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O MUSEU DA INOCÊNCIA
Acordei no meu quarto do sótão numa meia-noite enluarada.
O meu museu, que às vezes sentia que nunca estaria completo,
parecia assustador ao luar.
Toda a minha coleção que juntara durante 30 anos
estava envolta em sombras.
A mesa onde eu comera com ela e a família dela durante oito anos,
a televisão que víamos juntos,
senti a história de tudo, de cada peça, agitar-se em mim.
Como um xamã a reparar nas almas dos objetos.
Mas quem visitava o meu museu desconhecia estas histórias.
Resumindo, preciso de um livro que conte a história de todos os objetos, Sr. Orhan.
Está a pedir-me para fazer um catálogo de museu, Sr. Kemal?
Sim.
Mas deve ler-se como um romance.
Isto deve ser um romance
que retrate o meu amor e admiração por ela.
Continue, estou a ouvi-lo.
Amei uma mulher…
… de tal forma
que guardei dela cabelo, os ganchos, todos os pertences…
… e procuro neles consolo há décadas.
Posso contar-lhe a minha história com franqueza?
Claro.
Foi o momento mais feliz da minha vida,
mas eu não sabia.
HÁ 30 ANOS, 26 DE MAIO DE 1975, SEGUNDA, POR VOLTA DE UM QUARTO PARA AS TRÊS
Se o soubesse na altura, nunca teria aberto mão daquela felicidade.
E tudo teria sido diferente.
Ela era
uma parente afastada pobre de 18 anos
de quem eu me esquecera até há um mês.
Eu tinha 30 anos.
Estava prestes a ficar noivo da Sibel, que todos achavam perfeita para mim.
Berrin, olha.
É tão elegante.
Adoro o convite.
É ao gosto da Sibel.
- O Hilton está confirmado? - Está.
Confesso que admiro o seu estimado pai.
- Como é a sua única filha… - Olha.
… vai dar uma grande festa no Hilton.
- Porque adiaram o noivado? - Quê? Não vão?
- Quem pediu o vinho? - Os pais do Sr. Kemal.
- Do Sr. Kemal? - Segue-me.
À cabeceira, está o pai, Mümtaz Basmacı,
o empresário têxtil.
Ao lado, está a esposa, a Sra. Vecihe.
O filho mais velho, o Sr. Osman, e a esposa, a Sra. Berrin.
E na outra ponta está Kemal Basmacı,
com a futura noiva, a Menina Sibel.
São clientes habituais, por isso, tratamo-los muito bem.
Dá-me isso.
Há problemas com o local, meninos?
A minha melhor amiga Nurcihan estuda em Paris.
Aguardamos que venha de férias.
Queria tê-la cá, daí ter adiado.
Como vai o vestido?
O İsmet Sedoso diz que fica pronto em duas semanas.
Deixe-me mostrar-lho.
- Tens o desenho? - Sim.
Estou desejosa de o ver.
Eis como planeámos incluir as pérolas que me deu.
É lindo.
Não sei porquê, julguei que iriam ficar na vertical, mas…
Não sei. Não era bem o meu estilo.
Lindo.
Bom, vamos fazer um brinde aos futuros noivos.
- Sim? - Isso.
- Sim. - Parabéns.
Boa noite.
Boa noite.
Kemal, mais devagar!
Táxi!
Kemal.
Acho que estou embriagada.
Não estou muito melhor.
- A sério? - Sim.
Que mala tão gira.
- O carro está ali. - Sim. Anda, querida.
Na verdade,
não era nenhum sedutor que andasse sempre a comprar prendas às mulheres.
Ainda assim, fui à loja no dia seguinte para comprar a mala à Sibel.
Bem-vindo. Em que posso ajudar?
Queria comprar a mala da montra.
A Jenny Colon bege?
- Aquela da prateleira. - Certo.
Füsun?
Olá.
Meu Deus, cresceste!
- Não me reconheces? - Reconheci-o logo, Kemal.
Sim.
Mas não o quis embaraçar.
- Então? O que tens feito? - Estudo para entrar na universidade.
