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Caríssimo leitor,
de todas as doçuras que um homem pode sussurrar ao ouvido de uma mulher,
esta autora crê que as três palavras mais comuns em Mayfair
possam ser:
"Seja minha amante."
Esta autora conhece pelo menos um senhor
cuja esposa não é a única mulher na vida dele.
Certamente, esses pares adicionais já são esperados.
Mas se a notícia chegou aos ouvidos desta autora,
um certo senhor talvez devesse aprender a ser mais discreto.
Seres de mundos opostos muitas vezes sentem-se atraídos um pelo outro.
Hatch!
Senhor.
Mas embora uma traça adore a chama…
Uma carta para si foi misturada no correio da família esta manhã.
Obrigada.
AGUARDO RESPOSTA. PODEMOS VER-NOS?
… vai acabar por arder
caso se cruzem.
Bom dia.
Bom dia.
Preocupa-me que a Sra. Wilson tenha adormecido.
- A Sra. Wilson nunca adormece. - Sim, mas…
E é muito improvável que ela não a acorde a tempo de eu fugir.
Na verdade, acho que a Sra. Wilson preferiria andar nua por Mayfair.
Marcus.
Violet.
É que a Hyacinth vai organizar o baile esta semana.
Não, não é um baile.
É um ensaio para ela e os seus pares
praticarem o que aprenderam nas aulas de dança.
Mas ela parece achar que é um baile.
Gosto de ver o quanto desfruta da felicidade dos seus filhos
e acho que eles gostariam muito de ver a sua felicidade.
Este senhor e a amante sobre quem escreve, é o Sr. Hiscox, não é?
Por favor, não me pergunte.
Não, foi uma edição muito bem escrita.
Certamente que me pode dizer, porque sei que é o Sr. Hiscox.
Metade da sociedade sabe
e pensei que o objetivo da Whistledown
fosse chamar todos pelos nomes.
Ela está cansada de todos esperarem que escreva o que lhes apraz.
Tantas pessoas falaram daquele mexerico…
Tanta gente que decidi escrever sobre isso.
Nem que seja para o Sr. Hiscox ser mais cauteloso,
para não arruinar a reputação da família.
Então, é o Sr. Hiscox.
- Obrigada. - Obrigada, menina.
Sentia-me segura em Londres com a Casa Penwood nos arredores,
mas saber que a Araminta pode estar em qualquer lado…
Infelizmente, não sei para onde se mudou.
Saíram com tanta pressa.
A nova Sra. Penwood só a deixou levar a nova governanta com ela, graças a Deus.
Quem quer que seja a nova Sra. Penwood, esperemos que seja menos…
- Menos diabólica? - Alfie!
Soube bem dizer isto.
Então, teremos de ver a nova Sra. Penwood para a semana,
após a conclusão das remodelações. Ela ainda não apareceu.
E os seus novos empregadores? Não disse quem são.
Uma família muito… agradável.
Que se chama?…
Os Bridger.
O quê? Quem?
Os Bridgerton.
Sophie!
Reconheci logo essas cores.
O uniforme dos Bridgerton fica-lhe bem.
Como aconteceu isto?
Bem, simplesmente…
Arranjei emprego na Casa Cavender, no campo.
O Phillip Cavender foi um patife. Atirei-lhe água à cara.
Então, o Benedict Bridgerton esmurrou a cara do Cavender.
Fugimos, apanhámos um aguaceiro, refugiámo-nos no chalé dele,
que não é um chalé de todo. Cuidei dele até recuperar.
Pediu-me um beijo enquanto dormia.
De alguma forma, beijámo-nos acordados.
Ele quase me raptou, obrigou-me a trabalhar em casa da mãe.
Evitámo-nos um ao outro até ser demasiado e agora pediu-me para ser a sua…
Credo, a sua quê?
… a sua amante.
E então? O que disse?
Não podemos estar juntos, Alfie. É algo terrível de se pedir.
É mesmo?
Teria alojamento, uma mesada, a liberdade de ir e vir quando quiser,
sem deveres a sério além do dever de manter o Sr. Bridgerton feliz.
E estou enganado ao imaginar que também lhe agradaria?
Certamente que me agradaria.
O que tem de tão terrível?
Quase todos os cavalheiros da alta sociedade têm uma amante, Sophie.
Sei isso melhor do que ninguém.
O que tenciona fazer?
Foi por isso que o chamei,
para ver se sabe de um cargo noutro lugar.
Agora que as guerras das criadas abrandaram,
ouvi dizer que Londres foi inundada com mais mãos do que cargos.
