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Original subtitles

Foi s� uma brincadeira, me vestir assim.

Eu nunca brinco. Eu corrijo.

Obrigada, rapazes. Obrigada, vida.

OBRIGADO � VIDA

Que sujeira � essa? Est� maluca?

Voc� est� parecendo um polvo, deitada a�.

Vaca! Um cara me bateu.

Isso acontece sempre com voc�?

O qu�?

Os caras sempre te batem para te castigar?

O tempo todo. Deixa pra l�.

Merda! O que ela tem? Merda! Ela est� doente!

- Eu n�o quero um m�dico. - Eu decido isso.

V� chupar um ovo, ent�o!

Estou farta de m�dicos.

Eles mexem em voc�, e tchau. Devolvem sua calcinha. "Morra longe daqui!".

Voc� consegue subir a escada?

� claro que sim. Quando eu quero subir, nunca tem elevador.

Ademais, sabe pra que serve subir escadas? Pra ter varizes!

Servem pra te levar at� em casa.

- Voc� tem casa? - Uma que eu divido.

Com quem?

Com meus pais.

Ao menos venha se limpar. Voc� est� suja de sangue. Voc� vai embora assim?

Eu n�o quero ver seus pais.

Meus parentes n�o est�o. N�o voltar�o at� julho.

Fique comigo... voc� � a amiga que eu estava esperando.

Um verdadeiro presente ca�do do c�u.

Sim, mas... Eu sou uma mulher perdida.

N�o vou perguntar nada, nem sobre seu vestido de noiva nem sobre ter apanhado.

Tenho que revisar minhas provas. J� falhei tr�s vezes.

Enquanto eu trabalho, voc� descansa.

Meu nome � Camille.

Eu sou a Joelle.

Voc� sente a emo��o que passa?

V�o amar esta cena.

Que cena?

N�s duas aqui, no terra�o. A noite caindo. O que acha que eles v�o esperar?

Quem?

Os repugnantes. Os voyeurs.

N�o tem ningu�m por perto.

Com duas garotas envolvidas, por mais feias que sejam, sempre tem um espectador.

Aqui, veja.

Olhe para eles trabalhando.

� esquerda... est� vendo a janela aberta?

Est� vendo aquele que est� observando da janela?

N�o sei.

Voc� sente a hist�ria acelerando?

Isso � excitante.

Bom. Estou prestes a criar uma crosta.

O que est� acontecendo?

O que aconteceu?

Curto-circuito?

Como voc� conseguiu isso?

Voc� colocou o dedo na tomada?

Um cara que coloca o dedo em tudo.

Ou s�o caras escondidos?

Que caras?

Voc� viu algum cara?

Sempre tem caras por a�.

Oh, pelo amor de Deus!

O que voc�s fizeram?

Ou�am, meninas...

Eu passo a noite com voc�s, com algumas condi��es.

- O que voc�s est�o fazendo na cama? - Voc� n�o gosta de camas?

- Mostre-nos a coisa dura que os homens t�m. - Somos virgens, ansiosas por saber.

Eu trabalho de noite. Eu n�o quero problemas.

D� pra calar a boca? Que n�o saia mais nenhum som.

O que queremos que saia � o seu passarinho.

Olhe os modos, ou ent�o vou bater em voc� de novo.

A v�tima est� atordoada.

Curto-circuito. L�, veja!

Vai explodir?

N�o pense na explos�o. Deixe o seu desejo se libertar.

A melhor coisa � se manter firme.

Ou�am, meninas...

- Haveria baile, se fosse s�bado. - Mas n�o �.

Comigo � sempre s�bado, e eu tenho o minha boina.

Est�o ouvindo os acorde�es?

- Pode pagar o champanhe? - Olhem nos meus bolsos e vejam.

Por que voc� ficou t�o legal de repente?

Primeiro sai chutando tudo.

Agora est� feliz como uma cotovia.

Qual � o seu jogo?

Talvez ele tenha se apaixonado... de repente atordoado.

Est� apaixonado, meu rapaz?

Que bom, n�s tamb�m. N�s nos apaixonamos por voc� na hora. N�o foi, Camille?

N�s nem sabemos o nome dele.

Eu me chamo Fran�ois.

Estou observando voc� e suas gaivotas h� semanas e semanas.

Ah, �? E da�?

Adivinhe.

Voc� virou meu devoto?

Minhas l�grimas e meu cora��o palpitante s�o seus para que fa�a o que quiser.

Guarde esse tipo de declara��o de amor. N�o quero. N�o conhe�o esse cara.

Dance com a minha amiga, vamos!

- Eu quero dan�ar com voc�. - Eu n�o dan�o. Estou doente.

Meu est�mago est� doendo. Dance com a minha amiga.

Obrigada pelo entusiasmo.

Deixe eu me acostumar com a ideia.

Ent�o v� em frente... V� em frente.

Voc� n�o gosta dela?

N�o � isso.

Voc� n�o v� que ela est� triste?

Continue, fa�a seu cora��o pulsar, � disso que ela precisa.

Ela est� se soltando. Mostre que voc� a ama.

Segure-a bem perto.

Que hist�ria � essa dos casamentos?

Esque�a, ela pode ser outra farsante.

Voc� deveria se preocupar com seu pintor.

O que h� com ele?

Ele est� fugindo.

N�o corra. Faz mal para o busto.

Al�m do mais, n�o somos como os homens.

Somos muito jovens e atraentes.

Esperem por mim, garotas!

Eu temi por voc�, meu amor.

Voc� gosta de m�sica cl�ssica? Vou tocar algo. Anseio por um pouco de ternura.

Os homens normalmente me batem, mas tenho certeza de que voc� vai agir com ternura.

Se importa se eu assistir?

Ela quer ver como se faz.

Estou muito interessada em quest�es sobre sexo.