E estou na loja todos os dias. Aqui, conheço gente nova.
Que bom.
Então… quanto custa essa mala?
1500 liras. Mas a Menina Şenay faz-lhe uma atenção, de certeza.
Foi almoçar a casa.
- Se voltar logo… - Não é preciso.
Cumprimentos à tia Nesibe e ao teu pai.
Os protestos…
Encontrei a Füsun, quando fui comprar uma mala à Sibel.
- A filha da Nesibe? - Sim.
Trabalha na loja da Şenay, não é?
É uma pena!
Gostava tanto dela quando era pequena.
A Nesibe trazia-a, quando vinha coser.
Dava-lhe os vossos brinquedos e ela brincava sossegada.
Passo por aquela loja todos os dias, mas não consigo dizer olá.
Eles são-nos o quê?
Bom…
O meu pai foi casado com uma bósnia antes de casar com a minha mãe.
Que morreu na Guerra dos Balcãs.
Ela tem uma filha do ex-marido.
Essa filha é mãe da Nesibe e avó da Füsun.
Meio complicado.
Portanto, não somos parentes de sangue.
É mais família por afinidade.
Se não me engano, a tia Nesibe era costureira.
E era excelente.
Mas eles eram muito pobres.
Mãe.
Suponho que, na Turquia, todos fossem muito pobres na altura.
Eu recomendava a Nesibe a todos. Conhecidos, amigos, família.
Mas o concurso de beleza foi a gota de água.
- É por isso que os tens evitado? - Claro!
É incrível que tenha convencido a Füsun àquilo, indo ela a uma escola decente.
E mudou legalmente a idade da miúda sem o pai saber.
Fiquei mortificada, quando soube.
Mas a Nesibe orgulhava-se disso.
Graças a Deus, a miúda não ganhou. Seriam completamente humilhados.
- E ela se calhar seria expulsa. - Pois! Claro que seria.
No nosso país,
as raparigas que participam em concursos de beleza…
Todos sabem de que tipo são.
Tem cuidado.
Estás prestes a ficar noivo de uma moça extraordinária e linda.
Vamos à publicidade.
Onde está a mala? Mostra-ma.
- Mümtaz. - Sim?
Sabes que o Kemal comprou uma mala à Sibel?
- Ai sim? - Sim.
Pai.
Pai, olha. O anúncio da Gasosa Meltem do Zaim.
Você merece tudo.
VOCÊ MERECE TUDO
Nuri, pode trazer-me um café?
Tinha estudado Gestão nos EUA e feito o serviço militar.
- Posso levar isso? - Claro.
O pai nomeara-me diretor-geral de uma das suas empresas em crescimento.
Sim, o próprio.
Depois de todos saírem,
a Sibel ia visitar-me no escritório.
Estava à tua espera.
Estava à tua espera.
Entra.
- O que estavas a fazer? - Só à tua espera.
E fazíamos amor no sofá de couro.
Naquele tempo,
as filhas das famílias ocidentalizadas que iam à Europa
iniciavam-se no sexo antes do casamento.
Os jovens chamavam-lhe "ir até ao fim."
E, como tínhamos ido até ao fim, tínhamos de casar.
E eu queria isso, mas, mesmo que não quisesse,
não poderia deixar a Sibel, depois de me ter dado a virgindade dela.
Até logo.
- Um pouco. - Sim.
Bem-vinda, Menina Firuze.
Sei que não gostas de ir ter ao escritório, querida.
Não sei, sinto-me como uma secretária, lá.
E se for em casa da minha mãe, no Edifício Merhamet, a partir de agora?
Dá para um lindo pátio.
Por causa do atraso no casamento e em irmos viver juntos?
Não, claro que não.
Kemal, não quero encontros secretos num apartamento, como uma amante.
Tens razão.
Onde foste tu buscar essa ideia?
Esquece.
O que é isto?
É uma surpresa. Abre.
- A sério? - Sim.
Gostaste dela na outra noite, quando a viste na montra.
És tão querido.
