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Zulu
oh
[Música]
[Música]
p
quando o meu pai ia viajar para pra
cidade para emoresa chamava ir pra rua
né e eu encomendei um canivete então eu
era pequenininho o meu pai foi voltou no
outro dia quando chegou no outro dia
comeu canivete Olha que felicidade e a
partir daí eu acho eu nunca deixei de
ter um canivete o canivete é um grande
companheiro de viagem Inclusive a
definição de mineiro né Mineiro é todo
aquele que tem um canivete que nasceu
perto de um lugar é bem meu caso eu falo
que eu nasci em Aimorés mas na realidade
eu nasci num distrito de Aimorés chamado
Conceição do Capim no interior de Minas
[Música]
Gerais pequenininho essaa
menino eu adoro fotografar eu adoro ter
uma máquina e no meu olho adoro a
dinâmica que cria dentro do meu quadro
da fotografia a adoro encontrar soluções
pra luz encontrar soluções pra
composição encontrar organizar todos os
os as variáveis que entram dentro do meu
quadro fotográfico nesse momento eu eu
passo a viver de uma maneira muito forte
a fotografia e passo a ter um prazer
muito grande com toda a dinâmica criada
pela câmara
fotográfica essa coisa o pare ser
fotógrafo
não tinha nada assim de especial né que
fotografia PR criança é uma profissão
como as outras O que é na verdade né até
que um dia um professor que era uma
professor que eu admirava muito veio
falar comigo já era grande ter uns 12 ou
13 anos e aí o cara e
e chega para mim conversa eu sabia que
ele gostava de fotografia F Olha o meu
pai tem uma foto que pareceu no liberra
parece é que bom não mas é uma foto para
liber rason tá na capa tá na capa do
Liber rason o cara tá na na cabra mas
pera aí qual é o nome do teu pai [ __ ]
você bachou salgado falou que o quê o
grande salgado é teu pai foi aí que eu
realizei que o tão tava bombando
[Música]
né Hoje tá o frio do cão tá fazendo gra
abaixo de zero Jura é o chato é o vento
né esse vento pega que tá estando todo
mundo aqui
hoje oi oi tchão
chegou Opa valeu
como é que você tá ja tudo legal Tudo
ótimo você também tudo bom filho
beleza Onde você quer vamos lá ó um
pouco de
luz aqui
né Aqui tem essa sala
aqui sala que não ter
talvez mais uma pintura do Rodrigo aqui
são fotos de um de um senhor que foi meu
amigo que eu gostei demais dele um
fotógrafo Russo chamado Dimitri balman
Dimitri talvez tenha sido o fotógrafo
mais importante da segunda guerra
mundial ele foi fotógrafo do exército
vermelho e aqui são duas fotografias que
ele me deu da Batalha de Moscou os
alemães chegaram na periferia de Moscou
a linha de defesa dos alemães dos russos
contra os alemães eu seria dentro de
Moscou hoje
as fotografias de fotógrafos antigos
latinoamericanos essas duas fotografias
do maramb algumas fotografias do Manuel
Álvares brav e uma fotografia da Tina
mod a gente tem 35 fotografias da que a
gente também faz parte dessa que do m
visitando exposições e Muita exposição
de pintura eu gostava demais gosto ainda
hoje demais dos pintores e
e tradicionais holandeses né e eu
gostava muito da escola holandesa de
pintura das luzes da escola holandesa e
na realidade se a gente olha bem os
pintores da escola holandesa eles tem um
contorno de luz fabuloso eles tem um
efeito de luz de trás muito interessante
eu tenho impressão que me influenciou
muito a maneira que desenvolveram a luz
e uma luz que coincidia muito com a luz
que eu que eu vi quando era criança lá
no Vale do Rio Doce não é nós tínhamos
luz forte o fato de eu ser muito
branquinho eu saía no sol tinha que sair
de chapéu senão o meu nariz queimava e
feria então a gente tava sem meio na
sombra então tudo que a gente olhava era
da sombra pro pra luz
então eu acho isso desenvolveu uma uma
parte da minha fotografia que é que é
interessante eu esse domínio da Luz
contra a luz e quase toda a minha
fotografia é feita contra a
[Música]
luzar PR você ver a outra foto mar ch
coisa linda Opa tô com pé sujíssimo aqui
nós vamos ter que dar uma limpadinha
nele é porque senão vai sujar a casa
inteirinha lá deixa eu pegar
aqui banco Pera aí eu vou pegar um pano
Vou botar aqui todo mundo passa o pé em
cima pronto é assim fica
democrático Lé tá bem agasalho tá né sim
senhor che chefe é ontem você sentiu
frio Pois é por isso que hoje eu melhor
você quer que eu que eu amarro para você
na frente tá tô senti frio aa tá na
minha bolsa e daqui a pouco gente tchau
tchau daqui a pouco a gente se
vê esse buraquinho você tá com
buraquinho e o início da minha da minha
vida foi numa fazenda e depois em 1948
quando eu tinha 4 anos de idade nós
mamos mudamos pra cidade mudamos paraa
rua porque eu tenho sete irmãs e as
minhas irmãs tinham que ir para pra
escola eu fiz escola primária escola
início da escola secundária em emores e
fui paraa Vitória depois em 1960 para
fazer o que a gente chamava na época o
científico que era a segunda parte do da
escola secundária então para mim foi
muito interessante eu saí de uma pequena
cidade ir para uma cidade bem maior
Apesar que Vitória é uma cidade
relativamente pequena nos moldes de hoje
mas já era uma cidade de 120.000
habitantes
e já tinha tudo uma cidade grande tinha
sinal de tráfego que eu conheci pela
primeira vez tinha telefone que eu
conheci pela primeira vez Então são
essas coisas da vida moderna que foi
chegando para mim também que eu fui
conhecendo fiz a faculdade em Vitória aí
quando eu eu conheci a lélia eu entrei
no primeiro ano da faculdade em
1964 eu conheci a lélia a minha esposa
de toda a minha vida nós começamos 64
casamos em
67 e no início de 68 mês de janeiro de
68 nós mudamos para São Paulo onde eu
fui fazer um um mestrado em economia e E
logo depois em 69 nós vios pr pra França
[Música]
nós chegamos aqui no mês de agosto ainda
é uma época de muita luz foi um início a
descoberta nós adoramos chegar em Paris
Paris que a gente já conhecia como a
