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O réu é condenado a...
Temos de arranjar uma solução. - Isto aqui está vazio.
O que me diz do Blomkvist? - Acho que lhe montaram uma armadilha.
Henrik Vanger? Do grupo Vanger? - Harriët Vanger. Costumava olhar por si.
Quem lhas envia? - O assassino de Harriët.
Não conhece a minha família. Não sabe do que são capazes.
Harriët foi assassinada. Repare nas cortinas.
Esta é a última fotografia da Harriët. - Agora trabalhas para o grande capital?
Desista, antes que também fique obcecado. Não há resposta.
Para onde é que ela está a olhar? - Para o seu assassino.
- O que estão a tramar? - Propus ao Henrik investir na Millennium.
Se me causares o menor problema, passas o resto da vida atrás das grades.
Sei tudo sobre os teus problemas psíquicos e o teu passado violento.
Lisbeth Salander?
Quem é? - Sabe quem sou.
O que sabe sobre a minha investigação? - O homicídio, há 40 anos, de uma miúda de 16 anos.
Preciso da sua ajuda.
Stieg Larssons Millennium parte 2
OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES
Está bem.
Bem-vinda.
Então, ele vai sobreviver?
Posso visitá-lo?
A Lisbeth Salander está aqui.
Certo, Frode. Até breve. Obrigado.
"A mulher que se chegar a algum animal para ajuntar-se com ele..."
Como temos partilhado ficheiros, julgo que estará a par.
Estou.
Todas estas pessoas são suspeitas.
Estavam todas na ilha, quando a Harriët desapareceu.
Excepto Richard e Gottfried que já estavam mortos.
Ela estava com medo de alguém que viu do outro lado.
Citações, sangue e morte. Referências que constavam no diário dela.
No dia em que ela desapareceu, tinha falado com Otto Falk, o pastor.
Eles viam-se com frequência. Harriët tinha 16 anos de idade
e veio de uma família não-religiosa.
Subitamente, escreve trechos da Bíblia e dava-se com o pastor.
Por que não tem carro? - Para proteger o meio ambiente.
Também tenta salvar as crianças de África? - Devia sabê-lo. Estava no relatório.
Vamos nisso?
Planeava ir de autocarro? - Bolas.
Que se lixe.
Segure-se bem.
Sim, a Harriët. Pobre moça. Foi um final trágico.
Lembra-se do que falaram?
Por que é que de repente, ela se interessou tanto por religião?
Ela não era verdadeiramente crente.
A relação de Harriët com Deus era mais uma moda.
- Ela andava muito inquieta. - A Harriët escreveu estas citações.
Fazem algum sentido para si? - Rapariga estranha.
Não, parecem-me aleatórias.
Ela não levava nada a sério. Só se metia em sarilhos.
Há quem diga que ela era introvertida, recatada.
Não, não, ela era agitada. Sempre à procura de diversão.
A Suécia era pequena demais para ela. Foi por isso que partiu.
Partiu? - Sim, para Londres.
Ele está a falar da Anita. Pai, estás a baralhar as coisas.
Não. Ela tinha cancro, a pobre moça.
A Anita e a Harriët eram parecidas e eram melhores amigas.
A Anita partiu para Londres e morreu de cancro há alguns anos.
Estás a pensar na Anita, não é pai? - Sim, a Anita. Foi o que eu disse.
Tudo bem, pai.
A Anita era prima da Harriët. Conhecia-as ambas?
Sim, andámos na escola juntas.
- A Harriët era religiosa? - Não.
E após a morte do Gottfried? - Ela tornou-se mais introvertida.
Mas não era religiosa.
E se estas citações não tiverem nada a ver com Deus?
E se for um código?
Sara Witt foi encontrada morta no celeiro da família,
perto de Vilhelmina, em 1962.
Sara? Que mais diz aí?
"Entre as duas e as três da manhã, a vítima foi atraída..."
"O corpo da mulher foi desfigurado,
"talvez num ritual religioso.
"A polícia não divulga mais pormenores."
Desfigurada, ritual religioso...
Encontraram o assassino?
Não. O caso nunca foi resolvido.
- É um tiro no escuro. - Eu sei.
- A que distância fica Vilhelmina? - Longe de mais para ir de mota.
De que estamos à espera?
- Quer conduzir? - Porquê?
- Não guio desde o meu divórcio. - Está na altura de recomeçar.
