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Original subtitles

Não vás.

Amo-te, querido.

Mas chegaste atrasado.

Até daqui a dez dias.

ANTERIORMENTE

A mala nuclear, se eu introduzir o código azul.

Uma matriz global de pulsos eletromagnéticos,

que daria cabo de todos os circuitos eletrónicos da Terra.

e também desativaria bombas nucleares.

Um interruptor que desliga o mundo.

Xavier, tenho medo, amor.

Amo-te, querida.

Promete-me uma coisa. Sê um bom pai para eles.

A tua mulher está viva lá fora, Xavier.

Chamo-me Teri Rogers-Collins. Estou com outros sobreviventes.

Estou a chegar, querida.

Encontra o pai dela. Ele ia levar um grupo para o bunker.

Tens de ser tu.

LIMITE DA CIDADE

Deve ser o Xavier. Calma.

- Sou amigo da Teri. - Como conhece a minha mulher?

Tem sido a minha melhor amiga, nestes três anos.

É a minha pessoa preferida neste maldito mundo.

E tiraram-ma.

CINCO ANOS ANTES

CORREIOS DOS ESTADOS UNIDOS

Olá, Gary. Como está hoje?

Bem, Sra. Brown. Obrigado.

Olá.

Não sei, porra.

Duas horas. Duas horas, seu monte de...

Não me toques.

Eu sei, foda-se!

ORDEM DE DESPEJO

Sua cabra de merda. Vai-te foder!

Vai-te foder. Olha para mim como deve ser.

Salvaste-me a vida, meu.

É bom jogar com alguém que sabe o que faz.

A quem o dizes.

- Estou farto de ouvir putos de dez anos. - Completamente.

PEDIDO DE AMIZADE

Enviei-te um pedido de amizade. Queres repetir?

Sim. Isso... Sim.

- Olá, Gary! Que tal este tempo? - É, minha senhora. Está calor.

És tão simpático.

Leste o comunicado do maluco

que matou o Bradford na semana passada?

Não, nem por isso.

O tipo tinha a teoria de que um grupo secreto de bilionários

está a construir um bunker no Colorado.

- Porquê? - Por causa do apocalipse.

- Por causa disso. É de loucos, não é? - Sim.

Pois. Qual é o teu plano para o apocalipse zombie?

O quê?

Vá lá. Plano para o apocalipse zombie.

Para onde irias? O que levarias?

Quem salvarias? Os clássicos.

Certo. Não sei bem.

Acho que não tenho ninguém.

- Pois. Não faz mal. Sim. - Sim.

Também não tenho ninguém.

- Pois. - Sim.

Quando falamos de preparação para emergências,

não falamos de kits de sobrevivência.

O que importa é ar, água, comida, abrigo.

Esta enfermeira era boa. Céus, era mesmo uma brasa.

Dá para acreditar?

- Não. - Achei que só o eram na pornografia.

- Meu. - Certo. Está bem.

Percebi que precisamos de pessoas habilidosas

- para o apocalipse zombie. - Sim.

Muito bem. Eu sou engenheiro.

Precisamos, obviamente, de uma enfermeira boazona.

De um mecânico, um carpinteiro ou construtor.

Não és nenhum dos dois, pois não?

Não.

Talvez um jardineiro, que saiba cultivar.

Pois é.

Sem filhos, família, animais de estimação

ou cônjuges. Só cabrões solitários, como nós.

Sim.

E também precisamos de um fuzileiro, ou de agentes especiais.

Alguém com um arsenal.

- Não sei... - Vamos precisar de proteção.

Vai haver gente armada.

Eu sei. Mas e se o tipo armado se virar contra nós?

Está bem. Tens razão.

Quando a erupção causar o tsunami, as áreas habitáveis tornar-se-ão escassas.

Demorará horas, talvez minutos, até as potências nucleares

assegurarem o que podem.

Estamos a falar de guerra nuclear.

