Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Este programa contém violência e imagens perturbadoras.
Conteúdo não apropriado para menores.
Já faz 44 anos que esses assassinatos aconteceram.
E posso dizer os nomes de cada uma das garotas.
Posso contar quase tudo sobre elas.
Tenho sonhos à noite.
Eu sonho com... as vítimas,
e acordo no meio da noite
e digo: "Não, não abra a porta!"
Disseram para mim:
"Você se envolveu demais emocionalmente com as suas vítimas."
Eu disse: "Eu sou assim e não posso mudar."
Quando trabalhamos com casos de assassinato,
é algo que mexe com as emoções,
com as minhas e as dos meus colegas detetives.
Sabe, eu achei que um dia isso acabaria, mas...
Não vai acabar.
Dez mulheres foram estranguladas e jogadas nas encostas das estradas.
A vítima de número oito foi esfaqueada de uma orelha até a outra.
Houve mais 11 assassinatos parecidos com esses.
Nove esfaqueamentos fatais no último mês.
Nas décadas de 70 e 80,
encontrávamos vários corpos
em Los Angeles.
Por trás de todo aquele sol,
havia um lado sombrio.
Havia tantos assassinatos acontecendo
que precisávamos dar um nome para isso:
serial killer.
Havia por volta de uns 20 serial killers
entrando e saindo de L.A.
e matando uma pessoa atrás da outra.
O que aconteceu em Los Angeles nessa época
foi uma tempestade de serial killers.
Isso nunca tinha sido visto antes.
L.A. se tornou a capital dos serial killers do mundo.
Os serial killers não se identificam.
Eles trabalham no escuro.
Era um lugar perfeito para caça
se você fosse caçar humanos.
Não havia dúvidas, as pessoas estavam assustadas.
O que surgiu depois disso foi a Unidade de Roubo e Homicídio.
O que estava acontecendo
era que aparecia uma situação cada vez pior
do que a outra.
Quantos assassinos haviam às soltas?
Nós simplesmente não sabíamos.
Éramos uma equipe diferente.
Nós resolvíamos todos os crimes que chegavam para nós.
Fazíamos o nosso trabalho.
Trabalhávamos juntos e resolvíamos os casos
porque ninguém desistia.
Isso era um mau premeditado.
Não havia uma razão, eles simplesmente gostavam de matar.
EPISÓDIO UM - CORAÇÃO DE ESCURIDÃO 1977 - 1978
Na década de 70,
Los Angeles representava para as pessoas...
...a terra de ouro das oportunidades.
Artistas, jovens e sonhadores vinham para cá
à procura de "sonho californiano".
PATT MORRISON COLUNISTA DO LOS ANGELES TIMES
Aqui era quase um paraíso.
Isso foi no fim da década de 70...
MATT MURPHY EX-PROMOTOR
...era uma época em que as pessoas eram levadas para L.A.
Era a época de ouro de Hollywood, sabe,
os diretores estavam fazendo filmes fantásticos...
...as pessoas adoravam, e queriam fazer parte disso.
Los Angeles era o destino de todos.
As pessoas vinham para cá para se reinventar.
MICHAEL CONNELLY ESCRITOR
Elas vinham para cá porque seja lá de onde eram,
a vida não estava indo bem para elas.
As pessoas com desejos sombrios também vinham para cá.
Outra jovem estrangulada...
Uma rede de crimes de sexo horrendos.
Dois jovens entregadores de jornal descobrem...
Ele assassinou dez mulheres e deixou os corpos nas encostas das estradas.
No fim de semana, mais duas jovens,
amigas, foram assassinadas.
Na década de 70,
havia muitos corpos aparecendo em Los Angeles.
Houve uma certa disforia...
PETE DEMETRIOU RÁDIO KNX-1070 NEWS, LOS ANGELES
...quando os casos começaram a aparecer um atrás do outro.
O que está acontecendo aqui? Será que estou em segurança?
Se uma pessoa morre, também pode acontecer comigo.
Foi um momento muito, muito assustador.
DAVE LOPEZ EX-REPÓRTER DA KCBS-TV, LOS ANGELES
As pessoas estavam em pânico, claro.
Em qual tipo de sociedade nós estávamos vivendo,
em que isso acontecia sem parar.
