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HERÓIS DO ALASCA
Recebi uma chamada invulgar.
Estava uma águia presa numa árvore.
No Centro de Aves de Rapina, recebemos dezenas de chamadas
relacionadas com aves feridas, mas nunca vi um caso destes.
Não acho que esteja viva. Parece que morreu.
Tem a asa...
Tem sangue na cauda.
O Alasca é uma região ótima para a águia-careca.
Nos Estados Unidos contíguos, veem-se uma ou duas de vez em quando,
mas aqui, no Alasca, vemo-las por toda a parte.
E quando se metem em sarilhos, estamos cá para ajudar.
-Vamos na direção da águia. -Vê-la a mexer-se?
Estende mais, se puderes. Vamos tentar.
-Está viva! -Caraças!
Nem acredito que está viva. Pensei que estivesse morta.
-Vais subir? -Queres que suba, Craig?
A Dra. Victoria é a veterinária do centro, faz sempre todos os possíveis.
Comecei a trabalhar em 1993.
Quantos resgates já fiz?
Muitos. Já lhes perdi a conta.
Mas este será diferente de todos os outros.
Trespassou-a um bom bocado, assim.
Vê-se sangue e penas no ramo.
Faço parte dos bombeiros
e, talvez por isso, deixam-me fazer isto.
Deixar ficar uma ave pendurada numa árvore para morrer,
não pode acontecer. Não quando podemos ajudar.
Quero-a presa, antes de subirmos.
-Quero vê-la deste ângulo. -Está bem.
A minha tarefa é retirar a águia.
Idealmente, vou agarrá-la pelas patas
e, muito provavelmente, de cabeça para baixo.
É o mais seguro para mim e para a águia.
Já fiz isto muitas vezes, mas nunca numa escada alta.
Vai ser trabalho de equipa.
-Como te chamas? -Austin.
Sou a Victoria.
Vou andando?
Disseste que seria estranho e é mesmo.
Agora, põe o joelho...
Certo.
Quero-te perto dela, Austin. Pronto?
Sim, estou preso.
Atenção aos ramos ao subir, Austin.
Certo.
Sempre em frente.
Nunca imaginei na minha vida
subir uma escada dos bombeiros para salvar uma águia.
Nunca me passou pela cabeça. Parem!
E vejo que não será fácil.
Vou agarrar na águia, Austin.
Vai haver muita agitação e eu posso cair.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Quando as pessoas vêm ao Alasca, querem ver fauna característica,
a vida selvagem que nos passa pela cabeça quando pensamos no Alasca.
Os ursos, os coiotes, as raposas, os veados-mula, os alces,
chegam-nos feridos ou por serem órfãos.
Muitos visitantes confundem os bois-almiscarados com os bisontes,
mas são espécies diferentes.
Encontram-se acima do Círculo Polar Ártico.
Hoje, temos uma oportunidade rara de fazer uma aquisição.
Ligaram-nos por causa de um boi-almiscarado jovem
que andava na encosta, estamos a preparar-nos para o ir buscar.
Vem dos confins,
até onde se pode ir, em direção a norte, no Alasca.
Vai ser um dia longo para ela, enfiada numa caixa,
fazendo diversos voos antes de chegar a Anchorage.
Este boi-almiscarado fêmea jovem penou muito nas últimas 24 horas.
Começou por ser perseguida por um urso-pardo,
depois foi encurralada por seres humanos,
apanhada e posta numa caixa...
Para ela, é como ser apanhada por extraterrestres.
É stressante.
Obrigado.
Bebé... É bem mais pequena do que imaginei.
-Ela é amorosa. -Adorável.
Pelo que sei, está há alguns dias, quase uma semana, sem a progenitora.
É fundamental que comece já a tomar o leite em pó.
Caso contrário, isto vai acabar mal.
Pronta para conhecer a bebé.
Aposto que queres sair.
Nós já gostamos de ti.
DIRETORA EXECUTIVA
Às vezes, as crias selvagens estão desidratadas
e temos de as alimentar com sonda.
Vou tentar. Se ela não quiser, ligo à veterinária
para ver o que quer que façamos.
Sim.
À primeira.
Espetacular!
Não pensei que aceitasse logo o biberão.
A bebé vai ter uma vida fantástica aqui no centro.
Vá, respira.
Abrem-se janelas de oportunidade para ela como embaixadora
e também aumentamos a nossa manada, trazendo diversidade genética.
