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ESTE PROGRAMA PODE CONTER VIOLÊNCIA E IMAGENS PERTURBADORAS
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES
Los Angeles se tornou a capital do mundo dos serial killers.
Múltiplos serial killers trabalhavam na mesma região
e no mesmo momento em Los Angeles.
Isso nunca tinha acontecido.
Enquanto os serial killers continuavam matando,
eles descobriam coisas novas que queriam fazer com suas vítimas.
ESTRANGULADA
O que era satisfatório no mês anterior, não era mais nesse.
MUTILADA
Eles estavam montando uma história. Criaram uma narrativa
ao redor de seus crimes e a estavam atuando.
Era isso que estava acontecendo.
Vimos um aumento enorme da violência.
EPISÓDIO QUATRO - A TEMPESTADE CRESCENTE 1979 - 1981
O ESTRANGULADOR DE HILLSIDE
No fim da década de 70, corpos de jovens mulheres
eram descartados nas encostas
ao redor da região de Los Angeles.
Vítimas do Estrangulador de Hillside.
PAUL HOLES INVESTIGADOR
Hoje, a polícia de Los Angeles disse
que eles têm um suspeito,
um homem preso em outro estado.
Ken Bianchi, um dos dois suspeitos do casos dos Estranguladores de Hillside,
estava preso em Bellingham, em Washington,
por dois assassinatos cometidos lá,
e estava passando por avaliações psicológicas...
MATT MURPHY EX-PROMOTOR
...para determinar se ele sofria ou não
de algum transtorno psicológico.
Em L.A., a polícia tinha certeza
de que sabia quem era o segundo Estrangulador de Hillside,
o Angelo Buono, primo do Bianchi.
Mas até aquele momento, eles não tinham
provas suficientes para prendê-lo.
As provas eram totalmente escassas
contra o Angelo Buono
e isso era um problema.
ROGER BOREN PROCURADOR CHEFE
Eles não tinham nenhuma testemunha ocular
que pudesse apontar para o Angelo Buono.
Ele tinha um estilo de vida meio de mafioso.
Em outras palavras, ninguém falava nada sobre ele.
BOB GROGAN EX-DETETIVE DE LOS ANGELES
É assim que funcionava, ninguém falava nada.
Era com esse tipo de pessoa que estávamos lidando.
Bem, o investigador do xerife conseguiu
um mandado de busca com o andar da investigação
do assassinato da Judith Mille.
Aliás, o local da busca era a loja do Angelo,
que também era
a casa em que o Angelo Buono morava.
Ele está cooperando?
Sim, ele está cooperando.
Na verdade, ele está trabalhando o tempo todo aqui na loja.
Não houve nenhum tipo de discussão e nenhuma palavra agressiva foi usada.
Tudo está tranquilo.
Não encontramos nada que pudesse ser usado.
Parecia que o Sr. da Limpeza tinha ido lá
e limpado tudo.
Não havia nenhuma marca na casa.
Não tinha nada.
Parece que o espertão da rua
era o primo Angelo.
A Procuradoria não tinha um bom caso contra o Buono
como sendo o outro Estrangulador de Hillside
e precisavam do depoimento do Bianchi.
Mas o Bianchi estava fazendo de tudo para não ser preso,
alegando que sofria
de algo chamado transtorno de múltiplas personalidades.
Você parece meio atordoado, cara.
Eu não gosto de você.
Não gosto nada de você.
Por que não gosta de mim, Ken?
Desculpe, não é Ken, né?
-Não, é Steve. -Certo.
O Ken Bianchi se transformou em Steve, Steve Walker.
E era o Steve que tinha cometido os crimes.
E como o Ken matou as garotas?
Ele atirou nelas ou o quê?
Eu o fiz estrangular todas elas.
O Bianchi conseguiu convencer
dois psiquiatras indicados pelo tribunal
que ele tinha um transtorno.
Se ele fosse dado como incompetente ou legalmente insano,
ele não teria que depor contra o seu primo.
DAVID MCEACHRAN EX-PROCURADOR
Queríamos que os nossos especialistas o avaliassem com cuidado.
Queríamos alguém que fosse justo
e que fosse visto assim.
E então, chamei o Dr. Orne da Filadélfia.
O Dr. Orne trabalhava na Universidade da Pensilvânia
e lidava com o transtorno de múltiplas personalidades.
No primeiro dia em que eu o conheci,
ele disse, bem, ele me perguntou:
"Quantas personalidades ele já mostrou até agora?"
