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SIL�NCIO
Boa noite.
Voc�s acreditam em fantasmas?
Claro que n�o.
Eu sabia que n�o acreditavam.
O ru�do � o inimigo mortal Dos bons filmes...
E dos bons programas de televis�o.
Por isso aluguei esta casa e n�o outra.
� quieta como um tumulo...
A maioria do tempo.
E os rumores de que � assombrada...
Mant�m os curiosos longe.
As mudan�as de cen�rio Tamb�m parecem melhores aqui.
O elemento humano est� ausente.
Assim, recostem-se e relaxem...
Vou Ihes contar uma hist�ria de fantasmas.
Por favor, n�o duvidem, apaguem as luzes.
Estou seguro de que a luz c�lida do televisor...
bastar� para dissipar todos os medos que possam ter da escurid�o.
Mas antes de come�ar a nos assustar...
Permita-me apresentar a hist�ria com orgulho.
O CAVALHEIRO DA AM�RICA
Londres - Maio de 1940
Brown Meadow Ihe leva dois corpos ao Harry's Rose.
Os seguem Headstrong, Pretty Polly e Sabrina.
Atr�s v�m Curly Top, Healtheon e Nutmeg a uma grande distancia.
Faltam duas voltas.
- Ol�, Stephen. - Derek.
- Apostou nesta corrida? - Claro.
- Em qual cavalo? - Em Brown Meadow, o favorito.
Mas n�o devem pagar muito. N�o ser� mais que 3 por 1.
Dois e m�dio, mas tenho que ganhar.
Devo quase �600 aqui, no clube...
E tenho que me apresentar ao almirante depois de amanh�.
- Querem me levar a guerra. - A mim tamb�m.
Inglaterra quer que todos cumpram seu dever e paguem suas d�vidas.
Vamos, Curly Top, vamos, mais r�pido, Curly Top. Vamos!
Curly Top, se Lanning mantiver o ritmo.
Sim, ganha Curly Top por meio corpo.
Eu apostei �500 em Curly Top.
Bom, agora devo �1.000.
Eu apostei �500 em Curly Top.
- N�o, est� brincando? - Sim.
Escutaram isso? Latimer apostou �500 em Curly Top, que est� pagando 10 por 1.
Como escolheu o cavalo?
Bom, o porteiro do hotel me deu a dica.
Ele necessita tanto dessas �5.000 como outro po�o de petr�leo.
- O conhece? - � americano, chama-se Latimer.
Sabe jogar p�quer?
Provavelmente.
Ent�o, gostaria de conhec�-lo.
Porque n�o o convida pra tomar algo?
Certo.
Stephen, quero te apresentar meu amigo.
Howard Latimer, este � Stephen Hurstwood.
- Muito prazer. - Sir Stephen, � uma honra.
Faz tempo que est� na Inglaterra, Sr. Latimer?
N�o, senhor. S� duas semanas.
Estes �ltimos meses estive no continente.
N�o tenho fam�lia...
Assim trato de aproveitar para viajar enquanto posso.
Suspeito que esta guerra falsa n�o durar� muito mais.
Estou de acordo.
Em qualquer momento as coisas v�o come�ar.
Derek e eu organiz�vamos uma jogo de p�quer para esta noite.
Gostaria de vir?
Bem, muito obrigado, mas n�o pode ser outro dia?
� que hoje quero fazer algo mais fr�volo...
Como ver um espet�culo e ir a um clube noturno. Obrigado.
- Quer tomar um trago? - Ok.
Bem. O que quer beber, Latimer? Um u�sque com soda?
Sim, isso est� bom, obrigado.
Poder�amos jogar p�quer amanh�.
Temo que manh� n�o possa...
Tenho que ir a Hurstwood.
O governo ocupar� o lugar at� o fim da guerra.
Suponho que v�o instalar um sanat�rio ou algo assim.
Deve Ihe dar uma grande satisfa��o e um certo assombro...
Ser dono de um lugar como Hurstwood, com a hist�ria que tem.
Sim, eu pensava assim.
Acredito que n�o o entendi.
� que com todas as hipotecas e os impostos da heran�a...
Minha posse de Hurstwood � puramente nominal.
O pai do Stephen morreu faz poucos meses.
E, como depois de amanh� me incorporo ao ex�rcito, n�o vou estar por aqui.
os da hipoteca e os cobradores de impostos...
Poder�o brigar com o fantasma pela posse.
Eu Ihes desejo sorte.
