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Os comboios passam pelo centro duas vezes por dia.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Sempre que passam, os lobos uivam-lhes.
Somos a casa de várias espécies de vida selvagem autóctones do Alasca,
que estão feridas ou são órfãs, sendo resgatadas.
E este é o seu habitat natural. Só pusemos uma vedação à volta.
Os lobos do centro têm uma história interessante.
A Deshka e a Bri são meias-irmãs e vieram de outro centro.
Recebemos uma chamada mágica de outro centro,
que pretendia entregar dois machos,
o Dirus, um lobo-branco, e o Lothario, um lobo-cinzento.
Quando as fêmeas viram os machos, foi amor à primeira vista.
Formam uma matilha espetacular.
O Lothario é o macho alfa e a Deshka, a fêmea principal.
Como em qualquer casa, é ela quem manda.
Como o Lothario é o macho alfa,
eles gostam de meter os focinhos na boca dele.
Nos lobos, é o equivalente a uma criança chegar da escola
e correr para os pais para os abraçar.
Lothario!
Hoje, vamos fazer bolas de sabão para os lobos,
é uma atividade de enriquecimento.
Olá, meninos.
Não queremos que se aborreçam, queremo-los sempre a usar o cérebro.
Por isso, fazemos coisas divertidas para eles.
Lá vai ele.
Nunca é igual. Pode ser fazer bolas de sabão,
porque não é algo que vejam todos os dias.
É um cheiro e objeto novos.
Têm de perceber do que se trata e também se divertem.
Olha para ele.
Isso mesmo.
Bom trabalho, Bri.
Bom trabalho.
De manhã, são muito mais brincalhões.
Ficam contentes de nos ver. Correu bem.
-Quando foi pesada? -Ontem.
Olá, pessoal.
Desculpem interromper, mas estou muito feliz.
-Acabámos de receber isto. -O que é?
Um lançador de redes novo. Vai mudar-vos a vida.
Novinho em folha.
Normalmente, no Centro de Aves de Rapina,
apanhamos as aves com um camaroeiro como este.
Temos de estar a 1 m delas para conseguirmos.
Mas este lançador de redes novo apanha aves até 18 m de distância.
Boa!
-Quem começa? -Eu.
Vi alguns vídeos e parece fácil.
Rodaste bem?
-Disseste 18 m? -Sim.
-Então? -Não deu.
Enfrentámos alguns desafios, tentámos e falhámos.
Falhámos muito.
Grande falhanço.
Temos de ir ver o vídeo com as instruções.
Confio plenamente na minha equipa.
Estou animada por ir falhar.
Três, dois, um!
A sério?
Vai ser uma alegria quando funcionar.
Somos pessoas determinadas e sabemos que vamos lá chegar.
Vais voltar connosco, Stuffy. Nem penses que não.
Boa!
Conseguiste!
-Estou muito feliz, Sheila. -Obrigada.
-Espetacular! -Foi muito empolgante,
mas precisamos do método testado e aprovado.
É engraçado. Temos sempre muitos planos para o dia,
mas de repente ligam por causa de uma águia.
Recebemos uma chamada sobre uma águia ferida num parque.
Parece não ter um olho, mas ainda pode estar presa.
Sabem alguma coisa sobre uma águia ferida aqui?
Não tem um olho.
Por ali?
Aí estás tu.
Sheila! Aqui, no Alasca, se houver uma ave em dificuldades,
as pessoas sabem que têm de ligar para o Centro de Aves de Rapina.
Andamos empolgadas com os resgates que temos feito.
Vou pelo lado que está ferido para o apanhar?
Está bem.
Está no trilho, Sheila.
Boa, Sheila.
Pronto.
Está ferido.
Nem sequer dá luta.
Vá, ave embrulhadinha.
Está cheio de piolhos, Sheila.
Ele pouco se debateu.
Está na hora de embrulhar esta ave.
Um, dois, três.
Ele tem uma ferida num olho, possivelmente infetado,
daí estar claramente a ficar mais lento.
Foi um resgate relativamente fácil.
Vamos levá-lo para o centro para o observar
e ver o que encontramos.
Centro de Vida Marinha do Alasca, fala a Lisa.
De momento, temos um paciente muito especial na reabilitação.
