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Prometi n�o falar sobre ir l� ou encontrar com ele.
As jornadas, as casas�
Isso era parte do juramento.
Era maravilhoso fazer parte da irmandade.
Eu prometi n�o contar nada a respeito disso.
Todo guru diz: "Mas nossos membros s�o livres�
Eles n�o t�m correntes nos p�s nem nos bra�os."
� simplesmente confiar no guru, tipo�
N�o tem nada de inocente em confiar num guru pra te guiar, n�o �?
Eu s� queria fazer yoga.
N�o sabia que envolvia sexo
at� ficar cinco dias trancada numa casa.
A falta de liberdade vem da jaula nas mentes das pessoas.
Uma jaula que o guru p�s na cabe�a delas.
A lei francesa � espec�fica.
Se voc� abusa de pessoas que est�o sob sua influ�ncia,
� um problem�o.
N�o posso cruzar os bra�os e n�o fazer nada.
A SEITA SECRETA DE YOGA
CAP�TULO DOIS INICIA��O
Embarquei no trem pra Paris.
A recepcionista do Tara Yoga Centre de Londres
me mandou o n�mero de uma mulher que eu nunca tinha visto.
PARTIDAS EUROSTAR
Acho que era romena,
e eu me comunicava com ela pelo Telegram.
Por um aplicativo de mensagens seguro.
Ela disse que eu precisava� Tinha um acordo
de que eu excluiria as mensagens assim que ela enviasse.
Ela dizia que era segredo absoluto,
que eu n�o podia contar a ningu�m.
Tive que dizer aos meus pais que estava indo pra um retiro de sil�ncio
na Dinamarca.
Era mais f�cil n�o questionar.
S� aceitar e confiar que eu estava onde devia estar.
Foi assim que me conformei com o fato de que ia ficar incomunic�vel.
Meu convite veio depois do fim do segundo ano.
"Voc� foi convidada pra conhecer o Grieg.
� um retiro espiritual, vai ser muito proveitoso pra voc�."
Peguei um voo de Copenhague pra Paris.
Na esta��o,
uma mo�a me perguntou: "Voc� � a Claire?"
� meu nome do meio.
Acharam que meu nome era Claire.
Ela: "Voc� � a Claire?" Eu: "N�o, sou a Ashleigh."
E ela�
me levou a um carro.
Tive que entregar meu telefone.
Ela tirou o chip do telefone e embrulhou em papel-alum�nio.
Embrulhou o telefone.
Disse: "Ah, somos tipo o FBI ou a CIA."
E disseram:
"Pra sua prote��o, precisamos�
� importante voc� n�o saber aonde vamos.
Pra isso, preciso que voc� use este chap�u
e �culos com lentes opacas."
Disseram que a Interpol tinha um mandado pra pris�o dele.
O guia espiritual era um fugitivo e estava escondido.
Disseram que ele era v�tima de viola��es de direitos humanos.
A pol�cia romena corrupta seria a respons�vel por isso.
Eu estava nervosa, mas tinha uma confian�a geral na organiza��o,
tipo: "T�, tem uma coisa secreta rolando.
Eles tentam nos proteger.
N�o podemos saber onde ele est� porque est� escondido,
por todas essas coisas que aconteceram a ele." Certo?
Ele n�o era muito�
ZIGGY ENTROU EM 2016, DINAMARCA
�divulgado para os homens da escola.
Ent�o, fiquei curioso.
Tamb�m perguntei se minhas parceiras de tantra o tinham visto ou visitado.
Logo descartaram isso
e deixaram bem claro pra mim que elas n�o o tinham visto.
Eu n�o tinha motivo pra n�o acreditar neles.
S� pensei: "Ah, tudo bem."
Mas foi a primeira vez em que realmente me questionei:
"Tem gente indo v�-lo que n�o ficamos sabendo?"
Tem um monte de retiros e programas ocultos
em que as pessoas simplesmente somem por semanas.
