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♪ "Guarapari" - Nuno Roland ♪
♪ Quer viver um sonho lindo ♪
♪ Que eu vivi? ♪
♪ Vá viver a maravilha De Guarapari ♪
♪ Vá viver a maravilha De Guarapari ♪
♪ Um recanto que os poetas ♪
♪ E os violões ♪
♪ Não conseguem descrever Nas mais lindas canções ♪
♪ Pelas suas noites claras ♪
♪ A Lua serena ♪
♪ Vem brindar os namorados ♪
♪ Na areia morena ♪
♪ Ninguém poderá sonhar ♪
♪ Nem viver o que eu vivi ♪
♪ Longe dessa maravilha ♪
♪ Que se chama Guarapari ♪
♪♪
♪♪
♪♪
♪♪
[rodas rangendo]
♪♪ -[rodas rangendo]
[tensa]
[chuveiro ligado]
[tensa] -[chuveiro ligado]
[chuveiro ligado]
[tensa]
[jazz]
[latidos ao fundo]
[latidos ao fundo]
[respirando ofegante]
[latidos ao fundo]
[estalo de beijo]
[tensa]
[roncando]
[roncando]
[tensa]
[tensa] -[porta rangendo]
[tensa]
[homem geme]
[tensa]
[tensa] -[respiração ofegante]
[grunhidos]
[mulher suspira]
[gritando]
[pássaros]
[marulho]
[tensa]
[marulho]
[mulher funga]
[marulho]
[piano]
[tensa]
[piano]
[batidas na porta]
[maçaneta rangendo]
[batidas na porta]
[tensa]
♪ Ninguém poderá sonhar ♪
♪ Nem viver o que eu vivi ♪
♪ Longe dessa maravilha ♪
♪ Que se chama Guarapari ♪
[tensa]
♪♪
[homem] Das Páginas Históricas do Século 17 surgem no Brasil
Guarapari, paraíso tropical do Espírito Santo.
♪♪
[homem] Seu nome provém do pássaro vermelho
que cruzava diariamente o céu azul anil da região.
♪♪
[homem] Esse é hoje o destino preferido de turistas
brasileiros e estrangeiros que visitam a cidade saúde
e suas belíssimas praias de milagrosas
areias monazíticas.
♪♪
[homem] No seu calendário de festividades e atrações,
destaca-se o magnífico carnaval que arrasta multidões
de foliões por suas ruas e praças.
♪♪
[homem] Este é o turismo ardente de Guarapari,
onde o verão é mais verão
e o turismo é mais turismo.
Alegria e muita alegria na cidade
onde os problemas não existem.
♪♪
[instrumental]
[samba]
[instrumental]
[samba]
[instrumental]
[samba]
[instrumental]
[samba]
[instrumental]
[samba]
♪ Tomar leitinho E liberar geral ♪
♪ Tomar leitinho E liberar geral ♪
[homem] [indistinto]
♪ Disseram que a outra Se engasgou ♪
[samba]
♪ Disseram que leitinho Que pingou ♪
[música abafada]
[mulher suspira]
[música abafada]
Oi.
[marteladas]
A chave não tá funcionando.
Final de temporada é assim mesmo,
tudo vai parando de funcionar aqui, nesse prédio.
Qual que é o apartamento mesmo?
[mulher] 502.
Daqui a pouco eu levo outra lá.
[música abafada]
Obrigada.
[música abafada]
[campainha de elevador]
Gente, esse elevador tá fedendo muito mesmo.
Tá cheirando mal mesmo, mas não olha pra mim,
que não fui eu.
Nem eu, né?
A praia deve tá lotada!
[toque de elevador]
[respiração ofegante]
-[campainha de elevador] -[mulher suspira]
[portas rangendo]
[toque de elevador]
[mulher suspira]
[toque de elevador] -[tilintar de chaves]
[toque de elevador]
Bora, estamos atrasados.
Ela fica com essa atitude conservadora,
mas vai lá na praia pra ver, uma piranhona.
Tá certo, no carnaval vale tudo.
Vale tudo é o cacete, tá?
O que essa lambisgoia tá olhando pra cá?
Toda vez que você vem aqui fica achando que alguém...
[suave]
[tensa]
[respiração ofegante]
[vidro estilhaçando]
[telefone tocando]
Minha filha me ligando!
[riso]
Agora sim meu dia tá cada vez melhor.
[rangidos ao fundo]
Tá tudo ótimo?
-[rangidos ao fundo] -[gemidos]
Ah, eu tô aqui, curtindo meus últimos momentos
do carnaval em Guarapari. [riso]
É, o Aldo insistiu pra vim, ele...
Acho que ele vem pra cá todo ano.
[rangidos ao fundo]
Filha, tá tudo bem.
Eu tô aqui num... No quinto andar de um...
edifício horroroso chamado Madalena.