Há cerca de uma semana, deu entrada uma cria de foca
de Stebbins, Alasca, uma aldeia a 800 km de Seward.
Quando cá chegou, estava magra.
Vê-se como está magra.
Deve ter duas ou três semanas de vida.
É pequenina.
Há um tempo que não estava com a progenitora.
As focas-manchadas fazem parte de um grupo de focas
chamadas focas do gelo.
Dependem de icebergues e blocos de gelo.
São muito diferentes das focas comuns que recolhemos.
As focas-manchadas são rabugentas, tendem a morder
e têm mesmo de ser assim.
Ela tem uma contagem de glóbulos brancos alta,
o que pode indicar uma inflamação ou infeção
e nós queremos saber a sua origem. Vamos observá-la.
Só preciso de agarrar a parte posterior para lhe dar uma injeção.
Temos de sedar a foca para ser examinada,
porque ela é muito aguerrida
e queremos fazer muitas coisas junto ao focinho.
Ela é rápida, por isso, é para segurança dela e nossa.
É agora que não pomos ali os dedos.
Não se pode confiar nela. Aí está.
Ela ainda está muito desperta.
Vamos confirmar que não tem feridas.
És danada. Vamos ver aqui atrás.
Temos de ter paciência
para descobrir problemas mais graves que ela possa ter.
Vira-a para o teu lado, para a controlares.
Meu Deus!
Isto é uma ferida grave.
Quando estávamos a observar a barbatana dela,
vimos uma ferida aberta entre dois dedos.
Isto parece uma bicada ou ferida que tinha à chegada cá
e agora está a abrir outra vez.
Está muito inchado.
Pelo menos, agora sabemos onde está o problema.
Digo-te já que ela não vai gostar disto.
Estou a tentar recolher uma amostra do líquido.
Vamos ver o protocolo dela sobre o antibiótico
e confirmar que toma algo que trate uma infeção anaeróbica,
porque isto está tapado.
É muito corajosa.
Agora que localizámos o problema,
podemos concentrar-nos em tratá-lo sem dar tréguas.
Eventualmente, crescerá sem problemas.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Acabaram de nos contactar via rádio sobre a Deshka,
o nosso lobo fêmea mais velho, pode estar ferida na espádua
e nós vamos lá ver.
Vamos confirmar que não é nada muito grave,
que não exija cuidados médicos e garantir que fica bem.
Portão!
Não gostamos de entrar com os quatro lobos soltos.
Então, fechamos os machos, para os manter separados.
Para baixo!
As fêmeas chegaram cá ainda crias,
cresceram comigo e com a Chandelle desde bebés.
Consideram-nos parte da matilha.
Quando um animal tem dores ou está ferido,
vemos reações que normalmente não veríamos.
Olá, bebé.
Continuam a ser animais selvagens.
Não são amistosos nem estão domesticados.
São animais perigosos.
Precisamos de fotos para enviar à veterinária,
e ela nos dizer o que acha.
O que é isso?
-O que andaste a fazer? -O que é isso?
A ferida da Deshka não parece uma mordida.
Não é uma laceração, é pelo arrancado.
Parece que lhe arrancaram o pelo.
-Bebé... -Ela está a coçar-se.
Não sabemos o que aconteceu à Deshka.
Parece ser um mistério, mas temos de o deslindar.
Porque, se ela se feriu no cercado, temos de o arranjar,
para não voltar a acontecer.
Eu e a Sarah vamos ver as vedações,
verificar se há algum sítio onde ela possa ter ficado presa,
algo que tenhamos de arranjar para eles ficarem seguros.
Sarah, a Bri tem uma mancha.
-O quê? -Falta-lhe pelo na anca.
Bolas!
Estamos a ver a Deshka, o nosso lobo fêmea mais velho.
Não sabemos o que aconteceu para lhe faltar pelo.
Mas ver a Bri com uma ferida no membro posterior
altera aquilo que pensávamos ter acontecido.
Pode ter sido uma situação de desafio entre elas,
a Bri tê-la apanhado pelo pescoço
e a Deshka pô-la no seu lugar, mordendo-lhe.
Se ela apanhou a Deshka pelo cachaço,
esta pode ter-se virado e dito para não o fazer.
