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Está um calor abrasador.
Acho que hoje vamos chegar aos 32 graus,
quase um recorde para o Alasca.
Os nossos animais estão habituados a tempo mais fresco,
por isso, vamos fazer gelados para os ajudar a refrescar.
Isto é sangue e comida de cão congelados
e acho que também há pedaços de carne.
Deve ser apetecível para um coiote.
Trago presentes.
Se pusermos nos gelados comida que sabemos agradar ao animal,
a interação será mais fácil.
Também é enriquecimento divertido para os animais.
Olá, amigo.
Mantê-los frescos é a nossa prioridade no verão.
Estamos a garantir que não sobreaquecem.
No Alasca, lidamos com fauna de grande porte.
Qualquer animal pesa mais de 100 kg e tem pelo.
Eles não estão habituados a este calor,
por isso, temos de lhes dar alimentos frescos.
Daí fazermos coisas como gelados de água.
De momento, aqui no centro, estamos a passar um mau bocado.
Trata-se de animais do norte do Alasca, que gostam do frio.
As temperaturas de verão de agora não aconteciam há semanas,
por isso, é difícil para eles.
Esta semana, temos muito a fazer.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Tivemos um fim de semana movimentado,
com uma chamada sobre uma lontra em Homer.
Os fogos florestais estão a impedir que ela nos chegue.
Estou a tratar de tudo, caso a estrada não abra hoje.
Esta lontra jovem estava a ser martirizada pela maré,
na praia de Homer.
A pobrezinha parecia um rato afogado.
Estava muito mal tratada.
Devido aos incêndios, a estrada está fechada,
portanto, tratámos de tudo com um cidadão local
que estava disposto a voar até Homer
com alguém da nossa equipa para trazer a lontra.
Vais ficar bem, querida.
És amorosa.
Meu Deus.
Foi uma animação vê-la pela primeira vez.
Ela era muito loura, o que é invulgar.
-Pronta? -Então, querida...
Vamos numa aventura.
Meu Deus.
Não é invulgar uma progenitora e a cria separarem-se,
porque a progenitora pode mergulhar em busca de alimento
e a cria ficar a nadar à superfície, à espera da progenitora.
Olá, querida.
Esta situação foi diferente, porque o mar estava bravo
e elas ficaram separadas durante muito tempo.
Está tudo bem, querida.
As lontras bebés precisam de atenção constante das progenitoras.
Não podem ficar sozinhas durante muito tempo.
Têm um metabolismo muito acelerado
e é arriscado não serem alimentadas com frequência,
porque a glicose desce perigosamente
e podem desidratar muito rapidamente.
-Meu Deus. -Sim.
Ela adormeceu logo e dormiu quase toda a hora do voo.
Chamámos a esta lontra Cinder, por causa dos fogos.
Algumas lontras estão em vias de extinção,
por isso, é crucial aprender o máximo sobre elas.
Quando ela chegou ao centro, vimos a glicose,
para termos a certeza de que estava dentro dos valores normais.
Eu sei. Podes anotar 92, por favor?
Também lhe demos líquidos de forma subcutânea,
para garantir que fica bem hidratada.
-Já temos um biberão para ela? -Não.
Esta cria de lontra tem apenas uma semana de vida
e normalmente ficam com a progenitora durante seis meses.
É uma altura crítica. Vamos ver como se comporta.
Adormece, pequenina.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Esta semana, temos um grande desafio pela frente com estas temperaturas.
Além do problema do calor,
a equipa de tratadores está de vigia às crias de bisonte.
Temos três ou quatro fêmeas que podem parir.
Contamos com crias a qualquer instante.
Temos de as controlar de hora a hora.
O bisonte da floresta já esteve extinto no Alasca,
por isso, é muito importante manter a procriação.
Bisonte!
Venham daí, meninos.
Venham, bisontes!
Pareces uma buzina avariada.
-Deixa-me ouvir-te. Vá! -Venham daí, meninos.
-Os do fundo não te ouvem. -Eles já sabem.
Estou cá há dez anos
e o meu primeiro trabalho no centro foi a tratar destes bisontes.
