Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Eu nasci de olhos fechados.
Todo mundo nasce de olhos fechados.
Mas os meus estavam cerrados, t�o apertados que chegavam a fazer rugas.
Permaneci assim, de olhos fechados, por mais de duas semanas.
Minha m�e, ao contr�rio do que era de esperar...
n�o se preocupou.
Dizia o tempo todo que, quando eu estivesse preparado...
e quisesse, eu abriria os olhos.
Foi assim de cara, nos primeiros dias de vida...
que aprendi o que era livre-arb�trio.
Francisco j� estava acostumado com aquele ritual...
mas naquele dia foi diferente.
Enquanto ele me encarava atrav�s do vidro grosso do ber��rio...
eu, sem mais nem menos...
abri os meus olhos e olhei direto nos olhos dele.
Voc� acha que ele sabe nadar.
- N�o! - Ah, te enganei.
- Eu vou jogar ele! - N�o!
Tira os chinelos.
Voc� n�o quer? Voc� n�o quer?
- Qual o nome dele? - Basta.
Que nome rid�culo para um cachorro. Ainda mais de pano.
- Foi a mam�e que escolheu. - Deve ter sido pra te zoar.
Ela disse que era um nome "apopriado".
� "apropriado" que se diz, Thom�s. Vem pegar, vem.
- Me d�! - N�o.
Os dois j� pro banho...
que o almo�o vai ser servido dentro de 15 minutos.
Rosa, tira o meu cachorro dele!
Ela n�o consegue, eu sou mais r�pido que ela.
- N�o �, n�o. - Sou, sim.
E voc� n�o vai conseguir pegar. Olha que cachorro feio.
- Devolve! - Vem pegar!
Pai, pega meu cachorro dele!
Voc�s dois est�o fazendo uma bagun�a!
Rosa, obrigada pelas empadas, viu?
Vou dizer: Depois de voc�s...
as empadinhas de queijo da Rosa s�o a coisa que eu mais amo neste mundo.
Jura?
O Alexandre falou que, quanto mais a gente gosta de caf�...
a gente gosta de sexo.
N�o sou eu exatamente que falo isso. � cient�fico.
- � mesmo, Alexandre? - �.
E como � que � isso, Alexandre?
- Thom�s, eu sou seu pai. - Eu sei, Alexandre.
Eu tenho que ir para a obra.
Fica s� mais um pouquinho, meu amor...
os meninos ainda n�o acabaram de comer.
Come mais uma empadinha!
Empadinha! Empadinha!
Olha l�, o Francisco como t� nadando bem...
Quando eu crescer, eu quero nadar igual a voc�.
Vou pensar no seu caso.
Como assim?
Vou pensar se eu vou deixar.
Fa�o tudo que meu irm�ozinho quiser...
S� que voc� tem que aprender uma coisa, Tom Tom.
- O qu�? - A respirar debaixo d'�gua.
- N�o! N�o! - Voc� consegue?
Meninos!
Voc�s est�o demorando muito nesse banho.
Fica fria, Rosa.
�, fica fria, Rosinha.
Quem � que fez essa bagun�a toda aqui?
- Eu n�o fui! - Eu n�o fui!
- E quem � que est� mentindo? - Eu.
Dois minutos para sair do banho!
- Toma, toma. - N�o passa isso.
J� gastou muito. Para com isso.
T� fazendo bagun�a.
T� jogando musse pra virar xampu de cabelo de Francisco.
Isso, t� pronto, pra dormir como um nen�m.
Eu n�o sou um nen�m.
Mas mesmo assim vai dormir, porque eu preciso fazer meus exerc�cios.
- Mas eu quero ver. - T�, fica bem quietinho, t�?
Toma isso!
Quem mandou voc� mexer na minha mochila, hein?
Nojento, monte de bosta.
"Nojento, monte de bosta"?
Voc� vai ver o que eu vou fazer com voc�.
Para de gritar. Para com isso.
- M�e! - Para de gritar!
- Sabe que eu vou fazer com voc�? - N�o!
Para de gritar!
O Antonio Carlos me ligou para me contar os detalhes...
de como foi a sa�da do Collor do pal�cio.
E como � que foi?
Ele disse que estava na sala...
quando o Collor pediu pro piloto do helic�ptero...
para dar uma �ltima volta por cima de Bras�lia...
...antes de lev�-lo pra Casa da Dinda. - E?
E que o piloto do helic�ptero disse que n�o, que tinha ordens...
para lev�-lo direto para a casa.
Bem feito!