N�o � t�o extraordin�rio quanto dizem.

N�o comece a procurar maneiras de escapar.

Entre. Seu p�blico est� esperando.

Acontece naturalmente, n�o �?

Eu gosto de trabalhadores noturnos.

Eles t�m mais tempo para voc�.

O melhor que j� tive estava desempregado. Eu o tinha para mim o dia todo.

Jim Pascal.

Ele era guitarrista.

Cuidado, garota. As l�grimas n�o s�o sempre de alegria.

O que foi? Ele est� doente?

Vamos!

- Mas veja os olhos vidrados dele. - Os olhos ficam assim quando eles terminam.

- Voc� acha que eu fiz ele chegar? - Vamos. Eu peguei o dinheiro dele.

Voc� me ferra. Eu gostei com ele.

Ent�o fique, lhe ofere�a a sua juventude.

Esperem por mim, garotas!

O que foi agora?

Obrigado.

Pelo qu�?

Pelo amor.

Ah, o amor. N�s � que te agradecemos.

Eu gostaria de ir com voc�.

Onde estamos indo � muito perigoso.

Mas depois disso eu prometo que volto.

Eu vou te dar um filho. Ele vai ter os seus olhos.

Nem consegui comer.

- Percebe a sensa��o de perigo? - Que sensa��o de perigo?

N�o sei. � noite, n�s duas, indefesas.

Veja, tem um carro na porta da sua casa.

O que isso tem a ver comigo?

Tenho medo de que possa ser comigo.

Fique aqui. Eu vou olhar.

- Onde est� a sua amiga? - Eu n�o tenho amiga.

Voc� est� sozinha?

Sim, estou sozinha.

- Quer se divertir? - Tenho li��o para fazer.

Eu n�o tive educa��o, tudo o que tive foram problemas.

Agora,

O que eu tenho � gonorreia.

- Onde est� a sua amiga? - Que amiga?

A gorda, com os l�bios grossos.

Voc� est� falando da minha amiga?

Meu trabalho � vigiar. Monitoramento de todos os tipos. Tenho uma filha da sua idade.

Sabe o que eu fa�o com minha filha da sua idade?

O papai cuida da xoxota dela. Eu lhe dou prazer...

ent�o ela se afasta dos bandidinhos.

O que a m�e dela acha disso?

A m�e dela fica de boca fechada. Ela sabe que garotas s�o a minha especialidade.

que eu fa�o grandes esfor�os para proteg�-las.

Meu pai n�o me protege.

Ele me deixa vaguear, e quando volto, ele est� aos prantos.

Os olhos de um pai s�o feitos para chorar.

Quer uma coca?

N�o. Se eu beber, eu mijo. E � como se eu mijasse vidro mo�do.

Sente no meu colo.

- Voc� vai me apalpar? - N�o, n�o vou te apalpar.

Eu n�o tenho direitos sobre voc�.

- S� me diga onde sua amiga est�. - Est� roubando seu carro.

- Como assim? - Ela est� roubando seu carro.

Vaca!

- Quem era? O advogado? - N�o, seguran�a!

- Oh, Robert... alguma mensagem para mim? - V�, r�pido!

- Voc� est� em segunda. - Cale a boca!

Tire-o da�!

Eu n�o posso!

Ent�o dirija!

- Onde viemos parar? - Estamos na estrada.

- Est� ouvindo os sintetizadores? - Que sintetizadores?

Sempre se ouve sintetizadores na estrada.

Vaca tonta!

Como eu vou passar nas minhas provas?

Est� escutando agora?

- Voc� est� indo para Clermont? - Est� ficando frio e estamos cansadas.

Voc� faria a gentileza de nos dar uma carona?

Em troca n�s ser�amos muito boas.

Saiam daqui!

- O que ele est� falando? - Eu disse fora!

Voc� n�o nos achou bonitas?

Voc�s v�o descer ou n�o?

Voc� � um idiota!

E a fraternidade da estrada, como fica?

Deixe-me ver seus antebra�os.

Mostre seus antebra�os a ele, fa�a o que ele disse.

Voc� n�o deve ser caminhoneiro, deve ser policial.

Desculpe, mas eu tenho esposa e filhos.

- Meus p�s est�o doendo. - Os meus tamb�m.

- J� tomou possuiu uma cidade alguma vez? - Como assim?

Na cidade, todos est�o dormindo e n�s estamos chegando.

Voc�s t�m ideia? � como se estivessem sonhando conosco.

Que luzes s�o essas? N�o est� vendo as luzes brilhando?

- Vamos chegar mais perto. - E se for uma armadilha?

Sou atra�da pela luz, mesmo que seja perigoso.

- Todas essas luzes s�o para n�s? - Para quem mais?

Veja!

Veja! Veja!

Gostam, meninas?

- Voc� est� fazendo um filme? - Sim.

Onde est� todo mundo?

Est�o jantando. Voltaremos em 15 minutos. Gostariam de tomar uma sopa?

Voc� quer tomar uma sopa?

Uma sopa boa e quente com a equipe?

Bem... sim.

A puta!

- Meu Deus! - Ela voltou?!

� a puta da Joelle!

Sua cadela!

Putinha!

Cuidado com seus figurinos!

Que diabos est� acontecendo aqui?

Eu sou o diretor do filme.

Eu poderia decidir mudar a loca��o.

Voc�s percebem a perda de dinheiro que seria?

Quem foi o idiota que trouxe essa garota?

Como eu poderia saber essa merda?

O que voc� fez com esses vermes? Hein? O que voc� fez?

Foi o Marc-Antoine que deu a ideia.

Quem � Marc-Antoine?

Tem algum cretino aqui chamado Marc-Antoine?

Na �poca eu era um jovem residente, e procurava a galinha dos ovos de ouro.

De repente apareceu uma forma nova terr�vel de gonorreia.