E n�o tinha contado pro Ziggy?
N�o.
PAULA ENTROU EM 2014, DINAMARCA
- Por qu�? - N�o podia.
Tinha feito uma promessa. N�o podia falar com ningu�m.
N�o pude contar pro Ziggy. Estava sob juramento.
GREGORIAN BIVOLARU ANUNCIA "CURAS MILAGROSAS" EM COSTINE?TI
Tinha umas mat�rias interessantes na imprensa l� na Rom�nia.
BIVOLARU GERA �4.000.000/ANO
Umas hist�rias absurdas�
"FUI INCRIMINADO POR QUERER MATAR CEAU?ESCU COM M�TODOS PARANORMAIS"
�esc�ndalos constantes.
CONDENADO A SEIS ANOS
A professora dizia�
POR RELA��ES SEXUAIS COM MENORES
"Ele foi processado injustamente na �poca. Est� acontecendo a mesma coisa agora."
Era basicamente s� isso que nos diziam.
Tive a sensa��o de que est�vamos indo pra bem longe da cidade,
rumo aos arredores.
Eu dizia pra mim mesma: "Se renda."
"S� se renda."
"Se renda."
Acabamos parando numa casa,
e, ainda de chap�u e �culos,
me levaram pra dentro.
A casa foi a confirma��o
de que est�vamos mesmo numa regi�o suburbana.
Era uma casa de tr�s andares. Bem grande, tinha muitos quartos.
E a cerca tinha uma lona�
ou uma grade meio esverdeada.
Bivolaru � conhecido pelas autoridades francesas desde 2016.
FRANCK DANNEROLLE POL�CIA NACIONAL FRANCESA
Antes disso, por�m, sab�amos que n�o era um movimento de yoga normal.
O MISA j� tinha sido denunciado � pol�cia local,
porque as atividades deles deixaram os vizinhos desconfiados.
Nossas investiga��es identificaram meia d�zia de locais,
envolvendo in�meros participantes e muitas v�timas,
possivelmente por um per�odo bastante longo.
E o que nos pergunt�vamos, a essa altura,
era se seria um caso de crime organizado, de sequestro, de tr�fico de pessoas.
Ou se seria um crime de seita.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: E-MAIL | loschulosteam@gmail.com
Entramos na casa�
e�
Tinha duas garotas esparramadas no sof� vendo pornografia.
Porn� pesado mesmo, na TV.
Elas deram uma risadinha, desligaram e sa�ram dali.
Foram pra outro c�modo.
A� me acomodaram no meu quarto.
Quando cheguei, havia mais de 20 pessoas.
Todas mulheres.
Algumas eram meninas que ainda estavam no processo,
como n�s, s� visitando.
E outras controlavam a opera��o ou tinham algum posto de autoridade.
Foram essas que nos receberam, e eram todas romenas.
Todas as pessoas com autoridade, enquanto estive em Paris, eram romenas.
E havia uma sensa��o
de estar dentro de uma m�quina bem azeitada.
Logo vasculharam todas as nossas malas
procurando algumas coisas.
Talvez outro celular ou algum outro documento.
Pegaram tudo, qualquer coisa que nos identificasse
ou aparelhos eletr�nicos.
Nos apresentaram o programa
e disseram que, em dado momento, ser�amos levadas pra conhecer o Grieg.
Antes disso, por�m,
t�nhamos que fazer outras coisas.
Tive que fazer o juramento.
De novo, pondo a m�o na B�blia
e jurando por minha sa�de e minha evolu��o espiritual
que nunca falaria sobre nada que acontecesse ali.
A� tive que assinar uns formul�rios, concordando com puni��es.
Tive que assinar que concordava com a puni��o
de raspar minha cabe�a por cinco anos, imediatamente,
se me pegassem tentando roubar algum ensinamento secreto
de dentro da casa.
