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OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
Estas crias de leão-marinho-sul- - americano estão sozinhas em casa.
São todas criadas por mães solteiras com empregos muito exigentes:
apanhar o peixe de que a família precisa.
Estes miúdos nasceram há poucas semanas e já têm rédea solta.
As águas rasas são o equivalente ao parque de skate local.
Um sítio relativamente seguro para se exibirem,
socializarem e tomarem péssimas decisões.
As lutas a brincar estabelecem a hierarquia.
Mas brigar com crias não as prepara para serem lançadas aos lobos.
Há um estranho perigoso a um metro de distância.
E vem com um sorriso na cara.
E de smoking.
A orca parece ter feito tudo para parecer respeitável.
Tem o comprimento de um autocarro escolar
e está doida para que estes miúdos subam a bordo.
Mas como é que há de aproximar-se da berma?
A água é demasiado rasa.
Decerto que as crias estão em segurança aqui à beira-mar,
fora da água.
Mas a assassina sorridente tem outra ideia em mente.
Tem de tentar novamente.
O animal de sete toneladas tem de encontrar um equilíbrio delicado.
Se for demasiado rápido, pode ficar encalhado.
Se for demasiado lento, os leões-marinhos escaparão.
Mas estas orcas sabem qualquer coisa sobre o rapto de crias.
São um de apenas dois gangues no mundo
que desvendaram este segredo.
O desejo puro fá-la avançar.
Uma fome de carne.
Uma sede de sangue.
Têm de ser saciadas.
É impossível não respeitar este tipo de astúcia.
Por fim, as progenitoras regressam das expedições de caça.
A hora da brincadeira acabou, miúdos.
Só há uma coisa que assusta mais as crias do que monstros marinhos.
Mães zangadas.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
Era uma vez uma terra muito, muito húmida.
O Pantanal.
Vejam os peixinhos. Não parecem felizes?
São tantos, todos a nadar e a fazer coisas de peixes
neste cenário tropical encantador.
Sim, adivinharam. A história não fica por aqui.
Porque estamos na estação das chuvas,
o que significa que há uma estação seca.
Todos os anos o Pantanal encolhe de um mar interior
para uma data de charcos de lama cheios de peixes a sufocar
e memórias amargas de dias melhores.
E, como se isso não bastasse,
o jacaré é um predador que não caça por desporto.
Sendo um réptil de sangue frio,
a poupança de energia é crucial para a sua sobrevivência.
E há muito pouca caça que exija menos energia que esta.
Estão mais de 50 jacarés apinhados num charco
com metade do tamanho de um campo de futebol.
Os crocodilos são conhecidos por terem cérebros minúsculos,
do tamanho de uma noz,
o que torna o seu comportamento predatório ainda mais notável.
Quando chega o momento certo, eles atacam.
Como se seguissem regras sociais estabelecidas,
mergulham à vez...
... atirando inadvertidamente peixes para as mandíbulas uns dos outros.
Apesar dos seus cérebros minúsculos,
os cultos jacarés são capazes de coreografar
um ballet de mortandade.
Mas a vida nem sempre é assim tão fácil para os jacarés.
Vivem cada dia temendo o pior.
Porque aqui há outro assassino
que provoca arrepios aos jacarés.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
Pode ser stressante ser o predador de topo de todo um ecossistema.
As pessoas dizem: ele é o maior predador da América,
com a dentada mais poderosa de todos os felídeos.
É verdade, mas esse privilégio acarreta muita pressão.
Todos esperam que ele seja duro,
a toda a hora.
Mas até os melhores têm dias menos bons.
Parece que ele se desentendeu com um dos rapazes.
E não foi só o orgulho dele que saiu ferido.
Quando se está habituado a ser o número um,
o segundo lugar pode ser muito solitário.
Talvez ele possa fazer um amigo com quem desabafar.
Talvez não.
Ele precisa é de umas férias.
Que tal um cruzeiro?
Os seus 100 kg parecem mais leves dentro de água.
E, felizmente, alivia a pressão sobre a pata magoada.
Ele pode estender-se e deixar-se levar por quilómetros.
É incrível o que vemos quando descansamos a cabeça,
relaxamos e deixamos que a corrente nos leve.
Uma enorme variedade de plantas,
as nuvens a passar,
uma capivara a fazer a sua vida,
o sol que traz consigo a vida...
Espera... O que era aquilo?
Uma capivara apetitosa.
É incrível como até uma pequena pausa
pode reacender a alegria de viver.
Falhou.
Mais valia ter ficado na água.