Eu fiquei interessado.

Quem � o pr�ximo?

- Meu pau estava pegando fogo. - Me fale sobre a noiva.

Como voc� soube? Eu n�o queria que soubesse.

Bem, agora eu sei.

- O que eu posso te dizer? - Tudo: o nome dela, de onde �.

Ela me disse que estava de passagem, que viajava muito.

Ela me disse coisas incr�veis...

...que ela nunca queria me deixar.

Uma morena, com uma pele de oliva e toques de beleza.

O tipo de garota na qual voc� se perde.

"N�o v�, fique um pouco mais".

Que te prende com as pernas.

Preciso de uma pista que me ajude a encontr�-la.

- Para qu�? - Para cur�-la.

Ela n�o pode continuar selvagem assim.

Eu sou o agente local de Pronuptia.

Eu tinha acabado de erguer as persianas. Eram 9 da manh�. Estava tomando meu caf�

quando a vagabunda apareceu.

Descreva a vagabunda.

Ela vinha do caminho de Porte de Clermont.

Estremecendo, ela parou em frente � minha janela.

Ela entrou e perguntou se podia experimentar o vestido branco decotado.

Posso experimentar?

Ela parecia uma mulher perdida. Sua combina��o estava uma verdadeira mis�ria.

Experimente o que quiser.

Ela olhou para mim, seus olhos se encheram de gratid�o.

- Voc� vai me dar um? - Um o qu�?

Um vestido, est�pido. Este � o desejo do meu cora��o.

� claro que eu vou.

Em troca, vou te dar todo o amor que uma mulher pode dar a um homem.

Ela estava nos meus bra�os. "Vou fechar a loja", eu disse.

Feche, e eu vou te mostrar minha boutique.

H� muitas del�cias na minha boutique. Voc� vai ver.

Quando eu abri de novo, ela n�o quis ir embora.

"Por que n�o se casa comigo?" ela disse. "Estou ponta. S� falta um padre".

Eu fa�o qualquer coisa.

Eu atendo na loja enquanto voc� passeia.

S� vou esperar pacientemente e nunca vou reclamar, eu juro.

Eu a enxotei de l�.

- Com o vestido? Para onde ela foi? - Para o Sul, para ver o mar.

O doutor est� ao volante, dirigindo freneticamente!

Dobrando uma esquina, ele depara com uma noiva, que o faz parar.

"Eu quero uma boa mo�a para casar", ele diz.

"Eu sou quem voc� procura", ela responde,

sentando ao lado dele.

Boa para casar, boa para casar, e sempre � disposi��o.

� isso que chamam de flashback?

Voc� pode chamar assim. Eu chamaria de felicidade.

Ele era Marc-Antoine, um grande cara!

Voc� e seus malditos refletores!

Doutor Warm? Por aqui.

- Cuidado com a cabe�a. - Me solte.

Deixem-me sozinho com a doente.

Eu n�o estou bem, Marco. Estou com muitos sintomas alarmantes.

Todos temos os sintomas.

Eu parei de apanhar.

Agora os caras tentam me estrangular. Eu sinto que vai acabar mal.

Eu te disse para n�o voltar.

Voc� n�o perdeu muito peso?

D�i? Voc� tosse?

Eu fa�o o que voc� quiser, Marco.

- Voc� tem diarreia? - Voc� quer que eu tenha diarreia?

S� responda. Chega de brincadeira.

Como est�o as coisas com voc�?

Voc� tem filhos? Fale-me sobre eles.

Esque�a meus filhos.

N�o v�, Marco. N�o estou com ci�me, s� estou interessada.

- O que a minha amiga tem? � grave? - Com o calmante ela vai dormir.

Por que voc� me derrubou?

Eu n�o te acho simp�tico como m�dico. Te acho um canalha.

Ent�o voc� � a agitadora de merda?

N�o, � a minha amiga. Tenho dever de casa para fazer, eu quero ir para casa.

Eu sou o produtor do filme.

Voc� � um produtor importante?

- Muito importante. - N�o seja idiota, Joelle. Assine primeiro.

Em geral, se eu n�o inspirasse confian�a, n�o poderia ser produtor.

Eu devo tirar a cal�a?

Voc� pode dizer isso de novo?

- Eu devo tirar a cal�a? - Mais uma vez.

- Eu devo tirar a cal�a? - � no seu rosto que estou interessado.

Meu rosto?

- Ele j� te comeu? - Vamos fazer a maquiagem.

- Para qu� fazer maquiagem? - Leia sobre isso nos jornais.

Ningu�m est� interessado no meu rosto, ou na minha bunda.

- Quer saber o que aconteceu? - N�o, obrigada, � muito dif�cil para mim.

Vaca est�pida!

As pessoas n�o ficam doentes aqui, doutor.

Ou elas morrem de repente, ou nada.

M�dicos n�o podem ganhar a vida aqui.

- Acha que me importo com as doen�as? - N�o seria nada absurdo.

Espere aqui e se prepare.

Testes, pesquisa... uma epidemia pode ser muito lucrativa.

Acordando uma manh� para fazer xixi,

de repente, tive essa sensa��o de queima��o.

''O que voc� tem feito?'' Perguntei ao meu marido.

Fiquei triste quando ela sumiu,

cheia de sonhos floridos.

Eu dormi com o pai, o filho, o empres�rio, o pe�o.

Fiquei com palha no cabelo, coxas bronzeadas pelo sol.

Meus ouvidos ficavam molhados de saliva.

Ele chegava na hora do jantar.

Eu o sentava no sof� e lhe dava prazer.

Logo ele dormia, babando um pouco.

Voc� tem que dormir com a cidade toda. Jovens, velhos, ricos, pobres. Todos que se excitarem.

- E voc� vai se deitar comigo? - Quando eu for rico.

Bem, isso � feio!

