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ALFRED HITCHCOCK APRESENTA: S�RIE 2
Boa noite.
Acredito piamente de que todos deviam entregar-se uma vez por outra,
a alguma forma de actividade desportiva.
N�o acham?
Eu, pessoalmente, n�o preciso de muito exerc�cio,
uma vez que levo uma vida muito espartana.
Mas quando o fa�o,
as minhas necessidades ficam razoavelmente satisfeitas
pela pr�tica de desportos como a equita��o,
ou a leitura das partes menos violentas dos jornais de domingo.
� claro que para um teste real de coordena��o corporal,
n�o h� nada melhor do que estar deitado numa rede.
Mas acho que isso s� � atraente
para os que gostam de viver perigosamente.
Quanto ao filme desta noite, chama-se "O Meu Irm�o, Richard",
e come�a num "country club".
A prop�sito, o golfe � um jogo que nunca me atraiu.
N�o gosto da papelada.
Ter de somar os meus pontos � coisa que me cansa bastante.
O MEU IRM�O, RICHARD
Se metes a� mais pap�is, n�o h� espa�o para uma camisa lavada.
S�o as minhas notas para o discurso desta noite.
N�o � a improvisar que chego a Governador!
N�o foi assim que chegaste a Promotor de Justi�a?
- Um bocado mais de respeito! - Sim, senhor!
Para que � isto?
- Posso sentir-me solit�rio. - S� vais por 24 horas!
E eu pensava que me vias nos teus sonhos.
- E se tiver ins�nias? - Nem te atrevas!
Vais chegar tarde, Martin!
- Onde est� toda a gente? - Estamos aqui, Richard!
- Sauda��es! - Ol�, Richard.
Por pouco n�o me apanhavas.
Vou a um jantar da Comiss�o Estatal, em Bridgetown.
Para a minha cunhada preferida.
- Estragas-me. - Claro!
N�o te rales com Bridgetown. N�o � necess�rio.
� sim, se quiser ser nomeado. Tudo conta.
Vais ser nomeado. Vim c� para te dizer isso.
� outra vez a tua bola de cristal? Agrade�o o voto de confian�a.
Fiquem a� a elogiar-se, que eu vou-me vestir.
Vens connosco � esta��o, Richard?
Espero convencer o Martin a n�o ir.
E desperdi�ar a mala cheia com os discursos dele? Jamais!
Tenho feito tantos discursos, que seria bom evitar alguns!
Devias experimentar o meu alfaiate.
N�o tenho dinheiro para isso.
Sou funcion�rio p�blico, e n�o empreiteiro de sucesso.
O Governador do Estado poder� usar o meu alfaiate.
Deixa-te de dar palpites. Esqueces-te do meu valioso rival.
Se te referes ao Burton Reeves, n�o te preocupes.
O Reeves � um dos homens mais importantes do partido,
com um �ptimo curr�culo na pol�tica estadual.
J� fez tr�s mandatos no parlamento, enquanto eu...
...sou apenas teu irm�o.
O meu irm�o � um fulano que n�o pode perder.
Certo... tu � que sabes.
Vou mandar-te uma caixa do meu vermute. � muito mais seco.
Prometo-te que, se for nomeado,
passo a beber o teu vermute e vou ao teu alfaiate.
At� te recomendo como vidente.
Mas, por enquanto, tenho de ir a Bridgetown.
Martin... o Burton Reeves est� morto.
- Morto?! - Sim... morto.
- Quando foi isso? - H� cerca de meia hora.
Eu matei-o.
Fi-lo por ti, ou, devo dizer, por n�s.
Seja como for, ele perdeu a nomea��o, com a minha ajuda!
Mataste o Reeves? N�o podias...
Deu-me muito prazer verificar que podia.
Toma. V� se est� a teu gosto.
Esqueci-me de que n�o gostas dele com azeitona.
H� cerca de meia hora, no balne�rio do clube,
alvejei cuidadosamente o Sr. Reeves na nuca.
Ningu�m me viu entrar, e ningu�m me viu sair.
Por isso, ningu�m saber�.
N�o te portes como se eu tivesse cometido um crime.
O Reeves era-me indiferente, e s� atrapalhava.
Tu e eu quer�amos que fosses Governador, e vais s�-lo.
Sabemos que quem ganhar a nomea��o, ganha a elei��o,
e eu certifiquei-me de que serias tu!
Matar um homem para ganhar uma elei��o?
� um motivo muito aceit�vel para um crime.
Atende, Martin.
Est� l�?
� o pr�prio, sim.
Xerife Briggs...
Reeves?
Como � que aconteceu?
Percebo.
