All language subtitles for David Blaine Do Not Attempt S01 E02_track17_[por]

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Original subtitles

O PROGRAMA INCLUI CENAS PERTURBADORAS E PERIGOSAS.

NÃO TENTE REPRODUZI-LAS.

ACONSELHA-SE DISCRIÇÃO.

Enquanto mágico, procuro sempre o conhecimento secreto.

Procuro segredos que destruam a minha perspetiva do que é possível.

Isto parece incrível.

Para que algo perigoso se torne mágico...

... e algo aterrador possa tornar-se belo.

Procuro artistas que me ensinem coisas ousadas

e fora da minha zona de conforto.

Que loucura.

E essa busca trouxe-me ao Sudeste Asiático.

Onde terei um dos momentos mais intensos da minha carreira.

TAILÂNDIA

Há quem vá à Tailândia pela comida e praias incríveis...

... mas eu estou aqui em busca de algo diferente.

Algo perigoso, desafiante e até surpreendente.

Uma carta pode cortar como uma faca,

um pauzinho pode ser usado como uma arma

e dentes podem tornar-se num alicate de pressão.

A minha alcunha é Tong.

MANI CHABUCHIN (TONG) ARTISTA DE CIRCO

Comecei isto aos 16.

O meu mentor era um ilusionista.

Ele era um mágico?

Sim. Eu conheço-o. A pessoa que o ensinou.

Conheci o Tong através do Patrick Kun.

O Patrick é um mágico local e tem conhecimentos incríveis

sobre os tipos de magia, que mais me interessam aqui.

Ele aprendeu com o mestre como treinar tipo um tigre.

Aprendeu tudo... Pauzinhos.

O Tong faz isto parecer fácil.

Assim.

Abra.

Essa doeu!

Atira com força.

Não fiquei surpreendido por o Patrick acertar logo.

É um dos meus mágicos favoritos

e criou magia que artistas de todo o mundo usam diariamente.

E tive a sorte de ver a Tailândia através dos seus olhos.

Querem ver magia?

- Magia? - Magia.

Na Tailândia, poucas pessoas já viram magia ao vivo.

O quê?

Tal como o Patrick, aonde quer que vá, saco sempre do baralho de cartas.

Lembra-se desta? Vamos usá-la depois.

- Qual queria? - 7.

E você baralhou as cartas.

Veja debaixo do relógio.

Obrigada.

É um milagre, não é magia.

Mas não é por isso que cá estou.

Blaine!

Escorpiões cozidos?

Queres provar?

Vim ver coisas que nunca tinha visto.

É tipo salgado e frito.

E provar coisas que nunca provei.

- Não é mau? - Sabe bem.

Mas não estou cá só para comer escorpiões fritos.

O Patrick terá de desafiar-me um pouco mais do que isso.

Acho que vir aqui irá levá-lo além dos seus limites

e tirá-lo um pouco da sua zona de conforto.

Na Tailândia, o ambiente urbano e a natureza

estão mais próximos do que em muitos sítios no mundo.

O Patrick diz-me que aqui, num clima húmido e tropical,

as pessoas vivem junto de muitas criaturas selvagens.

E isso inspira atuações realmente únicas.

Começo a minha viagem no norte da Tailândia,

para conhecer uma artista corajosa que bateu recordes

ao interagir de perto com escorpiões venenosos.

Chamo-me Kanchana Ketkaew.

É a Rainha dos Escorpiões da Tailândia,

após mais de seis anos a atuar com escorpiões.

Tenho um recorde mundial por ter passado 33 dias e 33 noites

numa sala de vidro com 5000 escorpiões.

Tenho um recorde mundial

pelo maior período de tempo com um escorpião na boca.

Ao longo da história, mágicos de todo o mundo

trabalharam com animais perigosos

para demonstrarem a sua coragem e uma ligação à natureza.

Não tenho medo de escorpiões.

Se tiverem coragem, vocês também conseguem.

Obrigada.

