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Sofia.
- Rimini! - Ol�.
V�o entrando.
Como s�o lindos!
Quando chegou, n�o pod�a mexer o bra�o esquerdo.
Frida fez um milagre.
Meus amigos,
estou muito feliz por t�-los todos aqu� hoje.
Quero brindar com voc�s, que d�o sentido � minha vida e trabalho.
Para que sigamos juntos em busca da verdade
que est� escondida dentro de n�s.
Essa verdade, que quando a encontramos e identificamos
devolve-nos uma harmonia e uma plenitude
que faz com que as coisas simples da vida
como respirar, valham a pena.
Mas, al�m disso, quero que brindemos � Sofia e Rimini
que nos devolveram a f� no amor
e que hoje completam doze anos juntos.
Pensavam que eu tinha me esquecido?
Prova, prova, � para relaxar!
Hoje fiz o que me pediu.
Fiquei um d�a sem ver voc�.
Nunca me senti t�o s� na vida.
E n�o � por que n�o conhe�o ningu�m na cidade ou por que
parecia ser a �nica pessoa viva caminhando pela rua.
Foi...
porque...
eu me dei conta que...
sem voc� eu n�o sou nada.
Que a �nica coisa que me importa � amar voc�.
Hoje e sempre.
� s� o que eu quer�a te dizer.
Frida, precisamos te contar algo.
N�o.
N�o precisam me dizer nada, eu j� sei.
- Voc� est� gr�vida... - N�o, Frida.
� meio delicado dizer isso agora
mas achamos que voc� deveria ser a primeira a saber.
N�o quer�amos que soubesse por outra pessoa.
Rimini e eu estamos nos separando.
Estou pensando em ficar aqu� mesmo.
Acho que n�o suportaria mudar tudo de uma vez s�.
Que bom.
Para mim, � um al�vio.
Assim este apartamento n�o desaparece, continua existindo.
Mudei de id�ia, Rimini. Vou me mudar.
N�o suportaria continuar convivendo com nossas coisas.
Tamb�m tenho o direito de come�ar vida nova, n�o?
Tudo bem. Faz o que voc� achar melhor.
Os vermelhos s�o para voc�. Os azuis, para mim.
Eu separei para a gente n�o se encontrar
vendo o mesmo apartamento.
Seria muito estranho.
Acabei de ver um apartamento perfeito para voc�.
Um desses pr�dios antigos, anos 50, p�-direito alto.
N�o me incomodaria visitar voc� l�.
Deixa o endere�o que eu passo depois.
N�o, tem que ser agora. Tem outro interessado.
Agora eu n�o posso! Estou trabalhando.
Bem, faz o que voc� achar melhor. N�o tenho nenhuma pressa.
Achei que gostaria de v�-lo, s� isso.
E?
Voc� o viu? Gostou?
Deixei o sinal.
Assino o contrato amanh�
e posso me mudar no final da semana.
Que r�pido!
O que fazemos com a cama e o arm�rio?
Fica com eles.
- Tem certeza? - Sim.
Eu fico com o escrit�rio. N�o � melhor?
Sim. � onde voc� trabalha.
Separei estes len��is de linho para voc�.
Compramos em Londres, na loja de Portobello Road. Lembra?
N�o preciso. Eu j� tenho tudo.
Leva, s�o seus tamb�m. Toda a nossa hist�ria est� aqu�.
Est� bem, eu levo.
Fica com voc�.
Tchau.
Faltam as fotos! O que vamos fazer com as fotos?
Outro d�a.
Mas n�o vamos deixar passar muito tempo.
N�o, n�o.
- Voc� me liga? - Ligo.
Vai ligar mesmo?
Claro.
Al�, Rimini? Al�? Al�?
N�o est� a�?
Me liga. Vou estar aqu� entre 7:00 e 9:00.
Voc� tem duas horas.
N�o sei se voc� se lembra, mas temos um assunto pendente.
Acha que eu sou idiota, que n�o tenho olhos?
Acha que n�o enxergo, que n�o ou�o?
Por que faz isso comigo?
Por que me humilha assim?
Mais provas? O que mais devo fazer?
Mandar seguir voc�?
Tirar fotos suas trepando com aquela bocetuda?
Miser�vel!
Voc� � um miser�vel!
Foi a� que eu entendi tudo.
As desculpas rid�culas que me dava.
A folha arrancada da agenda que tinha o nome dela.
�s vezes que chegava com o cabelo molhado
e me dizia que vinha da academia.
N�o sei o que dizer.
Desculpa.
Todas as vezes que me deixou plantada esperando por ele.
Eu sou uma pessoa, sabia?
Tenho olhos. Vejo o que est� acontecendo.
O que vai fazer esta noite?
Nada.
Nos vemos?
Sim.
Al�!
Assinar?
