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HÁ 75 MILHÕES DE ANOS
Nas profundezas do espaço,
uma ameaça aproxima-se.
Preso entre as órbitas de Júpiter e Marte.
O cinturão de asteroides.
Um milhão e meio de pedaços de rocha antiga,
à volta do Sol.
À deriva continuamente.
Mas, num único momento de puro acaso…
… um asteroide é expulso da sua órbita.
Um instante fugaz,
a milhões de quilómetros da Terra,
manda-o numa trajetória nova,
em direção ao centro do nosso sistema solar.
Mas a sua viagem terá um fim repentino e violento,
num dos eventos mais catastróficos
na história da Terra.
E o capítulo final
da história épica
dos dinossauros.
A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS DINOSSAUROS
CAPÍTULO 4: QUEDA
HÁ 72 MILHÕES DE ANOS
CRETÁCEO SUPERIOR
Passaram três milhões de anos
desde que o asteroide começou a sua viagem em direção à Terra.
E os dinossauros governam o planeta.
Eles dominam a terra e agora começam a entrar no oceano.
O nível elevado da água do mar dividiu a América do Norte em dois…
… criando costas sem fim…
… centenas de ilhas tropicais…
… e oportunidades.
Mas estas ilhas não são um paraíso.
São a casa de um predador impressionante.
Um dos dinossauros mais velozes e ágeis da sua espécie.
A resposta da América do Norte ao espinossauro.
Mas não da forma que imaginaríamos.
Nem de perto.
Este é o Hesperornis.
Ele é impressionante e veloz.
Mas ele é o oposto dos seus primos gigantes e assustadores.
Ele é estranho
e trapalhão.
E tem dentes minúsculos.
Não são exatamente os traços de um caçador feroz.
Mas o que partilha com o espinossauro
é que não está confinado à terra firme.
Na verdade, ele é o dinossauro aquático mais desenvolvido de sempre.
Como um pinguim pré-histórico,
ele consegue nadar até ao alto-mar para aceder a locais com comida,
aos quais antes não conseguia chegar.
Esta é a recompensa do seu novo reino azul.
Aqui, as suas patas desajeitadas tornam-se propulsores.
E os seus 94 dentes afiados apanham peixe com facilidade.
Mas, como respira oxigénio,
está ligado à superfície.
E a superfície não é um sítio seguro para estar parado.
Porque, lá em baixo,
há animais
com o dobro do tamanho de uma orca.
O mosassauro.
O superpredador destes mares.
O Hesperornis tem de voltar para a costa.
Mas o mosassauro move-se com uma velocidade assustadora.
Felizmente, o Hesperornis é muito mais ágil.
Mas ele está exausto.
O que dá ao mosassauro uma última oportunidade.
O Hesperornis é um verdadeiro sobrevivente,
aventurando-se mais no oceano do que qualquer outro dinossauro.
Mas estas águas são traiçoeiras, até para os melhores nadadores.
Apesar do sucesso dos dinossauros nas águas rasas,
os mosassauros dominam as ondas.
A 1300 km para norte, em terra,
é outra história.
Com um clima quente e estável,
o domínio dos dinossauros aqui é incomparável.
Os grandes saurópodes prosperam entre as árvores altas,
como sempre o fizeram desde o início do Jurássico.
Mas, abaixo deles, tem havido uma revolução.
Um hadrossauro fêmea.
Apesar de parecer anã comparado com eles,
é maior do que um elefante.
E não será travada por estes gigantes,
porque nada consegue impedir uma mãe com uma missão.
E essa missão
é alimentar a família…
… que está algures
ali em baixo.
Há muito tempo, os seus antepassados que guardavam comida nas bochechas
eram poucos e estavam dispersos.
Mas os hadrossauros têm tanto sucesso que têm manadas de milhares.
As maiores aglomerações de dinossauros que o mundo já viu.
Mas a família desta fêmea não está a viajar com a manada.
Ali, na segurança da creche,
um berçário enorme para centenas de crias de hadrossauros…
… incluindo as dela.
Com seis meses, têm um apetite insaciável
e comem quase tudo o que ela lhes dá.
Tudo.
Este tipo de alimentação típica das aves exige muitas repetições,
por isso, ela parte várias vezes para procurar comida.
E, quando as mães estão fora,
os pequeninos brincam.
Com a envergadura de um caça,
os pterossauros estão maiores do que nunca.
E as creches são os terrenos de caça perfeitos,
onde os ninhos desprotegidos são os alvos mais fáceis.
Apesar da ameaça deste dinossauro gigantesco,
as mães vão defender as suas crias a todo o custo.
Mas o pterossauro gigante está determinado a alimentar-se.
Os gritos do ninho são uma chamada para o jantar para o predador.
Mas os pequeninos não estão a chorar só por causa do medo.
Estão a pedir ajuda.
Este instinto feroz para proteger as suas crias
é essencial para o sucesso dos hadrossauros.
Mas outros dinossauros estão a levar a defesa a outro nível,
porque o combate entre o predador e a presa está a agravar-se.
HÁ 72 MILHÕES DE ANOS
E isto dará origem aos dinossauros mais icónicos de todos os tempos.
Isto vai demorar tanto tempo
que o continente da América do Norte mudará.
O terreno eleva-se em direção ao céu.
HÁ 66 MILHÕES DE ANOS
As Montanhas Rochosas.
É aqui, no sopé das montanhas,
que os dinossauros estão a causar impacto.
O paquicefalossauro.
Estão a usar os seus crânios terrivelmente grossos…
… para um duelo pela supremacia.
E, ao lado deles,
um dinossauro com uma cabeça ainda mais impressionante.