Mas com uma vista maravilhosa pra Praia do Morro.
[rangidos ao fundo]
Mas a pergunta é...
[rangidos ao fundo]
Você tá bem?
Eu tive um daqueles sonhos hoje.
E foi pior... do que os de costume.
E aí eu quis te ligar pra ter certeza que tá tudo bem.
Luna, não deixa esses pesadelos atrapalharem a sua vida.
[rangidos ao fundo]
Sonho é sonho e realidade é realidade.
[mulher] Deixa o passado, vamos olhar pra frente.
Eu sei que eu sempre digo isso e é complexo, mas...
[mulher gritando]
[Luna] Marina?
[tensa]
[Luna] Mãe?
[tensa]
[tensa] -[gritos]
Tá tudo bem, ela não precisa de você.
[Luna suspira]
bom dia, meu amor. [riso]
-Aconteceu alguma coisa? -Eu vou para Guarapari.
E 5 horas da tarde, né? Já tá na hora de acordar já, ô porra!
[porta rangendo]
-[gaguejando] Guarapari? -é.
Você decidiu isso agora, assim?
Você sabe que o carnaval acaba hoje, né?
Olha, eu não tô com tempo nem com saco pra te explicar,
até porque você não ia entender.
Só que eu vou ficar uns dias só, e aí, quando eu voltar,
eu te ligo, pode ser?
Aí se você já quiser ir arrumando suas coisas...
Bermuda.
Tá, eu posso pegar minhas coisas sim e vazar daqui
se você quiser, mas...
Se você quiser me falar o que tá acontecendo,
eu posso entender melhor.
Eu posso dar a minha opinião, eu sei que não é a melhor opinião
do mundo, mas... eu posso tentar.
Eu tive um sonho.
E eu sei que uma coisa muito ruim vai acontecer
com a minha mãe, e ai eu tenho que ir lá ajudar.
Então liga para ela, conversa com ela.
Eu liguei, só que, quando eu tava conversando com ela,
uma mulher se jogou do prédio, bem na frente dela.
E eu acho que isso é um sinal.
Tá de sacanagem que uma mulher se jogou do prédio?
Meu amor, é isso. Calma, é isso, tá?
O seu sonho, sua mãe ver uma mulher morrer,
isso é terrível,
mas não tem mais nada que você possa fazer lá.
-Você acha? -Sim! [riso]
Acho sim!
E agora que você tá livre, a gente pode fazer um cafezinho.
Hum?
Vamos jantar...
Namorar um pouquinho,
Fazer aquele vuco-vuco que a gente gosta, hã?
Hum? Hum? Hum? Hum? Hum?
[telefone tocando]
E ela.
[telefone tocando]
Oi mãe.
Puta nojenta, eu sou uma burra, minha filha, uma burra!
Uma idiota que eu sou!
Ô mãe, calma. Mãe, fala devagar.
Ele me chifrou, o filho da puta!
Que porra é essa? O que você tá fazendo?
Filho da puta, sai daqui!
Eu não quero mais te ver nunca mais na minha frente!
Você não tem ideia do que eu deixei para tá aqui com você.
Olha aqui, você veio porque você quis e eu não te obriguei
a porra nenhuma! Você só faz o que der na sua telha
e você não pensa!
Eu não quero saber! Sai da minha frente,
-seu filho da puta! -Para!
Com quem que você tá falando? Com quem que você tá falando?
-[vidro estilhaçando] -Mãe!
-Idiota! -Ó!
Ai! [gemido]
[tensa]
-Vaza! -Sai daqui!
-Vaza! -Sai! Sai da minha frente!
-Vaza! -Seu idiota! Seu nojento!
Eu vou jogar isso aqui no lixo!
Eu nunca mais quero te ver na minha frente, seu idiota!
Seu nojento, seu filho da puta!
Eu vou jogar tudo isso fora!
Eu vou jogar tudo isso fora!
Joga essa merda aqui fora, porra!
Sai daqui, sai da minha frente!
-Sai da minha frente! -Porra!
[Marina] Sai, eu não quero
te ver na minha frente! Sai! Sai!
Então vai lá com as tua quenga! Vai lá com as tua quenga!
[Aldo] É quenga! Eu gosto de quenga mesmo! Vem! Vem!
[Marina] Vai lá com as tua quenguinha!
Au! Ai!
[tensa]
Sai do meu prédio, seu merda! Sai! Vai!
[gemido] Doeu!
[gemidos]
[marina grita]
Calma, esse aí não morre fácil assim não,
com uma martelada, é cabeça dura.
Sai do meu prédio, seu bosta! Sai! Zarpa!
Caralho!
Não fica assim não, eu sei como é que é isso.
Olha como que ele deixou você. Acorda!
Vem aqui, vamos tomar umas biritas.
Eu já passei por isso. Sai.
Bostinha. Larga ele aí.