E faz sentido que as feridas sejam onde são.
A ferida naquele sítio é típica de quem desafia.
Vou tentar aproximar-me da Deshka para ver como ela está
e, se ela o permitir, vou pulverizá-la com antibiótico.
Olá, menina.
Olá. Posso pôr-te isto?
Posso?
Gostas?
Ver se lhe conseguimos pôr um bálsamo
que ajude a ferida a cicatrizar mais depressa.
É arriscado, porque tem a boca perto e pode virar-se.
Se doer, apesar de confiar na Chandelle, há sempre um risco.
Eu sei. Desculpa.
Ela parece perguntar porque lhe faço isto.
A Deshka é a fêmea principal e a Bri, a irmã rebelde,
que não aguenta uma indireta.
Olá, lobo malandro.
Meteste-te em brigas que não são para ti?
És uma arruaceira.
Se houver brigas ou desafios, temos de ficar atentos
e separá-las, se for preciso.
Olá, lobo malandro.
Não queremos separá-los ou alterar a dinâmica da matilha,
quanto mais depressa virmos que não piora, melhor.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
Trouxemos esta ave para a clínica e estava muito apática.
Nunca vi nada igual.
O olho está muito infetado, vamos ter de agir.
Tens piolhos grandes.
Nós tapamos-lhes os olhos para os manter calmos,
mas ele está muito fraco para se debater.
Também tem um dedo muito inchado.
Está faminto, magro.
Cheio de piolhos.
Infelizmente, não está nada bem.
Tem um dedo inchado.
Possivelmente infetado.
Esta ave está mal tratada e muito debilitada.
Às vezes, passam tanta fome
que os órgãos ficam afetados.
Vamos fazer um tratamento agressivo.
Esta ave está muito fria para se alimentar.
Se a alimentássemos, o mais certo seria
que o alimento não passasse do papo e nem chegasse ao estômago,
ficando ali, a apodrecer.
As toxinas produzidas pela podridão matariam a ave.
Quando ele se sentir melhor,
podemos marcar a cirurgia para remover o olho.
Eu sei que estás cansado.
Vamos tentar engordá-lo antes de pensarmos na cirurgia.
Tem uma cabeça pequena.
O melhor a fazer é dar-lhe proteína em pó.
Uma espécie de smoothie de proteína.
É de fácil digestão.
Ele é tão bonito.
Esta ave está em estado crítico.
Na natureza, não me parece que sobrevivesse muito mais tempo.
Pronto...
Fico feliz que esteja no centro, para que possamos tratá-lo
e fazer tudo o que for possível para o libertar na natureza.
Pronto, amigo.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Aqui, no Centro de Vida Marinha, temos uma localização única.
Isto é o nosso quintal.
Somos tão invulgares que temos reabilitação,
serviço público e pesquisa.
Não há muitos centros como o nosso nos EUA,
que tenham essas três valências.
Chegou a primavera e estamos entusiasmados
com um projeto de investigação sobre o tubarão-dorminhoco-do-pacífico.
Iniciámos este projeto com informação dos pescadores,
que nos disseram que apanham, regularmente, sem querer,
tubarões-dorminhocos-do-pacífico aqui na Baía da Ressurreição.
Não sabemos muito sobre a sua vida,
a sua fisiologia, o seu comportamento,
a sua movimentação, os seus hábitos de alimentação...
Não sabemos praticamente nada sobre eles.
Esta manhã, vamos levantar as linhas que largámos ontem.
Com sorte, encontraremos tubarões pequenos para trazer para o centro,
para aprendermos mais sobre a sua fisiologia.
Prontos?
Bem apanhado!
O tubarão-dorminhoco-do-pacífico pode viver 300 anos,
ou até mesmo entre 400 e 500 anos.
É impressionante.
Parece pesado, mas não sei.
Alguns dos indivíduos que nadam por aqui
provavelmente existem antes de os EUA existirem.
É isso que os torna interessantes para nós.
Para!
É só isco. O isco mantém-se aqui.
-Nada de tubarões. -Certo.
Gostaríamos muito de levar um tubarão destes para o centro,
para o podermos estudar melhor.
Isto já se fez antes, mas nunca com êxito.