Porque é que nomes femininos nos levam sempre a sites pornográficos?
Que está a fazer?
Pedi ao computador para analisar todas as bases de dados de jornais.
Quem foi o jornalista que escreveu aquele artigo sobre a Sara...
Witt? Gunnar Brännlund.
Gunnar. - Olá. Mikael.
Vamos para o celeiro.
Não conseguiram vender a quinta, após o que aconteceu.
Está vazia desde então.
Foi aqui que a encontraram?
Sim, o marido encontrou-a.
Foi horrível, para ele. Horrível.
Ela estava aqui deitada.
Nesta divisória.
Amarrada e torturada.
Também atacaram os animais? - Como é que sabia?
Sim, algumas vacas foram maltratadas.
Algumas tiveram de ser abatidas.
Há alguma explicação?
Não, mas prenderam um tarado que era bem capaz de o ter feito.
Um "tarado"? - Sim. Ele jogava pelo outro clube.
Você quer dizer homossexual? - Sim.
Mas não foi condenado? - Não, só por outras coisas sórdidas.
Na altura, era crime.
E muito bem, se quer a minha opinião.
"A mulher que se chegar a algum animal para ajuntar-se com ele,
"aquela mulher matarás, bem assim como o animal."
- Pode ser uma coincidência. - Sim.
Raios partam, Lisbeth.
Se as outras também coincidirem...
Encontrei um programa de TV antigo.
Um programa de 1999, sobre um homicídio em Dalarna.
Continua.
Na série Homicídios Suecos, há o caso de Magda Lovisa Sjöberg,
de Dalarna.
Magda...
"Um brutal homicídio em Novembro de 1954, que intrigou a polícia."
Não tínhamos uma referência a Magda?
Levítico, capítulo 1, versículo 12.
"...o partirá em pedaços, incluindo a cabeça e a gordura.
"E o sacerdote as porá em ordem na lenha do fogo sobre o altar."
Foi uma citação literal.
Citaste palavra a palavra.
Encontrei outra. Uma rapariga de 17 anos de Uppsala.
Merda. Quando? - 1964.
"Polícia busca desesperadamente por testemunhas".
"Homicídio de Mari torna as ruas desertas".
...e os índices de audiência foram elevados. Por isso planeamos uma nova temporada.
Novos episódios com homicídios antigos.
Esta é nossa apresentadora, Sally.
Dê-me dois segundos, que eu já dou uma olhada na cave.
Sally...
Demorei muito tempo. Mas valeu a pena.
Venha comigo.
Tanto quanto sei, o corpo da Magda foi encontrado após seis horas.
Por um lavrador que viu o fumo das chamas.
Pensou que fosse alguma festa de miúdos.
Alguém tirou gordura ao corpo.
É verdade.
Encontraram vestígios de gordura junto à cabeça.
Que horror.
Obrigado pela ajuda.
Se puder ajudar em mais alguma coisa...
Já que mencionou, podemos fazer fotocópias disto?
Sim, claro.
Mas que diabo. Tem calma.
Só queria acordar-te. Já chegámos.
Posso entrar?
Toma o teu saco.
Estás bem?
Sim, estou.
Não consigo encontrar ninguém com as iniciais BJ.
Mas LI pode ser Liv Ingvartsson.
Uma prostituta que desapareceu em Ånge e foi encontrada numa obra.
Qual é a citação?
"E ela fará a sua oferta de rolas ou de pombinhos,
"uma para expiação do pecado e a outra para holocausto."
"Assim o sacerdote por ela fará expiação do seu pecado
e lhe será perdoado."
Ånge fica a bastantes quilómetros na direcção oposta.
Aqui está.
Já temos a Sara, a Mari, a Magda e a Liv.
Quatro homicídios.
Só falta a BJ, que foi marcada com um círculo.
A Harriët não podia conhecê-las.
A Liv foi morta em 1949.
A Harriët nasceu em 1950.
Qual é a ligação?
Ela fez uma lista de mulheres assassinadas e depois desapareceu.
A Harriët devia saber quem era o assassino.
Isto é óptimo material, Janne. - Ainda bem que gostas.
Mas lembra-te... não publicamos nada sem fontes credíveis.
Erika, podemos falar? - Com certeza.
Não te esqueças de lhes telefonar. - Não.
Obrigado, Janne. - Ok.