Havia tantos serial killers em Los Angeles
na década de 70 que eles tinham apelidos.
JOAN RENNER HISTORIADORA SOCIAL
O Estrangulador de Hillside, o Assassino da Via Expressa
Assassinos do Pôr do Sol, Assassinos da Caixa de Ferramenta,
O Esfaqueador de Skid Row.
E esses são apenas os que conhecemos.
A Polícia de Los Angeles tinha a tarefa de investigar
todos esses serial killers
que estavam na ativa quase que ao mesmo tempo.
Essa geração de detetives
precisava concluir o trabalho.
Assim que Robert Kennedy
estava deixando o palco do salão do Ambassador Hotel
e um barulho de uma pequena explosão ou de um tiro foi ouvido.
Quando Robert F. Kennedy foi assassinado em 1968,
a Polícia de Los Angeles não tinha uma unidade
de detetives especializados para desvendar o caso.
E alguns pontos da investigação
deixaram o departamento da polícia envergonhado.
Como pensam em investigar a partir de agora?
Bem, como eu disse, só estou envolvido até aqui.
Estamos falando
do centro da mídia do mundo
e a Polícia de Los Angeles apareceu bastante.
E em 1969, eles criaram a Unidade de Roubo e Homicídio,
e era ali que tinham todas as suas unidades especializadas.
Esse novo esquadrão de detetives,
que estavam surgindo, eram bem unidos.
Com a nova geração de sangue novo surgindo,
havia um nível mais alto de energia
que era colocado nesses casos e também uma nova forma de pensar...
PAUL HOLES INVESTIGADOR
...talvez uma forma de pensar mais progressiva
sobre como poderiam seguir com as investigações deles.
Eles tinham um histórico fantástico de pegar os criminosos.
Eles vão guardar para sempre com eles coisas que não falam,
porque eles passaram por tantas coisas
que nenhum outro detetive irá passar.
Tipo, você olha para o abismo e o abismo olha para você.
O primeiro caso que ganhou conhecimento público
durante essa era dos serial killers
foi a do Estrangulador de Hillside.
Uma vez, eu fiz um discurso em uma faculdade
sobre o do Estrangulador de Hillside.
BOB GROGAN - DETETIVE DE HOMICÍDIO DA POLÍCIA DE LOS ANGELES
Eu me lembro que um garoto levantou a mão
e disse: "Como você lidou com isso?"
Eu disse: "Eu lidei com isso
"com um pedaço de papel amarelo e um lápis."
Não tínhamos computadores.
E só tínhamos um pager para nos comunicarmos.
Eu me dediquei aquele trabalho.
Depois do Estrangulador de Hillside,
a cidade de Los Angeles explodiu.
As pessoas temiam que suas filhas seriam as próximas vítimas.
Era algo inacreditável.
HOLLYWOOD, CALIFÓRNIA, 17 DE OUTUBRO, 1977
No meio de outubro de 1977,
a polícia foi avisada de que o corpo de uma jovem
tinha sido jogado em um morro próximo ao Griffith Park.
Esse morro em que ela está...
...todos conhecemos Hollywood Hills,
ela ficam em uma região montanhosa
que vai do centro de L.A. até Malibu,
então quase todas as pessoas famosas que moram em LA
estão literalmente ali.
É o lugar central de Los Angeles.
Ela foi encontrada de bruços e nua.
Havia provas de que seu pulsos tinham sido amarrados.
Ela tinha sido estuprada.
A polícia logo a identificou como sendo a Yolanda Washington.
Como ela era prostituta, os policiais não ficaram surpresos.
Não era considerado nada fora do comum.
Consigo pensar em centenas de casos
em que prostitutas foram vítimas de assassinato.
Como a Yolanda era prostituta,
os investigadores iriam normalmente pensar
que o criminoso era uma pessoa qualquer,
algum cliente que ela entrou no carro e algo acabou dando errado.
Mas o interessante com a Yolanda
foi que ela estava completamente nua.
Não se encontra corpos nus
deitados no chão quando trabalhamos em casos de assassinatos.
Ninguém fica lá para despi-las, pela amor de Deus!
Eles só colocam o corpo
onde querem colocar.
Aquilo tinha sido planejado.