Nunca te ouvi falar assim, desse jeito.
- N�o? - N�o.
Agora t� vendo.
Que coisa mais sexy.
Voc� acha?
Voc� gosta de ver?
Voc� gosta de ver!
Voc� n�o t� esquecendo de nada, n�, Tom Tom?
Eu n�o.
Olha s�!
Olha, olha! Seus amiguinhos chegaram.
Por que ser� que eles n�o cantam?
Ser� que eles s�o mudos? Como eu era cego?
Alguns passarinhos n�o cantam mesmo. E voc� nunca foi cego...
S� n�o quis abrir os olhos quando nasceu.
Eu acho que eu t� lembrando.
Imposs�vel, ningu�m lembra quando tem um m�s de idade.
- Eu lembro. - Imposs�vel.
Eu lembro, e ponto final.
Hora da escola, meninos.
Tchau!
Rosa, voc� nunca vai deixar que prendam a gente numa gaiola, n�o �?
- Eu n�o vou deixar, n�o. - Eu tamb�m n�o.
Pensa r�pido.
Vamos, Julieta!
J� vou, meu amor. Vai ligando o carro.
Deixa eu dar um beijinho nos meus dois amores.
O Thom�s n�o quer ir na nata��o.
Nadar � o melhor exerc�cio para a sa�de.
Eu vou, sim, tava s� zoando com a Rosa.
Dizem que as pessoas mais felizes...
s�o aquelas que n�o precisam fazer hist�ria.
As que fazem enfatizam atrav�s dos seus feitos a luta pela vida...
o eterno embate.
Anos mais tarde eu entendi aquele dia.
Minha m�e e meu pai estavam felizes.
Francisco e eu tamb�m.
Al�?
Dra. Julieta, � para a senhora.
- � do col�gio dos seus filhos. - Obrigada.
Al�! Pois n�o.
Voc�s podem traz�-los aqui at� o hospital?
Obrigada, Elaine, eu te agrade�o, eu vou estar esperando.
Obrigada, Ana.
Fraturou a t�bia...
Mas parece bem discreta. T� vendo?
- �. Mas vamos ter que engessar. - Vai doer muito?
N�o, meu amor, eu vou dar um remedinho, a dor vai passar.
E para engessar n�o d�i.
Pode deixar que eu vou cuidar bem dele.
- Obrigada, Arthur. - De nada. Vou buscar a tala.
Voc� n�o disse uma vez que queria colocar gesso na perna?
Conseguiu.
Agora deixa eu olhar o Tom Tom aqui, esse queixinho.
- Oh, meu Deus... - T� sangrando muito?
N�o, s� um pouquinho, j� passou, j� t� quase bom.
Obrigada.
- Eu n�o gosto de sangue. - Eu sei, meu amor.
Mam�e vai fazer s� um curativo, bem r�pido, e voc� vai ficar bom.
Vai ficar a marca?
N�o, n�o vai.
- Promete? - Prometo.
Conta, Elaine, como � que foi?
Foi uma confus�o durante o recreio, com outros meninos...
- Briga? - Foi.
Muito obrigada, pela gentileza, viu?
Desculpe o inc�modo.
Eu vou ter que visitar outro paciente.
Eles ficam comigo, depois v�o pra casa.
Tchau, Julieta. Tchau, meninos.
Mam�e vai atender outro paciente aqui, e j� volta.
E voc�s ficam aqui quietinhos. Quem vai cuidar de voc�s � a Cl�udia...
aquela enfermeira que voc�s gostam tanto. T� bem?
- Pode deixar que eu cuido dele. - Acho bom mesmo!
Ju�zo, hein?
� da mam�e. Aqui, voc� consegue ouvir?
- Sim - � o cora��o.
T� ouvindo bem?
Deixa eu ouvir. P�e no meu cora��o.
Voc� me assustou!
Aqui, ouve.
- T� conseguindo ouvir? - T�.
� forte.
- � bem aqui, n�o �? - �.
Como vai o meu primog�nito?
Queria tirar o gesso logo. Co�a muito.
S� mais alguns dias. T� incomodando muito, t� chato?
Agora t�. Mas no come�o foi divertido.
�, a vida � assim, n�?
Na vida, as coisas tem dois lados.
Como assim?
Um lado bom e... o outro.
- � tudo assim? - Quase.
�s vezes voc� escolhe se presta mais aten��o a um ou a outro.
A gente pode fazer isso?
Pode, mas nem sempre consegue.
N�o entendi.
Se a gente pode escolher o lado bom, por que vai escolher o outro?