Estou entusiasmada por ver onde podemos chegar.
Isso é muito, bebé.
Tenho grandes expectativas para ela.
Ela parece dizer: "Quero mais".
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Muitas pessoas chegam cá e pouco sabem sobre o oceano.
Sabem que se pode pescar, que há salmões...
O Centro de Vida Marinha é o único oceanário do Alasca,
por isso, fazemos um grande trabalho de consciencialização
sobre todos os ecossistemas que temos aqui no Alasca.
A Pat é o nosso polvo-gigante-do-pacífico,
o maior que temos cá, no oceanário.
Temos a Pat há três anos.
Quando cá chegou, era do tamanho de uma moeda. Criámo-la desde então.
A experiência com o polvo é uma oportunidade de vir aos bastidores
e conhecer o nosso polvo.
Não a obrigamos a fazer nada.
Se quiser interagir, aproxima-se. Caso contrário, faz o que lhe apetecer.
Parece que vai interagir.
Podem tocar em 27 kg de polvo.
Nunca pensei fazer isto.
Todos os polvos têm personalidades diferentes.
A Pat é muito extrovertida. Gosta de tocar nas pessoas.
É um ótimo animal com quem interagir.
Ela gosta de ti. É viscosa.
São muito curiosos.
São invertebrados, mas muito inteligentes.
Apanhou-te o polegar?
É impressionante a força de cada ventosa.
Estas ventosas maiores aguentam com 6 kg cada uma.
Hoje, temos uma experiência especial com polvos,
porque é a última da Pat antes de ser libertada no mar.
A Pat está a chegar a uma fase de maturidade sexual.
Vimos sinais disso no tanque.
Está muito travessa e curiosa,
um indicador de que está pronta para encontrar um parceiro.
Partiu um dos tubos do tanque dela.
Rachou-o.
Por conta disso, tivemos de a tirar de lá
e retirar toda a água para o consertar.
Isto foi o que ela partiu.
Arrancou-o.
É sempre nesta altura que fazem traquinices no tanque.
Tem sido um animal fantástico, mas está na altura de a libertar
e dar-lhe uma oportunidade de se reproduzir no mar.
Ajuda-a, Vic.
Consegui agarrar uma águia-careca espetada num ramo,
a 22 m de altura.
Eu sei, querida.
A ideia é fazer deslizar a ave do ramo,
mas não consigo.
A Victoria está a segurar a ave,
mas parece que tem a asa espetada num ramo.
Sim, ouve-se a gritar. Deve ter muitas dores.
Agarra-te a mim, por favor.
O plano B é partir o ramo.
Não consigo parti-lo.
Tenho a águia, mas não consigo parti-lo.
Que triste.
Ele está a bicá-la. Acho que a bicou.
Para com isso!
A águia está a bicar-me.
Só quer bicar a Victoria.
Eu fico bem. Já fui bicada.
Só quero que desça.
O plano C é trazerem-nos um machado.
Isto é de loucos.
Fiquei um pouco preocupada,
porque sabia que seria uma queda repentina.
Pronto.
Vão puxá-la e baixá-la.
Credo!
Não é pesada, mas tem um ramo espetado na asa. Vai ser difícil.
A águia está segura.
Estou a agarrá-la, com o ramo e tudo.
Agora, tenho de a trazer para baixo.
Felizmente, é uma águia-careca macho.
Os machos pesam menos do que as fêmeas.
Se fosse uma fêmea,
teria conseguido trazê-la para baixo?
Vou largar.
Desculpa. Pobrezinho...
Que romântico.
Consegues, Jen?
Amigo...
Então, Victoria?
Está aí mais alguém? Chega aqui, Mike.
A primeira coisa a fazer é retirar o ramo.
Não podemos levar a ave para o centro
com aquele ramo enorme espetado.
Eu sei, amigo.
Fico feliz que tenhamos chegado aqui mas, com o ramo espetado na asa,
há grandes probabilidades de termos de o abater.
-Bicou-te na cara? -Muitas vezes.
Eu sei.
Estás zangado.
-És aguerrido. -Podes bicar-me a mim.
Bica-me a mim.
Um amigo meu conseguiu cortar o ramo, ficou mais pequeno.
E foi aí que percebemos o que se passava ali.
A ave havia rodado sobre si mesma.
Desculpa.
Tem a asa desfeita.
Aos três. Um, dois, três.
