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ANO 57 ANTES DE CRISTO
- Toma. - Obrigado.
Cresce mais depressa do que cortamos.
Seja como for, nunca vi um lugar tão perdido.
É esta floresta.
É estranha.
Quantos homens perdemos?
Na floresta, nos rios, nas ravinas...
- Está contra nós. - Tranquilo.
Vamos cortá-la como as outras e construir uma bela estrada.
Claudius!
É para hoje ou para amanhã?
Onde é que ele se enfiou?
Já está, podemos ir embora?
Não consegui...
Há quem disserte sobre o prazer de urinar na natureza.
Eu sinto-me observado e bloqueio.
Chegou há quatro meses, não se habituou.
Paramos na área de serviço lá à frente, tem casa de banho.
Não acha que há qualquer coisa no ar?
Um cheiro a jasmim...
A carne quase podre também.
Não me cheira a nada. Deve ser o outono a chegar.
É uma estação dos diabos.
SORRIA! ESTÁ EM VILLEFRANCHE
Os abdominais não te incomodam mesmo?
Não.
Estou bem, a sério.
Mal passaram dois meses.
Ninguém recupera tão depressa disto.
Até a cicatrização foi rápida demais.
- Tive sorte, também acontece. - Pois foi...
Devias ter morrido e eu não percebo nada.
Quando chegaste às urgências, tinhas sucos vegetais.
Mas o Nounours não viu nada quando estavas na floresta.
Não te lembras mesmo de nada?
Sinto muito, mas não.
Bom...
- Poupa-te nas duas semanas de baixa. - Sim.
E como está a Cora?
Vai andando.
Vai ao psicólogo do liceu duas vezes por semana.
Tem pesadelos com a turfeira e com a Marion, mas está melhor.
Estamos bem, não te preocupes.
Espero não ter andado para nada.
Ferrandis, não é com esse otimismo que Villefranche se livra de Gérald Steiner.
Pistácios?
JUIZ DE INSTRUÇÃO
Entre.
Lamento, mas este processo está parado.
Conseguimos apurar que Marion Steiner foi morta pela guarda Laugier,
mas não há seguimento, dado que esta também morreu.
É o Gérald Steiner que me interessa.
Ele pagava à Laugier, deve poder provar-se que é responsável pela morte da neta.
Mas foi muito prudente,
não temos transferências nem comunicações entre eles.
Não me diga que ele se vai safar?
Ouça, quero apanhá-lo tanto como o senhor.
Não temos nada que o ligue ao crime.
A Marion copiou documentos de família para esta pen.
Não foi à toa, deve ter a ver com os esquemas do avô na pedreira.
Toca a andar!
Siga!
Para!
Os valores do sítio de armazenagem estão todos em ordem. Não temos nada.
A concertação foi regularizada.
Untou as mãos a toda a gente!
Marco, vê se não há ninguém lá fora.
- Ainda aqui? - Não, não volto.
Bom, até depois.
E na Centurion Environnement?
Um impasse.
Os advogados alegam que subcontratam tudo ao Gérald Steiner.
Meritíssimo,
esta jovem morreu porque ele esconde algo.
Só temos de descobrir o quê.
TÓXICO
Eric Bordier.
Trabalhava na pedreira.
Uma mulher e um filho.
Não sei com o que lhe bateram, mas ele morreu.
Parecem dentadas, não?
Avisamos a Laurène?
Nem pensar.
E a Leila já está a caminho.
Encontraram alguma coisa no camião?
As rotas dele.
Os Enfants d'Arduinna já tinham agredido alguém?
Não.
Com a exploração da pedreira, isto ia ter de acabar mal.
Certo.
Obrigada.
Mãe?
Falam da pedreira na rádio.
Eu sei, avisaram-me.
Atacaram um camião.
Parece que foram os Enfants d'Arduinna.
Vais lá?
Foi fixe ter-te um pouco por casa.
Foi bom mesmo.
Não é vosso hábito,
mas tenho de entregar este crime à Judiciária.
Desculpe, Procurador, mas não me parece boa ideia.
Quer dizer que é uma ideia de merda.
