All language subtitles for Night.And.Fog.1956.1080p.BluRay.x264.AAC-[YTS.MX]

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Original subtitles

Origem dos documentos: Comit� de Hist�ria da Segunda Guerra Mundial,

Federa��o de Deportados, Centro de Documenta��o Judaica, Miss�o Belga,

Instituto Holand�s de Documenta��o de Guerra,

Filmes Polski, Servi�o Polon�s dos Crimes de Guerra,

Museus do Gueto, de Auschwitz e de Maidaneck.

Patrocinado pelo Comit� de Hist�ria da Segunda Guerra Mundial,

este filme recebeu apoio das seguintes entidades:

Minist�rio dos Ex-Combatentes,

Museu Pedag�gico, Conselho Municipal de Paris, Conselho Geral do Sena,

Centro Nacional de Cinematografia, Televis�o Francesa,

Centro Polon�s de Cinematografia em Vars�via, Rede da Lembran�a,

todas as Federa��es e Simpatizantes dos Deportados.

Coprodu��o

NOITE E NEBLINA

Dire��o

Conselheiros Hist�ricos

M�sica

Texto

C�mera

Dire��o de Produ��o em exteriores

Assistentes de Dire��o Assistente de Montagem

Assistentes de sonoriza��o Efeitos especiais

Mesmo uma paisagem tranquila...

mesmo uma pradaria com corvos a voar, colheitas e queimadas...

Mesmo uma estrada por onde passam carros, camponeses, casais...

mesmo uma aldeia pacata com feirinhas e campan�rios,

tudo pode nos conduzir a um campo de concentra��o.

Struthof, Oranienburg, Auschwitz, Neuengamme, Belsen, Ravensbr�ck, Dachau,

eram nomes como quaisquer outros nos mapas e guias.

O sangue coagulou, as bocas se calaram.

Os blocos hoje s�o visitados apenas pelas c�meras.

A erva teimosa voltou a cobrir a terra antes pisada pelos presos.

A corrente j� n�o passa pelos fios el�tricos.

N�o se ouvem mais passos, s� os nossos.

1933.

A m�quina p�e-se em marcha.

� preciso uma na��o sem vozes destoantes.

Sem contesta��es.

Ao trabalho.

Um campo de concentra��o se constr�i como um est�dio ou um grande hotel.

Com empreiteiros, or�amentos, concorr�ncia...

e, sem d�vida, subornos.

O estilo n�o � imposto, fica a cargo da imagina��o.

Estilo alpino...

estilo garagem...

estilo japon�s...

sem estilo.

Calmamente os arquitetos projetam esses p�rticos

destinados a serem transpostos apenas uma vez.

Entrementes, Burger, oper�rio alem�o,

Stern, estudante judeu de Amsterd�,

Schmulski, comerciante de Crac�via,

Annette, estudante de Bord�us,

todos levam suas vidas sem saber que, a 1000 km de onde moram,

j� t�m lugar marcado.

Chegado o dia em que seus blocos ficam prontos...

s� faltam eles.

Segregados em Vars�via.

Deportados de Lodz, Praga, Bruxelas, Atenas,

Zagreb, Odessa ou Roma.

Internados de Pithiviers.

A rusga do V�lodrome d'Hiver.

Membros da Resist�ncia presos em Compi�gne.

Multid�es pegas de surpresa, por engano ou ao acaso,

seguem a caminho dos campos.

Vag�es fechados, trancados.

Abarrotados, cem deportados por vag�o.

Sem dia nem noite. S� fome, sede, asfixia, ins�nia.

Uma mensagem � atirada e ocasionalmente recolhida.

A morte faz sua primeira escolha.

Uma segunda � feita ao chegar, � noite, na neblina.

Hoje, nesta mesma via, � dia e faz sol.

Percorremo-la lentamente.

� procura de qu�?

De vest�gios dos cad�veres vomitados pela abertura das portas?

Ou dos passos dos primeiros a desembarcar,

encaminhados a coronhadas at� a entrada do campo,

em meio ao latido de c�es fachos dos holofotes,

tendo ao longe a chama do cremat�rio,

numa daquelas encena��es noturnas t�o ao gosto dos nazistas.

Primeira vis�o do campo.

� outro planeta.

Banho e Desinfec��o.

Sob o pretexto de higiene,

a nudez despoja de um s� golpe o amor-pr�prio dos j� humilhados.

Raspados...

tatuados...

numerados.

Sujeitos a um jogo hier�rquico ainda incompreens�vel.