Combinará bem com o teu vestido de noivado.
Já sei que mala levarei à festa.
Não gostas dela.
Kemal, foste muito atencioso. Obrigada.
Mas não poderia usá-la, mesmo que quisesse.
Porque é falsa.
Quê?
Não é uma Jenny Colon original. É falsificada.
Como sabes?
É tão óbvio, Kemal.
Olha para os pespontos.
Agora vê a minha Jenny Colon original. Comprei-a em Paris.
Há uma razão para ser a marca mais cara do mundo.
Nunca usariam um fio tão barato.
Quanto pagaste por ela?
1500 liras.
Posso trocar.
Não, pede o reembolso. Porque foste totalmente enganado.
Kemal, és tão inteligente e culto,
mas não sabes como as mulheres te podem enganar, querido.
- Não gostou de se ver? - Não, querida. E não me cabia.
Tenha um bom dia.
Vi-o ontem na rua.
À noite. Estava com a Menina Sibel.
- Iam jantar? - Sim, íamos.
Fazem um belo par.
Temos um pequeno pedido a fazer.
Gostaríamos de devolver isto.
Claro, posso trocar.
Posso dar-lhe este chapéu.
Veio de Paris.
- E estas luvas… - Não.
Queremos um reembolso.
Porquê?
Não é uma Jenny Colon original.
- É falsa. - Nunca faríamos isso aqui.
Não percebo destas coisas.
- Quer já o dinheiro de volta? - Sim, por favor.
Ouve, isto não tem nada que ver contigo ou com a loja.
É costume copiarmos tudo o que está na moda na Europa.
Não me importa se é verdadeira ou não…
Vou dar-lhe o seu reembolso.
Füsun.
Desculpa. Não era o que eu queria.
Füsun?
Não posso abrir a caixa para lhe dar o dinheiro.
A Şenay…
Tranca-a e leva a chave com ela, quando vai almoçar.
Magoa-me muito.
Trabalho aqui para conhecer gente, passar o tempo,
não por dinheiro.
Não faz mal trabalhar por dinheiro.
Qual é o problema?
Sim, não faz mal.
O meu pai é um professor reformado e fiz 18 anos há duas semanas.
Quero deixar de ser um fardo para eles.
Por favor, não diga a ninguém que chorei.
Será um segredo nosso, Füsun.
Sabes que mais?
Vou deixar cá a mala e venho buscar o dinheiro depois.
Está bem.
Mas não volte cá por isso
ou a Şenay vai insistir que não é falsa e chateá-lo.
Nesse caso,
fazemos uma troca.
- Talvez com aquele chapéu. - Não, não posso aceitar isso.
Não é importante, a sério.
Para mim, é.
Não quero que ela te entristeça mais.
Não se preocupe, sei o que fazer.
Se lhe disser que a Sibel já tem a mala, fará o reembolso.
Pode ser?
Boa ideia.
Direi o mesmo à Şenay.
Por favor, não diga.
Não fale disto à Şenay.
Aproveitaria para bisbilhotar. Deixo o dinheiro com a tia Vecihe.
Não! Não envolveremos a minha mãe. Também é metediça.
Então, onde devo levá-lo?
Ao Edifício Merhamet, no número 131 da Avenida Teşvikiye.
Estou lá todos os dias entre as duas e as quatro da tarde.
Está bem, eu levo-o lá.
Qual é o apartamento?
O quatro.
Adeus.
VOCÊ MERECE TUDO
O que te deu para comprar um jarro de repente?
Apeteceu-me, mãe.
Que estranho.
Mas é muito bonito.
- Menina Fatma! - Sim, Sra. Vecihe.
Tome lá isto.
Porque não estás no escritório a esta hora?
Dás-me as chaves do apartamento de Merhamet?
Às vezes, o escritório é uma confusão. Tentarei trabalhar lá.
Mas aquilo deve estar imundo.
Kemal.
Lembras-te do meu pote de Kütahya, o das flores azuis?
- Sim, mãe. - Já que vais,
vê se o levei para lá. Não o encontro aqui.