� verdade.
� complicado de entender. � dif�cil de explicar.
E �s vezes de identificar.
O seu irm�o tem cuidado bem de voc�?
Ele disse que, quando crescer, quer ser m�dico. Igual a voc�.
Tem alguma coisa que voc� queira me contar?
Que coisa?
N�o sei.
Alguma coisa que voc� n�o esteja entendendo.
Do col�gio?
N�o exatamente...
Alguma coisa sobre voc� e seu irm�o...
sobre as coisas da vida.
Se algum dia quiser conversar comigo...
se tiver alguma coisa que voc� n�o esteja entendendo direito...
n�o precisa ficar com vergonha.
T�?
Eu sei, m�e. Eu te amo muito, t�?
Eu te amo tamb�m.
- Que lindo! - � um presente meu.
- Pra mim? - Pro Pedro.
Voc� sempre gostou do Pedro.
Sempre.
Voc�s teriam sido felizes juntos.
Talvez. Mas voc�s tamb�m foram felizes.
� verdade. Fomos.
- E eu sou mais velha que ele. - Ah, mas n�o parece mesmo.
Eu tamb�m sou mais velha que o Alexandre.
Ah, mas n�o parece mesmo.
� diferente, voc� sabe, outros tempos. A hist�ria era outra.
Quando eu fui exilada e ele me seguiu...
talvez se eu tivesse voltado para o Brasil com ele...
Mas a� voc�s dois n�o teriam se conhecido e n�s duas tamb�m n�o.
Nessa hora, eu devia ter casado era com voc�.
Na verdade, n�s j� somos meio casadas...
Julieta, vamos embora, a gente t� muito atrasado...
o avi�o n�o vai esperar.
J� t� indo, amor! Vai ligando o carro!
Liga para o Fabinho e avisa a ele que estamos um pouquinho atrasados.
Agora s� falta a m�e de voc�s.
T� sempre atrasada.
Olha o Fabinho! Ai, que bom!
S� faltam as autoriza��es.
- Como vai, como vai? - N�o sei que seria de n�s sem voc�!
- Prazer, doutora. - Obrigada.
- Cad�? - Vamos l�?
- Quer sentar? - Sim.
- Por favor. - L� vamos n�s!
Vamos pra Buenos Aires!
Vamos!
Chegamos.
Lucrecia, as crian�as chegaram.
Esse � Thom�s, o mais pequeno.
Se parece a su pap�.
Ela disse que eu me pare�o com meu pai.
- Eu tamb�m. - Voc� � a cara da m�e.
Eu sou a cara do seu pai.
Vamos at� o meu escrit�rio.
- Voc� fala ingl�s? - � espanhol.
- Voc� fala? - Falo.
Que bom que estamos em casa. Vamos, vamos.
Que ser� o presente misterioso?
Voc� s� que sabe.
Olha!
Um livro.
Livro lindo, hein?
Um livro que a gente l� ao longo da vida.
Usa pra fazer pesquisa...
hist�ria do mundo...
Voc� tamb�m pode ler.
Poxa, vai demorar um temp�o pra voc� ler isso...
E cad� o presente do Tom Tom, pai?
Eu esqueci, desculpa.
N�o!
O que ser�?
O presente do Thom�s.
Francisco cuidava pra que eu estivesse sempre contente.
Na medida do poss�vel, claro.
Aquela era a primeira vez que �amos juntos a Buenos Aires.
Feliz Natal, pai.
Vamos entrar aqui.
Aqui no cemit�rio?
Eu sei, onde colocam a gente quando morre.
Eu n�o quero entrar.
Tamb�m n�o.
Voc�s est�o aqui para passar o Natal...
que � uma celebra��o da vida, do nascimento de Jesus.
Quando ele morreu colocaram ele a�?
N�o, ele ressuscitou.
Francisco, me explica isso?
Eu n�o sei te explicar isso, n�o.
Lucrecia, me explica?
Tamb�m n�o sei.
E a�, Tom Tom, j� escolheu?
Eu n�o sei ler ingl�s.
Eu escolho para voc�. Voc� quer um sorvete?
- De creme. - Chocolate.
- Creme. - Chocolate.
Creme!
Pra voc� de chocolate e pra mim � de creme.
Voc� conhece todo mundo?
Quase. T� vendo aquele ali?
� meu primo.
Estou com saudades.
Tamb�m.
O Thom�s est� igualzinho a voc�.
O Alexandre diz a mesma coisa. Mas eu acho que parece com ele.