Vestidos com uma roupa azul listrada,

por vezes classificados como "Nacht und Neibeul", Noite e Neblina,

Marcado com o tri�ngulo vermelho dos pol�ticos,

o deportado apresenta-se primeiro ao portador de tri�ngulo verde.

Um criminoso comum tornado a chefe de uma subesp�cie.

Acima deste, o Kapo, quase sempre um criminoso comum.

Mais acima, o SS, o intoc�vel. Para se dirigir a ele, s� a 3 m de dist�ncia.

No topo, o comandante. De longe, ele preside o ritual.

Parece ignorar o campo.

Que, entretanto, n�o ignora.

Essa realidade dos campos, desprezada pelos que os constru�ram,

inconceb�vel para os que l� sofreram,

que chance ter�amos n�s de resgatar?

Esses cub�culos em madeira, esses catres onde dormiam tr�s,

esse covil onde se escondiam, onde se comia com sofreguid�o,

onde o pr�prio sono era uma amea�a.

Nenhuma descri��o ou imagem poderia traduzir sua verdadeira dimens�o...

uma de pavor sem tr�gua.

Faltaria ainda o colch�o de palha

usado para esconder comida e objetos de valor...

a manta objeto de disputas, as den�ncias, as pragas rogadas,

as ordens transmitidas em todas as l�nguas...

a entrada rel�mpago dos SS, �vidos de controle ou pura divers�o.

Desses dormit�rios de tijolo, desses sonos amea�ados...

podemos mostrar-lhes apenas um vislumbre...

a cor.

O cen�rio � esse.

Pr�dios que poderiam ter sido est�bulos, celeiros, oficinas.

Um terreno pobre que se tornou um terreno baldio.

Um c�u de outono indiferente.

Eis o que sobrou para imaginarmos

noites varadas de gritos de desespero, de combate a pulgas.

Noites de bater com os dentes. � preciso dormir r�pido.

Acordar de sobressalto, aos empurr�es, � procura de bens roubados.

Cinco da manh�, agrupamento intermin�vel na Appelplatz,

Os mortos durante a noite sempre a complicar a contagem.

Uma orquestra toca marchas de opereta � partida para a pedreira ou a f�brica.

Trabalho na neve, logo transformada em lama congelada.

Trabalho no calor de agosto, em meio � sede e � disenteria.

Tr�s mil espanh�is perderam as vidas

na constru��o dessa escadaria que conduzia � pedreira de Mauthausen.

Trabalho nas f�bricas subterr�neas.

M�s ap�s m�s elas se enterram, se escondem, matam.

T�m nomes de mulher: Dora, Laura...

Mas esses estranhos oper�rios com menos de 30 kg n�o s�o confi�veis...

Os SS os t�m sob sua mira...

vigiam-nos...

agrupam-nos...

inspecionam e revistam-nos antes de regressarem ao campo.

Cartazes r�sticos orientam-nos de volta para seus lugares.

Para o Kapo s� lhe resta contar as v�timas do dia.

Para o deportado, resta a �nica obsess�o que norteia sua vida e seus sonhos:

Comer.

A sopa.

Cada colherada n�o tem pre�o.

Uma colherada a menos � menos um dia de vida.

Trocam-se dois, tr�s cigarros por uma sopa.

Fracos demais, muitos n�o conseguem defender sua ra��o dos ladr�es.

Ficam � espera de que a lama, a neve os levem.

Deitam-se onde quer que seja para sofrerem sua agonia em sil�ncio.

As latrinas, os abortos.

Esqueletos com barrigas intumescidas,

aqui vinham sete, oito vezes por noite.

A sopa era diur�tica.

Ai daqueles que topassem com um Kapo embriagado ao luar.

Os prisioneiros se entreolhavam amedrontados...

� espreita de sintomas j� bem familiares.

Perda de sangue era sinal de morte certa.

Mercado negro, onde se comprava, se vendia, se matava.

Encontros eram marcados.

Passavam-se as not�cias, verdadeiras e falsas.

Organizavam-se grupos de resist�ncia.

Uma sociedade tomava forma, uma forma esculpida pelo terror.

Menos insana, contudo, que a ordem da SS expressa com os seguintes preceitos:

"Limpeza � Sa�de."

"Trabalho � Liberdade."

"A cada um o que lhe cabe."

"Um Piolho � a Morte". O que dizer de um oficial da SS ent�o?

Cada campo reserva uma surpresa.

Uma orquestra sinf�nica.

Um zool�gico.