linha da mão porque a minha geração no
Brasil a gente estudou sete anos de
francês né a gente aprendia todos os
clássicos francês na escola secundária e
eu trabalhei na Aliança Francesa em cima
da minha mesa eu tinha um mapa de Paris
então eu conhecia todos as de Paris hist
ótima que a história do chá né Vai conta
aí para mim ess adora essa história que
história é essa a minha mãe era
esoterista a minha mãe tinha uns
pensamento positivo Fantástico sabe
Então ela foi em Belo Horizonte no circ
exotérico da comunhão do pensamento de
Belo Horizonte e passaram para ela um
chá um chá de abrir caminho ela tinha
que me lavar com esse chá que ela queria
esse chá para mim porque ela tinha tinha
preocupação único filho homem então um
dia ela me agarrou de força para me deu
um banho com esse chá de abri caminho
pronto ela ficou satisfeitíssima ela
tava com cedo despreocupado aí agora
minha mãe já tava velhinha um dia ela
falou com a minha irmã com a Penha Pois
é Penha eu tenho um problema de
consciência muito sério eu Forcei o
tãozinho a a tomar aquele banho de chá
de abrir caminho abriu caminho demais
ele foi embora nunca mais
voltou achei essa história
linda el tava perdendo um pouquinho cab
ele
arquitetonicamente este Edifício de
pedra e vidro é um equilíbrio Quando
cheguei em Paris não foi uma grande
surpresa foi um prazer mas logo aquele
prazer foi se transformando em falta do
Brasil falta da família falta daquela
luz do Brasil que foi apertando o
inverno Foi chegando e quando chegou
dezembro o dia terminava às 3:30 da
tarde S às 9:30 da manhã sem luz um frio
difícil primeiro ano nós não tínhamos
bolsa de estudo nós tivemos que
trabalhar eh fazer trabalhinhos para
conseguir sobreviver né com a quantidade
mínima de recurso uma repressão brutal
no Brasil que aí a repressão nesse
momento tava difícil a possibilidade da
gente voltar ao Brasil era muito pequena
muito muito pequena a gente sabia que ia
reduzindo cada vez mas porque da
atividade política da gente na França
ligado às pessoas que chegavam
torturadas aqui então a gente fez uma
opção e e foi Olha foram momentos muito
difíceis da nossa vida eu preparei um a
base de uma tese para um doutoramento de
em economia não defendi a tese porque
não sou Doutor em economia mas fiz toda
a parte teórica do curso e logo depois
em
1971 eu fui trabalhar em Londres na
organização internacional do café porque
eu era um jovem economista mais
responsável
de investimentos da organização
internacional do café em três países da
África era o o ex cono Bel o zairo rando
burundi E então fazendo viagens nessa
região eu levava uma máquina fotográfica
porque eu descobri a fotografia aqui em
Paris em
1970 a lélia comprou uma câmara para
fazer fotografia de
arquitetura e eu descobri pela primeira
vez a
fotografia é eu que fiz Nós moramos em
Londres tá começando fotografia nessa
época aí a Néa tava lendo um livro na
casa de um amigo is coisa de época
parece né mas nessa época usava vestido
longo ouam época tudo era bonito o
sapato Dona Lelinha é mas os sapatos são
assim até hoje né sapato de mulher é a
coisa mais linda que tem no planeta não
tem nada mais bonito que um sapato
quando eu voltava para Londres as
fotografias me davam 10 vezes mais
prazer do que os relatórios econômicos
que eu tinha que escrever e nesse
momento eu tomei a decisão de virar
fotógrafo e tinha que tomar decisão de
abandonar tudo e começar uma carreira
nova e uma carreira que eu eu tinha
certeza que eu gostava mas uma certeza
relativa que eu tava muito no início eu
lembro que quando eu fui pedir demissão
da organização do café o o o presidente
da organização era um brasileiro Então
eu fui conversar com Beltrão falei olha
Beltrão eu vou pedir demissão da
organização vou embora eu fi lá salgado
eu eu sabia que você ia pedir demissão
porque você teve uma proposta Eu soube
que você teve uma proposta pelo Banco
Mundial eu falei não meut trão vou virar
fotógrafo voltar para Paris para ser
fotógrafo ele me deu uma brunca falou
salgado Eu também quero ser fotógrafo a
minha mulher quer ser fotógrafo a minha
filha quer ser fotógrafo todo mundo quer
ser fotógrafo ele me achou
assim um um idiota de primeiro primeiro
nível né porque o jovem assim querer mas
eu resolvi realmente E voltei para Paris
e comecei realmente fotografia as coisas
não estavam dando muito certo pro
Sebastião e pra lélia é pro pai e pra
mãe né eles tinham tinham voltado da
Inglaterra já com projeto de virar
fotógrafo e depois de TRS meses o
dinheiro
acabou sem grana Eles mudaram para cá e
moravam num quarto
a família toda morava no quarto quando
eu nasci a gente morava em 15 M
[Música]
qu eu não sabia que tipo de fotografia
ia fazer eu tentei tudo eu
fiz n fiz paisagem fiz Esporte e um dia
sem saber porque eu terminei fazendo a
fotografia realmente que eu fui
preparado para fazer fotografia social
fotografia do os países em
desenvolvimento eu comecei a viajar pra
África e essa decisão eu não tomei de
fazer ela veio
naturalmente eu fui freelancer nessa
época porque existia um grande número de
revistas na França a gente se
apresentava vi o Sumário da revista que
eles precisavam a gente ia
fotografar e assim foi aos poucos eu fui
viajando também para pro niger fazer
fome no niger na Etiópia e aos poucos eu
fui ficando conhecido e finalmente eu
comecei a passar PR as revistas maiores
como par como Newsweek e o momento houve
uma oportunidade que eu fosse trabalhar
na Sigma que era uma agência nova que
tinha sido criada partir de uma cisão
com a agência Gama que era talvez a
maior agência e de fotógrafos de
atualidade do mundo não gostei muito aí
passei imediatamente para Gama entrei na
agência Gama onde eu fii 4
[Música]
anos não o negócio com com com bai é que
durante muito tempo para mim o tão era o
Indiana Jones não era o fato dele ser um
