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Zulu
Para a próxima, informa-me
antes do caos.
Eu vinha informar-te.
HORA OITO 14H00 - 15H00
- Vejam se têm tudo. - Vamos a isto.
A Informática ligou-me porque tenho formação em ciberataques.
Então, diz a todos o que fazerem.
Não. É melhor ouvirem pelo responsável do...
Achas?
Muito bem, venham cá.
Mas que porra...
Pode ter havido um ciberataque.
Não, desligámos para evitar o ciberataque.
Malta, acalmem-se. Ouçam.
Como podem ver, estamos a redecorar
a área central.
Os computadores estão em risco de ciberataque.
Assim, vamos passar a analógico.
- Até quando? - Não sei.
A Informática desligou tudo
para poderem reforçar as ciberdefesas.
A pergunta foi: "Até quando?"
Não sei, talvez 24 horas.
- Credo! - Assim sendo, primeiro,
temos de replicar as fichas dos doentes
no quadro branco.
Digam-me que tiraram uma foto.
Sim. Tenho-a aqui.
Certo.
Está desfocada.
Não, mais do que desfocada.
- Desculpem. - Meu Deus...
Eu lembro-me.
Ótimo. Se todos se lembrarem dos nomes
e quartos dos doentes, será fantástico.
Não. Eu lembro-me de todos.
- Como assim? - Nomes, médicos, quartos.
Tenho memória fotográfica.
A sério, tudo?
12 Central, Harlow Graham,
cefaleia, dor abdominal, língua gestual.
Merda, tenho o intérprete à espera.
- Vai lá. - Por privacidade,
as queixas serão abreviadas.
"C" para "cefaleia", "DA" para dor abdominal e por aí.
10 Central, Jackson Davis, psicose inicial.
Javadi, admissão psiquiátrica.
"Psi" para "Psiquiatria".
"Ped" é a bebé desconhecida. A Dra. Mohan aguarda a admissão.
Dividam a enfermagem em zonas.
- Norte, Central, Sul, Trauma. - A Dana?
Está com a agressão sexual.
Não pode sair até terminar.
- Pode demorar. - A Princess tem experiência.
- Nem por isso. - Boa ideia.
Fica a Princess. Tratas da função.
- A seguir. - 9 Central, Roxy Hemler.
Cancro do pulmão terminal.
Ficamos aqui enquanto ela dita tudo?
Não. Vão ver os doentes e depois regressem.
Obrigado.
Quantas horas passa ao portátil?
Pelo menos, oito. Trabalho em casa.
Passa o dia na secretária?
Não. Estou no sofá ou na cama.
Fico com o computador no colo, essas coisas.
Está sempre a olhar para baixo?
Sim.
Vou verificar os músculos do pescoço.
Isso dói.
Muito bem. Podemos ajudar.
Venham cá.
Muito bem, reúnam-se.
Ouçam todos. Isto são os suportes.
Cada ranhura e prancha tem um número de quarto.
Ao receberem um novo doente, vão buscar uma ficha nova aqui.
Escolhem-na por queixa e usam os desenhos para a encontrarem.
Porque há dois corpos?
Trauma à esquerda e médico à direita.
Lesão na cabeça é esquerda e dor de cabeça é direita.
- São peixes na erva? - Não.
São abelhas e erva.
É a secção de mordidas de insetos, exantemas, alergias...
Por exemplo,
a Dra. Al-Hashimi tem um doente com cólicas.
Nos antecedentes, fazem um círculo nos positivos, como vómitos e diarreia,
e riscam os negativos,
como viagem recente, contactos ou febre.
No exame físico, façam um visto à esquerda para normal
e um círculo à direita para anomalias. Perguntas?
O programa de IA generativa vai funcionar?
Não por um bocado.
E larguem os telefones Spectralink, só funcionam com internet.
Urgências do CMTP. Diga, comando médico.
É assim que receberemos as admissões.
Obrigado. Dois minutos, dor abdominal e febre.
Até agora, todos perceberam?
Como fazemos prescrições?
Formulário de pedido médico de análises, raios-x, fluidos IV e medicação.
O laboratório consegue trabalhar?
- Sim. - A TAC funciona?
Sim, mas os radiologistas darão os resultados em papel.
É a Idade das Trevas.
Se têm pedidos de análises ou raios-x, ponham-nos neste arquivo.
Vão assiná-los, adicionar o tempo de espera
e levá-los ao sítio certo.
- Quem tratará disso? - Ao serviço!
Serão o Larry e o Antoine até termos mais gente.