E para de trabalhar tanto.
Olha o teu pai.
Trabalhou a vida toda para vocês serem felizes.
Sai, distrai-te, diverte-te com a Sibel.
Aproveita a primavera.
Tem cuidado.
EDIFÍCIO MERHAMET
No dia seguinte, das duas às quatro,
esperei pela Füsun no apartamento de Merhamet.
Mas a Füsun não apareceu.
Sr. Kemal, vou-me embora. Ainda fica?
Sr. Kemal?
É tarde. Vamos.
No dia seguinte, voltei a esperar por ela lá.
A Füsun nunca apareceu.
Embaraçava-me tê-la esperado dois dias seguidos num apartamento vazio.
Para o superar, fui a um almoço de negócios no dia seguinte.
Passei dias a tentar convencer a sua secretária.
Disse-lhe que não partiria até almoçar consigo.
O trabalho tem sido muito, Sr. Abdülkerim.
Uma pergunta.
Há quanto tempo nos representa em Kayseri?
O meu pai estima-o muito.
Conheço o seu pai e trabalho com ele desde os tempos de Sirkeci.
Faça as contas.
Mal me lembro desse primeiro escritório.
Bom, foi lá que tudo começou para o seu pai.
Ele fez o negócio crescer passo a passo até se tornar no que é hoje.
Já agora, dê cumprimentos meus à sua estimada mãe
e diga-lhe que as vendas estão a correr bem na sucursal de Kayseri.
Bolas, vai chover.
Que importa isso? Podemos ir para dentro.
Algum problema?
Temo que sim. Lembrei-me de que tinha uma chamada da Alemanha.
- Dá-me licença? - Claro.
Tenho de voltar ao escritório.
Pensei que te tinhas esquecido de mim.
Entra.
Não quero incomodar. Só vim devolver o dinheiro.
Está a chover imenso.
Ia fazer chá. Vai aquecer-te. Anda.
Anda.
O chá está quase pronto.
A tia Vecihe trouxe isto tudo para cá?
Sim.
Compra coisas por impulso nos antiquários, aqui e na Europa.
Usa-as por uns tempos, manda-as para cá e esquece-as.
Olha, até o meu triciclo continua aqui.
A tia Vecihe deu-mo, também o usei algum tempo.
- A sério? - Sim.
Depois, cresci e devolvemo-lo numa visita do Eid.
O Sr. Çetin, o motorista, você e eu andámos no carro do tio Mümtaz…
O doido do Süreyya tinha de beber licor.
Sim!
Licor de menta.
Eras uma criança.
Agora és uma jovem linda.
Obrigada.
É melhor ir andando.
Mas não bebeste o chá.
E ainda chove.
Espera, vou buscá-lo.
Toma.
Não contou a ninguém que chorei, pois não?
Não.
Mas fiquei preocupado contigo.
Porquê?
Tenho pensado muito em ti.
És tão linda.
O que disse a Menina Şenay?
Disse algo sobre a mala ser falsa?
Ficou irritada.
Mas não quis armar confusão, quando soube que queria o reembolso.
Acho que sabia que era falsa.
Tenho de ir.
Adoro beijar.
Mas consigo não pode ser.
Deixei aqui o envelope.
O meu guarda-chuva desapareceu.
O quê?
Deixei-o aqui.
- Tens a certeza? - Sim, estava aqui.
De certeza que o encontramos.
Falaste da universidade. Queres formar-te em quê?
Não sei.
Se tiveres problemas nalguma coisa, sobretudo em matemática,
posso dar-te explicações aqui à tarde.
Também dá explicações a outras raparigas?
Não há outras raparigas.
Às vezes, a Menina Sibel visita a loja.
É amorosa.
Quando se casam?
O noivado é daqui a mês e meio.
Este serve?
Não posso voltar à loja com isso.
E a chuva já parou.
Gostava de ir já.
Por favor, volta.
Só tomaremos chá.
Sim?
Não quero voltar cá, Kemal.
E sabe que não o farei.
Não se preocupe, não direi a ninguém que me beijou.