fotógrafo fazia fotos bonitas isso não
me tocou até até pouco tempo o que me
tocava era o que ele fazia né ele era o
cara que eh i descobrir conflito que é
ia entrevistar e fazer foto de movimento
de população e no Tad e época de
rebelião e
e entrou ilegalmente na
Etiópia E aí ele foi raptado pelo
movimento de guerrilha desapareceu
durante meses eh acabou voltando sempre
com histórias incríveis de lugares que
nunca ninguém vai né então isso para mim
que era que eu admirava do tão né que
era o fato dele ser capaz de de nesses
lugares todos que nunca ninguém ia e que
era uma coisa muito heróica né em 76
fiquei sem passaporte eu não podia mais
viajar eu não podia mais em lugar nenhum
né eu só tinha que ficar parado aqui em
Paris então a gência Gama me deu um
trabalho para fazer para fotografar o
primeiro torneio lancy Golf que era a
coisa mais jet7 mais sofisticada da
Europa que você podia imaginar Então eu
fui fotografado lá fotografando um
senhor a meu lado senhor de idade tudo e
começou a conversar ele viio meu ST
falou assim você é de que país eu falei
sou brasileiro conheço muito seu país eu
já fiz uma expedição pela Amazonas eu
puxa conheço a Amazônia inteira adoro
Amazônia e tudo e ele me perguntou e
você é fotó profissional F Sim sou uma
fotografia minha profissão virei para
ele e e qual é a sua profissão eu falou
ah eu sou o rei de todos os Belgas era o
Rei da belg no início minhas fotografias
incomodavam eu fazia uma foto o lembro
do balesteiros que é grande jogador e e
espanhol ele ia tão atacado eu fiz uma
foto ele parou e olhou para mim assim eu
fui destruído ali né mas depois que viia
Amigo do Rei Qualquer um podia bater na
bola podia fazer foto que não tinha
problema tal eu fiz todo o torneio e
tudo e o último dia do torneio tinha
Arnold Palmer que er o maior jogador de
de golf do planeta um americano
Ele foi ao segundo andar da Torre eo com
toda aquela Cúpula do Golf não é e
colocaram uma bolinha num ponto lá do
segundo andar ele deu uma tacada na bola
e onde a bola caiu fizeram um monumento
ergueram um monumento ao Golf então er
coisa então me deram a exclusividade da
fotografia o Arnoldo falei tudo bem
Arnold Tudo ótimo pode ir tal D atacada
eu faço a foto a foto Espetacular tudo
bem correndo a torre eo pego a minha
motocicletinha vou pra Gama para revelar
o filme pra gente distribuir para todos
os jornais para todos os agentes quer
fotó exclusivo aí eu começo a rebobinar
o meu filme rebobinar rebobinar
rebobinar e não sentia o aquele
barulhinho que faz o filme Quando acaba
você acaba de rebobinar falei gente tem
um probleminha entrei na câmara escura
abro não tinha não tinha filme na
máquina eu não fiz nenhuma foto e a
noite para fechar grande festa tinha uma
recepção no maior restaurante de parí
que a Tour darjan e eu o convidado para
trazer as fotografias para mostrar e
tudo eu tive que cheguei lá do tamanho
de um ratinho sabe escondendo um pouco
pelos cantos não sabendo como ia chegar
aí encontro meu amigo Rei Sebastião as
fotos eu falei assim olha seu rei teve
um probleminha eu não tinha fil na
máquina Ele morreu de rei chamou todo
mundo falou a acontece até com o
profissional não só com a gente todo
mundo esquece fotar o filme na ma aí foi
uma festa terminou em festa tudo mas
olha mas um momento difícil da minha
vida a Maria Zita me deixa Esses quados
às vezes atravessar aí eu saio acertando
ele aqui
Rodrigo são desenhos do do nosso filho
do Rodrigo que Rodrigo tem um Síndrome
de Down
mas Rodrigo é também pintor ele pinta de
uma maneira fantástica tem coisas
Fabulosas do
Rodrigo eu acho que para todas as
pessoas que tem um filho que tem
síndrome de Down é difícil no início né
e depois a partir de um momento você
começa a ver que tem uma solução sim a
solução é que não tem solução você tem
que viver com seu problema é seu é seu
filho a única coisa que você tem é afeto
a dar e a receber porque eles também
Mais e aí você passa a ter sua vida sua
vida passa ser uma vida normal
rica eu acabei de trabalhar na China
agora e levei o Rodrigo comigo nós
estamos preparando um livro sobre café
já 6 anos que Eu fotografo cada ano Eu
fotografo 15 dias para ir então como é
uma reportagem tranquila então levei o
Dio falei aqui nós podemos levar e olha
foi maravilhosa experiência com Rodrigo
nós trabalhava eu trabalho muito de 7 da
manhã 8 horas da noite o dia inteiro
Então eu saí pro campo com o meu
assistente Jaque barteli que é um
francês maravilhoso nós tivemos no sul
da China na Província de yunan e logo os
tradutores chofer enturmar com Rodrigo
sabe você dá um pouquinho pro Rodrigo
ele te devolve 10 vezes mais em afeto
Olha foi muito bem foi uma viagem
fantástica com o meu
filho eu acho que o Rodrigo
eh ajudou a nossa vida eu não posso
dizer mais só a minha mas eu l e tudo a
a vivermos de uma outra forma a
relacionarmos de uma outra forma com as
pessoas a a ter uma preocupação muito
grande
com a deficiência que estava em volta
que era ele mesmo estava dentro da nossa
casa então Possivelmente
essa convivência com o Rodrigo tem me
levado a uma a uma prática de um
trabalho social muito mais intenso
exatamente na época eu comecei a fazer
uns trabalhos com Médicos Sem Fronteira
na África que eu preparei vários livros
sobre a fome sobre sobre criança sobre
tudo então eu acho que essa
transformação da nossa vida levou a uma
outra maneira de eu fazer minha
intervenção de
fotografia Rodrigo ajudou
muito aqui
tem a foto do Eduard bub um grande amigo
fotógrafo que que hoje morreu já morreu
já tem já morreu tem uns 6 7 anos nós
fizemos uma troca de fotografias is é
uma foto feita na Holanda com muitos
anos atrás viu muitos anos só pode ter
ser feito nos anos 50 com os canais
totalmente gelados tá vendo os barcos os
canais gelados na h no inverno também
estando duas fotos do
Caon uma foto que ele ofereceu PR
Lelinha L para
