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Flavius!
VILLEFRANCHE - ANO 55 ANTES DE CRISTO
Flavius!
Estes selvagens...
Abandonar um tesouro destes!
- Que fazes? - Levo tudo!
E regressamos discretamente a Roma.
E enforcam-nos por deserção!
Esquece o acampamento!
Tenho mulher.
E uma filha que ainda nem conheço!
Queres que ela cresça no bairro dos curtidores ou num palácio?
Anda, vamos.
Anda!
Não está certo, Domitius. Não está certo.
E vão dois motoristas.
- Viraram a sala do avesso. - Que achas que o assassino procurava?
Um tesouro! Procurava um tesouro.
Tens de parar.
Mas olha!
O Acker e o Bordier escavaram tudo onde encontraram o crânio.
Há filmes e fotos das buscas.
Nounours, não há tesouro! São histórias de putos.
Sim? E isto?
É uma história de puto?
Sabes quanto custa aquele jacuzzi?
Não.
Nem eu.
Mas de certeza que descobriram algo, e foi por isso que morreram.
- Não havia nada disto em casa do Bordier. - Era mais discreto.
O Hermann ligou-me, vai construir uma casa.
Através de uma imobiliária, pagou tudo em dinheiro.
Bom...
Se calhar,
o tesouro está bem perto de nós. Debaixo dos nossos pés!
Que vais fazer?
Ele esteve a cozer toda a noite.
Tem as mesmas feridas que o Bordier, mas não encontrei um objeto que corresponda.
Que é isso na pupila?
Não sei.
Tomou algo antes do banho da meia-noite.
- Fazes uma análise toxicológica? - Yes.
Ele não tem melhoras.
Tirando isso, estás bem?
Sem sinais de cansaço?
Estou cansada de dizer a toda a gente que estou bem.
A inscrição na maternidade era esta manhã.
E amanhã é a primeira ecografia.
Estou a falar do teu filho!
Estou farta de viver com um fantasma.
Deixa de passar os dias no bar ou no cemitério.
Não está ninguém na campa dela.
Que conversa é essa?
- Ela não está lá, a sério. - Para.
Não está ninguém, porque ela ficou lá, no raio daquela floresta.
Para!
E a culpa é minha.
A Marion foi morta por uma louca por causa das trafulhices do teu pai.
Esta criança nunca substituirá a Marion, mas precisa de ti.
E eu também preciso de ti.
Tens de vir comigo à ecografia.
Tens de cuidar dos vivos.
Não parece muito bem esta manhã.
Com a retoma, a Sabine tem clientes.
Clientes barulhentos.
Vai acabar no Guide du Routard.
Quanto aos dois motoristas,
encontraram um tesouro sem ninguém saber?
Também não acredito.
Podes ter cuidado?
Desculpa.
Bom.
Tenho de lhe falar de outra coisa.
O Juiz Rossi vai ouvir a Cora.
Ela já foi ouvida durante o inquérito.
Que é que quer mais?
Penso que ela não disse tudo.
Uma testemunha viu-a de moto,
com o Roman Barthélémy, na noite de 10 de agosto.
Verifiquei os depoimentos.
Ela disse que esteve em casa toda a noite.
Penso que talvez...
Se tiver factos concretos, eu ajudo-o.
Deixe a minha filha fora disto.
É a nossa única oportunidade de descobrir o que os Steiner escondem.
Sem provas, é o arquivamento.
É demasiada pressão para ela.
Está fora de questão.
Major.
Estou a informá-la,
não a pedir-lhe autorização.
- Tens pipocas? - Sim, um minuto.
Adeus.
Vamos encontrar uma pista nos Super-8 do Acker.
Sim, conta.
Tenho novidades do segundo motorista.
Ingeriu uma mistura à base de beladona antes de morrer.
Dilatou-lhe as pupilas.
Aí, mandei analisar o conteúdo do bolo alimentar do outro,
e também a tinha no estômago, mas morreu antes que fizesse efeito.
É estranho essa planta aparecer agora, não é?
Achas que pode haver relação com a amostra que encontraste no verão?
Não sei.
- Obrigada. - Até logo.
O raptor que procuro também consome beladona.