Eu n�o acho feio. Tudo na sociedade � sujo.

Voc� se levanta e se olha no espelho: voc� � feio.

Sua esposa � feia. Seu apartamento provavelmente seja feio tamb�m.

Num dia, quando sai, mesmo se est� ensolarado voc� pensa que o tempo est� cinza. � normal.

� porque voc� est� velho. Vai morrer em breve.

Voc� vai morrer tamb�m.

- Por que est� me falando isso? - Eu te amo, Joelle.

Eu tamb�m te amo, mas pra que me dizer que vou morrer?

Voc� deve deixar a cidade. Eu te encontrarei depois.

Depois? O que quer dizer?

Um carro vai te levar para a cl�nica de um amigo em Saint-Raphael. Ele vai te curar.

Eu te amo. Eu vou te dar tudo o que eu tenho.

Ele vai te amarrar como um cafet�o e a sua cabe�a ser� raspada. Voc� vai ser apedrejada.

Marc-Antoine!

Onde voc� vai me pegar?

Por que voc� n�o fala?

- Vou te levar para casa. - Eu n�o tenho casa.

A estrada � a sua casa.

- Voc� vai me deixar aqui? - Voc� matou um homem, lembra?

- Voc� n�o tem algum dinheiro? - N�o nesse casaco.

E os meus royalties?

E os meus royalties?

Corta!

Voc� acha que as pessoas s�o idiotas? Quem acreditaria numa hist�ria dessas?

� a minha vida. Seja uma merda ou n�o.

Algumas merdas cheiram bem, outras n�o. Ela pode tirar a maquiagem.

Mas e o produtor, o que acha? O produtor gostou de mim?

V� para casa. Filmes n�o s�o para voc�. Voc� j� n�o tem problema suficiente?

Camille.

Ela foi embora, a puta.

Eu seria uma boa amiga, mas ela foi embora.

Eu seria uma boa amiga...

C�mera...

"Afli��o com l�grimas". Cena 210. Tomada 1.

A��o!

Eu seria uma boa amiga, mas ela foi embora.

N�o, eu n�o fui embora. Aqui estou, est� vendo?

- Voc� pensou que eu te abandonaria? - N�o, mas voc� me deu um susto.

Quer conhecer um bom amigo meu?

- O que ele faz? - Ele � m�dico, um cara fant�stico.

Acorde, Marc-Antoine; Sou eu, Joelle!

O piolho n�o est� respondendo.

Tem certeza de que esta � a casa certa?

- Um m�dico doido n�o moraria aqui? - N�o fa�o ideia.

Saia da cama, Marc-Antoine. � a Joelle, seu amor da juventude.

Eu n�o estou a�, estou na cl�nica.

O que exatamente ele disse?

Que ele n�o est� l�, est� na cl�nica.

- Ent�o o que faremos? - Vamos at� a cl�nica.

Voc� acha?

V� em frente. Eu disse que estava na cl�nica. V� at� a cl�nica.

Voc� me reconhece?

� claro que sim.

N�o me pressione, Marc-Antoine! Estou no meu limite.

Vamos sair.

S�o garotas como voc� que provocam essas coisas.

- Como sabe que somos essas garotas? - Garotas como? Hein? Garotas como?

Deixe-as em paz. Voc� n�o percebe que elas d�o pena?

Mas est�o nos insultando. Por qu�?

Voc� n�o tem nada a ver com isso!

- O que est�o fazendo aqui, ent�o? - Eu n�o sei!

Vamos.

Eu quero saber o que est� acontecendo, por que todo esse sofrimento?

Voc� realmente quer saber? Eu posso lhe dizer, se quiser.

N�o, realmente. Obrigada.

Eu tinha um amor, muito bonito...

Papai, venha me resgatar! Eu sou muito nova para essas coisas.

Papai, estou pedindo ajuda!

Estou falando com ele, mas ele n�o responde.

Deixe-me falar com ele.

Aqui � a Joelle, amiga da Camille.

Merda. Caiu a linha.

Nem mesmo um ol�. Eu gosto de falar com os pais. Eu nunca tive um.

Livre-se da puta, Marc-Antoine!

Est�o te procurando, Doutor Warm!

- Aposto que o desgra�ado dormiu com ela. - N�o seja idiota, Joelle.

Eu vou ser idiota! � a minha casa. Tenho direito de destru�-la.

N�s queremos nossos royalties, seu chulo!

E as crian�as? O que est�o fazendo?

As crian�as! As crian�as! As crian�as!

Algum problema?

Minha amiga n�o se sente bem Ela precisa ver o m�dico.

O doutor n�o est� aqui. Ele est� na cl�nica.

O doutor n�o est� aqui. Ele est� na cl�nica.

Sabemos que ele est� na cl�nica. Acabamos de v�-lo na cl�nica.

Ent�o por que vieram aqui?

- Desespero. - Para ver seu lindo rosto.

- Parece que voc� tem filhos. - Onde est�o os queridos?

- N�o toque neles. - S� vamos dar uma olhada.

Eles n�o est�o com medo. Os coitadinhos est�o se divertindo.

Est� vendo como meus dedos fedem? Voc� est� apodrecendo tamb�m?

- Marc-Antoine! - Ele est� na cl�nica.

S� se estiver brincando, Marc-Antoine. Est� se escondendo em um arm�rio?

Oh, meu amor...

Para onde ela foi?

Voc� est� bem?

- Sabe o que seria bom? - N�o. O qu�?

Uma empregada. Essa casa � demais para mim.

Ela est� falando com Marc-Antoine.

- Quero voltar para a universidade. - Vou ligar para a cl�nica.

- Segure firme. - Estou segurando.

Deixe de ser idiota, Joelle! � melhor irmos embora.

- Eu j� estou morta? - N�o, voc� s� est� cansada.

Ent�o por que estou me sentindo t�o leve?