Bom, parte do fato de os corpos serem jogados nus poderia ser
para reduzir a quantidade de provas físicas
ou de identificarmos quem a vítima era.
E além disso, era desumano,
não só o fato de jogar alguém morto, mas jogar a pessoa nua.
JAMES ALAN FOX, DOUTOR, PROFESSOR CRIMINOLOGIA, DIREITO E POLÍTICA PÚBLICA
Dá para entender um pouco como funciona a mente de um assassino
pelo modo como ela foi encontrada
e do modo como ela é descartada como um lixo.
Cara, isso é o mais difícil quando não se tem a cena do crime.
E essa não é uma cena do crime.
Sabe, aquilo era só um cadáver encontrado próximo à estrada.
Quando não temos a cena do crime, com certeza...
GEORGE HERRERA EX-EXAMINADOR DE IMPRESSÃO LATENTE
...há boas provas
que não serão descobertas.
Impressões digitais e sangue vão estar no local
em que o crime foi cometido.
Mas não temos isso quando um corpo é descartado.
Depois que comecei a minha investigação...
Eu descobri um caso
que podia ser semelhante ao da Yolanda de Washington.
O corpo de uma garota de 15 anos
foi encontrado nas montanhas em Glendale, na Califórnia.
Duas semanas depois,
outro corpo foi encontrado jogado próximo ao meio-fio
de uma área residencial em La Crescenta.
E era da Judy Miller.
A Judy Miller foi abduzida de Hollywood.
Ela foi jogada nua assim como a Yolanda Washington.
Eu pensava: "Meu Deus, isso é tão incomum, outra vítima nua."
Ela foi encontrada no jardim de alguém.
Isso diz muito sobre o desdém com relação à vítima.
Sobre o desdém com relação a qualquer pedestre o com a polícia.
Nesse caso em especial, havia prova física.
Nos cílios da vítima,
havia penugem.
Mas foi a primeira prova física encontrada nelas.
A Judy Miller foi encontrada com marcas de amarrações nos pulsos,
mas diferente da Yolanda Washington,
a Judy Miller também tinha marcas de amarrações nos tornozelos.
Tudo indicava que ela tinha sido amarrada.
Essas marcas indicam
que as mãos foram amarradas,
ou os tornozelos ou partes do corpo.
MICHELE KESTLER EX-CRIMINALISTA DA POLÍCIA DE L.A.
Nesse caso, o suspeito amarrou a vítima em cinco lugares:
ele amarrou o seu pescoço,
amarrou os seus pulsos
e amarrou os seus tornozelos.
O assassino estava tentando controlar as vítimas
e por isso ele as amarrou, não é só para matá-las.
E isso também é uma forma mais lenta de estrangulamento.
Mas aparentemente, os casos têm algumas semelhanças
mas os policiais não conseguiam chegar a uma conclusão
sobre as duas terem sido assassinadas pelo mesmo indivíduo.
E logo depois, o assassino passa para outro nível.
A polícia recebe uma ligação sobre uma mulher desconhecida
em Hollywood Hills, aparentemente morta.
STEVE MACK - EX-DETETIVE DO DEP. DE POLÍCIA DE HUNTINGTON BEACH
Quando os policiais chegaram, encontraram a vítima parcialmente nua,
e ela parecia ter sido posicionada com as mãos e os joelhos no chão.
A Jill Barcomb foi mais uma dessas jovens
que foram para L.A.
Ela era de uma família boa.
Ela cresceu em Nova York
e veio para a Califórnia porque queria visitar o...
...o mar, como fiquei sabendo, e ver Hollywood.
O corpo dela foi achado nu da cintura para baixo.
E havia uma enorme pedra ao lado da sua cabeça
com uma ponta afiada que estava ensanguentada.
Ela também tinha sido violentada até morte assim como...
GINA SATRIANO - PROMOTORA DE LOS ANGELES, CALIFÓRNIA
...também tinha três marcas de amarrações diferentes no pescoço.
De nylon, de um cinto, e da perna de sua calça.
Ela foi brutalmente estuprada e torturada.
O corpo dela foi achado posicionado.
A parte de cima da roupa estava para cima, mostrando os seios.
Ela estava de joelhos com a cabeça entre eles.
