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Há 125 milhões de anos…
o inverno devasta todo o norte.
Espécies inteiras estão à beira da extinção.
Nem os maiores dinossauros suportam esse frio intenso.
Como esses saurópodes migrando para o sul.
O inverno chegou cedo neste ano
e os pegou de surpresa.
Com centenas de quilômetros pela frente,
desta vez, a jornada será particularmente complicada.
Mas o frio intenso não é o único perigo nesta terra gelada.
Existe uma ameaça muito maior
aqui nestas florestas.
Yutyrannus,
o Rei da Neve.
Um parente distante do tiranossauro rex.
Com uma densa camada de penas que o mantém aquecido,
ele é perfeitamente adaptado à vida neste frio.
Mas as penas também servem a um propósito mais perverso.
Camuflagem.
A arma perfeita para um caçador especialista em emboscadas.
Com precisão silenciosa,
ele escolhe o menor membro da manada.
Em um mundo selvagem em constante mudanças,
alguns vão prosperar,
e outros vão sucumbir.
Mas, apesar de tudo,
os dinossauros vão expandir o próprio império
e avançar sem parar
para conquistar as últimas fronteiras da Terra.
OS DINOSSAUROS
CAPÍTULO 3: IMPÉRIO
125 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
PERÍODO CRETÁCEO
É uma nova era para a vida na Terra.
Uma era de extremos.
Novos mundos estão se formando,
que vão dar origem aos dinossauros mais famosos da História.
O norte ainda está dominado pelo frio,
mas não por muito tempo.
As forças mais violentas da Terra voltam a despertar.
Vulcões fervem e soltam fumaça…
aquecendo o planeta.
Mas esse mundo mais quente prejudicará algumas espécies.
Com o aumento das temperaturas globais…
a neve e o gelo vão praticamente sumindo.
Enormes rios de degelo esculpem o solo.
Esse degelo do norte
está expandindo ainda mais o império dos dinossauros.
E de formas surpreendentes.
Nesta nova terra fértil, os saurópodes não precisam mais migrar.
Mas também é um novo mundo para um antigo rival dos dinossauros.
Os pterossauros.
Agora eles estão maiores e mais ferozes do que nunca.
Incluindo o Guidraco,
o Dragão Fantasma.
Mas ele é um intruso aqui.
Porque estas árvores são o lar do Longipteryx,
um novo tipo de dinossauro.
Com menos de 20cm de altura,
eles são extremamente territoriais.
Principalmente na época da reprodução.
Eles também estão prontos para enfrentar os pterossauros.
Agora eles também podem voar.
Em uma era anterior,
dinossauros voadores como o Anchiornis só conseguiam planar.
Agora, eles conseguem bater as asas
e se mover com precisão para atacar os inimigos.
Eles são rápidos
e destemidos.
A situação só piora para o pterossauro cansado,
porque os Longipteryx são primos distantes
do Yutyrannus, o Rei da Neve.
Eles estão armados com os dentes e as garras da linhagem.
Após dominar os céus desde o Período Triássico,
os pterossauros agora enfrentam a concorrência dos dinossauros.
Mas, enquanto os dinossauros lutam para expandir o império pelos ares,
uma revolução ainda maior está por vir.
Não nas montanhas
nem nos céus,
nem nos oceanos.
A maior reviravolta da História da Terra acontece silenciosamente.
Quase em segredo.
Sete milhões de anos depois,
essa nova força está reescrevendo, aos poucos, a história dos dinossauros.
113 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
Esta é uma das primeiras flores já vistas nesta floresta.
Apenas uma,
entre uma vasta e diversa nova geração de plantas.
E elas vão se tornar um fenômeno
com a ajuda de grandes aliados.
Os besouros.
Eles levam o pólen de uma flor para a outra.
O serviço de entrega mais confiável da natureza…
ajudando estas novas plantas a se espalharem por todo o planeta…
transformando o império dos dinossauros.
Mas essa nova geração de plantas tem um lado sombrio.
Enquanto elas precisam atrair polinizadores,
muitas evoluíram para afastar herbívoros.
Com espinhos,
pontas afiadas
e venenos.
As armas defensivas da natureza.
Essa revolução verde muda tudo
para os dinossauros herbívoros.
Incluindo…
os grandes estegossauros.
Eles são animais de manada por natureza.
Mas esta jovem estegossauro fêmea, com apenas 2 anos, está sozinha.
Ela é a última da própria manada.
Para comer essas plantas mais duras, é preciso uma boca capaz de mastigar
de um jeito que a mandíbula primitiva dela não consegue.
Ela está morrendo de fome.
Esses grandes herbívoros do passado não conseguem se adaptar ao novo mundo.
É um dos motivos
pelos quais a existência deles de 50 milhões de anos
vai chegar ao fim.
Extinção.
Mas, após o fim dos estegossauros,
uma nova era vai surgir.
113 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
Nos próximos 15 milhões de anos,
essas novas plantas evoluem e se diversificam,
se espalhando pelo planeta
e avançando cada vez mais no império dos dinossauros.
98 MILHÕES DE ANOS ATRÁS
A revolução verde agora cobre o mundo.
E não só a terra,
mas também a água.
Chegando a oferecer abrigo
e alimento
para exploradores subaquáticos.
Como os anquilossauros.
Esse banhista elegante é um tipo diferente de dinossauro.
Ele é herbívoro, como o estegossauro.
Só que muito mais sofisticado.
Muito mesmo.
Porque, diferente do estegossauro,
a mandíbula avançada dele tritura os alimentos de uma forma que facilita
o consumo de qualquer tipo de planta.