Eu disse, entendemos que ele já apresentou duas.
O Orne não estava acreditando muito naquilo.
E por isso, ele planejou uma armadilha.
Ele disse ao Bianchi que a maioria dos indivíduos
que têm esse transtorno, apresenta mais do que duas personalidade.
É muito raro haver apenas duas.
Por isso estou curioso.
Sim...
E se ele estivesse fingindo,
ele iria fazer alguma coisa...
MARTIN ORNE , DOUTOR, PROFESSOR EMÉRITO DE PSIQUIATRIA
...e quando fosse hipnotizado, ele iria apresentar mais uma,
duas ou três personalidades.
Quando nos encontramos com ele depois da sessão,
ele disse: "Prestem atenção, amanhã haverá mais personalidades."
E agora, enquanto falo com você,
uma parte sua,
que nunca falou com ninguém, pode aparecer.
Qual é o seu nome?
Billy.
Muito bem, Billy.
E qual é o seu sobrenome?
Não sei.
E no dia seguinte,
o Ken Bianchi criou
inúmeras outras personalidades.
E o Dr. Orne disse: "Isso é uma farsa total."
Ele está inventando tudo.
NA MINHA OPINIÃO O RÉU NÃO SOFRE DE NENHUM TRANSTORNO MENTAL
Não há outras pessoas.
Não há dupla personalidade.
Ele provou ser um mentiroso.
PELO MEU DIAGNÓSTICO O RÉU
NÃO TEM DOENÇA MENTAL
Além disso, os detetives puderam provar
que o Steven Walker, o nome que o Bianchi estava usando
como uma outra personalidade sua, era, na verdade, uma pessoa real,
cujo histórico escolar tinha sido roubado por Bianchi
para que conseguisse montar um negócio falso.
Eu me candidatei para uma vaga que vi nos classificados
para um trabalho que exigia uma cópia
do meu histórico da faculdade, e eu enviei para eles.
Mas por que isso foi tão importante para esse caso?
O meu sobrenome do meio é Steven,
Steven Walker, que é o nome de uma personalidade do Kenneth Bianchi.
ATENCIOSAMENTE THOMAS STEVEN WALKER
O histórico dele era igual ao do Bianchi.
O Bianchi tinha copiado tudo, colocado o seu nome
e se passado por psicólogo.
E ele tinha um negócio falso.
O Steven Walker se tornou uma peça importante
à medida que seguimos com a investigação.
Entre a descoberta do Steve Walker
e a opinião do Dr. Orne,
a defesa alegar insanidade não era mais algo viável.
A defesa dele partiu para o plano B
que era tentar um acordo.
Nós concordamos que iríamos desistir da pena de morte
e iríamos sentenciá-lo com duas prisões perpétuas.
Ele iria para a Califórnia
e cumpriria pena lá,
e era isso que ele queria fazer
porque ele alegava que poderia conseguir tratamento mental lá.
SUSPEITO ALEGA SER CULPADO DOS ESTRANGULAMENTOS E ENVOLVE PRIMO
Mas ele teria que depor contra o Angelo Buono
em todos os crimes que tinham cometido juntos.
Se ele não fizesse isso, se não cumprisse o acordo,
ele seria mandado de volta para Washington
e ficaria lá para sempre.
O acordo judicial do Bianchi era se livrar
de receber a pena de morte
em troca de um depoimento contra o Angelo Buono
sobre o envolvimento dele nos assassinatos em Los Angeles.
Não consigo achar as palavras
para expressar o quanto me arrependo do que fiz.
Eu sei que não posso apagar a dor
que eu causei nas pessoas.
E sei que não posso esperar o perdão de ninguém.
Eu não fui ao tribunal quando ele alegou ser culpado
e não vi o coitado do desgraçado chorar,
o que me fez querer vomitar.
Nós, que estávamos envolvidos nesse caso,
achávamos que aquilo era uma farsa.
E quando ele voltou para a cadeia,
houve uma transformação imediata.
Ele ria e brincava com os prisioneiros.
Tudo era só parte do personagem
que ele estava tentando mostrar.
MANTENHA DISTÂNCIA AUDIÊNCIA PRIVADA
Em 1979, era ridícula
a quantidade de serial killers que estavam soltos no Sul da Califórnia...
O ASSASSINO DO THE DATING GAME
...incluindo o assassino do The Dating Game.
Somente algumas décadas mais tarde, conseguimos descobrir
que o Rodney Alcala era, na verdade,
um dos serial killers mais prolíficos do mundo.