Esta águia é tão aguerrida. Farei tudo para a salvar.
Muito obrigada.
Foi muito assustador.
Não pensei que seria assustador quando disse que subia,
porque só pensava na águia, e... Conseguimos.
Vamos cuidar desta ave.
A minha teoria é que esta ave levava comida,
quase de certeza salmão,
e foi perseguida por outra ave.
As águias são engraçadas. Pode haver alimento em todo o lado,
mas já vi águias a lutar por um pedaço de alimento.
Vi-as irem contra cabos elétricos e janelas,
por não estarem atentas.
Estou quase certa de que foi o caso.
Teve a ver com alimento.
O que temos aqui?
-Já me bicaste 20 vezes. -Não quero ser bicada.
Se os ferimentos forem demasiados, temos de pôr termo ao seu sofrimento.
-Olá. Olha para ti. -Estavas desertinho para nos matar.
A primeira coisa de que precisa é do capuz.
Quando deixam de ver, acalmam
e, quando estão calmos, é menos provável que biquem.
Pestinha!
É grave?
O tendão patagial está intacto. Foi mais abaixo.
Ainda bem.
Isto são ótimas notícias. O tendão patagial é importante.
Se isto fosse a asa da ave, vem daqui até aqui,
criando um triângulo de pele,
que permite à ave elevar-se ao voar.
Se o tendão estivesse rasgado, seria o fim.
Detesto fazer a ave passar por isto, mas acho que vou suturá-la.
Quando estava a resgatar esta ave,
achei que estávamos a evitar uma morte lenta e dolorosa,
mas agora que vi o que temos aqui,
tenho alguma esperança.
O tecido parece muito saudável.
Claro que tem um buraco na pele,
mas não vejo músculos
nem tendões rasgados.
Estou nervosa. Pode não conseguir levantar a asa,
mas vale a pena tentar.
É uma montanha-russa de emoções. Vemo-lo e achamos que está morto.
Depois, afinal, está vivo. Está vivo, mas quer matar-me.
Isto é ótimo.
-Bolas! -O que foi?
Encontrei outro orifício.
E depois vejo o segundo orifício.
-É grande? -Sim, enorme.
Estou desiludida.
Ao fim de 26 anos, achava que já não ficaria desiludida,
mas ainda fico.
Estou nervosa por causa daquele orifício enorme.
Não acho que vá cicatrizar,
permitindo-lhe voltar a voar.
Mas nunca se sabe. Talvez nos surpreenda.
CENTRO DE PROTEÇÃO DE VIDA SELVAGEM DO ALASCA
A desilusão com os bois-almiscarados é começarem por ser amorosos.
São os bebés mamíferos mais amorosos que já tratei.
Mas depois crescem e parecem velhos zangados.
O boi-almiscarado já esteve em vias de extinção no Alasca.
São uma história de sucesso.
O seu número aumentou e desenvolvem-se bem.
Aqui, são os embaixadores da sua espécie.
Damos palestras de consciencialização,
tentando espalhar a palavra sobre o boi-almiscarado no Alasca.
Somos cuidadosos e cautelosos com os animais que temos cá.
A quarentena é obrigatória para qualquer animal
que fique ao cuidado de seres humanos.
Fomos buscar um boi-almiscarado bebé.
A equipa decidiu chamar-lhe Athena. A história dela é triste.
A mãe foi comida por um urso-pardo.
Vamos seguir o protocolo de quarentena
e usar roupas especiais, para ninguém ficar doente.
Como veio da Natureza, não queremos que traga algo
e passe às restantes manadas.
As calças são baratas. Não faz mal que as estrague.
E facilmente as visto por cima das calças de trabalho.
-Olá, querida. -Olá, miúda.
Esta é a primeira oportunidade de examinar a Athena.
Que fofa.
Olá. Vou pegar-lhe.
Está bem.
Tenho de ver bem, por isso, tens de a segurar.
Ainda tem o cordão.
Ela ainda tem o cordão umbilical. Só deve ter uma semana de vida.
É tão pequenina
e, como é bem evidente, agora somos as melhores amigas.
Podes só ter uma semana de vida.
A situação dela é grave.
Esteve sem a progenitora durante alguns dias.
Vamos ocupar o lugar dela e ela terá de perceber isso.
Ela come seis vezes por dia, de quatro em quatro horas.
Acordamos à meia-noite e às quatro da manhã
para garantir que esta menina tem tudo o que precisa.