Estes animais são o nosso orgulho.
Olá, querida.
Os sinais que eu e a equipa procuramos quando vimos vê-los
é se alguma das fêmeas se começa a afastar do grupo.
Tenho estado de olho e eles andam em manada.
Nenhum se afasta.
Bebem muita água, porque está muito calor.
Como tratador de ruminantes, estou encarregado de os vigiar.
Gosto de passar mais tempo aqui para ver se têm água, comida...
É uma emoção ver estes animais.
Tornaram-se no meu animal preferido.
Para a semana... Tenho de falar contigo.
Vou ver a manada selvagem de avião.
-Vais ver os teus bebés? -A crescer, na natureza.
O centro tem trabalhado com o estado
para reintroduzir o bisonte da floresta no Alasca.
Conseguimos aumentar a manada.
Passámos de 13 animais para mais de 150
e libertámos 130 na natureza.
3 DE ABRIL DE 2015
Ter a oportunidade de ir ver a manada selvagem é uma animação.
Não tenho palavras para o descrever, mas é muito fixe.
Mas também é uma altura má para sair do centro,
estamos no pico do verão.
Também vou, certo?
- Tipo... - Piadinha.
-Também vou, certo? -Não me parece.
Já sabia.
Enquanto eu estiver fora, o centro, e os bisontes, em particular,
ficam aos cuidados do Jon.
Ele é despachado. Acredito que fica tudo bem.
Acho que está para nascer uma cria.
Sim.
Esperemos que a vaga de calor não tenha impacto.
-Quero saber tudo depois. -Eu tiro fotos para ti.
-Ótimo. E levas-me para a próxima. -Não.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Bom dia a todos.
Este espaço foi criado para recriar um cenário da natureza.
Temos aqui 11 espécies.
A maioria das pessoas vem para ver o papagaio-do-mar.
Os visitantes que vêm ao centro
ficam encantados com as aves marinhas,
porque se aproximam muito dos papagaios-do-mar.
Não há ave marinha igual no país.
Os papagaios-do-mar existem por todo o Alasca,
mas são muito difíceis de estudar
porque são animais de toca e vivem em buracos nas rochas.
Nós criámos aqui tocas.
Temos um certo número de papagaios-do-mar que se reproduz no verão.
Acasalam para a vida. Depois de formado um par,
voltam para o mesmo companheiro todos os anos.
Mas, este verão, no início da época de acasalamento,
houve algum drama com um casal de papagaios-do-mar,
o Rain e a Copper.
A Copper decidiu que talvez quisesse outro companheiro este ano.
O Rain foi expulso do ninho e andava abatido,
triste e desalinhado, até que decidiu que chegava,
o que causou uma briga durante uma visita.
O Rain ganhou e ficou com a Copper.
Para reforçar o laço do casal,
este ano, vamos deixá-los chocar e criar uma cria.
Olá! Dás-me o teu ovo, por favor?
Temos outro par de papagaios-do-mar com um ovo geneticamente importante
que queremos que ecluda, mas os progenitores são descuidados.
Da última vez que os deixámos chocar e criar a cria,
não lhe deram alimento, e nós tivemos de a criar à mão.
Então, decidimos tirar-lhes o ovo e dar-lhes um falso.
Nós analisamos todos os ovos que são postos
e sabemos dizer se foram fecundados ou não.
Espetacular!
Temos aqui o embrião a desenvolver.
Isto é o veio vermelho que parece saudável
e aqui temos a gema, no fundo, onde o embrião se desenvolve.
Está vivo e parece saudável.
Vamos dar este ovo importante à Copper
e tirar-lhe o ovo dela.
Pode ser, Rain?
Eu sei que isto é chato.
As tocas estão ligadas a ninhos nos bastidores,
onde podemos controlar os papagaios-do-mar e os ninhos.
Olá, Copper. Podes ficar com este?
Obrigada.
Com sorte, eles aceitam o ovo novo, chocam-no e criam a cria.
Lindo menino.
Obrigada.
Foste muito paciente enquanto te demos um ovo novo.
De certeza que farás um bom trabalho.
Mais um?
Posso ouvir?
