All language subtitles for Alfred Hitchcock Presents - S02E18 - The Manacled

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Original subtitles

ALFRED HITCHCOCK APRESENTA: S�RIE 2

Boa noite, senhoras e senhores

e f�s da televis�o espalhados pelo ch�o da sala de estar.

O drama desta noite intitula-se "O Algemado"

e conta com um par destas bonitas e �teis pulseiras da sorte.

Estas algemas s�o um adere�o

feito para que a pessoa se consiga libertar facilmente.

Como devem saber, elas n�o s�o usadas s� para algemar m�os.

Tamb�m resultam muito bem em pernas. Regardez.

Enquanto me tento libertar, � melhor darmos in�cio � nossa pe�a.

Senhoras e senhores, "O Algemado".

O ALGEMADO

Est� prestes a partir o comboio com destino a Bakersfield,

Tulare, Fresno, Merced, Martinez,

Richmond, Berkeley e Oakland. Embarque no cais n�mero 3.

- Deseja caf� agora? - N�o h� pressa, minha querida.

- Quero caf� agora. Bem forte. - E com isso, meu amigo,

acertou em cheio no problema dos nossos dias:

N�o h� tempo para p�r natas no caf�.

� uma pena estar escuro. Nunca atravessei o Vale de S�o Joaquim.

Ia gostar da vista.

- Eu fa�o isso. Quantos quer? - Dois, por favor.

A conta.

Seja um amigalha�o, Sargento. D� uma grande gorjeta.

O que foi que fiz? N�o � o que gostava de perguntar?

E ser� que sou mesmo culpado?

Ficaria desapontada. Apenas roubei aos ricos para ajudar os pobres.

Mas as autoridades tinham um argumento irrefut�vel:

Segundo eles, o �nico pobre que eu estava a ajudar era eu pr�prio.

Vamos, Fontaine, est� na hora de ver as vistas.

Vou algem�-lo outra vez, Fontaine.

Come�o a suspeitar que o Sargento n�o confia em mim.

O meu sobretudo, por favor.

Obrigado.

Jovem, ser� que me pode ajudar com a minha mala?

Com todo o gosto.

Ser� que o Sargento pode dar uso � chave?

Muito obrigada. Foram muito am�veis. Obrigada. Muito obrigada.

- Pum, pum, pum! - P�ra com isso.

Acabaste de cometer um erro terr�vel. Alvejaste um fiel servidor da lei

e deixaste escapar um criminoso muito perigoso. Diga-lhe, Sargento.

- Acabe com isso, Fontaine. - N�o, ele tem de saber.

- Cuidado! - J� chega.

Vamos.

� aqui, Fontaine.

Sargento, se precisar de alguma coisa, chame o bagageiro.

- N�s ficamos bem. - Vou mostrar-lhe o bot�o.

� aqui. Se eu puder ajudar, � s� dizer.

Se precisar de ajuda com o prisioneiro, eu teria gosto...

Porque n�o o nomeia seu ajudante, Sargento?

Est� tudo sob controlo.

Ent�o n�o vai precisa de mim, pelo menos por enquanto.

N�o. Muito obrigado.

O nosso amigo revisor � um bom cidad�o.

Devem ser resqu�cios do velho Oeste.

Ainda h� quem tenha saudades dos linchamentos.

Sim?

Esqueci-me de lhe mostrar como funciona a fechadura.

Sabe, pode fech�-la por dentro.

Se tiver de deixar o prisioneiro sozinho durante uns tempos,

tamb�m pode tranc�-la pelo exterior.

A janela est� selada e o vidro � inquebr�vel.

Seja como for, entre as esta��es andamos a 130 km/h.

Se ele se atirasse daquela janela,

os peda�os do corpo ficariam espalhados ao longo de 8 km da linha.

Tenho muita experi�ncia em levar prisioneiros para Norte.

Nunca os perco de vista at� os entregar na pris�o.

Seja como for, este � esperto.

Sabe que o destino dele � a pris�o de San Quentin.

Ele foi condenado � c�mara de g�s?

- N�o d� para ver? - Chega, Fontaine.

