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UMA VERDADEIRA VIDA DE INSETO 2
Ah, meio do verão nas Great Smoky Mountains, no Tennessee.
NARRADO POR AWKWAFINA
É a época de acasalamento dos insetos
e o amor está no ar.
Bem, pelo menos as feromonas.
Mas a vida de um inseto é curta.
A oportunidade de acasalar é fugaz,
especialmente para esta pequena criatura encantadora da floresta.
Estranho,
misterioso
e fofo.
Apresento a mariposa-lua mais jovem da floresta.
Acabada de sair do casulo, tem um mundo novo para explorar.
Mas, como a maioria dos jovens adultos, só tem uma coisa em mente.
Encontrar uma companheira e transmitir os seus genes adoráveis.
Não é fácil,
quando se é um pouco trapalhão...
As tuas asas ainda não se abriram...
oh, e só tens uma semana de vida.
Para a maioria dos insetos florestais, achar um parceiro é correr contra o tempo.
Esta é uma história de pequenos românticos que enfrentam grandes desafios,
numa floresta escura e profunda,
cheia de obstáculos e perigos.
O caminho do verdadeiro amor nunca foi fácil.
O AMOR NA FLORESTA
À medida que o sol se põe sobre a floresta,
a busca começa.
Mas achar um companheiro na escuridão requer um conjunto de habilidades.
Este pequeno inseto amoroso está desesperado por atenção.
Depois de passar um ano inteiro como larva, escondido debaixo da terra,
quem não estaria?
Agora que é adulto, só tem algumas semanas para formar um par.
Ele é bonito, sem dúvida.
Mas com o tamanho de uma semente de abóbora, é fácil não o ver.
Até que ele lança o seu charme.
Ele é um pirilampo,
um dos milhares de machos que se exibem.
A mistura de produtos químicos na sua cauda faz acender a magia do pirilampo.
É uma das fontes de luz com maior eficiência energética do planeta.
Mais de 30 espécies de pirilampo vivem aqui nas Smoky Mountains,
cada uma com a sua própria linguagem secreta de flashes.
Alguns piscam de forma lenta e constante, outros piscam rapidamente.
E o movimento característico do nosso amigo?
Descer bem baixo e depois subir com um brilho glorioso.
Na linha das árvores, ele chamou a atenção de alguém.
Uma linda fêmea pirilampo
a piscar para ele?
Sim, ela está a namoriscar com ele, descaradamente.
E, oh, ele está a dar resposta.
Usa as suas melhores frases de engate conseguir o que quer.
Toda a vida dele o conduziu a alguém como ela.
Sim, ela está a comê-lo.
Porque esta não é a história dele, é a dela.
Duas vezes o tamanho dele,
ela é uma espécie totalmente diferente de pirilampo.
Uma devoradora de machos, que imita a linguagem deles.
Atrair machos doentes de amor para a morte é a sua especialidade.
É por isso que ela é conhecida como a "femme fatale" da floresta.
Já grávida, ela está a comer por 50.
E quanto mais vítimas ela devorar esta noite,
mais fortes serão os seus bebés.
Se fores um macho e o teu rabo se iluminar,
ela vai atrás de ti!
Se ao menos todos pudessem mover-se pela floresta com esta graciosidade.
Ainda presa na vegetação rasteira,
a pequena mariposa-lua não voa e é vulnerável.
É melhor não chamar a atenção.
Nestes bosques, os monstros estão por todo o lado.
Um rato esfomeado mesmo atrás dele.
Trepa, continua a trepar,
trepa como se a tua vida dependesse disso,
porque depende.
Mas até que as suas asas se abram,
ele é um inseto sentado.
O quê?
Quem? O que é que se passa?
Olha, se fosses do tamanho de uma bola de ping pong,
também estarias assustado.
O que é que se passa, Bambi?
O perigo pode ter passado,
mas o seu coração bate mais depressa.
É a parte final da sua transformação e bombea fluido para as suas asas.
Ele tem de esperar que elas endureçam para poder voar.
Depois, de algum modo, terá de achar uma companheira em quilómetros de escuridão.
À noite, a floresta densa e húmida
é o local perfeito para a reprodução de mais de 10 mil espécies de insetos.
Muitos passam anos a crescer em forma de larva,
mas têm apenas semanas, ou mesmo dias, como adultos.
Desta forma, pais e filhos não têm de lutar pela comida.
Mas isso não deixa muito tempo para encontrar o amor.
Por isso, os insetos inventaram todo o tipo de formas
de serem tão atraentes quanto possível.
Alguns são cantores,
alguns são dançarinos,
e alguns são lutadores.
Como o poderoso escaravelho-veado.
O seu plano de jogo?