Os druidas não tomam isso?
Consoante a forma como era preparada,
a beladona podia ser utilizada pelos druidas para entrar em transe
ou para tornar os sacrificados mais dóceis.
As mortes dos motoristas podem fazer parte de um ritual?
É bem possível.
Nas suas memórias, Plínio refere o testemunho de um legionário
preso em Roma por deserção.
Ele pensava ser um dos sobreviventes da centúria que se volatilizou na região.
O homem estava seguramente louco, mas contava
ter pilhado um santuário no meio da floresta.
Um local de sacrifício!
Posso ver?
Não sabemos se o local existe.
O legionário dá informações incoerentes.
Até fala de um monstro.
Mas estive a pensar
na sua jovem acorrentada na floresta.
É bem possível que seja o mesmo local.
Procurei esse local durante anos.
Nunca o encontrei.
O que não quer dizer que não exista.
Eis tudo o que nos resta
sobre as práticas sacrificiais dos povos célticos.
Talvez encontremos uma pista que mencione este santuário.
Não são os livros que queria?
Se procuramos um obcecado pelo celtismo,
pode ter pedido um livro nos últimos anos.
O nome dele deve estar numa destas fichas.
Vou ver o que tenho parecido em reserva.
Que anda a fazer?
Nada.
Tenho estes livros para si.
Muito bem.
Cora?
- Olá. - Olá.
Queres comer? Trouxe piza.
Sim.
Tudo bem?
Tudo bem.
Não percebo porque o Siriani insiste para que voltes ao juiz.
Disse-lhe que não concordava.
Lamento.
Cora?
Não lhes disse tudo.
- Foi ele que te fez a cabeça? - Não.
Se mentiste, podes falar comigo.
Não menti.
Eles fizeram-me montes de perguntas,
tu estavas no hospital e, não sei, eu...
Não sabia como lhes dizer.
Estava sozinha.
Eu sei.
O que não lhes disseste?
Havia camiões
e homens dos Steiner.
A meio da noite.
Eles transportavam
produtos tóxicos em bidões.
Cora?
- Sabes que isso é sério? - Eu sei.
Se é o único meio de derrubar o Gérald Steiner, não o quero ignorar.
Tens a certeza?
Por isso é que a Marion morreu.
Eu quero ir, mãe.
Está bem.
Vamos as duas.
Está bem.
Jonas, isto é um bar.
Ele está doente.
Vai morrer.
Foi envenenado.
Envenenado pelo leite da mãe.
Aposto que o pai és tu.
Bom, Jonas.
É melhor levares o bicho ao veterinário.
Vá, Hermann, corre com ele!
Não querem perceber.
Larga isso.
Pronto.
Chegámos.
Vai para casa, Jonas.
Vai-te deitar.
E não tornes a fazer isto!
Já viste a minha roupa?
Não aguento mais.
Tenho os bichos a morrer.
Não estou a inventar, bolas.
Hermann, a terra está a morrer, ninguém quer ver isso.
Sim, mas, desculpa lá,
durante anos, também não te incomodou usar adubos com cloratos?
Ganhaste consciência de repente?
Desculpa. Vai lá, Jonas.
Vai-te lá deitar.
Dormiste aí?
Por uma boa causa.
Então, achaste o tesouro?
Não, ainda não há tesouro.
Mas encontrei uma coisa muito interessante.
Olha.
Na última bobina.
Os outros miúdos fartam-se.
O Acker e o Bordier ficam sozinhos.
E é aí que encontram o crânio.
- E aquele tipo é do grupo? - Não, justamente!
Então, liguei ao Verbeck.
Este tipo chama-se Thibault Lombard. Tinha uma casa ali ao lado,
e os miúdos esburacavam tudo à volta da casa.
Lombard?
Tem cadastro.
Insultos, agressões, tráfico de estupefacientes.
Era fundidor.
Ficou desempregado quando a fábrica fechou.
Ultimamente era guarda da antiga fábrica de Sange.
Requisitou dois livros sobre sacrifícios celtas na biblioteca.
Explicas-me a relação?
A Leila encontrou beladona nos corpos dos motoristas.
Ontem falei com o Verbeck
e ele diz que pode fazer parte de um rito sacrificial.