Estás com pieira, outra vez.
Precisas de tratamento.
Neste momento, o Rain sofre a dobrar.
Há algo no ar que lhe ativou as alergias,
sabemos isso porque ele se coça
e acaba por partir as penas.
Sabemos que algo o irrita.
Há fogos florestais a noroeste de Seward
e existe muito fumo nesta zona.
Depois de vermos o fumo,
o aparelho respiratório dele ficou afetado.
Temos de intervir já para não se tornar um problema maior.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Esta é a nossa segunda cria de lontra desta época.
Chegou-nos de Homer.
Veio de avião. Tem uma história muito gira.
Os incêndios fecharam as estradas e só assim podia cá chegar.
De momento, está a morder um cubo de gelo.
Os dentes estão a romper e sente dor.
O gelo ajuda a adormecer as gengivas.
Ela perdeu o cubo de gelo, Jess. Precisa de ajuda.
"Estou a cair e não me consigo levantar."
Vira-te. Vamos lá!
-Toma! -Está tudo bem, outra vez.
A Cinder tem uma personalidade aguerrida.
Aprende depressa.
Quer coisas para morder, explorar mais.
Hoje vamos alimentá-la, como é normal
e também vamos medir a glicose.
Não quero ser mordida. Tens dentes afiados.
É importante para nós acompanhar o seu estado de saúde.
Garantir que não há crises de açúcar.
Estás despachada. Como foi?
75? Não está mal.
Queres o cubo de gelo?
Toma!
Vamos alimentar-te.
Sim, hora do biberão.
Olá! É isto que queres.
As crias de lontra estão habituadas a ser agarradas pelas progenitoras,
por isso, nós pegarmos dá-lhes uma sensação de conforto.
A melhor parte do dia dela.
E do meu, também.
Dá muito trabalho mantê-las bem, tal como um bebé humano.
Estamos despachadas.
Precisam de ser alimentadas, ajudadas com as necessidades,
ser penteadas...
Exige muito trabalho da nossa parte.
Uma lontra embrulhadinha.
Muito fofa.
Linda menina.
A nossa missão, aqui no centro, é cuidar de aves de rapina feridas.
És tão bonita.
Temos águias, claro. Há sempre muitas águias.
Bútios da Jamaica.
Meu Deus...
O Kestrel, um falcão-peregrino. Mochos...
O que estás a fazer?
A Taiger é um mocho-orelhudo.
Uma pata.
Está no centro para reabilitação. Veio de Fairbanks.
Eles enviaram-na para cá,
mas éramos mesmo o único centro que a podia receber tempo suficiente
para cicatrizar.
Ela chegou cá com uma asa partida.
Olá.
Tem 50 por cento de hipóteses.
Às vezes, cicatriza bem. Outras, não fica em condições
e nunca mais podem viver na natureza.
Esta ave tinha o cúbito partido,
como se vê na primeira radiografia. Está aqui a fratura.
Três semanas depois, fizemos novo raio X.
Aqui era onde havia a fratura.
Manteve-se perfeitamente alinhada.
Agora, vamos ver se voa bem,
porque os mochos devem voar em silêncio
e apanhar as presas de surpresa.
Se a asa fizer muito barulho,
será difícil apanhar presas na natureza.
Vai assustar-se, porque sabe que vamos na direção dele.
Deverá voar, quando for na direção dele
e vocês logo veem se o ouvem ou não.
Lá vem ele.
Não ouvi nada.
Perfeito. E aterrou lindamente.
Acho que esta ave está pronta para ser libertada.
O próximo passo, antes da libertação,
é um teste com presas vivas.
Vamos pôr lá um rato vivo e deixá-la fazer o que é suposto.
Idealmente, comer o rato.
Espero que ela apanhe o rato vivo.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Fiz a última ronda da noite
e reparei que a fêmea 336 está encostada à vedação
e inchada no fundo do dorso.
A cria pode estar para nascer.
Esta é uma boa maneira de começar o solstício de verão.
É meia-noite e mais escuro não vai ficar.
Hoje, vamos ter uma cria nova.
Olá, mamã.
Olá, meninas.