O vulcão lançará milhares de quilómetros de cinza para a estratosfera.

As temperaturas da superfície cairão.

- Tem comida? - O quê?

Tenho fome.

Certo.

Toma. Isto tem proteína.

Como te chamas?

Não andas na escola?

Tens alguém lá dentro para cuidar de ti?

Esquece os dias. Não será habitável entre três a cinco anos.

Percebes o que estou a dizer? Não dá para fugir disto.

Meu, hoje passei-me.

O que aconteceu?

No trabalho, notei que as paredes de cimento são espessas.

Pesquisei e, pelos vistos, nos anos 60,

1500 escritórios eram abrigos para proteção de bombas nucleares,

radiação e EMP.

O meu era um deles.

Precisa de umas mudanças.

Precisaríamos de tempo para planear, mas conseguiríamos viver ali

com cinco a dez pessoas, durante anos, se fosse preciso.

Esta merda tornou-se séria.

As pessoas que encontraste... A enfermeira, o mecânico. Achas que...

Sim. Posso perguntar-lhes. Dizer-lhes o que estamos a planear,

ver se alinham.

Mantemo-lo modesto, apenas para os sete,

e vamos precisar de muitos mantimentos.

Posso começar a encomendar coisas, a abastecer o espaço,

a enviar coisas para o correio.

Ninguém vai àquela cave.

Sim. Mas como vamos pagar isso tudo?

Em que mais vou usar a minha pensão?

Caramba. Não sei, meu.

Vai ser uma desilusão, quando nada disto acontecer.

Não digas isso.

O quê? Eu estou só... maluco.

De um cabrão solitário para outro.

Certo. Vimos bem. Eles têm um lançador líder na equipa.

Acabámos de ver o vídeo do Castellanos a marcar o home run decisivo ontem.

Desculpem. Temos desenvolvimentos na notícia de última hora

sobre a erupção vulcânica na Antártida esta manhã

e as imagens assustadoras a que temos estado a assistir.

Muito bem. Vamos passar a emissão para s equipa de Nova Iorque.

"ÚLTIMA HORA"

Se só se juntou a nós agora, fomos informados

de que o tsunami provocado pela vaporização da camada de gelo

chegou à costa da América do Sul.

Vou ter contigo. Envia-me a tua morada.

- Olá. - Olá.

- Olá. - Olá.

- Ennis? - Sou o Ravi,

mas podes chamar-me Ennis.

Está bem. Sou o Gary.

- Olá. - É um gosto conhecer-te.

Não combinámos não trazer armas?

Disse-te que precisamos de proteção. Por isso, trouxe proteção.

- Está bem? - Está bem.

Verificação final.

Pronto. Enfermeira, mecânico, jardineiro,

marceneiro, sobrevivencialista.

A última paragem é para recolha dos ovos e das galinhas.

- É isso. - Sim.

ALERTA - MÍSSEIS NUCLEARES 20 MINUTOS

Temos de nos despachar.

- Espera. - O que estás a fazer?

Volto já.

Gary! O que estás a fazer?

Gary, não podemos esperar! Temos de ir.

Olha. Tens de ir para dentro. Está bem?

Os teus pais estão em casa? Tens cave?

Merda.

Minha senhora. Olá!

Olhe!

Vá lá. O seu filho precisa de si!

Está bem.

Muito bem. Ouve-me. Sim?

Está a acontecer algo mau. Vou para um sítio seguro. Sim?

Queres vir comigo?

Está bem.

Pronto. Muito bem. Vamos.

- Meu Deus. - O que estás a fazer?

- Há espaço. - Não está no plano.

Agora está.

Está bem. Vamos.

Sei entendo não estava nos teus planos.

Só planeámos para sete. É mais um para alimentar.

Temos mantimentos que cheguem.

Querias que o deixasse ali, na terra?

Não conseguimos cuidar dele. Que idade tem?

Vá lá.

