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Ela tá bem calma.
Chama a chuva, chama com ela.
Calma.
Chama a chuva. Chama a chuva.
Chama a chuva.
Chama a chuva.
Chama a chuva.
Victor, meu querido sobrinho, a dor de vê -lo tão machucado só é menor do que a
culpa por ter te mentido e causado essa tragédia.
Um dia pensei que poderia ser seu pai e mãe, mas a verdade é mais forte que nós.
Agora te vejo.
Dezenove anos depois, vem começando a vida mais uma vez.
Vá embora, Victor.
E nunca mais volte para essa cidade.
Faz de conta que teu tio está morto.
Você não tem mais família, você não tem mais passado.
Eu escrevo essa carta porque eu não tenho coragem de dizer o que precisa ser
dito. olhando nos teus olhos.
Talvez você nunca me perdoe, mas agora que eu não tenho você, eu percebo a sua
importância em minha vida.
Eu tentei ser um bom tio.
Eu te criei com liberdade e carinho.
E você parecia feliz até a aparição daquela maldita mulher.
Olha aqui, eu estou esperando a hora para ser atendida, enquanto vocês ficam
conversa fiada, fofocando e babando em cima de crianças.
Desculpa que a doutora Suzy está em reunião e deixou o Gabriel para a gente
uma olhadinha.
Isso não é problema meu.
Eu não tenho nada a ver com a doutora Suzy nem com o Gabriel.
Eu vim aqui para assinar um documento importante e sempre deixo plantada
poltrona há uma hora e meia.
Para.
Vamos resolver isso.
Traz os documentos e eu assino e acabou.
Se a gente não resolver isso agora, eu vou embora e não volto mais. É simples
assim. Segura -se, isso aqui não é lugar...
Mas é preciso ter um coração muito duro para tratar um bebê dessa maneira.
O senhor está falando comigo?
O que você acha?
Sai daqui antes que eu chame a segurança.
Eu vou para o Deodamos para trocar de escritório de advocacia.
Eu vou atrás de um lugar onde o tratamento ao cliente seja, no mínimo,
prática rotineira. Fora! Fora daqui!
Estou com a minha?
Deixe -me ficar calmo.
Senhorita João, por favor, me acompanhe.
Por favor.
Vamos.
Vai pro inferno.
Tinha que ficar calma.
Calma.
Pra ser sincera, eu não gostei de nenhuma.
Pô, Vitor, não me deixa mal, né?
Sou eu nas fotos? Não, não sei.
Não sei, Ana. Eu acho que esses efeitos todos que eu coloquei, eles meio que
apagam você.
Sua beleza é muito mais espontânea.
Lá vem você me sabecando de novo.
Não, não tem nada a ver com isso.
Quer uma cerveja?
Não, não.
Hoje não vai dar. Eu preciso ir.
Já? Eu preciso levar um documento numa balada pra uma bandoca assinar.
Entendeu?
Ah, tá.
Documento na balada. Conta outra, vai.
Você vai ver alguém que tá me escondendo.
Você tá com ciúmes, Aninha.
Ciúmes agora? Você nunca quis nada comigo?
Ai, filho, tu não ia perceber?
Você não é nada disso.
A mãe, antes de um dos clientes mais importantes do escritório, deu um piti.
E o meu tio, por acaso, tava lá, meio que mandou ela embora.
O doutor Caminha até queria levar os documentos pessoalmente pra tal Jô
assinar, pra não perder parte do faturamento.
Jô Lisboa?
É uma louca aí, você conhece?
Claro, eu mudei pra socialite, você nunca ouviu falar?
Vem cá.
Ela namorou um desses jogadores de futebol famosos por aí e ficou um tempão
Europa. Faz pouco tempo que ela voltou pro Brasil com o Jota Damaso.
Ela deve estar esperando tudo dele.
O doutor Caminha mandou desculpas pelo inconveniente com meu tio.
Seu tio deve ter um gênio dos infernos, hein?
Deve ser difícil ter sobrinho dele.
Ele é esquentadinho, mas é uma boa pessoa.
Olha, normalmente não perdoo ninguém por me tratar daquele jeito.
Eu acho que tantos anos trabalhando como juiz fez ele ficar meio assim.
Mas no fundo ele é um coroa gente boa.
Nossa, você é um moleque, né?
Você é advogado ou é boy do escritório?
Não.
Nenhuma coisa nem outra.
