foguete menor,
n�s nos tornar�amos um monumento permanente
da decis�o ruim da NASA.
Agora o Controle da Miss�o e o mundo s� podem esperar.
Esperar pelo primeiro contato com a Apollo 8
quando ela surgir por tr�s da Lua.
Apollo 8, aqui � Houston. C�mbio.
Quando entramos na sombra da Lua,
ficou um breu.
Ainda n�o ouvimos nada, mas estamos de prontid�o.
Depois, n�s fomos para tr�s da Lua,
e eu olhei por cima dos meus ombros,
e era um breu s�, sem estrelas,
e eu fiquei arrepiado.
Essa foi a primeira vez que eu vi a Lua.
Ainda n�o falamos com a tripula��o,
mas estamos de prontid�o.
Conseguimos, conseguimos. Apollo 8 est� em �rbita lunar.
H� uma comemora��o na sala.
Aqui � o Controle da Miss�o, em Houston.
Pode falar, Houston. Apollo 8.
Durante as 20 horas que passar�o orbitando a Lua,
os astronautas v�o tirar muitas fotos
da superf�cie lunar.
O meu trabalho na tripula��o era ser o fot�grafo.
Ent�o eu fotografava
em um cronograma apertado e complicado
para registrar pontos de refer�ncia lunares.
Apollo 8, aqui � Houston.
Qual � a apar�ncia da Lua a 96km de dist�ncia?
A grande solid�o aqui na Lua
� fascinante
e nos faz pensar no que temos a� na Terra.
A Terra vista daqui � um grande o�sis
na grande vastid�o do espa�o.
Tem um buraco escuro.
Mas n�o consegui olhar muito bem para saber se � algo vulc�nico.
Tivemos a chance de observar a Lua.
Certo, vamos come�ar.
Preparar, apontar...
Frank come�ou a girar a espa�onave.
Eu dei uma olhada, e l� estava a Terra.
Todo mundo afirma ter sido o primeiro a ver.
Eu sei que fui eu.
E � claro que, como a Lua praticamente n�o tem cor,
pensamos em usar filme preto e branco,
que era o que eu usava na hora,
com uma lente de curta dist�ncia.
Quando eu vi a Terra surgindo...
Meu Deus! Veja s� aquela imagem ali.
� a Terra surgindo. Nossa, que linda!
Primeiro, Frank disse que eu n�o podia tirar foto daquilo.
N�o fotografe, n�o est� programado.
Ele estava brincando.
Eu peguei a lente de longa dist�ncia
e pedi para Lovell me dar um filme colorido.
Tem filme colorido, Jim?
-Me d� um rolo r�pido. -Que beleza! Onde est�?
R�pido!
Aqui embaixo?
Eu pedia para ele se apressar.
Me d� um filme colorido.
Anda logo.
R�pido.
Achou?
-Estou procurando por um. -C368.
Qualquer um, r�pido.
Ei, achei aqui.
Deixa eu tirar essa foto. Est� bem mais limpa.
Eu s� sentei e coloquei meu dedo no bot�o,
apontando a c�mera para a Terra.
Essa foto maravilhosa da Terra n�o foi nada planejada.
Isso aconteceu enquanto estavam totalmente sozinhos.
Estavam mais sozinhos que qualquer pessoa na Terra.
Os tr�s estavam no lado errado da Lua, sem comunica��o.
A foto foi uma realidade
desse ponto azul na vastid�o do espa�o
que n�o tinha nenhum tipo de apoio.
Aquilo era tudo o que t�nhamos.
Quando eu vi a Terra, pensei:
"Aqui est�vamos lutando uns contra os outros,
usando armas e bombas, testando m�sseis."
A� eu pensei: "N�s, humanos,
precisamos cuidar melhor do nosso lindo planeta."
Para todos que est�o na Terra, n�s, da tripula��o da Apollo 8,
temos uma mensagem que gostar�amos de passar.
Ent�o aconteceu de os astronautas da Apollo 8
estarem orbitando a Lua na v�spera do Natal
e transmitindo o dia deles para a Terra,
com a maior audi�ncia na hist�ria da televis�o.
A NASA tinha, com sabedoria, em meu ponto de vista,
sugerido a Frank Borman
que pensasse em algo importante para dizer.
"N�o cante uma can��o natalina", n�o lhe deram muitas regras,
mas Frank era um cara muito perspicaz.
Ele perguntou a alguns amigos,
e a esposa de um deles sugeriu
que ele lesse os primeiros vers�culos de G�nesis.
Ele decidiu fazer isso, e a NASA nem revisou.
