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Boa noite.
E obrigado por me deixar entrar em seus lares.
Tudo aconteceu t�o de repente.
Eu vinha caminhando e ouvi uma voz que dizia...
um ponto para dentro, um ponto para fora..
Ent�o fui ver o que estava havendo.
O pior de tudo � que esqueci minha permiss�o para ca�ar.
Bom, o espet�culo deve continuar, embora talvez eu n�o.
O epis�dio desta noite chama-se O legado.
Este os transportar� a Palm Beach...
onde se acotovelar�o com os ricos folgaz�es...
e os membros do jet set internacional.
Mas antes de ver estes playboys in�teis...
de uma sociedade decadente...
sigamos os conselhos de um homem s�rio...
produtivo e constante.
Um dos pilares de nossa civiliza��o...
e o grande benfeitor da televis�o...
nosso patrocinador.
O LEGADO
Palm Beach, onde o sol passa o inverno...
e a gente paga fortunas para passar um dia...
e sair na se��o das Sociais.
la caminhando no terra�o de meu hotel e me perguntava...
com qual dos velhos habituais me encontraria primeiro.
Cecilia Smithson ou o coronel Blair?
E n�o estava muito equivocado. Encontrei aos dois de uma vez.
Pelo amor de Deus! Randy Burnside. Bem-vindo a Palm Beach.
Cecilia, querida, est� totalmente encantadora.
Fiz a cirurgia na cara. Ainda me d�i quando me rio...
mas a pele se estica como a borracha, j� sabe.
- Conhece coronel Blair? - Sim, claro. Como vai, Coronel?
- Bem-vindo a bordo. - veio com seu navio, Coronel?
N�o, s� com minha artrite e meus naipes.
Sente-se, Randy.
Perd�o, ele � Randolph Burnside, o famoso escritor ingl�s.
- Ela � Irene Penetre. - Encantado.
Encantada, Sr. Burnside.
Advirto-te que � um homem muito perigoso, Irene.
Diz que vem a Florida pelo sol...
mas na verdade est� reunindo material para o pr�ximo livro.
Eu n�o corro perigo.
O senhor s� escreve hist�rias fascinantes sobre gente sofisticada.
Nenhum de voc�s corre perigo desta vez...
porque j� escolhi o protagonista de meu pr�ximo livro.
� o playboy, amante e esportista mais encantado que h�.
E parece estrela de cinema?
� milion�rio? Tem um t�tulo?
vai participar da corrida automobil�stica de Sebring...
e de se espera que chegue esta noite?
O segui de Bombay a Biarritz...
e devo Ihes confessar que � fabuloso, supera sua pr�pria reputa��o.
Quem � esse homem t�o incr�vel?
Vamos, Irene, ningu�m pode ser t�o ignorante.
Quem vai ser? O pr�ncipe Burhan.
Burhan? Esse pr�ncipe da �ndia?
que destronaram faz dois anos na revolta?
Sim, esse mesmo.
Madame, preparo o enfeite da salada?
N�o, obrigado.
- Irene,voc� o faria? - eu adoraria.
- Obrigado. - Por favor, n�o parem.
Irene prepara um enfeite delicioso.
- � sua nova secret�ria? - Randy, n�o seja tolo.
� a esposa do Howard Penetre.
Howard Penetre? O petroleiro texano?
N�o � incr�vel?
Me toca?
6-4, 4-6, 6-1, acredito que � o melhor casal de dobros mistos que tive.
Olhem, a Bela e a Fera.
O belo sou eu, claro.
Randy, ele � Howard Penetre, o marido de Irene, e ela � Donna Dew...
uma nova estrela de Hollywood.
- Ele � Randolph Burnside, o escritor ingl�s. - Muito prazer.
Sr. Burnside, sacrificaria meu bra�o direito se escrever um roteiro para mim.
Um filme sobre uma garota maneta. Seria um �xito de bilheteria.
Donna, est� de f�rias.
Como foi, querido?
Com a Donna de meu lado? N�o pod�amos perder.
- Ela faria maravilhas por meu dinheiro. - Deveria se banhar e se trocar.
N�o tenho tempo. Iremos pescar. Est� pronta?
N�o sei. O sol est� muito forte...
e prometi no est�dio que n�o iria bronzear.
Sr. Burnside, eu...
Irene, � um manjar, um verdadeiro manjar.