Então você é o sobrinho arrependido que veio tentar contornar a situação quando
o damas ameaçou tirar as empresas do escritório do Cecil.
Também não.
O escritório não é mais do meu tio.
Eu estou pensando em cursar direito.
Por isso eu vou lá.
Mas eu também nem sei se eu quero ser advogado.
Então eles te mandaram aqui porque você deve ser o mais bonitinho do escritório.
Ei, ei, ei, estou brincando com você.
Como é que você se chama?
Vitor.
Não tem problema de ser bonito não, Vitor.
Enquanto você não decide o que quer fazer da vida, aproveita a festa.
A gente só tem que dar um jeito na tua roupa. Não dá pra ficar sem fantasia
festa fantasia, né?
Saudamos mesmo.
Tá
bom?
Posso?
Agora ficou melhor.
Não vai me dizer que você quer virar paparazzi?
Se você quiser, eu posso pagar.
Mais ou menos.
O que?
Nunca ninguém me pegou assim.
É uma foto do seu lado.
Não, é boa.
Você tem um olhar?
Desculpe. Não, imagina.
Imagina, tudo bem.
Eu gosto do cheiro.
Tchau, amor.
Outra volta com esta fedentina.
Vai, amor, ela é tudo seduzida.
Ainda por cima me deixa sozinho.
Amor, é Vitor.
Vitor Damaso. Eu amo o Vitor. Ele veio me trazer os papéis para assinar.
Assinei, está tudo pronto.
Andiamo.
Bom dia.
Bom dia, seu Timóteo. Pelo jeito a noite foi boa.
Fui resolver o problema que o senhor criou no escritório ontem. Quem teve
ataque psicótico não fui eu. Foi aquela louca. Sim, não foi o senhor, mas o
senhor, como sempre, resolveu bancar o defensor dos fracos e oprimidos.
Eu não sei porquê, mas eu acho que eu conheço aquela mulher de algum lugar.
Aquela voz não me é estranha.
Também do jeito que você era, não dá pra lembrar de todas, né?
Bom, vou dormir porque eu tô morrendo de dor de cabeça.
Daqui a pouco o motobar vai passar aqui.
Entrega ele pra mim, por favor.
O que é isso aqui?
Prova circunstancial.
O que é?
É um futuro delito amoroso?
Alô.
Desculpa, eu escolhi errado.
Sim. Sim, é o Victor que tá falando.
Quem tá falando?
Hoje?
Tá.
Tá bom.
A senhora o aguarda. Me acompanhe, por favor.
Você tava na festa ontem, não tava? É, fui eu que atendi essa chamada
telefônica. O senhor vai encontrar tudo que necessita aqui.
E a senhora o espera no final desse corredor. Com licença.
Eu conheci Joaquim na Corvelo.
Muito antes de você nascer, Vitor.
Ela era quase uma menina.
Mas a lembrança do brilho daqueles olhos me acompanhou por anos enquanto eu
fazia meus estudos longe do Brasil.
Quando tinha saudades de casa, lembrava dela.
Daqueles dias ingênuos que passamos nos olhando e fazendo estúpidas promessas de
amor.
Mas ela não esperou por mim.
E quando eu regressei, ela já tinha engravidado e casado com outro.
Ei.
E aí, ficou bem depois de ontem?
Digamos que eu... que eu tô ficada.
Eu sempre preciso de um dia off quando me acabo daquele jeito.
Mas estou melhor agora que você chegou.
Ei, está esperando o quê?
Você está querendo que eu entre aí com você?
É claro, vem cá, entre aqui.
Gente, isso é lindo, né?
Gostou da festa ontem?
Num incrível lugar? Eu pedi pra o Demo reservar, assim, a ver se numa festa...
Só que tinha um monte de vento, tava uma loucura. Eu queria que fosse assim,
mais, sabe, todo mundo vier fantasiado, que estivesse... Eu nunca vi.
Eu nunca vi uma mulher como você antes.
Eu não sei.
Eu acho que eu fico querendo ver alguma coisa por trás dos seus olhos.
E isso me dá um medo.
É como se a gente já se conhecesse de antes.
Só que de um jeito diferente, sabe?
Mas isso é bom.
Azenoa, traz o meu roupão, por favor.
Fica tranquila aí, eu vou estar no bar.
Só esses caras não tem mais o que inventar.
Eles é que tão perdendo pra não te conhecerem de verdade.
Ah, porque você já acha que me conhece?