Tenho que assinar?
Estou descendo.
S�o tr�s da manh� e a bruxa da Frida acaba de dormir.
Me faz muito bem te escrever, Rimini.
N�o sei por qu�, quando te escrevo
parece que voc� est� ao meu lado, me olhando.
Diz que me odeia, que gostaria de me machucar
que se apaixonou por outra mulher
mas n�o diga que est� me esquecendo.
Pode tentar, mas n�o vai conseguir. S�o doze anos.
Perd�o, Rimini, Londres me faz mal. Hoje tudo me faz mal.
Ol�.
Voc� quer?
Sim.
Obrigado.
Saiam voc�s primeiro.
- Tchau. - Tchau.
O que est� fazendo, Vera? Aonde vai?
Pensa que sou idiota?
Acha que n�o vi voc� saindo do banheiro com aquela est�pida?
Fez isso de prop�sito, s� para me humilhar na frente de todos.
N�o, n�o. Eu n�o a conhe�o. Nem sei quem �.
Imagine se conhecesse!
Sem conhec�-la, ela j� chupa seu pau!
O que est� dizendo? Pare!
Eu a vi retocando a boca. O batom tinha escorrido!
Escuta, primeiro.
Depois, se quiser, pode ir embora.
O que h� com voc�?
Acha que sou louco?
Por favor, Rimini, n�o me olha.
Se um d�a eu te disser que vou viajar com Frida, n�o me deixa.
Frida est� louca.
Obrigou um rapaz epil�tico a fazer um exerc�cio de rebirthing.
Teve uma convuls�o, quase morreu.
Deixa eu ver.
Voc� cortou o cabelo muito curto. Sabe que eu n�o gosto.
N�o me liga, n�o responde minhas mensagens.
Por que tanto esfor�o para me evitar?
Relaxa. Est� sempre na defensiva.
N�o precisa me demonstrar o tempo todo que � outro.
Andei pensando muito em n�s, sabe? Em como tudo terminou.
Voc� pensou algo?
N�o, n�o. � tudo muito recente.
Mas em algo voc� deve ter pensado.
N�o! N�o sei o que te dizer.
Tudo bem. N�o posso obrigar voc� a pensar.
Mas lembre que est� em d�vida comigo.
Escolher as fotos com as quais quer ficar.
N�o posso.
N�o posso.
Ou�a, Sofia, o passado � um bloco, �...
N�o pode ser dividido, entende?
Eu n�o posso fazer isto sozinha.
Temos que fazer isto juntos
ainda que seja a �ltima coisa que fa�amos juntos na vida.
N�o me deixa s� com esse morto, sen�o vou ficar louca.
- Ol�! - Oi.
Estou morta!
Passei o d�a todo desfilando de calcinha e suti�
em um galp�o horr�vel para uns compradores do interior
que n�o paravam de me olhar como se quisessem me comer. Um nojo!
E por que voc� o faz?
Quero ser famosa e ganhar muito dinheiro.
E voc�, o que fez o d�a todo?
O de sempre, trabalhei.
- O d�a inteiro? - Sim.
- Quer ouvir uma m�sica? - Tudo bem.
Pode p�r o que quiser.
S� uso quando estou traduzindo.
E esta, quem �?
Sofia.
Minha ex-mulher.
Ex.
Terminou. � passado.
Foi uma rela��o de adolescente que durou mais do que devia.
- Voc� me faria um favor? - Sim.
Pode fazer desaparecer esta foto?
Sim, claro.
Voc� faria isso por mim?
Sim, eu juro.
Agora?
Oi, Rimini.
Acordei com a sensa��o de que voc� estava em perigo.
Voc� est� bem? Me liga.
Olha s� que moderno!
Desde quando gosta de pul�ver assim?
Eu n�o gostava...
mas acabei de ganhar.
N�o ficou mal, certo?
N�o, n�o.
Sabe quem me deu?
Sofia.
Cinco minutos antes e cruzava com ela.
Feliz anivers�rio, papai.
Fico devendo o presente mas te convido para almo�ar.
Vi a Sofia bem. Melhor que da �ltima vez.
Vamos?
Ela trabalha com um desenhista de moda, faz desfiles, fotos...
todo esse tipo de coisa.
Quer ganhar dinheiro, ser famosa, como todos.
Ela � linda, pai. Me deixa louco.
Liga para Sofia.
N�o a vi bem.
Estava com olheiras.
Quando falava, parecia que ia chorar.
Falaram de mim?
O que ela disse?
O que dizem todas as mulheres quando se separam.
Que a evita.
Depois de doze anos, tenho o direito, n�o?
N�o sei.
Voc�s t�m que conviver com...
Com o que fomos.
Conhe�o essa frase, � dela.
N�o � necess�rio que voc� a veja.
