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Original subtitles

Legendado por Cabine de Projeção

Sara, minha filha, você está em casa?

O que é isso?

É um doce, é muito bom.

Sara, eu não quero.

Coma, é gostoso.

Olá, irmã. Oi, mãe.

Como vai você?

Como estão as coisas?

Não foi trabalhar?

Hoje foi minha folga.

Calculou a nossa parte?

Olhe, irmã...

Calculei a cota da colheita das nossas terras.

Aqui está a sua parte.

Este é o seu cheque.

Aqui está.

Eu tinha me esquecido disso.

E este dinheiro é o restante da sua cota.

Ótimo.

Vou distribuir as cotas dos outros irmãos também.

Obrigada.

Com certeza.

Já distribuiu o dinheiro do trigo?

Ainda não.

Quando vai ficar pronto?

Ainda não tenho certeza.

Então você se esqueceu de mim.

Esqueci de entregar esta outra parte antes.

Também esqueci disso.

Logo vou te entregar a sua parte do trigo.

Obrigada!

Esta é a minha família.

Somos seis irmãs e três irmãos caçulas.

Às vezes nos reunimos na casa da minha mãe.

Meu pai faleceu quando eu tinha 16 anos.

Na época, minhas irmãs já eram casadas

e meus irmãos eram pequenos.

Então, me tornei a provedora da família.

Agora, meus irmãos têm suas próprias famílias.

E eu moro sozinha.

Entre, irmã.

Nossos irmãos têm pedido às irmãs

para assinar um documento...

há muito tempo.

Não me disseram nada.

Não era o que eu queria. Os irmãos nos reuniram.

As irmãs assinaram o documento, dizendo que abririam mão de tudo.

Elas entregaram toda a nossa herança para eles.

Eles não têm o direito de fazer isso.

Não podem forçar vocês.

Nosso pai deixou uma herança bem grande...

Nenhuma de nós pôde falar nada.

Ficamos em silêncio e assinamos.

Não fique triste.

Agora não temos direito nem de beber água...

na casa do nosso pai.

Olá, irmão.

Traga o documento que você fez as irmãs assinarem.

Não se meta nisso!

Por que forçou nossas irmãs a assinar?

Isso não é da sua conta!

Claro que é!

Elas já assinaram. O assunto morreu.

Nossas irmãs estão todas chateadas!

Tarde demais.

Elas não deveriam ter assinado para começo de conversa.

A Sara está furiosa.

Fique fora disso.

Você não entende?

Não, devo ser um idiota mesmo.

Não se envolva.

Você ficou maluca?

Todas concordaram em assinar. Por que está se metendo?

Está tudo bem, acalmem-se todos...

Traga-me o documento!

Ele me deu um tapa. Ele vai ver só.

Calma, relaxe.

Como ele pôde escrever um acordo ridículo desses?

E pedir para vocês assinarem!

Ele tem que devolver agora mesmo.

Eles devem devolver o documento já.

Que vergonha um irmão enganar as irmãs.

- Que vergonha dele. - Acalme-se.

É um absurdo.

O documento está chegando.

Não fique estressada.

Por que ele escreveria um acordo tão injusto?

Aqui.

- Quantas páginas tem? - Só uma.

Agora acabou.

Já era.

Agora não tem mais valor legal nenhum.

Fomos ingênuas em assinar.

Fizemos aquilo com tanto carinho.

Eu sei.

Sara se rebelou hoje...

e começou um golpe de mestre!

Vou dormir bem esta noite.

Depois de ter várias filhas...

meu pai esperava um filho homem.

Para ajudá-lo no trabalho da fazenda.

Mas eu nasci menina.

Meu pai me levava a lugares onde só meninos podiam ir.

Eu me sentia livre.

Ele me deixava escolher minhas roupas.

Ele me ensinou a andar de moto e a trabalhar com construção.

Habilidades incomuns para mulheres, mesmo hoje em dia.

Meu pai e eu plantamos estas árvores.

Quando me sinto sobrecarregada, venho aqui.

Sara, você está divorciada há algum tempo.

Sim, faz 10 anos.

Você lançou moda por aqui.

- O divórcio? - Sim.

Foi a notícia do momento.