mim em
1979 eu entrei na agência Magnum onde eu
passei 15 anos da minha vida foi muito
importante uma época muito importante na
minha vida porque aí eu tive
oportunidade de ter um Convívio com
fotógrafos que tinham Mega experiência
nãoé Como o George hoder foi um dos
fundadores da agência Magna Car bron
ainda tava Henrique Lessing e uma série
de fotógrafos da marg já tinham na época
mais de 60 anos que tinha uma maturidade
enorme e que me ajudaram muito na na
recentr da minha fotografia a para mim
foi um lugar onde eu aprendi muito mas
em
1994 depois de 15 anos na Magna eu saí e
nós criamos junto com a lélia uma
pequena agência de fotografias que é a
menor agência do mundo porque só tem um
fotógrafo Amazonas
imagem
proc dos
principais
[Música]
pregun hum
hum
hum cor
perfeito
soida eu tava fazendo uma uma reportagem
pro New York Times na Austrália e na
volta da Austrália eu queria voltar via
Pacífico não é via Califórnia pro pros
Estados Unidos e quando eu cheguei em
Nova York um amigo que era o editor de
fotografia do New York Times Magazine me
pediu para fazer uma uma história sobre
os 100 primeiros dias do re ele queria
que eu fotografasse eu cheguei na Casa
Branca numa sexta-feira no sábado eles
me ajudaram fiz toda a formalidade no
domingo eu já fotografei o rean que saiu
especialmente paraas fotografias mas na
segunda-feira ele tinha que fazer uma
conferência
pros presidentes de dessa empresa de
indústria de conção Americana no Hotel
Hilton de Washington e quando eu me
apresentei ao pessoal da Casa Branca
falou olha eu tem que ir falou olha
salgado a sua credencial paraa Casa
Branca tem problema nenhum aqui você
pode fazer tudo agora fora da Casa
Branca nós não depende da gente insisti
falou olha vão te dar um agente de
segurança vamos te dar um agente do FBI
que vai você vai junto eu falei então
vamos embora ele falou assim olha mas
você tem que ir no carro da segurança me
botaram dentro de um caminhão um
caminhão desses fechado um baú né e e lá
dentro devia ter uns 20 ou 30 agente de
segurança e foi muito engraçado que eles
gozaram da minha cara né meu sotaque
brasileiro de falar inglês aquela coisa
e Chegamos na casa branca com meu agente
o rean tava falando e eu fotografando e
nessa época eu tava fotografando em
corro não era um reportagem preto e
branco eu queria fazer uma foto dele na
saída do hotel ele falou só se corre
passando dentro do hotel eu falei vamos
embora aí saí correndo aí quando eu
cheguei na porta do hotel eu vi o
presidente já saindo eu tinha uma laica
uma M5 com uma lente de 50 mm eu
coloquei no olho para fazer a fotografia
que eu escutei os tiros falei você tá
acontecendo alguma coisa de grave mas eu
tava correndo eu continuei e aqueles
todos aqueles agentes que estavam
fazendo segurança eram meus colegas o
cavão estava então eles me conheceram me
deixaram entrar eu entrei no círculo do
atentado
então eu fotografei todo o atentado a
sequência que o atentado foi uma
confusão aquilo ali e quando terminou
não tinha mais uma gente de segurança os
carros sumiram os carros de segurança e
eu fiquei lá parado no meio da rua eu
não tinha um tusta no bolso nessa época
não tinha não tinha as caixas para você
trocar pegar o dinheiro né Eu eu tava
trabalhando na Casa Branca não levei
dinheiro deixei dinheiro no hotel
e eu não sabia de que lado que era Casa
Branca aí eu fui perguntando levei quase
uma hora para voltar pra casa branca a
pé e lá Eu telefonei pro New York Times
pro editor de fotografia e falou olha
seão você fez as fotografias talvez você
ten uma grande história da sua vida que
o presidente foi atingido ele tá muito
mal tá no hospital entre a vida e a
morte aí que eu me realizei realmente
que eu tinha tá dentro um atentado um
presidente dos Estados Unidos e não foi
interessante a sequência de fotografias
foi publicado em todos os jornais do
mundo eu financeiramente para mim foi
muito interessante agora é uma história
que eu não falo muito que eu não conto
muito eu não quero de forma alguma que
as pessoas me identifiquem Hoje não tem
mais esse risco mas na época que me
identificassem como o fotógrafo do
atentado do presidente R
eh essas fotografias foi publicada na
época e depois nunca mais eu tirei da
circulação quando eu comecei a trabalhar
eu não sabia realmente se era só preto e
branco ou se era cor eu eu tentei tudo é
claro que o preto e branco para mim era
mais fácil porque eu podia revelar eu
podia seguir todo o processo eu comecei
efetivamente com preto e branco na
realidade quando eu comecei fotografia
em 1970 eu tava na Cidade Universitária
aqui em Paris
e eu comecei a fotografar e a revelar
meus filmes e engraçado para você expor
corretamente o preto e branco você tem
que revelar E você tem que saber o que
que você precisa na hora de copiar em
cima do seu negativo a densidade do seu
negativo e você acaba aprendendo a espor
aprendendo a revelar a revelar em função
do do que você precisa é quase como
fazer a cozinha o pranto Preto você
acaba botando um pouquinho de sal um
pouquinho de pimenta do reino nãoé isso
um pouquinho de tempero aqui tudo você
acaba criando o seu tempero mas ao mesmo
tempo eu comecei fotografar em cor e
[Música]
a cor era muito complicado porque nessa
época a gente tinha que fazer
diapositivo a única maneira de você
copiar nas revistas apresentar nas
revistas tinha que apresentar um
diapositivo e as revistas trabalhavam a
partir do diapositivo o diapositivo
primeiro que é muito complicado para
expor diapositivo é produto final tem um
outro uma outra característica terrível
do diapositivo é
que o filme já vinha montado você
fotografava um filme de 36 posos vinha
montadinho nos quadrinhos e as fotos que
não eram você não consideravam muito
boas que não eram muito ní você jogava
fora você guardava só o o as as melhores
e você nessa brincadeira você perdia a