Nota-se o desconforto dela.
Pela postura.
As patas da frente estão assim e as de trás de lado.
Não lhe agrada muito ter a cria ao lado.
Aquela cria também está a mamar. Grande maluca.
É das melhores progenitoras que temos.
Quando nascer, fará tudo para que corra bem.
Só deve querer deitar-se e deixar acontecer.
Estão lá todos os sinais de vir aí uma cria.
Vou afastar-me e dar-lhe espaço.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Hoje, está muito calor na rua.
Faz muito calor há mais de uma semana, aqui no Alasca.
Temos de manter as aves frescas.
É muito importante, pois são aves marinhas do Ártico
e isto é uma vaga de calor recorde.
Esta ventoinha vai fazer vento para o gelo
e assim temos ar condicionado.
Eles vão sentir o ar fresco que sairá do cubo de gelo.
E que chega também ao ninho dos araus.
O esforço deles passa por manter o ninho quentinho,
mas já está muito quente.
As aves que estão no ninho podem sobreaquecer,
porque ficam lá quase 24 horas por dia
e não entram na água para se refrescarem.
Então, há que manter o ambiente fresco
e ter ar fresco a circular.
Acho que está na hora do tratamento com o inalador.
-Vamos preparar tudo. -Parece-me bem.
Um dos nossos papagaios-do-mar, o Rain,
tem as vias respiratórias muito sensíveis.
Com este tempo quente, inflamou
e verificámos sons ásperos e pieira no peito.
Sabemos que sofre de alergias sazonais e pode ser uma crise,
mas também sabemos que há muito fumo na zona.
Sobe!
Muito bem!
Começámos o tratamento com o inalador,
que passa por pô-lo numa caixa com uma solução salina,
para que não venhamos a ter aqui um problema de saúde grave.
É um tratamento de 20 minutos.
O Rain está em plena época de acasalamento,
ou seja, ele tem um ovo que ajuda a chocar.
Ele quer tanto estar com a Copper
e chocar o ovo
que o mais difícil é pedir-lhe que fique tanto tempo na caixa.
Eu sei, é difícil.
Bom trabalho, Rain.
O Rain apresenta sons ásperos e pieira no peito.
O tratamento passa por encher o ar de vapor,
que, com sorte, irá para as narinas,
agarrando-se a tudo o que possa haver nas vias respiratórias
e que queremos que liberte.
A parte de cima do bico tem um pingo de água,
que é o que queremos ver.
Acho que terminou.
Estás pronto, Rain?
Sobe! Lindo menino.
Muito bem. Estiveste muito bem.
Vê-se o bico dele a pingar.
Queres mesmo ir lá para fora, não é?
Vamos embora.
Vamos deixá-lo acabar de chocar o ovo.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Lindo menino.
Estou a fazer a mala para a viagem.
Vou ver bisontes selvagens pela primeira vez em quatro anos,
desde que foram libertados.
Estou muito empolgada e o meu cão também.
Ontem à noite, pensei que ia nascer uma cria,
mas parece que estava a brincar comigo.
Assim que chegar ao aeroporto de Anchorage,
a equipa vai ligar-me.
É só uma noite, Riggs.
É difícil deixar os animais em qualquer altura,
seja os bisontes ou os outros,
mas sabendo que há fêmeas prestes a parir, custa mais ir,
mas vou ver bisontes selvagens,
que era a minha intenção desde que foram libertados.
Não se pode ter tudo.
Ainda bem que fui buscar isto.
Não quer que leve o rolo.
Com a época dos partos e a vaga de calor,
espero que corra tudo bem na minha ausência.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
Desculpem, aranhas e demais insetos.
Hoje, é um dia importante para a Taiger, o mocho-orelhudo.
Temos ratos vivos
e vamos fazer um teste com presas vivas.
Ela não vai gostar disto.
"O que é? É tão esquisito."
Na natureza, ela teria muita cautela com tudo o que fosse diferente,
porque pode ser a diferença entre viver e morrer.
Ela voa muito bem, comparando com quando chegou.
Agora, temos só de confirmar que não está enferrujada a caçar.