- Nós tratamos disto. - Depois, a ficha passa
para este suporte para IV, medicamentos e procedimentos.
Os medicamentos estão no SDM.
O SDM é aberto pela Dra. Megan Nordt, a farmacêutica clínica.
- Nós cobrimos-vos. - É muito.
Perguntas? Sim.
Não.
Para que é a terceira?
Quando o doente for ter alta,
a ficha entra aqui.
Assim, todos saberão que há uma cama a vagar.
- Ou que a sandes está feita. - Jesse?
- O que é isso? - O que é isso?
- É um fax. - Ainda os fazem?
É para as análises e raio-x.
Os resultados virão por fax
e os funcionários põe-nos nas fichas.
- Se o diz... - A chegar!
Dra. McKay, Dr. Whitaker, Ogilvie, ficam comigo.
Quanto aos outros, façam pastas.
Howard Knox, 52 anos,
dor abdominal e febre, 152 por 90.
- Taquicárdico a 120, não consegui IV. - Porque será?
- Olá, senhor. Sou o Dr. Robby. - Howard.
Temos estudantes.
Vou supervisionar a Dra. McKay, o Dr. Whitaker
e o estudante Ogilvie.
- Olá. - Como se sente?
- Mal. - Pois.
- Princess, o que há? - A Trauma 1. Perlah.
Antiácido e bupivacaína. 12 Central.
Estamos bem, Dra. Santos. Precisa de uma etiqueta.
- Perfeito. - Põe no suporte de pedidos
e vai ter comigo ao SDM.
Quão mau é isto?
Pensavas que hoje não podia piorar?
Isto era assim quando eu era interno.
No séc. XX?
Sim, escrevíamos à luz da vela.
Hoje será uma aventura.
Pensem no Regresso ao Futuro.
Ou no Titanic.
Eis o antiácido. Saúde.
E marquei o ponto que despoleta a dor de cabeça.
Uma injeção local de anestésico pode ajudar.
- Vamos a isso. - Ótimo.
Vai sentir uma picada e ardor.
Isso dói muito.
Temperatura 38,3 ºC, taquicárdico a 128,
oximetria 92 com 2 litros.
Quando começou a dor?
- É intermitente há uma semana. - Onde a sente?
Em todo o lado.
Começou à esquerda e tenho alguma à direita.
- E a febre? - Desde a noite passada.
Estava a arder e tinha calafrios.
Não encontro veia.
- Tenta a linha média. - Diga se doer.
- Desculpe. - E aqui?
- Sim. - Desculpe.
Tensão sem rigidez de dor, 100 de fentanil IM.
- Plano, Dr. Whitaker? - Análises, lactato, piperacilina.
Precisamos de uma TAC para saber mais.
- Não vai dar. - Pois.
- A caligrafia importa. - Howard, para a TAC,
tem de se deitar de costas. Consegue?
Há dez anos, sim, mas agora custa-me respirar.
Se não conseguir, temos de pôr um tubo
na sua traqueia para respirar. Pode ser?
- Intubação com indução rápida? - Não o podemos deitar.
O tubo entra-lhe pelo nariz, estará acordado.
Pois.
- Dói? - Estará adormecido.
Não sentirá desconforto.
Sabe o seu peso?
Pouco mais de 180 kg.
- Quando se pesou? - Já foi há uns tempos.
Poderá ter mais de 200 kg?
Talvez.
Perlah, pede o elevador Hoyer.
Vamos colocar o tubo e prepará-lo para a TAC.
É grave?
Sem a TAC, não sabemos.
Pode precisar de antibióticos ou de cirurgia.
Caso seja a cirurgia,
o seu peso pode complicar tudo.
Eu dei. Desculpem.
Calma, vamos tratar bem de si. Equipa.
Analgésicos, sim?
Tentemos a veia basílica com ultrassom.
Para verificar apendicite?
Ele é demasiado grande.
E a TAC só aguenta 200 kg.
Se ele pesar mais, mandamo-lo para o zoo?
Ele está ali.
Ouvi que há lá uma máquina de TAC para animais grandes.
- O Presbitariano tem uma de 300 kg. - Se estiver a funcionar.
Não é agourar, só...
Já fizeram uma nasotraqueal acordado?
Muito bem.
Perlah, pedes à Dra. Al-Hashimi para vir?
Preciso de assistência.
Sim. Certo.
Desculpa. Assinado.
- Obrigado. - Cama F,
George Francis,
falta de ar, Dra. Mohan. Aguarda dímero-D.
Ela continua?
Sim. É impressionante.
Dra. Al, o Dr. Robby chama-a.
Está bem.