sequência então você não tinha mais o
histórico da sua fotografia na realidade
o histórico de um fotógrafo são as
pranchas de contato são uma sequência
que você pode seguir o que você fez não
é você vai olhando as várias pranchas de
contato você revive o que você
fotografou outra vez isso é muito
importante você ter essa essa vivência
eh eh da continuidade do que você fez as
emoções que você tem editando uma uma
sequência eh a partir de uma prancha de
contato são exatamente as mesmas emoções
que você teve no momento de fotografar
você vive as mesmas coisas e outra coisa
que me incomodava profundamente na cor
eram as saturações de cor eu tinha por
exemplo um vermelho que era
profundamente vermelho um azul que era
profundamente azul e quando eu olhava
uma foto que eu achava bonita mas eu só
olhava pro profundamente vermelho pro
profundamente azul eu não tinha aquela
Gama de Cinza que o preto branco me dava
que na realidade o preto e branco é uma
abstração mas naquela abstração eu
conseguia
ah sentir todas as Gamas de cor e ao
mesmo tempo me abstrair das cores me
concentrar
no tema que eu tava fotografando na
dignidade das pessoas não é isso na
na no no olhar eu eu conseguia me
concentrar
totalmente dando um pouco mais de Cinza
um pouco mais de preto um pouco mais de
branco concentrar no tema principal que
me interessava no esporte da fotografia
o que a cor não me permitia então aos
poucos eu fui abandonando a cor eu era
obrigado a fazer quando eu tava nas
agências de imprensa Porque nessa época
a gente tinha que fotografar a cor e
preto e branco eu tinha uma duas câmeras
com a mesma lente eu fotografava cor e
fotografa preto e branco o que hoje eu
lembro de fotografias Geniais mas estava
no lado da cor e que eu perdi quer dizer
o aquele momento decisivo às vezes
aconteceu com uma câmera às vezes
acontecia com outra então eu
perdi pelo menos 50% das oportunidades
fotográficas por causa da cor e eu só
pude viver exclusivamente do meu preto e
branco no final dos anos 80 Eu lembro
que a última reportagem em cor que eu
fiz foi em 1987 o aniversário da
Revolução Russa em Moscou foi a última
reportagem que eu fiz paraa Live
Magazine em Moscou e a partir daí eu
fotografei exclusivamente preto e
[Música]
branco eh nós ficamos fora do Brasil
muitos anos
tivemos problemas lá com a ditadura e
não dava pra gente voltar Nós entramos
numa lista de de pessoas não gratas no
Brasil não é isso eu não consegui
renovar passaporte Embaixada foi
complicadíssimo para renovar
eh eu e a lélia estvamos numa lista
negra então foi muito complicado tanto
que quando eu tomei a decisão de fazer
as fotografias sobre a América Latina
sobre outras Américas foi uma
possibilidade de eu me aproximar do
Brasil Eu lembro que eu tive uma
encomenda da anesti Internacional de
fazer fotografias no Chile e no
[Música]
Paraguai foram fotografias muito
difíceis para mim porque se eu fosse
preso no Chile que já na época do do do
pinochet ou se fosse preso no Paraguai
eu seria enviado de volta ao Brasil e aí
eu não sabia o que que podia me
acontecer que a repressão era muito
forte a tortura muito forte no Brasil
mas eu aceitei de fazer esse trabalho
Fui teria a oportunidade de eu voltar e
o pior que eu trabalhava com o inglês
que ele queria absolutamente se fazer
preso ele queria ser preso para para ele
era um currículo extremo Fantástico ser
preso no Chile ou ser preso no Paraguai
e e para mim era um medo terrível de ser
preso e ser enviado de volta ao Brasil
er brigas terríveis que eu tinha com o
inglês pro inglês se acalmar você
entende não se não se expor tanto como
ele se expunha mas enfim foi eu
trabalhando no Paraguai eu tive a
oportunidade de dar uma entradinha no
Brasil eu trabalhando em Peru Juan
cabalheiro a rua dividia com Ponta Porã
e eu pude entrar em pon Porã tomar uma
cerveja tá uma ligadinha para minha
família Olha foi um negócio assim
Fantástico e voltei várias vezes voltei
na Bolívia voltei no Equador que são na
realidade são países bastante diferente
da gente mas também com muito da gente
muito próximo é Nossa América Latina né
então foi aí que eu pude querendo voltar
próximo do Brasil criar um corpo de
trabalho fotográfico que eu acabei
fotografando oito nove países da América
Latina e depois completei com o Brasil e
fazer o meu primeiro livro de fotografia
chamado outras Américas em
1979 houve anesti
e final do ano de 79 e no dia 31 de
Dezembro de 79 eu voltei ao Brasil L
voltou 15 dias antes com os meninos que
eram pequenininhos a minha irmã e meu
cunhado me emprestaram um
Corcel e eu fiz todo o norte nordeste do
Brasil eu fui para Brasília subi a Belém
Brasília fui para Belém e vim descendo
no nordeste durante se meses entende
então eu vim me recarregando de Brasil
SA vi vendo no Brasil Outra Vez vim
vendo tantas coisas do Brasil que eu não
conhecia que eu tinha um sonho de
[Música]
conhecer isso foi a conclusão do meu
livro outras Américas que eu comecei
trabalhando no Equador Bolívia e fui
trabalhando em volta Paraguai e tudo e
consegui a conclusão no Brasil a partir
dessa época então eu pude entrar
fotografar no
Brasil nessa época eu trabalhei muito
com as comunidades eclesiásticas de base
com as fetag a Federação dos
Trabalhadores Rurais muito com o
movimento de resistência de
trabalhadores rurais no interior do
Brasil tanto que eu pude fazer um livro
depois com o movimento trabador sem
terra em
1996 onde eu utilizei muito dessas
fotografi o movimento não existia ainda
nessa época mas a base do movimento
nasceu nessa
[Aplausos]
é eu continuei voltando muito ao Brasil
viajei muito pelo interior Brasil
continuei fazendo um de trabalho a ponto
que hoje eu tenho um trabalho
considerável sobre o Brasil eu na
realidade eu sou um
brasileiro que aprendeu fotografia fora
do Brasil mas é claro que com a minha