Não, quero dizer é que já é bastante complicado
sem apanharmos com tipos de fora.
Sargento Ferrandis, são dois,
dois onde não se abre uma porta sem tropeçar num cadáver.
Sim, liguei-lhe.
Fui às compras.
Quanto tempo.
Toma, é para ti.
Major,
sei que é um enigma para a ciência, mas ainda está com baixa.
Temos de resolver este caso.
As suas obsessões já lhe custaram muito caro.
Não me apetece encontrá-la a perseguir um qualquer homem imaginário...
Calma, já não passo as noites na floresta.
Parece que não desiste dos Steiner.
Vou fazer o mesmo por este motorista.
Quando a Judiciária veio, foram dois dias para os encontrar.
Não posso dizer que tive saudades da sua teimosia.
Dou-lhe 48 horas para encontrar factos.
Arranjaram a estrada?
Vi as obras do novo ginásio.
Presente dos tipos da Centurion.
Não tarda, vamos ser a "Vila Florida".
Avisamos quando libertarmos o corpo do seu marido.
Quando falou com ele pela última vez?
Esta manhã.
Antes de ele ir trabalhar.
Este emprego na pedreira foi uma sorte para nós.
Alguma vez receberam ameaças dos Enfants d'Arduinna?
Não.
Porquê? Eles é que fizeram isto?
Não sabemos,
mas o camião foi vandalizado e tinha o símbolo deles.
Pensava que ninguém podia saber as rotas.
Pois não. Mas eles devem ter arranjado forma de saber.
Tem computador em casa?
O Maxime tem um.
Maxime?
Que é que fizeste?
Que é que fizeste, Maxime?
Há semanas que ele censura o pai por trabalhar para os Steiner.
Se sabes algo, tens de nos dizer.
Não fiz nada, estava no liceu!
Como é que eles souberam do trajeto do teu pai?
Diz-me que não tens nada com isto!
Não iam fazer mal.
Só iam mandar uma mensagem ao Steiner.
Como é que foste capaz?
Mãe!
Mãe...
O e-mail que o miúdo usava para comunicar com os Enfants d'Arduinna foi desativado.
Não me surpreende.
Têm pistas sobre eles?
Há semanas que tentamos descobrir-lhes a toca, nada.
E o chefe deles, Roman Barthélémy?
Como não quis falar, passou dois meses na cadeia.
Desde que saiu, anda na linha.
Bom. Não vamos desanimar.
Que é que vais fazer?
Festejar o teu regresso!
Esta é das boas, guardada para as grandes ocasiões.
Mesmo assim, ainda é muito cedo.
Temos de ver onde se escondem.
Vê os contratos de eletricidade de fábricas abandonadas.
Ainda são muitas.
Podíamos limpar a secretária da Camille.
Está muito bem como está.
Eu avisei-te.
Sabes muito bem que a culpa não foi dela.
O Gérald envenenou-a.
Não se toca na secretária dela.
Vi os contratos de eletricidade, não há nada.
Devem ter gerador.
Ou painéis solares.
Não vai ser fácil encontrá-los.
- O Hermann tem sido difícil. - Sim, eu sei.
É por isso que não vais lá a casa?
Por isso e pelo resto.
O que é o resto?
Não sei bem.
Por exemplo, porque te encontrei nua na floresta?
Meio enterrada?
É inquietante.
Não disse nada, porque achei que era melhor para ti.
- Mas quero perceber. - Não quero falar.
Prefiro esquecer isso.
- Não podes fingir que não se passou nada. - Porque não?
Estou bem com a Cora, já trabalho, pode resultar.
Sim, pode resultar,
como da última vez.
SÓ UMA MORTE INTERESSA A DA NATUREZA PELOS STEINER
Dizem que não mataram o Bordier.
Rica maneira de o dizer.
Bolas.
Há algo que não vimos na casa dele.
Entrem.
Estava sempre aqui quando não trabalhava.
Acha que ele tinha algum problema?
Não.
Pensava que tinham sido os Enfants d'Arduinna.
Já não percebo nada.
Não há nada de interesse na casa.
Não sei o que procuramos aqui.