Atualmente é mais aceitável.

Sara, ficamos felizes em saber que você vai concorrer ao conselho.

Você sempre apoiou as mulheres.

Se ganhar, nossas meninas terão um futuro melhor.

É verdade.

Eu não consigo mudar tudo sozinha.

Todas vocês precisam querer a mudança.

Todas nós queremos.

As pessoas que você ajudou a nascer vão votar em você.

Já são tantos hoje em dia.

Uma delas é a minha irmã.

Sério? Qual a idade dela?

18 anos. Vai votar pela primeira vez.

Ela vai votar em você.

Bom ver vocês!

Até logo, minha amiga!

Boa sorte!

De todas as 300 vilas desta região...

já viram alguma mulher ser eleita?

Nunca vi isso na minha vida.

Homens e mulheres têm papéis diferentes.

Não vai dar certo se uma mulher mandar nos homens.

Deveria pendurar meu cartaz.

Eu ainda não vi seu cartaz.

Em quem vai votar?

Votaremos no Mirza, sem dúvida.

Todos vão votar nele.

Não perca seu tempo.

Eu te garanto.

Cumprirei todas as minhas metas em quatro anos.

Se esta árvore não der frutos em quatro anos...

eu a derrubo!

O mesmo vale para o conselho. Se o seu trabalho não render...

por que eu deveria votar?

Você quer o nosso voto.

Mas duvido que tenha capacidade para realizar algo.

Eu também estou concorrendo...

a uma das cinco cadeiras do conselho.

Irmão, se eu for eleita, estaremos juntos nisso.

Não quero apenas fazer promessas.

Quero tomar a frente e cumprir.

Tudo o que os conselhos anteriores não conseguiram fazer...

eu farei acontecer.

Não vai funcionar.

Por que não?

Você não tem experiência no conselho.

Disse que trazer combustível para a vila era impossível.

Mas eu vou conseguir a licença para o gás.

Isso é conversa fiada.

As coisas que você acha que não consigo, que são impossíveis...

eu farei todas elas.

Tudo bem, então. Veremos.

Acha que sabe tudo?

Certo, vamos ver.

Desculpe, tenho que ir.

Boa noite.

Há pelo menos 100 mulheres aqui hoje.

Levantem a mão: quantas de vocês são felizes?

Vocês lidam com tanta coisa na vida.

Meu coração dói

ao ver uma menina de 11 anos que já tem dois filhos.

Ela não teve educação.

Não teve escolha sobre os rumos da própria vida.

Ela não teve infância.

Deveria ter ido à escola.

Em vez disso, vira dona de casa.

As pessoas dizem: "Sara, você é exceção.

Você é diferente do resto de nós".

Eu não sou diferente.

Se vocês lutarem pelo que querem...

acreditem, vocês são todas como eu.

Vocês são inteligentes.

Têm o poder de fazer qualquer coisa.

Eu também enfrentei tempos difíceis.

Como mulher, alguns me importunam:

"Por que anda de moto? Por que se expõe em público?"

"Por que se veste diferente?"

"Por que isso? Por que aquilo?"

"Por que você enfrenta os homens?"

Dizem: "Sem maquiagem?"

"Por que não é feminina?"

Bem, eu me sinto bem assim.

Nossa vila enfrenta a desigualdade.

Ainda há pessoas que preferem as velhas tradições.

E continuam contra as mulheres.

Sara, os homens lá fora podem te ouvir!

Que ouçam! Não tenho medo.

Eu sustento o que digo.

Mesmo que não gostem das minhas ideias.

Nós geralmente não votamos.

Não temos nem o básico.

Os conselhos passados não fizeram absolutamente nada.

Se eu for eleita, estarei ao seu dispor.

Todas nós vamos votar em você.

- Não esqueça de trazer o gás. - Eu prometo.

Nós precisamos.

- Trarei o gás e muito mais. - E outras coisas.

Só votaremos em você.

Tornarei essas promessas realidade.

Prezados moradores!

Atenção, por favor.

Hoje é dia de eleição.

As urnas já estão abertas.

Ficarão abertas até a noite.

Não esqueçam seus documentos.

Venham cá.

- Eu? - As duas.

Estão usando cores iguais.