- Vou à Trauma, Princess. - Certo.
Quem leva os formulários para o raio-x e análises?
A enfermeira-chefe.
Não olhes para mim.
Estou atolado.
- Os pais da Roxy Hemler. - 9 Central.
Eu trato, Donnie.
Olá. Chamo-me Victoria Javadi, sou médica estudante.
Tenho a Roxy ao meu cuidado.
- Obrigado. Chamo-me Lloyd. - Cora.
Muito gosto.
Ela partiu a perna?
Sim, tem uma fratura no tornozelo.
Ela tem uma bota, por isso, tem poucas dores.
Eu levo-vos, ela está na 9.
O wi-fi não funciona.
Vai estar em baixo um bocado. Desculpa.
A mãe partiu a perna, avô.
Já soubemos.
Como estás, querida?
Tu aguentas, miúda.
Sim.
Quanto tempo ficará ela aqui?
Até termos cama lá em cima.
Pode demorar.
Isto está a ficar apinhado.
Vamos levar o Tucker e o Shane.
- Sim, por favor. - Não. Estou bem.
Talvez a vossa mãe queira descansar.
Sim, vão.
Ela pode comer gelado?
Ela pode comer o que quiser.
Vamos lá.
Sim.
Ouçam.
Isto é oximetazolina, vai abrir a passagem.
Que medicação toma?
Lisinopril e metformina.
Ozempic? Wegovy?
Não, isso é caro.
Vou pôr-lhe gel anestésico no nariz.
Se for para a garganta, não há problema.
Aqui tem, caso precise.
Fuma? Bebe?
- Nunca. - Faz exercício?
Vou do quarto para a cozinha.
Caminharia mais,
mas tenho de me sentar a cada esquina.
E aeróbica na piscina?
Concentremo-nos em ajudar o Sr. Knox.
Concordo.
Demorei 25 anos a ficar assim.
Acidente de carro, unidade de queimados, quatro cirurgias à perna em dez anos.
Cheguei ao ponto de perder o emprego.
Vou anestesiar o fundo da língua.
Vai saber mal.
Quer que liguemos a alguém?
Família?
Os meus pais morreram.
- Sou solteiro. Nota-se. - Irmãos?
Uma irmã no Arizona.
Não falamos muito.
Agora que lhe anestesiámos a língua,
podemos ir mais fundo.
Desculpem.
Tenho uma mulher com cegueira repentina.
- Eu vou. - Está bem.
Procuras-me o Abbot?
- Sim. - Obrigado.
- Como se chama a sua irmã? - Lauren Milford.
Onde, no Arizona?
Flagstaff, acho eu.
Vou entrar e anestesiar-lhe as cordas vocais.
- Quantos dedos? - Não vejo dedos.
E agora?
Vejo alguma luz.
Brooke, conheceu a Dra. King.
- A Dra. Al-Hashimi. - Muito gosto.
Wendy, a esposa.
- Olá. - Olá.
Podemos falar dos sintomas?
Desde que vos possa corrigir...
Ela vai fazê-lo.
Uma hora de perda de visão súbita e indolor à esquerda.
Sem antecedentes de hipocoagulação nem doença vascular.
Pode olhar em frente?
Oclusão da artéria central da retina?
Tradução, por favor.
Um pequeno coágulo pode bloquear a artéria no fundo do olho
e diminuir a visão.
Pode chamar-se AVC ocular.
AVC? Ela pode ficar paralisada?
Não, isto é limitado ao olho.
- É permanente? - Primeiro, temos de diagnosticar.
Exame retiniano?
É difícil ver bem.
Precisamos do FOP.
Do quê?
Princess, precisamos de etiquetas em cada um destes pedidos,
ou a farmácia não saberá dar os medicamentos.
Vamos tratar disso.
Princess, o fundoscópio.
- Equipamento, corredor. - Obrigada.
Pareces confusa.
Como saberei que doente apanhar?
Vê pelo topo. Estão por ordem de chegada.
Apagas o primeiro e pões as tuas iniciais na caixa.
- Certo. Obrigada. - Caleb.
Michael, estás a tratar deste caos?
É fácil quando estás para ir de férias.
Há mais doentes comatosos com quem falar?
Estou a gozar.
- Pois. - Victoria, esta é a Nicole Steadman.
Giro o grupo de apoio a pais na Psiquiatria.
A filha da Nicole foi diagnosticada no segundo ano da faculdade.
Os pais do Jackson podem falar com ela?
Podemos perguntar.
Agora vemos toda a retina sem dilatar a pupila.
- É o olho errado. - Começamos neste para podermos comparar.