Ele não tinha cadastro, nunca fez nada.
Achas que os Enfants d'Arduinna estão a enganar-nos?
Este crime não é a cena deles.
Eu sei.
Foi um primeiro dia muito agitado, não é melhor ires para casa?
Não, estou bem.
Laurène...
Espera.
Que foi?
Olha aqui.
Boa prenda de boas-vindas.
Há um bocado de cervical, parece que foi arrancada.
Mas isto não é de hoje.
Nem de ontem. Tem séculos, pelo menos.
Diria que é um crânio de homem.
As marcas nas têmporas
podem ser de uma doença congénita.
O que sabemos é que foi desenterrado.
O cemitério não participou nada.
Achas que tem relação com o crime?
É estranho ter isto em casa, não?
Há coisas mais estranhas na minha cabeceira.
Nem quero saber.
- Se alguém vos pode ajudar, é o Verbeck. - O Verbeck bibliotecário?
Dantes era mais historiador.
Ele ajudou-me com os ossos da turfeira.
Admito que ele é estranho, mas...
Vamos falar com ele.
Sargento Ferrandis.
Não nos víamos há muito tempo.
Desculpe, não tive tempo de entregar os livros.
E acha que é o único que quer ler o Sensibilidade e Bom Senso?
Temos uma coisa para si.
Cá estás tu outra vez!
Isto tem pelo menos 30 anos.
O Bordier encontrou-o na floresta.
Soube esta manhã o que lhe aconteceu.
É monstruoso.
Tentamos perceber se a morte tem a ver com o crânio.
De onde acha que vem?
É mais fácil dizer de quando data.
Data do século I antes de Cristo.
Acha que era alguém da região?
Foi o que todos pensaram.
Mas reparem nestas marcas, aqui
e aqui, podiam ser um princípio de sífilis.
Doença que não tínhamos cá nessa época.
Foi trazida pelas legiões romanas.
Espere... Pensava que os romanos não tinham chegado aqui.
Por isso, não somos esquisitos como o resto do país.
Ferrandis.
Acha que o Júlio César invadiu a Europa toda menos Villefranche?
Há provas.
O Plínio fala disso nas memórias.
Roma enviou uma centúria para a região para construir uma estrada.
E todos os legionários desapareceram.
- Que pode ter acontecido? - Ninguém sabe.
Precisávamos do resto do corpo para compreender.
Vamos precisar do nome do segundo miúdo.
Que é isto?
Não sei.
Não é altura de fraquejar.
Ficas comigo, ouviste?
Encontremos um abrigo.
Anda, vamos.
Parece que me tornei popular.
Não é todos os dias que vemos alguém voltar dos mortos.
Talvez finalmente Villefranche vá precisar de uma igreja.
- Uma cerveja, por favor. - É para já.
Parem. Fui ferida em serviço, é só isso.
Só isso, claro.
E com os Enfants d'Arduinna?
Não seja ingénuo, não mataram o motorista.
Não temos nada.
Mas temos de os parar.
E o Bertrand? Deve estar doido com tudo o que se passa.
Liguei-lhe, não atende.
O Presidente da Câmara mudou, sabia?
Está abatido desde o funeral da Marion.
Nem sabemos se percebeu que a mulher está grávida.
Já não o quer prender?
Digamos que me concentro no pai dele.
Mais tarde, talvez.
Isso, bebam o dinheiro dos Steiner enquanto podem.
Chega, não vais estragar a festa porque perdeste três borregos.
Foi a nossa ganância que os matou.
Mas os sinais estão à vista.
E um dia pagamos todos.
Caramba!
Parece um inspetor das Finanças!
Boa noite, mensagem de Philippe Granger,
sou o psicólogo que acompanha a sua filha Cora.
Queria informá-la de que ela não vem às nossas sessões há três semanas.
Gostava de falar consigo sobre isso.
Obrigado.
Já jantaste?
Sim, com o Rudy.
E se lhe ligar a confirmar?
Vai dizer o mesmo ou que não te vê como o psicólogo.
Não preciso que me digam que estou traumatizada.
Assim que ouço um corvo, parece que recomeça tudo.