Sabendo que, no tantra, existia a inicia��o sexual,
eu tinha a impress�o de que�
era prov�vel que essas inicia��es sexuais acontecessem,
e que o guia espiritual provavelmente participasse delas.
Eu sabia�
que haveria uma inicia��o sexual, e�
MIRANDA ENTROU EM 2017, INGLATERRA
�ali seria a oportunidade perfeita pra ir al�m de qualquer satisfa��o.
Algo como a felicidade e a ilumina��o definitivas.
Era uma promessa.
"Voc� vai vivenciar essas coisas e tudo vai mudar."
Cresci em Oxford.
Minha cria��o foi privilegiada.
Tivemos muita sorte.
Frequentei uma escola particular. Nossas f�rias eram �timas.
Eu era uma crian�a muito sens�vel. Muito t�mida.
Mudei bastante na adolesc�ncia.
Come�amos a sair pra beber e fumar e�
nos divertir.
A certa altura, nos meus 20 e tantos anos, eu era muito baladeira
e estava num relacionamento bem dif�cil.
Percebi um padr�o nos relacionamentos em que eu entrava
e no tipo de pessoas que me atra�am.
Minha resposta era sair e ficar chapada.
Aquilo anestesiava minhas emo��es temporariamente.
Quando tinha 29 anos, comecei a ir a grupos de 12 passos.
Reduzi bastante as festas.
E comecei a conhecer yoga e medita��o.
Quando descobri o Tara Yoga Centre,
aconteceu tipo um clique. Acendeu uma luzinha.
Fiquei completamente intrigada pela possibilidade
de ter uma experi�ncia profundamente espiritual no ato de amor.
Na primeira semana em Paris,
eu s� me concentrava em cumprir as tarefas.
Assistir aos filmes. T�nhamos que ver v�rios filmes porn�,
escrever o que sent�amos em rela��o a eles
e em quais estados perceb�amos que as mulheres estavam.
Era como se tudo que tinha acontecido na escola
levasse �quilo.
Uma mulher estava l� havia uns dois ou tr�s meses.
Perguntei: "Quando voc� vai embora?" E ela: "Em breve, espero."
Mas pra sair, precisava da permiss�o dele.
Ela n�o podia� Ela n�o sabia quando ia embora.
Lembro de estar caminhando uma vez e ver a vencedora do Miss Shakti,
de agosto.
Ela estava l� e a cabe�a dela estava raspada.
Ela estava marcada, o ego dela tinha ficado muito grande
e ela precisava ser colocada de volta em seu lugar, algo assim.
Mas ela estava isolada de todo mundo.
Eu: "� o que acontece com a Miss Shakti?
� o que acontece com a ganhadora? A cabe�a dela � raspada?"
Estava ficando claro
que todas as mulheres que estavam ali tinham sido iniciadas.
Diziam: "�s vezes ele n�o faz isso."
Mas n�o vi nenhuma que n�o tivesse sido iniciada.
V�o te conduzindo pelo processo por alguns dias.
A�, l� pelo quinto ou sexto dia,
dizem: "Agora que j� fez isso tudo,
podemos contar o motivo pelo qual voc� est� aqui.
Quando encontrar com ele, voc� vai ter uma oportunidade de�
receber inicia��o sexual dele."
Faziam parecer como se fosse opcional.
Ele acabou decidindo que eu devia ir at� ele
no meu anivers�rio de 30 anos.
Fui levada por um motorista, mais uma vez.
Com o chap�u e os �culos escuros.
Desta vez era um apartamento,
e acho que ele estacionou numa garagem subterr�nea.
A maioria das nossas amigas tinha ido.
Achei incr�vel que, depois de tantos anos,
nenhum dos vizinhos tivesse percebido
que aqueles caras entravam e sa�am da casa.
Todo dia, o tempo todo.
No m�nimo tr�s ou quatro garotas por dia, com certeza.