Descobri que o Janne mantém contactos com o Wennerström.
Como sabes isso? - Acedi à sua caixa de email.
Houve uma coisa que me alertou.
Ele recebe uma cópia de todos os emails que recebemos e enviamos.
E reencaminha para o Wennerström, tudo em que o nome dele aparece.
Janne...
Então ele está a soldo do Wennerström.
Raios partam.
O que vais fazer?
Despedi-lo assim que possível.
Será a melhor opção?
O que queres dizer? - Eu estava a pensar...
Não será a oportunidade ideal para controlar que informações o Wennerström obtém?
Malin, o que é que fazes na Millennium?
Tens lugar na política.
Estou a precisar de um duche.
O que é?
Esteve aqui alguém.
Alguém tocou nas fotos.
A Bíblia está noutra posição.
- Olha. - Mas que raio...?
Alguém teve curiosidade.
Amanhã compro outra fechadura.
Lisbeth...
Tens memória fotográfica?
Desculpa. Não queria chatear-te.
Se tiveres, é fantástico. Quem me dera tê-la.
Credo, assustaste-me.
O que é?
Que estás a fazer?
Achas mesmo que é boa ideia?
- Vais-te embora? - Boa noite.
- Bom dia. - Bom dia.
Dormiste bem?
Vou informar o Henrik. Queres vir? - Detesto hospitais.
Mas isso é... É totalmente absurdo.
Descobriu mais do que eu esperava.
A sua assistente, é competente? - Sim, muito.
Peço desculpa por o controlar, mas eu tinha que me certificar...
que não tinha dado acesso aos meus negócios, à pessoa errada.
Não há problema.
Concentre-se em recuperar.
Sabe quando vai ter alta? - Não será brevemente...
Mas vou recuperar, por muito que isso chateie os Vanger.
Eles convocaram uma reunião e você é o tópico principal.
Eu?
Isabella, a mãe da Harriët, quer desistir.
Vou continuar até ao fim.
Mantê-lo-ei informado.
Nessa última citação...
- As últimas iniciais. - BJ.
Pergunte ao Morell se pode ajudá-lo.
Ele não estava contente por me ter contratado.
Ele quer descobrir o que aconteceu à Harriët.
Dê-lhe outra oportunidade. Ele merece.
Morell!
Raios me partam! Cinco homicídios!
Não eram números de telefone.
Se lhe serve de consolo, não fui eu que descobri.
Precisamos da sua ajuda. - Sempre que quiser.
Não encontrámos a última mulher, com as iniciais BJ.
Ela assinalou-as, como se fossem especiais. É a última referência.
Nos arquivos da polícia local,
se houver uma mulher com estas iniciais assassinada nos anos 40, 50 ou 60,
temos de a encontrar.
As mulheres tinham algo em comum? Algo relevante para o assassino?
Parece ser tudo arbitrário, excepto as citações da Bíblia e o sexo das vítimas.
Sabe o que isso significa?
Se o primeiro homicídio ocorreu em 1949,
o homem que tem mandado flores ao Henrik já é muito velho.
Reduz consideravelmente o número de suspeitos.
Mikael.
Ainda bem que veio. Seja bem-vindo.
O Harald não pôde vir. Está a caçar veados.
A que devo esta honra?
Tem lido o jornal local?
Estive fora.
Estão a publicar
artigos muito interessantes
sobre o seu exílio aqui em Hedeby.
"A jovem namorada de Blomkvist"
"Vanger investe em revista falhada"
- E depois? - Tem de perceber que não gostamos.
O Henrik está a morrer e os escândalos sucedem-se.
A minha vida privada não tem nada a ver com o meu trabalho para o Henrik.
Mas afecta toda a gente
no Grupo Vanger.
Não fez já mal que chegue? Ainda tem de provocar o enfarte do Henrik
ao remexer na morte da minha filha
e pressionando-o a investir na sua publicação maledicente?
Vamos manter a calma.
O Mikael foi contratado pelo Henrik e faz o seu trabalho.
Talvez seja altura de desistir. - Como assim?
Só piora as coisas, vindo para cá com a sua puta.
Não fale assim, mãe. Mas talvez possa fazer uma pausa.
Isto tem sido muito duro.
Sou necessário aqui. - Sim, mas na Millennium também.
O que tem isto a ver com a Millennium?