[Aldo geme]
[porta fechando]
[suspiros]
Vadia!
[tensa]
[estrondo]
[tensa]
[copo enchendo]
[tensa]
[voz ecoada] Eu acho que eu...
Eu acho que eu precisava...
[voz ecoada] Você precisava...
[voz ecoada] Eu acho que eu tô precisando...
[voz ecoada] O quê? Do quê? Fala o que é.
[risos ecoando]
[tensa]
[risos ecoando]
[indistinto]
[tensa]
[tensa] -[sussurros]
[grito]
[impacto]
[tensa]
[tensa] -[gemidos]
[tensa]
[tensa] [toque de elevador]
[tensa] -[gemidos]
[tensa]
[arqueja]
[tensa]
[grito]
[suspira]
[passos]
O que você tá fazendo aqui?
Eu vou pra Guarapari, ué.
Fábio...
A gente já não conversou que a minha mãe é problema meu?
Olha, eu quero te ajudar no que for preciso.
[vozerio distante]
Mas se você não quiser minha presença, eu...
posso ficar na praia.
Tô precisando de uma cor mesmo.
Mas não tem show da sua banda hoje?
Ah, pelo amor de Deus, Luna, eu toco rabeca.
Ninguém vai sentir minha falta.
[riso]
Tá bom. Obrigada.
[estalos de beijos]
[Fábio suspira]
[suave]
[tensa]
[Fábio] Luna? Amor.
Luna.
[tensa] -[grito]
Amor? Tá tudo bem?
Tá tudo bem.
Onde a gente tá?
Eu acho que a gente tá chegando.
[suave]
[suave] -[vozerio]
[suave]
Rodoviária feia da porra.
Licença, cara.
[suave]
[homem] Ah, eu acho maneiro vocês chegarem
em Guarapari agora que...
Acabou o verão, acabou o carnaval,
a cidade tá vazia só para vocês.
Eu sempre falo com a minha esposa,
se a gente não fosse daqui, a gente faria a mesma coisa.
O interessante de Guarapari é que, assim,
a gente tem só 105 mil habitantes...
mas aí chega no verão, é um milhão de turista
que a gente recebe aqui, e aí a cidade vira um caos.
É... Fila no supermercado,
Hã... Falta água aqui.
O prefeito, ele desliga o semáforo falando
que é pro trânsito fluir naturalmente.
É só aqui em Guarapari mesmo, é um hospício isso aqui.
Ah, essa aqui é a Praia do Morro, é a nossa praia
mais famosa que a gente tem aqui.
-[homem] Mas o engraçado... -É bonita mesmo.
É lindo.
...a maioria dos apartamentos é tudo de turista.
Chega na baixa temporada, fica tudo vazio,
não tem ninguém. É um desperdício de espaço,
né, no fim das contas.
[suave]
[homem] Tem certeza que o endereço é esse mesmo?
[suave]
[tensa]
Prédio feio da porra!
[tensa]
[clique] [apitos de interfone]
Por que ninguém atende?
É fim de carnaval, né? O prédio todo deve tá com ressaca
e tá todo mundo dormindo até agora.
Ah, você não tá ajudando.
[pressionar de botão]
[tensa]
[tensa] -[apitos de interfone]
Ou o interfone tá quebrado ou o prédio tá vazio.
[apitos de interfone]
[palmas]
Ô, de casa!
[Luna suspira]
Merda, o que a gente faz agora?
Ah, eu não sei, mas ali tem um quiosque, ó.
A gente pode sentar, tomar uma cervejinha gelada,
comer um peixe frito, hum?
Nossa, Fábio, você é um idiota mesmo, né, "véi"?
Eu aqui, "mó" preocupada com a minha mãe,
e você pensando em cerveja.
É porque se ela tiver bêbada e dormindo,
é melhor a gente esperar tomando uma cervejinha
do que aqui em pé, né?
[instrumental]
[marulho]
Eu acho que eu vou ligar pra polícia.
Você ligou pra ela ontem,
Tem que esperar 48 horas pra fazer um BO.
E a gente tá plantado na frente do prédio,
todo mundo que entrar ou sair, a gente vai ver.
Com licença, aqui o peruazinho frito,
especialidade da casa, viu?
Na panelinha de barro, hein?
-Eita, panelinha de barro, é? -É.
Ô moça, vou te perguntar, você conhece alguém
que mora naquele prédio ali?
Olha, eu acho que aquele prédio é um daqueles
que só tem gente na temporada.
Mas tem um síndico? Alguém?
Não sei, não. Às vezes eu vejo uma mulher entrando ali,
mas não sei se ela mora ou se vai lá só limpar.
Aham. Tá bom, obrigada, tá?
Nada. Fica à vontade, viu?
[marulho]
[suave]
Quer saber de uma coisa?
Eu sei que você tá preocupada, tá?
[suave]
Eu realmente sei.