Na época, as autoridades não sabiam que os crimes estavam conectados.
A Robin Samsoe ficou desaparecida por mais de dois dias
quando finalmente a polícia de Huntington Beach
conseguiu algo importante.
A polícia divulgou o retrato falado
da última pessoa que tinha sido vista com a Robin Samsoe
antes de ela ter desaparecido.
E depois de divulgarem essa foto,
eles receberam uma pista de que o retrato parecia
com um homem que havia sido condenado
por sequestro e estupro de uma garota de oito anos
em 1968, a Tali Shapiro.
E agora a polícia tinha um suspeito
pelo sumiço da Robin Samsoe...
TRACY PATTIN PODCAST HOLLYWOOD & CRIME
...e era o Rodney Alcala.
Um dos nossos detetives foi para casa após o trabalho
e a sua TV estava ligada.
E de repente, o The Dating Game começou.
É hora de conhecerem o nossos três solteiros
para o primeiro jogo.
E aqui estão eles!
Esse detetive ouviu algo chocante na TV.
O solteiro número um é um fotógrafo bem-sucedido
que começou a sua carreira quando seu pai o encontrou em um quarto escuro
aos 13 anos de idade.
Por favor, recebam o Rodney Alcala. Rod, seja bem-vindo.
Eu achei assustador ele estar naquele programa
falando sobre ele mesmo daquele jeito.
Ele achava que ele era muito bonito
e que era um presente de Deus para as mulheres, foi o que entendi.
Na verdade, um dos outros solteiros que também estava no camarim
disse que o Alcala falou para ele: "Eu sempre consigo a garota."
Então o Alcala estava determinado a vencer.
Bem, o que estávamos testemunhando ali
era a total arrogância narcisista
de muitos serial killers.
Eles acreditam que são mais bonitos, mais charmosos,
e ao participar do The Dating Game ele conseguiria toda a atenção para ele,
como se ele fosse o grande Rodney Alcala.
Tipo: "Vejam como posso ser charmoso e engraçado.
"Eu mato todo mundo e ainda vou ganhar essa garota."
Em qual parte do dia você se sente melhor?
A melhor parte do dia é a noite!
Isso é algo perturbador
e assustador porque conseguimos imaginar...
GINA SATRIANO PROMOTORA
...que aquele era o cara que essas vítimas viram
e ele mostrava que estava no controle
quando ele as violentava e as dominava.
Era isso que elas viam.
Aquele era o monstro que elas viam em sua frente
antes de ele tirar as vidas delas.
No fim, o apresentador perguntou: "E quem você vai escolher?
"O solteiro número um...
"O solteiro número dois..."
Ou o solteiro número três?
Vou escolher o um.
O número um! O solteiro número um, muito bem!
Ela parecia muito animada em vê-lo.
Mas quando ele chegou perto dela,
eu diria que ele tinha um espírito de indiferença.
A Cheryl Bradshaw ligou para a diretora do programa no dia seguinte
e disse: "Eu tenho um pressentimento ruim sobre esse cara."
Ela disse: "Ellen, eu não...
"Eu não posso sair com esse cara.
"Há energias estranhas emanando dele.
"Ele é estranho e não estou confortável.
"Isso será um problema?" E claro, eu disse que não.
Graças a Deus que a Cheryl Bradshaw teve
uma intuição para ficar longe desse cara.
Eu não tenho nenhuma dúvida de que se ela tivesse saído com ele,
ela teria desaparecido.
Eu não acho que o fato de ele ter aparecido na TV
iria fazer com que hesitasse sobre matá-la.
Acho que teria sido a sua maior conquista.
Durante a investigação,
os detetives contataram o estúdio e pegaram uma cópia da gravação.
Eles mostraram essa gravação para a amiga da Robin, a Bridget,
e ela reconheceu o Rodney Alcala
como sendo a pessoa que falou com elas na praia
sobre tirar as fotografias.
A polícia focou nele e começou a vigiar
a casa da mãe dele, que era onde ele estava morando na época.
Ele dirigia um carro assustador
e o sexto sentido de todos os detetives lhes estava dizendo:
"Esse é o nosso cara."
E então, em Altadena, na Califórnia,
havia bombeiros trabalhando em um encosta
e eles encontraram o crânio de um humano.
Quase duas semanas depois do desaparecimento da Robin,
um guarda florestal
estava nas montanhas da região de L.A.
e encontrou restos mortais.