S� uma liga��o de vez em quando.
� uma etapa, depois passa.
Toma.
Deixou isto para voc�.
N�o quero falar com o culp�vel que confunde viver com fugir.
Quero falar com o garoto inocente.
Se ainda estiver vivo, que bata tr�s vezes nesta foto
que eu lhe abro a porta.
Como sei que n�o ser� capaz de ir sozinho � mostra de Klimt
vou estar esperando na porta do museu.
Sou a garota de cabelo negro e capa amarela, se chover.
Odeio ter que dizer, mas � a sua �ltima oportunidade.
A corrente do Ni�o avan�a sobre a cidade de Buenos Aires
provocando um novo temporal de chuva e granizo
acompanhado por fortes rajadas de vento.
O temporal j� obrigou mais de mil pessoas a abandonar
suas casas em conseq��ncia das inunda��es
e de bairros inteiros que ficaram ilhados.
Uma das zonas mais afetadas foram as imedia��es
do museu de Belas Artes
onde estava se realizando a inaugura��o da mostra
do pintor austr�aco Gustav Klimt.
L� era aguardada a assist�ncia de funcion�rios do governo.
N�o sabe o inferno que foi.
O v�o de ida foi um horror. O avi�o n�o parava de balan�ar.
Chegamos, e n�o parou de chover nos tr�s primeiros d�as.
Tive uma infec��o de garganta.
Achei que ia morrer sufocada de tanta tosse.
Tiveram at� que me dar uma inje��o.
E eu s�, sem ningu�m para me cuidar.
Desculpa, eu deveria ter ido com voc�.
Ontem, quiseram tirar fotos no meio do deserto
e um espinho de cacto atravessou minha cal�a
e fez uma ferida na minha perna. Olha.
- Quero ver? - Aqu�.
- Deixa eu ver. - N�o!
- Deixa eu ver. - N�o, n�o, n�o!
N�o pensa que j� te perdoei.
�s vezes, acho que voc� tem uma hist�ria com outra mulher.
N�o existe outra mulher.
N�o tem. S� existe voc�.
Prometa que o d�a em que houver outra, serei a primeira saber.
Sim.
Al�?
Sim. Quem �?
Sim, � aqu�.
Est� falando com a mulher d�le.
Sim, ele est�. Quem �?
Um tal de Bonet.
Que suba.
Pode subir.
Marcel Poussi�re chega em tr�s semanas para dar um semin�rio.
Gostaria que voc� fosse o int�rprete.
Que bom, Bonet.
Pensei em voc� e na Carmen.
Parece que voc�s j� trabalharam juntos, n�o?
- Carmen Bosch? - Sim.
N�o, acho que n�o.
Ela � �tima.
Estou certo que v�o se entender muito bem.
Bonet disse que � hora de eu sair do computador
e encarar o p�blico.
N�o me desagrada a id�ia de ser bem pago.
Com certeza.
E essa Carmen, voc� a conhece?
Se for quem estou pensando
acho que � uma garota com a qual estudei na faculdade.
Muito bom.
Temos trabalho?
Sim!
Eu era crian�a. Estava no meio de uma favela.
Estava com um vestidinho novo.
E pedi para o meu pai arrumar a saia.
Mas o c�u estava ficando encoberto.
Come�ava a fazer muito frio.
Estava tudo nublado. Eu estava dentro de um t�xi.
Era um pa�s estrangeiro...
Para mim?
Obrigado.
Mas o t�xi era argentino, um daqueles preto e amarelo.
N�o sei em que idioma falavam, eu n�o entendia nada.
Eu pedia para me levar em casa, mas n�o sabia onde morava.
Comecei a procurar na bolsa, e n�o tinha as chaves.
Um telefone tocava.
Eu procurava na bolsa, mas n�o havia nenhum telefone.
E tocava, tocava. Eu quer�a atender, mas n�o tinha...
Um chocolate?
� muito bom!
Tocava, tocava, tocava, e eu acordei.
N�o quer chupar a xoxota dela, tamb�m?
Atrasei! Perd�o.
N�o, o v�o de Poussi�re atrasou.
Deve estar dormindo agora.
Bem, minha experi�ncia com esses famosos � que sempre se atrasam.
- Vamos tomar um caf�? - Sim.
Ah, olha s�.
� pr�-babeliana ou pr�-bab�lica?
N�o, eu diria ''anterior a Babel''.
Anterior a Babel. Sim, claro.
� ele, Rimini.
E essa jarra?
Ele e leva para toda parte.
Vamos.
S�o os sonhadores.
Confundem seus sonhos com a realidade.
Temos visto que a cria��o de uma l�ngua universal
repousa freq�entemente na nostalgia
de uma l�ngua original anterior a Babel.
Poussi�re se atrasou. Queriam sair para jantar.