Há uma vaga para a nova Sra. Penwood.
Seria excelente tê-la em casa,
mas acho que a antiga Sra. Penwood espalhou a palavra para não a contratarem.
Uma carta de Violet Bridgerton vale mais do que os mexericos de Araminta Gun.
A Sra. Bridgerton escreveu a sua carta de apresentação?
Vai escrever.
Estou certa de que o fará.
Espero que antes de ver o Sr. Bridgerton outra vez.
E como está a Sra. Mondrich?
Está no palácio, na prova de vestidos para o cargo de dama de companhia.
Ela está no palácio?
Alice no palácio.
Muito bem.
O que se passa?
Há uma mulher.
Claro que há. É a mulher do baile de máscaras?
Não, ela não existe, lembra-se?
Arranjei uma nova mulher para inspirar a minha tolice.
E creio que a ofendi.
Só que era tudo o que podia fazer.
Quem é ela?
E o que fez foi?…
Ela não é uma pessoa de estatuto e pedi-lhe para ficar comigo.
Quer dizer,
como sua amante?
Não a posso pedir em casamento.
Torná-la sua amante é a única forma tolerada pela sociedade.
Mas, independentemente da posição dela,
nenhuma mulher, nenhum homem, nenhuma pessoa
deseja realmente andar escondido.
Pelo menos, deixou claro que gostaria, num mundo de fantasia,
que os dois pudessem estar juntos, legitimamente?
Não.
Mas não estamos num mundo de fantasia.
Isso não seria desonesto?
Não se trata de honestidade. Trata-se de gestos.
Como pode uma mulher confiar em si para viver uma vida complicada com ela
quando não pode confiar em si sequer para lidar com os sentimentos dela?
Está muito apertado.
Está… magnífica.
Orgulhe-se disso.
Quem é esta?
Esta é a nova dama de companhia, Sua Majestade,
a Sra. Alice Mondrich.
Talvez se lembre que foi ela que deu a sugestão
quanto à senhora desconhecida do Sr. Bridgerton.
Pode tomar o seu lugar.
E a sugestão dela tinha fundamento?
Sua Majestade, eu…
Não tive confirmação.
Certamente descobrirá por mim, Sra. Danbury?
Ambas temos as agendas cheias de compromissos, Sua Majestade.
Garanto-lhe
que a Sra. Mondrich
vai tratar disto.
Ficarias partida, jarra.
Isso não pode ter acontecido.
O tio ficou furioso.
- Claro! - Nunca tinha visto a cara dele assim.
Boa noite.
Ou melhor, bom dia.
Quase.
As minhas sinceras desculpas.
Mantivemo-la acordada?
Eu não queria acabar com as festividades,
mas são quatro da manhã.
O pequeno-almoço será às 9h30.
Há algum motivo para quebrar o jejum às 9h30?
Talvez possamos adiar um pouco?
Receio que seja indelicado para a nossa cozinheira,
que já estará de pé às seis.
Considerando que devemos ter mantido a casa toda acordada,
peço desculpa, a sério, não demos conta do tempo,
talvez possamos dar a todos a manhã de folga
e arranjar fruta e pão.
Costumávamos saquear a cozinha quando éramos crianças.
Sim, era muito divertido.
Não desejo fazer isso.
Vamos manter a agenda habitual.
E vamos para a cama agora.
Obrigada.
Não quero a Eloise presente em nenhuma das minhas aulas depois do ensaio,
já que não está interessada no meu futuro.
Isso não é bem verdade. Eu apenas…
Entende que, se já não estiver nas lições de boas maneiras,
tem de regressar ao mercado matrimonial.
Foi esse o nosso acordo.
O quê? Não pode fazer isso.
- Acho que acabei de o fazer. - Sra. Wilson, Sophie.
Vamos ver a disponibilidade do salão grande para o recital?
Hyacinth, vamos conversar.
Hyacinth, certamente… Hyacinth…
Vou num instante.
Sra. Bridgerton.
- Posso roubar-lhe um momento? - Claro.
Sente-se, por favor.
A Hyacinth está a enlouquecê-la com o planeamento do recital?
É como se estivesse a estrear-se.
Não, minha senhora.
Estou a gostar do entusiasmo dela.
Minha senhora,
sei que não estou aqui há muito tempo
e estou muito grata pela vossa amabilidade.
Mas também sei que esta posição foi criada para mim
e não quero abusar mais da vossa generosidade.
Não há abusos, a sério.
Fui informada de uma posição adequada noutro lado.
E pensei se seria amável ao ponto de me escrever uma carta de apresentação.
Aconteceu algo
para se querer ir embora?