Obrigado, Cecilia. Hoje � um dia perfeito para navegar.
E eu tenho um creme fant�stico que protege a pele.
- Bom. - E tamb�m trarei suas vitaminas, querido.
- Bom,leve isto, por favor. - Est� bem.
- Estaremos no porto. - Sim.
At� mais tarde.
Olhe, se pescar t�o bem como joga t�nis...
Viram algo mais desagrad�vel?
- Se refere � atitude do marido? - N�o, � toler�ncia da Irene.
T�o Santa paci�ncia me causa indigest�o.
- Sim, � um pouco nauseabundo. - E o que vai fazer a pobre?
Ao fim e ao cabo, sabe que � insignificante.
Teve sorte de se casar com um magnata e n�o vai desperdi�ar.
Teve sorte?
Vamos, Randy, o que passou a seu olfato infal�vel?
Irene � 10 vezes mais rica que Howard. At� � mais rica que eu!
� a propriet�ria das Corti�as Ruggles.
Cada vez que algu�m abre uma garrafa no pa�s, ela ganha dinheiro.
E por que tolera tudo isto?
Porque, por mais triste que pare�a, ela o ama.
A Srta. Dew n�o est� linda?
Querida, toda a popula��o feminina de Palm Beach...
se maquiou para matar esta noite.
Todas esperam que apare�a o pr�ncipe Burhan...
e n�o vejo a hora de saber quem ser� a feliz ganhadora.
Oxal� n�o seja a Srta. Dew. Howard fica muito bem com ela.
Querida, como fala parece a m�e, n�o a esposa.
N�o consigo convencer a Cecilia de que Howard e eu somos muito felizes.
Quase todos os casados t�m um hobby. Uns jogam golfe, outros juntam figurinhas.
- Howard coleciona mulheres belas. - Que original de sua parte!
Confesso que no princ�pio do matrim�nio me incomodava.
Quando entendi que suas paqueras eram inofensivos, me passou.
Me dou por vencida.
A Sra. Penetre tem uma sabedoria at�pica em uma mulher t�o jovem.
- Obrigado, Sr. Burnside. - Ol�.
Coronel, saia para dan�ar, far� muito bem para a sua artrite.
vamos!
Pr�ncipe Burhan, � um prazer v�-lo.
Recorda que dan�amos em Acapulco?
Voltaremos a dan�ar, em Acapulco.
Com lincen�a. Vejo um amigo.
Burnside, Muito prazer em v�-lo.
Tinha a leve suspeita de que estaria aqui.
O mundo � um len�o, Sua Alteza.
- Nos dar� a honra de nos acompanhar? - esperava por isso.
- Pr�ncipe Burhan, Cecilia Smithson. - Muito prazer.
- O coronel Blair. - Muito prazer.
Uma j�ia de Hollywood, a Srta. Donna Dew.
Ol�.
- O Sr. Howard Penetre. - � um prazer.
E a Sra. Penetre.
Uma cadeira para Sua Alteza.
O chef Ihe preparou um jantar especial para Sua Alteza.
Agrade�am-Ihe, mas j� jantei no avi�o.
vamos tomar champanha, da que est�o bebendo meus amigos.
Sim, senhor.
Oxal� ganhe a corrida de Sebring, Sua Alteza.
- Obrigado, Srta. Dew. - J� enviou o autom�vel de antem�o?
N�o, tem que chegar amanh� em meu navio.
Eu vim no avi�o do Deauville.
Veio sozinho?
N�o, madame Smithson, trouxe meu co-piloto...
a meus empregados e dois mec�nicos ingleses.
Me permite esta pe�a, Sra. Penetre?
- Quer dan�ar comigo? - Se me conceder a honra...
Mas faz anos que n�o dan�o. Sou muito m� dan�arina, Sua Alteza.
� s� uma rumba, madame. N�o � um concurso.
- N�o Ihe incomoda, Sr. Penetre? - Por nada.
Donna, quer se mover um pouco?
O pr�ncipe est� generoso esta noite.
Generoso? Pr�digo, melhor dizendo.
Gosta de navegar?
N�o. Sou um aporrinho no navio.
- Joga golfe? - N�o.
- E t�nis? - N�o.
Sabe montar?
Temo que minhas atividades s�o muito limitadas e comuns.
Cuido de meu marido, me ocupo de minha casa em Nova lorque...
cozinho, disco e le�o.