Consegu� escapar.
Deixei comida na geladeira.
Amanh� ser� o �ltimo d�a de confer�ncia.
N�o quer vir?
Oh, n�o. Voc� acha?
Sim, gostaria que voc� fosse.
Que roupa eu visto?
Teria sido poss�vel chegar a uma �nica palavra primitiva...
Merda!
Perd�o!
O que foi?
Esperemos.
Olha!
Na 5a fila. Voc� a est� vendo?
Como teve coragem de vir vestida assim?
Parece uma louca.
Quer seduzi-lo.
Vera? Seduzir a quem?
Ela se chama Vera? Como tua mulher?
N�o, ela � minha mulher.
Sua mulher foi amante de Poussi�re?
Aquela de losangos negros.
N�o, minha mulher � a que est� sentada ao lado dela.
� linda sua mulher.
Acho que estou me apaixonando por voc�.
Obrigado.
Para levar a cabo essa redu��o de todas as l�nguas
a um denominador comum, � preciso detectar as coincid�ncias
at� que em algum momento se chega a uma compara��o pertinente.
Obrigado.
Obrigado.
Carmen, Rimini! Venham.
Come�aram as perguntas e o velho n�o entende nada.
Vai voc�.
Eu n�o quero ir.
Aqu� em cima.
A pergunta, por favor. Tem muita gente esperando.
Tamb�m n�o tenho a noite toda. Se me permitir, vou prosseguir.
N�o sei se o Professor Poussi�re e seus colegas europeus
conhecem do m�todo terap�utico de Frida Breitchnbach...
Sua press�o caiu. Fique calmo, j� est� tudo bem.
Voc� me olha como se visse um fantasma.
N�o se preocupe com Vera. Ela j� se foi.
- Por que desmaiou? - Tive uma queda de press�o.
Quando chegou?
Esta manh�.
Vi no jornal sobre a confer�ncia e decidi vir.
Vamos comer?
N�o posso, tenho que comer com o pessoal da equipe.
Voc� vai?
E voc�?
N�o. Estou exausta.
- A gente se v�? - Sim.
- Tchau. - Tchau.
Essa � a Carmen?
Sim.
Combina com voc�. D� para ver.
Tem um pouco mais de idade. J� � um avan�o.
Para com isso, Sofia!
Sim, menos paix�o, mais maturidade.
Da Vera voc� j� sugou tudo.
Vamos tomar algo ao menos?
N�o posso. Eu j� disse que n�o d�.
- Mas a Carmen n�o vai. - E o que isso tem a ver?
N�o temos que come�ar do zero, Rimini.
Isso � uma vantagem.
Na esquina tem um bar.
Bem, ao menos me acompanha at� o carro.
Puta que o pariu! Quem porra voc� pensa que �?
Acha que vai ficar livre e solto como se nada tivesse acontecido?
Como pode ser t�o escroto, t�o merda?
Voc� vai me pagar, Rimini!
Olha para mim quando falo com voc�, cag�o.
Sou eu, Sofia.
Fala agora, antes que seja tarde, pois um d�a eu vou morrer.
E a�, quem vai te olhar?
Quem vai pensar em voc� quando eu estiver morta?
Vera!
Vera!
Voc� se d� conta h� quanto tempo que isto n�o acontecia?
Acordar assim, no meio da noite.
J� vai passar, amor.
N�o me cabe aprovar ou desaprovar nada.
Mas a necessidade de crescimento deste pa�s � t�o essencial
que n�o deveria ser submetida a nenhum risco.
H� quanto tempo isso vem acontecendo?
Um ano, mais ou menos.
O ingl�s e o franc�s, que s�o as l�nguas que eu traduzo
desaparecem de repente.
Um d�a me esque�o de frases completas e no d�a seguinte
do significado das palavras.
Aqu� n�o vejo nada.
Est� tudo normal.
Vou poder recuperar tudo o que esque�o?
Tem gente com o quadro igual ao seu
que demora muito tempo para se recuperar.
�s vezes a vida toda.
E outros melhoram de um d�a para o outro.
Vamos esperar um pouco.
Do que falavam?
Quer�a voc� para um trabalho em S�o Paulo.
N�o, n�o. Eu n�o posso traduzir.
N�o pens� que voc� � a primeira pessoa que tem um branco.
� muito comum entre os tradutores.
Disse a ele que eu iria.
Voc� vem comigo, vem como meu acompanhante.
Quarto 152, por favor.
� minha mulher.
Por aqu�.
- Boa noite. - Boa noite.
Pode esperar l� fora, por favor?
Sim, sim.
A gravidez n�o completou as 32 semanas
e n�o vamos correr mais riscos dos que j� existem.
Portanto, vamos intern�-la.
Pode descer e providenciar os pap�is.
- Agora? - Sim, agora mesmo!