A polícia presumiu
que o assassino tirou fotos dela
depois que ela estava morta
e a colocou naquela pose para tirar as fotografias.
Quando a polícia foi pesquisar sobre a vida de Jill Barcomb,
eles descobriram que ela conhecia a Judith Miller.
A Jill Barcomb foi uma jovem encontrada em um morro
em Hollywood por volta da mesma região.
No início acharam que ela estava relacionada
ao caso do Estrangulador de Hillside.
A diferença é que as mulheres do caso do Estrangulador de Hillside
eram jogadas no chão de qualquer jeito e a Jill Barcomb estava arrumada.
Ela estava em uma posição
que todos concordávamos que ela tinha sido fotografada.
Mas só mais tarde descobriram
que ela estava conectada a um outro serial killer
que se tornou um dos serial killers mais conhecidos
na história dos Estados Unidos.
Sobre o Estrangulador de Hillside,
acho que como as vítimas eram prostitutas,
que são pessoas cujas famílias não vão dar falta delas
e que não têm muitos ou nenhum conhecido por aqui,
elas não chamariam muita atenção.
Os assassinatos saíram nos jornais,
mas acho que ninguém se importou muito com eles.
OUTRA GAROTA ESTRANGULADA
Certamente não chamou muita atenção...
DRA. LOIS LEE FUNDADORA DA CHILDREN OF THE NIGHT
...mas era comum nos jantares, as pessoas diziam:
"Nossa, você viu o que aconteceu com aquela garota?"
Eu ainda não tinha entendido as coisas.
Quando falamos de prostitutas serem assassinadas,
a maioria das pessoas que apresentam um noticiário ou repórteres diriam:
"Certo, quer saber? É o risco que elas correm na profissão.
"Elas correm o risco de serem assassinadas
"ao entrarem nesse tipo de atividade ilegal
"com um grupo decadente de pessoas."
E essa era a tragédia de alguns desses crimes dos serial killers.
As vítimas eram tão anônimas
e tão indesejadas pela sociedade
que levou muito tempo
para que se percebesse que estavam tratando de um serial killer.
As mídias podem ser responsabilizadas por não mostrarem melhor
e não humanizarem essas garotas.
A próxima vítima foi a Lissa Kastin.
Ela tinha 21 anos.
Ela chegou em L.A. com sonhos grandes de se tornar dançarina.
Ela estava enfrentando uma situação
que muitas jovens enfrentam quando chegam em Los Angeles,
ela estava tentando conseguir ganhar algum dinheiro.
Ela trabalhava em um restaurante na região de Hollywood.
Ela foi achada nua, estrangulada com marcas de amarrações
que pareciam com as da Judy Miller.
O corpo da Lissa foi achado a dez quilômetros
de onde o corpo da Judy tinha sido encontrado.
No necrotério, o patologista estava olhado para os corpos
da Judy e da Lissa, um ao lado do outro, e eles pareciam idênticos,
não só em questões físicas,
mas tinham as mesmas marcas de amarrações,
as mesmas marcas de amarrações nos pulsos e nos tornozelos.
Elas eram uma a cópia da outra.
Agora eles tinham três corpos.
A primeira era a Yolanda que era um pouco diferente.
Ela não tinha as mesmas marcas de amarrações.
Será que ela não fazia parte do mesmo caso?
Será que os casos estavam conectados?
Havia muita conversa
entre os detetives de homicídio de L.A.
Começamos a encontrar coisas
que pareciam um denominador comum.
Havia suspeitas, com certeza.
Mas não havia nada consistente
para dizermos que se tratava de um serial killer.
Poderia ser uma coincidência. Era difícil, mas podia ser.
E então, apareceu o caso que ligou tudo.
Nesse momento, no fim da década de 70 em Los Angeles,
aquilo nunca havia acontecido.
MATT MURPHY COLABORADOR DA ABC NEWS
Ninguém tinha visto algo assim.
Havia vários serial killers na ativa ao mesmo tempo,
incluindo o Esfaqueador de Skid Row.
Durante os anos 70, o Skid Row, em Los Angeles,
era um bairro em que havia, o que chamam de quitinete,
que são apartamentos de um só cômodo.
QUARTOS POR US$ 1.00 A DIÁRIA
Esses lugares ficavam em hotéis antigos, em lojas de conveniência ou em bares.