Se a Taiger não conseguir caçar presas vivas,
não consegue sobreviver na natureza.
Pronto.
Estamos prontos para ir buscar o primeiro rato
e ver como se sai a Taiger a caçar.
Queres vir aqui?
Espero que a Taiger te mate depressa, amigo.
É o pequeno-almoço.
A Taiger costuma ter muita fome,
esperemos que cace rapidamente este rato.
Contra ela está a piscina, o que é algo estranho.
Ela ainda está no poleiro preferido dela,
que é a proteção de um aspersor.
DUAS HORAS DEPOIS
Infelizmente, não correu bem,
mas o que pode ter acontecido foi usarmos a piscina,
a erva e o rato vivo...
Foram muitas mudanças para ela.
Este rato pequenote é um sobrevivente.
Vais ter muitas histórias para contar aos teus amigos.
Eu sei que querias este rato, mas não o vieste caçar.
Podes tentar mais logo.
Vamos deixá-la sem comer durante 24 horas,
para ela ganhar fome.
Não é nada que não acontecesse na natureza.
Contamos que fique faminta e gaste energia a caçar.
Se não for o caso, é um grande revés.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Hoje, tenho uma oportunidade única,
voar sobre a manada de bisontes selvagens que ajudei a criar.
Antes de o centro ter aumentado a manada para 130 bisontes,
os bisontes da floresta estavam extintos no Alasca.
Aqui estamos nós, quatro anos depois, para ir ver a manada
com o Tom Seaton, que trabalha no Departamento de Caça e Pesca.
-Pronta para ver os bisontes? -Sim.
Ainda bem.
-Nunca fiz isto. -Não?
Não quero parecer a miúda do liceu que foi convidada para o baile.
Mas vou ver bisontes. Estou a tentar manter a calma.
O Innoko fica na zona ocidental do estado.
Não há autocarros, estradas, luzes...
É o sítio perfeito para os bisontes da floresta.
Ali estão os bisontes.
Olhem para eles.
Ir no helicóptero e vê-los deixou-me sem palavras.
Não consigo descrever o que senti ao ver algo
para o qual trabalhei tanto.
Se não sabem o que procurar, parecem pontos castanhos.
Senti logo uma grande felicidade. Estavam ali e nós íamos aterrar.
Os bisontes vagueiam
e separaram-se naturalmente em grupos.
Os bisontes são muito importantes para o ecossistema.
Fazem muitas coisas que ajudam todos os animais.
Isto fica um pouco fora da zona de conforto de muitas pessoas.
São muitos quilómetros para percorrer.
Se continuares, são dezenas de quilómetros
-de mato. -Bolas!
Vou seguir o Tom até ao abismo.
Respeito muito o que faz,
pela paixão pelos bisontes da floresta.
É um bom habitat para os bisontes e para os outros animais.
Mas para as pessoas...
... é complicado.
Estamos sempre a meter os pés na zona pantanosa
e, depois, temos o mato.
Isto é uma salgalhada.
Bolas, isto é terrível.
Estes insetos...
Não conseguimos abrir a boca sem comer logo uns dez.
Achava eu que Portage era mau.
Portage é uma maravilha comparado com Innoko.
Os bisontes estão depois desta curva, a uns 200 ou 300 m.
Vamos ver a condição física e como estão as crias.
Está bem.
-Vamos lá. -Olha para eles.
Ali está o resultado de todo o teu esforço.
Tantas crias.
Quase metade da população é de crias nascidas na natureza,
mas ainda se veem brincos nos animais que criaste.
Muito porreiro, não é?
Estão muito bem.
O mais engraçado foi que neste pequeno grupo havia umas 15 crias,
grandes, anafadas e cor de laranja. Umas abóboras.
Não é incrível vê-los na natureza?
-É assim que tem de ser. -Sim.
Deve ter sido o melhor dia da minha vida nos últimos dez anos.
Sem dúvida.
Não me viram chorar, mas eu chorei.
É o culminar de todo o trabalho investido, desde há muitos anos.
Ver a manada tão bem é muito porreiro.
Tenho as cuecas todas molhadas, fui comida viva...