Até os fracassos podem ser absorvidos mais facilmente
depois de recuperada a força mental.
Acabaram as férias. De volta ao trabalho.
Os braços mais pequenos do rio são focos de jacarés.
Mas o jaguar tem de se aproximar.
É só uma cria de jacaré,
mas quando se está fora de jogo há uns tempos
qualquer vitória é bem-vinda.
É apenas um aperitivo,
mas o percurso de volta a número um
tem de começar por algum lado.
Não são apenas os grandes mamíferos que lutam por território.
Alguns animais sul-americanos podem ser diminutos,
mas são pequenos lutadores que não fogem de uma rixa.
DESFILADEIRO DE PORTACHUELO, VENEZUELA
Comer, comer e comer.
Este é um inseto que se desmazelou completamente.
Pode atingir o tamanho de uma pequena ratazana.
É uma das maiores larvas do mundo.
Durante quase dois anos não faz nada além de comer.
É como se todos os dias fossem uma mistura peganhenta
de Ação de Graças com Natal.
Mas no Ano Novo chega a altura
de enfrentar algumas verdades difíceis.
Ele tem dois anos, parece uma bola,
e é solteiro.
Está na altura de mudar.
Ele esconde-se e faz num campo de treino transformacional.
E o Jabba the Hutt transformou-se no Capitão América.
É incrível o que uma dieta de hidratos de carbono pode fazer.
Agora tem uma armadura mais rija que os abdominais dos irmãos Hemsworth.
Cobre um conjunto de músculos
que faz mexer uns chifres gigantescos, com 10 cm.
Ele transformou-se num escaravelho-hércules.
Com 17 cm, é um dos escaravelhos mais compridos do mundo.
E hoje é noite de combate.
Ele está pronto para competir por uma parceira.
Este macho rival é um adversário à altura.
Ambos são incrivelmente fortes,
capazes de levantar objetos com 850 vezes o seu próprio peso.
É o equivalente a uma pessoa levantar 13 elefantes,
ou o "The Rock" levantar 850 "The Rocks".
Este combate tem regras.
Eles competem para ganhar posição,
tentando encontrar um ponto de alavancagem para levantar o outro.
E agora, a luta corpo a corpo.
Ele tenta um Cobra Clutch Slam.
Não foi bem.
Ele tenta um Crossface Chickenwing.
O adversário não cede.
A situação inverteu-se.
É altura para um Suplex.
O rival sai vitorioso.
O escaravelho pode ser o herói que a floresta merece,
mas não é aquele de que precisa agora.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
A selva está em alerta máximo esta manhã,
graças a esta ave de aspeto estranho,
a imensa águia harpia.
Esta gigante da Amazónia é uma das maiores águias do mundo.
Asas com 2 m de envergadura
preparadas para voar por entre a densa copa das árvores.
Esta águia não tem apenas um penteado estranho.
As suas patas parecem ter sido roubadas a um gigante muito zangado.
As garras com 10 cm são tão grandes como as de um urso-pardo,
desenvolvidas na perfeição com uma finalidade.
Mas esta matança tem uma razão mais benigna por trás.
A cria tem apenas algumas semanas.
Já é do tamanho de uma galinha.
E tem um apetite inacreditável.
Em pouco mais de um ano será tão alta como um São Bernardo.
E provavelmente até seria capaz de devorar um.
No mundo da águia harpia, ainda estamos na década de 1950.
A mãe trata da casa e o pai é o ganha-pão.
Faça chuva ou faça sol, a mãe dedicada fica ao lado da cria,
cortando-lhe a carne em pedaços
e saciando uma fome que aumenta a cada dia.
Um ano depois, a cria já tem o tamanho de um adulto.
Tal como muitos adolescentes,
parece que já devia saber cuidar de si sozinha.
Mas não consegue.
Agora ambos os progenitores têm de caçar
para sustentar o jovem com 4 kg.
Mas até estes pais podem perder a paciência.
Estão a alimentar o adolescente cada vez menos.
Isso faz com que a jovem harpia saia do ninho
em busca do seu pequeno-almoço.
Estas coisas verdes são saudáveis demais.
E que tal uma sanduíche de bacon?
Esperem lá... Este ramo mexe-se.
Tem garras. E uma cara.
Mas que raio é esta coisa?
O juvenil não tem experiência
e nunca viu uma preguiça viva.
Está hesitante,
mas também esfomeado.
Ele tem de tentar.
Mas a folhagem é demasiado espessa.
Foi vencido por uma humilde preguiça.
Que vergonha...
Nas profundezas da Amazónia
vive outro predador singular da América do Sul.