- Parece ótima. - E o olho mau?
Olhos bem abertos.
Que tal?
Muito pálido. Sem fluxo.
Massagem digital. Dez segundos e pausa de cinco.
Pede uma TAC à cabeça.
Entre.
Olá. A doente desapareceu?
- Está numa pausa. - Vais esperar muito mais?
Já sabes do ciberataque?
Sim. Gostaria de ajudar,
mas fico aqui até recolher as provas todas.
Aquilo está uma confusão.
Tal como este dia.
Desculpem, vou sair.
Está bem?
Estou.
Ainda bem. Comeu alguma coisa?
Não.
Vamos continuar.
Muito bem.
- Pronto. - Obrigada.
Porque não há um nas Urgências?
Porque os doentes intubados costumam estar sedados.
Certo.
Podias abrandar os comentários sobre o peso dele.
Só queria saber como engordou e como o podemos ajudar.
Ajudamos ao descobrir o que se passa e a respeitá-lo.
- Como está a barriga? - A segunda injeção ajudou.
Pronto. Se precisar, temos mais.
- Sinais intestinais reduzidos. - O melhor da UCI.
Ótimo. Howard, vamos abrir a passagem agora,
para passarmos o tubo.
Vou com o mindinho devagar
e depois continuo até ao fim do meu dedo.
Após o tubo passar as cordas vocais, não poderá falar.
Isto servirá para comunicar.
Tem no ecrã tudo que possa querer dizer.
Prima o ícone e ele fala connosco.
Quero medicamentos para as dores.
A minha dor é um nove.
Posso encomendar uma piza?
Há rede na zona de ambulâncias.
Encontrei o número da irmã. Deixei mensagem.
Pronto, vou começar.
Pronto?
Nem por isso.
Mas prossigam.
- Robby, vem cá. - Cabeça para trás.
Será cirúrgico?
Espero apendicite sem perfuração.
Pode ser com sonda?
Talvez possa ser tratado só com antibióticos.
E se precisar de cirurgia?
Com o tamanho dele, uma laparotomia de emergência
tem uma taxa de mortalidade de 50%.
Uma coisa de cada vez.
Tentem contactar a irmã a cada 15 minutos.
Deve dar.
Metade dos espaços estão vazios.
De que estás a falar?
Aqui e aqui.
Larry, usas caneta de feltro?
Talvez.
Não passa para as cópias.
Usa só esferográfica.
Está bem.
O Digby não apareceu?
É o sem-abrigo?
Se saiu, precisamos da cama.
- De que precisas? - De um assistente.
- E um interno sénior? - Não.
- Dra. Al-Hashimi, posso apresentar? - Sim.
Mulher surda de 32 anos com cefaleia miofascial ligeira.
O ibuprofeno causou gastrite
e dor gástrica, e teve reação vagal.
Não tem dor após o antiácido e uma injeção num gatilho.
Ótimo. Isso tira-lhe a dor por uns meses.
Não deve reaparecer se tiver o ecrã ao nível dos olhos.
Houve um atraso com o intérprete de LG
e quase desisti e pedi TAC cerebral e abdominal desnecessárias.
- Fez bem. - Dra. Al-Hashimi, para si.
Bom trabalho no gatilho.
- Eu sei. - Que tal o sistema T?
Rápido e fácil.
Sim. E as fichas... Não é só fazer um círculo.
Risca todas as que excluíste.
- Sem problemas. - Muito obrigada.
Princess, passa a 13 Central para a frente na TAC.
O que tens?
Cegueira repentina com oclusão da artéria retiniana.
Falei com um oftalmologista dos Veteranos.
Era investigador de trombolíticos de casos destes.
Não é o padrão, é arriscado.
Usamos consentimento informado.
É o melhor para lhe salvar a visão.
A doente é tua, tu decides.
Não estarei cá para lidar com esses estilhaços.
Farei dois esfregaços na vagina
e dois no colo do útero.
Diga-me se sentir desconforto.
Está bem.
Cada esfregaço é rotulado.
Primeiro vaginal, segundo vaginal.
Passa ambos na lâmina e deixa secar ao ar.
Faço o mesmo no colo?
Sim, mas sem deslizamento.
Como está, Ilana?
A aguentar-me.
Está quase.
As amostras vão para o envelope de contacto vaginal.
- Posso fazê-lo? - Não, tenho de ser eu.
Vou puxar isto.
Pronto.
Já está. Pode descer as pernas.
Acabámos?
Falta uma coisa. Quatro esfregaços da boca.
Não o fez já?