Mas apesar de tudo, eu tô feliz de tá aqui com você.
[suave]
Vamos tirar uma selfie? Vamos?
[suave]
Não dá pra ver esse marzão todo, não.
[suave]
Ei, ei! Tira uma selfie aqui pra gente?
[suave]
Deixa eu mostrar aqui, visse? Atrás.
[suave]
-Assim. -Perdeu, playboy!
[suave]
Pega ladrão, pô! Pega ladrão!
Eu nem paguei essa porra ainda, "véi"!
[instrumental] -[marulho]
É bonito isso, né?
[instrumental] -[marulho]
Ver o pôr do sol assim, na frente do mar.
[marulho]
Eu acho que é uma das imagens mais românticas
que alguém pode ver. [riso]
[marulho]
E desde que eu te conheci eu sempre quis ter
esse momento com você.
[marulho]
É realmente uma pena você ser uma mula teimosa
obcecada por sua mãe, que agora deve tá
transando loucamente com aquele namorado escroto dela
e não consiga perceber... isso!
[marulho]
Oi, meu amor! Eu tava aqui pensando...
Eu descobri uma coisa. Vem comigo!
[instrumental] -[vozerio]
[instrumental] -[latidos]
[instrumental]
[vozerio]
[tensa]
Essa casa aqui tá vazia.
E aquele muro ali dá pro fundo do prédio.
Se a gente entrar na casa, subir naquele tanque ali
e pular o muro, a gente consegue entrar no prédio.
Ai, eu não sei, não, Lu.
Invasão de propriedade privada eu acho que é demais pra mim.
[tensa]
Eu sei.
[tensa]
Então eu vou sozinha, tá?
Espera!
Não tem nada que eu faça que vai fazer mudar a ideia, né?
Não.
Então eu vou junto.
[suspense]
Tá escutando isso?
[suspense] -[cachorro chorando]
[suspense] -[latido]
[suspense]
Corre!
[suspense]
[suspense] -[rosnado]
[suspense]
Vai, Luna! Vai, Luna!
Sai daqui, usa essa bolsa!
[Fábio grita]
[latidos]
[Fábio] Me solta! Me solta! Me solta aqui!
Ai, porra!
Ah! Ah, me solta! Me solta!
-[Luna] Vem, Fábio! -[Fábio] Me solta!
-[Fábio geme] -[latidos]
[Fábio geme]
[Fábio] Merda! Olha o que esse bicho fez comigo!
Ai, caralho!
-[Luna] "Véi", e as bolsas? -[Fábio] Foda-se as bolsas, Luna!
Ai! Como é que tá isso?
[Luna] "Véi", tá sangrando bastante, tá?
Mas não vai precisar dar ponto, não.
[Fábio] Dar ponto? Esse dinossauro quase arrancou
o meu pé, caralho!
[Luna] Ai, vira homem, Fábio!
[Fábio] Eu preciso ir pro hospital, Luna!
Eu preciso ir pro hospital, Luna!
[Luna] Olha o que eu achei aqui, vem cá.
[tensa]
-[cachorro chorando] -[Fábio geme]
[tensa]
[Luna] Eu achei um porão.
[tensa]
[Fábio] Tem como abrir isso?
[tensa]
[Luna] Eu acho que não.
[tensa]
[Luna] Mas eu dou um jeito.
[tensa]
[vidro estilhaçando]
[tensa]
[estrondo]
-Ai! -Tá tudo bem?
Tá. Eu só perdi meu óculos.
[tensa]
Merda, merda, merda, merda, merda.
Merda, merda, merda, merda.
[tensa]
-[gemido] -[Fábio grita]
[tensa]
O que foi, Fábio?
Tem alguém aqui, Luna.
[tensa]
Não tem nada aí não, Fábio.
Deve ter sido uma ratazana, alguma coisa assim.
[tensa]
[tensa] -[maçaneta rangendo]
-Tá emperrada. -Eu vim te ajudar.
-No três. um, dois, três! -[batida na porta]
-Um, dois, três. -[batida na porta]
-Vai, tá abrindo. -[batida na porta]
-[Fábio] Vai! -[batida na porta]
-[Fábio] Um, dois, três. -[batida na porta]
[tensa]
[porta rangendo]
[tensa]
[tensa] -[batidas na janela]
É o vento.
Não tá aparecendo o vento, não.
Tá aparecendo alguém tentando entrar.
Ou sair.
[campainha de elevador]
♪♪
Que merda de cheiro é esse?
Parece que tem um bicho morto aí.
♪♪
[tensa]
♪♪
[portas fechando]
[tensa]
♪♪
Ela falou que era o quinto.
Vamos pro quinto, então.
[toque de elevador] -[elevador rangendo]
-Eu odeio essa música. -É.
[toque de elevador] -[elevador rangendo]
[estrondo]
[sussurros]
Que merda foi essa?