Eram locais para pessoas
que não tinham condições, seja lá por qual razão.
Essa era a região perfeita para um criminoso atuar
e não ser procurado por seus crimes,
porque quem se importava com essas pessoas?
Elas estavam naquela parte da cidade
onde a violência era até um certo ponto aceita.
Uma morte ou até duas naquela região,
não chamava muita atenção de ninguém.
Não gerava preocupação.
As pessoas que moravam em Skid Row,
eram as pessoas que tinham deixado as suas famílias,
eram pessoas que não queriam ser encontradas.
E pessoas más podiam se aproximar
desses grupos.
Quem iria procurar por elas?
Eu tinha acabado de voltar do Vietnã.
Fazia uns seis meses que eu tinha deixado a Marinha.
TOM LANGE DETETIVE DE HOMICÍDIO DA POLÍCIA DE L.A. - CASO DO ESFAQUEADOR DE SKID ROW
Eu estava procurando um trabalho.
Um dia, eu li no Los Angeles Times.
Tinha um anúncio.
Ele dizia: "Procura-se policial para a Polícia de Los Angeles.
"Salário US$ 641.00 por mês."
Quando eu comecei a trabalhar para a Polícia de Los Angeles,
tudo era uma aventura.
Eles nos encorajavam a ser proativos.
Em vez de pegar a Rua Main às 3h da manhã
para pegar um café...
...nós entrávamos em becos às 3h da manhã, com nossos cassetetes
e verificávamos todas as portas.
Se passássemos mais do que algumas horas fazendo isso
e não encontrássemos um ladrão era porque nosso olho estava fechado.
Tínhamos trabalho a fazer e não resolveríamos os problemas
se não fizéssemos as coisas pesadas.
Nos meus primeiros anos na polícia,
eu trabalhei na Divisão Central que fica no centro da cidade.
E parte dessa área abrange um pedaço de Skid Row.
Que era conhecida por ser uma área transitória na época,
desde os anos 60 e 70 até hoje.
Em outubro de 1978, houve vários esfaqueamentos
que começaram na região de Skid Row e estavam conectados.
A Unidade de Roubo e Homicídio percebeu que poderia ser um serial killer.
Seja lá quem estivesse cometendo aqueles crimes...
ROBERT GRAGE - PROMOTOR LOS ANGELES, CALIFÓRNIA
...tinha como alvo os mendigos.
Alguns homens foram encontrados com as calças abaixadas.
E a pessoa
que estava cometendo os assassinatos passava a faca da esquerda para a direita.
Não havia testemunhas oculares ou provas
que mostrassem que um mesmo indivíduo
tivesse cometido esses crimes.
Eu estava trabalhando na Divisão Central.
Eu recebi uma ligação da Unidade de Roubo e Homicídio,
eles tinham todos os grandes casos.
E me disseram que me queriam para trabalhar lá com eles.
Claro que eu aceitei na hora.
Eu disse: "Eu adoraria! O que querem que eu faça?"
Ele disse: "Veja se consegue descobrir o que está acontecendo com esses casos."
E também me disseram que eu ia trabalhar sozinho.
Eu concordei.
"Temos um outro problema.
"E ele chama Estrangulador de Hillside.
"Você já deve ter ouvido falar dele.
"Estamos sob intensa pressão
"e toda a nossa equipe está em Hillside."
Porque estava ficando muito feio.
No momento em que eu fui chamado,
eu nunca tinha trabalhado em nenhum caso de serial killer.
Mas não se pode ser uma criança reclamona.
Você precisa aceitar.
O Tom Lange tinha passado
por coisas muito difíceis no Vietnã.
Essas coisas o prepararam para o que ia acontecer aqui.
O que ele viu lá, influenciou no que ele fez em Los Angeles.
Uma vez, o Tom Lange disse para mim:
"A vida é uma bagunça e assassinato é uma bagunça ainda maior."
Esses assassinatos estavam acontecendo
e eles solicitaram que eu os desvendassem sozinho.
Eu até que gostei, eu gostei da independência.
PICO BLVD - CENTRO
Era eu contra o assassino.
Era uma competição. Quem iria ganhar?
Eu estava totalmente convencido de que eu iria ganhar.
Você precisa confiar.