E n�o come, n�o caminha, n�o fala?
Bom, sim.
Muito bem. Ent�o amanh� almo�aremos juntos e logo iremos caminhar...
e falaremos enquanto caminhamos.
De acordo.
Mas se encontrar algo mais divertido para fazer, n�o me ofenderei.
vamos, l� vai o ramo de cada dia.
Cinco d�zias de rosas vermelhas cada manh�.
O quarto de Irene deve parecer uma funer�ria.
- Burhan se est� excedendo com a brincadeira. - Isto deixou de ser uma brincadeira faz dias.
S�rio? Como o explicam agora?
- Voltamos para a teoria do complexo do �dipo. - � absurdo!
Nenhum homem dan�a todas as pe�as com sua m�e, noite ap�s noite.
Bom, sem d�vida � um romance totalmente ins�lito.
Um jovem pr�ncipe, rico e arrumado...
apaixonado por uma simples dona-de-casa n�o t�o jovem.
- por que? Pergunto-me por que. - Talvez se sente atra�do.
Tolices. Irene � ador�vel, mas n�o pode atrair nem a um mosquito.
Algo obtiveram, entretanto.
deixaram em rid�culo o Howard Penetre.
- bom dia. - Ol�.
- Interrompo algo? - Por nada.
S� fal�vamos de sua esposa.
referem-se �s cuidados que Ihe brinda o pr�ncipe azul.
- N�o se preocupa? - me preocupar? por que?
Por isso dizemos a suas costas.
Claro que n�o. Irene e eu estamos acostumados a isso.
E tamb�m nos entendemos e temos confian�a absoluta.
Com sua permiss�o. Donna me espera na quadra de t�nis.
- A� est�o. - Fecha o punho, por favor.
Burhan.
Tem os p�s muito maiores que Howard.
Sempre tem que chamar a ele?
� meu marido.
Se eu n�o soubesse, jamais o adivinharia.
Obviamente, � o �nico em Palm Beach que n�o est� pendente de nossa rela��o.
Porque � o �nico que a entende.
Posso ver.
E qual � sua interpreta��o?
Howard sente que est� farto dos t�picos romances...
e que busca uma companheira tranq�ila que n�o Ihe pe�a nada.
Como se atreve a Ihe insultar?
N�o � um insulto. � a �nica explica��o l�gica.
Devo admitir que escut�-la me acalmou muito.
Suas cuidados inesperados...
me perturbaram o bastante, como ter� notado.
por que perturbaria saber que um homem se sente atra�do por voc�?
Porque n�o sou cega. Neste lugar h� muitos espelhos.
N�o tenho id�ia do que v� quando se olha ao espelho.
S� posso Ihe dizer o que eu vejo quando Ihe miro.
Do primeiro momento me senti atra�do por ti.
Ap�s, tive a oportunidade de Ihe conhecer.
Agora, cada vez que Ihe Miro...
vejo a mulher mais incr�vel que conheci.
Por favor, Burhan. Tenha cora��o.
Tenho um cora��o, e est� cheio de amor e desejo.
A amo, Irene.
N�o, Burhan! Espera.
me ame. Ser� a mulher mais feliz do mundo.
Apenas pense.
Desde minha posi��o, o que vi parecia uma briga de amantes.
Sr. Burnside, tem que me ajudar! � escritor e conhece o Burhan.
- O que aconteceu? Est� a incomodando? - N�o.
� s� que n�o o entendo. N�o tem sentido.
Me d� vergonha diz�-lo...
mas ele afirma que est� apaixonado por mim.
por que Ihe d� vergonha?
Esperava que fosse sincero comigo.
me olhe. Sou uma mulher comum...
tenho mais de 30 anos, n�o sou divertida. N�o sou o tipo de mulher que os pr�ncipes amam.
me diga uma coisa, sente prazer em estar com ele?
Sim, e isso � o que me perturba.
Ver�, meu marido n�o tem muito tempo para estar comigo.
Bom, ent�o, em seu lugar, eu desfrutaria da companhia do pr�ncipe...
e esqueceria das conseq��ncias.
Obrigado, Sr. Burnside.
Segundo fontes n�o oficiais, Burhan alcan�ou os 200 km/h.
- Sim, Irene me contou isso. - Oxal� ganhe a corrida de amanh�.
� hora de jogar p�quer. E o pr�ncipe?
- N�o est� dan�ando? - N�o.