O isco continua aqui.
Há uns dias,
achei que estava pesado, que estava lá algo,
mas era só o rolamento.
Pensei que tínhamos ali algo, mas não.
Nada! Estava só apertado demais.
E também temos isco neste.
São tubarões de água fria.
Apanhados a profundidades entre os 120 e os 300 m.
Talvez tenhamos aqui algo grande.
-Tubarão! -Tubarão!
Temos um tubarão.
Ajudem-nos! Temos um tubarão.
Pouco se sabe sobre o tubarão-dorminhoco-do-pacífico.
Para um cientista, é uma mina de ouro.
Há muitas perguntas sem resposta. Este projeto tem a ver com isso.
Leva a cabeça para a frente, lentamente.
Não é um tubarão vulgar.
Os dentes são pequenos, ótimos para desfazer o alimento.
Atenção às mordidas.
Tenho quase a certeza de que este não é para levar.
Este animal é muito pesado para tirarmos da água
e pormos no tanque especial que temos no barco
para levarmos para terra.
-Prontos? -Cuidado! Estás a puxar.
Todos os tubarões que são demasiado grandes para levar para o centro
são medidos, analisados e identificados.
São oportunidades para recolher informação geral.
A etiqueta está colocada.
Larga!
E...
Boa! Bom trabalho.
Este é o nosso segundo ano de estudo.
O ano passado eram todos demasiado grandes para levar para o centro.
Preocupa-nos a concretização desta parte do projeto.
Não diria que são fáceis de apanhar.
Depende do dia, das condições...
Por isso, é difícil prever quando vamos apanhar um tubarão.
Pode ser hoje.
Temos um tubarão e é pequeno.
-Boa! -Cauda.
-Este é para levar. -É mesmo pequeno.
Tão pequenino.
Atenção às mordidas.
Vou passar isto em volta do anzol.
Estou muito entusiasmada por apanhar o primeiro tubarão.
Apanhar finalmente um tubarão com as dimensões certas é incrível.
Estão todos muito empolgados.
Podemos fazer coisas no centro que não podemos fazer no mar.
Não.
Tem clásperes muito pequenos.
Parece que sim.
Sim, é um macho bebé.
Este tubarão pode ter entre 30 e 50 anos.
Um juvenil de 50 anos. É de loucos.
Há algum receio, porque isto é arriscado.
Não sabemos como se portam estes tubarões em cativeiro.
Pelo que sei, três grupos tentaram levar um destes para um oceanário
e morreram todos.
Temos de ter cuidado com o tubarão e recolher a informação pretendida.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
Recolhemos esta águia há duas semanas,
estava praticamente às portas da morte.
Não tinha um olho, estava com uma infeção e faminto.
Decidimos chamar-lhe Willy Zarolho.
Porque só tem um olho, parece o tipo de "Os Goonies".
É o que eu acho.
Quando chegou, tremia e estava num estado miserável.
Estava muito mal tratado.
Evoluiu imenso.
O Willy Zarolho vai ser submetido a duas cirurgias hoje.
Vão retirar-lhe uma das garras e também o olho direito.
As águias-carecas vivem bem só com um olho.
São mais necrófagas do que caçadoras.
Um salmão morto na margem do rio...
Não creio que sejam precisos dois olhos para comer esse salmão.
Estamos a prepará-lo para a cirurgia.
Não operámos logo o Willy Zarolho
porque achei que ele não sobreviveria à anestesia.
Agora, está saudável para sobreviver a uma cirurgia.
O primeiro passo será retirar o olho.
Um, dois, três.
Estou preocupada com o Willy Zarolho.
Sinto-me uma mãe-galinha, a rondar,
mas gosto daquela ave e quero ver que está bem.
Comecei por retirar a glândula lacrimal
porque, se produzir lágrimas, vai inchar.
Depois retirei todo o interior do olho,
deixando a esclerótica, que é a parte branca do olho.
Vai dar algum apoio
e, quando suturar as pálpebras, não ficam tão encovadas.
É uma questão estética.
Para mim, é uma cirurgia nova. Nunca tinha feito
mas, no Alasca, é normal fazer coisas que nunca fizemos.
Já realizámos uma das duas cirurgias.