Deixe-me ir... as pessoas est�o me esperando.

Estou procurando minha filha.

Estou procurando minha filha.

Voc� est� procurando sua filha.

- Estou procurando minha filha. - Qual o nome? N�s temos um monte de filhas.

Camille Pelvoux. Tenho certeza de que ela est� aqui. Ela ligou pedindo ajuda.

A chapa n�o vai ajudar. S� de apalpar eu j� sei o que ele vai mostrar.

- Quem � esse? - Ele est� me seguindo.

- Estou procurando minha filha. - Ent�o v� at� a recep��o.

Deixam qualquer um entrar.

Estou dando voltas h� meia hora.

N�o consigo descobrir onde est� minha filha.

- Qual � o nome dela? - Camille Pelvoux.

Ela � s� uma crian�a, e estou preocupado com ela.

Voc� a admitiu?

Espero que n�o seja aquela nova dupla. Com uma delas deu positivo.

- O que significa "positivo"? - Receio que seja algo desagrad�vel.

Vamos fugir.

- E ir para onde? - Para um bom lugar. Onde os filmes s�o coloridos.

- Por qu�? Estamos em preto e branco? - Claro que estamos em preto e branco.

Camille. Voc� vai fugir?

Eu n�o quero ver seu ataque.

Que ataque? Algu�m vai ter um ataque?

Sim, algu�m vai ter um ataque. Algum pobre diabo.

Eu fui feliz. N�o estrague sua vida por mim!

Minha m�e era linda antes de eu nascer.

Antes da ru�na da maternidade.

Seu pai tamb�m era bonito?

Melhor que agora. Em todo caso, ele era mais jovem.

H� que se perguntar se ele � mesmo meu pai.

- Eu quero te tocar. - Eu te alertei muito contra isso.

Ela n�o queria ter filhos?

Ela n�o suporta carne masculina. Nem a carne, nem o cheiro.

S� uma vez, por favor. Eu te quero tanto.

- Voc� sempre me quer. - E eu nunca durmo com voc�.

Agora est� de noite, meus pais est�o dormindo.

Camille se aproxima da cama.

Voc� tem que se mexer. N�o vai acontecer sozinho!

Quem � voc�?

N�o � poss�vel! Deus, como voc� � linda...

Ainda estou nas suas bolas. Estou come�ando a me irritar.

Ela n�o vai me deixar toc�-la. Preciso toc�-la para engravid�-la.

Toque. O que est� esperando? Veja, aqui est� a bunda dela.

Se eu tocar, ela mete a m�o na boca!

Seu pai � legal.

Claro que ele � legal. O problema � que ele � mole.

Eu quero que voc� seja duro.

Eu sou duro.

Ent�o toque nela!

Como?

Ela n�o te deixa excitado?

- Quem? - Sua esposa.

Eu n�o sei se � ela, mas...

Transe com ela e eu sou sua.

Quando?

Algum dia. Voc� vai ver.

Eu preciso nascer antes de voc� transar com minhas amigas.

Vou te mostrar um monte de coisa errada.

- Oh, Deus. Olhe a minha m�o. - Estamos olhando.

Est� indo para a bunda da minha esposa.

Estou tocando nela.

� fresca como orvalho numa flor.

O que est� acontecendo na minha bunda?

� um dedo que se infiltra.

- Voc� est� quente. Te faz bem ter calor. - Voc� tamb�m est� quente.

- Eu quero te foder. - Sempre palavras vulgares.

Vou te foder como uma puta, fazer voc� morder o travesseiro, sua boca vai sufocar.

E eu, bem tranquilamente, depois de meter bem, vou gozar na sua bunda!

- Ela est� fingindo, para voc� se sentir culpado. - Mas eu a amo!

- Ent�o coma, ela est� esperando. Aqui, veja. Ela est� pedindo. Penetre!

Ela desmaiou, chame um m�dico!

Socorro! M�dico!

- Que barulho � esse? - Minha esposa est� passando mal.

- O que voc� fez? Bateu nela? - N�o, eu a acariciei.

Jeito divertido de morrer.

- Chame um m�dico. - Um legista, voc� quer dizer.

Pego em flagrante! Culpado... de assassinato!

- Voc� gozou? - N�o deu tempo.

- Voc� � da fam�lia? - Ainda n�o!

Pode levantar, senhora.

Obrigada, senhor.

Que mulher.

Se ela fosse minha...

eu ficaria feliz s� de olhar.

Eu continuo dizendo isso a ele. Ele pode olhar para mim todo dia

at� no banheiro, se ele quiser.

Sortudo!

O que eu odeio s�o as m�os e as l�nguas envolvidas.

Eu sou o legista forense. Onde est� o... cad�ver?

Eu pro�bo que me toque.

Desculpe, mas tenho que verificar se h� sinais de esperma em todos os orif�cios.

Se eu n�o encontrar nada, tenho bastante amostra engarrafada para satisfazer qualquer j�ri.

Voc�s n�o podem deix�-lo fazer isso.

A pol�cia deve diferir da ci�ncia, senhora.

na determina��o do tempo de morte e na natureza do ato sexual.

Por favor, fique na posi��o, senhora.

Assim?

Pernas mais afastadas.

Tem certeza de que isso � mesmo necess�rio?

Tudo o que esta Polaroid me mostra s�o coxas separadas.

Isso � demais para mim.

Estou muito cansada. Muito. Preciso deitar por um momento.

N�o � muito pedir cinco minutos, �?

Eu disse que ela nos daria problemas. Ela vai nos enlouquecer.

Evangeline, querida, voc� foi maravilhosa. Qual � o problema?

Estou bem aqui, querida.

Interrompa essa maldita chuva de merda!

- Odeio interpretar a cadela ego�sta. - � isso que seus f�s esperam, querida.

Meus f�s que v�o para o inferno!