Temos de ir buscar ovos. Preciso que fiques aqui. Está bem?

- Vamos. - Está bem.

Está bem.

OVOS PINTAINHOS E GALINHAS

Vamos. Sai da frente.

- Vá lá, pessoal. - Saiam. Vão.

- Conseguimos empurrá-lo? - Empurrem-no.

Sai da estrada. Caraças.

- Estás a bloquear a estrada toda! - Vai-te foder.

- Talvez possamos empurrá-lo. - Vem comigo.

Não faz mal. Vamos.

- Consegues entrar? - Sim.

Olha para o que estão a fazer.

Olha para ela.

Adorei cada minuto contigo.

Promete-me uma coisa...

Sê um bom pai.

Sê um bom pai para eles.

Xavier...

Xavier. Xav...

Merda.

Não. Não.

Vamos. Temos de seguir caminho.

Por aqui.

- Não sei. A ponte caiu. - Despachem-se.

- Mexam-se. - Temos de ir. Não é seguro.

O meu também não funciona.

Olá. Eu sou a Teri. Como te chamas?

- Bean. - Como chegaste aqui sozinho?

Onde está a tua mamã?

Miúdo! Anda, vamos embora.

É o teu papá?

Não sou o papá dele.

- Vem comigo, miúdo. - Estás a gozar comigo? Não.

Minha senhora. O mundo está prestes a desaparecer.

Temos um lugar seguro para onde ir.

Vou levar o rapaz para lá. Só estou a tentar ajudá-lo.

Se querem sobreviver a isto, entrem na carrinha connosco.

Pronto.

Pronto. Venham.

Está tudo bem.

Muito bem. Apertem os cintos.

PARADISE "O CARTEIRO"

Onde está ela?

Importa-se de baixar a arma?

Onde raio está a minha mulher?

- É uma longa história. - Eu tenho tempo.

Sobrevivi aos últimos três anos aqui

com um pequeno grupo de pessoas, incluindo a sua mulher.

O meu melhor amigo... traiu-nos.

Deu a nossa localização e um grupo de homens armados levou-a.

Levou toda a gente. Está bem?

Pode baixar a arma?

- Quantos homens? - Cinco ou seis.

- Que tipo de armas? - Não sei. Armas não são comigo.

Porquê?

Porque os levaram? Sabe para onde a levaram?

- Não sei. - É vigiado?

- Não sei. - Quantos homens?

Não sei.

Não sabe nada?

Nem sobre as armas, nem sobre nada?

Olhe. Eu digo-lhe tudo o que sei, mas baixe a arma.

Aqui estamos nós.

Pronto.

Aqui vamos nós.

Pronto.

É aqui em baixo.

Pronto. Vamos lá.

Pronto.

Céus! Foi por pouco.

Certo...

Muito bem.

Olá, malta.

Olá. Vocês conhecem-me. Sou o tipo que parecia um maluco,

a falar sobre preparar o fim do mundo.

Mas estamos felizes por estarem aqui.

Este é o meu melhor amigo, o Gary. Isto...

- Sim. - Sim.

Olá. Sou o Gary Jones, dos Correios dos Estados Unidos. Como estão?

Vamos começar com mais apresentações.

O nome e o que fazemos. Chamo-me Ennis.

Sou engenheiro.

Olá. Sou o Roberto. Sou carpinteiro.

E o meu nome é Jackie, ou Jack. Sou mecânica.

Eu sou a Ruth Rosenberg

e o Ennis foi tão atencioso quando nos contou o seu plano.

Claro que nunca pensei que fosse acontecer, mas...

Eu faço jardinagem.

Obrigado. Obrigado, Ruth.

Bob Gordon.

Sou sobrevivencialista desde que tinha a idade do miúdo.

Obrigado.

Crystal.

Olá. Sou a Crystal Song.

Sou enfermeira.