Fico violento de seis em seis horas. Sinto um insaci�vel desejo de sangue.

- Pare com isso! - Trouxe o soro, Sargento?

As injec��es t�m sido uma d�diva. Fico quase 2'4 horas sem matar.

Basta. Feche a porta e n�o a abra.

Ou�a, Fontaine,

j� o avisei esta tarde quando o fui buscar.

Arme-se em esperto comigo e n�o esquecer� esta viagem.

Vai verificar novamente?

- A prop�sito, que nome d�o a isso? - Bota do Oregon.

- S� h� tr�s em Los Angeles. - E o Sargento tem uma delas.

- S�o sempre t�o pesadas? - 18 kg � o peso normal.

Se correr, parte-lhe a perna. Os parafusos est�o no interior.

S� esta chave consegue rod�-los. Tem uma rosca especial na ponta

que encaixa nas roscas dos parafusos.

O Sargento interessa-me.

A sua efici�ncia, a sua dedica��o, a sua determina��o.

Deve ter ta�as em casa... ou ins�gnias, provavelmente.

Tem ins�gnias, Sargento? Por servir a lei com lealdade e zelo?

- Gosta de carros desportivos? - Gosto de ler sobre eles.

- J� conduziu algum? - J�.

Um amigo meu, muito rico, comprou um carro de corridas

e deixou-me conduzi-lo. - S�o uma beleza, n�o s�o?

- S�o. - Eu j� tive um carro desportivo.

Claro. Tal como os cem mil d�lares que era suposto ter amealhados.

Eu estava a tentar ganhar outros cem mil. Tinha uma ideia brilhante.

Ser ganancioso n�o compensa, pois n�o?

Pergunte ao psic�logo da pris�o. Ele sabe responder a tipos como voc�.

Acho que vai conversar muito com ele nos pr�ximos dez anos.

Sabe o que ele diria? Que a vontade de roubar corre no sangue de todos.

Mas a maioria tem medo de ser apanhada.

Esses s�o os que trabalham com afinco, os burlados, os retr�grados.

E depois h� os que fazem pela vida.

Eles lucram com a vontade de roubar que nos est� no sangue.

Poupe-me, Fontaine.

De vez em quando, um trabalhador esfor�ado torna-se esperto.

Ele passa para o lado dos que fazem pela vida.

E se o fizer sem ningu�m saber, sem ser apanhado,

tem a vida feita. O Sargento pode ser um desses homens.

Veja o que tem no bolso do casaco. No bolso interior.

N�o tente truques comigo. Ser� entregue j� sem vida.

S� sugeri que visse o que tem no bolso. Encontrar� um envelope.

Abra-o.

N�o percebe como � que isso foi parar ao seu casaco, pois n�o?

N�o estava aqui ao jantar. Deve ter sido quando embarc�mos...

- A velhota. A velhota da mala. - V�?

J� come�a a pensar como um dos que fazem pela vida.

Ou�a, Fontaine. Matei tr�s homens desde que trabalho para o Xerife.

N�o dormi durante uma semana depois de matar cada um deles

e nunca me esqueci da cara deles quando os matei.

Mas matei-os no cumprimento do dever e eles ficar�o enterrados muito tempo.

N�o se preocupe, a velhota n�o vai entrar aqui.

Ela � completamente inofensiva.

Talvez seja a melhor carteirista de Los Angeles, mas � inofensiva.

Quando ergueu a mala, ela colocou o envelope no bolso.

Pois �, � uma chave. A chave da mala que a ajudou a levantar.

Dentro da mala est�o 50 mil d�lares. S�o seus.

Sim, eu tenho cem mil d�lares. Estou a dividi-los consigo.

Claro que para rodar essa chave, tem de rodar outra chave primeiro:

A chave que tem na algibeira.

A chave que abre esta bota.

Eu sei que n�o � f�cil. Pense bem. Tem a noite toda.

- J� tinha isto tudo planeado. - Nem por isso.

N�o sabia quem seria o felizardo.

Achei que quem quer que fosse usaria um fato de pronto-a-vestir

comprado numa feira, teria os saltos dos sapatos gastos,

e viveria do cr�dito.