Um beijo grande, querida. Feliz Natal para voc� e para o Alexandre.
- Para voc�s tamb�m. - Ok, beijinho.
- Oi, m�e. - Oi, meu amor. Voc�s est�o bem?
Estamos. Est� tendo festa a� tamb�m?
- Est� come�ando agora. - Aqui tamb�m.
Feliz Natal. Eu te amo, meu querido.
Tamb�m te amo, m�e.
Deixa eu falar com o seu irm�o.
Um beijo, m�e.
- Outro pra voc�. - Tchau.
Ela quer falar com voc�.
Yo estoy falando ingl�s mui bien.
Mira, que rico.
No, no. Rico es el pap� de Francisco.
Ele tem muito dinheiro.
Plata!
Si, plata.
Tom Tom, Feliz Natal. Te amo, filho.
Seu pai vai falar.
Beijo.
Quer dizer que o meu filho j� aprendeu a falar espanhol?
Si, pap�, como no? Y yo ganhei muchos regalos.
Tambi�n hay regalos para ustedes aqu�.
O pai disse que tem presente para gente l� tamb�m.
Feliz Natal filho. Te amo.
- Manda um beijo pro seu irm�o. - Un beso, pap�.
Faz mui pouco tiempo que est�n a c� e hablan mui fluidamente castejano.
Agora elas est�o falando em ingl�s mesmo, n�o �?
Agora est�o.
Sabe o que elas falaram?
Que voc� esta falando espanhol muito bem.
Eu tamb�m sei fazer contas. Querem ver?
Sim.
Dois beijos mais dois beijos...
� igual a quatro beijos.
Um.
- Bom. - Dois.
Tr�s, quatro.
Querem ver outra?
Um pinto mais um pinto...
� igual a um pintinho e um pint�o.
Voc� est� linda, como sempre.
- Bem-vindo. - Obrigado.
J� faz tanto tempo.
Dois anos desde a �ltima vez que nos vimos.
Essa � a vantagem de ter um ex-marido morando em outro pa�s.
No nosso caso, desvantagem.
- N�s sempre nos demos muito bem. - � verdade.
Foi s� um desses clich�s que se aplicam aos casais separados.
Mas, no nosso caso, o clich� n�o se aplica a n�s.
- Voc� n�o vai se sentar? - Claro.
Admirava a sua beleza.
O que voc� ia dizer?
Uma vez disse para mim mesmo...
que mudaria o mundo e que a teria para sempre.
Falhei nas duas coisas.
Querido...
Rosa!
Rosa, voc� n�o mudou nada.
Nem voc�. O mesmo galanteador de sempre.
Ele � argentino... porte�o.
Posso?
- Como vai, Pedro? - Estou feliz de estar aqui, com voc�s.
- O Natal foi bom? - �timo.
Ent�o...
Vamos brindar.
- � felicidade. - � felicidade.
Agora voc�s me d�o licen�a. Daqui a pouco eu volto.
Aos seus filhos.
Aos nossos filhos.
E como eles se comportaram em Buenos Aires?
Muito bem...
causaram uma �tima impress�o e encantaram a todos.
Eles s�o muito queridos.
Mas voc� j� percebeu, por falar neles...
que eles s�o muito pr�ximos?
Claro que percebi. Afinal eles moram comigo.
Eu quero dizer...
pr�ximos demais.
Pr�ximos demais? O que voc� est� querendo dizer exatamente?
Ora, Julieta...
Fale, Pedro.
�ntimos demais.
�ntimos demais?
Voc� n�o receia que eles acabem sexualizando essa rela��o?
Eu n�o sei exatamente o que est� acontecendo com eles.
Eles s�o muito garotos.
E essas coisas acontecem nessa idade.
Voc� n�o acha que dever�amos conversar com os meninos?
Eu n�o sei o que exatamente eles est�o fazendo...
ou o que ainda v�o fazer.
Mas n�o podemos dizer a eles que isso � ruim.
Voc� n�o acha?
Ent�o voc� n�o fica preocupada?
Fico.
Eu n�o disse que � pra voc� n�o mexer nas minhas tintas?
Quem mandou voc� mexer no meu material de trabalho?
Eu n�o fiz nada, pai.
Larga ele. Nunca mais faz isso com ele.
- Ele � meu filho. - E ele � meu irm�o.
- Ele mereceu. - N�o interessa.
Agora quem vai tomar conta dele sou eu.
E para sempre.
Vamos, Thom�s.
- Voc�? - Vi.
Eu me descontrolei.