"No princ�pio, Deus criou o C�u e a Terra,
e a Terra era sem forma e vazia.
E a escurid�o estava sobre a face do abismo.
E o Esp�rito de Deus se movia sobre a face das �guas.
E Deus disse: 'Que haja luz!'
E houve luz.
E Deus chamou a luz de 'dia'.
E a escurid�o ele chamou de 'noite'.
E a tarde e a manh� foram o primeiro dia.
E Deus chamou a terra seca de 'Terra'.
E o encontro de �guas ele chamou de 'mares'.
E Deus viu que era muito bom."
E, da tripula��o da Apollo 8, n�s lhes desejamos boa noite,
boa sorte, um Feliz Natal, e que Deus aben�oe todos voc�s.
Todos voc�s nessa Terra boa.
Eles estavam em uma miss�o de alta tecnologia,
e o que fizeram?
Recorreram ao come�o da B�blia, ao momento da Cria��o.
E esse foi um momento extraordin�rio e emocionante
em que ouvimos a transmiss�o
e percebemos a dimens�o do que os astronautas estavam fazendo.
Eu acho que a Terra ficou at�nita comigo come�ando,
depois Lovell,
e Borman fechando com "no princ�pio".
A tarefa seguinte era garantir que a espa�onave estava pronta
para a manobra mais importante da miss�o:
o acionamento do motor do m�dulo de servi�o para a ITT,
a inje��o transterrestre, e a volta para casa.
Esse era o momento em que o motor tinha que funcionar.
Eles n�o dependiam mais da libera��o do Controle,
e sim do motor.
Est� tudo pronto, Apollo 8.
Obrigado.
Pela �ltima vez, a Apollo 8 passou por tr�s da Lua.
Sem contato com a Terra durante o momento mais cr�tico.
Depois chegou o momento de direcionar
a espa�onave para frente,
e ligar novamente o motor de propuls�o
do m�dulo de servi�o pela 2? vez.
E, a 88 horas e 51 minutos de miss�o,
registramos perda de sinal com a espa�onave.
Na Terra, as pessoas esperavam.
Apollo 8, aqui � Houston.
Apollo 8, aqui � Houston.
Apollo 8, aqui � Houston.
Apollo 8, aqui � Houston.
Apollo 8, aqui � Houston.
O meu trabalho, entre tantos outros,
era direcionar uma antena de alto ganho
para a Terra.
Apollo 8, aqui � Houston.
Eu fiquei t�o empolgado e ocupado,
que esqueci de ajustar a antena de baixo ganho.
Apollo 8, aqui � Houston.
Eu pensei: "Caramba, eu esqueci!"
Ent�o dei um clique na antena,
e, por um segundo, a Terra pensou: "O que est� havendo?"
Apollo 8, c�mbio.
Ol�, Apollo 8. Em alto e bom som.
Entendido.
Por favor, saibam que h� um Papai Noel.
Entendido.
Voc�s sabem melhor do que ningu�m.
Tr�s astronautas muito cansados estavam a caminho de casa.
No caminho de volta, houve per�odos de trabalho,
as capacidades de navega��o da espa�onave e da tripula��o
provaram ser fenomenais.
Houston, aqui � a Apollo 8.
Apollo 8, aqui � Houston, pode falar.
Jim estava na sala de equipamentos
trabalhando no sextante,
e queria estabelecer algum tipo de recorde pessoal
de quantas observa��es podia fazer.
Por algum motivo,
temos um "Programa 01" e nenhuma luz de altitude no computador.
Aguarde um pouco, Jim.
Foi quando mais fiquei preocupado durante o voo.
Eu vi o medidor de altitude se mexendo
e peguei o controle manual para compensar isso.
Ao selecionar 01,
voc� recebeu "verbo 37", "Enter", 01, "Enter"?
Borman acordou e perguntou o que estava havendo.
Vejamos... N�o tenho certeza, Mike.
Talvez eu tenha feito isso.
A espa�onave estava assim?
Estava assim?
Deste jeito?
Ao entrar na atmosfera, se n�o estivesse perfeita,
com uma margem de erro bem pequena,
ela podia ser repelida ou pegar fogo.
Isso deu in�cio a um desespero, e quase entramos em p�nico
ao tentar acertar a altitude antes de entrarmos na atmosfera.
E, ao tentar girar,
conseguimos estabilizar de novo a plataforma, mas, sinceramente,
eu achei aquilo muito angustiante
e achava que entrar�amos na altitude errada,
e isso seria catastr�fico.
Apollo 8, aqui � Houston.