Como a encenação com o corpo da Marion.
Espera. Achas que ele pode ser o homem da floresta?
O Lombard seria o teu raptor?
Não sei.
- Achas que é ir longe demais? - Não, nos últimos tempos, aprendi
rever os meus critérios.
Não te mexas! Estás bem, Laurène?
Que é isto?
Pronto, fabrico antiguidades falsas,
mas nunca matei ninguém.
O Bordier e o Acker vieram ter comigo com a ideia de vender isto na Internet.
Quando é que começaram a contrafação?
Quando foram despedidos da serração, no ano passado.
Comprámos o material,
negociámos os certificados.
Eu fabricava os objetos e eles vendiam-nos.
Até tinham o crânio para dar realismo.
Quatro mil euros por este berloque.
O Bordier esperava alguém na estrada quando foi agredido.
Eras tu?
Não.
Tinha encontro com um comprador.
Um colecionador que queria tudo, mas não sei como se chama.
Ele marcou encontro pelo website.
Podem verificar.
Collec245.
O pseudónimo não nos ajuda.
Talvez não tenha apreciado ser enganado?
Tenta chegar à ligação ao website.
Vou ver se o Verbeck conhece alguém.
Não devias ir com a Cora ao palácio de justiça?
Está com o Siriani. Vou ter com ela depois.
Obrigada.
Vejamos...
O peso e o desenho estão corretos.
Mas... a patine é aproximativa.
É um bom trabalho.
Um perito veria o logro.
Procuramos um comprador potencial. É um meio pequeno, não?
Podemos ver nas publicações especializadas
ou nos leilões recentes.
Tudo isto me afasta do meu raptor.
Não estou a vê-lo a ir ter com o Bordier.
Já não acha que foi ele quem matou os motoristas?
Já não sei.
Sempre que acho que avancei, logo a seguir recuo.
Pronto. O anfitrião enviou-nos
a localização do endereço IP do website.
Não! Pensava que ia ter tempo para dormir uma sesta.
Toma.
O que é?
Major, está tudo bem?
O endereço do Collec245 é de um computador de Villefranche.
Bolas, é da biblioteca.
Se eu calculei bem a dose,
a beladona vai relaxá-la.
Obviamente, se me enganei,
vai matá-la.
Não responde.
A minha mãe não está aí?
Não se preocupe, ela vem.
Portanto.
Fale com o juiz, conte-lhe tudo o que viu.
E... enfim, quero dizer, é agora ou nunca.
Cora Weiss, o Senhor Juiz vai ouvi-la.
Vi bidões com símbolos químicos.
O sítio só pode receber resíduos inertes,
e não substâncias tóxicas, mais controladas.
Vamos precisar de provas.
O Roman tirou fotos.
O Roman...
Roman Barthélémy, é isso?
Vi que estava em condicional.
Onde estão essas fotos?
Houve um tipo que nos viu.
Bateu no Roman e destruiu o telefone.
Que maçada.
E como é que se safaram?
O tipo foi...
Sei que parece uma loucura,
mas o tipo foi apanhado...
...pela floresta.
Apanhado como? Pelos ares?
Não.
No chão.
Desapareceu através das árvores.
Ouvimos grunhidos.
Ele desatou a gritar...
Estou a ver.
Vamos começar por ouvir a floresta, talvez tenha visto algo.
Não a podemos deixar comer pessoas.
Não acredita em mim?
Espere, juro-lhe...
Vamos falar também com os corvos,
que, segundo diz, a ajudaram na turfeira.
Pare.
É fácil dizer isso aí à secretária.
Estamos num caos e ninguém faz nada!
Porra!
E então?
Então, estamos sozinhos, como de costume.
Meu caro, não sei em que mundo vive.
Não há como estabelecer os factos.
Respondo por ela. Se ela viu produtos tóxicos, é porque há.
Ouça, meu caro.
Pare de me chamar "meu caro"!
Pensei que nos entendíamos.
Entendo que conta com a vingança contra os Steiner
para apagar os erros.
Volte para Villefranche, Sr. Procurador.
Vai ficar lá muito tempo.
Saia.