Não há dúvidas de que você vai vencer.
Aqui é o centro de Skid Row, logo ali nas próximas quadras.
Olhe ao redor.
Há doenças, há drogas, álcool.
Todos os tipos de problemas mentais. E crime, sempre há crime.
Era aqui que alguns assassinos e esfaqueadores moravam,
bem aqui à esquerda, na 5ª com a Wall.
Claro que não podemos ter alguém que simplesmente venha aqui
e mate esses mendigos.
Eu sei que ninguém liga. Mas nós precisamos ligar.
Se há um assassino solto, algo precisa ser feito.
Quando o detetive Lange assumiu esse caso,
esses assassinatos estavam se empilhando, incluindo um corpo
encontrado próximo à biblioteca no centro de L.A.
Naquela noite, quando o chamado chegou,
havia um homem atrás da biblioteca.
RONALD CLEM EX-OFICIAL DA POLÍCIA DE L.A.
Nós pensamos que provavelmente havia drogas,
ou algo assim, acontecendo por lá.
O meu parceiro e eu fomos os primeiros a chegar na cena.
Eu notei um cara deitado no chão.
Ele estava se mexendo um pouco.
Ele parecia angustiado.
Eu fui até lá, me abaixei e perguntei para ele:
"Você está machucado?" Ele disse: "Fui esfaqueado."
Eu perguntei: "Onde ele te esfaqueou?"
E naquela hora, ele levantou a camiseta
e eu vi muito sangue.
Ele só gorgolejou e foi isso. Ele morreu.
O nome dele era David Jones.
E ele era morador de Skid Row.
A polícia conseguiu descobrir
que havia por volta de duas ou três testemunhas oculares
que viram as interações do cara
com o suspeito antes do caso em que o Sr. Jones foi esfaqueado.
Eles disseram que falaram com o homem
quando ele passou por eles.
A pessoa se chamava de Luther
e era um negro que, por fim,
disse a eles que matava bêbados.
Eu percebi que ele não se importava com ninguém.
Ele jogou um corpo para nós e foi embora.
Ele era um belo de um desgraçado.
No fim de novembro de 1977,
a polícia estava trabalhando em um caso
em que pelo menos três mulheres
tinham sido descartadas nuas
e estranguladas nas encostas de Los Angeles.
Era um sábado.
Eu estava pronto para assistir um jogo de futebol.
Mas na Homicídio não tem hora para as coisas acontecerem.
E eu recebi a ligação.
Eu dirigi até a cena do crime e vi uma linda e jovem garota
parcialmente no mato de uma área residencial.
Ela estava nua e com marcas de amarrações nos seus pulsos e em ambos os tornozelos.
Elas eram bem claras.
Ela tinha sido amarrada bem forte e foi dominada daquele jeito.
Era o mesmo MO que eu tinha visto nos outros crimes.
Era isso, tínhamos um assassino em série.
Não havia dúvidas na minha mente nesse momento.
Os crimes, com certeza, estavam conectados.
Mas com o estrangulamento no pescoço, era mais violento.
Estamos olhando para um corpo que parece
que ela passou por algum tipo de tortura.
Marcas de agulhas nos braços e na região do pescoço.
Parecia que alguém estava tentando injetar
algo em seu corpo.
O Dick Crowe, meu parceiro, estava junto comigo.
E ele disse: "Bem, ela poderia ser uma drogada."
E eu disse: "Acho que não.
"Não parece algo que essa garota faria."
Mais tarde nas investigações,
eu descobri que o nome dela era Kristina Weckler.
Ela estava na faculdade de artes
e estava fichada como desaparecida.
Ela era uma ótima garota, uma ótima aluna e amada por todos.
Nossa, meu Deus, não era para aquilo ter acontecido com ela.
Não fazia sentido.
No mesmo dia em que o corpo da Kristina foi encontrado,
dois outros corpos foram encontrados na mesma região.
O Dick e eu ficamos sabendo sobre esses dois corpos
encontrados na Landa Drive.
A cena do crime era trágica, muito trágica.
Essas pobres garotas foram jogadas em um aterro.
Não era um aterro feito pelo homem, era um aterro natural
feito beirando uma encosta com destroços
que desciam pela sua extensão.