Eu acho que você não é o que diz nessa revista.
Jô.
Olha só.
Eu sei.
Que pode parecer maluquice o que eu vou te dizer agora.
Na verdade, nem eu sei explicar.
Mas é que eu me sinto muito bem.
Quando eu tô com você.
É, eu também, Victor.
Eu gosto de você desde que eu te vi.
Mas não dá.
Tá, não dá. A gente só pode ser amigo.
Tem um livro que eu quero te mostrar.
É um livro de fotografia que eu trouxe de Nova York. Tem uns caras incríveis.
Você vai adorar.
Eu quero que você veja isso.
Me deixa eu te fotografar?
Ai, menino.
Eu quero te fotografar.
Ai, você.
Deixa. Deixa.
Não diz assim?
Você vai me visitar.
A gente vai ficando amigos.
Você me conhece melhor. E se ainda assim você quiser me fotografar, a gente faz
essa foto.
Você.
Espera.
Desce a mão.
Por quê?
Estava aqui pensando, Aninha.
Se eu conseguir fazer com que a Jo venha aqui.
Você me empresta o estúdio para eu fazer umas fotos?
Como é?
Jo Lisboa?
Ah, é sério. Eu estou falando sério.
O que está rolando, Victor?
Não está rolando nada.
Eu só achei ela fotogênica. A gente conversou, bateu um papo. Ela quase
Eu tô falando sério, presta atenção.
Quem sabe, assim, ela não vira um fotógrafo de verdade.
E ela vai te pagar pra essas fotos?
Não, ela não vai pagar. Eu só dei a ideia, ela gostou.
Vocês ficaram.
O que ficaram aqui, Aninha? Que bobagem.
Vitor, você ficou com ela. Eu não acredito que você ficou com ela. Ela tem
pra ser minha mãe.
Ah, que bom que você tem noção disso.
Olha só, ficou ótimo. Muito obrigado.
Depois eu te dou um soninho de presente.
Não, não, não. Deixa eu ver.
Vitor, deixa eu ver. Ana, melhor não. Ana, me ouve. Isso aqui é só uma prova.
Quando eu tiver o resultado final, eu te mostro.
Tá bom?
Beijo. Deixa eu ir, que eu tô atrasado.
Senhor Vitor.
A senhora pede desculpas, mas ela precisou fazer uma viagem de urgência.
pediu que entregasse esse livro para o senhor.
E essa mudança?
Ela resolveu aproveitar a viagem para se mudar para um novo apartamento da Rua
das Flores.
O senhor Damaso... Mas peraí.
Ela vai se mudar com o J. Damaso?
Senhor Victor, a minha senhora o estima muito.
Ela estava à espera da sua visita, mas essa viagem de última hora era muito
importante para os seus negócios.
E não, ela não vai se mudar com o senhor Damas. São apenas negócios.
Diga a sua senhora que eu não posso aceitar seu presente.
Senhor Victor, espere, por favor.
Nunca mencione a ela que você viu isso.
Tio, eu preciso muito que você me empreste o carro. Ah, o Caminha me
Ele disse que há dias você não vai no escritório.
Vitor,
está certo que você está indo lá só para ver se é isso mesmo que você quer
fazer.
Mas já que você se propôs, tem que fazer a sério.
Sabe o que é?
Surgiu a possibilidade de umas fotos.
E eu preciso muito do seu carro para poder fazer essa viagem.
Fotos?
Mas o que foi?
Você virou modelo agora?
Se eu te mostro, não tem nada a ver com isso.
Absolutamente nada a ver.
É que ela... Ah, entendi.
É, é, tio.
Preciso encontrar uma menina aí.
E o trabalho, Vitor?
Tio, vai.
Está absorvido, em nome de Vênus.
Vai pra tua aventura, vai.
Deixa o caminho comigo.
Ai, tá vindo aí, peró.
Tá vindo aí?
Seu juiz, seu juiz.
Muito obrigado, viu?
Mas depois eu quero que me conte tudo, hein?
E com detalhes.
E muito mais estava por vir.
Infelizmente, quando eu percebi que era preciso intervir, era tarde demais.
Espera, espera, espera. Calma.
Calma, calma, calma, calma. Eu não quero, eu não quero assim.
Eu te amo, eu não quero estar com você, estando com outro homem.
Não assim.
Separa dele.
Larga ele, Jô.
Larga ele, eu não aguento mais.
Eu sei, me dá um tempo.