Eu n�o acredito!
Voc� est� mais gordo!
- Deixei de fumar. - � inacredit�vel!
O qu�?
H� 2 minutos, falava sobre voc� com Frida.
Eu a estou internando. Ela desmaiou.
� mesmo?
Documento, por favor.
- O meu? - Sim.
Deixe-me ver.
18194920.
N�o. Espere, espere.
Voc�s dois n�o est�o juntos?
- Sim! - N�o.
Estou internando minha mulher na maternidade.
Vou ter um filho.
- Eu n�o acredito! - Nem eu.
Sem mim! Vai ter um filho sem mim.
Filho da puta!
Filho da puta! Filho da puta!
Ainda bem que estou bem.
Tr�s meses atr�s, teria me matado.
Agora estou feliz.
Voc� � um filho da puta, mas estou feliz por voc�.
Estou apaixonada, Rimini.
- � mesmo? - Sim.
Que bom.
Ele mora na Alemanha. Seu nome � Konrad.
Perdeu os pais quando crian�a e foi viver com uma tia louca
que o largou na rua.
A quem?
A tia, ao coitadinho, meu Kaspar Hauser.
N�o vai acreditar, mas Konrad era virgem.
J� ouviu falar de algu�m que seja virgem aos 25 anos?
E o mais genial � que eu n�o falo alem�o
e ele n�o fala castelhano.
Era como estar nus o tempo todo.
Amor, Rimini. Voc� sabe do que estou falando.
Amor puro.
Acho que n�o � por aqu�.
Sabe com quem Konrad se parece?
Com voc�, Rimini.
Com voc�, quando era pequeno. O primeiro Rimini, eu juro.
Olha.
Rimini!
Meu querido.
Separar-se dessa bruxa eu at� entendo
mas desaparecer da minha vida � imperdo�vel.
Vem.
Vem aqu�.
Posso saber onde se escondeu todo esse tempo?
Ele vai ter um filho.
N�o diga bobagens, Sofia.
- Um filho? - Sim.
Com quem?
Com minha mulher.
O que vai fazer com um filho?
T�o jovem, t�o inteligente.
Vai arruinar tudo por um filho?
Va chamar a enfermeira, Sofia.
Vamos, n�o seja merda. Faz o que te digo.
Tenho que ir.
Me d� fogo.
Lembro da primeira vez que Sofia trouxe voc�.
Quantos anos tinham?
- Dezesseis? Dezessete? - Dezesseis.
Eram t�o lindos que dava vontade de desfigur�-los.
Mas voc�s, criminosos, o que fizeram?
Decidiram ser normais, separar-se, apaixonar-se por outros.
N�o tinham esse direito.
Sabe, Rimini,
nas festas de fim de ano
depois que todos iam embora, eu me jogava na poltrona
e me masturbava pensando em voc�s.
Estou indo.
Vamos.
Vou abrir o �tero.
Vamos tirar esse beb�?
Vamos tirar esse beb�, mam�e?
Muito bem, vamos que est� saindo a cabecinha do beb�.
Um pouco de for�a.
Sai a cabecinha, est� saindo o corpo.
Agora sai uma perninha, muito bem.
Muito bem, mam�e, olhe seu beb�.
Parab�ns.
Vamos lev�-lo para a incubadoura?
Com o bracinho assim, � chamada de posi��o do esgrimista.
Conhe�o algu�m que dorme assim.
Este � Lucio.
- Vamos? - Sim!
E as legendas?
� um filme velho.
Veio assim.
N�o d� para ler nada.
- O que quer que eu fa�a? - Que voc� arrume!
J� disse, � um filme velho. Veio assim.
Estava te procurando. Tudo bem?
Sim.
O que houve?
� que sem as legendas eu n�o entendo nada.
E mais um na cabe�a. � o �ltimo. A� est�.
Vamos colocar o capuz.
Assim!
Agora vamos trocar de m�o.
Isso mesmo! � um craque.
Ah, olha quem chegou.
- Ol�. - Ol�.
Oi, amor.
E isto, quem trouxe?
- Foi a Sofia que mandou. - Que lindo!
Ligue para ela e agrade�a.
Sim.
Se voc� n�o ligar, eu ligo.
N�o quero ficar mal.
Lucio, se n�o chegar em 5 minutos, vamos embora.
Criminoso, fumando na frente do teu filho.
Estava indo embora.
Problemas de vestu�rio.
At� hoje eu me visto para te ver.
Oi, Lucio!
Sabe quem eu sou, n�o?
Seu pai deve ter falado de mim.
Eu sou Sofia.
So-fi-a.
A mulher que ensinou ao seu pai tudo o que ele sabe.
N�o se preocupe, � uma brincadeira.
Ele sabe que estou brincando.
- N�o sabe. - Sabe.