Algumas iam todo m�s.
As preferidas dele.
E ele batia � porta
e t�nhamos que esperar um minuto antes de ela abrir.
A� era o Grieg que abria a porta.
Ele me recebeu, me deu um abra�o e disse: "Feliz anivers�rio."
E meio que me mandou at� o fundo do corredor
e voltou pro quarto dele.
"Ah, t�, beleza.
� a pessoa por quem todo mundo tem obsess�o.
� esse cara, e ele � bem velho."
Ao olhar nos olhos dele, o que havia ali era quase um�
espa�o em branco.
Que te puxa e ao mesmo tempo � vazio.
Eu n�o sentia nenhuma emo��o nele.
Nada.
Eu estava ali, num apartamento esquisito e min�sculo,
s� com livros por todo lado.
Tinha estantes em cada lado do corredor,
no quarto dele e no outro.
No fim do corredor ficavam o vaso e o banheiro.
Um cantinho com um frigobar bem pequeno.
E a� tinha o quarto mesmo, que era de tamanho normal.
Era onde ficavam as garotas levadas at� ele para fazer sexo.
Em qualquer momento, sempre havia algumas meninas ali.
Todas suadas. Tiram suas roupas pra voc� n�o ter�
�s vezes ficam nuas
ou usam s� uma pe�a m�nima.
N�o ficam com as pr�prias roupas.
Praticando Yoga Constantemente, voc�
O lugar fica trancado por fora,
n�o d� pra abrir a porta por dentro.
E voc� dorme ali,
come ali, faz tudo naquele espa�o.
Ele tinha um grupo de garotas pra cozinhar.
Mandavam pra ele,
ele comia um pouco e depois dava
o resto pras garotas. Elas guardavam na geladeira.
Mas a regra era n�o jogar nada no lixo.
T�nhamos que comer tudo dali
antes de abrir uma nova remessa de comida.
E eram garotas comendo alimentos mofados, tipo�
porque eram obrigadas, a regra era essa.
Do contr�rio, ficavam encrencadas.
De vez em quando, algu�m era chamada pra ir at� ele.
Dava pra ouvir os dois fazendo sexo durante horas, m�sica muito alta.
Por fim, ela sa�a.
Logo depois disso, vinham busc�-la e ela era levada
pra terceira casa.
E a�, geralmente pouco tempo depois, outra aparecia e assumia o lugar dela.
E tem gente l� que diz: "J� vim aqui seis vezes.
Eu adoro. � uma experi�ncia incr�vel.
Eu recebo muito."
E elas acreditam nisso.
Voc� acredita nelas?
De certa forma, talvez.
Eu ainda estava bastante incerta, mas sentia que estava aberta a ver.
Tive uma experi�ncia fant�stica.
Come�amos o ritual.
Nos aprofundamos na transfigura��o.
Exatamente como aprendemos nas aulas de tantra.
Vermos n�s mesmos e os outros como seres profundamente espirituais.
A uni�o perfeita do masculino interior e do feminino interior.
O Yin e o Yang.
Shiva e Shakti.
Eu quase parei de existir.
De algum jeito, viajei para fora do meu corpo.
Ele me guiou por cada pequenino passo.
Pra mim, foi um encontro espetacular, maravilhoso.
Depois dele, eu estava completa.
Eu queria acreditar que seria�
um marco no meu caminho espiritual.
Eu queria que fosse, � claro.
Porque sempre achei dif�cil.
Eu n�o me sentia voluptuosa ou cheia de vitalidade.
N�o sentia que estava na categoria
da mulher Shakti despertada.
Sou do sul da Argentina.
Uma cidade chamada Bariloche.
� nas montanhas, na fronteira com o Chile.
Quando fiz 18 anos, decidi mudar sozinha pra Buenos Aires.
Na �poca, eu usava drogas nos fins de semana.
Quando descobri a Atman na �poca,
claro, veio com um monte de gente legal que se preocupava comigo.