[tensa]
-Aperta a emergência aí! -Tô apertando!
[tensa] -[pressionar de botão]
-[estrondo] -[gritos]
[tensa] -[borbulhando]
[Luna] A gente vai cair!
[grita] meu celular, porra!
Merda, fodeu, fodeu, fodeu!
[grito distante]
Luna, tem alguém ali embaixo.
[tensa]
Tem alguém ali embaixo.
[tensa]
[Fábio] Tem alguém ali embaixo, Luna!
[Luna] Não tem ninguém ali!
Você foi beber, você fica vendo essas porra!
[tensa]
Vem me ajudar a abrir essa porta!
[tensa]
Ô Luna, tá olhando pra gente, Luna.
A gente vai sair daqui agora!
[tensa] -[gemidos]
[tensa]
Que porra tá acontecendo aqui?
Não sei, mas isso não é normal, não.
A gente tem que sair daqui.
A gente tem que chamar a polícia!
Não, "véi", a gente tá no quinto andar,
é o andar que ela falou que ia tá.
[tensa]
[batidas na porta]
Tem alguma coisa estranha aqui.
Tem alguém aqui?
Tem alguma coisa estranha.
Esse lugar parece que tá abandonado há muito tempo.
Lógico que não, Fábio, aqui tava cheio de gente até ontem.
[tensa]
[batidas na porta]
[Luna] Ei! Marina!
[tensa]
[batidas na porta]
[Fábio] Marina!
[batidas na porta]
[tensa]
[Luna] Oi!
[tensa]
[Fábio suspira]
[batidas na porta]
Marina, você tá aqui?
[batidas na porta]
[tensa]
Luna! Luna! Luna, você ouviu isso?
O quê?
Eu acho que tem alguém pedindo ajuda.
Oi!
[tensa]
Ei, calma!
[tensa] -[voz abafada]
O que você precisa?
[mulher] [voz abafada] Me tira daqui!
Calma, a gente vai tirar você daí, tá bom?
[tensa]
[mulher] Tenta pra trás, moça.
[tensa]
[maçaneta rangendo]
A gente vai ter que arrombar.
[tensa]
Calma, calma! A gente vai tirar você daí!
Afasta da porta!
Um, dois...
[batidas na porta]
Um...
[batidas na porta]
[porta rangendo]
[tensa]
O que vocês estão fazendo aqui?
A gente escutou uma menina pedindo ajuda aqui dentro.
Tem ninguém aqui.
Vocês invadiram o prédio, eu vou chamar a polícia.
Esse apartamento é meu!
É seu, é? Você gosta de cruz, né?
O que é que tem?
Tem gente que enche a cara de argola e eu não posso
gostar de cruz?
A minha mãe, ela chama Marina,
e ela tinha ficado nesse prédio aqui, nesse andar.
A gente veio procurar ela.
Será que você não viu ela por aí, não?
-Marina? Do dread? -Ela!
Ah, que apanhou do marido. Aquele desgraçado deu
uma surra nela e foi embora. Largou ela aí.
E onde ela tá?
[mulher suspira]
Não sei. A gente bebeu demais ontem
e ela foi me ajudar a arrumar a casa da dona Fátima.
Eu acho que ela deve ter dormido por lá.
Você pode levar a gente lá?
Claro.
[porta rangendo]
[Luna] E quem que é essa dona Fátima?
A senhora que caiu do prédio.
Por que que minha mãe iria querer dormir
no apartamento de uma senhora que morreu?
Não sei, isso você tem que perguntar pra ela.
Mas ela parecia muito curiosa sobre Fátima.
Ela viu a senhora no chão dando o último suspiro na calçada,
e ver a morte de perto
mexe muito com a cabeça das pessoas.
Aí eu contei a história da Fátima pra ela,
falei que ia arrumar o apartamento e ela falou
que queria me ajudar.
E cadê os moradores desse prédio?
A temporada acabou ontem, todo mundo foi embora.
[tilintar de chaves]
Aí na invernada é assim, o prédio fica vazio.
Eu sou praticamente a única alma viva
durante todo o resto do ano.
E por que que você tem a chave do apartamento da morta?
[tilintar de chaves]
Eu cuido de tudo aqui.
Além disso, eu era amiga da Fátima
desde marido dela veio se tratar nas areias monazíticas.
Sabe?
As famosas areias radioativas de Guarapari?
[tilintar de chaves]
Mãe!
Pode ficar à vontade, pode até gritar.
[porta fechando]
[Luna] Ô, Marina!
Vou fazer um chazinho pra vocês, vocês estão muito nervosos.
[tensa]
[torneira ligada]
[tensa]
[Fábio] Luna... Tudo bem?
Foi ela. Essa mulher machucou a minha mãe!
[tensa]
Cadê ela?
Calma. Toma um chazinho. Você está muito nervosa,
vai fazer bem pra você.