É diferente. É na bochecha, para recolher ADN.
Não o dele.
Então, pode ser bipolar ou esquizofrenia.
São as maiores probabilidades.
Como saberão qual é?
Será pela resposta ao medicamento.
E também com terapia e observação numa ala.
Monitorizarão o humor e as interações com outros.
Há análises ou TAC que nos deem a certeza?
Infelizmente, não.
Quando devidamente medicadas,
as pessoas bipolares podem ter carreiras de sucesso.
Esperemos que seja bipolar.
Podem esperar a felicidade do vosso filho.
Com tratamento precoce, 20% dos esquizofrénicos
têm recuperação completa.
E 80% não têm.
Esta é uma nova versão do Jackson.
- Que idade tinha a... - Vinte.
Estudava arquitetura em Georgetown.
Esquizofrenia.
Lamento.
Ela está bem.
Vive em casa e é caixa num supermercado.
Empregada do mês.
Ainda nos debatemos.
Mas também há risos e amor.
Está pronto.
- Que tal a sensação? - Muito estranha.
Sem dor, só estranheza.
Muito bem. A seguir, pegamos neste tubo
e passamo-lo pelo nariz até ao fundo da língua.
É melhor não falar.
O tubo está em água quente para lhe dar flexibilidade.
Quer experimentar?
Estamos em que dia e hora?
Quatro de julho, 14h31.
Quando sairá o tubo?
Primeiro, temos de o pôr.
Sim. Estou só a praticar.
Já parece um especialista.
Antes que não possa falar,
só quero dizer...
... obrigado.
Por tudo.
De nada.
Vamos lá.
Prevenção de IST.
Uma injeção para a gonorreia e comprimidos para clamídia e tricomonas.
Obrigada.
E temos contraceção do dia seguinte.
Ela tem um DIU.
Mais de 99% de eficácia, não 100%.
Está à disposição.
Passo.
Para o VIH, temos PPE.
Profilaxia pós-exposição.
São 28 dias. Quanto mais depressa começar, mais eficaz será.
Emma, eles devem precisar de ajuda lá fora.
Muito gosto, Ilana.
- É muito corajosa. - Sim.
Ela é boa enfermeira.
Ainda está a aprender, mas será.
- Depois disto, terminamos? - Sim.
Ainda bem que estava aqui.
Também acho.
Temos uma decisão a tomar.
Estudos demonstraram que parte da visão se pode recuperar
com anticoagulante. - Então, deem-lho.
Mas há riscos.
Num AVC ocular, só 17% melhoram sem tratamento.
- Só 17%? - Sim.
Mas, com o medicamento, pode melhorar mais 20%.
Mas pode haver complicações.
2% dos doentes que recebem o medicamento pioram
e 1% sofre incapacidade grave ou morte.
Querida, a escolha tem de ser tua.
Não, será nossa.
O que farias sem mim?
Eu haveria de continuar.
E choraria uns dois anos.
Dois anos? Só isso?
Quero o medicamento.
Está bem.
Precisamos do nome para a ficha.
Jackie Liddell.
- Quem é? - Jaquie, uma amiga.
Têm o mesmo nome?
Não. Ela é Jackie com "CK"
e eu sou com "Q".
Podem chamar-me "CK".
É melhor não falares, CK. Calma.
O quê?
Ela disse: "Mordi metade da língua."
Consegue perceber?
Devia ouvi-la após dois jarros de margaritas.
De voz arrastada.
- Princess, o que há? - A 15 Sul está livre.
- Laceração na língua. - Eu trato disto.
O Robby e a Al-Hashimi estão com doentes críticos.
Olá.
Sou o Dr. Langdon. Vou supervisionar os seus cuidados.
Boa, CK, o teu médico é todo bom.
O tubo entrou 14 cm, está acima da via aérea.
Muito bem, Howard. Vou começar.
Se quiser que pare, basta levantar a mão.
A marca azul diz-me que estou bem.
Parece que passaste.
Se ele inalar, devemos ver as cordas.
Respire fundo por mim, Howard.
Muito bem. Lindo.
As cordas são sensíveis, por isso, usamos lidocaína.
Está bem.
1 cc a entrar agora.
Um momento até funcionar.
Como está, Howard?
Após o tubo entrar, deve respirar pelo nariz.
Howard, esteja parado.
Vou passar as suas cordas
até vermos a carina.
- Ogilvie? - Ali.
- Brônquios principais direito e esquerdo. - E o tubo entra.
E a sonda sai.
Ótimo.
Inflar o balão.
Respire fundo pelo nariz. Ótimo.
Está bem?