Acho que n�o estou sabendo lidar com essa situa��o...
Eu sei, meu amor...
� para sempre mesmo?
Para sempre.
Ei.
Olha pra mim.
Para de berrar! Para de berrar!
- Faz c�cegas? - Sim, muita.
N�o pode fazer xixi.
Meses depois, com a morte do Pedro...
eu me dei conta que as coisas n�o eram pra sempre...
do jeito como Francisco havia me dito.
Quinze anos depois, quando mam�e morreu...
eu tive a certeza que a perman�ncia das coisas...
n�o depende da nossa vontade.
Existe um sentido maior, misterioso, inalcan��vel.
Que determina o calend�rio do nosso tempo.
A falta que eu sentia da minha m�e naquela hora...
era um sentimento que eu n�o conhecia.
Que eu n�o sabia que existia.
Um segredo desvendado sobre o destino.
Assim sendo, deixava de ter interesse...
questionar por que ela tinha desaparecido t�o cedo.
De alguma forma este conhecimento...
nos tocou com surpreendente sentido libertador.
Ficou o amor e a saudade.
Eu te amo.
E por que voc� me ama?
Eu te amo porque voc� � meu.
Eu te amo porque voc� precisa de amor.
Eu te amo porque, quando voc� me olha, eu me sinto um her�i...
e sempre foi assim.
Eu te amo porque, quando eu te toco, eu me sinto mais homem...
que qualquer um.
Eu tamb�m te amo.
E por que voc� tamb�m me ama?
Eu te amo porque, quando eu te toco...
eu te fa�o sentir mais homem que qualquer outro.
Eu te amo porque nunca poder�o nos acusar de amor.
Eu te amo porque, para entender o nosso amor...
seria preciso colocar o mundo de cabe�a para baixo.
Eu te amo porque eu sei que voc� poderia amar outra pessoa...
mas mesmo assim voc� me ama.
Apenas eu.
Apenas voc�.
Apenas voc�.
Muda a m�sica, Thom�s.
- O qu�? - A m�sica.
- N�o t� escutando. - Muda a m�sica!
Viu o que voc� fez?
Calma, calma.
Calma, n�o vai nem precisar dar ponto.
Muda a m�sica.
T� melhor?
Vai. Muda.
T� bom, vai.
Apropriada.
Ei.
Ivan estava tentando me convencer a voltar a nadar.
Claro, voc� sempre nadou t�o bem.
S�rio. Voc� pode voltar a competir...
� s� voltar a treinar.
Meu maior f�.
Eu sou seu maior f�.
- Vamos? - Vamos.
Se cansou?
N�s sempre v�nhamos aqui com o Alexandre nas tardes de s�bado.
Quando �ramos crian�as.
E aos domingos � tarde �amos ao bal� com a mam�e.
Se lembra?
O Alexandre n�o gosta de bal�...
e a mam�e n�o gostava de corrida de cavalos.
Fora isso, se davam muito bem.
E voc�s tamb�m se d�o muito bem, n�o �?
�!
�s vezes fico at� com um pouco de ci�mes.
Eu sei como � que �.
- Como � que � o qu�? - Sentir ci�me.
Como assim?
Ci-�-mes.
� plural ou singular?
- O qu�? - � ci�me ou ci�mes?
Os dois, tanto faz.
Tanto faz. E voc� sentiu ci�me de quem?
De voc�, claro.
E quando foi que eu te dei motivo para sentir ci�me?
Para come�ar, a gente n�o precisa de motivo para sentir ci�me.
Mas teve uma vez, quando eu tinha uns 11, 12 anos...
e voc� uns 5, 6...
que eu senti de verdade.
Precoce, hein?
Voc� n�o vai contar aquela hist�ria da Maria de F�tima de novo, vai?
- Vou. - Ah, n�o vai, n�o.
- Essa eu perdi. - Foi minha primeira professora.
- Eu desmaiei na escola... - Por causa dela.
- Fui parar no m�dico... - Que te entupiu de rem�dio.
Eu gosto de rem�dio. E de m�dico.
Na �poca, voc� me convenceu que era apaixonado pela professora.
Pode at� ser...
sabe como � que �. Eu era muito jovem...
acho que estava um pouco confuso.
Tamb�m nessa idade, quem n�o fica sexualmente confuso?
Olha o Ivan.
Acho que estamos exagerando um pouco nas nossas intimidades.
- Voc� ficou constrangido, Ivan? - Claro que n�o.
- Mas eu queria fazer uma pergunta. - Fa�a.