Até acabar por ser desmamada, ao fim de seis meses.
Já está. Bom trabalho, miúda.
-Estou apaixonada por ela. -Eu também. Ela é muito espevitada.
Como é muito nova, será usada para consciencializar as pessoas.
Ou podemos levá-la a passear
e ela pode ajudar a consciencializar as pessoas sobre o boi-almiscarado.
O que foi? Viste?
Estás bem?
Dói-te a pata?
Reparei que a bebé Athena coxeia.
Não sei, mas ela coxeia.
Não sei se ficou ferida enquanto fugia do urso-pardo
ou o que mais pode ser. Temos de ficar atentos.
Está dorido.
O que achas?
Vamos prestar-lhe todos os cuidados e esperar que fique bem.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Vamos carregar a carrinha.
Estamos a preparar-nos para ir libertar a Pat.
Está um dia lindo para isso.
A Pat é o polvo-gigante-do-pacífico que temos aqui no centro.
Esta é a maior espécie de polvo que existe no mundo.
E existem em grande número na costa do Alasca.
Há uma semana, ela foi retirada daqui.
Isto pode ser-lhe familiar.
Os polvos morrem depois de se reproduzirem.
Põem os ovos,
protegem-nos até um ano
e, depois de eclodirem, a fêmea afasta-se alguns metros e morre.
Eu tornei-me muito próximo da Pat nos últimos três anos,
mas esta é a sua oportunidade de se reproduzir na Natureza.
Com sorte, encontra um macho com quem reproduzir. Esse é o objetivo.
Vai voltar para a natureza.
Isto é emocionante. Não é algo que se faça todos os dias.
Acho que a Pat também está animada.
Sabe que algo se passa. Deve estar animada.
Vamos levar o polvo Pat para um novo começo de vida,
perto do Centro de Vida Marinha, aqui na Baía da Ressurreição.
O plano de mergulho é levá-la até aos 12 m de profundidade.
Vamos encontrar um espaço seguro,
num ambiente que pareça adequado para um polvo.
Sem predadores. Com uma gruta em condições.
Este é o momento de liberdade dela.
A Pat despertou o interesse de muitas pessoas,
que já percebem que não são assim tão grandes, assustadores
ou perigosos. São muito curiosos.
Ainda há muito para aprender sobre eles.
Ela pareceu logo feliz.
Vimos a Pat a mudar de cor,
o que acontece quando muda de ambiente
e tenta passar despercebida.
Não sabe namoriscar, mas vamos ver como se porta.
CENTRO DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM DO ALASCA
Está na hora de alimentar as manadas, os ungulados.
Eles dependem da manada para se sentirem confiantes.
Precisam daquela camaradagem para não se armarem em parvos connosco.
A manada de bois-almiscarados terá mais dois elementos este verão.
A bebé Athena chegou a semana passada
e agora temos a bebé Artemis.
A Artemis também andava a fugir de um urso-pardo na colina.
Adora que lhe coce o traseiro. Gorducha.
Mas é bom ter dois novos, este ano.
Isso ajuda à sua saúde mental.
Só se podem juntar à manada no final da quarentena.
Mas hoje é um dia importante para elas e para a minha equipa.
Vamos juntar estas duas meninas.
São só duas, mas sempre se têm uma à outra.
Antes, temos de limpar o cercado, porque estiveram lá duas renas.
Temos de limpar o espaço e esta será a casa delas no verão.
Andei na faculdade durante 8 anos para agora andar a apanhar cocós.
Quanto mais depressa as bebés começarem a comer vegetação...
É bom.
... erva e salva...
Vai ajudar ao desenvolvimento do intestino.
Está na hora de as mudarmos.
Não vale a pena stressá-las, pondo-as na caixa,
quando podemos pegar-lhes ao colo e levá-las até lá.
Pronto.
Vamos numa aventura.
Está tudo bem. Estamos quase a chegar.
Eu sei.
Bom trabalho, Howie.
-Olá, senhorita. -O que achas?
Agora, tem muita erva.
A Artemis pode dar mais trabalho, mas acho que vai correr bem.
Não quero que fique stressada mais tempo do que é preciso.
Quanto mais depressa me mexer, mais depressa se junta à amiga.
O Austin desatou a correr.
Pronta para conhecer a tua amiga?
A Athena pesa 11 kg, a Artemis, 18.
Parecem David e Golias.