Mas ao contrário da jovem harpia,
este hábil predador não dá segundas oportunidades às suas presas.
A bacia do rio Amazonas,
onde as águas do Rio Negro
e do Amazonas, com 6700 km, se encontram.
É um local estranho e maravilhoso.
Cardumes de peixes brincam nas águas abundantes.
Saem da água aos pulos de alegria.
Na verdade, percebemos mal.
Estão a ser perseguidos por predadores mortíferos.
Botos.
Os golfinhos vivem quase exclusivamente no mar,
mas estes adaptaram-se na perfeição à água doce.
Na verdade, estão tão bem adaptados que é quase batota.
Vantagem injusta número um:
um corpo hiperflexível.
Ao contrário dos seus primos marinhos,
os botos conseguem torcer, rodar e virar a cabeça de um lado ao outro.
Vantagem injusta número dois: respirar ar.
A fuga dos peixes em pânico levanta sedimentos barrentos.
Os peixes têm de usar as guelras para extraírem oxigénio da água,
enquanto os golfinhos respiram ar.
Vantagem injusta número três: um biossonar.
O lodo cega os peixes em pânico.
Mas os botos não estão preocupados. Conseguem ver através do som.
O alto que têm na testa chama-se melão.
Ajuda a focar a sua ecolocalização como uma lente,
fazendo dela uma estranha alternativa à visão.
Guiados uns pelos outros,
o grupo predatório aproxima-se do alvo,
encurralando os peixes.
Segue-se um autêntico caos. Assim é canja.
Não deviam sorrir depois de uma vitória tão desigual.
As suas vantagens de caça são 100% estranhas
e 0% justas.
O frenesim alimentar atrai um famoso psicopata da Amazónia.
Ao contrário da reputação que ganharam em filmes de terror,
as piranhas raramente caçam.
Em vez de serem predadores glamorosos,
preferem mergulhar no lixo,
na esperança de reciclarem o que foi deitado fora,
e transformando o lixo de outros predadores
em tesouros para piranhas.
Quando os botos se vão embora,
são as lontras-gigantes que as sustentam.
Alimentando-se num frenesim,
o cardume esfomeado só tem olhos para a comida.
Desatenção: um erro fatal na Amazónia.
As saqueadoras com dentes tornaram-se comida de lontra.
As que sobreviveram terão de voltar à vida difícil
destas perigosas ruas.
Embora seja verdade que estas bocas adoram ofertas carnudas,
alguns mais abaixo não gostam de sangue.
O tambaqui é da família das piranhas.
Mas não é bem-vindo à mesa delas.
Porque o tambaqui, vegetariano, tem gostos caros.
A banalidade das sobras de peixe não são para ele.
Ele vai buscar proteína a outro lado.
O sol da Amazónia é uma força potente.
As cascas dos frutos rebentam sob o calor intenso.
Nozes.
Exatamente aquilo que o tambaqui procura.
Os seus dentes parecidos com molares
são capazes de partir as nozes mais duras.
Além disso, o tambaqui mastiga de boca aberta,
razão suficiente para não o convidar para jantar.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
Os predadores da América do Sul
não se resumem a força bruta e a sede de sangue.
Se passarem uma noite com os minimonstros da Mata Atlântica
descobrirão que a vida aqui tem todos os ingredientes
de um épico de Hollywood campeão de bilheteira.
Amor, ação e terror espetacular.
Para as donas de casa da Mata Atlântica,
há aqui tudo o que uma mulher abastada precisa.
Um tempo espetacular,
uma gastronomia fantástica
e imensa fruta biológica.
É um bairro abastado e requintado.
Os residentes são vistosos
e a vida é fácil.
Na vegetação rasteira desta floresta de luxo,
há muitas vidas, muitas histórias.
Na Avenida Z, um jovem louva-a-deus macho está à procura de amor.
Ele quer estar no seu melhor.
A mãe dizia sempre:
"Não encontrarás a mulher dos teus sonhos
"se não tiveres as mandíbulas limpas."
O que é isto?
Ela é linda.
Os olhos dela, os cinco,
têm até 10 mil células fotorrecetoras.
E tem pernas que vão até ao protórax.
Membros anteriores com espinhos são capazes de agarrar em presas.
Mas dizem que as louva-a-deus são canibais sexuais.
Podem ser os últimos braços que o abraçarão.
Esta parece estar a mostrar interesse.
Ela está a aproximar-se dele.
Mas quererá acasalar com ele?
Ou comê-lo?
Nesta altura, ele aceita qualquer uma.