Final de expiração excelente.
Precisa de ventilação?
Ele respira por si, mas um CPAP ajuda.
Começa em cinco, titular até dez.
Correu muito bem, Howard.
Agora vamos pesá-lo.
A examinadora deve fechar o kit de violação neste frigorífico
e fica aqui até ser entregue às forças da lei.
É preservação da cadeia de provas.
Estão a gozar comigo?
Há problemas?
Santo Deus!
A polícia devia levantar os kits em 72 horas.
Fiz este há duas semanas.
Raios partam!
Então, como aconteceu isto?
Estávamos entre bares, a tirar uma selfie.
- Boa. - Até ela levantar a cabeça.
Certo.
A epinefrina tópica resolveu a hemorragia.
- Boa. Posso ir para casa? - Não me parece.
A sua língua tem uma grande fenda.
- Teremos de a coser. - Não quero pontos.
Ouve o médico.
Não me digas o que fazer.
- A culpa é toda tua. - Não é.
- É, sim. - Não.
Princess? Mostras à Q onde pode esperar
enquanto cosemos a amiga? - Claro.
Vamos anestesiar a ponta da língua.
A ponta?
Não foi onde a mordi.
Uma coisa de cada vez.
São 20 mg de TNK.
Às 14h39.
Sentes algo?
Ainda não.
Demora até duas horas.
Vamos transferi-la para melhor monitorização.
Dra. King.
Fica com ela.
Porquê?
Caso haja complicações.
Caso haja uma pupila rebentada,
convulsões ou alteração mental.
Ou posso atualizar fichas. O meu testemunho é em breve.
Pensa que ganhas tempo em paz e te preparas mentalmente.
Jesse, ficas com a Mel.
Desculpe, Dra. Mohan.
- Um momento, George. - Eu vou lá.
Obrigada.
O dímero-D voltou. Está normal.
Estou pronto.
Sente-se melhor?
Desta vez, não tive falta de ar.
Então, porque veio?
Quando descobrimos o coágulo,
só pensava que ia subir aos pulmões e matar-me.
Falámos de como o anticoagulante evita isso.
Eu sei.
Finalmente segui o seu conselho.
Saí de casa
e juntei-me ao clube de bólingue.
- Fantástico. - Sim.
Tem razão, sabe?
Todos precisamos de comunidade.
Vai fazer o quê?
Para reparar a língua,
temos de a avançar para chegar à laceração.
Vai sentir-me a puxá-la, sim?
Certo. Então...
Vai.
Que sutura é essa?
Seda, é a maior que temos.
Após eu cortar o fio, tratas da tração, Joy.
- É profundo. - Agora podemos adormecer o corte.
Começa com...
O lado proximal, para não sentir a injeção distal.
Dá-lhe dez minutos, volto para os pontos.
Tenho aqui um kit há duas semanas.
Devia ser levantado em 72 horas.
Não quero saber. Mandem alguém já!
Não. Se querem os vossos agentes tratados mal chegam,
mandem já um detetive.
- Vou desligar. - Dana.
A 19 Sul fez TAC antes do desligamento.
Não há resultados.
Enviamos um lembrete.
- Dana. - Dana.
Esperem.
O que se passa?
Há um pedido de mais medicamentos para a Roxy.
Põe-no no suporte de enfermagem.
Já o fiz há um bocado.
- Sim. Ponho-te à frente. - Obrigada.
Que barulho é este?
É um OVNI, estamos a ser invadidos.
Dana.
Ainda não temos análises da Trauma 2.
Deixa-me ver a ficha.
Aposto que foram para a Radiologia.
Larry, Antoine.
Puseram as análises e o raio-x na mesma folha.
Precisam de um pedido para análises e outro para radiologia.
- Não volta a acontecer. - Eu faço-o.
Usa o i-STAT ao lado da cama.
Não farão a TAC sem a creatinina.
Perfeito.
- É bom ter-te aqui. - Estou a adorar.
Isso é uma mensagem?
Estou a escrevê-la. Vou enviá-la das ambulâncias.
O meu amigo mecânico não apareceu.
Pensei que vinha esta manhã.
Foi o combinado. Deve estar ocupado.
E se não vier?
Diz-me de que precisa. Passo-o ao turno da noite.
Não é preciso.
Princess. Pede e receberás. TAC à cabeça normal.
Obrigada. Vou dar-lhe alta.
Como está o dia?
Vou ter cãibras nas mãos.
Tens o Howard?
Sim.
É triste. Acidente, várias cirurgias, muito stresse...
Lidocaína numa área sensível.