Havia evidências de que tinha sido uma ação animal.
Porque os ossos estavam desarticulados.
O crânio foi achado separado do resto dos ossos.
Encontraram um chumaço de cabelo humano, loiro.
Também encontraram um tênis e uma toalha de praia.
Por conta do estado do corpo,
do fato de ter passado duas semanas e da atividade animal,
era muito difícil de identificá-la.
Os detetives tiveram que identificá-la pela arcada dentária.
Eles descobriram que era a Robin Samsoe.
Eu me lembro de estar deitada no sofá...
TARANNE MAYES IRMÃ DA ROBIN SAMSOE
...e da campainha tocar.
Eu atendi a porta
e era a polícia.
Eles entraram... e nos disseram
que tinham achado a Robin.
E a minha mãe desabou, assim como todos nós,
meus irmãos e eu.
Foi arrasador.
A minha mãe nunca mais foi a mesma.
Era como se a vida dela... tivesse um enorme buraco
e todas as outras pessoas estivessem fora dele.
Encontrar os restos mortais da Robin significava
que esse era um caso de assassinato.
E naquele momento sabíamos que tínhamos uma pessoa
que não só tinha sequestrado uma garota de 12 anos, mas a tinha assassinado.
Mas quando o caso chegou nesse ponto,
o que os detetives tinham?
Eles não tinham nada de provas contra ele.
CALIFORNIANO ACUSADO...
Em 24 de julho de 1979,
os policiais finalmente conseguiram prender o Rodney Alcala.
Eles conseguiram um mandado de busca e apreensão
e foram à casa da mãe dele onde ele morava na época.
Eles encontraram o Rodney Alcala na cama.
Eles o algemaram, e o levaram.
Enquanto vasculhavam a casa,
um sargento que estava em pé na sala
da casa da mãe dele olhou para baixo e viu sobre uma mesa de centro
um recibo de um depósito
no Condado de King em Washington.
Mesmo que o mandado não permitisse
que ele pegasse aquele recibo como prova,
ele foi esperto o suficiente para anotar a informação
do recibo em seu bloco de anotações.
A polícia queria entender por que uma pessoa que mora em L.A.
teria um depósito no estado de Washington.
A data do aluguel do depósito
era 11 de julho,
o que era depois do desaparecimento da Robin
e nove dias depois do seu corpo ter sido descoberto.
SUSPEITO ACUSADO DE ASSASSINAR UMA GAROTA
Quando o caso foi ao tribunal,
o Rodney Alcala alegou ser inocente.
Depois de o Rodney Alcala ser processado,
ele recebeu a visita de sua irmã na prisão.
Eles estavam conversando e o Rodney Alcala disse:
"Ainda bem que eles não sabem sobre o depósito em Seattle."
Bem, mal ele sabia
que a conversa estava sendo gravada.
A polícia sabia que eles deveriam ir até lá.
Eles precisavam ir até Seattle e fazer uma busca no depósito
para encontrar o que o Rodney Alcala não queria que eles encontrassem.
No dia seguinte, os oficiais estavam em Seattle
com um mandado de busca nas mãos.
A questão era o que os detetives iriam encontrar
dentro daquele depósito?
O que o Rodney Alcala deixou lá que poderia ajudar no caso?
Eles entram no depósito dele
e encontram um tesouro.
Eles acharam centenas de fotos
de mulheres, de crianças, fazendo todos os tipos de poses.
Algumas com roupas e outras sem roupas.
Algumas fotos eram dele
se relacionando sexualmente com mulheres.
Não sabemos se elas tinham conhecimento de que as fotos estavam sendo tiradas.
Ele estava usando um controle remoto de longo alcance para as fotos.
Mas não foi encontrada nenhuma foto da Robin Samsoe.
Mais tarde, nós divulgamos publicamente as fotos
em uma tentativa de identificar as pessoas,
mas tivemos muito pouco retorno.
Também encontraram um porta-bijuteria
com bijuterias de mulher,
havia pingentes e brincos.
Eu me lembro que chamaram a minha mãe para ir até a delegacia
identificar algumas coisas que tinham encontrado em um depósito...
DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE HUNTINGTON BEACH
...e havia um par de brincos.
Ela reconheceu os brincos dourados de bola
como sendo os brincos que a sua filha estava usando
quando ela desapareceu depois de ir à praia.
Os serial killers não têm vergonha do que fazem,
e por isso, muitas vezes eles guardam registros do que fazem.