- Com o fantasma? - O fantasma do Hurstwood. � muito famoso.
� uma brincadeira?
Claro que n�o.
Quer dizer que voc�s acreditam que h� um fantasma de verdade?
- Voc� o viu? - N�o.
N�o aparece entre os membros da fam�lia.
S� aparece se tentar passar a noite na sala Cromwell.
Vejo que falam s�rio.
� que eu n�o acredito em fantasmas, sabem?
� certo, h� muitos que n�o acreditam, sabem?
Claro, porque nunca viram um.
Voc� quer dizer que quando algu�m tenta...
Passar a noite nessa sala, aparece o fantasma?
� isso.
� poss�vel...
que me permita passar a noite l�?
Eu adoraria deix�-lo passar a noite na sala.
Perfeito. Sabe por qu�? Sempre quis...
E tamb�m, adoraria apostar a que n�o consegue.
� obvio, fa�amos uma aposta. Quanto apostamos?
Muito bem, �1.000.
�1.000?
- Bem, se n�o poder pag�-la... - Claro que posso.
� que acho um absurdo apostar �1.000 em algo...
que estou seguro de ganhar.
Perd�o, mas eu nunca aposto menos que isso.
Tudo bem, trato feito.
Bom.
Bem, boa estadia.
Mans�o Hurstwood
- Latimer? Derek? - Sim, por favor.
Eu n�o quero, obrigado.
N�o quero que as bebidas espirituosas fa�am-me ver um esp�rito de verdade.
Quer uma bebida n�o espirituosa?
Sim.
- Tome. - Obrigado.
Agora, para confirmar que todos entendemos as condi��es da aposta...
eu tenho seu cheque de �1.000 e o de Stephen.
Se passar toda a noite na sala, voc� ganha.
Se antes de 6:00 da manh�, sair por algum motivo...
Stephen ganha.
- De acordo? - De acordo.
Correto.
E s� ter� uma vela e um f�sforo.
Ir� entender melhor quando souber mais sobre o fantasma.
Isso � o que queria saber. De quem � o fantasma?
Qual � a hist�ria...?
De qualquer forma, nesse setor se usam velas.
Nunca se fez a instala��o el�trica.
N�o me incomoda a vela. O que me dizem do fantasma?
Ah, sim. H� outra coisa.
Para estar totalmente seguro ser ele aparecer...
que n�o � um mortal...
Pode usar isto.
Acho que n�o ser� necess�rio. N�o sei muito sobre armas.
Tolice, � muito simples.
Esta engatilhada. Tem um total de sete balas.
Tome, prove.
- Provar? Como? - Atire na lareira.
N�o vai machucar ningu�m.
- N�o � necess�rio. - Vamos l�!
Veja como � simples � se depois, n�o a querer, n�o a leve.
Tudo bem.
Tome.
Agora aponte para a lareira e pressione o gatilho.
Precisa melhorar um pouco mais a pontaria, meu velho...
� n�o ser que seja um fantasma muito grande.
Embora, acredito que n�o aja necessite, a n�o ser que o fantasma se aproxime.
Agora est� travada de novo.
Quer lev�-la ou n�o?
Eu acho que sim.
E devo advertir que a usarei se a ocasi�o pedir.
Ainda quer que fique?
� claro que sim.
Ao menos estar� preparado para os...
Humanos.
Est� preparado?
- Sim. - Ent�o, me siga.
Bem, aqui estamos.
Obviamente, n�o pode acender o fogo.
- Espero que n�o seja muito inc�modo. - Est� bem.
Est� tudo bem, durmo melhor quando faz frio.
Dormir?
- Sinceramente acha que vai dormir? - Claro.
Embora esteja interessado no fantasma...
Ainda mais agora, que n�o pude Ihe obter nenhuma informa��o...
N�o poderei esper�-lo a toda noite.
Se o fantasma tiver algum assunto comigo...
Pode me despertar.
Sim.
Quer saber sobre o fantasma.
Acredito que encontrar� toda a hist�ria aqui.
Sim, aqui est�.
S�rio?
Sir Stephen, n�o sabia que o fantasma figurava em um livro.
Vejamos. O fantasma do Hurstwood.
Sim, � muito interessante.
Entendo.
Queria que lesse isto quando ficasse sozinho aqui...
Para que as sombras e o sil�ncio tornassem tudo mais convincente.
Se preferir n�o l�-lo, n�o o leia.
- N�o � parte da aposta. - Lerei. N�o perderia isso por nada.