N�o � dono de nada, s� de bocados de coisas.

Um bocado de um carro barato, um bocado de uma geladeira,

um bocado de uma mob�lia de quarto de cama.

E tudo aquilo de que ele � dono de um bocado j� est� a cair aos bocados.

Mas ele continuar� a pagar, m�s ap�s m�s, porque ele � assim:

Um bocado de um homem.

Mas o Sargento n�o � o homem que eu acabei de descrever.

V�-se que tem imagina��o, ideias.

Voc� tem o dom da palavra, mas n�o me convence.

Acha que � a primeira vez que um vadio como voc� me tenta comprar?

A sua perspectiva est� distorcida. N�o estou a tentar compr�-lo.

Estou a oferecer-lhe o tipo de vida que nunca conseguir� ter sozinho.

Estou a salv�-lo da escravatura, tal como fez Abraham Lincoln.

- Sabe o que disse Lincoln? - "H� 87 anos... "

"E agora t�m-no aferrolhado com uma fechadura de cem chaves,

que nunca poder� ser aberta ser a coopera��o de todas as chaves. "

Lincoln estava a falar dos escravos. Mas, de certa maneira,

sinto que estava a falar comigo... e consigo, Sargento.

E que n�s devemos dar-lhe ouvidos e aproveitar a oportunidade.

Tal como disse, n�o tenha pressa.

Bakersfield.

- N�o est� curioso? - A curiosidade matou o gato.

Desta maneira, quando o encontrarem no carro e a mim a monte,

n�o haver� raz�o poss�vel para suspeitarem de si.

Por exemplo, basta prender a chave ao seu chaveiro.

Toda a gente anda com chaves no bolso.

A sua amiga carteirista...

- Vai-se embora, n�o vai? - Vai.

Sem a mala, certo?

Est� a pensar na mala e nos 50 mil d�lares. Os seus 50 mil.

Para que possa visualizar a cena, a mala fica onde ela a deixou.

Quando vierem limpar a carruagem, v�o encontrar a mala.

A mala n�o parecer� conter grande coisa e est� trancada.

Entreg�-la-�o nos perdidos e achados. Pode ir busc�-la dentro de dias,

ou, se estiver ansioso, v� busc�-la quando estiver preparado.

Espera que eu acredite que ela deixou 50 mil d�lares na prateleira?

Repare como est� a pensar positivamente. N�o disse,

"Fontaine, sei que n�o est�o 50 mil d�lares dentro de uma mala".

Voc� disse, "Como � que ela se p�de ir embora e abandonar o dinheiro?"

N�o me diga o que penso. Sei que n�o h� dinheiro nenhum l� atr�s.

E se houvesse, a minha inten��o seria entreg�-lo ao Xerife.

Fa�a isso, Sargento. Fa�a isso.

Como confiar em mim? Um condenado, um burl�o. Qual ser� o meu esquema?

A sua mente est� a viajar mais depressa

do que aqueles carros desportivos com que sonha.

Basta! Estou at� aqui de ouvi-lo. Cale-se!

Porque n�o vai dar uma vista de olhos?

Lembra-se do que o revisor disse? 130 km/h entre esta��es.

Com o Stephen Fontaine espalhado pela paisagem

se tentar saltar pela janela. E n�o se esque�a da porta.

Tranca-se por fora.

E a minha... Como se chama? Bota do Oregon.

Muito bem, Fontaine. Pago para ver esses seus 50 mil d�lares.

N�o s�o meus, Sargento. S�o seus.

Billy, p�ra com isso. Est� caladinho.

Hei-de receber uma recompensa quando o devolver.

Claro que sim. Talvez uns chorudos quinhentos d�lares.

Vejamos... dois, talvez tr�s filhos. Estou certo?

- Quatro. - Quatro!

Os quinhentos d�lares servir�o de muito.

O que far� com eles?

Um grande fim-de-semana com a mulher e os filhos no carro da fam�lia?

- Ou pagar� as contas? - N�o falo da fam�lia com estranhos.