JAMES ALAN FOX, DOUTOR, PROFESSOR DE CRIMINOLOGIA, DIREITO, POLÍTICA PÚBLICA
Às vezes, eles guardam lembranças.
Eles achavam que esse porta-bijuterias
era de bijuterias que ele colecionava de suas vítimas
e ele as guardava como um troféu por esses assassinatos.
Deveria haver outras vítimas.
Naquele momento, os detetives estavam muito confiantes
de que tinham todas as provas que precisavam para definir
que o Rodney Alcala era o assassino da Robin Samsoe.
Ele foi acusado de sequestro e homicídio.
Durante o julgamento, o Rodney Alcala se comportou
com muita arrogância e presunção,
do mesmo modo que sempre se comportava.
Um dia durante o julgamento, a mãe da Robin entrou no tribunal
com uma arma em sua bolsa.
Ela estava decidida
que iria atirar nele no tribunal naquele dia.
Ele estava me mandando beijos do outro lado do tribunal.
2009 ENTREVISTA
Eu achei que fosse enlouquecer.
Eu achei que estava ficando louca.
Eu peguei a minha bolsa e eu ia pegar a arma e...
Ela disse que na hora que colocou
a mão na bolsa à procura da arma,
ela sentiu a mão da Robin na dela,
como se ela estivesse lhe pedindo para não fazer aquilo. E ela não fez.
O julgamento aconteceu,
testemunhas depuseram e o Rodney Alcala foi considerado culpado
e sentenciado à pena de morte.
Isso deu uma sensação de justiça à família da Robin Samsoe,
mas infelizmente, isso não durou muito.
Era um momento muito incomum em Los Angeles.
Havia tantos assassinatos em série
que a polícia de L.A. mal dava conta.
Chegávamos na redação
e pensávamos: "Pelo amor de Deus, que não seja mais um."
E então, apareceu uma história que acabou comigo.
DAVE LOPEZ EX-REPÓRTER DA KCBS-TV DE LOS ANGELES
DOWNEY, CALIFÓRNIA, MAIO DE 1979
Eu me lembro da primeira vez que eu ouvi a história
sobre um garoto que foi encontrado no acostamento da rodovia.
Não sabíamos muito sobre o caso, e então apareceu outro
e depois um terceiro e depois um quarto.
E então começamos a pensar: "O que está acontecendo aqui?"
As vítimas eram achadas próximo das rodovias ou nelas.
Elas era estranguladas, tinham marcas de amarrações...
JOAN RENNER HISTORIADORA SOCIAL
...e com certeza eram abusadas sexualmente.
Todos nós usamos as rodovias, todos nós conhecemos as rodovias.
Elas são um ponto de conexão para os californianos do sul...
PATT MORRISON COLUNISTA DO LOS ANGELES TIMES
...você gostando delas ou não.
Não há nenhum local na cidade
que não precise pegar rodovias,
então ele estava agindo na vida da cidade
e brincando com a imaginação das pessoas.
MICHAEL CONNELY - ESCRITOR
Essa é uma das razões pelas quais
isso atingiu muito as pessoas.
"ELES SÃO JOVENS, MAGROS..."
Uma característica consistente
que existia em todas as vítimas.
Todas eram garotos jovens.
Bem, isso era diferente do caso do Estrangulador de Hillside.
Na década de 70, esse tipo de crime
nós víamos acontecendo exclusivamente
com mulheres, jovens ou não.
Mas agora, eram homens que estavam sendo estuprados
e assassinados e depois descartados como lixo.
Isso não era algo comum.
Infelizmente, esse se tornou um dos casos mais famosos
de um serial killer na história da Califórnia.
Sabe, há um antigo ditado do departamento de polícia.
ROBERT SOUZA EX-DETETIVE DE HOMICÍDIO DE L.A.
Você precisa ser um bom policial das ruas
antes de ser um detetive decente.
O meu conhecimento veio das ruas.
Eu conhecia e entendia os bandidos.
Eu conhecia e entendida os drogados e viciados
e eu conseguia identificar um cara malvado a centena de quilômetros.
Na época, o meu parceiro era o detetive número um
do departamento, o John St. John.
O John St. John era uma lenda
do departamento de polícia.
Ele tinha trabalhado no caso da Dália Negra nos anos 40.
A RENDIÇÃO DO ASSASSINO DA DÁLIA NEGRA É ESPERADA PELA POLÍCIA
Nós o chamávamos de John "Quebra-Cabeça".