Ent�o n�o deixamos mais Jim mexer nos bot�es depois disso.
Cada segundo deixava a espa�onave mais perto
de sua entrada flamejante.
O �ltimo mergulho em dire��o � seguran�a da Terra.
Agora a entrada na atmosfera seria nosso motor,
e foi mais r�pido
do que qualquer coisa j� vivida pelo homem.
Na manh� de 27 de dezembro, a Apollo 8 recebeu a not�cia.
Os dispositivos pirot�cnicos que separariam o m�dulo de comando
do de servi�o antes da entrada estavam prontos.
N�s est�vamos a caminho, trajet�ria perfeita,
era como tentar acertar uma caixa de correio
a 32.000km de dist�ncia.
T�nhamos que ter uma trajet�ria perfeita.
Se entr�ssemos muito empinados, a espa�onave pegaria fogo.
Se entr�ssemos muito retos, ela seria repelida.
Apollo 8. Apollo 8.
Ignitor pirot�cnico liberado. Parece estar tudo certo.
Entendido. Tudo bem aqui.
N�s entramos � noite.
Foi a primeira reentrada noturna.
Como programado, o m�dulo de comando
entrou na atmosfera a 40.000km/h.
O velocidade mais alta j� atingida pelo homem.
Enquanto entr�vamos,
eu disse que estava ficando claro do lado de fora,
e Lovell e Borman, que eram experientes,
disseram que era o Sol nascendo.
Eu disse: "Se � o Sol nascendo, estamos indo na dire��o dele."
Enquanto ficava quente � nossa volta,
parecia, para mim, que era como um inseto se sentiria
se vivesse no meio de uma tocha.
Eu achava que o escudo t�rmico estava se desfazendo
e quase pensei que estava superaquecendo.
O pessoal do Controle da Miss�o esperava mais uma vez.
Ken Mattingly fez um chamado
e disse que foi s� uma verifica��o via r�dio.
Ele ainda n�o obteve respostas.
A gente deve ter ca�do quando vinha uma onda.
Foi uma pancada muito grande.
A espa�onave...
Em poucos segundos, ventou, e a espa�onave deu cambalhotas.
Aqui est�vamos n�s, her�is conquistadores da Lua,
pendurados de cabe�a para baixo,
porque todo o lixo acumulado havia ido para baixo
e estava caindo em cima de n�s, e tinha muita �gua.
Houve muita condensa��o na espa�onave,
e pensei que o escudo t�rmico tivesse quebrado.
Foi muito desagrad�vel ficar na �gua,
tivemos que ficar l� durante horas.
E ali est� Jim Lovell.
Estamos muito bem, Houston.
�timos.
Os mergulhadores entraram na �gua,
mas n�o queriam entrar antes do Sol nascer
porque havia tubar�es por perto.
Eles colocaram um aro ao redor da espa�onave,
como um bote circular, uma prote��o para estabilizar.
Lovell abriu a portinhola.
N�s sa�mos.
Eu fui o �ltimo a sair.
Eles pegaram Frank e Jim numa rede,
que devia ser mais perigosa que todo voo,
porque era presa ao helic�ptero apenas por um cabo.
Mas chegamos ao porta-avi�es.
Foi a 1? vez em que seres humanos foram � Lua.
A 1? vez em que viram o outro lado da Lua.
A 1? vez em que algu�m foi t�o longe ou t�o r�pido
na hist�ria da humanidade.
Aqui � o controle da Apollo.
N�o sei se est�o nos ouvindo bem.
H� muito barulho no fundo.
Eu nunca tinha visto
tal quantidade de pessoas t�o emocionadas assim.
Parecia que os americanos representavam
algo transcendente,
que eram os representantes do futuro da humanidade,
e n�o a ultrapassada Uni�o Sovi�tica.
Mas, embora houvesse algo triunfal do lado americano,
o importante � que eles pareciam querer representar a paz.
N�s assumimos o risco.
Fomos � Lua e a orbitamos antes dos sovi�ticos.
Mas eu queria muito voltar para casa,
ver minha fam�lia e voltar a "uma vida mais normal".
Por um momento na Hist�ria,
as na��es na Terra foram unidas na eternidade
do espa�o profundo.
Toda a humanidade se uniu a tr�s americanos
orbitando 96km acima de um mundo �rido e sem vida.
Ir para o espa�o, olhar para tr�s e ver sua casa
� algo extraordin�rio.
Surpreendeu os astronautas,
mas foi s� quando pegamos as fotos coloridas,
e pudemos ver que a Terra � limitada, finita,
que tivemos uma ideia da apar�ncia do nosso lar.