Devo dizer que achei muito estranho,

quando me falou destas coisas,

mas estou mesmo feliz por estar aqui.

E tu, quem és?

Sou a Dra. Teri Rogers-Collins, micologista.

Estudo cogumelos.

Isso parece útil.

E este é o Bean.

Olá, Bean. Tens fome?

Ainda não, Ruth. Quero dizer...

Este grupo foi escolhido a dedo porque, juntos,

temos as capacidades exatas de que precisamos para sobreviver aqui.

Como o Ennis vos disse quando vos abordou,

acreditamos que um ELE, ou evento de extinção,

recaiu sobre a humanidade.

Não se preocupem. O abrigo tem paredes grossas para nos proteger.

Lá fora, pode haver coisas eletrónicas queimadas,

desastres naturais, poeira radioativa ou pior.

Aqui, estamos seguros.

Temos de ficar aqui nos próximos 21 dias para evitarmos a radiação e,

depois, este posto será o nosso lar nos próximos três a cinco anos,

até as cinzas se dissiparem.

Desculpa. Como?

Neste momento, há uma nuvem de cinza a rodear o planeta

que o tornará inabitável nos próximos três a cinco anos.

Eu tenho família.

Tenho de ir ter com eles ao Colorado.

Eu sei.

Eu sei que isto é assustador. Está tudo a acontecer muito depressa.

Temos aqui tudo de que precisamos para sobreviver por muito tempo.

Comecemos por sobreviver. Podemos começar por aí?

Consegue aquecer água? Ela precisa de um biberão.

Sim.

Pronto.

- Consegues? - Sim.

CORREIOS DOS ESTADOS UNIDOS

Vira. Para o outro lado. Isso mesmo.

DEIXAR O ABRIGO EM 21 DIAS

Desculpa.

Não têm de partilhar a cama.

Planeámos para sete, mas só preciso de cobertores.

Fico bem no chão.

Não é preciso.

Descansaste, desde que chegámos?

Eu não... Pareces cansada e...

Tenho dor de costas crónica. Escoliose.

Diz o que pensas, Gary.

- Diz de uma vez, meu. - Está bem.

Passaste o dia a olhar para um telemóvel avariado,

enquanto os outros ajudavam.

Digo isto porque o Ennis não gosta de ti.

Acha que és uma boca extra e que não temos comida suficiente.

O instinto diz-lhe para te expulsar.

E tu?

Sou um carteiro de 38 anos.

Nunca estive nem perto de ter uma vida boa.

Não tinha maus instintos. Não tinha instintos nenhuns.

Mas... senti algo em relação a ti.

Senti-o na rua, quando te vi a segurar a mão do rapaz.

O meu instinto diz-me que vais fazer parte disto.

Vais ajudar pessoas.

Vou ajudar-te a chegar à tua família assim que for seguro.

Mas isso será daqui a muito tempo.

Agora, precisamos de ti.

Ele precisa de ti.

Essa era a cama dela.

Tirámos a foto no dia anterior a ter sido levada.

- Quando? - Há 12 dias.

Doze dias?

Meu Deus.

Levaram-na.

Levaram o nosso menino.

Eu sei onde eles estão.

E tentei salvá-los, mas não consegui.

Não consegui. Sou um mero carteiro.

Mostre-me.

Chegaram há duas semanas e pararam aqui.

- Cinco guardas armados... - São 16.

Há cinco homens a patrulhar com M16,

outros quatro de cada lado do vagão de passageiros

e mais um no motor.

A 183 metros, à direita, há um francoatirador.

Não é uma unidade treinada.

Mas, a julgar pela disposição, estão a proteger algo.

Quem são estes tipos?

Não tenho a certeza.

Mantivemo-nos na nossa, mal saímos, mesmo quando começámos a ver mais pessoas.

O que querem dos seus amigos? E dela?

Acha que não me perguntei isso?

Já pensei em respostas horríveis.

- Consigo entrar ali. - Como?