Quem apoia a Sara está usando a mesma cor.

Tia Sara!

Espero que possamos comemorar juntas!

Acabamos de votar!

Votamos só em você.

Só em você.

Dá-lhe Sara!

Elas também vão votar.

Eu e minha família votamos em você.

- Você tem muitos apoiadores. - Tia Sara!

Sou de palavra. Vou votar em você.

Saúde!

Sara, consegue me ouvir?

Alô?

Já saiu o resultado?

Não, ainda estão contando os votos.

Anote a contagem.

Certo, pode falar.

Alô?

Oi?

Pode repetir?

Estes são os cinco eleitos para o conselho?

Os conselheiros eleitos são...

Sr. Qasem, Sr. Mirza...

Eu...

Sr. Masim...

Sara é a primeira, com mais votos.

Obrigada pelo apoio.

Vem vindo mais gente.

Saúde!

Todos vocês venceram!

Vocês mereceram.

A vitória é de vocês.

Você é a primeira mulher eleita nesta região.

Os verdadeiros vencedores são os jovens.

Isso!

A vila pertence à nova geração!

À felicidade de vocês!

Sara, olhe para cá!

Meninas, não estão felizes em ver a Sra. Shahverdi?

Sim, estamos!

Atenção! Escutem o que ela diz.

Sou a única motociclista desta região.

Desde os 10 anos, na quarta série.

Para pilotar, tive que criar meu próprio estilo de roupa.

Estou pronta para sair a qualquer hora.

Assim mesmo, vejam!

Estou usando três calças.

Blusa de manga comprida, lenço por dentro...

E este chapéu para cortar o vento.

Também estou pronta para a briga.

Vejam, a roupa nem se mexe.

Aqui.

Vou mostrar para vocês.

Havia só duas meninas para 35 meninos na minha sala.

Estudei nesta mesma escola.

Nós duas dávamos trabalho para os 35.

Eu mantinha a turma na linha.

Eu era a representante de classe.

Por que algumas largam a escola?

Falta apoio, principalmente dos pais.

Seus pais não aprovam?

Algumas famílias não deixam as meninas estudarem.

Não é comum meninas estudarem por aqui.

Nossos pais dizem que não podemos seguir após o 9º ano.

- Seus pais dizem isso? - Sim, pois vai contra a tradição.

Todos têm problemas com mulheres!

Sim, todos.

Vocês devem se ver como médicas,

professoras, engenheiras...

para que tenham poder.

Casar cedo não traz felicidade.

Aos 18, devem estar prontas para a faculdade.

- Casem-se aos 24 ou 25 anos. - Que tal aos 30?

Quem quer continuar os estudos?

Assinem um compromisso.

É isso que eu quero ver.

Queremos mudar a cultura da vila.

- Estão todas prontas? - Sim!

Me chamem apenas de Sara.

Sara! Sara!

Você está ouvindo a Rádio Zanjan.

Fique ligado!

Saudações da sua rádio local.

Hoje, os conselheiros eleitos de 300 vilas

se reunirão na mesquita central

para iniciar oficialmente o trabalho.

Desejamos boa sorte a todos.

Por que estava tirando selfie?

Eu queria uma nossa.

Tire agora!

Sara, todos estavam te olhando.

Não ligo.

Não quero que você tire fotos em público.

Fui à posse hoje

para mostrar que sou a única mulher eleita entre todos esses homens.

Vou embora, não quero dor de cabeça.

Fique quieta. Sem brigas.

Não disse nada, ele quem começou.

Deixe-o em paz. Ele é assim.

Cada um tem seu ponto de vista.

Irmão, por acaso eu comento tudo o que ele faz?

Aceite os comentários dele para encerrar a discussão.

Diga: "Desculpe, não farei de novo."

Só isso.

Só fiquei feliz por eu e meu irmão termos sido eleitos juntos.

E só queria registrar o momento.

Tem que ser mais inteligente na sua abordagem.

Não pode brigar sempre com todos.

Vocês não se entendem.

Não posso aceitar tudo.

Às vezes é melhor aceitar.

Escute, por exemplo...

Temos eleições para o conselho há muitos anos.

Quem recebe mais votos fica com o selo oficial.

Agora, os anciãos querem o selo.