Na de cena er�tica com o m�dico olhando minhas secre��es!

- Talvez um filho possa acalm�-la. - De verdade, ou no filme?

No filme. Na vida eu sei o que �.

Quem diabos � ela?

N�o ser� uma grande mudan�a. Exceto que ela ter� um filho.

Se voc� quiser, eu fa�o o papel de gra�a.

Quantos anos voc� tem?

Quantos voc� quiser... de doze a dezoito anos. Bonita ou simples. Eu posso fazer qualquer coisa.

Por favor, senhor. Posso ver que est� interessado.

Voc� � um bom diretor.

Voc� viu o meu �ltimo filme?

Infelizmente, n�o.

Um lixo desprez�vel, disseram os cr�ticos.

Senhor e senhora Pelvoux.

Voc�s far�o juntos?

S� o senhor.

Aqui est� seu tubo de ensaio. Fique � vontade.

Chame quando tiver terminado.

"A Vida". Cena 135. Tomada 1.

Ele vai levar a manh� toda?

Ser� uma linda filha de quatro quilos e meio.

N�o se ocupe da minha vida privada. S� tem que me injetar uma coisa na bunda. Voc� � s� uma assistente.

Dezesseis anos depois, c� estou.

A rua n�o mudou. � estreita como sempre.

Minha amiga est� comigo. Voc� � minha amiga?

Sim, sou sua amiga.

- Vou te apresentar meus pais. - Eles moram aqui?

Eles ser�o mais velhos.

Eu gosto de pessoas velhas, principalmente as vivas.

Tente mostrar o seu melhor para o meu pai.

- Est� ouvindo os sintetizadores? - Sim, estou ouvindo.

� encantador. Todos os rel�gios.

Concentre-se em ser doce.

Eu sou doce.

Tenho um presente para voc�.

- � alguma coisa para comer? - N�o, para tocar.

Ela � minha melhor amiga.

Voc� parece ser muito bonita.

Com quem voc� est� falando, Raymond?

Essa � a sua chance de come�ar uma nova vida, pai.

Raymond, com quem voc� est�?

V� pro inferno, sucata velha!

Ele disse "sucata velha"?

Voc� me ouviu. Luva velha. Esponja de merda!

Estamos aqui, nos conhecendo.

Quem � essa puta?

� o meu amor secreto que eu nunca te contei.

Vamos pegar o que � seu e vamos embora.

Eu te pro�bo de tocar no meu dinheiro!

Cuidado. Est� carregada.

Voc� atiraria em sua pr�pria m�e?

Isso acontece todo dia.

Voc� prefere ser golpeada com um rel�gio?

Por que n�o os dois?

V�, eu te cubro!

Cuidado comigo.

Oh, n�o. Isso � muito idiota!

Como o meu eu mais jovem, bonito e vivo.

N�o quebrou nada, meu amor?

E voc�, como est�? Voc� parece p�lida e cansada.

� porque eu vim correndo.

N�o tem necessidade de eu me apressar.

Talvez eu devesse simplesmente...

Come�ar uma nova vida � bom, se voc� pode escolher quando.

- Que palha�os s�o esses? - Alem�es.

Os que mataram os judeus?

Ent�o eu n�o vou viver!

Corta!

Est� querendo sabotar o meu primeiro filme?

Eu sei que � uma merda. As obras-primas podem esperar, mas voc� n�o estar� neles.

Olhe para ele! N�o admira que perdemos a guerra. Voc� me envergonha de ser franc�s.

Vergonhoso!

Seja gentil. N�o me diminua. Minha filha est� olhando!

Desculpe, mas gritar com as pessoas � pol�tica da empresa.

- Qual � o nome do ator? - Raymond Pelvoux.

Sil�ncio! C�mera!

"O Momento Cr�tico". Tomada 1.

Documentos, por favor.

Eu sou apenas um relojoeiro, sem interesse em nada, especialmente em pol�tica.

- O que faz na rua, relojoeiro? - Tenho um encontro.

Um encontro? Com quem?

Comigo.

- Ah! Porco Franc�s sujo, hein?! - Muito sujo.

- Foi por isso que perderam a guerra. - Certo... mas um dia ganharemos.

Olhem para essa cadela... ela concordaria com qualquer coisa.

Eu tenho uma confiss�o a fazer. Estou extremamente nervoso.

Eu tamb�m estou nervosa.

Especialmente por causa das terr�veis cenas �ntimas que vamos ter que fazer.

Eu n�o tinha pensado nisso.

Eu n�o penso em mais nada.

A cena da compressa?

A cena da compressa.

A cena da compressa, j� que est� perguntando,

e eu sabia que perguntariam,

� uma cena que... como eu devo colocar? Simplesmente me veio...

Eu n�o entendi, mas as imagens me rodeavam.

Elas eram insuport�veis, e me assombravam.

� noite, enquanto os outros dormiam, eu vagava pelos corredores do hotel, torturado pela d�vida.

O p�blico conseguir� suportar a cena da compressa?

Atr�s dessa porta, dorme uma atriz. Mas dorme sem mim.

Provavelmente com um membro da equipe, enquanto eu, o diretor, n�o consigo nada.

- Estou aqui. - Por que estou acorrentada?

N�o sei... Nunca vi essas algemas. Onde pode estar a chave?

Espere, vou conseguir ajuda.

Eu coloco o sangue agora?

- N�o vai coagular? - N�o. � sangue de hemof�lico.

O roteiro era melhor quando eu li.

Era primavera na Normandia quando escrevi. Havia flores nas �rvores e os p�ssaros cantavam.

Naquela �poca, n�s, alem�es, pratic�vamos tortura.

Tortura refinada.

E experimentos... experimentos cient�ficos.

Voc� faria o favor de colocar um olho sobre o outro, relojoeiro?

N�o se preocupe, papai. � s� um filme.