Assassinar duas pessoas e raptar um guarda,
perdeu completamente a cabeça. - Aqueles idiotas tentaram enganar-me.
Foi por isso que decidi matá-los.
A andar!
Isso tudo por uma história de tesouro com mais de 2000 anos.
O que conta é a história, não é o tesouro!
Perdi tudo para descobrir o motivo da partida dos romanos.
Tudo! Foram anos,
anos a criar mofo naquela biblioteca.
Tem de haver um corpo,
qualquer coisa que prove que eles vieram!
Que quer fazer?
Vou continuar a procurar, já não tenho nada a perder.
É como eu, não é?
A sua obsessão também não a abandona.
Tenta viver normalmente,
mas ela devora-a, a cada instante, desde que foi raptada.
Sei o que é procurar algo que não existe.
O Bordier e o Acker procuraram o tesouro.
Está nas memórias de Plínio...
Foi aqui, algures, que tudo aconteceu!
E a sua história também,
mas, infelizmente,
nunca saberá porquê.
Espere.
Espere. Posso ajudá-lo.
Tentei saber porque não encontrámos o corpo ao lado do crânio.
Posso tentar explicar.
Leve-me consigo.
Disse que não tem nada a perder.
A cabeça pode ter sido levada para longe do corpo.
Sim? Como? Sozinha?
Por um curso de água.
É o único rio da zona.
Em 2000 anos, o leito pode ter-se desviado.
Dê-me cá o mapa.
Há uma cascata lá em cima.
A minha perna...
...está partida...
Domitius!
Domitius! Não me deixes!
Domitius!
Não tente ganhar tempo.
Já não estamos longe.
Domitius!
A minha perna...
...está partida...
Conseguiu, agora é preciso parar tudo.
- Entregue-se. - Não.
Nem pensar.
Vou descobrir porque é que os romanos partiram
e o que os assustou.
Agora, não me posso dar ao luxo de parar.
Estou?
Bertrand? É o Gaspard.
O juiz mandou arquivar o processo do teu pai.
Acabou. Ganhámos.
Estou?
- Bertrand? - Sim, já ouvi.
Agora não posso falar, vou...
...vou à maternidade.
Liga-me mais tarde!
Vamos fazer um churrasco para festejar!
Vai fazer-te bem.
Estou?
- Estás bem? - Sim.
O Bertrand está aí?
Não, não o vi.
É o coração dele a bater.
Mais um grande dia em Villefranche, ao que parece.
Esta manhã tinha miolos de borrego na chávena do café e agora,
deixo-vos dois segundos, e o bibliotecário empala-se num gládio antigo.
Pronto, já chega.
Disseram que ele se safava.
Ele também não vai fazer fitas.
E quem tinha razão acerca do tesouro?
Um quarto para cada, com ela?
Estou a brincar. É óbvio que isto vai para um museu.
E...
...a Major?
Foi por pouco.
Preferia ter ido contigo à audição.
Mandaram arquivar.
Eu sei.
Sou muito estúpida.
Pensava que bastava dizer a verdade.
Mas só fiz porcaria.
A culpa não é tua.
Não devia ter-te deixado sozinha.
Queria que isto acabasse,
para irmos em frente.
O Gérald não se vai safar.
- Até parece... - Vamos acabar por encontrar algo.
Mãe, prendeste metade dos Enfants d'Arduinna.
Ele ganhou.
É preciso tempo.
Estou cansada.
Vou para casa.
Vemo-nos em casa?
Está bem.
Estás bem?
Estou.
Tens de assinar o auto de contraordenação do Jonas
pelo borrego que matou na Sabine. Foi o Hermann que o redigiu.
Para com isso, já acabou.
Jonas Renck...
Sabes que numa dessas fichas está o nome da minha tia?
Percebo que estejas dececionada...
Vamos apanhá-lo. Não te preocupes!
Jonas!
Jonas?
Jonas?
Deixe-me.
Só quero falar consigo.
Não, vá-se embora.
Que é isso?
Que é que aconteceu?
Quem lhe fez isso?
Aquele que comanda os animais e as estações.
Aquele que faz sangrar as árvores.
Ele vai voltar.
Legendas: Laura Genevrois
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