Eu estou a substituir o Henrik na sua ausência.
O Henrik concordou em não interferir, quando decidiu investir.
Mikael, como seu amigo...
Desculpem, mas tenho algo a dizer. O Henrik assinou um contrato.
Enquanto ele for vivo, está em vigor.
Quer o Mikael queira ou não, tem de continuar.
Lamento que tenha sido tão dramático.
- Por que usa o colar da Harriët? - O que quer dizer?
A Harriët estava a usá-lo quando desapareceu.
Agora, está consigo.
Onde quer chegar? Está a acusar-me?
Diga-me só como o obteve.
Herdei-o da Anita. Nunca pertenceu à Harriët.
Anita, a sua irmã?
Quando você chegou, eu pensei:
Finalmente, haverá sangue novo no seio deste ambiente hostil.
Mas você está tão obcecado como o Henrik.
Micke.
Micke.
Tudo bem?
A Anita é a Harriët. Enganei-me, não era ela.
Do que estás a falar?
Ambas tomaram conta de mim naquele Verão. É o colar da Anita.
Sim, é a Anita.
Merda, eram tão parecidas.
- Que sabemos da Anita Vanger? - Prima e melhor amiga da Harriët.
Passavam os Verões juntas.
Ela não tinha álibi, mas não era suspeita.
Logo após a morte da Harriët, foi para Londres estudar.
Teve uma carreira brilhante,
mas morreu de cancro da mama aos 37 anos.
Morreu há 20 anos.
Ela não disse ao Morell que era ela na janela.
- Talvez para encobrir o assassino. - Sim.
"Olá, Plague. Por favor, podes investigar a Anita Vanger?"
- Plague? - Se houver algo, ele descobre.
- Que aconteceu? - Um cretino qualquer alvejou-me.
Deixa-me ver.
- Viste quem era? - Não. Merda.
Anda tomar um duche.
Merda.
Já devemos estar muito perto. E há alguém que não gosta.
Dá-me o meu telemóvel. Temos de chamar a polícia.
- Que podem eles fazer? - Vai buscá-lo.
- Então vou-me pirar. - Lisbeth!
Não nos precipitemos. - Então?
Pode ter sido um acidente de caça. - Não.
Vamos esclarecer tudo. - Espero que sim.
E, se não for, não está em segurança aqui.
Acho que devia ir para casa. Pelo menos por uns tempos.
Desde que cheguei, todos me pedem para partir.
Há novidades sobre a BJ?
Não encontrámos uma BJ no sistema.
Mas continuaremos a procurar.
Não, não há balas aqui.
Nem invólucros. Não encontrámos nada.
O que aconteceu?
Passei 7 horas na esquadra.
Eles acham que foi um acidente de caça.
O que é tudo isso? - Veio da Milton Security.
De Estocolmo.
Duas câmaras lá fora e quatro cá dentro, com sensores de movimento.
Tenho a casa toda coberta.
Fantástico.
Não pensas partir, pois não?
Não.
Então, já temos um vídeo?
Sim, já está na Internet.
- Que estás a fazer? - Desculpa?
- Vai dormir para a tua cama. - Quero ficar junto a ti.
Ok, mas eu vou dormir.
O que te aconteceu? Como te tornaste assim?
Sabes tudo sobre mim e eu não sei nada sobre ti.
Nada.
Pois. É assim.
Quem é? - O Morell.
Encontrei a última.
Rebecka Jacobson, a sua alcunha era Bea.
BJ. Foi por isso que não a encontrámos.
"Qualquer homem ou mulher que tenha um espírito de necromancia
"ou espírito de adivinhação..."
"...certamente morrerá; serão apedrejados."
É ela.
- Onde foi morta? - Em Karlstad.
Mas mais interessante,
a Rebecka trabalhou para o Grupo Vanger
até à sua morte, em Janeiro de 1965...
como secretária de Gottfried Vanger.
O Gottfried morreu antes da Harriët desaparecer. Portanto, não foi ele.
Mas temos de verificar se ela conhecia outros membros da família Vanger.
Tem cópias dos relatórios? - Vão-me mandar de Karlstad.
- Espera... - Que é?
Rebecka e Sara são nomes de judeus. Magda... - Magdalena.
Mari, Maria. Mas Liv?
Liv significa Eva Aposto que Liv Ingvartsson era judia.