Tenho uma miúda com língua lacerada.
- Parece precisar de ajuda. - De várias formas.
Que tal o primeiro turno de regresso?
Um dia de cada vez.
- O primeiro ano é o mais duro. - É o que dizem.
Eu estou há nove anos.
Entrega especial para o meu tipo.
Se precisares, liga-me.
Obrigado.
Aonde vais?
Bolhas na 3 Norte.
É aonde vou.
- Inscreveste-te para o doente? - Trouxe a ficha.
Deves inscrever-te no quadro.
Deves ter a prancha do cliente.
Não é para enfermeiras?
Não interessa.
Olá. Sou o estudante Ogilvie e esta é...
Bem...
- É um belo exantema. - Sim.
A quem o diz...
Estudante de medicina Javadi. Quando começou?
Ontem à noite.
Fez caminhadas perto de hera venenosa?
Não. Nem saí de casa.
E novos medicamentos?
Loções, sabonetes, detergentes?
Não tomo medicamentos. No resto, nada de novo.
E onde começou isto?
Em todo o lado, de repente. E tenho dores.
E faz comichão.
O que é?
Não sei bem.
Já venho.
O que achas?
Não faço ideia.
Nem eu.
Pênfigo bolhoso?
Prurido severo autoimune?
Não é tão letal como pênfigo vulgar.
A mortalidade sem tratamento é de 90%.
Temos de procurar pústulas, envolvimento mucoso...
E o sinal de Nikolsky.
Aqui tem.
- O quê? - A nota de progresso.
Ouvi que há progressos?
É o que chamamos a escrever o desenvolvimento do quadro clínico.
Há alterações?
Ainda não.
É hora da verificação neurológica.
Dra. King, tem um minuto?
Não, estou a observar um doente.
É rápido.
Vou ver as pupilas.
Está tudo bem aqui.
Então?
Acabei o meu depoimento.
Vou agora?
- Espera até te chamarem. - Certo.
Perguntaria como foi,
mas não devemos discutir o caso.
Isto não é discutir.
É um monólogo. Cala-te e ouve.
A negligência é parvoíce.
A mãe do miúdo diz que ele tem declínio intelectual
por causa da punção lombar.
Mas ela foi perfeita, sem complicações.
O filho teve estado mental alterado
devido ao oxigénio reduzido pela pneumonia do sarampo.
Deveu-se à lesão cerebral por hipoxia.
Não foi devido à punção lombar.
Fim do monólogo.
Nunca discutimos o caso.
Eu vou dormir.
Obrigada.
Acho eu.
Está pronto para se deitar?
- Eu amparo-lhe a cabeça. - Devagar.
Um, dois, três.
Pronto. Que tal?
A levantar agora.
Pronto, continua.
E... pronto, já deve chegar.
São 215.
Está em quilos.
Pronto, equipa.
Não ultrapassa muito.
Não arriscamos partir a TAC nesta altura.
Os médicos podem levá-lo intubado?
Se eu também for, ainda durmo uma sesta antes do turno da noite.
São 215 quilos.
A máquina não aguenta o seu peso,
mas vamos levá-lo ao Presbiteriano.
Passeio.
Estarei sempre consigo.
Desculpem isto tudo.
Não há problema.
É o nosso trabalho.
A subcutânea será profunda.
- Enterra o nó. - Já fiz isto antes.
Joy, como cortamos as pontas?
Perto do nó, volta de 45 graus.
Excelente.
Dr. Langdon, temos um caso.
- Esperem. - Pode ser urgente.
Falem com o Robby ou a Al-Hashimi.
- Ela está bêbeda. - Totalmente entornada.
Vemos o nível de alcoolemia?
Não. Não irá mudar nada.
Pode sair quando estiver sóbria.
Uma já saiu.
Joy, queres adivinhar o nível de alcoolemia dela?
Porque o faria?
Não sei, é divertido.
Quando terão cama?
Não sei se ela precisa.
É uma bebé com febre.
Que tem mais de um mês e parece ótima.
Marcadores normais. Tem um vírus.
Os bebés com rinovírus podem ter infeções bacterianas graves.
Esta não. Mandamos miúdos assim para casa.
Mas esta não tem casa nem pais.
Muito bem.
Não a posso pôr no berçário com um vírus
nem gastar um quarto numa bebé saudável.
Então, o que propõe?
A CPCJ pode pô-la num lar amanhã de manhã.
Quer que ela passe aqui a noite?
Parece ser o padrão de cuidados agora.
- O seu assistente que me ligue. - Sim.
Não acredito nisto.