Voc� � lindo, Lucio.
N�o ligue para mim, sou um ser emocional.
Teve um filho com outra. Voc� � um traidor.
Mas ao menos sei que n�o estava enganada
quando te imaginava pai de meus filhos.
Voc� fica bem de pai.
- Tomamos um sorvete? - Sim.
- Voc� quer? - Quero.
Continua com Sulphur?
A semana passada estava com a boca cheia de aftas.
E seu namorado, o alem�o?
Konrad.
Konrad.
O primeiro homem por quem me apaixono desde nossa separa��o
e n�o se lembra do nome d�le.
Eu sabia que era com K.
Voc�s se separaram?
Ningu�m se separa, Rimini. As pessoas se abandonam.
E ele me abandonou, como voc�.
Aprendeu o que tinha de aprender e se foi.
� sempre assim. � a minha miss�o.
Curar as feridas deles e coloc�-los de volta no mundo
prontos para serem felizes com outras mulheres.
Posso lev�-lo um pouco?
O que voc� acha?
N�o quer trepar comigo?
Vamos l�, uma metida. Bem r�pida.
Ali tem um hotel. Subimos, metemos e pronto.
N�o significa nada, n�o tenha medo.
Faz muito tempo que n�o tenho um pau dentro de mim.
Estou com tanto tes�o que me doem os ov�rios. Sente s�.
Sente como lateja?
Voc� mete dentro de mim, goza e pronto.
Eu te pe�o, por favor, pelo que voc� mais queira.
E?
Vamos, tira a roupa. O que est� esperando?
J� fizemos outras vezes, ou j� esqueceu?
N�o se preocupe com Lucio, ele n�o entende nada.
J� dormiu.
N�o, n�o.
N�o, Sofia, n�o. N�o posso.
N�o, � uma loucura. N�o!
O que h� com voc�? Est� louca?
Abra, por favor!
Sofia! Sofia!
Sobe. Eu te levo.
Lembra?
Claro que lembra, mas n�o entende nada.
E o Alzheimer, n�o?
Alzheimer?
� uma palavra meio forte, n�o?
E o que pensa fazer agora que est� sem trabalho?
Nada. J� me cansei de traduzir.
Al�m do mais, Carmen ganha bem.
Gigol�, hein?
Voc� sempre teve essa fantasia.
Ou n�o lembra?
Sabe de outra coisa que esqueceu e que eu lembro todos os d�as?
As fotos.
Esses mortos com os quais me condenou
a viver desde que nos separamos.
Pode me arrumar um cigarro?
N�o d�. Ele parou de fumar.
Eu tamb�m parei.
Cigarros e f�sforos, por favor.
N�o tenho. Os distribuidores est�o em greve.
N�o vamos perder tempo. � s� assinar estes pap�is.
Tenho que ler primeiro.
E se n�o estiver de acordo, n�o assino.
Vou poupar seu tempo ent�o.
Assinando este documento, voc� se compromete
a n�o se aproximar a menos de 50 metros da minha cliente.
Segundo: n�o chegar a menos de 50 metros do filho da minha cliente.
O filho da sua cliente � meu filho!
Terceiro:
responsabilizar-se pelos gastos com o tratamento psicol�gico
em conseq��ncia do seq�estro.
Tenha em conta o fato de n�o estarmos cobrando
pelo trauma dela por ter passado a noite toda
procurando em cl�nicas, hospitais e necrot�rios
at� que sua amiga se dignou a devolver o menino.
Naturalmente, n�o ficou sabendo disso.
Como poderia, se chegou em casa alcoolizado, �s 5:00 da manh�?
E a carta?
O que diz?
Lucio jantou bem, tomou banho, bl� bl� bl�.
Desculpe a mecha de cabelo que lhe cortei.
Com alguma coisa d�le eu tinha que ficar.
Algo melhor que as pobres gotas de leite
que deixou dentro de mim no hotel.
Lucio � um amor.
Ele gostou dos Simpsons, etc, etc, etc.
E do m�bile que gira sobre a minha cama
cada vez que me masturbo pensando em voc�.
Eu trouxe da Alemanha um vibrador que � um pau negro, gigante
com duas cabe�as para dobrar em U, enfiar na xoxota e no rabo
pensando no d�a em que, por fim, voc� vai se render
� evid�ncia de que me ama.
� suficiente ou devo continuar?
Ela est� louca!
Est� louca! N�o!
N�o, por favor!
Lamento se foi para a cama com uma mulher perturbada...
na frente do seu filho.
N�o fui! J� disse que n�o fui!
� p�blico e not�rio que tem problemas de mem�ria.
Estou errado?
N�o, n�o.
Al�, Rimini.
Voc� est� a�?
Sei que nunca mais vai querer falar comigo.