Como vai abater dez homens armados com uma arma e um bebé?

São 16.

E não vou abatê-los.

Já está.

Onde arranjou a bebé?

É uma longa história.

Como se chama ela?

Bebé da Annie.

- É esse o nome dela? - É o nome que lhe dou.

Santo Deus.

Eu posso pegar nela.

Conhece a minha mulher, mas eu não o conheço.

Só eu toco nesta bebé. Percebeu?

Está bem.

Desculpe. Só quero ajudar.

Pode ajudar encontrando o que precisamos.

Tubos de cartão velhos, fita adesiva.

Disse que levaram as vossas armas. Ainda há munições?

Anda cá.

E uma bateria de carro?

Qualquer coisa que nos dê eletricidade.

Usámos todas as baterias que trouxemos. Fora do abrigo não havia nada.

Sei que tinham algo que alimentava um rádio.

É capaz de ser difícil.

DEIXAR O ABRIGO HOJE!

Obrigada. Pegaste nisso tão facilmente.

Ficas gira, quando coras.

Lembrem-se. Só os essenciais, tal como lá em baixo.

Ele está catatónico.

Passou por muito.

Sim, mas não foi só ele, Gary.

O Ennis agir como um comandante militar não está a ajudar.

Foi mesmo por esta vida que lutaram?

Temos de dar uma vida e uma infância a este miúdo.

Temos de fazer mais do que sobreviver, ou nunca nos safaremos.

Sabes o que aí vem?

Bean. Olá, Bean. Acorda.

Acorda.

Quero mostrar-te uma coisa. Anda.

- O que é isto? - É Natal, querido.

Temos ali muitas encomendas.

Podemos oferecer prendas de Natal.

Não sejas desmancha-prazeres.

Vá. Abre.

Lá vai ele.

Uma câmara polaroid.

Obrigado. Vou passar os dias a tirar fotos.

Obrigado.

É lindo.

- Não gostaste. - Gostei.

"O melhor pai do mundo"?

Obrigada, querida.

Vá. Vamos despachar isto.

Só mais cinco minutos. Temos de poupar combustível.

Para.

Feliz Natal.

NÃO GRITES COMIGO, EU VENHO-ME!

Não resisti.

Olha.

Muito bem.

Tenho uma coisa para ti.

Está bem.

Tenho uma coisa para ti.

O Ennis não acha boa ideia, porque pode atrair atenção,

mas eu disse-lhe que precisamos de saber o que se passa lá fora.

E, quem sabe? Talvez consigamos enviar uma mensagem à tua família.

O que é?

É um rádio. Construí-o para ti.

Construí-o para ti. Para poderes comunicar.

Meu Deus.

Obrigada.

Obrigada.

Obrigada.

Meu Deus. Desculpa.

- Não faz mal. Está tudo bem. - Teri, desculpa.

Foi mesmo inapropriado da minha parte. Eu nunca...

Gary, preciso que olhes para mim. Preciso que me oiças.

Salvaste-me a vida.

Nunca te poderei compensar,

mas vou passar o tempo em que aqui estivermos a tentar fazê-lo.

E vou dar-te tudo o que tenho.

Mas não te posso dar isso.

Está bem.

Posso viver com isso.

Amigos.

Companheiros.

Muito bem.

- Está quase. - Sim.

Conseguimos.

Vou deixar-te à vontade.

Está bem.

Daqui fala Teri Rogers-Collins.

Já está.

BEAN ANO 2 BEAN ANO 1

É a tua altura, Bean.

Procuro o meu marido, Xavier Collins.

Onde arranjaste isto?

Uma das miúdas...

Está com os nossos filhos, Presley e James.

Não.

Iam a caminho de um complexo no Colorado.

Casas comigo?

Sim.

Estou a tentar saber se sobreviveram. Se estão seguros.

- Não. - Meu Deus!

- Um brinde. - Um brinde.