Bom, tome sua vela.
J� tem a pistola e aqui tem o f�sforo.
- Suponho que n�o tem outros guardados. - N�o.
- Mas, tome meu isqueiro. - Obrigado.
Quer acend�-la agora?
N�o, obrigado, acredito que esperarei at� que saiam...
- Para que nenhuma corrente a apague. - Boa id�ia.
Sim, muito prudente, se me permite diz�-lo.
Tome a chave.
- Boa noite. - Boa noite.
Boa noite.
"A hist�ria do fantasma de Hurstwood data de princ�pios do s�culo XIX...
"quando o tatarav� do atual bar�o...
"herdou a mans�o de Hurstwood.
"Ele esperava que suas duas filhas voltassem da Europa, onde estudavam...
"Mas, estas chegaram um dia antes do esperado...
"E ele n�o estava presente...
"De modo que, a �nica pessoa que as recebeu, foi uma velha empregada
"Que terminou seu trabalho e se foi antes do anoitecer.
"As jovens acharam s� uma parte de vela...
"Com a qual iluminar o quarto de dormir.
"Entretanto, ao chegar ali as jovens mantiveram o �nimo...
"Em especial Julia, a mais aventureira das duas.
"Estavam conversando sobre a cama, � luz da vela...
"Quando de repente Ihes pareceu ouvir um som que vinha de abaixo.
"Como se algu�m estivesse percorrendo a casa.
"Geraldine se assustou, mas Julia disse que ia investigar.
"Geraldine quis dissuadi-la, mas n�o conseguiu.
"Julia tomou a vela e se foi...
"Enquanto Geraldine esperava com medo, sua volta.
"Ent�o, depois de um longo silencio, ouviu um som estranho...
"Que n�o p�de distinguir.
"Esperou muito atenta aos sons, mas n�o voltou a se repetir.
"Finalmente, ouviu um som de passos que subiam pela escada...
"Aproximando se pelo corredor e entrando no quarto.
"Geraldine chamou a sua irm�, mas n�o obteve resposta...
"E os passos se aproximavam dela.
"Ent�o come�ou a rir nervosa e rogou a Julia que n�o fizesse brincadeiras...
"mas ningu�m Ihe respondeu, e os passos se detiveram junto a sua cama.
"Geraldine estendeu a m�o e sentiu um grande al�vio...
"Ao tocar o tecido suave da camisola de sua irm�.
"Ent�o levantou a m�o para Ihe tocar o rosto...
"E sentiu algo �mido e quente.
"No outro dia, quando o pai chegou...
"Deparou-se com uma cena espantosa.
"Na escada havia uma trilha de sangue com rastros que se dirigiam para cima.
"No ch�o do quarto de suas filhas...
"Estava o corpo da Julia decapitado...
"E na cama, estava sua adorada Geraldine...
"Com o cabelo branco como a neve...
"E os l�bios murmurando os del�rios de sua mente torturada.
"Com o tempo, reconstru�ram a hist�ria a partir de seus desvarios...
"Mas ela nunca recuperou a sanidade.
"Atribu�ram o fato, a um louco assassino...
"Que tinha escapado recentemente do vizinho, o Sanat�rio Sunnyview. "
Que monte de tolices!
O que � isso?
Bem, l� vamos n�s.
Ol�, sir Stephen. Ou � voc�, Derek?
Menos mal que veio, porque estava me entediando.
A prop�sito, amigo, esqueceu algo. Sua cabe�a.
Convidaria-te pra entrar, mas acho que j� � muito tarde.
Bom truque, esse de entrar.
Como o fez? H� uma porta corredi�a?
Lindo efeito, eu adoraria saber como o faz.
O faz profissionalmente, ou s� para entreter seus amigos?
Por certo, quando chegar aos p�s da cama...
Pode ficar, se n�o se incomodar.
� um fantasma bastante taciturno, n�o �?
Deveria te advertir que tenho uma pistola...
E estou disposto a atirar se n�o parar agora mesmo.
Olhe, n�o se aproxime mais, ouviu?
N�o se aproxime mais!
Muito bem!
N�o me ouviu?
Eu disse pare. Eu disse...
N�o se aproxime mais!
Quer que saia correndo, mas n�o farei isso!
N�o farei!
Mans�o Hurstwood - Outubro de 1945
Acho que � melhor que uma demoli��o.
Embora seja triste de qualquer modo, n�o?
Pelo menos, desta forma fico com um pouco de dinheiro.
Mais do que vale, para falar a verdade.