Não, minha senhora.
O meu desejo de partir nada tem que ver com ninguém nesta casa.
Tenho apenas a oportunidade de trabalhar na casa onde cresci.
- Gostava de voltar a esse lugar. - E que casa é essa?
Disse que cresceu em Aylesbury, certo?
Sim, minha senhora.
Nunca fui a Aylesbury.
É famosa pelas suas corujas, não é?
Sim, embora não goste muito de corujas. São bastante assustadoras.
Terei todo o gosto em escrever-lhe a carta, se é o que deseja.
Mas importa-se de esperar até depois do recital da Hyacinth?
Claro, minha senhora.
Obrigada, Sra. Bridgerton. Estou muito grata.
- Mna. Hyacinth. - Estas podem ir para ali.
Ementas de sobremesas, ali.
Sra. Wilson, alguma vez teve a sensação de que a Sophie está a esconder algo?
- Acha que ela se quer aproveitar? - Não, pelo contrário.
Será a história dela menos humilde do que admite
com a sua educação, a forma como fala?
Às vezes, as governantas são filhas fugidas de nobres,
não é verdade?
Governantas, sim, mas nunca conheci uma criada de origens nobres.
Quer que investigue?
Por favor.
Ela mencionou que era de Aylesbury,
mas quando falei nas famosas corujas, não disse nada.
Aylesbury é famosa pelos patos.
Exatamente.
Sra. Wilson.
Importa-se de convidar o Lorde Anderson para o recital?
Acho que está na hora de ele aparecer.
Claro, minha senhora.
Nas minhas quase quatro décadas como mordomo,
nem uma vez a família se mudou antes de a decoração estar completa.
É… invulgar?
Muito invulgar. Mas sabe, a Sra. Penwood,
quando o marido dela morreu, o primo dele herdou o título.
O novo Lorde Penwood prefere o campo, por isso, deixou a senhora ficar
na Casa Penwood em Londres estes anos todos,
até que o novo Lorde Penwood se casou
e escreveu a dizer à senhora e às filhas para irem para uma casa arrendada
imediatamente.
Gosto de estar aqui.
Embora prefira a nossa antiga casa.
Sim, bom,
pelo menos, aqui somos vizinhas dos Bridgerton,
que ainda têm um filho muito solteiro.
Dois filhos solteiros.
A, B, C, D, E, F.
Gregory, creio que é o nome dele.
Que, talvez, seja elegível quando estiver pronta para casar.
Houve algum progresso entre si e o Sr. Bridgerton?
Sra. Varley?
Sim, senhora.
Já procurou pelos caixotes as fivelas de sapatos desaparecidas?
Sim, senhora.
Não encontrámos outro par.
Tinha 37 pares de fivelas para sapatos antes da mudança. Agora só tenho 36.
Contei da última vez que os sapatos foram limpos.
Talvez tenha contado um par duas vezes. As fivelas parecem todas iguais.
Eram fivelas de diamante francesas.
Não tenho outro par dessas.
Se quiser, já fiz bons negócios com fivelas para a minha senhora anterior.
Tenho uma ideia para onde foram.
Acho que foram roubados
por uma das criadas da casa.
A Sophie Baek.
Não posso voltar ao mercado matrimonial,
mas não o posso evitar se ela não falar comigo
e ela não fala comigo sobre mais nada
para além do mercado matrimonial.
Talvez devêssemos apresentar a Hyacinth à prima do John.
Isso deve cansá-la.
A Mna. Stirling está a cansar-me.
É o Benedict?
Sim, ele mandou chamar-me.
Como a encontrei, ele terá de nos aturar às duas.
Eloise, Francesca
e Sophie.
Bom dia.
Damos um passeio?
Na verdade, quero falar com a Eloise.
Tenho pensado em como voltar às boas graças da Hyacinth.
Tem?
Acho que a resposta é uma pluma.
Uma pluma?
Sabe como ela estava sempre a tentar roubar as vossas plumas?
Pensei em mandar-vos à loja comprar uma para ela,
para usar no recital.
A ideia foi mesmo sua?
Não. Mandei o Hatch perguntar à Sra. Wilson, mas é boa ideia, não?
Vão andando.
- Eu faço companhia à Sophie. - Mas eu não…
De certeza que o seu coração a levará a escolher a correta.
E se não, a Francesca tem um gosto requintado.
Sophie.
Sabia que eu não falaria consigo em casa.
Usou a Mna. Bridgerton como um peão para me ver.
Perdoe-me.
Tinha de a ver.
- Não respondeu à minha carta. - Porque não o desejo ver.