Da estrada, eu podia ver dois corpos nus lá embaixo.
E então, eu fui até a cena do crime
e dei uma examinada mais de perto nessas duas garotas.
Ambas tinham marcas de amarrações
nos tornozelos e nos pulsos.
E tinham muitos machucados pelo corpo,
como se tivessem recebido tapas ou socos.
Isso era indício de um assassino brutal, um suspeito muito brutal.
Eu e o meu parceiro Dick Crowe olhamos para aquilo
e concluímos que, sem dúvidas, era o mesmo cara.
Dolores Cepeda e Sonja Johnson
tinham 12 e 14 anos respectivamente
e estavam a caminho do shopping para encontrar algumas amigas.
Elas iam comprar cortinas para o quanto da Sonja
e foram vistas pela última vez em um ponto de ônibus
a caminho do shopping.
Por que as pessoas fazem isso?
2 VÍTIMAS ESTRANGULADAS
Eu não entendo isso até hoje.
Por que alguém mataria garotas de 12 e 14 anos
e as estupraria e as manteria prisioneiras?
Por quê? Isso é maldade pura!
Eu não posso nem imaginar o que essas duas garotas passaram.
A VIDA MAL TINHA COMEÇADO
O Dick estava mais centrado do que eu.
Eu fiquei com raiva.
Com muita raiva.
Você não simplesmente vai para casa quando tem um caso de assassinato
e fica sentado à mesa jantando com seus filhos
e dizendo: "Adivinhem que tipo de assassinato eu vi hoje?"
Você não pode levar isso para casa.
Você se alimenta disso, respira isso.
Você só fala com seus colegas detetives sobre isso.
Então, nós conversávamos
toda hora sobre o caso.
E não tinha dúvidas de que essas duas garotas
de 12 e 14 anos, tinham sido assassinadas
e estavam ligadas ao Estrangulador de Hillside.
Isso mudou toda a história.
Essas garotas eram muito mais jovens do que as outras.
Não encontraram um padrão.
Duas garotas de 12 e 14 anos que desapareceram juntas
e foram encontradas juntas vítimas de estrangulamentos.
Duas jovens e inocentes
foram brutalmente assassinadas,
foi aí que as pessoas começaram a dizer:
"Quer saber? Agora não estamos seguras?"
No burburinho da mídia que ocorre em um tipo de caso assim...
MICHAEL CONNELLY ESCRITOR
...a vitimologia é algo muito importante.
Dá para notar um padrão do perfil das vítimas.
As outras vítimas não tinham conexões
com a área de Hollywood,
mas havia muitas semelhanças nos casos.
E então podemos entender como...
...essas garotas cruzam com os assassinos.
E isso se tornou uma história interessante, empática e solidária,
e a mídia sempre ficará com essas histórias.
Três corpos encontrados em um mesmo dia,
um a algumas quadras do apartamento de Glendale.
E acho que foi aí que os casos começaram a aumentar.
Ninguém mais estava seguro naquela época
se você era uma mulher e estava na rua sozinha.
As pessoas estavam assustadas e a mídia estava piorando as coisas.
Três agências diferentes da polícia
estão coordenando as investigações.
A ABC News descobriu que cada um dos corpos das vítimas
tinha sido mutilado de uma certa maneira.
Todas elas eram jovens.
STANLEY BACKMAN DEPARTAMENTO DE POLÍCIA DE L.A.
Todas elas foram encontradas nuas e foram molestadas sexualmente
e todas morreram por estrangulamento.
Como isso pode não gerar medo em alguém? Você fica em estado de alerta total.
O alarme fica ligado.
E eu acho que com o Estrangulador de Hillside,
morar naquela região, como eu morava,
fazendo parte da vizinhança naquela época.
Isso deixou todas as pessoas vigilantes. Deixou todo mundo apavorado.
O cara poderia ser qualquer um. Ninguém tinha ideia.
As mulheres que eu conhecia,
as minhas amigas, as minhas colegas de classe, nós conversávamos sobre isso.
Qual é a atitude da comunidade hoje?
Todos estão tensos e nervosos.
-Você está com medo? -Sim, todos nós estamos com medo.
Era algo abrangente.
Poderia ser contando algum boato
ou entrevistando alguma pessoa que conhecia uma das vítimas.