Mas não acho que o mais velho seja o mais sábio.

Tive mais votos, então o selo é meu.

Sara, desista.

Não vou entregar o selo a nenhum conselheiro.

E ponto final.

Obrigada.

Obrigado.

Sra. Sara, sou a professora da escola de meninas.

Estou ligando sobre uma garota chamada Fereshteh.

Ela foi forçada a casar aos 12 anos.

Agora está se divorciando.

A família quer casá-la de novo.

Nos dizem para não intervir em casamentos precoces.

Mas talvez você possa fazer algo.

Quem é o novo pretendente dela?

Ele a pediu em casamento.

- Certo. - Depois disso,

ele fará o serviço militar, e depois voltará para casar.

Ela ainda é uma criança.

Por que a casaram para começo de conversa?

Eu não. A culpa foi delas, das duas.

Falam como se a decisão tivesse sido minha.

Me pressionaram.

Disseram: "Ele tem casa e dinheiro."

Não foi minha decisão!

Eu era criança. Meus pais decidiram.

Fereshteh nem se divorciou ainda.

Você está ficando sóbrio, sua vida não está fácil.

Peço que não a case novamente.

Até as coisas se ajeitarem, ela pode ficar comigo.

Certo, vamos pensar no caso.

Olá.

Como vai?

Qual o motivo da sua visita?

Eu tinha 12 anos e estudava.

Quando ele fez a proposta, minha família me forçou a casar.

Eu não consenti com esse casamento.

Ele tem 35 anos, a idade do meu pai.

Como levou quatro anos para você chegar a essa conclusão?

Eu era uma criança.

Não.

Qual o seu motivo agora?

Eu não suportava mais ficar naquela situação.

Tive uma infância difícil. Estar com ele também era duro.

Você se apressou para casar. Não se apresse para o divórcio.

Se fizer isso, será uma divorciada.

Sua situação vai piorar.

Já pensou nisso?

Não pense na sua situação como ruim ou sem sorte...

Não se compare com os outros...

Não.

Deveria aceitar isso como parte do seu destino.

Se for apenas por causa da diferença de idade...

Sim, ele é 23 anos mais velho.

É a vida.

Tenho medo de uma coisa:

Se eu voltar para ele, e depois tiver um filho...

Não vou pedir divórcio com um filho.

Pois não posso abrir mão de um filho.

Não quero que o futuro do meu filho seja igual ao meu.

Como uma mulher adulta,

pense em como consertar o problema.

E em como se adaptar.

Tente aceitá-lo e à situação como ela é,

em vez de destruí-la.

O juiz demora um pouco para decidir.

Tudo bem se ela ficar aqui?

Não vejo problema.

Até sair o divórcio, ela pode ficar aqui.

Sim, ela pode ficar.

Como ela é menor, preciso da sua permissão para ela ficar.

Claro.

Bem aqui.

Quando se passa por um divórcio,

é difícil se reerguer.

Qual é a sua escolha agora?

Quero estudar e ser alguém.

- É mesmo? - Sim, é sério.

Quero impressionar a todos com as minhas atitudes.

- Tem certeza? - Absoluta.

Promete?

Prometo de verdade.

Sara, deixo esta mensagem para te agradecer!

Hoje vi obras por toda a vila.

Dizem que é para o gás.

Você fez todos nós muito felizes!

Venham por aqui.

O encanamento deve ficar pronto em um mês.

Prezados moradores!

Atenção, por favor!

Este é um aviso importante.

Muitas famílias não têm o documento de propriedade.

Sem ele, vocês não terão direito a receber o gás.

Precisam da documentação da casa.

Para dúvidas, procurem a Sra. Sara.

Diga ao povo para entregar os botijões velhos.

Sra. Sara!

- Como vai? - Bem, entre.

- O gás já foi ligado? - Ainda não.

Já começaram a passar os canos?

Sim.

Estamos instalando em toda parte.

Ainda não chegou aqui.

- Quem é o dono da casa? - Meu marido.

Não vai dar certo.

Pois ele não tem os documentos oficiais para provar.

Ele não terá direito.

Ele te daria a propriedade da casa?

Ele não vai concordar.

O que devemos fazer?