À Jackie e à Crystal.

Eu devia estar com eles.

Daqui fala Teri Rogers-Collins.

Estou com um grupo de sobreviventes

"BEAN ANO 3"

à procura do meu marido.

- Obrigada, Bean. - Obrigado.

Se conhece o paradeiro de Xavier Collins...

... se está a ouvir, por favor, diga ao meu marido.

Diga-lhe... Diga ao Xavier...

Diga-lhe que o amo.

Filho da puta.

Gary!

O que foi?

Meu Deus.

Vou matá-lo.

- Teri, tem calma... - Ninguém perigoso nos vai encontrar.

Faço isto há dois anos e meio.

Se viessem, já teriam aparecido.

Eu sei.

Acho que ele não quer que ninguém saia.

Acho que nunca se sentiu tão importante.

Nunca mais o pusemos a funcionar. Ela confrontou-o.

Quase lhe bati, mas ele fez-se de desentendido.

Foi um confronto.

Filho da puta.

Passei os últimos três anos a pensar que ela tinha morrido.

E depois ouvi aquela voz. Uma mensagem que me enviou daqui.

Não será a última vez que ouvi a voz da minha mulher.

Precisamos de uma bateria.

Porquê? Para que é isto tudo?

Vou voltar ao comboio.

Vou criar uma distração para os atrair e ir buscar a Teri.

- Que tipo de distração? - Uma bomba.

Só precisamos de algo que sirva de detonador.

De certeza que lá têm disso?

Nunca lá estive, mas são os únicos em quem podemos confiar.

Para onde vamos?

Que estado é este?

- Wyoming? - Perto.

O Colorado? Vamos para o Colorado.

Sabes como controlamos o tempo para o projeto de estudos climáticos?

Está mais quente, mais normal. Podemos viajar em breve.

É por isso que temos feito aquela gosma?

Combustível. Sim.

E temos de fazer mais para podermos ir de carro.

- Posso ir procurar cogumelos? - Claro.

- Volta a horas do jantar. - Combinado.

E sabes a regra, Bean.

Trá-los, para eu os ver antes de os comeres.

- Está bem. - Não te quero a alucinar.

Não vais com ele?

Temos de o deixar explorar.

Não posso prendê-lo demasiado.

Está bem.

Está quase. Pronto. Já está.

Obrigada, doutora.

Eu e a Jackie vamos mudar-nos.

O quê? Para onde?

Aqueles viajantes do mês passado

falaram-nos do grupo que ficou no ginásio do liceu.

- Sim. - A Jackie foi lá ver

e há umas pessoas que querem fazer uma feira de trocas.

Para as pessoas trocarem coisas.

E já há algum tempo que queremos o nosso espaço.

Mas não é só isso.

Eu fui auxiliar de saúde ao domicílio, não enfermeira.

Isso é como uma enfermeira.

Certificava-me de que os pacientes não trocavam a medicação.

Segurava-lhes as mãos enquanto morriam.

Eu era boa nisso. A ajudar pessoas a morrer.

Mas sempre quis ajudar pessoas a viver.

Vou abrir uma clínica na feira de trocas.

- Aberta a quem precisar de ajuda. - Ena.

Devias vir connosco.

Adorava, mas não posso.

Tenho de ir ter com o Xavier.

Então, vão-se embora.

A Teri também deve ir, em breve. Sei que ainda gostas dela.

Não.

Somos só amigos.

E tu? Estás bem?

Sei que sempre pensaste que ias acabar com a Crystal.

Ela vai apaixonar-se por mim.

Boa!

Somos só nós outra vez, P.

Os cabrões mais solitários do mundo.

Converti oficialmente o motor a trabalhar a gasóleo.

Só precisas de chegar ao Colorado.

Três barris azuis. Já tenho um.

- Primeiro, tens de nos ir visitar. - Claro que vou.

Como lhe vais chamar?