- Diz à CPCJ que é muito urgente. - Certo.
Está a ser um belo dia...
Pensei em candidatar-me a uma bolsa aqui.
Pensei que tinhas emprego em Nova Jérsia.
Sim, para estar perto da minha mãe.
Mas ela vendeu a casa para viajar com o novo namorado.
Assim, para quê Nova Jérsia?
Sim. Boa pergunta.
Que bolsa queres?
Reduzi as hipóteses a ecografia, toxicologia e medicina desportiva.
São áreas muito diferentes para carreiras muito diferentes.
Eu sei. Ainda não decidi.
Tens experiência em investigação?
Fiz parte de um estudo de diferenças raciais em cuidados de saúde
até a Casa Branca ter cortado o financiamento.
Pois, não foste só tu.
Já consideraste uma bolsa em geriatria?
Não.
Vi-te com os idosos.
Há muitas vagas, pode ser a tua melhor hipótese.
Pensa nisso.
- Último ponto. Queres que corte? - Eu faço.
Parece-me bem.
Vamos tirar a sutura de tração.
Com prazer.
Pronto, Jackie.
- Jackie. - Cala-te.
Já está.
Já está o quê?
Já lhe cosemos a língua.
O que aconteceu?
Mordeu-a.
Não mordi nada.
Isto é um belo apagão.
Quanto bebeu?
Uns dois Bloody Mary.
Só dois?
Não sei. Talvez mais.
É feriado, fomos aos bares.
Costuma beber uns copos todos os dias?
Só ao fim de semana.
E durante a semana?
Nada de mais,
só vinho ao jantar, ou umas cervejas.
Recomendamos desintoxicação?
Sim, podemos tentar.
Está pronto para ir.
Como se sente?
Tenho dois em dor.
Temos medicamentos.
A TAC é mais rápida do que a viagem.
Estamos a ligar à sua irmã.
- São os maiores. - Até logo.
Posso pôr outro doente na T1?
Não, quero uma sala de trauma livre.
Porque não reforças o Norte, se necessário?
Sr. Digby?
- Só Digby. - Sim.
Procurámo-lo em todo o lado. Aonde foi?
Estive com o Louie.
- Esteve ali uma hora? - Ele era meu amigo.
Tinha muito a dizer-lhe.
Vamos pô-lo na cama.
O Louie já tem as asas.
- Dr. Robby, temos um doente. - Dr. Robby.
- Trabalho de equipa! - É um exantema preocupante.
Podemos precisar de biopsia a pênfigo vulgar.
É fitofotodermatite.
- O quê? - Perguntei.
Esteve a fazer dez litros de margaritas,
a espremer limas ao sol.
Vamos ver.
Não preciso.
- Como está ali? - Só há lugares em pé.
Se ligar aos bombeiros,
livram a sala de espera? - Quem me dera. Então?
Doze doentes querem renovar receitas.
Não deviam ir ao médico?
Com os cortes da Medicaid, somos nós.
Não posso fazer a prescrição eletrónica.
- Pega na caneta, fá-lo à antiga. - Escrevo onde?
- Nordt, tens os blocos de segurança? - Sim.
Só preciso de etiqueta.
- Mais perguntas? - Sim.
Como seria se não estivesses cá?
Estariam todos a um canto a chorar que nem bebés.
Estava de chinelos?
Sim. O que é isto?
Fitofotodermatite.
Ou queimadura por margaritas.
Para alguns, limas e sol causam um exantema horrível.
Isto é das limas?
Já tinha espremido limas ao sol?
Acho que não.
Ficará melhor após um dia de esteroides.
Depois de sararem, use protetor solar,
senão, as bolhas podem passar a cicatrizes negras.
Já venho com os cuidados que deve ter.
- Robby. - Sim.
A Roxy, a minha doente, continua com muitas dores.
- Como está a morfina? - A 10 mg por hora.
Pronto, dá-lhe mais duas e sobe para 12.
- Vou dizer à Princess. - Doze por hora é muito.
Com os comprimidos que já tem, pode parar de respirar.
Conheces a doutrina do duplo efeito?
- Não. - Não.
É um princípio ético em cuidados paliativos.
Tratamos a dor.
E se, ao o fazer, houver efeitos negativos,
aceitamo-lo.
Mesmo que o efeito negativo seja a morte?
Em alguns casos, é o melhor resultado.
O fax ficou sem papel?
Não, ele tem papel. Não entendo.
Como ultrapassamos esta confusão?
Ia perguntar-te o mesmo.
Ela não pode sair do SDM.
Nada está feito aqui.
Luís Costa Passadouro
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