herança cultural brasileira fez com que
a minha fotografia tivesse um toque
brasileiro muito forte sem ter a técnica
Brasileira de fotografia que eu não
aprendi no Brasil mas depois quando eu
pude voltar ao Brasil eu trabalhei e
trabalhei muito muito no Brasil
Points
vees você chega numa realidade chega num
ambiente e medida que você começa a
fotografar você começa a provocar uma
dinmica diferente aos poucos as pessoas
começam a integrar com a câmara com você
e a partir de um momento se são cinco
pessoas são 10 São 50 às vezes 100
pessoas estão todas ligadas ao seu
movimento de fotógrafo a sua fotografia
a sua aproximação delas aí você começa a
ter uma integração Total uma autorização
de todos para fotografar entende de
entrar existe uma mágica criada com com
com a lente então o ato de fotografar é
é um ato muito forte é um ato que na
realidade eh não é só o fotógrafo faz a
fotografia são as pessoas fotografadas
também que te oferece muito do que você
faz é essa relação que você mantém que
elas te dão mais ou te dão menos então é
uma coisa é uma coisa
interessante a BBC fez um filme sobre
meu trabalho e eles vieram comigo em
algumas reportagens aí o cara do bvc um
momento falou ass salgado Escuta aqui eu
tô cantando F Pois é você canta
fotografando eu não sabia que eu cantava
fotografando então quando eu tô
totalmente integrado a minha fotografia
eu canto você entende e na realidade a
canção também criava um um um ambiente
não é isso criava um movimento junto as
pessoas e criam até hoje na realidade
junta as pessoas e você consegue um um
trânsito você consegue flutuar você
consegue
e viver comidade agora é um prazer muito
grande você tem
livro salgado não eu acho que acabou
tudo os livros só tem o fot que tem
duas
salgado seada
ten em
1987 86 quando eu fui na Serra Pelada eu
tomei a decisão de fazer um trabalho
fotográfico todo em preto e branco que
se transformou num livro trabalhadores e
a Serra Pelada foi a primeira das
reportagens então com lélia nós tomamos
a decisão que eu iria fazer um trabalho
baseado na teoria do Marx sobre o o o
trabalho produtivo que me motivava
extremamente o fato de eu ter sido
economista sobre eh o fim da primeira a
grande revolução industrial focada no
trabalho produtivo um retrato do Mundo
do Trabalho antes que ele se terminasse
completamente onde que ele passasse a
ser outra coisa eu fiz o conceito de um
projeto um projeto em vários anos e fui
o primeiro projeto a longo longo prazo
que eu fiz então durante 5 anos eu ia
buscar na Índia eu ia buscar na China ou
ia buscar na Rússia parte do setor
produtivo que me interessava foi na
realidade
o primeiro grande trabalho
exclusivamente Branco e Preto que eu
fiz então eu cheguei na Serra Pelada num
Bandeirante e fiquei na Serra Pelada
mesmo eu fiquei primeiro numa
pensãozinha que tinha toda de madeira e
depois eu encontrei com padre do meu
pai que me convidou para ficar no
barraco deles então eu fiquei com eles
no barraco dormia numa
rede eu passei um mês na Serra Pelada
tive uma complicação muito grande quando
eu cheguei eu nasci em mores uma cidade
do Vale do Rio Doce
e
então o meu nome era associado ao Vale
do Rio Doce que na realidade a Vale do
Rio Doce é a proprietária de Todas
aquelas terras adjacentes e e o toda
aquela aquela região então existia uma
crença de que a Vale do Rio Doce ia
botar para fora todos os trabalhadores
exigi a saída dos trabalhadores e
explorar a mina de ouro então era a o
que se acreditava na Serra Pelada nessa
época entende o que não era verdade não
tinha nada a ver eu lembro que quando eu
cheguei pela primeira vez na beira
daquele grande buraco que devia fazer
aqui uns dois campos de futebol assim
num profundidade imensa já houve um
silêncio todo mundo trabalhando Você
entende alguém foi vendo não foi
comunicando com outro 5 minutos no
silêncio total depois uma vaia imensa
para mim eu compreendi depois quando eu
encontrei um compadre do meu pai que
falou olha tãozinho o fato ter chegado
lá de de Aimorés vem do Vale do Rio Doce
tinha similar a Vale do Rio 12 e tudo
mas aconteceu um fenômeno no mesmo dia
que foi muito interessante eu tô
fotografando o fato de hoje eu não tenho
cabelo mas na época eu tinha um cabelo
bem grande louro bigode meio Claro
marrom aquela coisa toda um soldado
falou assim gringo Cadê seu passaporte
eu falei assim eu não sou gringo eu sou
brasileiro não tem passaporte não eu
quero o seu passaporte e tal e começou a
discutir comigo eu falei que eu não
tinha eu era brasileiro e tal o cara não
facilitou paf me algemou me prendeu e
foi me arrastando [ __ ] os trabalhadores
viram que eu não era ligado à Vale do
Rio Doce nem ao poder nem a nada o cara
me prendeu E aí [ __ ] aí foi uma vaia ao
soldado e gritando xingando e o soldado
me levou quando voltei eu tava bem com
os trabalhadores também Resolve Meu
Problema partir daí eu não tive mais
problema para para trabalhar etade ali
aconteceu um negócio muito interessante
na Serra pela eh existia uma luta de
classe A verdadeira luta de classe ali
na realidade o soldado tinha um poder
porque ele representava o estado ele
tinha as armas não é impunha uma certa
ordem ali dentro e do outro lado você
tinha os trabalhadores potencialmente o
trabalhador er um milionário então ele
se sentia uma classe muitíssimo mais
alto que a Claus do soldado E o pior que
os soldados às vezes atiravam eles
matavam atiravam e tudo e aconteceu
muitos lixamentos na Serra Pelada o cara
atirava e ele tinha em volta dele 2000
trabalhadores cheio de pedra em volta
eles lapidam soldado lincham jogavam
pedra matavam a pelada bastante grande e
aconteciam vários desses conflitos
durante o dia né eu tive muita sorte
daquilo acontecer em frente de mim eu
fiz três fotografias quatro fotografi e
e tem aquela foto que aconteceu em
frente
do esse livro também foi editado no