Posso ajudar seu marido com a papelada,

se ele dividir a posse com você.

Vou anotar para lembrar.

Vai dar certo se ele quiser.

- Vai dar certo. - Obrigada.

Por favor, fale com meu marido.

Certo, sem problema.

Até logo.

Sara...

Vi você instalando encanamentos nos becos.

Por que não traz para a minha casa?

Tio Shami, já falei para o senhor.

Primeiro precisa da documentação oficial da casa.

Eu não tenho os documentos oficiais.

Ajudo o senhor com a papelada, se dividir a posse com a sua esposa.

Não posso fazer isso.

Já ouviu falar de anciãos

dividindo a posse com as esposas?

Sim, umas 60 famílias fizeram isso recentemente.

Não vai dar. Não farei isso.

Eu não quero a cota.

Por que não?

Não é algo comum de se fazer.

Tudo bem se também estiver no seu nome.

Você também contribui muito

trabalhando em casa e criando seus filhos.

Pela lei do nosso país, se seu marido falecer,

como esposa, você não herda muito.

Após uma longa vida de casada, não quero causar conflitos.

Isso não lhe trará problemas.

O gás é uma desculpa para te dar metade dos direitos da casa.

Não sei.

Vai ficar tudo bem.

Aqui é o Irã, e nós estamos aqui.

Esta é a nossa vila.

Esta é a estrada principal e o cruzamento.

Gostaria de dar uma volta de moto?

Seria um sonho.

Acelere!

Vai.

Tem que fazer funcionar, vamos.

Com força! Aperte com força!

Sem timidez, com força!

Viu, Fereshteh. Eu te avisei.

Tem que repetir até aprender.

Certo? Veja como eu faço.

Aperte isso para baixo.

Certo, pegue isso. Segure firme.

Quando estiver pronta, acelere sem medo!

Isso, solte a embreagem.

Vai!

Vá por aqui, vá.

Acelere! Sem medo!

Fiquei presa lá, desculpe.

Por quê?

Achei que ficaria brava por eu ter quebrado a moto.

Não se preocupe, acontece.

Uma moto é como uma pessoa.

Às vezes passa por dificuldades.

A vida também é assim.

Perguntei à minha mãe como nasci.

Ela disse que você fez meu parto.

Fico feliz que tenha sido você.

Quero ser como você.

Ser parteira

e fazer partos.

Fereshteh, já fiz 400 partos.

Passei muitas noites em claro.

Sem conseguir dormir.

Batiam na minha porta à meia-noite, e eu tinha que ir.

Ficava acordada até o sol raiar.

Às vezes, até o pôr do sol seguinte.

Você foi de moto quando fez o meu parto?

Sim, eu fui com a minha moto.

Fui pilotando...

Estacionei no seu quintal

e você nasceu de manhã.

Quando piloto, sinto que posso fazer qualquer coisa.

Viu como você foi bem?

Nem acreditei que estava pilotando.

- Sério? - Aprendi tão rápido.

Viu só?

- Estou pilotando na minha mente agora. - Sério?

Você foi muito bem.

Pelo presente, Shamsollah Kordi, filho de...

- Filho de? - Qanbarali.

Qanbarali...

residente na vila de Bazin...

transfere 200 metros quadrados

da minha propriedade residencial...

sendo metade dela...

para minha esposa, Sra. Golbano...

Ainda escrevendo?

Ele só precisou de dez xícaras de chá para decidir.

Aqui.

Tio Shami, assine aqui.

- Tem almofada de carimbo? - Acho que sim.

Obrigada.

Agora tenho medo que minha esposa

construa um muro no meio da casa.

Não se preocupe. Que bom que assinou.

Agora há 100 moradores que dividem a posse de suas terras.

Colocamos isto aqui e depois...

esperamos um pouco.

Digamos que seja para...

Digamos que este seja o feto, certo?

Aqui do centro, são seis meses de gravidez.

Dois centímetros acima são sete meses,

mais dois acima são nove meses,

e mais dois são oito meses.

Ou seja, até os oito meses ele sobe,

e no nono mês, desce.

Ah, o útero se abre.

Não, ele vai em direção à pélvis.

Não é bem assim!

Só estou tentando.