Algu�m defecou aqui. Eu conhe�o o cheiro.

- A cena da compressa. - Espere! Meu marido est� sendo torturado.

Me leve para casa, para os meus rel�gios, por favor.

Voc� n�o refez a sua vida?

N�o, na �poca era muito perigoso. Preferia meus reumatismos.

Vai abandonar sua bela resistente?

Eu n�o sou resistente. N�o me lembro de jamais ter dito n�o.

Ela n�o � encantadora?

Desculpe, senhora. Eu n�o sou um her�i.

N�s �ramos os her�is. Nada podia resistir a n�s.

Nenhuma cidade, nenhuma mulher.

- Esta � a sua esposa? - Eu n�o consigo ver direito.

Isso ajuda?

Agora eu consigo ver.

- Ela � a sua esposa? - Sim, ela � minha esposa.

Veja o que eu fa�o com ela.

Bom. Bem, pra mim, � quando eu quero.

- Est� pronto com a compressa? - Pronto.

Pronto, doutor?

- Voc� vai liberar meus filhos? - Mais tarde.

- C�mera! - "Cena da Compressa". Tomada 1.

Quando eu era crian�a, eu tinha um pesadelo. Sempre o mesmo pesadelo.

Um homem com um curativo no olho. Sempre o mesmo homem.

Eu tirava o curativo e o olho vinha junto.

Era por isso que eu chorava e voc� vinha me confortar.

Eu n�o quero a minha menininha chorando.

- Cale a boca! - Chega de guerras!

- Eu disse para voc� calar a boca! - Estou acariciando sua esposa. Intimamente.

Retire a compressa!

Corta! Todos para fora! Vamos fazer outra tomada.

Eu nunca tinha percebido que voc� era t�o doce.

- Como foi? - Espl�ndido. Vamos fazer de novo.

- O outro olho desta vez. - Por que n�o as minhas bolas, tamb�m?

Voc� tem que se cuidar, querida. Voc� tem uma doen�a muito grave.

Que tipo de doen�a?

Vamos, estamos prontos!

- Desculpe, tenho que dizer uma coisa a ela. - E eu tenho um filme para fazer.

E eu n�o quero morrer.

Este lugar est� repleto de alem�es.

Esta mulher est� muito doente e eu sou m�dico.

Eu posso ter me comportado como um rato.

Mas agora estou fazendo meu dever e voc�s � que s�o os ratos.

Veja isso.

Sim, eu sou da Resist�ncia.

Sim, eu administro um hospital para eles.

Depois vou concorrer nas elei��es municipais pelo Gaullismo.

Uma vez eleito, eu serei um rato novamente.

Um rato de direita! Mas no momento sou um her�i.

Voc�s est�o todos mortos. O lugar est� cercado.

Corta! Seus idiotas!

Eu n�o pedi os buracos de bala!

O ataque n�o vem agora!

Balas de verdade, cretinos!

N�s devemos lutar ou nos proteger?

- Nos proteger. - Ent�o o lugar � ali.

- Cale a boca. - Eu n�o falei.

N�o, mas vai falar. Ent�o cale a boca.

- Eu n�o falei. - Cale a boca!

- Por que os idiotas est�o atirando? - N�o fa�o ideia.

Espero que ningu�m tenha se machucado.

Eu queria um esconderijo, n�o um bunker linha de frente.

� tempo de guerra. Julho de 1943. Vamos, vejam seus quartos.

- Nenhuma bagagem? - Eu pare�o do tipo que leva bagagem?

A minha bagagem est� na cal�a!

Merda! Ela levou um tiro.

Eu n�o quero morrer num trilho de trem.

Ela n�o pode, ela ainda n�o nasceu.

Voc� n�o para de nos encher o saco, hein?

Vejam, minhas m�os est�o cheias de sangue.

Voc�s n�o acham que temos outra coisas melhores a fazer?

- Essa sua guerra me assusta. - Assusta a todos n�s.

N�o v� que estamos com medo? H� alguma raz�o para morrer?

Estamos prestes a morrer de medo.

E as guerras acabam, e depois, a vida segue seu curso.

Olhe para o seu pai, se agarrando � vida.

N�o posso esquecer de te arranjar preservativos ingleses.

- Para qu�? - N�o escute, ele � m�dico.

Preservativos pra qu�? Voc� n�o l� jornal?

Temos que chegar a um acordo sobre em que �poca estamos.

Por que se � a �poca da AIDS, n�o existem alem�es.

E se � a �poca dos alem�es, n�o existe AIDS.

Deveria ser um tempo em que se pode fazer amor sem o risco de ter uma doen�a mortal.

E que tamb�m n�o tem alem�es.

Estou cansado dessa baboseira, de alem�es. Isso me custou um olho.

- Voc� esteve em Verdun? - Perto de l�.

Em uma trincheira cheia de �gua. Deixei minha juventude naquela �gua.

E se eu seu fosse um presente para voc�? Eu sou uma boa garota, sem pretens�o.

Eu n�o me importaria. Um pouco de afeto n�o seria ruim.

Eu gosto de oferecer afeto.

Dar e receber.

Quando os homens est�o interessados, quero dizer.

Sempre gostei de homens, mesmo quando eles me acusavam ou me batiam.

Voc� conheceu muitos?

Eu conheci um monte.

Eu tenho que confessar uma coisa, apesar de ser um pouco constrangedor.

- Voc� est� gr�vida? - Como voc� adivinhou?

D� para perceber. Linda como voc� �, n�o poderia ter outra explica��o poss�vel.

Voc� me aceitaria, de qualquer forma?

Eu vou te aceitar como um presente.

Ser� uma menina. Vamos cham�-la de Camille.

Camille... que lindo.

Como � a sensa��o de ser feliz, pai?

As l�grimas nunca est�o longe, sabe? Nunca est�o longe.