A turfeira, Marion...
- O psicólogo tira-me isto da cabeça? - Onde foste?
Encontrei isto na tua secretária.
Não quero que andes com os d'Arduinna.
- Foste vasculhar o meu quarto? - Responde.
Disseste que era pela Marion e que tinha acabado.
- Não acredito. - É perigoso, não te quero metida nisso.
- Quero que tenhas uma vida normal. - Também quero.
A Marion queria uma vida normal.
Mas está morta. E agora há um ginásio novo.
Se não me vais deter por um panfleto, vou-me deitar.
#11 CASO PÉTOUR
- Senhor Acker? - Que é que querem?
Pode começar por fechar o roupão, por favor.
Desculpem, não esperava visitas.
Temos de lhe fazer umas perguntas.
É o senhor ao lado do Eric Bordier?
Sim.
Conhecíamo-nos desde o infantário.
Sempre trabalharam os dois na pedreira?
Fomos contratados juntos. Mas porquê isso agora?
Ainda não prenderam os canalhas que fizeram isto?
Desculpem.
Mataram o meu melhor amigo.
Estamos a tratar dos Enfants d'Arduinna.
Queríamos saber por que razão o Bordier guardou este crânio.
Porque tinha um valor simbólico para nós.
Se soubessem o orgulho que tínhamos.
Nessa época, o Verbeck falava-nos de romanos, de celtas,
de corpos enterrados na floresta. Talvez até de um tesouro.
Um tesouro? Não fazia por menos.
Sabe que, quando somos crianças, exageramos tudo.
Vasculhámos a floresta.
Todos os fins de semana, todas as férias.
E encontraram alguma coisa?
Tirando um monte de porcarias, nada.
Pelo menos, nada de tesouro.
Depois, acabámos por desistir.
Tínhamos de voltar à realidade!
Vou verificar o seu álibi.
- E se tivessem encontrado um tesouro? - Não há tesouro nenhum.
Viste como os Bordier vivem?
Deixas-me na vila? Vou ter com a Cora.
Está aqui outro.
Porque estão acorrentados?
Que aconteceu?
Sacrifícios.
Deve ser um santuário a um dos deuses degenerados deles.
Há novidades sobre o caso Bordier?
Vim cá por outro motivo.
Quando encontrámos a Marion Steiner na turfeira,
falou ao nosso legista de sacrifícios celtas.
Foi antes de sabermos que a sua colega a tinha matado.
A relação com o celtismo era aleatória.
Talvez nem tanto.
Tenho outros elementos.
Outra jovem que foi encontrada na floresta há 20 anos.
Foi raptada
e esteve acorrentada vários dias, até fugir.
E porque é que isso a faz pensar
num sacrifício celta?
Não estou certa de nada.
O raptor interessa-se muito por isso.
E está muito ligado à natureza.
Preciso de saber mais para lhe encontrar o rasto.
Quero ajudá-la,
mas talvez deva falar com essa jovem que foi raptada.
Não vai ser possível, ela já não vive na região.
É pena.
E, depois deste tempo todo, ainda tenta descobrir quem a raptou?
Cernuno, o Deus Veado,
é uma das principais divindades do panteão celta.
Major, sente-se bem?
Estou bem, obrigada.
GUARDA
Tens de falar comigo, Laurène.
Pensei que estavas morta quando te vi.
Não quero reviver isso.
Acabamos com os segredos?
Que fazes com o Verbeck?
Que procuras no raio da floresta?
Procuro...
...quem me raptou há 20 anos.
Não tenho memória dele.
Só sei que dei por mim acorrentada algures,
no fundo de um precipício.
Cortei os dedos para me libertar.
Depois, acordei no hospital.
Disseram que o Bertrand me levou.
Foi há 20 anos e nunca disseste nada?
Nada estava claro na minha cabeça.
A minha mãe estava a morrer.
O meu pai não a queria preocupar. E depois...
...era tarde demais.
É como uma jaula
que constróis à tua volta.
Vives durante anos em segurança no seu interior.
E, pouco a pouco,
as grades impedem-te de respirar, esmagam-te
e estás sempre sozinha.