Segure pelos pés...

Dê um tapinha nas costas e ele chora.

Assim não.

Tem que segurar assim.

Olhe, desse jeito.

Bata assim.

Deus abençoe seu filho!

Faremos um parque circular aqui.

Instalaremos os brinquedos aqui.

Será um parque circular.

Não seria bom?

Vamos nivelar o terreno com os tratores.

De agora em diante,

incentivem seus filhos a estudar.

Eles não terão apoio, e será uma pena.

Vocês não têm terras para deixar a eles.

A única forma de sobreviverem é o estudo.

Quero que minha filha estude.

Zahra diz: "Sinto pena de você."

"Você não para de trabalhar em casa."

Ela tem razão!

Ela não quer acabar como eu.

- A Zahra vai estudar. - É o que eu quero.

O que você quer ser?

Não sei, enfermeira ou dentista.

Médica ou enfermeira.

Sempre busque o melhor.

Se não todos, metade dos seus sonhos se realizarão.

Você é como um exemplo para mim, me traz consciência.

Seus conselhos me ajudam a decidir meu futuro.

Zahra se espelha em você, ela anda de moto.

Sério?!

Como nunca te vi?

Fico muito feliz em saber disso.

Você é a Sara do futuro!

Pode me dar uma carona?

- Sim. - Sério?

Vamos marcar de andar de moto juntas.

Você também sabe pilotar?

No quintal, mas sempre caio.

- E você? - Às vezes nós praticamos.

Quem quer andar de moto comigo?

- Eu! - Eu também!

Ótimo. E você?

Vou pedir permissão aos seus pais.

- A sua moto funciona? - Nós vamos consertá-la.

Toca aqui!

Apenas sigam o meu carro.

Dentro e fora da vila.

Vamos cobrir tudo

para ficarem seguras na vila.

Agora ninguém vai reconhecê-las.

- Me reconhece? - Sabe quem eu sou?

Tudo pronto, faltam só os óculos.

Vamos fazer um assalto ou andar de moto?

Que sensação boa!

É tão lindo aqui.

Vamos passar rápido.

Cubra o rosto.

Tomara que ninguém nos reconheça.

Cuidado com o caminhão.

Os garotos estão nos seguindo.

O tio está vindo atrás da gente.

- Quem deixou você pilotar? - Você me deu permissão!

Não bata nela!

- Vá logo! - Eu já vou.

Pare! Não bata nela!

Caiam fora daqui!

Não bata!

Venha sentar no meu carro.

Não, eu levo ela.

Venha cá.

Não bata nela de novo.

Tudo bem, não se preocupe.

Fazer algo fora do comum às vezes traz consequências.

Aquele é seu tio. Não é da conta dele.

Seus pais deixaram você pilotar.

Quem é?

O tio da Zahra está vindo.

Entre.

Farzi, entre. Precisamos conversar.

Brincávamos e estudávamos juntos!

Crescemos juntos, Farzi.

Eu pegava a moto do meu pai e fugia.

- Você é diferente. - Eu não sou diferente.

- Eu fazia isso o tempo todo! - Era diferente na época.

Era a mesma coisa.

Às vezes faz bem punir uma garota.

Você não devia ter batido nela.

Ela não devia estar na rua. Só isso.

Ela estava se divertindo, você não devia ter batido nela.

Os homens diziam: "Dê sapatos às meninas, não caminhos."

Certo, só não bata nela.

Sra. Sara,

entregue o selo aos outros conselheiros.

Alguns reclamam que você se recusa a carimbar os documentos deles.

Você deve devolver o selo hoje.

Eu sabia que você não daria conta disso.

Você quer o selo?

Então você quer o poder.

O selo é meu, sem dúvida.

Largue esse selo.

Não darei o selo a ninguém. Adeus.

Como assim?

Não está aqui para servir à vila?

Não vou abrir mão.

Agora não é hora...

Acabou.

Isso não tem fim...

A era dos anciãos decidirem acabou.

Chega de favoritismo para qualquer grupo ou família.

Então, você busca poder.

Tudo bem, se quer brigar...

Vou renunciar se eu não ficar com o selo!

Melhor ainda.

Renunciar é melhor do que você ficar com o selo.

Tá bem!