Voc�s nunca se separaram, n�o �?
Poucas vezes.
S� quando eu estava competindo ou voc� trabalhando.
�. Por qu�?
� que o Thom�s recebeu um convite para treinar para as Olimp�adas.
Ele t� mentindo. Olha a cara dele.
Isso � maravilhoso.
- Ele t� brincando. - Por que esse seu ar de preocupa��o?
Na R�ssia.
Como assim, na R�ssia?
Treinar na R�ssia.
Eu n�o vou.
Eu n�o vou.
Pera a�, pera a�.
Acho que eu entendi o que que o Ivan disse...
mas fiquei meio nervoso e acabei criando esse clima.
Eu entendi, mas eu n�o quero ir.
- Vamos conversar com calma. - Eu imaginava essa situa��o...
Mas eu n�o podia deixar de te contar. Afinal, o convite foi para voc�.
E por quanto tempo?
Bom, a ideia seria de que ele treinasse l� at� as Olimp�adas.
Tr�s anos.
Pera a�, gente, pera a�. Eu n�o preciso ir treinar na R�ssia.
Eu j� tenho o melhor treinador aqui mesmo.
Mas n�o � s� o treinador. S�o as condi��es de treinamento.
Eu sei, mas...
Thom�s, agora n�o � a hora certa para continuarmos essa conversa.
Voc� t� certo.
Parab�ns.
O que que voc� quer?
Eu n�o quero ir.
Thom�s, t� decidido ent�o.
N�o � t�o simples assim.
Eu sei.
Me desculpe.
O Francisco acha que eu n�o posso deixar de ir.
Conversamos sobre isso a noite inteira.
Que que voc� acha?
Filho, eu fico muito orgulhoso.
Acho que seria �timo para voc� profissionalmente...
mas, sinceramente, eu n�o sei o que dizer.
E ent�o, o que que eu fa�o?
Acho que esse � um assunto que voc�s dois v�o ter que resolver sozinhos.
Eu vou apoiar qualquer decis�o.
Viu?
Por que voc� se mudou?
Porque j� estava mais do que na hora de voc�s morarem sozinhos.
Eu sei, mas o que eu perguntei foi por que voc� saiu da casa?
Voc� tivesse continuado morando l� e que a gente sa�sse.
N�o faria sentido...
eu continuar morando l� sem a sua m�e.
Al�m do mais, a casa est� muito bem habitada por voc�s.
Obrigado, pai.
"Perdoa-me, Cord�lia,
mas, a n�o ser tu, minha irm� e t�o bela,
n�o tive um n�tido e premente desejo por mulher alguma.
Mas sempre gosto de ser chupado.
Ent�o �s vezes seduzo algumas de bei�olinha revirada.
Mas o falo na rosa,
nas mulheres, s� 'in extremis'.
H� em todas as mulheres um langor, um largar-se que me desestimula.
Gosto de corpos duros, esguios,
de n�degas iguais �queles gomos ainda verdes,
grudados tenazmente � sua envoltura.
Gosto de cu de homem, cus viris,
uns pelos negros ou aloirados � sua volta,
um contrair-se, um fechar-se cheio de opini�o...
Bunda de mulher deve dar bons bifes,
no caso de desastre na neve.
Leste sobre os tais que comeram os amiguinhos e amiguinhas congelados?
Voltando �s n�degas. As tuas.
Douradas e frescas. Tu foste �nica.
Tuas n�degas tamb�m.
Firmes, altas, perfeitas como as de um rapaz.
N�o fa�as essa cara e n�o rias. "
N�o faz c�cegas!
N�o se mexa, eu j� volto.
- T�? - T�.
Sa�de.
Qual � a comemora��o?
Estende a m�o direita.
Voc� n�o acha que eu ia deixar voc� viajar sem uma alian�a, n�o �?
Voc� n�o acha que errou de m�o?
Vamos cumprir o ritual. Primeiro nessa m�o, depois a gente muda para a outra.
E cad� a que eu vou colocar em voc�?
Ou voc� acha que eu vou embora e deixar voc� assim?
T� aqui.
Estende a m�o direita.
Mais uma coisa.
- O que � isso? - Abre.
E ent�o, gostou?
- Gostei. - Bom, n�?
- Lindos, n�o? - Quem?
Quem? Os argentinos.
A mi me gusta.
N�o vejo a gra�a.
- Como n�o? � leg�tima. - Pra quem?
- Voc� ficou com ci�me? - N�o foi ci�me.
S� n�o achei o coment�rio apropriado.