Agora, vamos amputar o dedo.
Esta ave arranjou grandes sarilhos por causa da infeção.
A infeção era tão grave que afetou irremediavelmente o osso.
O osso estava tão afetado que pensei que causaria dor para sempre,
quer o libertássemos, quer o mantivéssemos em cativeiro.
Esta cirurgia é cruel.
Foi cortar e tirar.
Esta ave não precisa de sentir dor.
Estou satisfeita com o modo como isto está a fechar.
-Entra, Kara. Elas vão acordá-lo. -Está bem.
Emocionamo-nos quando nos dedicamos tanto a eles
e esperamos que a cirurgia corra bem.
Espero que possamos libertá-lo na natureza.
Só o tempo o dirá.
Só o tempo o dirá.
O velhote do Nelson arrasta-se.
Anda, Nelson!
Vieram numa boa altura.
Hoje, os alces vão ter o seu petisco preferido, ramos de salgueiro.
Eles estão a comer salgueiro.
Alce Nelson?
Meu senhor...
Esta é a nossa oportunidade de dar o medicamento ao Nelson.
Banana!
Os alces adoram bananas.
Olá, querido.
Agarraste? Larga o ramo.
Com os carnívoros, temos de o esconder melhor
porque, se sentem o cheiro, cospem o pedaço de carne.
Dois dos lobos fêmeas feriram-se por terem andado à briga.
Hoje, a ideia é dar à Deshka e à Bri a segunda dose do medicamento.
Precisam de tomar quatro comprimidos por dia durante os próximos dias.
Olá, meninas. Chegas aqui, Desh?
A Bri veio logo, mas não vimos a Deshka.
Nós chamávamo-la e ela não aparecia.
Isso fez-nos ficar em pânico, por não sabermos o que se passava.
Normalmente, isto fá-la aparecer.
A Bri recebeu a carne do Austin. Ele conseguiu dar-lha.
Como a ferida da Deshka era mais grave que a da Bri,
é importante que tome o medicamento.
Estou a ficar preocupada.
Vou ter com a Chandelle e vamos entrar para ver o que se passa.
Olá, Bri.
A maior parte das vezes, assim que a Deshka ouve a Chandelle,
aparece logo junto à vedação para lhe darem atenção.
Eu não...
Acho que devemos ficar juntas.
Apesar de terem sido criadas por nós,
temos de olhar uma pela outra lá dentro, por causa dos lobos.
Deshka!
Desh!
Bri!
O que fizeste?
Onde estás, Desh?
Estás a dar cabo de mim, Desh.
Desh!
Desh!
Deshka!
Andamos à procura da Deshka.
É preocupante porque, quando eu e a Chandelle estamos aqui,
ela aparece logo. Há algo de errado no comportamento.
Sentir-me-ia mais descansada se não aparecesses às escondidas.
Tem uma ferida, o comportamento será diferente.
Temos de nos manter seguras, para o bem de todos.
-Bri. -Deshka!
Há muitas tocas feitas pelos lobos.
Ela deve ter entrado numa e não vai sair. De certeza.
Vamos soltar os machos.
Costuma ser uma opção infalível, soltar os machos.
Eles ficam sempre entusiasmados por voltarem a estar juntos.
Prontos para saírem?
Portão!
Vamos uivar em grupo, talvez ela apareça.
Vamos picar os lobos para eles começarem a uivar,
pode ser que a Deshka apareça.
Kim.
Vamos tentar uivar, para ver se ela aparece.
Estamos nós a uivar e nada.
Até que ela saiu da toca.
Foi um alívio, vê-la a sair da toca.
Felizmente, estava animada e quis comer,
conseguimos dar-lhe o medicamento.
Boa! Apanhou-o!
A ferida da Deshka está com bom aspeto, começa a cicatrizar.
Atenção porque, quando um fica ferido assim,
os outros ficam irritadiços.
Bolas!
O Lothario foi atrás do Dirus,
não quis que ele se aproximasse da Deshka.
Desh!
Virou-o ao contrário
e mostrou-lhe que ele tinha de parar, que aquilo ficava por ali,
porque ele estava a proteger a mulher dele.
-Está a chorar. Ouves? -Sim.
Desh!
Vão meter-se com ela.