Eu ligo-Ihe depois!
E ent�o?
Foi exactamente como tu disseste.
Vou ter de me demitir.
Mas n�o te preocupes. Eu vou-te defender.
Deixa de ser melodram�tico.
Essa tua aur�ola torna-se por vezes cansativa.
N�o tens de te demitir, e muito menos defender-me.
S� tens de encontrar outro assassino!
Ningu�m vai saber que fui eu. Descobre outro qualquer.
Deve haver meia d�zia de membros do clube
que ter�o raz�es de queixa do Burton Reeves.
Escolhe o mais prov�vel,
organiza o teu caso, e na altura pr�pria...
...v�o encontrar isto na posse dele.
A prova No. 1 da Acusa��o!
Essa condena��o dar-te-� mais votos do que cem discursos em Bridgetown!
For�a, "Governador", mas lembra-te s�...
...de que fico com todas as empreitadas do Estado.
Sempre soube que eras ambicioso, n�o percebi � que era uma doen�a.
Meti-me em sarilhos por tua causa, e tu n�o est�s a colaborar.
Faz como te digo!
Dizes-me que mataste um homem,
e pedes-me para arranjar algu�m para ficar com as culpas!
E esperas que eu diga: "parab�ns, irm�o. Actuaste bem. "?
Porque n�o? Foi bem feito.
Um Promotor n�o pode implicar as pessoas. � uma loucura!
Estou pronta.
Caramba! Ela n�o est� encantadora, Martin?
� melhor fazeres como eu digo,
se queres que ela viva.
Fartaste-te de pensar, Martin. Oxal� valesse a pena.
Lembrei-me de que quando come�aste na constru��o,
tinhas um s�cio. O que Ihe aconteceu?
N�o o matei, se � isso que queres dizer.
Talvez n�o com uma arma.
Dizias que ele n�o era agressivo, que n�o tinha ambi��o.
Mas tu ensinaste-o...
...a viver, a vestir-se bem, e como gastar.
Ensinaste-o t�o bem, que ele acabou como tu querias.
Cheio de d�vidas.
E tu foste o amigo nobre que Ihe comprou as ac��es...
...ao teu pre�o.
N�o o mataste, n�o... arruinaste-o!
Foi s� um bom neg�cio.
Se � bom neg�cio arruinar algu�m, tamb�m � bom mat�-lo...
Mas de que te serviria matares a Laura?
- N�o quero ouvir mais isto! - Laura, por favor!
Ela est� transtornada, sem raz�o. Faz s� o que te digo.
Sabes que n�o vou permitir que um inocente pague pelo teu crime.
E as tuas amea�as � Laura, n�o passam disso!
Como podes ter a certeza?
A minha cunhada compreende-me melhor do que tu.
Gosto muito de ti, Laura. Sempre gostei.
Odeio ver-te assim transtornada.
Vou deix�-los a s�s.
Talvez o consigas convencer de que a minha � a �nica maneira.
Vamos acabar com isto, e voltar a portarmo-nos normalmente.
Prometo n�o ir para muito longe.
Aconselho-te a ouvires a Laura e a n�o usares o telefone!
N�o uses o telefone!
N�o v�s que ele me quer mesmo matar?
N�o mata, querida. De que Ihe servia?
N�o se safava, e ele sabe disso.
Mas eu tenho medo!
� o que ele quer, para me for�ares a alinhar com ele.
Mas o plano dele n�o tem l�gica.
Pode levar semanas ou meses a arranjar-Ihe um bode expiat�rio.
E ele n�o te pode aguentar um dia. Ter� de dormir.
N�o v�s que isto � uma loucura?
Pois, por ele ser louco. � disso que tenho medo.
Vamos sair juntos.
Espera! E se ele estiver � espera atr�s da porta?
Ele n�o faz nada. Confia em mim.
Confia em mim.
Laura!
Ela est� apenas assustada.
N�o Ihe acertei... desta vez.
Est�s bem, Laura?
Atende.
Atende!
Est� l�? � o pr�prio.
Xerife Briggs?
Quem?
Vou j� para a�.
Era o Briggs.
Diz que tem o assassino do Reeves, no gabinete dele!
Mande-o entrar.
� o Promotor! Agora j� vais falar.
- Martin! - Est� bom?
Desculpe incomod�-lo, mas temos aqui este garoto.
Est� tudo aqui escrito. Ele s� tem de assinar.
- Ol�, Tommy. - Conhece-o?
- � o melhor " caddy" que eu j� tive. - Diga-Ihe que ele � louco, Sr. Ross.
Ele n�o diz outra coisa, mas os factos s�o estes...