Fique quieto. Não se mexa.

Vou colocar escorpiões gigantes no seu corpo.

Tantos quanto puder.

Algo que escondi a maior parte da minha vida

é que tenho uma grande fobia de coisas rastejantes.

Quando era miúdo, se tivesse visto um escorpião no meu quarto,

fugia e provavelmente nunca mais voltaria.

Como são animais guerreiros,

se lhes tocarmos um pouco, eles assumem uma posição de ataque.

Ele levanta as pinças e a cauda e olha para o inimigo.

Eles não podem ser domesticados.

Com tantos escorpiões, estava preparado para ser picado.

Fui picado.

Ele foi picado.

Por favor, fique quieto.

Isto é óleo verde.

Para o veneno não se espalhar.

O desafio é não reagir. Porque, assim que nos mexermos,

eles podem sentir-se ameaçados e é mais provável que ataquem.

O óleo ajuda com a dor, mas não com o cheiro.

Pronto.

Eles cheiram a carne podre.

E rastejam pelo meu corpo todo.

É uma vaga de sensações estranhas e sei que tenho de ficar quieto.

- Obrigada. - Obrigado.

Kanchana ensinou-me a importância de manter-me calmo e controlado,

sobretudo quando se é picado.

Esta habilidade será essencial com insetos que podem ser fatais.

Sobretudo quando são centenas de milhares.

Existem muitos apicultores.

Mas eu queria fazer as coisas de forma diferente.

Gan é apicultor há mais de dez anos.

Ata-o atrás.

Nesta altura da estação, ele vem ao norte da Tailândia,

onde as flores são melhores para as suas abelhas.

Com mais força.

Elas subiram a uma árvore e eu tentei pô-las no meu corpo.

E elas ficavam.

Dá-lhe um abanão e continua.

À medida que ia sendo picado e ia passando mais tempo com elas.

F ui-me habituando.

Vivo com elas há muito tempo.

Se passar um dia sem as ver,

fico a pensar em como estarão.

A barba de abelha é um clássico,

que foi documentado pela primeira vez na década de 1830 por um apicultor,

para demonstrar a sua ligação às abelhas.

É tão empolgante ver centenas de milhares de abelhas

transformarem-se num único organismo à sua volta.

- Está bonito assim? - Está incrível.

É tão impressionante que, após vê-lo uma só vez, tenho de experimentar.

Ontem à noite, estava sempre a sonhar

com enxames de abelhas por todo o lado, o que é de loucos.

Afeta mesmo uma parte do meu subconsciente.

- Então, vou fazê-lo aqui? - Sim.

Gan ensinou-me que temos de respeitar as abelhas.

Elas têm um método de comunicação altamente sofisticado.

Mete a t-shirt para dentro.

Se um enxame de abelhas quiser picar-nos,

continuarão a atacar até acabarem.

Porque estão dispostas a morrer para proteger a colónia.

As abelhas são atraídas pelo negro

e o Gan aconselhou-me a não fazer isto.

Mas como uso sempre preto, estou de preto.

O primeiro passo é localizar a abelha-mestra, a maior da colmeia.

- Agora sento-me, Gan? - Sim.

Ele vai pôr-me a abelha-mestra no pescoço.

- Devo pôr as mãos assim? - Sim.

A abelha-mestra tem uma feromona que irá atrair estas abelhas.

Elas seguem-na e protegem-na.

- Pronto? - Pronto.

Mais.

Se estiverem perto do nariz, pescoço ou boca, não respire para cima delas.

Quando expiramos, é carbono.

As abelhas não gostam disso.

Estou a sentir algumas picadas. Diria que foram cerca de dez.

Sei que é importante manter a compostura, mesmo sendo picado.

A quantidade de veneno pode facilmente tornar-se mortal.

Está bem.

Saia.

Vamos tirar a abelha-mestra.

Tenho imensas picadas. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito,

nove, dez, onze...

- A tua... - O preto.

O erro foi o preto.