A Deshka começou a coçar-se e a chorar.
Como é a fêmea principal, o facto de estar vulnerável e ferida
deixou os outros enervados, porque não entendiam o que fazia,
nenhum deles lhe estava a fazer nada.
O Lothario ficou nervoso.
Ela não percebia o porquê dele se meter atrás dela.
Ela estava vulnerável.
Vamos ter uma dinâmica interessante durante os próximos dias,
porque pode haver mudanças na hierarquia,
o que significa mais brigas.
Temos de observar como interagem entre eles.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
O nosso objetivo no programa de perdidos
é pôr os animais saudáveis para poderem ser libertados.
Mas alguns não podem sê-lo.
Qualquer foca do gelo que entre no programa
tem de ir para outro centro,
devido aos acordos feitos com as comunidades locais.
Este é o Spencer.
É uma das quatro focas-aneladas que temos aqui no centro.
As focas-aneladas, as focas-manchadas
e as focas-barbudas, todas focas do gelo,
são consideradas dependentes do gelo.
O Alasca é o melhor sítio para as estudarmos,
porque as temos aqui à porta.
Toda a gente tem inveja de estarmos na linha da frente
na investigação da foca do Ártico.
Muito bem.
Como vivem no gelo e enfrentam ursos-polares...
Alvo!
... são focas naturalmente muito aguerridas.
Alvo!
Treinamo-las para confiarem em nós, de modo a cuidarmos delas.
Lindo menino.
Quando entrou no programa de perdidos,
tinha uma alcunha, Foguetão com Raiva.
Agora, como podem ver, é calmo e amoroso.
Água! Bom trabalho, amigo.
Terminámos.
Temos cá uma foca-manchada há dois meses.
Decidimos chamar-lhe Nuna.
Ela é muito aguerrida. Tem um espírito rebelde.
Empolgada, Nuna?
Hoje, temos algo especial.
Isto é um petisco de gelo em forma de peixe para dar à Nuna.
Estou empolgada para ver como ela vai interagir.
Vamos tentar.
Tem sido muito especial trabalhar com a Nuna.
Como é uma foca do gelo, não pode ser libertada.
Vê só!
Vai ficar aos cuidados de pessoas até ao fim da sua vida.
Queremos que se habitue às pessoas,
para se sentir confortável nas interações com os seres humanos.
Está na dúvida.
Olha!
Tento espicaçá-la, levá-la a interagir com o seu meio.
Está um pouco desconfiada. É uma novidade para ela.
Pusemo-la a pensar.
Deve estar a pensar o porquê do peixe estar congelado.
Muito bem! Agarrou um dos peixes.
Puxou-o! Acho que conseguiu.
Ali está ela!
Este é o tipo de interação que gostamos de ver.
Ela empurra aquilo com o nariz.
Acho que isto é tão enriquecedor para nós como para ela.
Ela gostou do petisco de gelo.
Fartou-se de brincar com aquilo.
Que giro.
Há uma onda de excitação.
Toda a gente comenta, quer ver o tubarão...
É o primeiro que temos no Centro de Vida Marinha.
O tubarão-dorminhoco-do-pacífico recebeu esse nome
por ser um tubarão extremamente lento.
Alimentam-se de leões-marinhos vivos,
por isso, também são capazes de nadar mais depressa se for preciso.
Este não é um tubarão vulgar, um predador rápido e agressivo.
No entanto, caça presas grandes.
Podem morder com força, por isso, temos de ser cautelosos.
Não sabemos muito sobre eles.
Estamos a tentar aprender os seus comportamentos.
São muito diferentes de outros tubarões.
Vocês vão formar uma parede.
O tubarão vem aí.
Continuamos? Está bem.
Pensa-se que é o vertebrado do planeta que vive mais anos.
Gostaríamos de fazer, pelo menos, duas sessões
na nossa passadeira especial para peixes.
Trata-se de uma banheira grande, onde medimos o consumo de oxigénio.
Nos atletas humanos, isto faz-se num passadeira
mas, como não podemos pôr um tubarão numa, pomo-lo num tanque.
Conseguimos colocar o tubarão no tanque de transporte.
Aquele ali deve ser o de cima.