A Artemis é teimosa, espero que não seja bruta com a Athena,
que se entendam e sejam logo amigas. É o meu desejo.
A Artemis está muito assustada. É a maior, ao lado da Brittany.
A Arty é muito crítica.
Queremos ter a certeza de que não agride a Athena.
Vão ambas atrás das suas mães.
A Artemis esteve mais tempo na natureza. É maior.
Sabe ser um boi-almiscarado melhor do que a Athena.
Muito bem!
A Athena percebeu logo que também era um boi-almiscarado
e que eram amigas.
Acho que vão ser amigas para sempre.
A Athena ainda coxeia.
Vê-se que está dorida.
Achamos que deve estar torcido.
A veterinária vem cá para a semana. Veremos como está a pata da Athena.
Espero que a nossa menina esteja bem.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
-Poleiro! -Os sábados
são dias agitados no centro.
Vejo todas as aves que foram tratadas durante a semana.
E eu estou interessada nesta ave.
Quando se sobe uma escada de 22 m para ir buscar uma ave,
é impossível não se ficar afeiçoado.
Esta ave que tinha um ramo espetado na asa chama-se Skewer.
Mais uma.
O Skewer tem um orifício na asa deste diâmetro, mais ou menos.
Podem sair. Isto vai ser o caos.
Não quero que uma ave sofra sem necessidade.
Se o Skewer me mostrar, através do raio X
e da observação dos ferimentos,
que não se trata de uma ave que possa ficar em cativeiro,
que fique a arrastar a asa, terei de o abater.
Pus isto bastante mais claro para ver os tecidos moles
e vejo aqui tecidos moles inchados.
Se pensarmos no que esta ave passou...
Devia ir a planar e a bater as asas.
Foi uma sorte não ter partido nada
enquanto batia as asas contra a árvore.
Estou a ver os ossos.
Parecem-me bem.
Nesta altura,
contamos que o Skewer possa ir para um zoológico
ou para um programa de consciencialização.
Com o orifício na asa, não sei se poderá voar.
A Dra. V acha que ele não pode voltar à natureza,
mas ele é aguerrido, o que é um bom sinal.
Parece ter muita energia.
Meu Deus! Ele voou.
Estamos em choque com o facto de o Skewer voar
com um orifício deste tamanho na asa.
Há umas semanas, estava preso numa árvore,
a 22 m de altura, pela asa direita.
Temos de o apanhar, para a Dra. V ver se está a cicatrizar.
Vê só como voa tão bem. "Tenho dois orifícios na asa,
"mas vejam, voo mais alto do que vocês."
Como é que ele faz aquilo?
Agora que voa tão bem, vai ser difícil apanhá-lo.
Agora!
O Skewer é uma águia-careca pequena, mas tem uma personalidade forte.
Tudo o faz voar, ir contra as coisas...
Com sorte, a personalidade dele não lhe vai causar problemas.
Vamos fazer assim. O orifício...
Ainda está muito inchado, mas voa bem.
Bolas!
Tem o tendão exposto, o que não me agrada nada.
Não!
Isto não é bom.
Tinha uma crosta a formar-se.
Suspeito que, quando voou, a crosta abriu
e era isso que tapava o tendão.
Este tendão é essencial para voar.
Se o tendão secar,
a ave perde a capacidade de elevar a asa
e de voar, como é óbvio.
Estou a tentar um tratamento agressivo.
Tapei-o para não perder humidade e usei o laser.
Este é um laser frio
que aumenta o fluxo de sangue naquela zona.
Também pusemos a ave nos cuidados intensivos
para reduzir as hipóteses de abrir a asa,
porque vai puxar a crosta e levar a que a abra novamente.
Isso acabaria com as hipóteses desta ave conseguir voar.
Temos de o proteger dele mesmo para poder cicatrizar.
CENTRO DE VIDA MARINHA DO ALASCA
Aqui, no Alasca, estamos muito habituados
a ver animais selvagens a partilhar o espaço com o Homem.
E respondemos a chamadas de toda a parte.
Do ponto mais a norte do Alasca até ao sudeste.
Mas hoje não temos de andar muito.
Ligaram por causa de um animal aqui em Seward.
Temos lidado com um elefante-marinho no porto.
Esta é a quarta vez que temos de deslocar este animal
ou que surge em zonas públicas.
Da primeira vez, estava num parque de estacionamento
perto dos prédios do porto. Depois, apareceu em Lowell Point.