Foi s� depois da viagem,
quando Borman recebeu um telegrama de algu�m,
do nada, dizendo: "Obrigado, voc�s salvaram 1968",
que eu me dei conta
de como as coisas estavam ruins.
Eu n�o fazia ideia, na �poca,
da import�ncia que aquela foto da Terra nascendo viria a ter.
Eu n�o sabia o impacto que causaria
na sociedade.
Muitas pessoas dedicaram anos de suas vidas
lutando pela paz,
lutando contra a injusti�a racial,
e n�o gostavam no nacionalismo que ressurgia,
em v�rias partes do planeta.
Essas pessoas esperavam
que uma fotografia da Terra como um sistema biol�gico �nico,
uma foto que deixava impl�cito
que a ra�a humana era uma esp�cie �nica,
de alguma forma,
pudesse gerar um grau maior de solidariedade pol�tica.
O programa espacial pode acabar sendo uma for�a muito positiva
para criar mais coopera��o entre os povos da Terra.
Eu sei que, desde que voamos,
recebemos cartas nos parabenizando do mundo todo.
E eu espero que, de algum modo,
a viagem traga avan�os � causa que nos interessa
e, principalmente, paz, uma paz duradoura.
A foto da Terra nascendo
ajudou a dar in�cio ao movimento ambiental.
que j� existia, mas n�o conseguia crescer.
A foto ajudou a acelerar a divulga��o
de uma consci�ncia ambiental pelo planeta.
N�s entendemos que isso � tudo o que temos
e que precisamos fazer mais para proteg�-lo.
A d�cada de 1690 foi quando nos conscientizamos
sobre o dano que a atividade humana,
a polui��o e o lixo humano, estavam causando � Terra.
E foi quando percebemos pela primeira vez
que n�s pod�amos mudar o planeta.
Nos �ltimos meses,
a polui��o virou destaque nacional
e parece que vai continuar sendo.
Em muitas partes dos EUA,
est� cada vez mais dif�cil encontrar ar puro
e �gua pot�vel.
Cada americano usa
mais de 98 milh�es de litros de �gua durante a vida.
Mas, com o ritmo atual de polui��o,
a previs�o � que, at� o fim do s�culo,
os maiores sistemas fluviais dos EUA
estar�o biologicamente mortos.
A foto ajudou a criar coisas
como a Amigos da Terra e o Dia da Terra.
O Dia da Terra de 1970 caiu numa quarta-feira.
Foi dia 22 de abril.
Quando me levantei naquele dia,
n�o imaginei o que aquilo se tornaria.
Entre as coisas mais poderosas, havia fotografias.
Fotografias de coisas que chocavam de t�o horrendas...
Do centro de Los Angeles,
onde n�o se podia ver o pr�ximo quarteir�o
por causa da polui��o.
E tamb�m precis�vamos ter fotos bonitas.
Nenhuma foi mais importante que a da pr�pria Terra
tirada do espa�o.
Quando a ag�ncia de not�cias Associated Press,
reuniu as informa��es de todos os jornalistas por todo o pa�s
e tentou calcular a quantidade de gente no evento,
chegou a um n�mero maior que 20 milh�es de pessoas.
Esse foi o maior evento planejado na hist�ria dos EUA.
De repente, isso mostrou �s pessoas
que n�o eram s� hippies fazendo piquenique no parque.
Era uma for�a pol�tica muito forte.
Ver a Terra como uma coisa s�, suspensa no espa�o,
ver que � finita,
faz toda a diferen�a na consci�ncia das pessoas.
De repente, todos podiam ver
estando numa espa�onave ou n�o, que a Terra � limitada.
Os nossos recursos s�o finitos.
E essa imagem da Terra se tornou...
A palavra foi banalizada,
mas ela se tornou um �cone do movimento ambiental.
60% da polui��o do ar urbana
� causada pelos motores de combust�o interna.
O problema vai piorar ou melhorar?
Esse problema tende a piorar.
Ningu�m parece se importar, e queremos saber por qu�.
Estima-se que 200 mil aves morreram.
Acho que o verdadeiro problema � que estamos sofrendo os efeitos.
Talvez a maior amea�a mundial
n�o sejam os conflitos entre os homens,
e sim o abuso crescente contra o meio ambiente.
Em uma campanha cujo foco era, principalmente,
acabar com coisas que eram muito ruins,
a foto de Bill Anders se tornou um raio de esperan�a
para um planeta que precisava se unir para se salvar.