Eram muito mais ligados em quest�es espirituais.
Foi uma evolu��o e tanto.
Eu conseguia ver todo o trauma e toda a dor que tinha dentro de mim,
da minha inf�ncia, de que eu nunca tinha tratado.
Queria me envolver mais com a escola.
Ent�o, mudei pra Dinamarca.
Eu morava no ashram. Comia l�, fazia tudo l�. Mal sa�a.
Eu achava mesmo que ter a inicia��o com ele
me ajudaria.
Achava que era o pr�ximo passo pra poder evoluir.
Antes de ir l�, voc� basicamente bebia �gua.
Uns dois litros d'�gua, muita �gua.
Tamb�m tem que aben�oar a �gua com uma f�rmula especial
que o Grieg te d�.
E tem que tomar banho antes e se depilar.
Depila��o completa.
Dizem pra voc� fazer yoga e medita��o suficientes,
pra estar num estado espiritual muito bom,
pra se preparar sexualmente de alguma forma,
pra fica centrada, orientada, concentrada, pronta pra encontrar com ele.
Ele veio na calada da noite. Eu estava dormindo.
Tocou, com o dedo, a sola dos meus p�s enquanto eu dormia,
e eu acordei assim.
A�, tipo: "Sua vez."
Tudo levava �quele�
evento monumental.
Mas um pensamento se repetia na minha cabe�a:
"Voc� est� subindo uma montanha e Shiva est� no cume.
Voc� est� subindo uma montanha e Shiva est� no cume."
N�o lembro de muita coisa do sexo. Estava muito fora do meu corpo.
Muito desorientada e congelada.
E bloqueei boa parte da mem�ria,
o que � conveniente.
Mas, sim, foi um processo longo.
Pode ter durado duas horas, no total.
Voc� come�a fazendo uma das posi��es,
que acho que v�m do Kama Sutra.
Al�m das posturas, voc� tamb�m aprende a se mover de um lado pro outro
de maneira elegante, pra continuar�
na penetra��o.
Senti� Me veio: "N�o quero fazer isso."
A�, quase imediatamente,
surgiu outra voz:
"Voc� est� sendo superficial.
Voc� est� sendo rasa. Tem que transfigur�-lo."
Transfigura��o.
A doutrina da escola.
No curso de tantra, eles dizem:
"N�o se concentre no f�sico, n�o seja superficial.
N�o � uma atitude espiritual."
E voc� o transfigurou?
Sim.
A ideia � que se pode olhar para uma pessoa
e realmente, genuinamente,
a forma do corpo dela come�aria a mudar
e teria uma apar�ncia diferente.
Quando voc� transfigura seu parceiro
em Shiva ou no grande homem que ele pode ser, � o que ele se torna.
� preciso fazer muita transfigura��o.
Conseguir ver al�m do que est� ali.
Porque sen�o, sim, � um velhote.
Por que eu ia querer ficar com ele, sabe?
Mas se voc� conseguir ver como Shiva,
o mestre espiritual que vai te ajudar a evoluir espiritualmente,
a� � algo diferente.
Eu sabia que n�o queria mesmo prosseguir com a inicia��o.
Disseram: "Voc� precisa escrever pra ele dizendo isso."
E eu disse que precisava superar meus pr�prios dem�nios.
Mas esperava mesmo que ele me apoiasse,
j� que era meu mestre,
com as pr�ticas de yoga e as medita��es.
E ele me respondeu cheio de�
Era como se gritasse na p�gina.
Dava pra sentir a raiva, o calor, a f�ria na caneta.
Eram s� letras mai�sculas numa caneta-tinteiro vermelho.
Ele disse: "Voc� mente!"
VOC� MENTE!!
E eu assim: "Mas como estou mentindo?
� o que eu sinto."
"Voc� mente porque tem um grande ego e uma grande m� vontade!"