Fizeram uma série de TV sobre a sua vida
e estavam fascinados com o fato
de que ele disse que resolver um caso de assassinato
era como montar um quebra-cabeça.
Por volta de dois anos, nós lidamos com muitos casos envolvendo homicídios.
E então o caso do Assassino da Rodovia começou...
O ASSASSINO DA RODOVIA
...e isso mudou tudo.
Os corpos continuavam aparecendo
por todo o Sul da Califórnia.
Que é uma área geográfica enorme.
Os departamentos de polícia odeiam esses padrões
porque os serial killers chamam a imprensa em massa.
Começamos informando pouca coisa.
Eles nos davam alguma informação,
eles falavam: "Certo, obrigado.
"Aqui está a sua matéria.
"Agora vão para casa e publique isso.
"Façam isso, não desviem do foco."
Não, não íamos fazer isso.
Nós começamos a descobrir
quem as vítimas eram.
Percebemos que as vítimas
eram pessoas que pediam carona,
que torciam para um motorista generoso lhes dar uma carona.
Pedir carona era uma coisa muito comum
e era parte da cultura americana.
Tínhamos um criminoso que estava andando por aí.
Ele conseguia sequestrar e atacar as vítimas,
depois andava pela cidade
e descartava as vítimas nas rodovias.
E esses detetives estavam tentando entender o que acontecia.
Mais corpos continuavam a aparecer.
Esse caso estava difícil de ser descoberto.
Quantos assassinos estavam à solta?
Bem, nós não sabíamos, era um grande quebra-cabeça.
Eu entendia de homicídio.
Já tínhamos visto muitos tipos diferentes de assassinatos,
mas nunca com essa continuidade, com as torturas,
brutalizações e mutilações.
Nunca tínhamos visto isso em um serial killer contínuo.
Isso muda a vida de alguém,
porque você internaliza um pouco disso
e precisa seguir em frente mesmo assim.
E precisa fazer tudo o que pode para encontrar a pessoa que fez isso.
Era fevereiro de 1980, estávamos no escritório
e recebemos uma ligação da Central dos Detetives
e tinham achado um corpo descartado em um beco
na 2ª com a Main, no centro de Los Angeles.
Havia uma caçamba lá.
Eu olhei dentro dela e vi o corpo de um jovem garoto nu
que tinha entre 14 e 16 anos.
O modo como o corpo estava posicionado,
nos fazíamos ter quase certeza que ele não tinha sido assassinado lá.
Ele foi jogado lá. Ele não estava arrumado.
Mas não vi nenhum indício
de que estivessem tentado esconder o corpo.
Acho que só queriam se livrar dele.
Eu percebi que poderia ter algumas marcas de amarração no pescoço dele,
mas era difícil de ver porque havia muitos destroços
junto com seu corpo.
Não tínhamos certeza se ele tinha sido estuprado,
mas como ele estava nu,
achamos que isso era bem provável.
Achamos que a vítima pesava
provavelmente entre 70 e 80 quilos.
Seria difícil para somente um homem
pegar esse corpo e jogá-lo na caçamba.
Eu tenho 1,95m e eu estava me esticando
para olhar dentro da caçamba.
Logo, alguém tinha que ter se esticado bastante para jogar o corpo.
Naquele momento, começamos a achar
que se esse fosse um serial killer, ele tinha companhia.
Nós o identificamos como sendo Charles Miranda.
Ele tinha 15 anos.
O meu filho mais velho tinha 15 anos e eu tive que passar pela autópsia.
E foi uma autópsia difícil
porque eu só conseguia pensar no meu filho.
Quando saímos da autópsia,
não demorou muito para descobrirmos que a nossa vítima
estava provavelmente conectada aos outros casos
porque ele tinha as mesmas marcas dos outros casos.
Mas nunca tínhamos vistos algo dessa magnitude.
A extensão da área da praia até o deserto,
era chocante para nós que um homem
ou talvez dois, pudessem estar fazendo isso
sem que ninguém visse nada.
Enquanto o Assassino da Rodovia estava às solta no Sul da Califórnia,
a polícia ainda estava trabalhando
no caso do Estrangulador de Hillside.
Nesse momento, acreditava-se que o Bianchi
tinha cometido aqueles crimes com a ajuda de outra pessoa.
Mas não há provas suficientes para acusar alguém
que não seja o Sr. Bianchi.
Sabíamos que estávamos com problemas.
A única coisa que tínhamos sobre o Angelo Buono
era o depoimento do Kenny Bianchi.