Estão a tirar os ferrões para não continuarem a deitar veneno.

Devo dizer que a vibração é incrível.

- Sim? - Sim.

Quando começam... e o nosso corpo começa a vibrar. Isso é de loucos.

Obrigado.

É fascinante ver a sua ligação à natureza e às abelhas.

Foi uma das experiências mais incríveis de sempre.

O prazer é meu. Foi um gosto.

Obrigado.

Sente-se mesmo o poder do enxame de abelhas.

É algo que as palavras nunca conseguirão explicar.

A sensação é quase de êxtase.

Parece quase... magia, suponho eu.

Ao longo da minha carreira, coloquei-me em situações extremas,

em que tive de manter a compostura.

É só puxar.

Passaram sete minutos.

É uma capacidade que treino há anos.

E aqui, no Sudeste Asiático, quero ver que técnicas me podem ensinar.

A próxima paragem é na Indonésia, onde há um grupo incrível de pessoas,

que praticam algo chamado Debus.

As suas capacidades demonstram que têm tolerância sobre-humana à dor.

Fui convidado para uma atuação de Debus nas ruínas do Palácio Banten,

uma zona destruída pelos colonizadores holandeses no século XIX.

Os indonésios não conseguiam igualar o poder de fogo dos holandeses.

Como ato de resistência, aperfeiçoaram uma arte marcial chamada Debus,

demonstrando a sua capacidade única de resistir à dor.

Oito gerações depois, os praticantes de Debus comemoram essa história.

Para muitos, a sua disciplina vem de uma fé profunda em Deus.

MULYADI PRATICANTE DE DEBUS

É-me proibido ter medo.

Foi por isso que combati o meu medo.

A segunda dose é ainda maior.

Aprendi Debus com o meu avô.

O objetivo de aprender Debus é preservar a história da nossa cultura.

Para os praticantes de Debus, as suas atuações envolvem muitas vezes

exibir a força do corpo com objetos afiados.

Que loucura. Corta o papel,

pega em lâminas reais, corta e depois e come-as.

Isto é tão perigoso. Eu nunca tinha visto isto antes.

Sempre tentei mostrar, a quem acha as mulheres fracas,

que as mulheres, na verdade, são fortes.

A razão pela qual faço este número da lâmina

é por achar que esta técnica é extrema.

Adoro o que fez com as lâminas.

- Adoro que as coma. - Obrigada.

O próximo praticante atua em circunstâncias imprevisíveis.

YANYAN NOVIANA (FIITZ) PRATICANTE DE DEBUS

A diferença para a Lâmina Debus

é que eles trabalham com armas afiadas ou objetos inanimados.

Aqui, trabalhamos com animais, com coisas vivas.

Estão a ver isto?

Uma cobra-real pode injetar tanto veneno numa única mordida,

que pode matar um elefante adulto.

É hipnotizante ver o Fiitz a atuar com a cobra-real.

Ele é incrível.

Não me ocorre nada igual. Uma atuação com um risco tão elevado.

Acho que encontrei a minha próxima obsessão.

Com as serpentes...

É como um tubarão branco. Têm os olhos mortos.

Não conseguimos ligar-nos a ela.

Ou, pelo menos, eu nunca senti essa ligação.

Fiitz tem a atuação com serpentes mais incrível que já vi.

Parece ter uma confiança especial nestas criaturas letais

e quero entender os seus métodos.

Vou viajar para leste, de Banten, para a casa de Fiitz, em Sumedang.

As cobras selvagens são comuns aqui, e o Fiitz salva-as

de caçadores que as venderiam pela sua carne e pele.

Estás pronto?

Primeiro, o Fiitz quer testar-me.

Para ver se consigo seguir as suas direções

com serpentes que atacam a uma velocidade incrível.

ATÉ 2 M DE COMPRIMENTO USA PRESAS TRASEIRAS

O veneno desta serpente é considerado um veneno médio.

Não gosto do conceito de "veneno médio."