Foi esse homem da floresta que te enterrou quando a Camille te baleou?
Não sei.
Penso que é graças a ele que ainda estou viva.
Se percebi bem,
ele raptou-te há 20 anos,
e agora fez tudo para te salvar a vida?
Há dois meses que penso nisso dia e noite.
Não consigo perceber.
Só sei que ia morrendo,
pus a minha filha em perigo.
Acho que a Cora pertence aos Enfants d'Arduinna.
E não sei que fazer.
Já não consigo.
Vou precisar de tempo para digerir isto tudo,
mas já não estás sozinha.
Estou aqui.
Juntos, vamos conseguir.
Hermann para Laurène...
Sim, escuto.
Recebemos os resultados da científica e há coisas interessantes.
O Bordier tinha resíduos na mão direita,
e o sangue no camião não é do grupo sanguíneo dele.
Ele estava armado, achas que feriu o agressor?
É possível. A Leila disse que, ontem, foi um jovem às urgências com sangue.
Vale a pena verificar, não?
Certo.
E teres cuidado, palhaço?
Desculpe.
Isso mesmo, baza.
Larguem-me!
Não era melhor chamar a guarda?
Podemos esperar mais um bocadinho.
Também não é isto que nos vai ajudar a prender o Gérald.
Ele diz que foi um acidente de caça.
Está no quarto 12.
Chegou à caixa de mensagens da Cora.
Deixe uma mensagem e eu...
Podemos entrar?
Que palhaçada é esta?
Devem tê-lo mudado, vou informar-me.
Nounours!
Corre!
Vou pelo outro lado!
Para de te mexer, vais agravar a hemorragia.
Não tenho medo de morrer.
Não vais morrer.
Não foram vocês que mataram o Bordier?
Não, só assaltámos o camião.
Mas, quando aparecemos,
parecia esperar alguém.
Quem? Viste mais alguém?
Não.
Ouvimos ruídos estranhos nas árvores.
Fomos ver.
O Bordier aproveitou para sacar a arma e foi aí que me atingiu.
Fugimos a correr.
E chamam-nos terroristas?
Que havia nas árvores? Que é que viste?
Viste alguma coisa?
Queres fazer o quê?
- Não é altura para asneiras! - Dissemos-lhe para esquecer.
Não matámos o motorista.
Isto foi longe demais!
Não temos escolha.
Todos se dobram perante os Steiner.
Há quem tente mudar isso,
não estraguem tudo.
Não sejam parvos.
Larguem isso!
Larga isso.
Larguem!
E recuem.
Recua.
Tirem a merda das máscaras.
As máscaras!
Tu também.
Grande pescaria! Seis de uma vez.
Sim. Estão entregues à brigada departamental.
E o Bordier?
Insistem que não o mataram.
Que estava parado à espera de alguém.
Temos de descobrir de quem, porque foi a última pessoa a vê-lo vivo
ou foi quem o matou.
Grande embrulhada.
Não pode ser o Acker, porque ele estava na revisão do camião à hora do crime.
Sabem que mais?
Vamos ver as contas bancárias dele.
E as do Bordier também.
A história do tesouro começa-me a cheirar.
E lá vamos nós.
Tens alguém na cela?
Que é que te aconteceu?
Há dois meses que não sei nada de ti.
Podemos falar?
Falar de quê?
De tudo, de ti.
Eu já não existo.
Não sobrou nada.
Não digas isso.
Não consigo imaginar o que estás a viver,
mas deixa-me ajudar-te.
Não.
Ligaste à Léa?
Sim, ela vem buscá-lo.
Já bebia um copo.
- Como? - Desculpa?
Um pequenino.
Certo.
À nossa.
Voltaste à turfeira?
Vou lá muitas vezes.
É um lugar ótimo
para chorar.
Desculpa por ontem, mas estava preocupada contigo.
Não faz mal.
Vou voltar ao psicólogo.
Isto nunca passa?
Este vazio?
Não, nunca.
Acabamos por nos habituar.
Também se pode tornar uma força.
Espero que sim.
- Vai melhorar. - Sim.
Legendas: Laura Genevrois
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