M� VONTADE!
Ele disse nessa carta que�
"S� voc� tem essa rea��o, porque est� sendo manipulada por dem�nios
que n�o querem que voc� receba o poder divino.
E diante de todo o amor que manifesto por voc�,
sua rea��o � bizarra, m�rbida, doentia, pervertida,
ausente de qualquer boa vontade ou qualquer aspira��o de conhecer Deus.
Est� sentindo empatia agora? Responda!"
Era como se ele estivesse gritando comigo.
Ele disse:
"A inicia��o vai�
exorcizar seus dem�nios."
Como num exorcismo.
Disseram: "Voc� foi convocada pra v�-lo hoje � noite."
Quando me deram a carta. "Ele quer te ver esta noite.
Voc� foi convocada."
Fui at� a sala de medita��o.
Tem uma sala de medita��o no andar de baixo, silenciosa.
Entrei e sentei, porque sabia que ningu�m falaria comigo ali.
E rezei.
Rezei pra minha av�.
"Vov�, por favor, me d� um sinal�
do que que fazer.
S� me d� um sinal."
Foi quando pensei pela primeira vez
que talvez pudesse sair.
Antes disso, era uma ideia muito maluca.
Eu nem teria pensado em fazer isso.
Tinha uma cerca grande com port�o trancado.
Estavam com todos os meus pertences, meu celular.
Minha carteira.
Eu n�o sabia falar a l�ngua, n�o sabia onde estava.
Nada parecia real, achei que estava enlouquecendo.
Pensei que poderia estar num estado de psicose.
N�o conhecia o mundo em que vivia. N�o conseguia confiar em mim mesma.
Mas tamb�m n�o confiava neles.
"N�o, isso est� errado."
Naquele momento, tive um clique.
"Tenho que ir. Tenho que ir embora daqui agora."
Antes de me deixarem sair,
me fizeram redigir uma declara��o de v�rias p�ginas
que voc� precisa copiar com sua pr�pria letra, palavra a palavra.
A� entrega pra eles conferirem
e garantirem que voc� incluiu tudo e est� correta.
A� disseram:
"Ah, �, precisamos de um v�deo seu lendo esta declara��o."
Eu n�o ia contestar ou resistir a nenhuma instru��o a essa altura.
S� queria sair.
Durante meu encontro com Grieg, tudo correu normalmente, naturalmente
e com muito bom senso,
ent�o n�o posso reclamar de nada
que, durante o encontro com Grieg, possa ter me traumatizado.
- Era como um documento jur�dico. - Especifico o fato�
Tive que ler pra c�mera e lembro de pensar ali:
"V�o usar isso contra mim um dia."
Especifico o fato de que nada aconteceu contra minha vontade
e n�o fui estuprada.
N�o fui for�ada, agredida, chantageada, hipnotizada�
espancada, xingada, humilhada, torturada, ofendida nem trancada.
Era algo que soava bem jur�dico,
dizendo que nada tinha me acontecido ali, e se eu dissesse o contr�rio,
era a prova de que eu mentia.
Esta declara��o final foi assinada pessoalmente por mim
na presen�a de duas testemunhas
que garantem que eu estava de plena posse das faculdades mentais
quando a finalizei e assinei.
Fazendo isso, me deram permiss�o pra ir embora.
Assinado, Ashleigh Freckleton.
O motorista perguntou: "Pra onde quer ir?"
Eu: "Me leva pro hotel mais barato que achar na cidade."
"N�o pode ser real, s� pode ser um pesadelo.
Como acordo disso?"
CAIMADES UNIDADE DE CRIMES DE SEITA
Na Fran�a, institu�mos medidas especiais
para combater crimes cometidos em seitas.
A no��o de emprise mentale, ou controle psicol�gico,
foi desenvolvida para se aplicar a crimes de seita.
� algo bastante particular � Fran�a.
O abuso de incapaz � tirar vantagem da vulnerabilidade de algu�m.