Encontrar uma fonte de alimento que as fêmeas adorem,
como este carvalho com uma ferida aberta e açucarada acima.
Depois, prova-se a si próprio defendendo-a contra outros machos.
Passou os seus primeiros dois anos de vida como uma larva indefesa,
mas olhem para ele agora.
Um cavaleiro de armadura brilhante,
com apenas algumas semanas de vida adulta para lutar por uma rainha.
À frente, o seu primeiro adversário.
Está na altura de mostrar à floresta do que é feito.
O nosso herói depressa conquista o local mais alto, a posição perfeita para...
Oh, oh, não.
Oh, não.
Ainda bem que nenhuma fêmea estava por perto para ver aquilo.
Adiante, uma pequena derrota não vai deter este besouro obstinado.
Está na altura de arranjar outra luta.
A busca do amor da mariposa-lua ainda nem sequer começou.
Ainda está à espera que as suas asas endureçam.
Acontece a todas, acreditem.
Na sua vida anterior como lagarta,
ele comeu folhas sem parar durante seis semanas,
acumulando energia para as suas aventuras de adulto.
Mas agora já está crescido.
Ele nem sequer tem uma boca.
Não há maneira de encher as suas reservas de energia.
A cada movimento ele gasta mais energia.
O rato esfomeado está de volta.
E as asas...
ainda não estão prontas.
Por mais que tente, as pequenas pernas não competem com as suas garras afiadas.
As suas asas estão cobertas por milhares de pequenas escamas escorregadias.
Nem mesmo o rato mais poderoso consegue agarrar-se.
A evolução ganhou esta batalha por ele.
Ele é um amante, não um lutador.
Bem, é esse o plano.
Algures por aí,
uma fêmea está a libertar uma mera bilionésima parte de um grama de feromona
e o seu cheiro é ótimo.
As suas antenas ultrassensíveis detetam o seu cheiro sedutor
do outro lado da floresta.
Um rasto de migalhas de pão que o conduz ao seu primeiro voo.
Ah, o luar.
O vento a esvoaçar nos pelos do tórax.
E a árvore perfeita para descansar.
Ele vai precisar disso.
As suas reservas de energia estão a acabar
e ele ainda está longe de encontrar a sua fêmea.
No jogo do namoro com insetos,
expor-se pode ser uma estratégia arriscada.
Bons tempos para os insetos significam bons tempos para os predadores, também.
Mas há um tipo de inseto que está estritamente fora do menu.
Os nossos velhos amigos, os pirilampos.
As toxinas no fazem com que tenham um sabor repugnante para os predadores.
Mas o nosso pirilampo fêmea fatal não é a maioria dos predadores.
Ela precisa destas toxinas protetoras para passar aos seus bebés.
Ela não as consegue produzir, por isso tem de as roubar.
Quanto mais pirilampos ela devorar, mais protegidos estarão os seus bebés.
Esta noite, a sua missão de devoradora de homens continua
no fundo da floresta.
O escaravelho-veado levantou-se depois de perder a sua primeira luta,
determinado a encontrar outro terreno de alimentação para lutar.
E ele pode ter acertado no jackpot.
As suas antenas conduziram-na a...
um velho toco de árvore.
Para os escaravelhos-veado, isto é o paraíso.
É húmido, está a apodrecer e cheira mal.
Por isso, naturalmente, quem é alguém na sociedade dos insetos está aqui,
e há uma boa razão para estar tão cheio.
Vamos lá, cowbug. Desculpem.
Antes de morrer,
este carvalho passou 100 verões a apanhar raios de sol
e a transformá-los em açúcares.
Agora, os fungos decompõem a madeira
e transformam o toco em comida de bebé para insetos.
As larvas de escaravelho passam anos a comer a polpa açucarada,
logo, é um local perfeito para uma fêmea de escaravelho-veado pôr os seus ovos.
E quem diria?
Lá em cima, uma fêmea está à espera de um belo macho,
e ela própria não é assim tão má.
O olhar inconfundível do amor,
e o som de problemas.
Outro escaravelho-veado macho entre ele e a sua rainha.
Com apenas algumas semanas para viver,
ele não se pode dar ao luxo de continuar a perder lutas.
Só os vencedores ficam com a rapariga.
Quero dizer, é antiquado, mas, tipo, quem sou eu para julgar?
A meia-noite está a aproximar-se
e as Smoky Mountains parecem muito pacíficas vistas de cima.
Mas abaixo da copa das árvores, é amor e morte.
A nossa femme fatale pirilampo precisa de mais mortes antes do nascer do sol.
Mais toxinas protetoras para os seus bebés por nascer.
Na calada da noite, ela descobriu novas presas.
Pirilampos sincronizados das Smoky Mountain.