Devem ter ido procurar o xal� de Irene. Tinha frio.
- Obrigado. - Por voc�.
Boa sorte amanh� na corrida. Que retorne s�o e salvo.
Usei os melhores argumentos para me convencer de n�o Ihe amar.
E n�o consegui.
N�o comecemos de novo.
- Podemos ser bons amigos. - Amigos? N�o.
Voc� � a �nica mulher que amei.
Burhan, isto n�o pode continuar assim. N�o quero ouvir...
Sei que voc� tamb�m me ama, mas � muito decente para admiti-lo.
Seu marido n�o a ama. N�o a quer.
se divorcie e se case comigo.
Sinto muito, nunca Ihe ocultei que amo o Howard, n�o me divorciarei.
Olhe, Irene, se n�o se casar comigo, me Mato.
Basta! N�o sabe o que diz.
N�o tem direito de me fazer isto.
De acordo.
Posso Ihe dar um beijo de despedida?
N�o, Sua Alteza.
Se interpretou mal meus sentimentos, lamento-o muito.
Acredito que ser� melhor que n�o voltemos a nos ver.
N�o. N�o voltaremos a nos ver, isso sei.
Perd�o pela interrup��o, querido pr�ncipe...
mas o Sr. Penetre o procura por toda parte.
Esperam-no para jogar p�quer.
Sim.
Obrigado.
E bem? O que passou desta vez?
Diz que se n�o deixar ao Howard para me casar com ele...
- vai se matar. - est� se pondo muito pesado!
- Disse-Ihe que n�o queria voltar a v�-lo. - E isso era o que terei que fazer.
E se ele falava a s�rio?
E se se mata de verdade?
Jamais me perdoaria isso, n�o poderia super�-lo.
Irene, recorda o que voc� mesma me disse.
N�o � o tipo de mulher que um pr�ncipe se apaixona perdidamente.
S� � um novo desafio para ele, e se tivesse ganho...
n�o a teria conservado a seu lado por muito tempo.
� um homem estranho...
de um pa�s estranho.
Se o tivesse conhecido antes de me casar com o Howard...
tudo poderia ter sido diferente.
MORREU O PR�NCIPE BURHAN
Playboy oriental morre em misterioso acidente automobil�stico
por que Ihe ocorreu dirigr a noite em um autom�vel de corrida pela auto-estrada?
Tinha bebido.
- S� queria causar sensa��o. - Foi um suic�dio.
Pela Irene, isso � absurdo.
Deixou-Ihe $28.000 de rosas.
Sr. Penetre, acredito que Ihes conv�m sair por aqui.
O lobby est� cheio de jornalistas e fot�grafos.
Tenho um autom�vel esperando atr�s.
Obrigado. Muito am�vel.
Olhem que atua��o.
A Dama das Cam�lias de Palm Beach.
Quer que todos pensem que se suicidou por ela.
Lamento as decepcionar, senhoritas, mas isso foi o que aconteceu.
Ontem � noite o pr�ncipe Ihe disse que se n�o
se divorciava para se casar com ele...
iria se suicidar.
Passei os tr�s meses seguintes trabalhando na Jamaica.
Quando ia ver meu editor, fiz uma escala na cena do delito.
- Ol�. - Sr. Burnside.
- O que faz em maio em Palm Beach? - estou a caminho de Nova lorque.
Terminei o livro sobre o pr�ncipe e devo admitir que, como escritor...
n�o podia ter pensado um final t�o depressivo.
Sente-se.
A s�rio acredita que se suicidou porque estava apaixonado pela Sra. Penetre?
claro que sim, estou certo disso.
N�o estava apaixonado. Estava quebrado.
Seu iate, seu avi�o e seus castelos estavam hipotecados.
- Sua conta no hotel est� sem pagar. - N�o posso acreditar.
� imposs�vel.
O vi ganhar mais de $28.000 na noite que se suicidou.
O que s�o $28.000 para um homem que deve milh�es?
Era um jogador contumaz.
E a Sra. Irene Penetre com sua empresa de corti�as era a �ltima oportunidade.
- Quer dizer que procurava seu dinheiro? - Sim.
E � uma l�stima que n�o tenha triunfado, era um cavalheiro encantador.
Ent�o, quando Irene o recha�ou...
- se suicidou. - N�o. N�o se suicidou
Morreu por culpa de seu mec�nico...
que desconectou os freios do autom�vel...
sem imaginar que ele iria us�-lo em plena noite.