E o guarda-chuva?
É da Şenay, mas pode ficar com ele.
Cala-te, meu.
Menina Inge!
Menina Inge!
Sim, por favor!
Obrigado, Menina Inge!
Aqui, Menina Inge!
Menina Inge!
VOCÊ MERECE TUDO…
Sr. Zaim, é o homem do momento.
Negaria uma foto à imprensa turca?
Claro que não. Nunca faria isso.
Bravo, Zaim!
A Turquia quer ver-te!
És fabuloso! Mostra-te!
Sr. Zaim, para aqui!
- Olhe para aqui! - Sr. Zaim!
Você merece tudo.
Onde está o Kemal?
Não faço ideia.
O Kemal Basmacı, a perder a festa do melhor amigo?
O Zaim "Merece Tudo" está a celebrar o lançamento da Gasosa Meltem
e tu não estás lá.
- Espantas-me, Kemal. - Disse que estou doente, querida.
A modelo alemã dos jornais e do anúncio também vai.
Kemal?
Sim?
Queres que te vá visitar?
Não é preciso.
A sério. Não digas que não só por ser tarde.
A mãe e a Menina Fatma estão a cuidar de mim.
Amanhã já estarei bem.
Não achas que é insensível dizer às pessoas que merecem tudo
num país tão pobre?
Sempre achaste o Zaim um exibicionista.
E agora também o acho insensível.
Adiante…
A Yeşim fica noiva amanhã, no Pera Palas.
- Não te esqueceste, pois não? - Não, querida.
Rápidas melhoras.
- Boa noite. - Boa noite.
A Füsun nunca mais ia voltar ao Edifício Merhamet.
Mas fui lá no dia seguinte na mesma.
Só queria estar sozinho.
Esquecer a vergonha de ontem.
Vim buscar o guarda-chuva.
Entra.
Está aqui.
Como caiu aí?
Na verdade, não caiu.
Escondi-o para ficares mais um pouco.
És tão linda.
Estás tão diferente.
Para.
Espera.
Dói, querida?
Não sabia porque ela tinha ido ao Edifício Merhamet naquele dia.
Mas fez amor comigo, indo até ao fim.
A minha bela entregou-se a mim só porque quis,
sem quaisquer expectativas.
Bravo!
É hora de cortar a fita.
Muitas felicidades.
- Bravo! - Parabéns.
- Parabéns. - Sejam muito felizes!
- São fabulosos! - Felicidades.
Kemal, quero que a nossa festa seja assim.
Claro, linda.
Felicidades.
Sejam felizes para sempre!
Prontos?
Parabéns.
Meninos, tenham cuidado!
Fazem um casal perfeito.
Anda comigo.
- Já volto. - Está bem.
Anda.
O que foi?
- Yeşim, querida, parabéns. - Divirtam-se! Já volto.
- Uma foto. - Divirtam-se.
Olá!
Yeşim, parabéns.
- Parabéns, querida. - Parabéns.
Sim, fizemos muitos bons investimentos.
Grandes navios…
… aço da Rússia ao Bósforo por causa dos navios…
Não!
Kemal, temos uma crise.
O que foi?
O Mehmet gosta tanto da modelo alemã que não a larga.
- E? - E o Zaim está cheio de ciúmes.
Não estou a dizer isso. Raios!
E?
- Kemal, o que tens hoje? - Nada, querida.
De certeza? Não estás com nenhum problema?
Que pergunta é essa? Estou ótimo.
Sr. Çetin, é tarde. Pode ir.
Boa noite.
- Há algo que estou desejoso de saber. - Quê?
Esquece.
Vá lá, pergunta.
Sabes aquele momento
em que me abraçaste e fechaste os olhos?
Que tem?
Que filme viste mentalmente?
Vi um campo cheio de girassóis.
Esta foi a primeira das 4213 beatas que guardaria,
dos cigarros que a Füsun tinha fumado.
Vou pô-las aqui no meu museu, em memória daquele dia
que mudaria por completo a minha vida.
Legendas: Celeste Ferraz
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