Homicídios racistas. Encaixa nos rituais pseudo-religiosos.
Mas Harriët?
Harriët morreu porque descobriu um padrão. Como é que não percebemos logo?
São nomes judeus.
Havia três nazis na família Vanger.
Apenas um estava vivo quando a Harriët morreu.
O Harald.
Que, por acaso, estava a caçar quando foste sozinho para o bosque.
O primeiro homicídio ocorreu ali, em 1949.
Depois Dalarna, Vilhelmina, Uppsala, Karlstad.
Se o Harald esteve lá, deixou um rasto.
Como assim? - As contas do Grupo Vanger.
Viagens de negócios. Deve haver provas. Contas de restaurante e hotéis.
Achas que declarou despesas de homicídios? Eu conheço os empresários.
Mesmo que provemos que ele esteve nesses sítios, não basta.
- Talvez ainda esteja a caçar. - Sugeres que lhe arrombemos a casa?
Os nossos contabilistas estão em Hedestad. - E terão guardados dados tão antigos?
Possivelmente. Posso perguntar o que procura? - Preferia que não. Mais tarde.
Vou tratar disso com o Frode. - Obrigado.
Mikael...
Desculpe aquilo da reunião. Não pretendi ser ríspido.
Mas é quase instintivo para mim proteger a família Vanger.
Tudo bem.
Como está a sua cabeça? - Está bem, obrigado.
Trate de si.
Temos de recuar muitos anos.
89...
Precisamos das contas de 1949 até 1966.
Agradeça ao Henrik os métodos arcaicos dele.
Senão, há muito que teriam destruído tudo.
Está aí tudo. Divirta-se.
Menina Salander, o que descobriram até agora?
Obrigada, é tudo.
Stockholm...
"Em nome do Führer eu confiro..."
Mas que raio faz aqui? Responda!
Você vai escrever sobre mim na sua maldita revista comunista?
Vou sair já. Não dispare.
Arrombou a minha casa, tenho direito de o matar.
Mas que raio se passa aqui?
- Quieto! - Larga a arma, Harald.
- Vá, larga a arma. - Não é da tua conta, Martin!
Larga a arma. Larga.
Está bem?
Como raio é que o Gottfried teve um filho tão frouxo?
Sara DeWitt, 12 de agosto Vilhelmina
Harald não (Malmö)
Harald não (Hamburgo)
Não.
- Temos de ligar ao Morell. - Podemos ligar-lhe de minha casa.
O Harald não vai a lado nenhum.
Venha.
Gottfried?
Uppsala 1964.
Abril.
Ele deve estar lá.
Mas que porra.
Não pode ser.
Camisola azul.
Mas que porra...
"Gottfried Vanger e o seu filho Martin."
Já está melhor? - Ele pregou-me um grande susto.
Ninguém devia meter-se com o Harald. Que fazia em casa dele?
A Harriët descobriu vários homicídios
dos anos 40 aos anos 60.
Sabemos que ela descobriu um padrão que a polícia desconhecia.
Julgamos que foi morta por isso.
Mas isso... parece uma loucura completa.
Descobrimos um padrão nas vítimas.
Todas têm nomes judeus.
Bem, o Harald não é louco pelos descendentes de Abraão.
Pois. Por isso fui a casa dele, para ver se descobria algo.
- E? - Não encontrei nada.
Ele apareceu muito depressa.
Mas não agiu propriamente como um inocente.
Se a Lisbeth descobrir as actividades dele em viagem,
a partir das contas, teremos provas contra ele.
Pagamentos, facturas.
Ela está a analisar tudo.
Ok. Vou chamar a polícia. - Tente o Morell.
Que fazia você em casa do Harald?
Grite à vontade, Mikael. Grite à vontade.
Acha que alguém o escutará?
Ambos sabemos qual vai ser o seu fim.
Porquê?
Porquê o quê?
- Tudo isto. - Porque não?
Faço o que todo o homem sonha. Tomo o que quero.
Quantas mulheres, depois da primeira?
Não faço ideia. Já perdi a conta.
Tinha uma rapariga nesta jaula enquanto jantávamos lá em cima.
Essas mulheres desaparecem constantemente.
Ninguém dá pela falta.
Putas, imigrantes.
O que lhes faz?
Então e as citações? E as mutilações?
Esse era o projecto do meu pai.
Ele misturava o seu passatempo com racismo e religião.