Me dá um tempo.
Pra gente estar junto, eu tenho que garantir nosso futuro financeiro.
Não dá pra eu me livrar do Damas antes de conseguir, você entende?
É racional, pensa comigo.
Mas aí de novo... Não, de novo nada, confia em mim.
Confia em mim.
Eu vou conseguir, eu tô fazendo isso pela agência.
Quando eu conseguir, a gente vai ficar livre, vai ficar bem.
Junto.
Mas como um viciado, seu êxtase rapidamente transformou -se em angústia
desespero.
Você não vai comer nada, meu filho.
É fome.
Então eu estive pensando.
O que você acha de fazer uma viagem?
É importante para a sua idade.
Você faz uma...
Faz um intercâmbio. Você conhece outro país, outras pessoas.
Melhor o seu inglês.
Obrigado, tio.
Eu não sei se eu quero, não.
Olha o que essa menina está fazendo com você, meu filho.
Vai.
Assim você repensa a sua relação.
Você bota a cabeça no lugar.
Faz um curso qualquer, se quiser.
Qualquer bobagem.
Tio, obrigado.
Mas eu não quero e eu não vou gastar o seu dinheiro por qualquer bobagem.
Vitor!
Nenhuma mulher merece isso.
Você está parecendo? É o boboca do seu pai?
Indo atrás da libertina da sua mãe.
Victor?
Você está bem?
Olha aqui, menino.
Se você quiser se matar, eu até te empresto meu revólver.
Mas procura não errar.
Porque além do ridículo, eu não quero ver o meu sobrinho com a cara toda
arrebentada.
A proposta da viagem ainda está de pé?
Claro, meu filho.
Vai ser bom para você.
Vitor, tudo que eu quero agora é ver de novo um sorriso no seu rosto.
Eu quero ir.
Eu quero ir.
Quanto antes.
Ju, para.
Para, para, Ju.
Para, para, Ju. Chega.
O que é isso?
A gente não pode continuar com isso.
Hã?
Quem era o cara que estava no seu apartamento ontem?
Como assim? Que cara? Do que você está falando? O cara que estava no seu
apartamento ontem à noite com você.
Olha, já está duro. Tem que engolir o damas, Ju.
E agora você me vem com mais um cara.
Vai embora eu saber que isso aconteceu quando você me conhecesse.
Eu não acredito que a pessoa que eu vi ontem mesmo ajude o que eu conheci.
Aquela mulher não é a mesma que diz que me ama.
Olha aqui.
Você está certo, você pode pensar o que você quiser de mim.
Mas eu não tenho o direito de duvidar do que eu sinto por você.
Vai embora.
Não vou.
Não vou.
Vai embora.
Desculpa.
Desculpa. Desculpa, desculpa, desculpa.
Eu tenho ciúmes de você. Eu tenho ciúmes de você, é isso.
Eu tava quase indo embora.
Dessa porcaria de país pra ver se eu conseguia viver sem você.
Que briga, eu te mato. Se é isso que você tá ouvindo.
Jo, olha pra mim.
Eu tô falando muito sério.
Ou você termina essa coisa com o Damaso agora.
Ou eu vou embora.
Tá.
Tá.
Tá, a gente chegou no limite. Chegamos no limite.
Eu também não aguento mais, Pedro.
Eu vou mudar.
Eu vou parar com isso.
Pra ficar com você.
Todo dia é domingo aniversário. O Damos vai me dar um presente.
E a gente vai ficar bem.
Eu largo dele.
Eu decreto a aposentadoria.
Ele é meu convidado de honra.
Leva uma amiga, de preferência bonitinha.
Veja boazinha.
Entra no táxi e amanhã a gente se fala.
Eu preciso voltar lá pra cima. Não, vamos embora comigo, vira. Vamos embora
você, Ana.
Entra no táxi. Pai, por favor.
Você sabe o que é isso, né? O quê?
Carência materna.
Freud explica, meu bem. Ah, é?
Típico. O garoto criado pelo tio agora traz mulheres mais velhas pra suprir a
ausência da mãe.
Ana, Ana, Ana, Ana, para, para, para, parou. Tá bom.
Tá bom.
Vamos fazer o seguinte.
Eu vou pagar o teu táxi, que fica valendo pelas sessões de terapia.
Apesar disso, é um problema meu.
Agora você vai entrar nesse táxi e você vai para a sua casa.
Vai, entra.
Entra, Ana, vai.