Queremos ter água a circular para o tubarão,
porque alguns têm de nadar para respirar.
Antes de taparmos o tanque e fazermos uma experiência,
temos de garantir que o tubarão está a respirar
e que não fica numa posição que afete a sua saúde.
Não sabemos se resultará mas, caso resulte,
esta será a primeira medição metabólica
feita a um tubarão-dorminhoco-do-pacífico.
O tubarão dobrou-se ao meio dentro do tanque,
está preso e não se consegue mexer.
É um problema, pois não parece conseguir respirar bem.
Isto preocupa-me. Não gosto.
Quando pusemos o tubarão no tanque, ele ficou preso.
Fiquei a ver se se endireitava, mas não,
ficou naquela posição.
Está a virar para a esquerda.
Tivemos de o soltar no tanque maior.
Vamos voltar a tentar.
Na tua direção.
Tentar isto apresenta alguns desafios, porque nunca se fez.
Passa-nos a barreira.
Por exemplo, por mais que implorássemos por um tubarão pequeno,
este é pequeno demais para o tanque.
Tivemos de colocar umas restrições para diminuir a dimensão do tanque
e resultou.
Estamos prontos para o próximo separador.
Com as alterações que fizemos,
deveremos conseguir começar a recolher informação,
que mostrará coisas interessantes para aprender sobre o tubarão.
Até agora, está a correr bem. Vamos bater na madeira.
Tivemos de fazer mais uns ajustes e modificações.
Temos uma câmara de infravermelhos, mas com um alcance limitado.
Então, abrimos janelas na tampa para espreitarmos,
vermos como está o tubarão.
Boa noite, amiguinho.
-Consegues ver? -Vê-se muito bem as guelras.
Estas ficam nos cantos.
Oxalá seja a última vez que o fechamos
até o abrirmos para o libertar.
Vai correr tudo bem.
Queremos ter a certeza de que não fazemos mal ao animal.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
O Willy Zarolho foi operado há uma semana.
Quero ver como estão a cicatrizar as duas incisões.
Aqui foi a amputação.
Está ótimo.
Não há inchaço, nem vermelhidão...
Está uma maravilha.
A outra coisa que vamos ver é o olho,
o sítio de onde o tirámos.
Meu Deus! Está espetacular.
-Está bom, não está? -Muito bem operado.
Vou ter de avaliar
se esta ave pode ser libertada.
Estou inclinada a pensar que não, porque a ave tem dois problemas.
Posso libertar uma águia com um olho, uma sem um dedo,
mas não gosto de libertar aves com dois problemas.
O Willy Zarolho pode ser uma ave de consciencialização.
Deverá ser ótima nisso, porque consegue voar.
Podem levá-lo para a Zona de Voo.
Esta é uma questão sobre a qual terei de refletir.
Um, dois, três.
O Willy Zarolho terá de voar muito bem
para eu considerar libertá-lo.
-Como voou o Willy? -Muito bem.
Era o que querias dizer-me.
Sim.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Olá, Nuna.
A Nuna tem sido o ponto alto desta temporada.
Está sempre à espera ao portão, quando passamos.
Parece a comissão de boas-vindas, logo pela manhã.
É uma foca amorosa.
Nuna...
Hoje, a Nuna vai para a casa nova dela.
Será levada para o Oceanário Mystic, no Connecticut.
Queres sair, querida? "Com esta gente toda aqui, não."
Espera-a uma grande aventura.
Nós vamos acompanhá-la.
Observá-la, pô-la na caixa, e seguimos caminho.
É como um filho que vai para a faculdade.
Esse tipo de transição.
Pequenina...
É agridoce. Ela tem sido um animal bom com quem trabalhar.
Tal como para qualquer pessoa, viajar é stressante.
Há muitas alterações.
Vamos ter saudades da Nuna.
Todas as focas que passam por cá têm um lugar especial no nosso coração,
mas estou muito empolgada e ansiosa por ver
o que fará o resto da vida, porque vai ser boa.
-Está na caixa. -Adeus, rebelde.
É triste vê-la partir, mas é para isso que aqui estamos.
Libertar animais,
seja nas casas definitivas, seja na natureza.
Estamos prontas para ir.
Ela vai ter uma piscina gigantesca.