Para de palhaçada que a gente sabe que foi você!
Fala logo o que você fez com a minha mãe!
Vocês não acharam?
[tensa]
Eu não tô aguentando mais isso. Fala logo! Cadê a minha mãe?
[Fábio] Luna, calma, não vai fazer besteira.
Besteira! Besteira, Fábio? Eu quero saber cadê a minha mãe!
Eu quero saber agora!
[tensa]
[batidas na porta]
Quem será?
[tensa]
Deve ser ela. Vai lá ver.
[tensa]
Não atende antes de ver quem é.
[tensa]
[grito]
[impacto]
Luna! Luna! Luna! Luna! Luna! Luna!
Luna, olha pra mim! Luna! Luna, você tá sangrando!
Luna! Luna! Meu amor, acorda! Luna! Luna!
[chorando]
É uma pena, mas vocês invadiram,
e isso é o que acontece com quem invade.
[grito]
[tensa] -[respiração ofegante]
Eu não gosto de fazer isso.
[tensa] -[respiração ofegante]
Mas é a regra!
[gritos]
Psiu, psiu, psiu, calma.
Ah, não, não, não chora, não chora.
[chorando]
Eu vou cuidar de você. Vamos dormir, tá? Psiu.
[mulher grita] ai!
Desgraçado! Você não sai mais daqui!
[tensa] -[respiração ofegante]
[tensa]
[tensa] -[respiração ofegante]
[menina] Vem cá, se esconde aqui dentro. Vem! Rápido!
[tensa]
[tensa] [geme]
[tensa]
[porta rangendo]
[tensa]
[menina] Tá tudo bem, você tá seguro aqui.
Eu sempre me escondo aqui.
Ela não vai te achar. Foi ela, não foi? Dora?
[tensa]
Quem é ela?
Dora. Ela é minha mãe.
[tensa]
Sua mãe?
Ela é malvada, você tá em perigo.
Você precisa sair desse prédio.
Sai comigo. Sai comigo.
Já é tarde demais pra mim.
[tensa]
Ela me matou.
[tensa]
[menina geme]
[grita]
[tensa] -[menina geme]
[Fábio grita]
[menina geme]
[tensa]
[tensa] -[Fábio geme]
[tensa] -[grunhidos]
Sai! Sai!
[tensa] -[Fábio geme]
Não, não, não! Sai, sai, sai!
[Fábio geme]
[tensa]
[tensa] -[Fábio geme]
[tensa]
Ah...
Ah...
Ai, calma...
[tensa]
Ah, vamos lá.
[tensa] -[cantarolando]
[Dora ri]
[tensa] -[cantarolando]
[tensa]
[tensa] -[grunhidos]
[tensa] -[respiração ofegante]
Oi, querida. Que bom que você acordou.
[tensa]
Com o tempo eu fui ficando ótima em suturas e curativos.
[tensa]
Sorte do seu namorado.
[tensa] -[respiração ofegante]
Sabe, Luna, eu tenho ótimas notícias pra você.
Primeiro a notícia boa.
Você conseguiu encontrar sua mãe. Parabéns.
[tensa]
[Luna geme] [voz abafada] mãe!
[tensa]
[voz abafada] mãe!
[Luna geme]
[tensa]
Parabéns. É tão bom ver jovens assim, persistentes.
E tem mais. Seu namorado ainda tá vivo.
E tem mais ainda.
Eu posso soltar essa sua mordaça.
Nós estamos no topo do prédio,
então você pode gritar à vontade,
ninguém vai te ouvir.
Mas eu tenho que te dizer que eu não gosto de gritos, tá?
Então, se você prometer que nós vamos conversar
como pessoas civilizadas...
eu te desamarro. Entendeu?
[tensa]
[voz trêmula] Olha, senhora,
eu não sei o que tá acontecendo aqui,
mas eu te prometo
que se você soltar a gente daqui,
a gente não vai contar nada pra ninguém.
[Dora ri]
Eu sei, eu sei que vocês não vão contar nada pra ninguém.
Fica tranquila, logo, logo vocês estarão
sem as algemas.
[tensa]
Ei, amiga, acorda.
Eu tenho uma surpresa pra você, olha quem tá aqui.
Olha ali. Olha quem eu trouxe pra você.
[Dora] Ó a surpresa.
[tensa]
[Marina] Não! Não! O que você tá fazendo aqui?
Não era pra você tá aqui! Luna, minha filha!
Eu não falei que eu não gosto que vocês gritem!
Cala a boca!
[tensa]
[Dora suspira]
[tensa]
Agora eu vou deixar vocês aqui conversando.
Vocês devem ter muito pra falar uma com a outra.
Agora, como pessoas civilizadas.
Tá?
[tensa]
Depois eu volto. Vou fazer as minhas obrigações.
[tensa]
Ela te machucou, mãe?