Ele discutiu com o Reeves menos de uma hora antes
de o pobre fulano ser encontrado com uma bala na cabe�a.
Discutiram sobre qu�?
O Reeves disse que ele Ihe roubara a carteira.
Com as gorjetas que ele dava, nunca pensei que tivesse carteira!
Podes n�o ter roubado. Ningu�m te acusou de roubo!
- Obrigado por nada. - A minha ideia � esta...
Quando o Reeves o amea�ou de o mandar para a cadeia,
ele entrou em p�nico porque j� tivera problemas com a justi�a antes.
Depois, apanhou-o sozinho no balne�rio,
esperou at� ele entrar no chuveiro, e com a �gua a correr,
deu-Ihe um tiro e foi-se embora.
O crime perfeito!
Agora s� tens de assinar a confiss�o!
N�o assino nada!
- Deixe-me falar a s�s com ele. - Est� bem, Martin.
Se precisar de mim, eu estou l� fora.
Obrigado.
N�o me diga que pensa que eu fiz aquilo.
Senta-te, Tommy.
N�o tenhas medo. N�o te v�o fazer mal.
- Como vai a tua equipa? - Vai bem, acho eu.
- Tu �s Ian�ador? - N�o. Sou " short stop".
- Aposto que �s bom. - O que me vai suceder, Sr. Ross?
O xerife continua a dizer que eu matei o fulano.
Uma coisa destas pode ser grave.
� grave, sim. Por isso quis falar contigo.
Preciso da tua ajuda.
Da minha ajuda?
Quero que assines a confiss�o.
O senhor � como os outros!
S� porque me meti em sarilhos quando era mi�do,
agora todos me acusam pelo que acontece na cidade!
Que g�nero de sarilhos foi?
Nunca estive preso, nem nada parecido.
Uns mi�dos usaram um carro "emprestado", e eu alinhei nisso.
Que grande parvo eu fui!
Mas nunca mais voltaste a ser?
N�o... nunca mais me meti em sarilhos desde ent�o.
Entrei para a equipa, e arranjei trabalho no clube como " caddy".
Era um bom trabalho, at� o Reeves ser morto.
Agora voltei � estaca zero.
Gostavas de ajudar a apanhar o homem que matou o Sr. Reeves?
O homem...?
- Ent�o, acha que n�o fui eu! - Sei que n�o foste.
Mas quero que finjas que foste, por pouco tempo.
� muito importante.
Quer que eu fique com as culpas?
E depois vai procurar outro? N�o percebo.
N�o vou ter de procurar. Sei quem ele � e onde est�.
� um tipo doente e perigoso! Vais-me ajudar?
N�o sei...
Sei l� se isto n�o � um truque.
Estou a pedir-te muito. Ter�s de confiar em mim.
Se fizermos com que ele acredite que tu confessaste o crime,
podemos apanh�-lo desprevenido e evitar outro crime,
e p�-lo onde ele n�o possa fazer mais mal.
E tu serias o fulano que tornou isso poss�vel.
Fazes isso?
Bom... suponho que sim.
- Se acha mesmo que isso ajuda... - Obrigado, Tommy.
Tenho de dizer � minha m�e.
Ela � muito nervosa e preocupa-se muito comigo.
Isto tem que ficar entre n�s, mas prometo que � por pouco tempo.
Est� bem.
S� espero n�o estar a assinar a minha condena��o!
Laura?
Est�s bem, Laura?
Estou sim, Martin. Vem para casa, por favor.
J� vou a caminho. O Richard que guarde a arma.
Tommy Kopeck acabou de confessar o homic�dio do Burton Reeves!
O Tommy Kopeck?
Esse " caddy" foi muito gentil em ter aparecido quando era preciso.
N�o foi, Laura?
Tenho visto o Tommy no clube. � um tipo grosseiro.
Suponho que n�o � muito esperto. Nunca Ihe liguei muito.
Devia haver suspeitos mais prov�veis,
mas o Martin deve saber o que est� a fazer.
Al�m do mais, o tempo � crucial, n�o achas?
Espero que ele volte depressa. Estou ansioso por saber pormenores.
Sabes, Laura?
Para se ter sucesso, basta ter um plano vi�vel,
e a coragem para o levar a cabo.
Toma uma bebida comigo. Temos algo para comemorar.
V� l�... n�o tomes uma atitude t�o estranha.
Pensa no que te est� reservado: seres a mulher dum Governador,
e quem sabe se um dia n�o ser�s mulher dum Presidente!
N�o � impens�vel o Martin vir a ser Presidente dos EUA!
Ter�amos todos prazer nisso.
Excepto o Tommy Kopeck claro.