Quando vi a Nuna pela primeira vez,
achei-a amorosa e pequenina. Ela é mínima.
Agora que estamos no oceanário, vamos tirá-la da carrinha,
içá-la sobre a piscina...
Acho que está entusiasmada.
Estamos muito entusiasmados por ter a Nuna no oceanário.
Ela não saltou logo para a piscina, olhou em volta antes.
Eu também não teria saltado.
Ela é amorosa.
Acho que vai ficar bem cá. Temos outra foca-manchada.
Ela foi para o Mystic, onde há outra foca-manchada, a Secau.
Faz parte de um projeto maior de que o Centro Marinho faz parte.
Tenho acompanhado esta e também vou acompanhar a Nuna.
Ela gosta daquilo. Linda menina.
Acho que vai sair-se bem.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Vamos alimentar os lobos agora de manhã.
Têm mais uns dias de antibiótico pela frente.
Pensamos que a Bri achou que ia subir de posto.
Desh!
A Deshka é a nossa fêmea principal. A Bri quis medir forças.
Acho que abalou um pouco a matilha.
Portão!
Toma! Os lobos são animais sociáveis
e o que aconteceu foi um evento social estranho.
Ainda estão a recuperar, por isso, temos de ter paciência.
Deshka!
Anda daí!
Fica!
O bom de os ter aqui é que, quando isto acontece,
podemos agir, dando-lhes medicação, pomadas,
o que for preciso para evitar mais dor ou desconforto.
De momento, a matilha está estável e feliz.
A matilha é-me muito cara, sobretudo a Deshka.
Deshka!
Quando se trabalha com animais, não se deve ter preferidos,
mas eu tenho. E os meus são os lobos.
Devagar.
Quando nos propusemos fazer este estudo,
não sabíamos se resultaria.
Vamos pôr água aqui.
Se encontraríamos o tubarão certo, se conseguiríamos manuseá-lo,
se ele resistiria... É empolgante, pois resultou.
Conseguimos tirar muitas das medidas que queríamos
e estamos prontos para libertar o tubarão no mar.
Este estudo tem sido essencial para acrescentar informação
a lacunas que havia no terreno.
O metabolismo de uma espécie que vive muitos anos
e também uma espécie do Ártico, isso é importante.
É o número 05-2.
Vamos pôr etiquetas no animal para o localizarmos.
Acompanharemos o peixe durante 180 dias.
Depois, as etiquetas soltam-se, emergem,
e isso irá dizer-nos que o animal ficou bem.
A prioridade é a saúde do tubarão.
Libertá-lo e vê-lo sobreviver no seu habitat natural
seria uma experiência incrível.
Vamos lá.
O Alasca é um estado
em que muitas pessoas dependem dos recursos vivos do mar.
Primeiro a cauda e depois recua.
O ecossistema marinho da costa,
sobretudo numa altura de alterações climáticas,
encontra-se sujeito a alterações essenciais.
Não nos podemos dar ao luxo de ignorar nenhuma espécie.
Temos de entender todos os aspetos do ecossistema.
-Lá vai ele! -Viram a cauda?
As probabilidades de uma águia sobreviver na natureza
é algo que calculamos para cada ave.
Às vezes, é óbvio. A ave está a 100 por cento.
O Willy não está a 100 por cento. Falta-lhe um olho e um dedo.
Tivemos de refletir bem sobre libertá-lo ou não.
Mas voou tão bem que achámos que lhe devíamos dar uma oportunidade.
Gosto do Willy Zarolho,
porque me afeiçoo mais àqueles a que me dedico mais.
Adeus, amigo.
As recompensas neste trabalho são incríveis.
Quantas pessoas podem dizer que são pagas
para andar com águias ao colo?
Fico arrepiada, porque estas aves consciencializam as pessoas
para que tenham um papel na salvação de aves na natureza.
Três!
Vai lá, amigo.
Nós damos às aves a melhor vida possível aqui no centro,
mas nada se compara à natureza.
Meu Deus. Olhem para ele!
Ele sabe que o alimentavam.
Nem acredito que o nosso Willy está a voar.
Ele está a adorar.
Não olhes para trás, Willy Zarolho.
Tradução e Legendagem: Willi Zarholo
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