Mas voltaria a passar por isto para ver bisontes selvagens.
Desde ontem, quando chegámos, que não estou contactável
e não sei nada da minha equipa no centro.
Espero que o Jon esteja a controlar a manada,
caso estejam a nascer crias.
Oxalá esteja tudo bem.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
-Vamos ver o ovo do Rain? -Sim.
Vamos ver o ovo que o Rain e a Copper estão a chocar.
Deve eclodir dentro de poucos dias.
Ontem, quando fui ver, tinha uma racha.
Hoje, espero ver progressos.
Olá, querido. Vou abrir a caixa.
Verificamos todos os dias porque, durante o processo,
muitas coisas podem correr mal.
Normalmente, se um ovo não vingar, isso acontece logo de início
ou mesmo no final, quando está a tentar eclodir.
-Eclodiu! -O quê?
Sim, temos um passarinho.
Meu Deus.
Olá, querido.
Por isso é que o Rain andava maldisposto hoje.
Acabou de eclodir.
Meu Deus.
Bom trabalho.
Vamos só processar o passarinho. Já to devolvo.
Sim, estás a ficar frio. Não te preocupes, vamos ser rápidas.
É uma ave recém-nascida, arrefece depressa.
Sabia que não tínhamos muito tempo para processá-la,
mas quisemos tirar as primeiras medidas.
Pesa 45,69 g.
Muito bem.
Agora, vamos ver o umbigo.
Ainda está inchado.
Vou pôr o pequenino com os progenitores.
A Copper é uma ótima progenitora.
O Rain nem sempre é um bom progenitor,
deixa-a fazer a maior parte das tarefas
mas, este ano, ele está tão feliz por ter a Copper de volta...
Olá, Rain.
... que tenho quase a certeza de que será um bom progenitor
para se mostrar à Copper.
Vi que tens um filhote. Vais para dentro?
Gostava muito que fosses.
Portaste-te muito bem, rapaz.
Vais cuidar do teu filhote?
Lindo menino.
Aqui!
Meu Deus!
-Tens fome? -É só caranguejo.
Toma!
Desde que a Cinder cá está, há três semanas,
aprendeu a nadar.
Gostaste da amêijoa?
Ela gosta de nadar de bruços, quando costumam gostar de nadar de costas.
Aprendeu que pode morder nas coisas. Adora brincar.
Mexe-se muito mais do que antes.
É emocionante para nós vê-la crescer e aprender,
a desenvolver-se.
Queres amêijoa?
Linda menina.
Está a aprender a gostar de alimentos sólidos.
Ainda é uma novidade.
É muito saboroso.
A Cinder não poderá ser libertada na natureza,
porque foi trazida para o centro muito pequena
e não aprendeu com a progenitora o que tinha de aprender.
Não conseguiria sobreviver sozinha.
Vai dormir, pequenina.
Em breve, a Cinder vai para a Califórnia do Sul,
para a sua casa nova.
Vai ser embaixadora da sua espécie
e é uma ótima oportunidade para as pessoas verem lontras.
Vou ficar triste quando a Cinder for embora,
sobretudo porque foi rápido. Costumam ficar mais tempo,
mas ela está bem e assim teremos espaço para receber mais lontras.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
Hoje é um dia emocionante e importante
para o processo de reabilitação da Taiger.
Com um mocho-orelhudo, é essencial saber se voa bem
e se consegue caçar presas vivas.
A Taiger não comeu durante 24 horas.
Vamos pôr este rato na piscina
e ela deverá estar pronta para o caçar.
Ora bem...
Espero que isto acabe depressa.
O jantar está servido. Está danada.
Fazemos isto ao final do dia, altura em que eles caçam,
pois são aves notívagas.
Vou ficar a ver pelo vidro,
porque quero ter a certeza de que a Taiger apanha o rato,
que ele não salta da piscina.
Quando se trata de ratos, essa é sempre uma possibilidade.
São bons a fugir.
Ela está a ficar interessada no rato,
ou, pelo menos, na piscina.
Vira a cabeça, olha para a piscina.
Exibe um comportamento de oscilação da cabeça
que ajuda à concentração.