Sabíamos que teríamos um mentiroso patológico
como uma testemunha
e que ele iria depor contra o seu primo.
Mas o Bianchi não era
uma testemunha forte para o processo.
E sabíamos que iríamos precisar fazer de tudo
para aumentar a credibilidade dele,
concordando com as coisas que ele dissesse.
A primeira vez que eu o interroguei,
ele começou a me dizer que estava tão feliz
que poderia trabalhar comigo e me ajudar a desvendar os crimes.
Na verdade, eu sempre quis ser
um policial, sabe.
Mas eu perdi a paciência.
Eu disse: "Sente-se, cale a boca
"e responda às perguntas.
"É isso que tem que fazer.
"Não quero ouvir mais nenhuma besteira sua."
Eu sabia que isso não era certo.
Sabe, o cara já estava preso.
Ele não iria a lugar nenhum
e eu não o deixaria ir a lugar nenhum.
Eu não deixei.
Eu o pressionei tanto,
particularmente sobre a Kristina Weckler.
Ele disse que eles estavam
com dificuldade para matá-la.
Ele disse que ela não morria.
Então pensaram em injetar limpador de vidro nela.
Por isso ela tinha marcas de agulha
quando eu vi o corpo dela.
Naquele momento, eu não teria nenhum peso na consciência
de atirar na cabeça dele.
Mas sou profissional
e não posso fazer isso.
Estrangulá-las é a coisa mais fácil de se fazer.
Com o quê?
Cabos.
Você levava com você?
Sim, claro e sacolas.
Como assim sacolas?
Sacolas. Pegamos sacolas de celofane
e você as enrola assim, bem forte.
Não tem o que fazer.
O Bianchi explicou o MO
de todas as vítimas, especialmente dessa.
As vítimas geralmente estavam algemadas
quando chegavam na casa do Buono.
Elas eram levadas para dentro da casa
e colocadas na poltrona de couro.
Nós a chamávamos de poltrona do assassinato.
De acordo com o Bianchi,
todas as vítimas que foram àquela casa e se sentaram naquela poltrona.
E tudo começava naquela poltrona.
O processo da morte delas.
Onde a matou?
Na casa do Angelo.
Eles mandavam as vítimas se despirem ou eles mesmos as despiam.
Às vezes eles cortavam as roupas.
Eles vendavam as vítimas com materiais da loja do Buono
e com fita adesiva.
Colocavam um pano na boca da garota
e fita adesiva ao redor da cabeça delas.
Elas ficavam sem poder ver ou falar.
Eles então as levavam a um quarto vazio.
Eles as estupravam e as matavam.
A polícia já sabia
como o Bianchi e o Buono matavam as suas vítimas.
E com a informação fornecida pelo Bianchi,
eles tinham tudo o que precisavam
para prender o Angelo Buono.
Os policiais entraram na loja
e o tiraram de lá algemado.
Eu me lembro muito bem disso.
Eu mal podia esperar para prender o desgraçado,
eu queria muito fazer isso.
E me lembrei do que eu tinha dito a ele da última vez que o tinha visto,
eu disse: "Da próxima vez que eu voltar aqui,
"eu vou te prender."
E eu voltei e ele estava totalmente calmo.
"Eu não matei ninguém, foi o Bianchi que matou as garotas.
"Não sei nada sobre isso."
Ele era um durão das ruas.
Nada o abalava.
Não conseguíamos virar o barco dele.
Nós lemos para ele os seus direitos.
E ele nos disse que nunca conseguiríamos provar nada.
A polícia prendeu o Angelo Buono,
mas não tinha nada muito concreto contra ele.
Não tinham provas físicas e nem digitais.
Tinham um caso circunstancial.
Por isso os investigadores estavam desesperados.
Eles precisavam achar alguma prova que incriminasse o Buono
na frente do júri.
A polícia tinha feito uma busca na casa do Buono
no início do ano e não tinha achado nada.
A esperança era que, com base na informação
fornecida pelo Kenneth Bianchi,
a polícia iria poder revistar novamente a casa dele
e encontrar algo que pudesse ajudar.
Eu fui intimado...
GEORGE HERRERA EX-PAPILOSCOPISTA DA POLÍCIA DE L.A.
...a ir à casa do Angelo Buono.
Eu recebi a missão de procurar por uma impressão digital em sua casa
para ver se conseguiríamos achar algo de valor.
Estávamos torcendo para encontrar qualquer digital
de alguma vítima.
Eu me lembro de verificar o local todo.