[tensa]
Não se preocupa comigo.
[tensa]
[marina suspira]
Eu só tô com... sono.
Tô com... eu tô com muito sono. [suspira]
[tensa]
[suspira] mas eu vou ficar acordada.
Por que ela tá fazendo isso com a gente?
Ela é louca. Ela tá louca.
Ela acha que... que vê fantasma.
-Como assim? -Tem alguma coisa a ver
com a filha dela.
[marina suspira]
Cuidado com o que você fala, ela fica violenta
quando é contrariada.
[ruído de roda]
[Dora suspira]
[ruído de roda]
Ai...
Sem trabalho duro não há recompensa.
[tensa]
[Dora suspira]
[tensa]
[passos]
Isso aqui é um cemitério.
Eu sei.
Ela vai emparedar a gente, mãe.
Calma, calma. Psiu, calma.
Espera. Respira.
A gente tem que tá preparada quando ela cometer um erro.
Ela tá voltando.
[ruído de roda]
[passos]
[ruído de plástico]
[água caindo]
[misturando cimento]
[tensa]
[rangido]
[suave]
[tensa]
[Dora] Ei!
Acorda, preguiçosa!
Hora de se alimentar.
Quero vocês bem fortinhas.
Ó, que delícia.
-Eu não quero isso. -Tem que querer.
Eu fiz com tanto carinho essa sopinha.
Tem couve, tem inhame, tem taioba. Vai comer.
Eu já falei que eu não quero essa merda!
Falou o quê? Tem que comer!
Se vocês falar assim de uma comida minha de novo,
eu arranco seus dentes com aquele martelo! Entendeu?
É aceitar e pronto!
-Enfia essa sopa no cu! -Luna!
Come, minha filha, não discute.
[sussurrando] Come.
Escuta a mamãe. Come e não discute.
Vê.
[passos]
Ficar fortinha. Deixa eu ver como é que tá.
Tem taioba.
Hum! [fungada] Hum!
Sim, muito bem.
[passos]
Por que você tá fazendo isso?
A velha pergunta.
Eu tô fazendo isso pela força que move a humanidade:
O amor de uma mãe por uma filha.
Você não devia falar de amor.
Quem ama não faz uma coisa dessas.
[Dora] Uma mãe faz qualquer coisa pra alimentar a sua cria.
Vocês são mulheres, vocês entendem isso.
Fábio!
[tilintar de correntes]
[Luna] Fábio! Fábio, você tá bem?
Eu tô aqui, Fábio! Eu tô aqui!
Eu tô aqui, olha pra mim!
Luna? Luna, quem são eles, Luna?
Olha para mim, Fábio!
Luna, sai daí, Luna! Sai daí, Luna!
[Fábio geme]
O que você fez? Por que ele tá falando essas coisas?
Precisa fazer escândalo?
Ele só vai dormir mais um pouco.
[passos]
Sabe... eu respeito vocês.
E apesar de tudo, eu espero que vocês me respeitem também.
[tilintar de correntes]
Eu quero vinho.
[passos]
[tilintar de correntes]
Obrigada.
[passos]
[tilintar de correntes]
[Dora] Saúde.
É tão rara... a oportunidade de falar a verdade
sobre esse prédio.
Esse prédio aqui...
não é de quem pagou os apartamentos, muito menos meu.
É das almas.
Eu não sei exatamente, mas...
tem alguma coisa de fantástico...
e lindo aqui.
As coisas são o que são, não é mesmo?
E aí...
aconteceu da minha filha morrer aqui.
[Dora ri]
E agora ela está se alimentando de prana.
É isso que uma mãe faz... por uma filha, não é?
Não importa o que ela tenha feito...
quem ela seja.
Você é completamente doida.
Conheço o seu tipo.
Você precisa ver pra acreditar, não é?
Eu vou te ensinar a ver.
Sabe por que seu namorado ficou tão desesperado?
Porque ele é míope e tava sem óculos.
Não se pode olhar pra um fantasma assim, diretamente.
Tem gente que... até consegue, mas isso é muito raro.
Você percebe um espírito...
usando a visão periférica.
Eles estão ali ó, ó, num canto.
[grita] Não, o que é isso? Não! [grita]
Não! [grita]
Eu tenho que sair desse prédio maldito! [chora]
Ela conseguiu, você consegue também.
[marina chora]
[tensa]
Foca aqui, ó.
[tensa] -[respiração pesada]
[grita]
[tensa]
Agora vocês entenderam onde vocês estão.
[tensa]
A notícia ruim é que quem morre aqui
fica aqui preso pra sempre, e sempre com muita fome.
É por isso que eu alimento eles.
[tensa]
[respiração pesada]
Fábio.
Desculpa, Luna.
Eu não vou conseguir.
Eu quero que você não se sinta culpada, tá?
[melancólica]
Porque eu vim aqui porque eu quis.