Brasil pela companhia das letras a lélia
tem um astúcias Fabulosas para desenhar
os livros dentro das maquetes dela de
livro ela tem histórias e aqui a a
história Central desse livro é o navio o
navio na realidade Ele nasce numa mina
de carvão Ele nasce numa mina de mineral
de de de de Ferro né esse carvão e essa
esse ferro vem numa
Siderúrgica é transformado em aço e
esses esse aço ele acaba indo para e
estaleiros Navais né ISS quando a gente
começa a olhar um navio olha um navio tá
sendo criado aqui tá sendo
montado são placas de Aço nãoé todas
retas
e e aqui a gente pode ver não é as
partes do navio sendo montado né eoos
poucos vai tomando forma e um dia esse
navio
eh tem a forma perfeita e é lançado é
lançado ao mar e ele vai viajar ele vai
ligar civilizações ele vai ligar
sociedades esse navio roda o planeta
inteiro sem parar né Essas eles que
estão aqui atrás empurrando o navio e
passam de todas as águas todos os pó e
um dia esse navio perde a função ele não
é mais navio não é n ele vai morrer
então ele vem para essas praias olha
aqui o navio chega essas praias de de da
Índia do Paquistão do banglades qu tem
os grandes desmontes mundiais de navio
então ele ele é canibalizando o navio
então ele é transformado em tudo que ele
transportou até a hélice dele que é o
metal mais nobre que ele tem que é
bronze é transformado em em chaleiras
todas as chaleiras de chá do bangladesch
que são maravilhosas vem de hélice de
navio aquele escolar maravilhosos
daquelas mulheres do banglades são todos
provenientes de de de de bronze dos
navios são escolares maravilhosos e tudo
então o que é Fabuloso o navio é a
história central do sistema Industrial
Então eu acho que isso que é
interessante nesses livros de
fotografias nessas n coisas que é o
conjunto dessas coisas Não é só a
fotografia que é interessante é a
maneira de utilizar fotografia eh a
edição dessas fotografias a dedicação
total
torno da fotografia você poder criar no
fundo uma linguagem informativa completa
fotografia precisa de tradu você escreve
é universal é a verdadeira linguagem
Universal fotografia e para que essa
linguagem tem o poder de transmissão ela
tem que ser bem escrita tem que ser bem
apresentada bem feita e na
realidade você não precisa de
legenda fazendo trabadores
a ver que na realidade essa
transformação tinha sido provocada por
uma enorme revolução no mundo uma
reorganização do sistema produtivo
planetário que começou a criar
concentrações industriais por exemplo a
gente vê no Brasil São Paulo passou a
ser uma das grandes concentrações
industriais de toda a América não só da
América do Sul mas de toda a América
aquilo provocou uma deformação brutal no
Brasil um abandono um êxodos de
populações inteiras do Nordeste que
disfam para trabalhar em São Paulo do
interior de São Paulo
então uma cidade que tinha 3 milhões de
habitantes até nos anos 70 é isso passou
a ter mais de 15 milhões de habitantes
de um momento para outro né todo
provocado por essa concentração isso foi
verdade em estambul verdade na Índia em
Bombaim em Nova Deli verdade em Shangai
verdade
[Música]
então a gente tomou a decisão de fazer
um outro livro e que chamava êxodos
contando a história desse movimento de
população então é um livro que eu acho
não sei se eu ten uma cópia de jus aqui
ah tem tem uma cópia aqui
esse aqui aliás é a edição brasileira
companhia das letras do êxodos então
êxodos é exatamente essa história do do
do da reorganização da família humana
para contar essa história a gente
começou a ver a imigração do campo pra
cidade
eh a imigração entre país deslocamento
entre país grande deslocamento e um
deslocamento de de busca de de trabalho
busca de conforto busca de uma melhor
condição de vida não é isso os
trabalhadores desloc da África para
Europa da América Latina PR América do
Norte de parte da América Latina pro
Brasil imigração de
bolivianos na Ásia do Vietname em
direção a Hong Kong e por fora Fi aí e
também uma parte do deslocamento em
função de guerr
então durante 7 anos eu rodei no mundo
fotografando esse deslocamento de
população que criamos o livro
Os durante a época
que a gente tava terminando e
apresentando eu ainda tava fotografando
a gente começou a trabalhar no Instituto
terra a gente comprou a fazenda que foi
do meus pais no interior de Minas Gerais
e eu sou o único filho homem tem sete
irmãos
e meus pais queriam vender mas vender
para mim único homem PR gente PR terra
ficar na família então nós chegamos vios
aquela Fazenda completamente degradada o
que que nós vamos fazer dessa terra e
aléa teve a ideia da gente replantar a
floresta que tava lá hoje nós estamos
com 2 milhões de os plantados Sebastião
Salgado e lélia vanck salgado fundaram o
Instituto terra há 14 anos desde então
se dedicam à proteção da Mata Atlântica
o Instituto Terra promoveu o
reflorestamento de quase 6.000 ha de
Mata Atlântica em áreas desmatadas e
viabilizou o plantil de mais de 2
milhões de mudas de árvores chamamos
aqui então para receber o prêmio er os
senhores Sebastião Salgado e lel Avani
criadores do Instituto Terra bem-vindos
[Aplausos]
[Música]
[Aplausos]
parabéns nós estamos muito honrados que
o nosso no programa educacional tenha
sido premiado aqui muito
obrigado eu acho que o grande inimigo de
todo o sistema é a nossa maneira de
viver nós vivemos de uma maneira
completamente insustentável
Então essa pequena mensagem que a gente
queria passar e agradecer pela homenagem
que nós recebemos Muito obrigado então
nesse projeto Instituto Terra totalmente
ligada à natureza isso recuperação
ambiental a gente começou a ter uma
militância ecológica muito forte que
veio a ideia da gente fazer um outro
projeto fotográfico chamado Gênesis que
é o projeto que eu terminei de
fotografar agora projeto que tomou 8
anos da minha vida eu viajando durante 8
meses por
[Música]