Mas ela não quer nenhuma delas.
Ela seguiu em frente, como se ele nem estivesse ali.
Os homens lidam com a rejeição de várias formas.
Alguns aceitam de cabeça erguida
e outros culpam o mundo.
Do outro lado da cidade,
este louva-a-deus está a preparar-se para uma magia gastronómica.
Hoje na ementa há gafanhoto cru.
Ingredientes necessários:
um gafanhoto verde
e um estômago vazio.
Este louva-a-deus é minimalista.
Primeiro passo: apanhar o gafanhoto.
É mais fácil de dizer do que fazer.
Leva o seu tempo.
Segundo passo:
usar os membros raptoriais parecidos com garras para segurar a presa.
E mandíbulas que parecem facas
para cortar lentamente a carne em juliana.
Estaladiço por fora
e, no interior, os deliciosos sabores da floresta,
em todo o seu esplendor peganhento.
E aqui está, senhoras e senhores,
o clássico rústico de lamber os dedos,
carne de gafanhoto crua.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
É quase meia-noite
e há algo maléfico escondido no escuro.
Este é um filme de suspense em que os macacos não querem entrar.
Rastejam até à ponta dos ramos
para fugir aos horrores que andam atrás deles.
Os veados estão nervosos,
pressentindo um espírito maléfico a que não conseguem fugir.
O morcego-vampiro é um anormal ainda mais sinistro do que o costume.
Tem um íman de sangue.
Seguindo detetores de calor que tem à volta do nariz,
procura o sítio onde os vasos sanguíneos
estão mais próximos da pele.
Nada o pode salvar deste animal noturno.
Um anticoagulante impede que o sangue solidifique,
para que o morcego possa satisfazer a sua sede.
Mas esta noite não.
O veado está demasiado alerta.
E tem razões para isso.
O morcego é a menor das suas preocupações.
Um puma quer mais do que sangue.
Quer a sua carne, o seu coração, a sua alma...
Pronto, a alma talvez não.
O puma aproxima-se o suficiente para atacar.
Mas nem todos os espíritos são maléficos.
Uma rã assustada é uma salvadora improvável.
O veado pode correr, por agora,
mas o espírito que procura sangue
assombra todas as esquinas deste bairro.
Para os morcegos, a noite ainda é uma criança.
Os veados estão sempre em movimento.
Mas ali perto encontraram um cliente mais prestável,
um javali.
Estes filhos da noite aprenderam finalmente com os erros,
não com os êxitos.
Com tantos tipos de predadores na Natureza da América do Sul,
as presas aprenderam que a vantagem numérica
é a melhor hipótese de sobreviverem.
PARQUE NACIONAL DAS EMAS, BRASIL
O território interior do Cerrado é um lugar misterioso.
Este solo remexido é obra de um bando suíno.
Um bando de vagabundos imundos que não deixam pedra sobre pedra,
literalmente.
Mandíbulas ameaçadoras, um toque de fanfarronice
e muito porco.
São pecaris.
Este focinho pertence a um dos destruidores-chefes da vara,
um grande macho.
Mas aqui não é ele que manda.
É ela.
O líder do gangue não é nenhuma "femme fatale".
É ela que manda nesta família
e o cérebro por trás da operação.
A sua tarefa mais importante não é apenas dar ordens ao marido,
mas proteger a família.
Há bocas esfomeadas que têm de ser levadas até alimento e água já,
por isso ela tira o avental, arregaça as mangas
e vai direta ao assunto,
mas com passos muito pouco leves.
Os cascos a correr provocam o caos
e deixam uma panorama desolador à sua passagem.
É hora de a mãe patroa cruzar os braços após um trabalho bem feito.
Mas há uma reviravolta.
Tal como demolir uma casa velha para construir um centro comercial,
o gangue abriu caminho para uma nova comunidade.
Um grupo com uma maior mobilidade estabelece-se no local.
Mas nas selvas do norte
há um animal cujos atos de destruição
são mais difíceis de ver pela positiva.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
No que toca a maxilares e garras,
nem sempre maior é melhor.
Esta não é uma cena de "A Múmia".
As formigas-legionárias não precisam de efeitos especiais.
São suficientes para inundar o chão da floresta.
Porque aqui em baixo, o que importa é a quantidade, não o tamanho.
A horda tumultuosa está descontrolada.
São insaciáveis, como "zombies" sob o efeito de estimulantes.
Nem as temíveis vespas no cimo das árvores têm hipóteses.
Poderosas mandíbulas arrancam as larvas do ninho.