Nesse ramo, qualquer coisa que aparece é contada ao público.
Sabe, todos começaram a fazer a mesma coisa.
Esse era um serial killer que estava à solta.
A história virou dominante.
Naquele momento, os investigadores tinham cinco casos
com seis vítimas de homicídio.
Todas essas vítimas tinham sido assassinadas em outro lugar
e não havia nenhuma conclusão
sobre como os corpos iam do ponto A até o ponto B.
Se você arrasta uma vítima pela calçada,
encontramos machucados nos calcanhares e na pele.
Machucados que mostram que os corpos foram arrastados.
Mas não havia provas disso.
Os corpos eram colocado e não arrastados, o que mostrava haver dois caras.
Um cara sozinho não consegue fazer isso.
A maioria dos serial killers trabalha sozinho,
porque eles não conseguem achar alguém
que apoie as fantasias sexuais e sarcásticas deles.
Ter dois caras trabalhando juntos é algo bastante raro.
E é incrivelmente importante em uma investigação como essa.
Parecia para mim que tínhamos dois suspeitos.
Que estavam brincando com as vítimas deles,
torturando essas garotas sem nenhuma razão.
Eles gostavam de matar.
Ao olhar para essas duas garotas...
ESTRANGULADOR DE HILLSIDE
...aquilo não se encaixava ao cenário
da Judy Miller, da Lissa Kastin, e da Yolanda Washington.
Elas eram de mundos diferentes.
E então, tínhamos a Kristina Weckler.
Ela era uma estudante da faculdade de artes.
Ela parecia uma garota muito normal.
Que estava no lugar errado e na hora errada.
Eu fui nomeado investigador chefe.
E fui até a casa dela.
Eu me forcei a entrar naquela casa.
E comecei a conduzir uma busca na casa
para ver quem eram seus amigos, era uma examinação geral.
Eu encontrei o seu diário sob a mesa.
Ela escrevia não só endereços,
mas também fazia anotações das pessoas que conhecia.
E havia uma anotação especial.
Um homem chamado Kenny.
Ele tinha dado em cima dela
e ela o descreveu como alguém a ser evitado.
Isso nos levou a suspeitar dele.
Eu precisei chamar o pai dela até o meu escritório.
Essa é sempre a parte mais difícil do nosso trabalho na Homicídios.
E eu disse: "Sr. Weckler você precisa identificar a sua filha para nós."
E ele fez isso, com muita coragem.
Eu não teria feito.
Eu me lembro muito bem disso.
Ele disse: "Esta é a minha filha Kristina."
Sem emoção, mas eu sentia o ódio dele.
Eu disse: "Podemos conversar?"
E ele disse: "Sim. Mas preciso de uma bebida."
Então fomos a um restaurante
e ficamos lá por horas.
Tomamos algumas bebidas, vou dizer.
E estávamos ficando bem...
...bem cômodos um com o outro.
Ele me disse: "O lugar preferido da minha filha
"no mundo todo era Anahola Bay, no Havaí.
"E vou jogar as cinzas dela lá.
"Vou espalhá-las por toda a baía.
"Você é bem-vindo se quiser acompanhar."
Eu disse: "Isso vai além
"do que um detetive de homicídio pode fazer, Chuck,
"mas se eu puder ir... eu irei."
E eu fui.
Muitos detetives me disseram
que eu me envolvia demais emocionalmente com as minhas vítimas.
Não posso mudar isso.
Eu fiquei próximo da família Weckler
e fiquei envolvido emocionalmente.
Porque eu estava envolvido com a família.
E então o Chuck disse: "Eu quero saber de tudo.
"Eu quero saber o que ele fez com ela."
E eu expliquei para ele, eu disse:
"Bem, Chuck, não posso dizer exatamente tudo o que aconteceu.
"Primeiro porque não sei de tudo o que aconteceu
"neste momento.
"E isso poderia prejudicar a investigação,
"e o julgamento do caso se eu te contasse."
E isso o deixou atormentado. Eu podia ver que ele estava machucado.
Mas isso gerou um ódio em mim...
...e me motivou a procurar os desgraçados.
VALE DE SÃO FERNANDO 28 DE NOVEMBRO, 1977
Legendas: Renata Bianchi
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.