Sim, � verdade.
- Disse que um canadense vai compr�-la? - Sim, um piloto.
Passou umas semanas aqui...
Quando foi ferido na Batalha das Ardenas e gostou.
� muito rico. Acredito que � petroleiro.
Como aquele sujeito americano.
Acredito que o nome era Lorimer ou algo assim.
Lembra-se dele?
Recebeu alguma not�cia dele?
Ah, sim.
Latimer.
N�o, n�o recebi nenhuma not�cia.
Deve ter voltado a seu pa�s e se unido ao ex�rcito quando entraram na guerra.
Parece que se passou um s�culo, n�o?
Como ter� ficado?
Verdade.
Ora, � o cavalheiro americano.
Sr. Latimer.
Ol�, Latimer.
Ao que parece, ficou bastante bem, depois da guerra.
- Digo, parece �timo. - Obrigado.
Muito am�vel de sua parte. De fato, me sinto bastante bem.
Latimer, que surpresa agrad�vel.
E estranha.
H� um momento fal�vamos sobre voc�.
Verdade.
Stephen ficou um pouco coxo, mas todos sobrevivemos...
- E suponho que isso � o que importa. - Sim, n�o � verdade?
Sabe? Nos deus um susto aquela noite que ficou aqui.
Quando desmaiou. Achamos que tinha morrido.
Sim.
N�o pod�amos Ihe pudemos sentir seu pulso.
E o m�dico n�o chegava.
Foi um grande al�vio quando ligamos para o m�dico pela manh�...
E nos disse que se encontrava em estado de choque...
Mas que ia se recuperar.
Sempre quis visit�-lo, mas nunca tinha tempo.
Eu dei o dinheiro ao Stephen, claro.
Decidimos que um desmaio, equivalia-se a fugir.
Obviamente, se pudesse, teria escapado.
E Stephen necessitava o dinheiro muito mais que voc�.
Salvou-me a vida, s�rio.
A sua foi uma das apari��es mais bem sucedidas...
que organizamos, eu acho.
Sempre pensei que foi devido ao uso das balas de festim.
- De festim? - Sim.
Ao colocar uma bala de verdade e deixar que disparasse na lareira...
Seria mais improv�vel que notasse que as demais eram de festim.
Eu sempre pensei que a hist�ria da Julia e Geraldine...
E o fantasma decapitado era muito teatral.
- Mas... - Julia.
Ent�o � voc�!
Esta vez n�o vai escapar!
- Assassinou uma jovem inocente! - O que aconteceu, maluco?
Se afaste de mim!
Venha c�.
N�o, esta vez n�o vai escapar.
Assassinou uma jovem inocente!
O que voc� tem? Ficou louco?
Se afaste!
N�o, n�o escapar�!
N�o poder� escapar outra vez!
Nunca!
Afastem-se de mim!
Saiam.
Stephen, est� bem?
Lamento muit�ssimo, senhor. Ele escapou de n�s.
Por sorte, logo soubemos onde estaria.
Sempre vem aqui.
Vem aqui?
- De onde? - Do Sunnyview.
� o sanat�rio que est� do outro lado da colina, sabe?
Sim.
N�o.
Entre um ataque e outro, � inofensivo.
Mas quando tem um ataque, � capaz de matar algu�m.
Isso � fato.
Quando pareceu, meteu na cabe�a que sua irm� Julia foi assassinada.
E ele tem que se vingar do homem que Ihe cortou a cabe�a.
Julia!
Adeus.
Que Deus tenha piedade de n�s.
E tudo porque uma jovem tola...
Perdeu a cabe�a por uns ru�dos imagin�rios, anos atr�s.
Aparentemente, alguns n�o sabem ler.
Est� bem. � s� uma jovenzinha...
Com problemas no motor de seu carro. Irei ajud�-la.
E volto em seguida.
Enquanto isso, considerando a import�ncia de nossos an�ncios...
Isto me parece mais apropriado.
PENSEM
Foi uma experi�ncia muito interessante.
Fazia anos que n�o via um carro Stutz Bearcat.
Agora temos alguns an�ncios p�stumos.
As balas usadas no programa de hoje...
Foram feitas com uma nova e poderosa p�lvora.
As peles, s�o de felinos.
Os convidados de hoje voaram a Hollywood...
Na aerolinhas mais antiga do mundo.
Na pr�xima semana, outros voar�o por ela...
Sempre que houver lugar dispon�vel.
At� l�, Boa noite.
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