Milhares de machos piscam em uníssono
e, nos breves momentos de escuridão, ficam à espera da resposta das fêmeas.
A forma como esta espécie se coordena é ainda um mistério,
especialmente para a nossa femme fatale.
Ela não consegue imitar a linguagem deles,
por isso, estes machos não estão a cair na sua armadilha.
Mas estão a cair noutra armadilha.
Uma aranha de teia orbital,
com uma teia cheia de pirilampos machos descuidados.
Toda a comida num só lugar,
certamente ela não roubaria uma refeição de outro assassino de pirilampos.
Mas ela é uma mamã destemida,
o maior e mais malvado inseto da floresta.
Bem, o maior pirilampo, pelo menos.
De cabeça para dentro da teia de uma aranha.
A aranha está apenas alguns centímetros acima.
Só não pises os fios.
Eu disse para não pisares os fios!
Preso em seda de aranha,
o pior pesadelo de um inseto.
A sua vida, e a dos seus bebés, está em risco.
Mas com o dobro do tamanho dos machos presos,
ela ainda tem uma hipótese de lutar.
Escapou, e com um burrito de insetos grátis.
Esta futura super futura mãe fará qualquer coisa pela sua linhagem.
E o escaravelho-veado está pronto para entrar em guerra pela sua.
Dois machos excitados,
uma fêmea exigente.
O nosso amigo é o da esquerda, já agora.
Esta pode ser a sua última hipótese de ganhar uma companheira.
As lutas do escaravelho-veado podem durar quase um minuto.
Na vida de um inseto, isso é, tipo, uma eternidade.
Ele está preso cabeça com cabeça.
Mas ele escapa,
e levanta o seu adversário com um aperto forte.
Faz pressão sobre o seu próprio peso corporal com a boca,
dando-lhe a vantagem para o despistar.
Que pena.
Parece que a noite de encontros está de volta.
É amor à primeira troca de feromonas.
E não é só o escaravelho-veado.
Em noites de verão como esta,
a floresta está repleta de pequenos insetos do amor
de todas as formas, tamanhos e pronomes.
As lesmas são hermafroditas, por isso podem fertilizar-se a si próprias.
Mas a maioria concorda que o acasalamento é muito mais divertido com um parceiro.
Basta perguntar aos gorgulhos.
Por pura determinação, o escaravelho-veado conquistou a sua rainha.
E por toda a floresta,
os insetos estão a tirar o máximo partido dos seus breves encontros.
Nas últimas horas da noite,
os longos órgãos reprodutores das lesmas
enrolados uns nos outros parecem estranhamente belos.
Esta noite, o romance está no ar.
Até que te deixem.
Parece que todos na floresta estão a ter sorte,
exceto a mariposa-lua.
Está tão cansado de voar a noite toda
que está a deixar os outros insetos andarem em cima dele.
Oh, eu odeio quando isso acontece!
Ele está a ficar sem forças.
O seu corpo está maltratado,
mas o seu coração está a bater forte.
Está acelerado,
porque as suas antenas dizem-lhe que a fêmea está perto.
E ele está a zumbir de excitação.
Bem, mais ou menos.
O arrepio aquece-lhe os músculos das asas,
é energia suficiente para acelerar uma última vez.
Levanta voo e vai à procura dela!
Antes que outra coisa o encontre.
Um grande morcego ver no escuro,
usando um sonar para localizar a sua presa.
A mariposa não faz ideia de que a morte está no seu encalço.
Mas esta não foi uma fuga por sorte.
Foi a cauda da mariposa que a salvou.
A sua forma rodopiante baralha o sonar do morcego.
Com asas como estas, que importa se és desajeitado?
Viajar quilómetros através da floresta tem o seu preço.
Ele está totalmente sem energia,
mas esta é a melhor aterragem de emergência que ele poderia ter esperado.
O rasto de feromonas levou-o até uma fêmea.
Com o seu último pedaço de energia, ele trepa até ela.
Uma vez acasalados, ela carregará todos os seus 400 ovos.
Os pequenos românticos da floresta do futuro.
Os insetos têm as formas mais extraordinárias
de transmitir os seus pequenos, mas poderosos, genes.
A violenta fúria do pirilampo valeu a pena.
Com apenas alguns dias de vida, está a pôr os seus minúsculos ovos tóxicos,
assegurando a continuação da sua linhagem letal.
Quanto à mariposa-lua, o seu trabalho também está feito.
Contra todas as probabilidades.
Apenas um por cento da sua espécie chega a acasalar.
Por isso, aproveitou ao máximo a sua curta vida.
Todos os arranhões, batalhas e aterragens forçadas valeram a pena.
O seu adorável legado viverá
em toda a floresta.
Legendas: Jorge Seabra Paupério
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