[melancólica]
Porque eu vou até o inferno com você.
[melancólica]
Porque eu te amo.
[melancólica]
[melancólica] -[chorando]
Meu amor!
[melancólica] -[chorando]
[ruído de plástico]
Agora é só pendurar.
[tensa] -[ruído de plástico]
[suspira]
[suspira]
[tensa]
[rangido]
[suave]
[tensa]
[respiração ofegante]
É...
É, pode ser.
Ela precisa de mim.
Boa ideia. Boa ideia.
[Marina] Tá. Concordo.
[porta abrindo]
[porta rangendo]
[porta fechando]
Oi, meninas!
Olha o lanchinho da noite que eu trouxe pra vocês,
que delícia que eu preparei.
Ela se matou por sua causa.
[tensa]
O que você disse?
Disse o que você ouviu.
Não adianta nada disso.
E se enganar achando que é uma boa mãe.
A sua filha te odeia.
Não fala assim da minha filha.
[riso] mas ela fala comigo.
[tensa]
Eu vou dizer pra você o que ela me disse hoje.
Ela continua te odiando!
não. [respiração pesada]
Ela sempre te odiou! Ela vai te odiar pra sempre!
[tensa]
Ela me disse tudo isso.
Piranha! Vagabunda!
[tensa] -[gemido]
Desgraçada!
Nunca mais fala da minha filha!
[tensa] -[gemido]
[tensa]
[tensa] -[gemido]
[tensa] -[gritos]
[tensa] -[respiração ofegante]
[tensa] -[grita]
[tensa]
[tensa] -[gritos]
[tensa]
[tensa] -[Luna geme]
[tensa]
[tensa] -[gemidos]
[tensa]
-[Luna grita] -[Dora geme]
[impacto de martelo no chão]
[tensa] -[Dora geme]
[tensa] -[respiração ofegante]
[tensa]
[tensa] -[Dora geme]
[Luna grita]
[golpes]
-[golpes] -[Luna grita]
-[golpes] -Não! Não! Não!
-[Luna grita] -Não! Não!
-[Luna grita] -Não! Acabou! Acabou!
[Luna geme]
-[Luna geme] -[marina chora]
[marina geme] Vai, você consegue.
[respiração ofegante]
[passos]
[tilintar de chaves]
[tensa]
[tilintar de chaves]
[portas abrindo]
[trovão]
[marulho]
[trovão]
[portas fechando]
[trovão]
[trovão]
É lindo, não é?
[trovão]
É sim.
[trovão]
[trovão]
[tensa] -[gemidos]
[portas abrindo]
[tensa]
[tensa] -[gritos]
[tensa]
[tensa] -[Luna grita]
[tensa] -[Dora ri]
[tensa] -[Luna grita]
[tensa] -[Dora grita]
[tensa]
[tensa] -[marina grita]
[tensa]
[tensa] -[Dora grunhe]
[tensa]
[tensa] -[marina grita]
[tensa]
[tensa] -[sussurros]
[voz trêmula] Luna, não olha... que é melhor.
[tensa] -[sussurros]
[tensa]
[tensa] -[grunhidos]
[tensa]
[tensa] -[grunhidos]
Vai, minha filha, você consegue. Vai, vai, vai!
[tensa]
[tensa] -[tilintar de chaves]
[tensa] -[grunhidos]
Mãe? Vem, mãe!
Pode sair, vem! Vem.
[tensa]
Eu já saí... minha filha.
[tensa]
Mãe? Mãe! Mãe!
[tensa]
[tensa] -[respiração ofegante]
[tensa]
[grita]
[tensa]
♪ "Guarapari" - Nuno Roland ♪
♪ Quer viver um sonho lindo ♪
♪ Que eu vivi? ♪
♪ Vá viver a maravilha De Guarapari ♪
♪ Um recanto que os poetas ♪
♪ E os violões ♪
♪ Não conseguem descrever Nas mais lindas canções ♪
♪ Pelas suas noites claras ♪
♪ A Lua serena ♪
♪ Vem brindar os namorados ♪
♪ Na areia morena ♪
♪ Ninguém poderá sonhar ♪
♪ Nem viver o que eu vivi ♪
♪ Longe dessa maravilha ♪
♪ Que se chama Guarapari ♪
♪♪
♪ Quer viver um sonho lindo ♪
♪ Que eu vivi? ♪
[tensa]
♪ Vá viver a maravilha De Guarapari ♪
[tensa]
♪ Um recanto que os poetas ♪
♪ E os violões ♪
[tensa]
♪ Não conseguem descrever Nas mais lindas canções ♪
[tensa]
♪ Ninguém poderá sonhar ♪
[tensa]
♪ Nem viver o que eu vivi ♪
[tensa]
♪ Longe dessa maravilha ♪
♪ Que se chama Guarapari ♪
♪ Guarapari ♪
[tensa]
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