Não respondeu à minha carta e eu percebo porquê.
Quando estávamos nas escadas, fiquei tão encantado com o momento.
Sim, eu compreendo. Ambos nos… entusiasmámos.
Foi só isso para si?
Porque me trouxe aqui? O que quer?
Eu…
… esperava ter uma resposta.
Se serei ou não sua amante?
Não me conhece mesmo.
Se conhecesse, saberia que ser sua amante é a última coisa que quero.
A minha resposta é não.
Mna. Bridgerton.
Escolhi a primeira que vi.
Acho que é uma excelente escolha.
Obrigada.
Não é adequado entrar por este lado, menina.
A minha senhora não a pode ver.
Se ela se recusar a descer, vou gritar.
Ela escreveu sobre mim e perturbou a minha vida.
- Tenho o direito de perturbar a dela. - Rae.
Sra. Bridgerton, tentei mandá-la embora, mas ela fez uma cena.
- Tive de a deixar entrar. - Bom.
Acredito que ninguém viu.
É a Sra. Whistledown.
- Sou. - O que escreveu sobre mim…
- Não citei nomes. - Não importa.
Todos sabem que sou a amante a quem se referiu,
a traça atraída pela chama.
Só o escrevi porque a palavra já se tinha espalhado.
- Queria avisar o Sr. Hiscox… - Então e eu?
Não pensou em mim?
Todos podiam especular, mas o Whistledown tornou-o real.
Real para a sociedade.
Real para a família dele.
E agora o meu plano para poupar aos poucos para poder ser independente,
no dia em que, inevitavelmente, me trocasse por outra mais bela e jovem,
está arruinado.
Ele deixou-a numa posição terrível.
Mas não sei se há algo que possa fazer.
Ajude-me.
Por favor. Volte a escrever.
Diga que é mentira.
Que a sociedade me confundiu com outra pessoa. Por favor.
Mna. Virginia, eu…
Isso não mudaria nada.
Os meus leitores não acreditariam em mim. Foram vistos juntos demasiadas vezes.
Fomos descuidados.
Mas é porque nos amamos.
Amávamos.
Mas foi a sua pena que me arruinou.
É previsível que não se sinta no seu melhor.
A Mna. Stirling manteve-o acordado toda a noite
e mal vamos dormir esta noite com a preparação do sarau dela.
Não é a falta de sono.
É o Parlamento.
Gosto imenso da Michaela.
Ela sempre fez sobressair uma certa leveza em mim,
uma leveza que gostaria de ter neste momento.
Por causa do Parlamento.
Por causa do Parlamento.
A revoltosa Lei das Reuniões, a Lei da Residência do Clero, por aí fora.
E tem a certeza de que não é por estar desiludido por não ter filhos?
Não, garanto-vos, é por causa do Parlamento.
É que estávamos a dar-nos tão bem antes de ela ser nossa convidada.
Agora parece que mal passamos tempo juntos.
Eu compreendo.
Tenho saudades da nossa rotina.
Mas… também odeio deixar a Michaela sozinha.
A Michaela vai ficar bem.
Podíamos apresentá-la a um cavalheiro amanhã à noite.
- Ela pode criar a sua própria rotina. - Por favor, não.
Ela insiste bastante em prosseguir para a vida de solteirona.
É tudo.
Sei que tenho de provar o que valho à Rainha,
mas não gosto da ideia de espiar os Bridgerton.
Não desejo trair a confiança deles.
O quê?
O Sr. Bridgerton precisa de toda a ajuda possível.
Acredite, ele está um pouco confuso de momento.
Os interesses da Sra. Bridgerton alinham-se com os de Sua Majestade.
Se é uma verdadeira amiga dos Bridgerton,
vai perceber que toda esta intriga
é no interesse deles.
Não pode falar com a Sra. Bridgerton por mim?
Não, minha querida.
O objetivo é eu recuar.
O Nicky recebeu um convite para o recital da Mna. Hyacinth.
Ele não teve uma única aula de dança.
Todos temos de começar por algum lado.
Hiscox, está bem?
Bridgerton!
Mais dois!
- Também quer um? - Não. Eu ajudo-o com os vossos.
O que foi? O que aconteceu? Não me parece bem.
Não é um homem dado a leituras?
Se fosse, saberia da minha situação.
E da minha estupidez.
Fala da Mna. Virginia?
Fui forçado a terminar tudo.
Para a proteger, na verdade, mas ela não compreende.
O que vai fazer?
O que posso fazer?
A meu ver,
tenho duas opções.
Posso…
… desistir.