Ela está em posição de atacar.

É de loucos.

Há alguma posição em que ela não morda?

É difícil com esta cobra.

Ela morde tal como nós.

Deixamos as serpentes morder.

Ela continua a morder.

Faz parte do número e mostra a nossa força.

Caramba! Raios!

Estou pronto.

- Seguro aqui? - Sim.

- Assim? - Assim.

Aqui?

Muito bem, boa.

- Largo? - Largue a cabeça.

Sim. Largue a cabeça.

Aos poucos.

- Sim, pode mexer a mão direita. - Devagar.

Perto da cabeça.

- Sim? - Ótimo. Ótimo.

Ótimo.

Dizem para não reagir, mesmo sabendo que a cobra venenosa pode morder-me.

Se não conseguir aguentar isto, não posso avançar mais.

É mais ativa quando está escuro.

Diz que não é a melhor altura.

Porque a serpente é noturna.

- Podemos continuar amanhã. - Sim.

- Bem-vindo à minha casa. - Obrigado.

- A cobra-real? - Sim, a cobra-real.

- De olhos vendados? - O que faço é muito arriscado.

Por isso, decidi não voltar a fazê-lo.

Se a cobra-real me morder, provavelmente morrerei.

- Estas são as suas filhas? - Sim.

Lindas.

As suas filhas têm medo quando faz isto?

As minhas filhas raramente veem.

Tenho medo que imitem o que faço.

Compreendo isso muito bem.

Também tenho uma filha, por isso, sou muito mais ponderado

no que toca a riscos de vida ou morte.

Fiitz acredita que pode ensinar-me a interagir com cobras-reais,

mas ainda tenho muito para aprender.

Podes pôr os óculos?

- Ponho os óculos? - Sim, agora.

COBRA-CUSPIDEIRA

COSPE VENENO E MORDE ATÉ 1 M DE DISTÂNCIA

PARALISA E MATA

À distância, a cobra-cuspideira pode lançar o veneno com precisão.

- Afasto-me um pouco? - Sim.

Se entrar nos olhos, pode facilmente cegar-nos.

Sabe como fazem na Índia, com a flauta?

Não se foca no som, mas no movimento da flauta.

Quando tocam flauta, elas olham para o movimento. Entendo.

O Fiitz dominou o uso de distrações.

Se a distrair à frente, o Fiitz vai à volta e toca-lhe na...

- Cabeça. - Na cabeça por trás.

Quer tentar tocar-lhe na nuca?

- Na nuca? - Sim.

- Sim. - Está bem.

Certo.

Certo.

Tenho de me preparar mentalmente.

- Se tocar na cobra, toco-lhe aqui? - Sim.

- Assim? - Sim. Mas não se mexa.

Muito bem.

Devagar.

Tem de manter a calma. Descontrair.

Continue.

Pode continuar, David.

Continue.

A serpente está concentrada no Fiitz.

- Aqui? - Sim.

Vemo-nos daqui a pouco.

Certo. Foi ótimo.

Acho que, por hoje, já chega de cobra-cuspideira.

O engraçado no dia de hoje...

Já chega por agora.

... é a curva de aprendizagem a acontecer diante de todos.

O que me deixa muito constrangido.

COBRA-REAL

SOBE O CORPO A UM METRO

DETETA HUMANOS A 100 METROS

TEM ATÉ 5 METROS

TREPA ÁRVORES E NADA

A cobra-real pode virar a cabeça num instante.

Roda muito depressa.

E esta é selvagem, então não está habituada a ser manuseada.

Tenho de aprender com o Fiitz o comportamento da cobra-real.

São das serpentes mais inteligentes.

Têm presas afiadas como agulhas hipodérmicas

e o seu ataque pode ser mais rápido que o tempo de reação de um humano.

Se ficarmos parados, ela não atacará.

Só fica a observar, depois vai embora.

Vê?

A minha comunicação com esta serpente

vem do coração, como se tivéssemos uma relação espiritual.