A presa foi roubada.
Mas este conto de terror não acaba por aqui.
No interior desta metrópole de formigas
as vespas bebés são dadas a comer às larvas das formigas.
Um evento grotesco.
É como pedir a uma criança humana para comer um carneirinho
ou ovos ou...
Esqueçam.
Usando garras tarsais para se manterem juntas,
esta torre Jenga de formigas não cai...
... até dizimarem as presas em todas as direções.
Quando a comida acaba,
têm de encontrar mais, e depressa.
A torre Jenga cai finalmente.
Mas será novamente reconstruída
e a ofensiva militar em massa será utilizada num novo território.
Ao jogar a este jogo móvel de Jenga
percorreram o equivalente a uma maratona, num só dia.
Como podem ver, o trabalho de equipa é a base da sobrevivência
no continente americano.
Mas e os solitários e eremitas?
Quem se preocupa com estes párias sociais?
PARQUE NACIONAL DAS EMAS, BRASIL
O teiú não gosta de manhã frias.
No inverno, as temperaturas no Cerrado
podem descer até aos 8 °C.
Não, não vai sair da cama agora.
Primeiro, um banho de sol.
Um homem de gostos requintados tem de aumentar a temperatura corporal
antes de poder enfrentar o dia.
Tem a barriga a roncar.
Estas pombas parecem apetitosas,
mas ele teria de correr para as apanhar.
É longe, é tão... É demasiado humilhante.
Já são 10h e a temperatura lá fora chegou aos 27 °C.
Perfeito.
Está na hora do "brunch" e de avaliar o talento local,
porque a época de acasalamento chegou finalmente.
Fome, solidão e necessidade de acasalar.
São muitos incentivos para sair da cama.
Abutres.
Ele não os pode comer, mas eles trazem boas-novas.
Tártaro de carne putrefacta. Que delícia.
Não há nada como comida sem qualidade
para nos distrair das miúdas.
Mas a carne putrefacta não vai fazer grande coisa
pelo seu hálito matinal.
Nesta época do ano, os teiús macho ficam um pouco acalorados,
literalmente.
Ele consegue aumentar a temperatura corporal
10 graus acima da temperatura ambiente.
Mas gerar calor significa que tem de comer mais,
o que é um grande problema para um "gourmet" como ele.
E em baixo de um arbusto está a entrada perfeita,
ovos de abibe.
Ainda por cima desprotegidos. Uma grande oportunidade.
Ele aproxima-se.
O caminho está livre.
Ele engole os ovos, com casca e tudo.
Em apenas um ou dois minutos desaparece toda a ninhada.
Alimentado e cheio de esperança,
faz-se à estrada para procurar "a tal".
Deve ser fácil.
Bem, há muito mais répteis com escamas na vegetação rasteira.
OS ANIMAIS MAIS ESTRANHOS DA AMÉRICA DO SUL
Parque Nacional Torres del Paine, no Chile.
Aqui vive o puma da Patagónia.
Esta mãe tem muito trabalho pela frente.
Quatro crias grandes dependem completamente dela.
Porque os pais pumas não são o melhor dos exemplos.
Mudar fraldas ou levar os miúdos à escola não é para eles.
O que significa que esta mãe solteira
tem de trabalhar a dobrar para alimentar a sua prole.
Ou melhor, a quadruplicar.
E nas terras ermas da Patagónia não há horas extraordinárias.
Este camelídeo peludo é um guanaco.
São do tamanho de um cavalo pequeno,
por isso nunca se ponham atrás de um.
Um coice é capaz de partir ossos.
É uma bela refeição para o puma.
É um risco que esta fêmea está disposta a correr.
Mas a cáfila tem muitos olhos e ouvidos,
alerta, atentos.
Por isso o puma tem de atuar de forma furtiva e de se camuflar
para evitar ser detetado.
Uma aterragem difícil, o que não é costume em felídeos.
Mas ela não larga.
Agora é que as crias decidem aparecer.
Obrigadinho pela ajuda, miúdos.
Não são apenas os pequenos pumas que vivem às custas da mãe.
Condores,
caracarás
e raposas-dos-andes
dependem dos restos dos pumas.
Para as crias, um guanaco deste tamanho
é um buffet à discrição.
Não vão pedir guloseimas à mãe durante uns dias.
Agora a mãe pode descansar um pouco.
Os guanacos suspiram de alívio.
O perigo passou.
Mas estamos na Patagónia, terra dos pumas.
As mandíbulas do destino nunca estão longe,
à espera, a observar.
Tradução e Legendagem Joana Barata
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