O triceratope.
Pode parecer um rinoceronte,
mas tem o dobro do tamanho.
E tem chifres que parecem lanças com mais de um metro de comprimento.
O triceratope e o paquicefalossauro têm armas impressionantes.
No entanto, há aqui alguns
que estão ainda mais armados e são mais perigosos.
Sob o manto da escuridão,
o guerreiro blindado mais recente e grandioso.
Tem seis metros de comprimento e é muito territorial.
O Ankylosaurus magniventris.
Está à procura de intrusos
suficientemente ousados para invadir o seu território.
O seu corpo tipo tanque está coberto por dezenas de placas ósseas espessas.
Além disso,
tem uma nova arma poderosa.
Uma cauda em forma de bastão, que pesa meia tonelada,
e que ele pode usar para enfrentar quem anda nas florestas.
Ele pressente algo.
O seu território foi invadido…
… pelo pior intruso de todos.
Um tiranossauro-rex.
Um anquilossauro
contra um tiranossauro-rex.
Um impasse evolutivo
forjado ao longo de milhões de anos.
Mas, neste combate,
há uma coisa que distingue estes dinossauros.
A inteligência.
O tiranossauro-rex é um dos predadores mais temíveis de sempre.
E, para se manter em forma,
tem de comer o equivalente a 200 bifes por dia.
No entanto, esta fêmea ainda não comeu nada.
Porque ela tem planos especiais para esta refeição.
Mas o anquilossauro não é um petisco leve.
Tem seis toneladas de músculos e ossos
cobertas de saliências e protuberâncias.
Mesmo para o tiranossauro,
é uma chatice.
Finalmente,
chega ao fim da viagem.
E eis a razão de todo este esforço.
Cinco crias esfomeadas.
Uma assassina feroz?
Sim.
Mas também
é uma mãe dedicada.
Ele vai garantir
que os seus pequeninos são bem alimentados…
… para lhes dar o melhor início de vida.
Algo que os seus antepassados distantes
só poderiam sonhar.
Há muito tempo, no Triássico, o pequeno Marasuchus eclodiu no inferno.
Estes dinossauros em desenvolvimento
eram obrigados a viver nas sombras
e a esconderem-se dos répteis dominantes.
Mas quando o destino interveio…
… transformaram a catástrofe
numa oportunidade…
… e começaram a sua ascensão.
Ficando maiores, mais fortes e mais formidáveis do que nunca.
Com o tempo,
eles triunfariam, não só em terra,
mas no mar
e no céu também.
Após 160 milhões de anos,
os dinossauros dominam tanto
que nada na Terra os pode impedir.
Mas algo que não é desta Terra…
… pode.
Porque, enquanto a viagem desta família está apenas a começar,
outra viagem está a chegar ao fim.
O asteroide, agora a caminho da Terra a 50 vezes a velocidade do som,
terá, finalmente, o seu encontro com o destino.
Abate-se sobre o oceano, ao largo da costa do México,
com a força de mil milhões de bombas atómicas.
As temperaturas são tão altas que vaporizam o fundo do mar…
… e todos os seres vivos num raio de centenas de quilómetros.
Longe, no sopé das Montanhas Rochosas,
estes grandes dinossauros não fazem ideia do que está prestes a atingi-los.
Os maiores terramotos de sempre.
Mas o pior ainda está para vir.
Um muro enorme de destroços sobreaquecidos explode para fora.
Os dinossauros, apanhados nesta nuvem mortal,
são sepultados.
O mundo deles é tão quente que, literalmente, irrompe em chamas.
Nem a armadura mais resistente
oferece proteção.
A nuvem engole rapidamente todo o planeta,
sufocando-o com cinzas.
Envolvendo-o na escuridão.
Os poucos que sobrevivem, no fim de tudo,
vivem agora um pesadelo.
Sufocando na escuridão.
Ao cair da noite,
o número de dinossauros mortos é catastrófico.
DUAS SEMANAS DEPOIS
Privados de raios solares,
um inverno pós-impacto envolve a Terra.
A temperatura global desce 25 ºC.
Condições tão frias que quase nenhum dinossauro resiste.
Saurópodes gigantes,
mortos,
nas cinzas das árvores que os tornaram tão altos.
Nas suas colónias apinhadas,
aqueles que vivem juntos,
morrem juntos.
As mães protetoras não conseguem proteger as crias
das temperaturas geladas.
O frio cortante também afetou
o dinossauro mais famoso de todos.
O Rei Tirano…
… sucumbiu.
Nem o poderoso tiranossauro-rex
sobreviverá a isto.
O reinado dos dinossauros,
finalmente,
chegou ao fim.
Mas 66 milhões de anos depois…
… os dinossauros erguem-se de novo.
Desta vez,
pelas nossas mãos.
Hoje, os seus fósseis são monumentos de um mundo perdido.
Mais do que isso,
são as chaves que revelam os segredos da história dos dinossauros.
O nosso conhecimento das suas vidas é mais vasto do que nunca.
Desde os seus primeiros momentos
aos últimos.
E a revelação de que no dia mais negro da Terra,
nem todos os dinossauros morreram.
Alguns eram suficientemente pequenos para se abrigarem do apocalipse.
E sobreviveram
até hoje.
Os dinossauros voadores a que, agora, chamamos aves.
E as pistas para o seu passado estão escondidas à vista de todos.
A incrível viagem que começou há 235 milhões de anos
continua ao nosso lado.
São o elo que resta…
… de um reino há muito perdido,
que foi
a era
dos dinossauros.
Legendas: Maria João Fernandes
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