N�o sei o que me deu. Devo ter ficado louca.
N�o me lembro de nada.
Lembro do hotel, do t�xi, mais nada.
Tudo se apagou.
Por favor, me perdoa.
Eu sei que � dif�cil.
Mas acho que o melhor agora � que voc� fique s�.
Vou morar em Punta Del Leste,
vender este apartamento,
e te dar o dinheiro para que voc� possa recome�ar tua vida.
Pode ficar morando aqu� e cuidar da venda.
Papai...
me leva com voc�.
Eu posso limpar a casa,
- pagar as contas... - O que est� dizendo?
N�o v� que quando se comporta assim me envergonha?
Os tutsis da Frente Patri�tica de Ruanda ocuparam Kigali.
Em poucas semanas uns 2 milh�es de hutus
fugiram para Burundi, Tanz�nia e Zaire.
S� no campo de refugiados de Goma, mais de um milh�o de hutus
foram dizimados pela fome, as doen�as e novas matan�as.
Milhares de crian�as perderam seus pais.
S� do Lago Vit�ria foram retirados uns 40 mil cad�veres.
Diariamente, milhares morriam de desnutri��o e epidemia.
Principalmente mal�ria e c�lera.
- Ol�. - Ol�.
Viemos pelo an�ncio do jornal.
Ah, sim, sim.
Entre, entre.
Entrem, entrem.
Olhem o apartamento.
S�o 85 metros quadrados de �rea �til e n�o tem garagem.
Pelo estado em que est�, acho que 65 mil � meio caro.
65 mil, nem um peso a mais, nem um peso a menos.
E j� que n�o tem urg�ncia, podemos esperar um pouco.
Para que vender mal?
Se est� com pressa, mande buscar os m�veis.
Mande buscar os m�veis.
Esse � o quarto e...
a cozinha.
O banheiro.
- Mora sozinho? - Sim.
N�o. Quem?
Voc�.
Sim, agora sim. Sim, eu moro s�.
Voc�s t�m que voltar.
Sofia...
e voc� t�m que voltar a viver juntos.
Eu pensei bem. � a �nica possibilidade.
� isso, ou te matar.
Toma!
Toma, come.
Come.
Quando me apaixonei por ela
percebi que era tarde, mas n�o liguei.
Precisava de mim.
O telefone tocava e ela corria para atender.
Era o pai, a tia, Victor...
qualquer um.
N�o era voc�.
''Como pode esperar que seja ele?'', eu dizia.
''H� quanto tempo est�o separados?''
''N�o posso v�-lo assim'', ela me dizia.
� o mesmo que deix�-lo morrer.
Assim, enquanto voc� morria
eu estava com algu�m que dizia que me amava
e s� pensava em voc�.
Um d�a, muito contente, disse: ''Hoje vou conhecer o Lucio.''
Ela me ligou nessa noite. Estava com seu filho em casa.
Nunca a vi t�o feliz.
Falava enquanto dava banho nele.
Quando ia embora, disse que n�o quer�a me perder
que tinha se afei�oado pelo meu pau.
Depois disso, a gente s� se via para trepar.
Nem convers�vamos.
Tudo o que voc� tinha:
Lucio, sua mulher...
voc� j� perdeu.
Voc� se d� conta?
N�o pode viver sem ela.
Voc�s t�m que voltar.
Vai fazer o que eu mandar
e n�o conto para seu pai sobre o estado em que te encontrei.
Vamos.
Direita! Direita! Direita!
Quatro, cinco, seis, sete, oito!
46, 47, vamos, 48...
nove e dez.
N�o se ap�iem no banco, apenas encostando.
Vamos! Aumentamos a carga!
N�o consigo continuar! Estou morta!
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez!
Onze, doze, treze, catorze, quinze!
Agora com o p�.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco!
O outro.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco! De novo.
Isso!
Vamos, continue.
Puta que o pariu, caralho!
Pare! Pare!
A chave ficou l� dentro!
N�o quero ir para casa, por favor.
Me leva ao psiquiatra, preciso de um calmante.
N�o, � melhor me levar ao quiropr�tico! Vamos!
Vire � esquerda.
� esquerda, agora!
Enfia tudo! Tudo!
onze...
At� a�, n�o suba mais do que isso.
treze...
catorze, quinze...
Continue.
dezesseis...
dezessete...
dezoito...
dezenove...
Muito bem. At� trinta.
- Nancy continua? - Sim.
- Por qu�? - Quantas vezes?
Duas vezes por semana.
Voc� � um privilegiado. Comigo eram quatro.
Quer dinheiro?
Va embora, ou chamo a pol�cia.
Pol�cia!
Pol�cia!
Seguran�a!
Voc�, venha.
Venha!
Basta, Rimini. Agora, chega!
H� quanto tempo eu n�o tinha o prazer de te ver dormir.