Eu pensava diferente de você.

- Não cabe a você decidir! - Cabe sim.

Eu tive mais votos, e o selo é meu.

- Os outros conselheiros concordam. - Tá, que seja.

Tá.

Vou mostrar a todos vocês.

Sara, não brigue por bobagem.

Sei o que você quer.

- Saia daqui. - O que está havendo, irmã?

Vocês querem legalizar seus erros.

Sei de tudo de ilegal que já fizeram!

Acalme-se, irmã.

Tenho o direito de ficar com o selo, e todos sabem disso.

Eles temem não poder carimbar seus documentos ilegais.

- Pare de falar bobagem. - É isso que eles querem.

É melhor ir embora agora.

Que vergonha!

É melhor você ir também.

Gosta de brigar com todo mundo?

Irmão, eles têm problemas comigo desde o início.

Não brigue.

Ele começou a discussão

me dizendo que eu só quero poder.

O que houve com o círculo?

Por que mudou o círculo para um quadrado?

Como assim?

É assim que um parque deve ser.

Eu calculei tudo para ser um círculo de 30 metros.

A rua precisa ter um formato.

Tem que combinar com as dimensões da rua.

- Por que estragou aquele trajeto? - Para melhorar.

Quantos metros?

Calculei os lados e...

haverá um lago no centro.

Sr. Engenheiro,

daquela esquina em diante precisa ser refeito.

Não vai dar certo.

Pare, Mohammad!

Pare, irmão!

Olhe, Sr. Engenheiro.

Vê aquele caminho torto?

Tem que ir reto até o outro lado.

- Não precisa disso. - Pare!

- Não podemos fazer isso. - Não estou a fim de discutir.

Faça o que eu digo.

O que farão com o poste de luz?

Ele continua ali.

- Vai causar acidentes. - Não, não vai.

- Não vai dar certo! - Vai sim.

Não pode inventar as coisas.

Tudo que eu faço, você muda.

Faço um círculo, você muda para um quadrado.

Não pode continuar fazendo isso!

Pedi que fizesse um círculo aqui.

- Baseado em quê? - É um quadrado!

O quê?

Tem que ter um formato.

- Qual é a medida? - Doze metros.

Por que fez isso?

- Peço que cuide disso. - Sem problema.

Tem giz para fazer uma marcação?

Traga para cá.

Ele acha que vou ceder só porque é meu irmão.

Alguns homens da vila estão reclamando:

"Não podemos ir à casa dessa mulher à noite carimbar documentos."

Meu horário de trabalho é de dia.

Só atendo à noite se for urgente.

Estão dando desculpas.

Você deveria cooperar.

Não gosto do comportamento deles.

Estão me humilhando desde o primeiro dia.

Tantos líderes tiveram poder e depois o perderam.

Tantos chefes de vila...

os senhores e suas casas...

Não restou nada deles, tudo se foi.

Desculpe se te incomodei falando isso.

- Entende o que quero dizer? - Não se preocupe.

Cuide-se.

A dor no pé tem a ver com o rim?

Sinto dor daqui até lá embaixo.

Não, não tem nada a ver com o rim.

Você forçou a coluna.

Ou meu peso?

Pode ser devido ao estresse.

Acho que você está mentalmente exausta.

Está começando a se prejudicar.

Deveria ter uma carga de trabalho menor.

Ou trabalha menos no conselho...

ou descansa um pouco.

Talvez devesse até considerar deixar o conselho.

Sua saúde é muito mais importante.

Aqui estão alguns remédios e exames para você fazer.

Sra. Sara...

Chegou uma carta do tribunal.

Abriram uma denúncia contra você.

Você deve comparecer ao tribunal.

O interrogador me fez perguntas que eu não esperava.

"Por que se divorciou do seu marido?"

"Por que mulheres visitam a sua casa?"

"Por que usa roupas de homem?"

"Por que a sua voz não é feminina?"

Eu pergunto por que estou lá.

O interrogador diz que a denúncia é por manter uma casa de má fama.

Eu não fazia ideia de onde vieram as acusações.

Me deram uma carta para ir a um perito médico.

Eu vou e pergunto por que me levaram lá.

Dizem que é para mudança de sexo, de feminino para masculino.