Mas foi um erro.
Não se deve deixar cadáveres para trás.
Eu levo-os a passear no meu barco
e depois deito-os ao mar.
Mikael?
A Mari foi a minha primeira.
Em 1964.
Você tinha 16 anos.
Foi o meu pai Gottfried
quem me mostrou como devia estrangulá-la.
É doentio.
É sobretudo por causa do sexo.
Quando as abato,
é apenas a sequência lógica da violação.
Não podemos deixar testemunhas.
Embora tenha de admitir que adoro ver a desilusão delas.
- Desilusão? - Quando percebem que vão morrer.
Isso não lhes entra na cabeça.
Pensam sempre que terei misericórdia.
É um momento fantástico, quando percebem que não vão escapar.
Quando os olhos...
se apagam e morrem.
Também vai passar por isso.
E a sua irmã? O que sentiu quando os olhos dela morreram?
- A Harriët desapareceu. - Quer que acredite nisso?
Acredite no que raio quiser.
Teria gostado de a matar, mas ela desapareceu.
Tal como você vai desaparecer.
Quer um copo de água?
Obrigado.
Vê?
É como toda a gente.
Basta um pequeno gesto humano
para acender a esperança
de que afinal possa libertá-lo.
Não é?
Tenha calma. Vai ser rápido.
Estou ansioso por tratar da sua namoradinha.
Anda cá, cabrão!
Estás bem?
Não consigo...
Não consigo...
Não consigo mexer-me.
Não consigo mexer-me.
Ajude-me.
Por favor, ajude-me.
Onde está o Martin?
Já não vai voltar.
Como assim?
Morreu num acidente.
- Acabou-se. - Tens a certeza?
Mas que raio fizeste?
Ele morreu num acidente de carro. Não sabemos de nada, Ok?
Blomkvist!
- Mas que raio aconteceu aqui? - A cave...
O que se passou?
Ele não morreu num acidente, pois não?
Raios, Lisbeth.
O pai dele ensinou-o a matar quando ele tinha 16 anos.
Isso tornaria qualquer um em doente mental.
Não faças dele uma vítima. Quase te matou.
Era um assassino e violador e gostava de o ser.
Teve as mesmas oportunidades que toda a gente.
Escolhemos quem queremos ser.
Ele não era uma vítima.
Era um cabrão pérfido que odiava as mulheres.
Como é que ele morreu?
Queimado vivo.
- Podias tê-lo salvado? - Sim.
- Mas deixaste-o arder. - Sim.
Eu nunca teria feito isso, Lisbeth.
Mas entendo por que o fizeste.
Não sei o que passaste...
Mas eu quase morri naquela cave...
e tu salvaste-me a vida.
O que quer que tenhas passado,
não és obrigada a contar-me.
Só estou feliz por estares aqui.
Obrigada.
Pela primeira vez na vida, sinto-me velho.
O que fazemos agora?
É preciso identificar as vítimas.
Notificar as famílias.
Contactar os que pudermos e contar-lhes o que aconteceu.
Como poderíamos compensá-los?
Talvez uma compensação financeira?
Bem, Mikael. É a história desta década.
É uma bela história para relembrar na prisão.
É uma história maravilhosa.
Mas eu não a vou escrever.
Não sei como posso agradecer-lhe.
Resolveu um mistério que me tirou anos de vida.
Sim, foi o meu primeiro caso.
E também é o meu último.
Ainda não acabou.
O que quer dizer? - A Harriët não foi vítima do Martin.
- Que está a dizer? - O Martin não matou a Harriët.
Lisbeth?
Lisbeth?
"Há duas mulheres chamadas Anita Vanger. Uma delas morreu em Londres."
"A outra vive na Austrália. Entrou pela primeira vez no país em 1966."
Harriët?
Harriët Vanger?
Harriët Vanger?
Tudo bem?
Já nos conhecemos?
Sim. A senhora e a sua prima tomaram conta de mim em criança.
Mas estou aqui em nome de Henrik Vanger.
Ele sabe que eu estou viva?
Ainda não.
Tem a ver com o acidente de carro do meu irmão?
Como soube? - Nós aqui também temos Internet, sabia?
O seu irmão fez-me isto.
Quase me matou.
Isso não me surpreende.
Vim visitar Agneta Salander.
- Quem devo anunciar? - A filha.