Estufas onde Himmler cultivava plantas fr�geis.

O carvalho de Goethe em Buchenwald.

Construiu-se o campo ao redor, mas respeitou-se o carvalho.

Um orfanato ef�mero, constantemente renovado.

Um bloco para os inv�lidos.

A�, o verdadeiro mundo, das paisagens buc�licas,

dos tempos de outrora, pode aparecer ao longe...

mas n�o t�o longe assim.

Para o deportado era uma imagem.

Ele pertencia apenas a esse universo finito, fechado,

limitado pelas torres de observa��o...

de onde os soldados vigiavam o bom funcionamento do campo,

miravam incessantemente os deportados,

matando-os ocasionalmente por simples falta do que fazer.

Tudo era pretexto para divers�o, para puni��o, humilha��o.

As chamadas duravam horas a fio.

Uma cama mal feita: vinte cacetadas.

N�o chamar aten��o, n�o reverenciar seus deuses.

Eles t�m seus cadafalsos, seus p�tios para matar.

Esse p�tio do Bloco 11, fora de vista,

alocado para os fuzilamentos...

com muros protegidos contra o ricochete das balas.

Esse castelo de Harteim, de onde partem �nibus de vidros escuros

com passageiros que nunca mais ser�o vistos.

Transportes negros que partem � noite e cujo destino ningu�m conhece.

Mas � incr�vel a resist�ncia humana.

O corpo vergado pela fadiga, mas o esp�rito trabalha.

As m�os cobertas de ataduras trabalham.

Fabricam-se colheres, marionetes que s�o escondidas...

monstros...

caixas.

Consegue-se escrever, fazer anota��es.

Exercitar a mem�ria atrav�s dos sonhos.

"Lagostins � la basquaise"

Pode-se pensar em Deus.

Conseguem at� organizar-se politicamente,

disputando com os criminosos comuns...

o controle interno da vida no campo.

Cuidam dos companheiros em pior estado.

Partilham sua pr�pria ra��o, criam sistemas de aux�lio.

Em �ltimo caso, carregam os mais amea�ados para o hospital.

Aproximar-se dessa porta j� era a ilus�o da verdadeira doen�a...

a esperan�a de uma cama.

Mas era tamb�m o risco de morte pela seringa.

Os medicamentos s�o escassos, as ataduras de papel.

A mesma pomada serve para todas as doen�as, todas as feridas.

�s vezes, o doente faminto come a pr�pria atadura.

No fim, todos os deportados t�m a mesma cara.

Seguindo um mesmo modelo sem idade, morrem de olhos abertos.

Havia um bloco cir�rgico.

Mais um pouco dir-se-ia tratar-se de uma verdadeira cl�nica.

Doutor SS.

Enfermeira inquietante.

H� uma decora��o, mas por tr�s...

opera��es in�teis, amputa��es...

mutila��es experimentais.

Os Kapos, como os cirurgi�es SS, podem praticar � vontade.

A ind�stria qu�mica envia ao campo amostras dos seus produtos t�xicos...

ou compra lotes de deportados para suas experi�ncias.

Dessas cobaias, alguns sobreviver�o...

ser�o castrados...

queimados por f�sforo.

Ainda h� aquela cuja pele ficar� marcada para o resto da vida,

qual que seja.

Dessas mulheres e homens, os escrit�rios administrativos...

conservam os rostos, entregues na chegada.

Os nomes tamb�m s�o registrados. Nomes de vinte e duas na��es,

preenchendo centenas de registros, milhares de arquivos.

Um tra�o vermelho indica os mortos.

Os deportados se ocupam desta contabilidade alucinada...

sempre falsa...

sob a mira dos SS e dos Kapos privilegiados,

estes os mais proeminentes, a elite do campo.

O Kapo tem seu pr�prio quarto, onde pode guardar seu butim

e � noite receber suas jovens favoritas.

Pr�ximo ao campo, o comandante tem seu casar�o

onde sua mulher contribui para preservar a vida familiar...

e �s vezes mundana, como em qualquer outra guarni��o.

Ela talvez se entedie um pouco mais.

A guerra simplesmente n�o acaba.

Mais afortunados, os Kapos tinham um bordel.

Prisioneiras mais bem nutridas, mas, como as outras, fadadas a morrer.

Dessas janelas,

n�o era raro atirar peda�os de p�o para os companheiros de fora.

Dessa forma, os SS lograram constituir uma verdadeira cidade

com hospital, bairro reservado, bairro residencial...

e at�, sim, uma pris�o.