É a adaptação perfeita para este novo mundo diverso.
Ele quer aproveitar ao máximo tudo que esse grande reino oferece.
E ainda tem um plano.
É uma longa jornada.
Mas a viagem vale a pena.
Aqui é o único lugar onde pode ser ele mesmo.
A paixão dele é cantar.
Ele até tem cavidades no focinho que amplificam o canto…
para que possa ser ouvido de longe.
Uma fêmea respondeu ao chamado dele.
É hora de encantá-la com o canto grave e envolvente.
Depois ele mostra a ela a armadura estilosa.
Tudo isso
é muito convincente.
Mas essas armaduras estilosas também têm desvantagens.
No geral, porém,
a armadura pesada e a mandíbula evoluída os preparam para o sucesso.
No entanto, o que nenhum dinossauro poderia saber
é que o império deles vem diminuindo aos poucos.
Escondido sob as ondas,
este mundo, antes dominado pelos dinossauros…
agora está totalmente fora do alcance deles.
E tem um motivo para isso…
bem no fundo do oceano.
Uma mudança lenta e imperceptível…
que está remodelando o planeta.
O leito do mar está se rompendo
com uma sucessão interminável de erupções.
As placas tectônicas da Terra se movem,
rachando o fundo do oceano,
elevando-o ao longo de milhões de anos.
A água do mar não tem para onde ir,
ela só pode subir.
No meio do Período Cretáceo,
o nível do mar atingiu o ponto mais alto na História.
Mais de 200m acima do que está hoje.
O nível dos oceanos sobe, e eles redesenham o mapa do mundo,
apagando terras inteiras.
O continente europeu se reduz a um enorme arquipélago,
que inclui a Ilha de Hațeg.
Onde o isolamento e a evolução criaram uma espécie
de Terra do Nunca para os dinossauros.
Um mundo onde as regras normais não se aplicam.
Este é o lar do Magyarosaurus,
um saurópode.
E, como outros saurópodes,
ele usa o pescoço longo para alcançar a vegetação mais alta.
O detalhe
é que essa vegetação tem só 2m de altura.
Isso faz o Magyarosaurus ter o tamanho de um pônei.
Na Ilha de Hațeg,
onde o espaço e a comida são limitados,
às vezes, ser menor é melhor.
Mas, diferente dos Magyarosaurus,
para os predadores, ser maior ainda é melhor.
Com a altura de uma girafa,
um dos maiores pterossauros que já existiu.
O pesadelo:
Hatzegopteryx.
Essa fêmea voou até esta ilha para se alimentar
de dinossauros.
O membro mais jovem da manada se separa dos outros.
Mas não será uma presa fácil.
Diferente dos primos gigantes, ele é ágil.
Mas, por ser tão pequeno, ele não consegue ver os outros.
Eles encontraram um esconderijo seguro,
perfeito para o tamanho deles.
Para pequenos dinossauros presos em uma ilha,
não há para onde correr.
Mas, num mundo tão dividido pelos mares,
a evolução segue rumos diferentes em cada lugar.
Há 96 milhões de anos,
os níveis do mar estavam próximos do pico histórico.
Criando um mundo aquático onde nenhum dinossauro ousou entrar.
Mas isso está prestes a mudar.
Escondido neste manguezal,
existe um carnívoro que evoluiu de forma diferente
para conquistar a fronteira final.
Um dinossauro pioneiro.
Os espinossauros.
Os maiores predadores que já andaram pela Terra.
Com 15m de comprimento,
essa fêmea é maior do que um ônibus escolar.
A floresta oferece muitas presas.
Mas outro motivo de ela ter ficado tão grande
é por causa do lugar aonde ela vai para fugir da escuridão do pântano.
Aqui, o alto nível do mar transformou os oceanos
em um novo campo de caça para os dinossauros.
Onde ser maior é, sem dúvida, melhor.
O espinossauro se adaptou a um planeta que hoje é dominado pelos mares.
E, nesta era, algumas das maiores presas
estão aqui nas águas.
Tubarões.
Em uma corrida entre um tubarão e um dinossauro nadador gigante,
o tubarão sempre vence.
Mas os espinossauros têm habilidades que vão além.
Os dinossauros não estão só ficando maiores.
Alguns também ficaram espertos.
Esta fêmea vai atrair os tubarões até ela.
O focinho dela tem sensores que detectam os menores movimentos.
Agora, tudo o que ela precisa fazer
é ficar totalmente imóvel.
Os melhores caçadores
são os mais pacientes.
E a paciência dela começa a dar resultado.
O sangue na água atrai os tubarões cada vez mais perto.
Ela não se mexe.
Ela sabe como esse jogo funciona.
Inteligência e força.
Uma combinação letal
que finalmente permite que os dinossauros conquistem os oceanos.
O domínio deles agora é global
e se estende aos confins da Terra…
até onde um dia vai ser a Antártida.
Enquanto os espinossauros caçam nos mares rasos dos trópicos,
a massa terrestre mais ao sul do mundo
não é o deserto congelado que conhecemos hoje.
É um Éden verde e exuberante.
Onde, mesmo na escuridão, a evolução ilumina o caminho.
E, prosperando na escuridão,
estão os dinossauros.
Nesta fase do final do Período Cretáceo,
o império deles é tão vasto
que agora dominam todos os continentes da Terra.
Mesmo assim,
embora o reinado seja global
e o domínio seja quase incontestado,
a história deles
vai tomar um rumo sombrio.
Legendas: Matheus Maggi
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