Relativamente r�pido, dentro dos 5 anos seguintes,
foram aprovadas a Lei do Ar Limpo,
a Lei da �gua Limpa,
a Lei de Prote��o aos Mam�feros Marinhos,
a Lei das Esp�cies Amea�adas e a Lei da �gua Pot�vel.
Coisas antes inconceb�veis,
no fim dos anos 1970, estavam impar�veis.
Elas n�o tiveram as consequ�ncias revolucion�rias,
pelas quais muitos de n�s torc�amos,
na pol�tica, na paz, na guerra, no racismo ou no tribalismo.
Mas, pelo menos, no meio ambiente,
teve um papel poderoso para nos tornar conscientes
de que s� temos um planeta para nos manter para sempre
e que temos que cuidar melhor dele.
A Terra utiliza sat�lites para observar a superf�cie do planeta
durante meses e anos
para administrarmos melhor nossos recursos naturais.
Quando estamos a 418km no espa�o,
� f�cil ver que a velha m�e Terra
� s� mais uma espa�onave
e que todo mundo est� junto nela.
O mais importante sobre o programa espacial
� o que pode nos dizer sobre a Terra, o meio ambiente,
os sistemas, as mudan�as clim�ticas...
J� que energia, comida e recursos nossos s�o limitados,
precisamos planejar e us�-los com cuidado.
Sabemos que, com um planejamento adequado
e o uso de recursos do planeta,
podemos criar um mundo no qual todos prosperam
e ningu�m sofre sem necessidade.
H� um conflito vis�vel entre se dedicar � Terra
e se dedicar ao espa�o,
mas, na verdade, existe uma liga��o natural entre ambos.
No Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano,
vamos pensar como um pouco de cuidado pode mudar o mundo.
Somente na d�cada de 1990,
quando a NASA repensou sua miss�o,
ela criou a frase: "miss�o para o planeta Terra".
O espa�o pode nos dar uma �tima perspectiva
sobre o que est� acontecendo com as florestas,
sobre desertifica��o,
sobre amea�as nas regi�es abissais.
E, ao desenvolvermos cada vez mais as imagens
ao longo dos anos,
o que n�s aprendemos,
com instrumentos no espa�o, sobre o nosso planeta,
geralmente, n�o aprender�amos de outra forma.
A maior contribui��o da Apollo,
e acho que representada pela foto da Terra nascendo,
ser� a lembran�a no futuro:
somos todos membros da humanidade
em um planeta min�sculo e fr�gil.
Para mim, � uma honra presidir o Dia da Terra de 2000.
Desde crian�a,
quest�es ambientais sempre atra�ram o meu interesse.
Eu acho que a foto da Terra nascendo da Apollo 8,
ter� um papel importante e positivo.
E pode ser que, daqui a alguns s�culos,
ela seja uma das poucas coisas
de que as pessoas lembrar�o sobre a Apollo 8,
sobre tudo que mudou.
Acho que a foto da Terra nascendo
ser� muito importante para isso.
Portanto, me sinto honrado de ter sido o sortudo
do lado certo da c�mera quando a Terra apareceu.
Estamos tentando apresentar uma gera��o ecol�gica.
� uma gera��o de pessoas jovens e velhas,
que voltaram a se manifestar
para retomar aquele discurso dos anos 1970
e aplic�-lo em um contexto internacional.
Quando pensamos em aquecimento global
e ouvimos sobre emiss�o de carbono,
parecem coisas muito dif�ceis de resolver.
Devemos nos atentar �s coisas simples
que fazemos como indiv�duos
que podem ter um impacto positivo imediato.
Os grandes problemas atuais: mudan�as clim�ticas,
acidifica��o oce�nica,
esp�cies migrat�rias amea�adas...
S�o problemas globais,
que nenhuma na��o pode resolver sozinha.
Se pensarmos na miss�o Apollo 8
como o momento em que os humanos viram a Terra de fora,
entenderam que s� h� isso e que s� haver� isso
para nos manter.
Isso � muito importante.
Com o que sabemos do aquecimento global,
da capacidade limitada da Terra, do dano estarrecedor
que a humanidade est� causando � Terra,
s� agora entendemos como foi importante aquele momento.
Ir muito longe para descobrir
que o importante � nosso lugar de origem
n�o � uma experi�ncia humana incomum.
Fazer isso indo at� o outro lado da Lua
foi algo in�dito.
Bem, ao ver a Terra
sobre o �rido horizonte lunar,
eu achei um pouco ir�nico
que, embora tenhamos treinado para ir � Lua,
para descobrir a Lua,
o que descobrimos de verdade foi a Terra.
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