O qu�?
Sobre a beleza dos argentinos.
Voc� n�o entendeu.
Voc� � argentino.
O meu argentino.
Voc� tem que concordar que os outros tamb�m s�o muito bonitos, n�?
Vamos dan�ar.
N�o, nem pensar.
Mas que esp�cie de argentino � voc�, que n�o dan�a?
- Da esp�cie fraude. - Vamos...
Dan�a comigo?
Bueno.
Ser capaz de se entregar inteiro e completamente a uma outra pessoa...
� a melhor coisa da vida.
O amor verdadeiro come�a a�...
nesta entrega incondicional.
A vida pessoal s� vale a pena...
quando se acredita na depend�ncia m�tua.
Comigo e Francisco era assim.
Bom dia, Tom Tom. Estava aqui ansioso para falar com voc�.
Podia ter me ligado.
Eu n�o queria te acordar.
Voc� sabe que eu gosto quando voc� me acorda.
Isso quando a gente est� dormindo juntos, n�o �?
Mesmo longe eu tamb�m gosto.
E, al�m do mais, eu n�o estava dormindo.
Eu sei, me confundi.
Desde que voc� foi pra a� eu me confundo o tempo todo...
Eu estou morrendo de saudade.
Eu tamb�m.
P�e logo uma c�mera nesse computador.
Pra eu poder pelo menos te ver na tela.
Eu estou te vendo agora.
E voc� est� mais lindo ainda.
Eu t� horroroso. Consumido pela saudade.
T� nada.
Coloca logo uma c�mera, vai, pelo menos a gente pode...
Eu n�o vou aguentar ficar fazendo sexo por telefone.
Mas � s� ouvir a sua voz que eu fico excitado.
E como � que voc� acha que eu estou?
Me mostra como � que voc� est�.
N�o faz isso comigo.
Me mostra.
Mostra o qu�?
- Muito frio? - Muito.
Queria estar com voc�.
Meninos, eu vi que voc�s estavam on-line, e n�o resisti.
Oi, pai, que saudade.
Eu tamb�m estou, meu filho.
- E de voc� tamb�m, Francisco. - Como assim?
Assim... desde que o Thom�s viajou que eu s� te vi uma vez.
T� brincando!
Voc� t� parecendo um pai velhinho.
Estou falando � porque eu estou com muita saudade dos dois.
Carente de filho. E, como voc� est� pertinho, n�o �, Francisco...
n�o custa me dar um pouquinho de aten��o.
� s� falta de tempo.
Fala s�rio, n�, Francisco.
O que que voc� anda fazendo que n�o tem tempo para visitar o pai?
Ah, eu t� caindo na farra.
Ei, ei, voc�s dois. N�o v�o levar a s�rio as cobran�as de um pai solit�rio.
N�o v�o discutir por minha causa.
N�o � por sua causa, Al�. O Thom�s deve estar com ci�me.
L� vem voc� com esse papo de ci�me de novo.
Daqui a pouco vou acreditar nesse sentimento.
Vou desligar. Porque essa conversa n�o � para tr�s.
N�o, fica a�, pai.
Mas tem algum motivo para eu estar com ci�mes?
Estou s� brincando.
Olha s�, vou ter que desligar, tenho que ir treinar.
Mas � domingo. Voc� treina no domingo tamb�m?
Claro. Pai, aqui � a R�ssia.
Foi pra isso que ele foi pra l�.
Foi. Foi pra isso que voc� me mandou para aqui.
Acho que te chateei, n�o �, Tom Tom?
Deixa pra l�. Eu estou exagerando.
Desculpa.
Acho que eu estou com muita saudade.
Vamos almo�ar amanh�, Francisco?
- Aqui ou a�? - A gente se encontra no Bistr�, �s 13h.
Tamb�m quero.
Te amo, meu filho. Saudades.
Tamb�m te amo, pai.
Boa noite.
Desculpa. Eu vou abaixar.
Desculpa. Boa noite.
Boa noite.
Os vizinhos de novo.
Mas voc� nem t� tocando alto.
Mas eles ficam amea�ando chamar a pol�cia.
Gente.
Vizinho � assim mesmo.
N�s temos um cachorro j� faz quatro anos...
e, mesmo morando em casa, tem vizinho que reclama at� hoje.
- A gente quem? - O qu�?
Voc� falou "a gente tem um cachorro". Voc� mora com quem?
Com o Thom�s.
E quem � Thom�s?
Meu irm�o.
S� voc�s dois?
E o cachorro, Basta.