Agora teima em estar numa rampa para barcos em construção.
É a época do ano da ecdise. Tem mau aspeto,
mas é um processo normal.
Não parece nada incomodada com a construção,
mas a presença dela interrompe os trabalhos.
Hoje, parece muito mais desperta do que já esteve antes.
É melhor para nós, e para ela, levá-la para uma zona mais remota.
Vai pelo outro lado, Norm, para ela não...
Ponham a jaula debaixo dela.
Deve ser como quando se tem gripe.
Não se sente bem, não quer comer...
Ela escolheu esta rampa como nós escolhemos o sofá
quando estamos engripados.
Claramente, a distância que percorremos antes não chega.
Ela tem um forte sentido de conforto e continua a voltar.
Esperamos encontrar um espaço que lhe agrade tanto como a rampa.
Tem de ser convencida. Ela olha em volta,
avalia o espaço...
Temos de inclinar a jaula para a gravidade ajudar.
Vá.
Na melhor das hipóteses, ela decide ficar aqui
e não volta a Seward.
Olá, pequenina.
O que estás a fazer? Posso ver o teu olho?
Um dos nossos veados-mula parece ter
um canal lacrimal vermelho e inchado.
Vou tirar uma fotografia o mais perto possível...
És muito mal-educada.
... e enviá-la ao veterinário.
Ela tem o canal lacrimal direito inchado.
A veterinária acha que foi mordida por um inseto.
Se o inchaço não passar ou se piorar, aviso-a
hoje à noite ou amanhã, se virmos alguma alteração.
BOI-ALMISCARADO
No primeiro dia, a Arty e a Athena estavam céticas,
mas agora podemos cá vir e elas costumam estar deitadas
atrás do cercado, uma ao lado da outra.
Agora, fazem tudo em conjunto. São muito próximas.
Athena!
O facto de a Athena coxear preocupa-me.
A nossa veterinária veio cá e fez uns raios X
para percebermos o que se passa.
Anda, Artemis.
Recebi as radiografias da Athena.
Se puderes vir à enfermaria, vemos isto num instante.
Infelizmente, não temos boas notícias em relação à Athena.
Não é bom.
Estás a ver onde o osso está corroído?
Vê-se a placa do crescimento toda deteriorada,
o que indica uma infeção óssea.
No que toca a tratamento, a única opção é amputar a pata.
Mas ter um animal de 270 kg a andar só em três patas não é opção.
Deve ser muito doloroso.
Não é justo que sofra.
Depois de vermos as radiografias, soubemos que era o fim.
É grave.
Pensando no melhor para a Athena e na sua qualidade de vida,
vai ser melhor acabar com o seu sofrimento.
Anda, Athena. Está tudo bem.
Anda cá.
Como a Athena era pequena, fizemo-lo junto à enfermaria.
Levámos a Artemis para o lado oposto do pasto para não estar por perto.
Não ter de ver nada do que se passava,
porque ela já protege muito a Athena.
Afeiçoamo-nos sempre aos animais.
Não cuidamos bem deles se não nos entregarmos a eles
e os amarmos incondicionalmente.
Vai melindrar-nos sempre, perder um. Custa a toda a equipa.
Tentamos não nos afeiçoar logo,
porque é quando estão mais vulneráveis.
Eu nunca consigo.
Em dez minutos, a Artemis percebeu que algo se passava.
Andava à procura dela.
Custa muito ver a Artemis sozinha,
quando antes tinha a Athena.
Tivemos um desfecho terrível com um dos bois-almiscarados,
mas, com sorte, a Artemis terá um desfecho positivo
e vamos vê-la com os outros, a pastar
e a viver uma vida longa e feliz.
Sempre que uma ave entra por aquela porta,
o nosso objetivo é devolvê-la à natureza,
mas, às vezes, não são consideradas aptas a ser libertadas,
devido a algum ferimento definitivo ou incapacidade
que os impossibilita de caçar na natureza.
E é nessa altura que se tornam embaixadores
e consciencializam as pessoas sobre a sua espécie.
Temos acompanhado a cicatrização das feridas do Skewer.
Observamo-lo todas as semanas e não parece cicatrizar muito.
Esta semana, quando o observámos...
... parecia milagre.
Está muito melhor. Aqui, tinha uma crosta.
Passámos de uma crosta enorme para uma crosta pequena.
Foi incrível como cicatrizou por baixo.
Foi uma grande alteração, fez muito progressos.