A filha? É filha da Agneta?
Desculpe, mas é que... nunca a tinha visto.
Há uma visita para Agneta Salander.
Ok. Quarto 314.
Olá, mãe.
Mãe?
Sou eu, a Lisbeth.
Lisbeth...
És a Lisbeth?
Há muito tempo que queria vir.
Estás tão diferente.
Tens filhos? - Não.
Um namorado?
Há alguém...
Mas nunca devemos apaixonar-nos.
Sabes isso melhor do que ninguém.
Não é, mãe?
Devia ter escolhido um pai melhor para ti.
Era a ti que ele maltratava.
Mãe...
Entre.
Mikael. Bem-vindo.
Tenho uma boa surpresa. Prometa que não tem um enfarte.
Com todos os comprimidos que ando a tomar,
acho fisicamente impossível ter um enfarte.
Harriët?
Desculpa.
Desculpa.
Perdoa-me.
Eu tinha 14 anos quando o meu pai me violou pela primeira vez.
Um ano mais tarde, levou-me para a casa de campo dele.
Então, o Martin juntou-se-lhe.
Eles...
Depois disso, violaram-me várias vezes.
Um dia, fartei-me.
O meu pai estava bêbedo, como de costume.
Citava versículos da Bíblia gabava-se de ter matado muitas mulheres.
Peguei no remo e bati-lhe com força.
Empurrei-o para baixo de água, até ficar parado.
Depois, empurrei o barco, para que parecesse um acidente.
Mas quando me virei...
o Martin estava lá.
O Martin tratava-me ainda pior do que o Gottfried.
Ele foi enviado para um colégio interno em Uppsala,
mas voltou no Dia da Criança.
Tive medo que recomeçasse tudo.
E foste ter com a Anita?
A Anita ajudou-me a fugir daqui.
Quando a ponte abriu, ela levou-me de carro.
Fui no banco de trás, debaixo de um cobertor.
Pensei em ti todos estes anos.
Mandei-te as flores emolduradas
porque queria que soubesses que estava algures por aí.
Tive pena, quando o Mikael me contou
a forma como as interpretaste.
Se não as tivesses mandado,
não estarias aí sentada.
Pois não.
Lisbeth, sou eu outra vez.
Se ouvires isto, liga-me.
Espero que estejas bem.
Liga-me.
Tem uma visita.
Meia hora.
Estou tão feliz por te ver.
Toma.
- O que é isto? - Algumas leituras.
Não queres sentar-te?
Só queria dar-te isso.
Só me falta um mês e meio.
"Toda a gente tem segredos"
Actividades fraudulentas dos clientes
"O império de Wennerström parece um organismo vivo e pulsante...
O jornalista Mikael Blomkvist, que cumpriu uma pena
por difamar o empresário Hans-Erik Wennerström
volta agora a acusar Wennerström.
Na revista Millennium,
Blomkvist acusa Wennerström de usar as suas empresas
para cometer graves crimes financeiros.
- Por que volta a persegui-lo? - Dá que pensar.
- Que acontecerá a Wennerström? - Neste momento, há uma cela vazia.
É exposta uma teia, na qual o valor
das empresas do grupo Wennerström
é inflacionado por firmas fictícias.
Blomkvist descreve um império baseado em mistificações, contas falsas,
garantias fraudulentas e operações de câmbio internacionais.
A Millennium mostra que Wennerström financia cartéis do terceiro mundo.
Cartéis implicados no tráfico de droga e de armas.
Janne. Chega aqui. - O grupo Wennerström
recrutou um funcionário da Millennium,
ao qual pagava por informações
visando minar o trabalho daquela publicação.
Este é o último desenvolvimento na...
Aí está ele!
Saúde!
O procurado empresário Wennerström foi encontrado morto esta manhã
no seu apartamento de Marbella, Espanha.
Uma empregada de limpeza encontrou o empresário de 44 anos.
Segundo a polícia, foi suicídio.
Não há suspeita de crime.
Novos desenvolvimentos no caso Wennerström.
A polícia já analisou todas as contas de Wennerström.
Parece que uma avultada soma foi levantada de uma conta nas Ilhas Caimão.
Foram levantados vários milhões de coroas suecas.
A polícia está a investigar uma mulher não identificada
que foi apanhada por uma câmara de vigilância.
Lisbeth.
Legendas e sincronização: caligiuri
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