Corta.

Na minha opini�o, isso est� bom para Cannes, crian�as.

Essa droga de fuma�a est� fazendo meus olhos lacrimejarem.

N�o podemos refazer essa tomada?

- Como est� o seu filme? - Nada mal. Quase terminado.

- Sinto que conhe�o essa esta��o. - Como assim?

Eu a conhe�o.

- Voc� j� esteve aqui? - Voc� tamb�m. N�s nos escondemos aqui.

Voc� e Joelle estavam sempre na cama, fazendo amor. Parece que foi ontem.

- N�o tem nenhuma cama. - Antes tinha.

Eu me lembro de como voc�s gemiam e riam o tempo todo. Eu olhava voc�s.

Eu beba a felicidade de voc�s.

- Quando foi isso essa bela hist�ria? - Durante a guerra.

Voc� n�o sabia nada da guerra. Foi muito antes de voc� nascer.

Minha filha foi brilhante em suas provas.

- A Joelle n�o est� comendo com voc�? - N�o, ela est� no quarto dela.

- Tem alguma coisa errada? - Ela est� cansada.

- Como assim, "cansada"? - Cansada.

Olhe o que voc� fez com a minha beleza.

Eu era como ela.

Os homens ficavam enfeiti�ados por mim.

Tente beber menos e voc� voltar� � forma.

Sim, eu bebo.

Prefiro isso a ficar seca como uma ameixa.

Estou me preservando para o meu p�blico.

Mas seu p�blico foge s� de v�-la no cartaz. Foge gritando.

Sua filha gosta das suas rugas?

Deixe-a fora disso. Ela � minha filha.

Eu posso ter uma pele de vaca, mas eu gosto dela.

Eu sou um velho ator.

- E da�? - Isso te coloca pra baixo.

- Mas voc� � popular. Continuam te procurando. - Para pequenos pap�is.

Relojoeiros, tipos submissos, sempre insignificantes.

A trama nunca gira em torno de mim.

Eu nem precisaria estar l�.

Eu gostaria de ter sido um grande ator.

Cada pedra tem seu lugar, voc� vai dizer.

Mas o melhor que eu posso esperar agora, � morrer fazendo um pequeno papel.

Se lembra de Raymond Pelvoux? Ele era bom.

Ele era... bom.

Por que voc� n�o vem me ver? Meu quarto est� frio e solit�rio tamb�m.

Eu vou mais tarde. Tenho que ver a Joelle primeiro.

Ela est� no 29. O melhor quarto, naturalmente.

- Realmente � assim? - O qu�?

A vida.

Voc� tem um rostinho bonito, sabe?

Eu pensei que voc� tamb�m me abandonaria.

Meu pai estava falando comigo.

Como est� o seu filme?

Tudo bem.

Voc� n�o parece muito contente.

Voc� n�o parece muito contente.

- Estou bem. - Tem certeza?

Este filme n�o � muito divertido, isso eu posso te dizer.

Por qu�? Me fale sobre ele.

� sobre uma garota gravemente doente. T�o doente que ela vai morrer.

Eu vou interpret�-la, e � um bom papel.

Uma garota que morre no final do filme � um bom papel, voc� tem que admitir.

Qual � o problema dela?

Eles n�o sabem... apesar de todas as investiga��es.

N�o sabem como cur�-la, quero dizer.

Porque eles sabem qual � a doen�a.

Eles est�o convencidos.

Eles tratam disso em confer�ncias, em especiais de TV.

Entretanto, eu sou...

Eu n�o quero morrer, Camille.

Talvez eu tenha transado muito por a�, e isso eu assumo...

mas ningu�m me avisou que era perigoso.

Eu pensei que a vida fosse isso. Pensei que a vida fosse bonita.

Eu sou muito jovem para morrer.

Voc�s n�o v�o me prender?

Pare de empurrar!

- Os judeus nos meteram nessa merda. - Que merda?

A guerra. Nossas vidas naufragaram.

Isso � s� um filme que eu estou produzindo.

Onde est� a c�mera?

Eu n�o consigo v�-la. � isso que me incomoda.

Deixe-me passar. Eu vou verificar isso.

N�o podemos. V�o atirar em n�s.

Mas s�o cartuchos vazios, idiota!

Agora essas coisas s� acontecem nos filmes.

Vamos fazer outros filmes, voc� vai ver. Filmes americanos.

- Voc� vai me levar para Hollywood? - Voc� repetiria isso?

- Voc� vai me levar para Hollywood? - De novo.

- Voc� vai me levar para Hollywood? - Sim.

Que bom respirar um pouco de ar.

Ele est� fedendo, meu Deus!

Claro, ele cagou nas cal�as.

Que �timo, ficar preso no engarrafamento do feriado sentindo cheiro de merda.

Ningu�m te obrigou a vir.

N�o � divertido para ele, todo cheio de merda, debaixo do sol quente.

Veja como ele parece infeliz.

Toda a vida ele foi infeliz. Ele sempre teve esse ar. E sabe por qu�? Porque a vida foi infeliz.

Eu n�o vou destruir minha vida como ele, porque vivo com um fracassado.

Sem gritar, crian�as.

- Como assim, "fracassado"? - Desculpe pelo "fracassado".

Chegaremos muito tarde para comprar mantimentos.

Desculpe pelo "fracassado".

Merda! Por que est� gritando assim?

Por que est� gritando assim?

Desculpem, crian�as, estou nervosa.

Vou ao supermercado.

Vamos pegar a bagagem.

N�o se preocupe muito. H� momentos em que � bonita.

- O qu�? - A vida, menina. Voc� vai ver.

Nem tudo � uma merda. Existem os momentos bons.

- Voc� acha? - Sim, claro. Por isso estou dizendo.

Vamos tomar um banho. Ele n�o ser� roubado.

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