Ent�o, n�o fale. Recoste-se e ou�a porque a hist�ria da sua vida

est�-lhe escarrapachada na cara.

Nunca passou das Montanhas Rochosas

nem atravessou a fronteira. Nunca viu um espect�culo da Broadway,

nem tomou o pequeno-almo�o na cama num hotel,

nunca viu uma tourada em Espanha. - Ou�a, posso n�o ter viajado,

mas tenho uma coisa que voc� nunca ter�. E voc� nem percebe o que �.

Percebo, sim. Tem auto-estima, n�o �?

E uma mulher que reconhece os seus passos pelo som.

E quatro filhos que gritam de alegria quando o pai aparece no calhambeque.

Voc� n�o sabe do que fala.

Est� a falar de coisas cujo valor desconhece.

Se calhar, tamb�m quero essas coisas que voc� tem.

Se calhar, quero outra oportunidade para ter aquilo de que fala.

Ter� essa oportunidade daqui a 10 anos.

Sargento, n�o posso ir para a pris�o!

Dentro de uma hora paramos em Richmond. Apanhamos um t�xi,

oferecido pelo Xerife. Depois apanhamos o ferry para San Quentin.

Atracamos num pont�o. Dizem-me que o pont�o � pequeno.

N�o me parece pequeno, a caminhada � longa.

Mas os tipos que levei pelo pont�o at� aos port�es da pris�o

dizem que o pont�o � pequeno. Talvez voc� n�o ache. Veremos.

Parece o pont�o de Palma de Maiorca. Conhece Palma de Maiorca?

N�o h� lugar mais bonito ou saud�vel para umas f�rias com a sua mulher.

Rockwell, preste aten��o! Eu posso dar-lhe isso.

Posso torn�-lo realidade. Posso compens�-lo por todos os insultos,

por todas as reprimendas, por todas as concess�es.

- S� precisa de coragem. - Coragem?

Muito bem...

E se eu garantir que nunca suspeitar�o que me deixou fugir?

E se eu fizer as coisas de maneira a que n�o possam desconfiar?

O seu nome e o seu trabalho ficam a salvo, e voc� fica com 50 mil d�lares.

Como?

Sugiro dar-lhe um tiro com a sua pr�pria arma.

Quando entrarmos na esta��o e o comboio apitar, eu disparo.

- O apito encobrir� o disparo. - Como tenciona pegar na minha arma?

Ent�o, Sargento... Voc� vai algemar-me e, de repente, eu agarro na arma.

E depois?

Eu respeito-o muito, confio em si. Voc� est� a aprender a confiar em mim.

Quando eu tiver a sua arma, dou-lhe um tiro. S� de rasp�o.

O bra�o ficar� magoado, mas os 50 mil d�lares curar�o isso num �pice.

Deixo-o aqui estendido no ch�o.

Ningu�m suspeitar� que se deixou alvejar como parte de um plano.

Muito bem. Suponha que tem a arma.

E se decide ficar com o dinheiro todo?

Quer dizer, se eu o... N�o, Sargento. Sou um condenado, n�o um assassino.

Dez anos s�o uma coisa, a c�mara de g�s � outra.

V�o ter compaix�o de si. Ser� bem tratado.

E depois pode ir buscar a mala aos Perdidos e Achados.

J� tentou levantar alguma coisa nos Perdidos e Achados?

Vai identificar uma mala espec�fica

que sabe descrever e da qual s� voc� tem a chave.

Acredite, Rockwell, nada lhe pode acontecer.

Richmond! Richmond!

Sargento, estamos a chegar.

Est� tudo bem, Sargento. N�o vai doer nada.

- Isto tamb�m n�o vai doer. - Rockwell, n�o h� truque nenhum!

O dinheiro � seu! Dou-lhe o dinheiro todo!

A bala!

Pelo menos, j� posso ir para casa.

Espero ter a m�o livre da pr�xima vez que me virem.

Se assim for, deveremos poder apresentar outra hist�ria.

Sintonizem-nos e vejam com os vossos olhos. Boa noite.

Tradu��o e Legendagem Alexandra Brum / CRISTBET, Lda.

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