Sabia que em sonhos voc� fala em franc�s?
Que continua sentando na cama
no meio da noite, ainda dormindo
com os olhos abertos.
Eu disse ao Victor:
''N�o adivinha quem est� dormindo na minha cama.''
Acha que ficou surpreso?
Perguntou se vamos dar uma festa.
Eu disse que n�o.
Bem, agora tenho que ir.
Todas suas coisas est�o como as deixou
e a casa voc� j� conhece.
Te deixo a caixa com as fotos. Esperam por voc� h� anos.
Ol�!
Rimini, lembra da Paula?
Sabrina, Ana...
Isabel, L�via.
Das festas da Frida.
Ol�.
Esta � Raquel.
E Mercedes.
N�o acredito nas voltas que deu para chegar at� aqu�.
Sigo cumprimentando.
N�o falei? Ele lembra de todas.
E estes dois, quem s�o?
Gast�n e Marcos.
Marcos?
Da escola.
E esta onde �?
O casamento do teu irm�o.
� tua.
Voc� tamb�m est�.
Onde?
Estou olhando para voc�.
Fico com ela?
Como n�o posso ter o sorriso do seu amor
eu me felicito porque sofro.
Eu sou essa que geme, que arde.
Quero ser tua, te espero.
Sou merecedora de ser amada, porque espero que me amem.
Sei que o meu d�a vai chegar.
Bem, agora quem quer pedir ajuda?
Eu.
No d�a em que meu marido me deixou
sabem o que me disse?
Que tenha boa sa�de.
N�o lhe demonstrei nada.
Eu sa� com v�rios caras.
Quer�a me divertir, mas
era cada vez pior.
Eu me sentia vazia, s�.
Percebi que n�o eram eles o problema.
O problema era o que se foi.
Ele tinha que voltar.
Todas n�s conhecemos hist�rias de homens que saem de casa
e nunca mais voltam.
Est� em nossas m�os traz�-los de volta para sempre.
O retorno de Rimini demonstra que � poss�vel a separa��o,
o sofrimento e o final feliz.
Olhe! Foi quando fomos ver Adele H.
Lembra?
Como n�o iria me lembrar?
Voc� chorou o tempo todo.
Feliz, Sofia, de estar inaugurando a Adele H?
Sim, muito feliz e estranha
ontem est�vamos sonhando com este lugar e hoje o inauguramos.
Conte para n�s o que � o Adele H.
� um lugar de reuni�o.
Um ref�gio onde as mulheres se juntam para curar suas feridas.
E o que diz Adele H, por exemplo, sobre os amores perdidos?
Que podem ser recuperados.
Come�amos a perder os homens quando come�am a nos esquecer.
E os perdemos de vez quando esquecem
o quanto foram felizes com a gente.
E o que acontece quando duas pessoas se separam de comum acordo?
Bem, todas n�s sabemos que a separa��o
tamb�m pode ser parte de uma hist�ria de amor.
Venha, Rimini. Todas querem te ver.
Dizem que � tudo mentira e est�o amea�ando
ir embora e difamar o instituto.
Meninas, aqu� est�!
Sofia, n�o nos tinha dito que ele era t�o lindo.
Nem para mim. E para voc�s?
Meninas, uma foto.
Fiquem todos juntos!
Outra, outra!
Outra?
Mais uma, mais uma!
Vou tomar algo.
Cointreau para mim, Rimini.
Sim!
Rimini?
- � voc�, n�o? - Sim.
Por qu�?
Sei tudo de voc�.
Eu tamb�m amo o ''Beijo de Klimt''
e Veneza.
E tamb�m ardi de febre em um hotel num pa�s estranho
onde n�o conhecia ningu�m.
E eu tamb�m fui abandonada.
Mas eu sei o por qu�.
Fui eu que deixei de querer.
Eu n�o te conhe�o.
N�o tenha medo.
Vem.
Vem comigo.
Vamos partir juntos.
Conheci mulheres antes e depois de voc�.
E ainda vou conhecer outras.
Quando estivermos casados, voc� ter� a mesma liberdade.
Poder� ter todas as mulheres que quiser.
Amo voc�. � t�o dif�cil assim de entender?
Adele...
se realmente me ama, n�o deve me obrigar a casar com voc�.
Voc� n�o me ama mais?
Eu te amei, Adele.
Diga que voltar� a me amar. Diga que posso ter esperan�as.
Sabe que perten�o a voc�!
Estou disposta a te obedecer em tudo!
N�o va embora! Tome!
Para que pague tuas d�vidas de jogo.
Eu aceito. Mas n�o como um presente.
� um empr�stimo.
Agora te pe�o que va embora.
Escute! Antes de nos separarmos definitivamente.
Diga se poderia me amar.
Beije-me!
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