Aquilo do Tommy n�o � verdade. N�o acredito!
N�o � verdade o qu�, querida?
O Martin nunca for�aria uma pessoa a confessar um crime que n�o cometeu!
- Nem para salvar a tua vida? - Nem mesmo para isso.
Que sentimentos t�o nobres!
Est�s enganada. O meu irm�o � mais realista, e ambicioso tamb�m.
Duvido que venha a ter grandes problemas de consci�ncia.
Somos muito parecidos!
Se acreditasse nisso, eu...
Pobre Laura, �s uma sonhadora. Vais ter um grande choque!
Ele h�-de arranjar outra maneira. Tenho a certeza!
N�o h� outra maneira.
Martin!
Foste muito sensato, Martin.
- Estou a tentar ser... - Tive tanto medo!
- Vai correr tudo bem. - Claro que vai!
Tiveste problema em conseguir a confiss�o?
N�o foi f�cil.
Tive de falar em provas circunstanciais, no cadastro anterior dele...
E como ele confiava em mim, concordou com tudo o que Ihe pedi.
O veredicto ter� de ser " culpado"!
- N�o vais alinhar nisto! - Que mais posso fazer?
O Richard fez-me uma proposta: a tua vida ou a do Tommy.
� simplesmente uma troca!
A partir de agora, a arma j� n�o � precisa, pois n�o?
Exacto. Podes dar-me a confiss�o?
Depois de me dares a arma. Foi esse o acordo.
Podes confiar em mim.
N�o me posso dar a esse luxo. A confiss�o, por favor!
Martin!
- E agora, desanda! - Com certeza.
- Est�s pronta, Laura? - Laura?!
N�o penses que me ia embora, sozinho!
N�o confio na tua consci�ncia.
Podias ter a tenta��o de ir � Pol�cia!
- Mas se a Laura estiver comigo... - N�o a podes levar!
Claro que posso. Senta-te!
Senta-te.
Dou-te a minha palavra que a trago quando o Tommy for executado!
Vem, querida. Temos uma longa viagem a fazer esta noite.
Tinhas raz�o, Laura.
Ele n�o se parece nada comigo.
Tanto trabalho que tive para nada.
Lamento, Laura.
Afinal, j� n�o fazemos a tal viagem.
Vamos ambos abrir a porta.
- � o Sr. Martin Ross? - Ele �...
Quem � a senhora?
Viu o que dizem do meu filho?
� uma mentira... uma mentira horr�vel!
� a verdade, Sra. Kopeck.
O seu filho confessou tudo!
N�o pode ser... devem t�-lo for�ado a isso!
O Tommy � bom rapaz. Um bocado inexperiente, por vezes,
mas n�o poderia matar! � imposs�vel!
A sua f� nele � comovente,
mas o facto � que cometeu um crime cruel e tem de pagar por isso!
O senhor n�o acredita nisso. � boa pessoa, disse-me o Tommy.
Deve saber que ele n�o matou! Impe�a esta coisa horr�vel!
Francamente, Sra. Kopeck. Eu nunca obstruiria a justi�a!
Justi�a?! Isto n�o passa de um erro.
Diga-Ihes isso, e eles soltam o Tommy. Por favor...
N�o suporto mulheres choramingas!
Corre com ela, Laura!
Eu sou uma mulher pobre. Tenho pouco para dar,
mas sei costurar. � assim que ganho a vida.
Podia vir muitas vezes a sua casa. Fazia-Ihe vestidos muito bonitos...
- A senhora n�o percebe... - Est� a sugerir um suborno?
- Por favor, Sr. Ross! - J� ouvi bastante!
N�o posso fazer nada pelo seu filho. A lei tem de seguir o seu curso.
E que curso � esse?
� muito simples. Ele vai ser enforcado.
- Ele s� tem 18 anos! - J� � adulto pela lei.
E agora, se nos d� licen�a... Laura!
S� o fiz para salvar o meu filho.
S� o queria salvar.
- Laura! - Martin!
O seu rapaz est� salvo agora, Sra. Kopeck.
Estamos todos, gra�as � senhora.
Ser� essa a nossa defesa. A sua e a minha.
E assim acaba "O Meu Irm�o, Richard".
Escusado ser� dizer,
que a m�e do rapaz foi levada a julgamento,
mas felizmente o j�ri tomou em considera��o
muitas das circunst�ncias expostas no filme desta noite.
No nosso pr�ximo programa, apresentaremos outra hist�ria,
e eu c� estarei tamb�m para fazer os coment�rios.
At� l�... boa noite.
Tradu��o e Legendagem A. S. Rodrigues / CRISTBET, Lda.
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