E não tinha nada,
absolutamente nada de impressão digital.
Na busca pela loja,
muitos cabos e cordas foram encontrados,
muitas cordas que batiam com as marcas nas garotas.
Também encontramos os materiais usados para vendá-las e calá-las.
Na gaveta da mesa dele de trabalho,
encontraram uma carteira.
A carta de motorista do Buono estava dentro.
E havia fotos de várias garotas.
E em um dos plásticos das fotos,
havia uma impressão de um distintivo.
Os detetives já tinha imaginado que um dos métodos
que as pessoas estavam usando para colocar as garotas no carro
e deixá-las em posições vulneráveis,
era fingindo serem policiais.
Isso foi algo muito importante porque até aquele momento,
a polícia não tinha nenhuma prova
que confirmasse essa teoria.
A polícia também levou a poltrona de couro
que o Bianchi descreveu como tendo sido usada
em todos os assassinatos
e a levaram para o laboratório para ser analisada.
Ela acabou sendo importantíssima no caso.
Eles levaram a poltrona
e nós encontramos muitas fibras.
E os nossos analistas começaram a comparar essas fibras
com as que tinham coletado das mãos da Lauren Wagner.
Eles avaliaram cada fibra
da coleção de fibras deles
e encontraram uma que bateu.
E as fibras eram da cadeira da casa do Angelo.
Esse foi o maior erro que eles cometeram.
Havia resíduo nas digitais da Lauren Wagner
que não tinham sido achados em nenhuma outra vítima.
Porque eles usavam fitas adesivas para grudar os cabos elétricos
nos dedos delas para eletrocutarem-nas.
Quando eles tiraram os cabos, ficou resíduo.
As fibras da poltrona bateram com as fibras encontradas
nos dedos da Lauren Wagner.
Ela ficou com o resíduo quando foi colocada na poltrona.
E isso colocou a casa do Buono no centro dos assassinatos.
Era difícil de escapar dessa.
A defesa estava pensando em atacar a credibilidade
ou a sanidade da testemunha, o Kenneth Bianchi.
Acha que o Ken pode ser uma testemunha credível no tribunal?
Nós poderíamos ter ou não ter arquivado o caso. Sim, eu acho.
Mesmo com a animação de todos
por termos conseguido o depoimento do Kenneth Bianchi,
esse caso ainda tinha um longo caminho pela frente.
Prendê-los não era nada.
Isso era apenas o primeiro passo.
Era o julgamento que importava.
Antes do julgamento real,
houve uma audiência preliminar
que durou um ano.
A audiência preliminar é determinada
para acessar as provas e verificar se são fortes
e se havia causa provável contra o Angelo Buono.
Geralmente essas audiências não duram muito tempo.
E o Ken Bianchi depôs
durante a audiência preliminar
e depôs de várias maneiras.
"Não fui eu, eu não fiz isso. Eu não me lembro, eu não sei."
Ele bagunçou com tudo.
As mudanças de depoimento do Sr. Bianchi
torna o caso mais difícil para nós,
sem dúvidas.
BIANCHI AGORA NEGA ENVOLVIMENTO NOS ASSASSINATOS
Os relatórios que recebi diziam que ele não estava cooperando.
Não achavam que ele estava sendo honesto.
E eu recebi uma ligação
da Promotoria de Los Angeles.
Ele me ligou e disse: "Decidimos
"que vamos retirar as acusações contra o Buono,
"não podemos seguir com isso."
De todas as artimanhas que o Bianchi se valeu,
o procurador do caso pensou:
"Não dá para ganhar esse caso."
E foram até a Promotoria
e disseram que não poderiam ganhar o caso
e que deveria ser suspenso.
Não conseguíamos acreditar naquilo.
Eu estava tão furioso com o Roger Kelly
que eu não estava conseguindo enxergar direito,
eu achava que ele era o procurador mais incompetente
que eu já tinha conhecido na vida.
Não podemos fazer isso. Precisamos agir.
Vamos conseguir mais provas
do que já temos
e um promotor nos disse
que isso não era suficiente.
A única prova que achavam que tinham contra o Buono era o Bianchi
e achavam que ninguém iria acreditar no Bianchi.
Ele iria fazer uma piada de tudo aquilo.
Eu estava no tribunal quando ele fez a moção.
E o Buono se virou e riu para mim
com o maior sorriso que você já viu na vida.
Eu queria matá-lo.
Ele iria ser solto.
Ele iria ser solto!
Legendas: Renata Bianchi
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