- Foi um acidente casual? - Sim.
Embora os fatos se ocultaram da imprensa...
por solicita��o da fam�lia do pr�ncipe.
Queriam proteger a reputa��o do rei.
Sei que voc� ser� discreto.
� obvio, n�o vou mudar meu livro nem vou dizer nada a ningu�m.
Salvo � Sra. Penetre. Ela tem direito ou seja.
Deve saber que n�o teve nada que ver com a morte do pr�ncipe.
Estava muito perturbada porque se sentia culpada.
vou visit�-la em Nova lorque.
- Como foi o v�o? - Muito bem. Obrigado.
Bom. Irene vir� em seguida.
Tivemoss um evento de caridade e ela chegou tarde em casa. Uma bebida?
Obrigado.
Ficou muito perturbada depois de Palm Beach.
N�o podia comer nem dormir. Perdeu interesse por tudo e por todos.
temia isso.
Mas agora, gra�as a Deus, est� come�ando a se recuperar.
consegui despertar seu interesse pelas obras de caridade...
- e as organiza��es civis. - Obrigado.
Por certo, pe�o-Ihe que n�o mencione o Burhan.
- Me entender�. - � obvio.
me diga, viu � Srta. Dew ultimamente?
N�o. J� n�o tenho tempo para essas coisas.
Entre minha empresa e o cuidado com Irene, estou muito ocupado.
Nunca me tinha dado conta que Irene precisasse tanto de mim.
Do muito que dependia de mim.
Randy.
Que alegria me d� Ihe ver.
Irene, est� linda.
Obrigado.
Querido, me traz a estola?
N�o ter� frio, meu bem?
- me fa�a um favor, usa o casaco. - Bom, meu amor.
Howard est� muito am�vel e generoso.
- Me deu isso de presente no nosso anivers�rio. - � uma formosura.
Mas trabalha muito.
Roguei-Ihe que tire umas f�rias...
e v� sozinho para Honolul�, mas n�o quer.
- por que n�o vai com ele? - eu adoraria.
Mas estou em meio de uma campanha de caridade. Com lincen�a.
Ol�. Max.
Sim, me interessa financiar a obra.
Mas primeiro tem que me fazer um favor.
Fa�a um teste para o papel principal de Felix Forrester, um ator jovem.
� jovem e muito talentoso, no meu entender.
Bom, direi para Ihe ligar. Adeus, querido.
Terminou seu livro sobre o pr�ncipe Burhan?
- Sim. - Me alegra que o tenha escrito.
Era um homem estranho e apaixonado...
solit�rio, incomprendido, todo um rom�ntico.
Devia nascer em outro s�culo.
- Toma, meu bem. - Obrigado, meu amor.
- vai vir conosco, n�o? - N�o. Tenho outro compromisso.
Mas disse que tinha algo importante que me contar.
Sim?
me esqueci o que era.
- N�o ter� sido t�o importante. - Bom, tudo bem.
A� estavam, eram um casal feliz, e tudo porque acreditavam...
que o pr�ncipe Burhan se havia suicidado por amor a ela.
Lhes tinha deixado um grande legado...
e n�o era eu que iria Ihes roubar isso /i>
Voc�s o teriam feito?
Suponho que se perguntam como escapei.
Por sorte, a minha captora soltou um ponto no momento cereto.
Se por acaso se perderam alguns tombos freudianos da hist�ria...
oferecerei uma breve explica��o.
Irene Penetre era um bicho-tesoura compulsivo
com complexo de madame inferioridade.
Howard Penetre era um tipo extrovertido
que padecia de libido regressiva...
complexo do Edipo, esquizofrenia e muito baixa resist�ncia �s vendas.
O autom�vel esportivo do pr�ncipe sem d�vida simbolizava a sua m�e.
Sempre quis dirigi-la...
e o acidente n�o foi ocasionado por um engui�o nos freios.
O autom�vel tinha problemas psicosom�ticos...
mas j� fez terapia e agora est� muito melhor.
Espero que isto esclare�a tudo.
E agora, o patrocinador vai se dedicar a seu pr�prio simbolismo.
Para isto n�o tenho explica��o alguma.
Espero que o tenham desfrutado. ao Freud teria encantado.
Nos veremos na pr�xima semana, com uma nova hist�ria.
boa noite.
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