Cadê eu? Vai.
Lá de novo vai se levar até um esconderijo.
Fica lá tranquilo.
Eu vou estar ansiosa sabendo que você está me esperando.
Vão ser os nossos últimos momentos separados, Vitor.
Eu prometo, menino bonito, que a partir daí nenhum outro homem nunca mais vai
entrar na nossa casa.
Eu não vou te dar sossego.
Se não ficar com mim, não vou ficar com nenhum outro.
Para mim, você desapareceu. Não dormia mais em casa. Não jantávamos mais
Eu não sabia da sua vida.
Mas parece que todo o país conhecia em detalhes a sua intimidade.
Você era o controvertido desconhecido.
O jovem sem dinheiro nem futuro que conquistou o coração da mulher fatal,
-convertida ao amor.
Eu imagino como eram os seus dias com ela.
Dedicando -se apenas ao amor por uma mulher que você não tinha ideia de quem
era.
Eu paguei caro por estimular seus romances de adolescente.
Quando chegou o amor à tua vida, você me escondeu.
Mas da maneira mais improvável, a verdade sempre aparece.
Pois não?
O que é isso?
O que significa isso, meu senhor? Joaquim! O senhor pensa que o senhor
Joaquim! Vamos chamar a polícia! Pelo amor de Deus, o que está acontecendo
Janot?
O que é isso?
Eu vim evitar uma tragédia.
Azenor, por favor, vai buscar minha roupa na lavanderia.
Aqui eu devo a honra de receber a visita do meu querido ex -cunhado.
Não foi você que jurou nunca mais cruzar comigo, Timóteo? Você que está entrando
na minha vida.
Você sempre cruza a minha vida.
O que eu fiz agora?
Você está muito mudada.
Está bem diferente de quando eu te encontrei naquele bordel em Milão.
Mudei, né?
Você viu, meu bem?
Eu conheci sozinha o mundo que você prometeu me mostrar.
Mas continua mesmo a vagabunda.
Não, você não veio aqui me insultar. Não, como da última veio, né?
Você disse que veio evitar uma tragédia. Vamos ao ponto. Fala, fala direto.
Tá bem.
Vamos à questão.
Eu vim aqui pra falar do seu filho.
O meu filho tá morto.
O que é que você vai inventar agora pra me jogar na cara?
Para me fazer lembrar e relembrar e relembrar que eu abandonei o meu filho e
eu sou a culpada responsável pelo acidente que matou ele e o Pedro.
Não houve acidente.
Quando meu irmão percebeu que você não voltaria mais, ele se matou.
Como assim se matou?
Quem te matou? Eu acabei.
Quem matou o bebê e o Pedro?
O bebê.
O bebê que você abandonou.
Ele agora está com 19 anos.
Você não fez isso comigo.
Você me deixou todos esses anos acreditando que ele estava morto,
Cadê o meu filho?
Cadê o meu filho listado de mim?
Você tem visto seu filho todos os dias.
A cama.
Vitor, é seu filho. Não!
Não, é... Vitor, é seu filho.
É a melhor opção.
Some daqui.
Volta pra merda que você sempre viveu.
Jô, o que você está fazendo aqui?
Jô, fala comigo. Jô, o que está acontecendo?
Jô, fala comigo.
Jô, fala comigo.
Jô, fala comigo. Jô, o que está acontecendo? Sou eu, sou eu, sou eu, sou
menino. Jô, fala comigo. Sou o menino, sou eu.
A história dessa cicatriz que você tem no rosto.
Este é o seu passado e o seu presente.
Sei que vai ser difícil superá -los.
Mas eu tenho certeza de que você será capaz de construir um grande futuro
do cenário dessa tragédia.
O táxi chegou.
Vamos.
Som.
Sim. Vamos que a gente já está em cima da hora.
Peter, eu não vou ao aeroporto.
Eu não gosto de despedidas. Eu estou muito cansado.
Os últimos acontecimentos foram duros para essa família.
Seu juiz, seu juiz.
Tenho que agradecer por ter você na minha vida.
Sempre me protegendo.
Eu acho que com tudo isso eu aprendi que se tem alguém que sempre cuidou de
mim, sempre olhou por mim.
Se alguém for você.
Obrigado, tio.
Muito.
Às vezes é melhor viver na mentira do que sofrer as consequências da verdade,
Vitor.
A verdade pode ser a maior das crueldades.
Can't find what you're looking for?
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