Parecemos feitos um para o outro.

Como se fôssemos um casal.

Quando danço, ela dança comigo.

Como um casal perfeito. Eu e a cobra estamos ligados espiritualmente.

Mas é preciso estar muito calmo e composto.

Tem de confiar que a serpente não irá atacar.

Gosto muito do que o Fiitz faz, porque é primitivo.

É só ele e a cobra-real.

Quando beijo esta cobra-real,

é como se estivesse a dizer-lhe:

"Por favor, acalma-te, vou dar-te um beijo."

Que loucura.

O conhecimento que tenho destas serpentes

deve-se à minha capacidade de criar ligações,

não só com humanos, mas também com animais.

Ver o Fiitz atuar é belo e assustador.

Tenho uma imagem mental do Fiitz a beijar a cobra-real.

Quando me fixo na ideia, torna-se...

Torna-se uma obsessão interna, que não me sai da cabeça.

E, contra todo o senso comum,

sei que me arrependerei se não tentar.

- Incrível. É um professor incrível. - Obrigado.

- Obrigada por confiar nele. - Obrigado

Confio mesmo no Fiitz.

Infelizmente, o seu país natal, a Indonésia,

não produz antiveneno especificamente para a cobra-real.

Mas ele diz-me que a Tailândia produz.

Se a serpente me morder, ao menos, terei hipóteses de sobreviver.

Antes de partir...

... os praticantes de Debus convidaram-me para uma última atuação.

Um dos números envolve caminhar sobre brasas incandescentes.

E, para um dos homens, comê-las.

Ele está bem?

Hoje, não vai doer.

Durante anos, li sobre artistas que comiam carvão em brasa.

Rapidamente aprendi que isto não tinha um truque.

Durante dias, fiquei com a boca, garganta e esófago queimados,

tornando-se difícil engolir.

Mas tenho de me concentrar, pois não posso cometer o mínimo erro.

TAILÂNDIA, BANGUECOQUE

Bom dia, senhoras e senhores.

A Tailândia é um dos únicos países do mundo,

que produz antiveneno para a cobra-real.

É um trabalho muito perigoso,

pois mesmo após extrair o veneno da cobra, ela ainda pode matar.

O antiveneno pode salvar vidas.

Banguecoque tem uma alta população de serpentes para uma área urbana.

Em média, há uma emergência médica com serpentes a cada 15 minutos.

Os bombeiros de Banguecoque recebem mais de 34 mil chamadas.

Estou em Banguecoque para falar com Chris Shannon,

um domador de cobras que trabalhou numa dessas instalações e foi mordido.

O antiveneno salvou-lhe a vida.

Mas o seu amor por serpentes é tão forte,

que ele arrisca a vida para educar as pessoas sobre elas.

Olá, amiguinha.

As cobras são tão incompreendidas.

Tenho como objetivo de vida fazer o que puder

no que toca à conservação, proteger os números.

É a primeira vez que o Fiitz sai da Indonésia.

Pedi-lhe para se juntar a mim na Tailândia para continuar o treino.

- Terima Kasih. - Sami, sami.

Obrigado por ter vindo.

Acho que os dois podem ajudar-me a entender melhor a cobra-real.

Fiitz, veja.

Chris vive com cerca de 100 cobras venenosas.

- É incrível. - A sala real.

Algumas foram resgatadas.

- Aquela é a Skittles. - Skittles?

Estando com ele, é fácil esquecer que um arranhão de uma presa pode matar.

Olá, Skittles, sou eu outra vez.

É muito raro ver alguém lidar com uma cobra-real

com este nível de confiança e descontração.

E está cá fora.

Por coincidência, as mordeduras quase fatais do Chris

aconteceram com um ano de diferença e no meu aniversário.

Uma foi a 4 de abril de 2014 e a outra a 4 de abril de 2015.

Nesta, pensei: "Provavelmente, vou morrer."