LEILÃO HOJE

Bem-vindos à feira!

Por um depósito de propano,

a licitação final são cinco pacotes fechados de molho ranch

e dois cafés no Holiday-Inn.

Vai uma, duas, vendido!

Toca a andar, menina do ranch. Temos mais.

Próximo! Por falar em próximo...

Desculpe. Procuro uma bateria de carro a funcionar.

... latas de butano e um rádio manual...

Certo. Quanto custam estes dois rádios? E aquilo é um disparador?

Perfeito. Fico com ele.

- O que têm aí? - O que temos?

Que tal essa pistola? Isso funciona?

Isto?

Claro. É toda sua.

Não vejo uma bateria de carro a funcionar há três anos, mas pediu-me uma.

Portanto, não é de cá.

Somos boas pessoas. Damos o nosso melhor.

Não queremos problemas. O senhor parece ser um problema.

Pegue na pistola e vá-se embora.

Gary? Gary!

És mesmo tu.

Céus. Jackie.

Meu Deus. Querida, olha quem está aqui.

Meu Deus! Gary?

- É bom ver-te. - Pareces mais alto.

Crystal, Jackie, este é o Xavier Collins.

- Meu Deus. - Caraças.

Onde está a Teri?

Quando voltei, tinham levado tudo.

- Desapareceram todos. - A sério?

- Como? - Foi o Ennis.

Divulgou a localização. Acho que está a trabalhar com eles.

Aquele cabrão.

Nunca conheci ninguém tão imparável quanto a Teri.

Ela descobriu como fazer penicilina.

Fez gasóleo a partir de bolor para ir ter contigo ao Colorado.

A única coisa que conseguia detê-la eram as costas.

Dois anos depois, levantou demasiado peso.

Tivemos de a amarrar à cama, junto ao aquecedor, para recuperar.

Deu-nos ordens durante três dias.

Tive de ler para o Bean todas as noites. Aqueles livros do Lemony Snicket.

Péssimos trocadilhos, já agora.

Mas, sim. Fazíamos tudo por ela.

Vou trazê-la de volta. E construí uma bomba para isso.

Viemos buscar mantimentos, rádios, munições e um disparador para a detonar.

Mas o velho não nos vendeu nada.

- Carinha laroca. - Sim, Jack.

Dá aqui ao nosso amigo Xavier o que ele pedir.

É o marido da Teri.

Está bem.

A Teri pediu-te mesmo para leres para o puto?

Imitava as vozes e tudo.

Nada bem.

Não podia ser mais saudável.

Se precisares de mais alguma coisa, conta connosco.

Prometi levá-la ao pai.

Hoje vou arriscar tudo para salvar a Teri,

mas amanhã venho buscá-la.

Nós mantemo-la em segurança.

Olá, Ennis.

Vais-te embora?

Sim. E nunca mais te chateio.

Vais levar o miúdo?

- Eu e o Gary achamos melhor. - Tudo bem.

O que foi, Ennis? Fala.

Não te odeio. Não odeio. Eu não gostava de ti.

Ainda não sei se gosto de ti, mas nunca te odiei, Teri.

Dediquei-me muito a este sítio. Eu e o Gary, durante anos.

Juntos.

E resultou.

Pois foi. Salvaste-nos, Ennis.

Ainda não sei se gosto de ti, mas aprendi a respeitar-te.

A tua perseverança, mesmo perante um fracasso constante e abjeto,

- para atingir algo impossível... - Aonde queres chegar?

Lamento ter destruído o teu rádio, Teri.

- É só isso? - Sim.

Não.

Não sou engenheiro.

Não sou. Instalava Internet em casa das pessoas.

Era basicamente um tipo da TV por cabo.

Estava preso numa vida que odiava tanto,

que quando planeei isto com o Gary,

foi por querer alguém de quem gostasse

tanto quanto tu gostas da tua família.

Acho que é isso que mais respeito em ti, Teri.