E posso ceder,
regressando ao submundo.
A estar bêbado ao meio-dia.
A afogar as mágoas no fundo da garrafa.
Quer juntar-se a mim?
Ainda não.
- O que faz aqui? - O que faz aqui?
Eu estava…
Estava a limpar.
E o senhor?
Eu estava aqui perto
e não suportei a ideia de passar por aqui sem a ver.
Quem é esta mulher para si?
Ela é… alguém que conheci
uma noite num baile, há uns meses.
Sente alguma coisa por ela?
Não, já senti.
Até a ter conhecido.
Ela seria… alguém com quem casaria?
Não importa.
É a si que eu quero agora, Sophie.
Porque acha adequado beijar-me?
Porque é irresistível.
Mas porque é adequado?
Porque foi adequado beijar-me junto ao lago ou nas escadas?
Teria achado adequado beijar a senhora que conheceu naquele baile?
Ou teria sido um cavalheiro e recusado arruiná-la?
Ter-lhe-ia pedido para ser tua amante?
Compreende mesmo o que me está a pedir?
Pede-me para renunciar à minha virtude, à minha dignidade, ao meu amor-próprio,
tudo para ser reduzida a uma cortesã que nunca poderá casar.
Posso não ser nobre como uma senhora, mas recuso-me a descer tão baixo.
Como criada, sou…
… respeitável,
sou necessária. Agora, está a tentar roubar-me isso também.
- E para quê? - Não.
- Diga-me, por favor, para quê? - Peço desculpa.
Perdoe-me. Vou-me embora.
Acho que nunca ouvi esse nome. Sophie Baek.
Eu conhecia uma Sra. Brock.
Vi logo que vos encontraria.
Sra. Varley.
É um prazer vê-la. Sentimos a sua falta.
Sim, o meu novo empregador vivia do outro lado da cidade,
mas acabámos de nos mudar para a praça.
Pois é. Já não está na Casa Featherington.
Deve sentir que está de férias com o seu novo empregador,
comparando com a Sra. Featherington.
O que está a insinuar, Rebecca?
Bem, ela pode não ter sido perfeita, mas a Sra. Penwood também não.
Penwood?
Diz-se que se livra de criados mais rápido do que do chá.
Ela fez-me dispensar mais criados nos últimos meses
do que em toda a minha carreira.
Talvez um deles seja a Sra. Brock.
Baek, Sophie Baek.
Ouviu alguma coisa sobre ela?
Contratámo-la recentemente na Casa Bridgerton.
Não tenho a certeza.
Houve algum problema com ela?
Céus, não. Ela é uma das melhores criadas que já contratei.
Diligente ao extremo.
Receio não poder dizer-lhe nada.
Sophie Baek.
Não posso dizer que a conheça,
mas costumava trabalhar com outra Mna. Baek há muitos anos.
- Muito bem. - Benedict.
Eu e os rapazes estávamos a conviver no nosso clube de jantar mensal
quando o Gregory apareceu.
As nossas mulheres estão na Casa Dankworth
para podermos desfrutar dos nossos queijos importados.
Quer uma fatia de Taleggio?
Não, obrigado.
Acordei a pensar que é um bom dia para beber de dia
e vim ver se vinha comigo, mas não quero interromper.
Fique. O Barnes traz-lhe um brande, se desejar.
Cavalheiros.
Estávamos a dar ao Gregory conselhos sobre assuntos do coração
antes de ir ao recital da Hyacinth.
Ele soube que algumas jovens encantadoras estarão presentes.
Não costumamos encontrar belas mulheres em Eton.
Porque não me perguntaram? Claramente, sou o irmão mais experiente.
Mas não é casado,
por isso, claramente, não é o mais bem-sucedido.
Quando conheci a minha Philippa, percebi logo que ela era a tal.
Cortejei a Sra. Dankworth um verão inteiro.
Às vezes, o afeto leva tempo a crescer.
Quando conhecer alguém, como saberei se está interessada?
Não sabe.
Na verdade não, mas tem de ser corajoso.
Faça o que o nosso irmão disse para fazer com a Penelope.
Diga-lhe o que sente.
Sei que não há nada mais assustador,
mas depois de conhecer a jovem que lhe está destinada,
que o desafia, que o vê como é,
não pode deixar que o medo o impeça de deixar o seu coração falar.
E de repente percebemos que a bússola se tinha avariado.
A nossa bússola tinha-se avariado. Acredita?
Simplesmente decidimos que era um sinal para continuar a velejar.
E é assim que se acaba numa ilha.
Que festa encantadora, Sra. Kilmartin.