N�o estamos falando de uma pessoa doente ou idosa,
mas de uma pessoa submetida a sugest�o psicol�gica.
Pouco a pouco, com o uso de t�cnicas,
a sugest�o psicol�gica cerceia o livre-arb�trio da v�tima.
A pessoa perde o livre-arb�trio
e concorda em se submeter a coisas com que nunca concordaria normalmente.
Depois da inicia��o com o guia espiritual,
eu estava exausta, desorientada.
Estava bastante abalada.
Acho que estava fisicamente tremendo.
Mas, a�, uma das coordenadoras se aproximou
e disse: "Fa�o parte de uma integra��o muito especial de mulheres.
S�o s� mulheres.
Mas � em outro lugar, temos uma piscina,
� perto de uma cidade bem bonita.
Chamam de Jardim dos Milagres."
Ela continuou: "Agora que conhece essas coisas que a maioria n�o conhece,
voc� tem uma responsabilidade.
� sua responsabilidade n�o baixar sua consci�ncia
nem voltar a fazer as coisas como fazia antes,
quando ainda n�o conhecia."
Ela me perguntou se eu estava interessada e eu respondi que sim.
Assim, fomos juntas ao ponto de �nibus em Paris.
Foi a primeira vez que consegui dormir em quase 42 horas, provavelmente.
Chegamos a Praga e fomos levadas a uma casa nos arredores,
na via principal saindo da cidade.
Me fizeram sentar e explicaram o que aconteceria na casa.
Far�amos rituais er�ticos de manh�.
Depois disso, t�nhamos que fazer um turno de quatro horas,
seis dias por semana, num site de c�meras er�ticas.
C�MERA SEXUAL NUDEZ
S� US$ 2,99/MIN
ASSISTA� LEXI! MOLHADA. PRONTA.
ESPIADINHA PARTICULAR C�MERA SEXUAL
Falavam disso assim�
QUER VER MAIS??
J� que faz�amos os rituais de manh�,
a energia dos rituais amplificaria nossa pot�ncia
e nosso magnetismo, no karma yoga e no site.
E ser�amos capazes de transmitir essa energia
para quem nos assistia e os clientes que pagavam.
Assim, aqueles homens poderiam, talvez, come�ar a se conectar a uma energia
al�m da energia sexual b�sica.
A ideia do karma yoga � que � um servi�o altru�sta,
e voc� oferece por um prop�sito maior.
Estar�amos salvando as almas deles, de certa maneira.
Se descesse as escadas at� o andar de baixo
e virasse � direita,
chegaria � sala do canal "Hot and Wet".
Uma salinha min�scula, sem ar, quente, sem janelas.
Iniciava a sess�o.
A�, abria sua p�gina e seu chat�
MIRANDA, RELAXADA, POSA PARA A FOTO DE PERFIL DA WEBCAM
�onde via sua pr�pria imagem sendo transmitida.
�s vezes os caras perguntavam:
"O que voc� fez ontem � noite?"
E nos diziam pra fazer de conta que t�nhamos vidas normais.
Responder que sa�mos pra beber com as amigas.
"Voc� foi pra casa e fez macarr�o."
25% DE DESCONTO CHAT AO VIVO
Diziam pra tomarmos cuidado.
Disseram que tinha gente nos espionando,
gente que tentaria nos derrubar.
Perguntariam: "Ah, voc� faz yoga?",
e nossa fachada cairia.
Naqueles seis meses,
nunca me pagaram por nenhum trabalho que fiz.
Havia a ideia de que quando eu me via na c�mera�
MIRANDA MIRA A LENTE COM UM OLHAR CONFIANTE E SEDUTOR
�estava vendo al�m das roupas baratas.
E, como eu tinha feito tantas vezes antes, ao longo dos anos,
olhava meu corpo e via algo divino.