Amas de uma forma que me assusta.

Ele também te ama dessa forma. E quando o deixares, vais destroçá-lo.

Eu sei.

Vem aí um comboio! Vem aí um comboio cheio de gente.

Um comboio? Como? Um comboio em movimento?

Sim.

Devíamos ir ver.

Se conseguiram conduzir o comboio,

têm combustível suficiente para a reconstrução.

- O que fazemos? - Vamos lá ver.

- Fica aqui com o miúdo. - Pode ser seguro.

Ou podem matar-nos já. Fica aqui com o Bean.

Toma.

Posso perguntar-lhe uma coisa?

Não me deixa sequer sorrir para a bebé,

mas contam-lhe uma história e deixa-a com estranhos?

A hora de dormir é difícil.

Empatam sempre.

Têm de lavar os dentes, vestir os pijamas, pegar nos peluches e por aí fora.

Mas a minha parte favorita é a da história.

Foi uma das maiores discussões que tive com a Teri.

Ela insistia sempre em ler a história.

Dizia que eu fazia mal as vozes.

E depois percebi que era sagrado para ela.

Ser a voz que os nossos filhos ouvem ao adormecerem e sonharem.

Se as escolheu para lerem para o Bean, confia nelas.

Há algo que não me estás a contar, Gary.

Devias confessar o quanto antes.

Que merda.

Larguem as armas!

Larguem-nas. Larguem-nas! Mostrem-me as mãos.

Estou certa em assumir que a curiosa caçadora de cogumelos está convosco?

Sim, senhora. Não queremos problemas.

Deixem-me servir-vos um café, para podermos falar.

- Está bem. - Vai. Vamos.

- Traz a arma deles. - Sim.

Sei que pode ser um pouco desagradável. Estamos todos em alerta máximo.

Sim.

Como puseram o motor a trabalhar? O gasóleo...

Só dura cerca de um ano, em condições normais?

Estávamos perto de uma base militar.

Usaram gasóleo renovável.

Dura cerca de 12 anos.

Funcionou até o esgotarmos.

Parámos para reabastecer na base aérea aqui perto.

- A de Dobbins? - Sim.

Sente-se.

Aprendi desde cedo

que devemos agarrar-nos ao que nos faz sentir nós mesmos.

- Saúde. - Saúde.

Já ouviram falar dos Professores Sem Fronteiras?

- Não. - Não.

Sou eu.

Fazemos parte de um grupo que tenta ajudar as pessoas a recomeçar.

A tentar recomeçar o mundo.

Vamos para oeste ter com os outros.

Porquê oeste?

Não posso dizer.

Não sou a líder. O líder é um miúdo.

Um miúdo com nome de videojogo. Acreditam?

Desculpe.

É café de sementes de quiabo. É difícil de gostar.

Certo.

Muito bem.

Em duas semanas, já cá não estaremos.

Se conhecerem quem se queira juntar a nós...

Vamos para o Colorado.

Deixa-os sair.

Caraças.

A Teri passou este tempo todo a tentar chegar lá.

Não precisa de outro barril de gasóleo.

Basta que apanhe o comboio.

Xavier.

Tenho-te escondido uma coisa.

Diz.

Em duas semanas, pode partir com o Bean. Com qualquer um de nós.

Pode mesmo ir ter com a família dela.

Então? Então, meu?

Lamento imenso.

Apaixonei-me por ela.

Apaixonei-me por ela, mas ela nunca sentiu o mesmo por mim.

Era a minha companheira.

E eu amava-a.

E a melhor forma de honrar isso é levar-te até ela.

Venha o que vier.

Sabes que tens de te preparar, amigo.

A Teri e o miúdo já eram, assim que voltarmos e lhes dissermos

que o comboio vai para o Colorado.

Sei que achavas que terias mais tempo com eles, mas...

Vamos buscar a minha mulher.

Tradução: Tiffany Cândido

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