É simpático apresentar a sua prima à sociedade.
Sim, estou a perder o recital da minha irmã mais nova esta noite,
mas fomos obrigados a ser anfitriões.
Ela é uma mulher de paixões, não acha?
Sim, sem dúvida.
Querem vir? Todos.
Querem vir? Vamos.
Mal posso esperar por esta noite.
A Daphne disse-me que se um jovem gostar de nós,
oferecer-nos-á uma limonada.
Precisamos de ter suficiente.
O que tem a limonada que ver… Ninguém me falou da limonada.
Haverá muita, garanto-lhe.
- Vou ver se está tudo em ordem. - Antes de irem…
Gostaria de vos dizer que um… amigo estará presente esta noite
e chama-se Lorde Anderson.
- O irmão da Sra. Danbury? - Sim.
A Sra. Danbury não pôde estar presente, mas ele estará porque é meu amigo.
Tenho um amigo.
O criado tem de trazer limonada regularmente.
O que é isto da limonada?
Hyacinth, trouxe-lhe algo para esta noite.
Como gosta de plumas.
Obrigada, mas a Sophie já arranjou o meu cabelo ao meu gosto,
e não quero parecer a miúda tonta que acha que sou.
Podemos começar o seu regresso ao mercado esta noite.
Acredito que há vários irmãos mais velhos aqui como acompanhantes.
- Sra. Bridgerton? - Sim?
Tenho informações sobre a Sophie.
Como?
A governanta da casa da Sra. Luton já trabalhou com outra Mna. Baek.
A mãe da Sophie, certamente?
Que é de Londres e não de Aylesbury.
A Sophie tem o nome da mãe, o que provavelmente significa que…
Ela é ilegítima, imagino.
Acho que estou desiludida.
Esperava talvez alguém de nobreza legítima
para que ela fosse adequada.
Adequada? Para quê?
Não faço ideia.
Foi uma tolice. Obrigada, Sra. Wilson.
Sra. Varley?
Senhora.
Está na hora do chá.
Sim, minha senhora.
E aqui está o chá.
Gostaríamos de tomar o chá da tarde no salão pequeno.
Temos estado à espera há quase uma hora.
Lamento muito.
Quando trabalhei para a minha última senhora…
Sra. Varley,
não sou a Sra. Featherington.
E, sinceramente, estou farta de ouvir falar dela.
Entendemo-nos mal com muita frequência.
Talvez este acordo tenha chegado ao seu fim.
Minha senhora, se me pudesse dar outra oportunidade…
Para quê? Aproveitar-se da minha boa índole outra vez?
Deixar-me sem criada enquanto passa quase uma hora no mercado
como fez esta manhã?
Eu estive…
… a tentar recolher informações sobre a criada que a enganou esta manhã.
Sophie Baek.
E?
Creio que está a trabalhar na Casa Bridgerton.
Temos muita limonada.
Ela é divina.
Tem de ser corajoso.
Vamos começar em formação.
Os jovens rapazes podem aproximar-se.
Mna. Hyacinth.
É um prazer voltar a vê-lo, Lorde Kent.
Aos vossos lugares.
Postura.
E agora, a vénia.
Boa noite, Mna. Hyacinth.
Boa noite.
Mna. Rochelle, não é?
- Quais são os seus interesses? - Bem…
E agora fazemos uma vénia e uma pequena pausa para um refresco.
Como correu? Tiveram uma boa conversa?
Creio que estou apaixonado.
Pois.
Gostei muito da nossa dança.
Embora tenha muita sede depois de tal atividade.
Tal como eu.
Vou buscar limonada.
Irmã, o seu trabalho de pés na formação foi impecável, claro.
Mna. Bridgerton.
Não a via na sociedade há algum tempo.
Vai regressar?
Sorria.
Está aqui.
Estou.
Está aqui com a minha família e…
… o mundo não desmoronou.
É o momento certo.
Sra. Bridgerton,
como correram as coisas entre o Benedict e a Mna. Hollis?
Céus. A sua vizinha.
Convidámo-la com a mãe para um chá.
Ela é muito amável.
Mas, infelizmente, ela não é a jovem do Benedict.
- Isso é lamentável. - De facto.
Na verdade, acho que ele já nem procura essa jovem.
- É por haver outra pessoa? - Não.
Não.
Não.
Sophie.
Sr. Bridgerton.
Precisa de algo?
Não.
Encontrei-a.
Vamos começar a próxima dança,
na qual as meninas vão dançar com os acompanhantes.
Está pronto, irmão?
Está pronto para dançar?
É sempre um conforto tê-la por perto.