Deves ter fome. Vem comer o rato.
Se a Taiger não apanhar o rato,
vai ser frustrante.
Se a Taiger não conseguir caçar presas vivas,
as suas hipóteses de sobreviver na natureza são mínimas.
Deves ter fome. Vem comer o rato.
Deve ser saboroso.
Boa! Conseguiu!
Boa!
Tenho o coração a mil. Foi emocionante.
Ela saiu-se muito bem.
A Taiger ter apanhado o rato vivo foi emocionante,
porque significa que caça presas vivas com sucesso.
Agora, está pronta para voltar à natureza.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Toma, querida.
Pronta para a grande aventura?
Já andaste de avião.
Hoje, vamos transportar a Cinder para a sua casa nova, na Califórnia.
As lontras juvenis não podem ser libertadas,
porque as progenitoras cuidam muito bem delas,
algo que não conseguimos fazer.
As mais novas tornam-se embaixadoras.
Adeus. Vou ter saudades tuas. Porta-te bem.
-"Vai visitar-me." -Porta-te bem.
É triste ver a Cinder partir. Criei uma ligação com ela,
mas sei que vai para um sítio ótimo e será bem tratada.
Nós continuamos aqui para receber animais novos,
cuidar deles e vê-los irem para as casas novas.
São muitas as pessoas que ajudam as lontras.
Desde quem liga a dizer que viu uma, a quem a vai buscar...
Aqui no centro, recebem cuidados a tempo inteiro.
Há muitas pessoas a ajudar.
É preciso uma aldeia para criar uma lontra.
Há um confronto entre papagaios-do-mar
e o Rain está envolvido. Quero ver se estão todos bem.
O Rain ganhou. Já passou.
A Copper e o Rain tiveram um filhote e está a correr bem.
O Rain tem passado os dias a defender o ninho.
Fica à entrada da toca,
agita a cabeça, estica o peito
para que todos saibam que não se devem aproximar,
pois há ali algo importante de que ele cuida.
A Copper tem feito um bom trabalho, fica quase o dia todo com a cria,
mantendo-a quente.
Esta é uma altura do ano trabalhosa para a equipa.
Temos ovos a eclodir, aves ainda a chocar ovos
e, como temos aves territoriais que podem ser agressivas,
também temos de vigiar comportamentos.
Estas aves são progenitores de primeira viagem,
por isso, acompanhamos esta cria de perto,
mas estão a fazer um bom trabalho.
Quando venho pesar as crias,
calço uma luva grossa, cor de laranja,
para saberem que, quando a calço, vou ver e pesar as crias.
Eles não gostam e enfurecem-se com a luva.
Normalmente, tentam atacá-la.
Toma a luva.
Pronto, miúdos.
Leu.
Estou aqui.
Que falta de educação.
Nem sequer tens a luva laranja.
Malandro!
Ele é o que mais detesta a luva cor de laranja.
Vamos deixá-lo acalmar.
Podemos ver se o Rain sai.
Olá, Rain.
Lindo menino.
Muito bem.
Tu não, Leu. Foste mal-educado.
Vou pegar-te.
O Leu não está a ser muito educado.
O Rain passou a manhã no ninho a defender a cria.
Acabou de comer um peixe vitaminado.
Agora, saiu para tomar o pequeno-almoço.
Vamos ver se gosta disto.
Não, diz ele. Nojento, não quer.
Os problemas respiratórios estão resolvidos.
Já não está a fazer o tratamento.
Está a sair-se bem.
Vou largá-lo e deixá-lo ir cuidar do filhote.
Este ano, o Rain está a ser um bom progenitor.
Lindo menino.
Foi bom ver as crias na natureza
mas, no centro, ainda não nasceu nenhuma.
Talvez seja do calor.
Espero que, com a mudança de tempo, algo aconteça.
Como sou bombeira, estava a atender uma chamada médica,
quando recebi outra da minha equipa.
Mensagens de texto, chamadas, tudo...
Sobre uma possível cria.
Tenho de bater na madeira,
porque aconteceu o mesmo há pouco tempo e nada de cria.