Eu pergunto o motivo. Dizem que é para o meu próprio bem.

Nunca fiquei tão chateada em toda a minha vida.

Questionaram a minha identidade.

Querem me mudar à força.

Querem que eu seja alguém que não sou.

Vasculharam a casa da Sara por horas.

Eu me pergunto por que ela é solteira.

Não é à toa que está com problemas.

Uma mulher deve viver com o pai ou com o marido.

Shahverdi.

Qual a sua idade?

Quarenta e três.

Sabe por que está aqui?

É sobre a minha identidade de gênero.

Minha casa foi revistada por horas.

A pedido do juiz, para avaliar a sua verdadeira identidade,

faremos alguns exames.

Estou confortável com meu gênero.

Por que mulheres vão à sua casa?

Isso é crime?

Claro, depende da intenção.

Isso não pode me impedir de ajudar os outros.

Se eu ajudar uma mulher a estudar...

Como isso é crime?

Olhe, se você é mesmo uma mulher,

deveria respeitar as regras e tradições.

Na nossa sociedade, a mulher não pode fazer o que bem entende.

Quer dizer que, se eu fosse homem, poderia tudo.

Mas, como sou mulher, não posso.

Não estamos aqui para discutir.

Faremos alguns exames...

O resto, o juiz decide.

Cumpriremos as regras.

Meu tio veio e queria me levar com ele.

Mas eu disse que só os meus pais podem me levar.

Tenho medo que o meu tio me bata.

Estou tão ansiosa.

Eles chegaram.

Não se preocupe, ele não fará mal a você aqui.

Sim. Como vai, Hossein?

Fereshteh, vamos.

Aonde?

Para casa.

Quero ficar aqui.

Não cabe a você decidir.

Vão levá-la, mas não podem bater nela.

Não, não vou.

Só para esclarecer.

O pai dela a quer de volta em casa.

Entre só um instante.

Sr. Farhad, feche a porta e entre.

Certo, entre.

Não foi o senhor quem decidiu que ela podia ficar aqui?

A família tomou outras decisões.

Estou doente, não sei de nada.

Saindo daqui, não sei se será para melhor ou pior.

Vamos, seu tio está esperando.

Ao menos jantem antes de ir.

Não, obrigado.

Boa noite.

Queria que meu pai estivesse aqui.

Ele seguraria minhas mãos bem forte.

E diria...

"Não se preocupe, filha. Vai ficar tudo bem."

Tia Sara!

Isto é para você.

VOCÊ ESTÁ CONVIDADA PARA O CASAMENTO DE ZAHRA

Sara, você foi à nossa escola e falou com as meninas.

Elas prometeram não casar cedo, e sim estudar.

Esta aqui casou.

Ela também casou.

O mesmo com esta...

Esta também já foi.

Sete, oito...

nove, dez...

onze...

doze, treze, quatorze...

quinze, dezesseis...

Infelizmente, só restam cinco.

Sim, estão todas casadas agora.

Sra. Shahverdi...

O tribunal tomou sua decisão final.

Com base nos exames,

não é necessária a cirurgia de mudança de sexo.

Mas há algumas coisas que devem ser consideradas.

Eu vou ao juiz.

O juiz diz: "Você não precisa de cirurgia."

"Mas não ajude muito as outras mulheres. Cuide da sua vida."

"Sugiro que se case logo

para evitar problemas."

O juiz decide encerrar meu caso.

Fizeram tudo o que podiam

para me impedir de avançar na vida.

Tudo isso parece um jogo.

Onde está a justiça para tantas falsas acusações?

Quem vai curar esta dor?

Fiquei exausta por um tempo.

Então pensei que, se eu não fizer nada,

nada nunca vai mudar.

Posso ter desejado grandes mudanças,

mas agora sei que exige mais paciência.

Às vezes, um pequeno passo é suficiente.

Falei com os pais das meninas que ainda não casaram.

Planejamos um passeio de moto.

Desta vez, convidei os pais também.

Prontas para ir?

Vocês duas ficam aqui.

E você, venha para a frente.

Não é uma competição.

Vamos todas pilotar juntas.

Ótimo!

Prontas?

Legendado por Cabine de Projeção

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