- Obrigada, Sra. Danbury. - De nada.
Esperava estar no recital da Hyacinth, mas quando a Rainha chama…
Sim, também esperava lá estar.
Mas Sua Majestade insistiu em trazê-la cá.
Obrigada.
Sua Majestade,
tal como pediu,
a Sra. Bridgerton.
Sra. Bridgerton.
Chamei-a aqui porque não gostei da sua coluna desta semana.
Porque já não menciona nomes?
Sua Majestade, eu…
E não há notícias recentes sobre o Sr. Bridgerton.
Como vamos resolver a nossa aposta se não escrever sobre ele?
Tive de pedir à Sra. Danbury para fazer o seu trabalho.
Pode responder.
Sua Majestade.
Durante muito tempo, o Whistledown trouxe-me alegria.
E, tal como vós, sempre acreditarei no poder dos mexericos.
Mas desde que me tornei conhecida publicamente,
houve uma mudança.
O poder que detenho sobre a sociedade é demasiado grande.
Há um desequilíbrio. Eu…
Já não sou uma introvertida,
uma estranha.
Sou uma Bridgerton.
Tenho o privilégio de ver a Rainha.
O Whistledown ocupa um espaço que torna impossível
fazer mexericos bons, verdadeiros e justos.
E eu considerei… bem, estava a pensar se poderia considerar,
sabendo que é patrona não só do Whistledown, mas também das artes,
se poderia considerar deixar-me
abandonar a minha coluna e dedicar-me a outra escrita.
Não. Não, não, não!
Porque todos me fazem estas perguntas?
Gostaria de me reformar.
Brimsley.
Francesca, não tenho palavras para lhe agradecer por esta noite.
É um prazer sermos seus anfitriões.
Reparei que não teve a oportunidade de falar com Lorde Taylor.
Mna. Stirling.
Creio que falámos.
Na verdade, foi um prazer ouvir falar das suas propriedades de cevada.
Adoro cevada.
Posso juntar-me à conversa?
Certamente. Podemos aborrecê-lo,
eu e o meu primo e não paramos de relembrar a nossa infância.
A Sra. Kilmartin falou muito sobre como é uma mulher de família.
E eu sou um homem de família.
A Sra. Kilmartin acredita que temos muito em comum.
Se me perdoar, senhor, preciso de me ir refrescar.
Pedi gentilmente para não forçar pretendentes a abordar a Michaela.
Ele mostrou interesse. Pensei que talvez se sentisse lisonjeada.
A questão não é essa, Francesca.
Vou procurá-la.
Eu resolvo isto.
O que faz aqui? E no chão?
- Vai estragar o vestido. - Dá-me um momento?
Está zangada comigo.
Porquê?
Não se lembra de me fazer uma emboscada com um pretendente indesejado?
Peço desculpa.
Pensei que o John estava… a exagerar
quando sugeriu que não a devia apresentar a pretendentes.
O meu primo pediu-lhe para não interferir e fê-lo na mesma.
O Lorde Taylor é um cavalheiro respeitável.
Tentava ajudá-la a encontrar um companheiro.
Francesca, não me conhece.
Por favor, não se meta.
E como posso conhecer alguém que está determinado a ser desconhecido?
Quando estivemos na Escócia, mal conseguiu conter o seu caos
para ficar no mesmo lugar durante mais de cinco minutos.
E agora aparece aqui, em nossa casa, sem ser convidada.
Como hei de reagir ao demonstrar, a mim e ao meu marido,
tão pouco respeito?
Garanto-lhe que o John não se sente desrespeitado.
Ele aprecia o meu caos. Também precisa de um pouco.
Porque tem ele estado indisposto desde que regressou?
A sua insistência na ociosidade será a culpada?
- Está a enervá-lo. - Não, estou a enervá-la a si.
Claro que sim!
Não consegue compreender como é ser recém-casada,
desesperando por ser boa esposa,
a sentir-me constantemente inadequada,
como se eu tivesse algo de errado. Tem de piorar as coisas?
Pôs a governanta a ordenar a sua coleção de puzzles.
O que poderá haver de errado consigo?
Ele ama-a, Francesca.
Aos olhos do John, nunca precisa de se preocupar se é inadequada.
Nunca tencionei causar-vos problemas.
Só estou aqui porque tenho saudades do meu primo.
Preocupo-me com ele quando estou fora.
Já passámos por tanto juntos.
Mas agora vejo que não tenho de me preocupar.
Ele tem-na a si.
Não pode estar mais seguro.
Só que…
Há poucas pessoas com quem me sinto segura e o John é uma delas.