� in�til descrever o que acontecia nesses calabou�os.

Nessas gaiolas, projetadas para n�o se poder ficar de p� ou deitado,

homens e mulheres foram deliberadamente torturados dias a fio.

As bocas de ventila��o n�o abafam os gritos.

1942.

Himmler visita os campos.

� preciso exterminar, mas produtivamente.

Deixando a produtividade a cargo de seus t�cnicos,

Himmler se dedica ao problema do exterm�nio.

Estudam-se as plantas.

As maquetes.

Estas s�o executadas e os pr�prios deportados participam da constru��o.

Os cremat�rios podiam passar-se at� por um cart�o postal.

Mais tarde, hoje, os turistas se fazem fotografar.

A deporta��o estende-se a toda a Europa.

Os trens se extraviam, param, partem de novo,

s�o bombardeados, e finalmente chegam.

Para alguns, a sele��o j� fora feita.

Para os outros, a triagem � imediata.

Os da esquerda ir�o trabalhar.

Os da direita...

Essas imagens foram tiradas poucos instantes antes de um exterm�nio.

Matar � m�o leva tempo. Encomendam-se caixas de g�s zyklon.

Nada distinguia uma c�mara de g�s de um bloco normal.

No interior, uma falsa sala de chuveiros acolhia os rec�m-chegados.

As portas eram cerradas.

Observava-se.

O �nico sinal, � preciso que se saiba,

� esse teto sulcado por marcas de unhadas.

At� o concreto se dilacerou.

Quando os cremat�rios j� n�o d�o vaz�o, recorre-se a fogueiras.

Contudo, os novos fornos d�o conta de milhares de corpos por dia.

Tudo � aproveitado.

Eis as reservas dos nazistas em guerra...

seus celeiros.

Tudo cabelo das mulheres.

A quinze pfennigs o quilo, confeccionam-se tecidos.

Com os ossos...

adubo...

enfim, tentava-se.

Com os corpos...

Bem, o que se pode dizer?

Com os corpos, o objetivo � fabricar...

sab�o.

Quanto � pele...

1945. Os campos se expandem, est�o lotados.

Cidades de cem mil habitantes, saturadas.

A grande ind�stria interessa-se por essa m�o de obra infinitamente renov�vel.

As f�bricas t�m seus campos particulares, interditados aos SS.

Steyer, Krupp, Heinkel, I.G. Farben, Siemens e Hermann G�ring

abastecem-se com esse mercado.

Os nazistas podem ganhar a guerra. Essas novas cidades fazem parte da economia.

Mas eles perdem.

Falta carv�o para os cremat�rios, falta p�o para os homens.

Os cad�veres entulham as ruas dos campos.

O tifo.

Quando os aliados abrem as portas...

Todas as portas.

Os deportados olham sem entender.

Est�o livres? A vida cotidiana haver� de reconhec�-los?

"Eu n�o sou respons�vel", diz o Kapo.

"Eu n�o sou respons�vel", diz o oficial.

"Eu n�o sou respons�vel."

Ent�o, quem � respons�vel?

No momento em que lhes falo...

a �gua fria dos p�ntanos e das ru�nas cobre as covas coletivas.

Uma �gua fria e opaca como a nossa p�ssima mem�ria.

A guerra adormeceu.

Um olho sempre aberto.

A erva fiel voltou a crescer nas Appelplatz e em torno dos blocos.

Uma aldeia abandonada, mas ainda amea�adora.

N�o se usam mais cremat�rios,

os artif�cios nazistas s�o coisa do passado.

Nove milh�es de mortos assombram essa paisagem.

Quem dentre n�s monta guarda neste estranho observat�rio...

para nos prevenir da chegada de novos carrascos?

Seus rostos ser�o diferente dos nossos?

Em algum lugar, entre n�s,

ainda h� Kapos afortunados, chefes reabilitados,

delatores desconhecidos.

Restam ainda os que n�o acreditavam, ou acreditavam s� de vez em quando.

Existimos n�s, que olhamos sinceramente para essas ru�nas,

como se o velho monstro concentracion�rio

estivesse morto sob os escombros.

Que parecemos nutrir alguma esperan�a diante dessa imagem que se afasta...

como se estiv�ssemos curados da peste concentracion�ria.

N�s, que parecemos acreditar que tudo isso

pertence a um s� tempo, a um s� pa�s...

que n�o pensamos em olhar � nossa volta,

e que n�o escutamos o grito incessante.

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

Sincronia: Distanasia

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