Tem muita coisa em jogo
quando a resposta � pergunta sempre foi
"Sim, sim, eu acredito, eu confio",
e voc� chega a um ponto em que � "talvez" ou "n�o".
Tem muito da sua vida,
do seu sistema de cren�a particular, seus relacionamentos.
Voc� pode perder tudo, at� onde consegue perceber.
Tudo.
Incluindo seu pr�prio�
futuro espiritual ou sua salva��o.
HORSHAM, AUSTR�LIA
Comprei o primeiro voo que consegui pra Austr�lia.
S� queria estar em casa com minha m�e e meu pai, queria respirar.
N�o trabalhei por um m�s, tentando entender o que tinha acontecido.
Tentei digerir tudo. Estava muito confusa.
Alguns meses depois de voltar pra casa,
fiquei muito b�bada numa festa.
Muito b�bada mesmo.
E acho que desabafei tudo pra um amigo.
Acabei contando pra ele.
Enquanto contava o que tinha acontecido,
vi no rosto dele o olhar de choque.
E ele disse:
"Isso � muito grave, grav�ssimo."
Acho que foi a� que comecei a falar mais a respeito disso.
A Ashleigh me ligou
e basicamente explicou por que tinha sa�do.
Senti muita vergonha e culpa.
TANTRA FEMININO MEDITA��O ER�TICA
Na hora, comecei a pensar comigo mesmo:
"A Ashleigh mal est� envolvida com a escola.
Se uma mulher nesse n�vel de dedica��o � escola
est� sendo levada pra encontrar o guia espiritual,
obviamente minhas parceiras,
praticamente todas as mulheres da escola,
devem ter ido e tido essa experi�ncia tamb�m.
Isso � doentio. Essas pobres mulheres.
Quem � esse cara, afinal?"
BUCARESTE, ROM�NIA
ANDREEA POCOTILA REP�RTER INVESTIGATIVA
Eu estava na faculdade quando o esc�ndalo estourou, em 2004.
Lembro de ver as imagens na TV,
sobre o Gregorian Bivolaru.
Mais recentemente, virei rep�rter investigativa.
Comecei a apurar mais sobre esse grupo.
Estes jornais cobrem um longo per�odo,
do in�cio dos anos 1990
at� 2004, quando o esc�ndalo estourou de verdade.
Fiquei surpresa por isso ainda estar acontecendo.
Porque � uma hist�ria antiga na Rom�nia.
A hist�ria j� tinha 30 anos.
MAIS 300 ENTRAM PARA O EX�RCITO DO DIABO LIDERADO POR GREGORIAN BIVOLARU
O IMP�RIO DE DEVASSID�O DO GURU BIVOLARU
POL�CIA RECONHECE: O GURU NOS DERROTOU!
Todo mundo na Rom�nia sabe quem era Gregorian Bivolaru.
Era um nome muito conhecido.
ORGASMO: C�SMICO EM FERENTARI
A NATHA da Dinamarca diz seguir as leis do pa�s
e que n�o viabilizou encontros com Bivolaru,
nem � respons�vel por escolhas pessoais.
A NATHA da Su�cia diz ser independente
e seguir as leis do pa�s,
sem v�nculos institucionais com Bivolaru ou outras escolas Atman.
Diz que alunos que encontraram Bivolaru
o fizeram � revelia da escola e que ela trata
com seriedade preocupa��es, sugest�es ou cr�ticas de alunos.
O Tara Yoga Centre diz que, devido a processos,
n�o pode comentar no momento.
A Atman diz n�o ser respons�vel
pela vida particular de funcion�rios ou alunos de afiliadas,
e que as alega��es est�o sob investiga��o e n�o foram provadas.
Todas dizem condenar toda forma de abuso.
Gregorian Bivolaru foi procurado atrav�s de representantes,
mas n�o respondeu.
Ele nega todas as acusa��es contra sua pessoa.
Tradu��o: Felipe Bini
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