E isso fez-me decidir pô-lo na Zona de Voo.
A Zona de Voo é a última fase da reabilitação das aves.
É a última oportunidade de reabilitação.
Tratar águias-carecas feridas tem um grande significado para mim.
Se pudermos consciencializar as pessoas de que são aves incríveis,
se pensarmos que são incríveis e que temos de salvar os seus habitats,
estamos a fazer qualquer coisa.
E essa é a mensagem que importa passar.
Aos três.
Um, dois, três.
Eu diria que ele desafiou a sorte, porque nunca tivemos um caso assim,
uma ave com um orifício enorme na asa. É incrível que voe.
Lá vai ele.
Mesmo com um orifício enorme na asa, voa de forma incrível.
Quero que ele fortaleça os músculos,
que abra as asas ao máximo
para não formar aderências
ou tecido cicatricial que o impeça de abrir as asas.
E, se ele continuar a cicatrizar, poderemos libertá-lo.
Vamos à pesagem semanal da Arty.
Anda cá, miúda.
Ela tem estado muito bem. É uma estrela.
Vai ser um ótimo animal de consciencialização.
Apesar de a Athena ter morrido, ainda temos a Artemis,
que precisa de amor, cuidados e atenção.
Temos de lhe dar o biberão, garantir que é saudável,
que desenvolve e alcança os pesos pretendidos.
Está mais comprida
e, se não quiser, não fica na balança.
Batoteira. Estiveste quase lá.
A Artemis é uma refilona. É um boi-almiscarado teimoso,
mas está muito bem. Tem engordado e está feliz.
Estamos entusiasmados por trabalhar com ela no verão.
Quarenta.
A Arty fica mais seis meses de quarentena
antes de ir para junto da manada.
Até lá, temos de passar o máximo de tempo possível com ela,
ser alguém com quem ela possa estar.
CENTRO DE AVES DE RAPINA DO ALASCA
Vamos entrar agora, Sheila.
Hoje é um dia importante. Se tudo correr bem, libertamos o Skewer.
Para começar, temos de o apanhar na Zona de Voo.
Ali está o Skewer.
E ver se o orifício na asa cicatrizou para ele ser libertado.
A Zona de Voo é um espaço em L, grande,
com uma zona alta, a galeria.
Nós precisávamos que ele voasse para lá para baixarmos o toldo
e o apanharmos numa zona mais pequena.
Não confiam em nós, como é suposto.
Temos de nos esconder.
Não me posso esconder junto ao interruptor para fechar o toldo
por isso, pensei levar um lençol da cor da parede
para me esconder.
É chato, mas resulta.
As aves entram e saem depressa.
Mas não ficam cá dentro.
Vai uma para aí.
Luxor... Não, é o Skewer.
Bolas!
Requer paciência.
É como pescar.
Vêm aí.
Pronto.
Temos o Skewer.
Aquele é o Skewer. Ali mesmo.
Podem filmar-lhe o rabo.
Estou ansiosa por ver o tamanho do orifício.
E também se o tendão cicatrizou por completo.
Rufar de tambores...
Estou nervosa porque, se não cicatrizou, não deve ser libertado.
Esta ave é trapalhona,
logo, o risco de ficar aos cuidados de seres humanos é maior.
-Queres abrir? -Sim.
Boa! Vejam só como está pequenino.
Só podem estar a brincar.
-E o tendão está tapado. -Está tão pequeno.
Era tão grande.
Boa!
Está incrível.
Tem penas a crescer
e o orifício está bem menor do que quando o pusemos no pavilhão.
É incrível.
Acho que podemos libertá-lo.
Só quando realmente vi a asa
é que disse que o podíamos libertar.
Foi emocionante levar o Skewer até à última etapa,
a rampa onde os libertamos.
O Skewer é a minha águia-milagre.
Foi um salvamento único.
Só pensava em como o Skewer apareceu pendurado numa árvore,
de cabeça para baixo.
E pensei que estava morto.
Depois, a montanha-russa do que ia acontecer...
E finalmente podermos libertá-lo.
A probabilidade de sobreviver era pequena quando o resgatámos.
Ele é um lutador.
É uma ave que vai sobreviver.
Esta é uma ave que nunca esquecerei.
Há sempre aves a precisar de ajuda.
O Skewer partiu, mas outras aves surgirão.
Haverá sempre mais.
Tradução e Legendagem Catarina Luís / MOVIOLA
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