Vamos ver o que acontece. Mas ela vai na direção da vedação.
Vê-se que a 336 tem a cauda levantada
e não é numa postura agressiva de quem quer manter-nos longe.
Talvez seja postura de quem está em trabalho de parto,
aquilo é desconfortável e vá parir.
Ela está a afastar-se do grupo, mas está de olho em mim.
Vou dar-lhe espaço e voltar daqui a umas horas.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
Olá, minha senhora. Pronta para ser um mocho livre?
Ela sabe.
Está pronta.
Hoje, é o grande dia da Taiger. Vamos apanhá-la.
Vai ser um desafio, mas é bom sinal.
Temos de tentar cansá-la.
Vamos observá-la antes de ir, para ver se está tudo bem.
És tão bonita.
Inicialmente, contávamos libertar a Taiger em Fairbanks,
mas há fogos por lá,
por isso, vamos libertá-la perto de Anchorage,
onde encontrámos um habitat adequado.
Ela é um mocho-orelhudo, de um tom cinza mais claro.
Se a libertarmos aqui,
a sua cor mais clara pode impedir a sua sobrevivência.
Vou limar um pouco para ficar melhor.
Ferimentos nas asas podem ser complicados,
por isso, ela ter cicatrizado bem é gratificante.
Ela sabe que estou a segurá-la e quer matar-me.
Vamos ter de comprar um bilhete de avião para ela,
metê-la na caixa e eu vou com ela para a libertar.
Para aqui, menina. Entra!
Assim que pudermos ir, a Taiger está ansiosa por voltar à natureza.
Pronto.
Se ela sibilar, é normal.
Obrigada.
É sempre stressante viajar com uma ave de avião.
A Taiger pode enervar-se e ferir-se.
Eu e a Taiger fizemos uma viagem de avião de três horas, até Anchorage,
onde fomos ter com o Guy Runco, do Centro de Aves.
-Olá, Hannah. -Olá.
É outro centro de reabilitação no Alasca.
-Está a sibilar e está danada. -Tal como se esperava.
É um bom dia para libertar aves.
Depois fomos até ao local onde iria ser libertada.
Felizmente, a Taiger aguentou-se muito bem durante a viagem.
Este é um ótimo sítio para libertar a Taiger.
Há muito alimento, abrigo
e, mais importante, não há outros mochos-orelhudos.
Ela não terá de lutar pelo território.
Acho que estamos prontos.
-Ela está pronta para ser livre. -Muito bem.
-Aos três. Pronta? -Sim.
Um,
dois,
três.
Lá vai ela!
-Voou muito bem. -Espetacular!
Depois de a Taiger chegar às árvores, não a vimos mais,
mas é bom. Está disfarçada. Está tudo bem.
Há quem diga que há muitos mochos-orelhudos,
porquê preocuparmo-nos?
Mas eu preocupo-me, porque a Taiger existe.
Não podia ser um mocho-orelhudo mais perfeito.
Depois de semanas de calor, sem chuva ou nuvens,
choveu finalmente um pouco e o calor deu tréguas.
Os animais estão felizes e a minha equipa também.
É manhã cedo. Vou ver se aquela fêmea já pariu.
-Sim. -Está ali uma cria.
Muito bom.
Olha para aquela bebé.
Que fofa.
Há algum tempo que esperávamos por isto.
Agora que aconteceu, estamos todos empolgados.
Acho que teve a ver com o tempo que agora arrefeceu.
Talvez já fosse mais seguro para a cria nascer.
Quero ver...
Vai à casa de banho.
A posição é de macho.
-Pode ser. -Acho que é macho.
Bebé...
Temos 75 por cento de certeza de que é macho.
Vamos continuar a observar um pouco mais.
São independentes.
É só esperar e ver o que acontece.
Está a mamar.
Sabia que ela seria uma boa progenitora. Adoro a 336.
É uma das minhas preferidas.
Fico muito feliz.
Isto é o que almejamos.
Lutar pela preservação.
Saber que o futuro daquela cria vai ajudar os bisontes selvagens.
É difícil descrever, mas é avassalador e gratificante.
Tradução e Legendagem Catarina Luís
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