O meu coração parou durante sete segundos no hospital

e senti que estava a cair num abismo negro. Depois, acordei.

Nem tive noção.

Começa a perceber que não lhe queremos mal.

Ver o nível de conforto e descontração do Chris com a cobra-real

ajuda-me a preparar-me mentalmente.

Já pode tocar-lhe.

Quando falo com artistas de cobras,

não há propriamente uma reforma na nossa área de trabalho.

Continuamos sempre em frente até um dia não podermos mais.

Mas, sei lá, um dos meus mentores fazia isto tudo

e beijou serpentes venenosas durante mais de 23 anos.

Chegou aos 42 anos e morreu de diabetes.

Então, na minha cabeça, vou fazer o que adoro fazer

e partilhar o que adoro fazer.

Quando chegar a minha hora, será a minha hora.

Não penso muito nisso.

Durante milhares de anos, mágicos tentaram demonstrar os seus poderes

atuando com serpentes.

É como se mostrassem a sua capacidade de desafiar a morte,

ou enfrentar a morte e controlá-la. E há uma certa beleza nisso.

Nada na minha carreira

se compara à minha experiência com estas cobras no Sudeste Asiático.

Foi a primeira proeza que fiz,

em que um movimento em falso pode facilmente levar à morte.

Pode afastar-se? Muito bem.

Passei os últimos meses a preparar-me mental e fisicamente

para interagir com a cobra-real.

A estudar o comportamento da cobra-real

e a aprender a tentar eu próprio isto.

Talvez assim.

Fiitz e Chris têm-me ensinado abordagens diferentes.

Mexa a perna, isso, assim.

E a minha confiança aumenta lentamente.

Fiitz mostra-me como empurrar gentilmente a cabeça da cobra.

- Toco aqui? - Sim.

Para ver se está focada para o beijo e é menos provável que se vire.

- Sim. - Está bem.

A serpente assim.

Se descer para o beijo, não hesite.

Se errar num movimento, esse erro pode ser o último.

- O coração dispara, eu saio. - Está bem.

- O que foi mesmo poderoso... - Quer tentar?

... foi dar-lhe água.

Quando dei água a beber à cobra, senti uma ligação.

- Está a bebê-la. - Sim.

É incrível!

Como todos os animais, são muito sensíveis.

- Sinto isso. - Exatamente.

Sinto-me confiante por estar rodeado pela melhor equipa possível.

Mas perco o sono por causa do que tenho de fazer.

Devagar.

- Pronto para amanhã? - Sim.

- Está bem. - Obrigado por me proteger.

De nada.

Ando obcecado com este momento, mas sei que nunca estarei pronto.

Mas você está bem.

A vida do David está nas minhas mãos. Tenho de concentrar-me na cobra.

O foco está em nós e estou muito nervoso.

- Você está bem, Fiitz? - Sim.

Aqui.

Sim.

Pronto.

Sim. Pode aproximar-se devagar.

Não se esqueça da sua perna.

Sim. Desta vez, tente tocar.

Muito bem.

Devagar.

- Devagar. Sim. - Sim.

Respire.

- Está bom? - Sim.

Muito bem.

Certo. Sim.

Ótimo, muito bem. Devagar.

Sim.

Espere.

Devagar.

Neste momento...

Devagar.

... não existe mais nada.

Pronto. Assim está bom.

Vá.

Ótimo!

Pronto, recue. Muito bem.

Foi o beijo mais stressante da minha vida.

- Foi bom. - Fiitz...

Um pouco...

Ali tinha o coração aos pulos.

Todas as profissões têm os seus riscos.

O risco neste espetáculo de serpentes é a morte.

Confio a minha vida a Deus.

Não conseguiria fazer isto sem os professores que conheci.

Estou eternamente grato

por partilharem as tradições, que me mantiveram seguro.

Este foi um dos momentos mais aterradores da minha vida.

E, no entanto, de alguma forma, foi um dos mais belos.

Tradução: Pedro Ribeiro

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