- Basta o qu�? - Basta o cachorro.
Pera a�, t� perdida. O que voc�s est�o falando?
O nome do cachorro � Basta.
Nossa.
N�o tinha entendido.
Tenho que ir. Amanh� tenho que estar no consult�rio �s 9.
- Consult�rio de qu�? - Cl�nica geral.
Voc� � m�dico?
- Sou. - Adoro m�dico.
N�o fica assim, n�o.
Essa menina tem um fogo.
Como assim, F�bio?
Gente.
Beijo.
Beijo.
Eu te levo at� a porta.
- Ele � meu. - Por qu�?
Como assim, por qu�? Porque eu gostei dele.
Tive a impress�o que ele tem algu�m.
Ent�o esse algu�m tem um problema. Porque ele � meu.
Quanta confian�a!
Oi, Bianca, tudo bem?
Vamos deixar para o fim de semana?
T� saindo direto, t� cansado. Ainda tem plant�o no hospital.
Eu tamb�m gostei.
Vamos, sim.
Eu te ligo no s�bado.
Pode ser?
Certo. Beijo.
Fica a�.
Voc� parece cansado. Est� abatido e com olheiras.
T� saindo um pouco demais.
- Voc� quer falar sobre isso? - Agora n�o.
Mas t� tudo bem. Eu estou um pouco perdido.
Estou morrendo de saudades do Thom�s.
Eu imagino.
N�o precisa ficar preocupado, eu n�o estou fazendo nada de mais.
Quando voc� quiser falar, voc� sabe que pode contar comigo.
Voc� falou como a minha m�e agora.
�.
- Eu aprendi com ela. - O qu�?
As coisas da vida.
Ela tamb�m te faz muita falta, n�o �?
Muita.
- Ol�. Cheguei cedo? - N�o. Chegou na hora.
D� licen�a.
Nossa. Bela casa.
Sempre morei aqui.
- Desde que nasceu? - Praticamente.
Posso deixar aqui?
Claro.
Linda.
- Sua m�e? - �
- Muito bonita ela. - Obrigado.
Ela mora onde?
J� morreu. Faz pouco tempo.
- Sinto muito. - Tudo bem.
E seu pai?
� esse daqui.
Ele tamb�m � bonito.
Tamb�m j� morreu. Eu tinha doze anos.
E esse aqui, provavelmente � seu irm�o?
� o Thom�s.
Ficou mais feliz, assim falando dele.
Talvez seja porque ele est� vivo ainda.
Que horror.
E onde ele est�?
- T� morando fora. - Aonde?
- O qu�? - Fazendo o qu�?
Ele � nadador. T� treinando.
- M�ximo. - � o m�ximo.
O que voc� quer? Ouvir alguma coisa?
Voc� quer beber alguma coisa?
- Tem gim? - Tem.
Um dry martini. Voc� sabe preparar?
Claro. � o drinque preferido do Al�.
Quem � o Al�?
Meu padrasto. O segundo marido da minha m�e.
- Morreu tamb�m? - N�o. Ele...
Voc� quer ouvir alguma coisa?
Quero.
Alguma coisa rom�ntica.
Tipo?
Tipo tema de filme.
Ei, ei, calma.
Eu gosto forte, mas assim t� machucando.
Desculpe, n�o foi a inten��o...
Calma. N�o foi nada grave.
- T� tudo bem? - T�.
- O que foi? - Nada.
Acho que � falta de pr�tica.
- De beber? - �.
�. Na verdade, eu bebo pouco.
N�o tinha reparado.
� uma alian�a, n�?
Sim.
Eu n�o deveria.
�, n�o deveria...
Mas tamb�m a gente n�o precisa ficar assim.
Foi s� um beijo.
- Foi s� um beijo. - �.
Foi s� um beijo.
S�.
Muito bonito seu irm�o.
N�o sei quem � o mais bonito.
Voc� tamb�m � linda.
Obrigada. Eu sei.
Ent�o...
- Ent�o. - Tchau...
- Boa noite. - Boa noite.
Que eu n�o veja obst�culos na uni�o de cora��es sinceros
O amor n�o se turva em �guas turvas,
nem se curva ante a chuva
N�o. � uma luz constante
que a tempestade n�o altera
� a estrela de toda nau errante
de brilho claro, embora sem mat�ria
N�o � joguete do tempo,
embora a carne sofra o peso de sua foice
Se isso for falso e provado tamb�m
eu n�o escrevi, e nunca se amou ningu�m
Tava indo aonde?
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.