Sinceramente…
Nunca o vi rir como quando está consigo.
É por isso que, sinceramente,
tenho alguma inveja do seu caos.
Talvez eu esteja aberta a isso.
Desde que não esperem que eu fique acordada depois das dez.
Posso ser caótica, mas não estou louca.
Está um pouco bêbeda?
Eu sabia que estava mais extrovertida do que o habitual.
Não é a única que sabe ser espirituosa.
Gostava de ter mais amigas espirituosas.
Amigas, então?
No início desta semana,
esta autora escreveu longamente sobre seres de mundos opostos.
A atração de dois desejos diferentes pode ser uma tortura, na melhor das hipóteses.
Esta autora interroga-se se talvez o desejo não seja o problema,
mas sim o próprio mundo.
A minha imitação da Sra. Danbury foi um fracasso total.
Talvez devêssemos ir para casa?
Aonde foi o Nicky?
Fugiu com o Gregory, certamente.
Vou procurá-lo.
Está bem?
E a menina?
Lamento não ser um rapaz de Eton.
Os rapazes de Eton não são assim tão fantásticos.
Mas certamente isso mudará.
E não desejo perder o momento que me espera.
Vamos fazer com que seja um momento decente.
Estragou-o.
De volta aos eixos.
Finalmente sabemos quem é a nova vizinha.
Deixou um cartão de visita antes de o recital começar.
Como se chama?
Araminta Gun.
A viscondessa-viúva Penwood.
Araminta Gun é nossa vizinha? Ela esteve aqui?
De repente, sinto-me mal.
Não.
Dizem à Sra. Wilson que me vou deitar um pouco?
Faremos um breve interlúdio antes de começarmos com o Boulangère.
Benedict.
Deixe-a em paz.
Só me esqueci de algo no meu quarto.
Seja o que for que se passa entre vocês, não é apropriado.
Mãe.
Antes de me castrar, posso perguntar o que anda a fazer com o Lorde Anderson?
Dorme com um homem que não é seu marido, com os seus filhos a dormir em casa.
Isso não é da minha conta, mas isto também não é da sua.
Sophie?
Sophie, diga-me o que se passa.
Seria mais fácil informar-lhe o que é correto.
- Isso não é uma resposta. - Então, não lhe darei uma.
Por favor, deixe-me em paz.
Desta vez, não vou a lado nenhum. Estou aqui por si.
Mas não lhe pedi que ficasse. Não compreende?
Não pedi nada disto.
Não lhe pedi para me seduzir, me tocar ou beijar.
Não lhe pedi para me mostrar um mundo que nunca poderia ser meu
ou para me deixar acreditar que poderia.
Cada vez que mo mostra, magoa-me.
Magoa-me.
Por favor, vamos parar com isto. Não posso ser sujeita a mais.
- Sophie, por favor. - Vou primeiro, os criados não veem.
Não me interessa quem vê. Interessa…
Claro que não, mas quando vai pensar em mim?
Todos os momentos de todos os dias.
Não há um único momento em que não esteja na minha cabeça.
Ouvi todos os escrúpulos que levantou sobre estar comigo
e gostaria que houvesse outra forma de ficarmos juntos.
Mas a ideia de passar um único dia sem si
atormenta a minha alma.
Merece o mundo, mas de que outra forma posso estar
com uma mulher que a sociedade tornou impossível estar comigo?
A mulher por quem fui tolo o suficiente para me apaixonar.
O quê?
Eu amo-a, Sophie.
Não pode.
Não, não posso.
Não posso amar uma criada. Não posso estar com uma criada.
Não posso pensar numa criada a toda a hora,
ansiando por uma vida com ela e, no entanto…
… conseguiu…
… tomar posse de mim,
ressuscitar-me,
mudar alguém que não conseguia estar quieto
para alguém que deseja estar num só sítio,
ao seu lado,
enquanto for vivo.
Mas terá de casar.
A sociedade, a sua mãe, é o esperado.
Sou o segundo filho. Já nem precisam de mim como suplente.
Já há um herdeiro.
Eu não casaria. Não olharia duas vezes para ninguém.
Se ao menos retribuísse o meu amor.
Mas vai mudar de ideias. A sua atenção será desviada.
Você não é o papagaio no meu escritório.
É a pessoa que procurei toda a minha vida.
Amo-a.
Amo-a.
Amo-a.
Claro que o amo.
Eu amo-o.
Não há problema?
Eu quero-o. Há tanto tempo que o queria.
Devagar ao início, por favor.
Ouvi dizer que pode doer.
Legendas: Helena Cotovio
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