ano consegui um conjunto de fotografias
mostrando que ainda metade do planeta
vive no dia do
gesis mostrar o planeta outra vez
mostrar o o lado puro do planeta mostrar
que nós Ainda temos a metade do planeta
que nós precisamos preservar nós
precisamos manter
[Música]
agora foi sesso foi maravilhoso porque
nós chegamos na na base da
funa ficamos uma noite e no outro dia de
manhã já tinha um grupo de zoé que foi
me levar para uma aldeia E aí nós fomos
Eles Têm umas nove ou 10 aldeias
pequenininhas os oes o grupo todo dos
oes são 270 pessoas e composto oito ou
nove aldeias e nós fomos de Aldeia em
Aldeia você entende em cada Aldeia eu
integrava vivia a vida deles Eles comem
em função da safra então época de macaco
come macaco época de porco do mato como
porco do mato época de peixe como peixe
então era época de macaco então era
muito interessante o cara escutava o
macaco gritar de um lado da manhã ali
falo quanto tempo tá olha o cara botava
a mão assim eu falei que hora que a
gente sai que hora que a gente chega lá
o cara mostrava assim o sol fazia assim
aí eu compreendia pô a gente saí à 5 hor
da manhã chegar 9 ent eram 4 horas de
marcha para você chegar nos macacos
então e andar com índio no mato não é
brincadeira não anda mesmo né e anda com
prazer e tudo e Mas você acaba se
adaptando também e andando igual índio
Então mas aí passa a ser sua vida também
n é passa aí Você rotar tás Car viver e
então o zoes para mim foi uma
experiência Fabulosa de um
povo feliz de um povo
Pacífico sem nenhuma ideia da
agressividade Caçadores
exímios eles vivem ligado àquela
Floresta ligado à água ligado à Terra
ligado às folhas ligado a tudo a
floresta como se fosse a pele deles
mesmo sabe tem uma uma simbiose Total
Então quando você vive isso um grupo é
de uma força de uma beleza é uma coisa
fantástica Então isso é muito
interessante esse Convívio com para mim
foi foi uma riqueza imensa imensa foi
com zoes que eu tive uma noção de
Paraíso realmente o
[Música]
paraíso eu acho que a gente é capaz de
se adaptar absolutamente a tudo a gente
saindo de uma condição de vida Ultra
sofisticada protegida que você quiser
você é capaz de se adaptar a uma vida
completamente ao oposto e relativamente
rápido mas para você fazer fotografia eu
acho para você que as fotografias T um
certo significado você
precisa dessa adaptação depois de uma
semana já é a sua casa não é isso
aquelas pessoas já são da sua relação
aquele ar já é o seu aquela água já é
sua você já volta para aquela comidinha
que alguém já tá fazendo aqueles cheiros
já são mais ou menos seus você se
identifica aquilo tudo passa a ser sua
Car casa eu lembro que o o ano passado
nós passamos eu passei com o Juliano na
na ilha de vangel que uma ilha que tá
bem no norte do planeta lá já dentro do
seu polar eh Ártico uma ilha difícil
linda mas um frio Infernal e nós fomos
no verão mas estava em torno de os5 mas
com um vento aquele vento entrava para
todo lado vamos fotografar Morse
fotografar o urso polar perigoso n
realidade a gente
acabou dentro de um de um contêiner
eh perto de uma praia onde estavam os
mortos rodeado de osso polar
perigosíssimo para você fazer um pipi
tinha que sair com um guarda Parque
atrás de você com a espingarda não é que
ele ia tirar nos ursos ele tem mas ele
tem bala de borracha a gente botava fogo
naquela lareiras né naquele aquecedor
Zinho levava madeira cortava enfiava ali
dentro
e aquilo ali que aquecia a gente que
fazia comida dava um vento a fumaça
voltava toda para trás no tubo daquele
negócio enchia aquele negócio de fumaça
olha era um inferno aqui troue dormia
mal entende fumia mal mas qu C dias
depois era sua casa você já voltava para
dentro daquilo com um prazer grande de
voltar sabe er um conforto de voltar
para dentro daquele buraco
[Música]
O que é Fabuloso no projeto Gênesis é de
que você encontra a toda a nossa
história a origem da nossa história
dentro dessa
fotografia eu tenho fotografado paisagem
tenho fotografado muito eh eh o mundo
vegetal o mundo animal sem ser os
animais que nós somos né os outros
animais e na realidade existe uma
maneira de se integrar com eles também
você acaba vivendo forte em torno de de
de de não só em torno de ser humano e
onde você eh Se integra também e tem um
prazer imenso fotografar não isso aqui
não pode ligar essa pode pode pode ah tá
aqui vamos lá e a gente teve essa
oportunidade de de fazer esses jacarés
os jacarés são Fabulosos
Olha tem uma fotografia do Juliano aqui
encostado no jacarés e deixa eu ver se
eu acho o jacaré se você chega
e escondido ele foge ele te vê
absolutamente ele já vai entrando na
água então você tem que chegar
e mais ou
menos aberto de preferência se colocar
de joelho PR chegar mais ou menos na
altura dele para ele não ter não ter
medo de você Você tá muito muito alto em
relação deixa eu ver se eu acha essa F
do Juliano que é uma fota interessante
para você ver a distância que a gente
pode chegar do jacaré Olha onde o
Juliano Tá vendo ele chega pertinho do
jacaré sabe jacaré Olha a distância
daqui do jacaré deve est 1 metro do rabo
desse jacaré ele tá aqui ele mas você
tem que vir na altura vem como o jacaré
você vem deitado você vem rastejando
você vem aproximando do jacaré e você
aproxima e ele tá te olhando sabe ele
fica curiosíssimo às vezes chega até
aproximar um pouquinho mais para te ver
mais de perto você tá aí vendo ele
também vem te vê você entende então é um
livro bastante grande um livro de 740
páginas um livro que terá 1 m não 50 cm
por 70 mas aberto passa a ter 1 m por
por 70 então aqui é é a sequência que a
Lele montou das fotografias que vão no
livro é isso aqui é foto feita na
Antártica é essa foto aqui também é
muito impressionante isso aqui é um um
parque nacional americano
eh muito muito muito bonito eu tive uma
sorte pegi uma tempestade de neve aqui
de de umas coisas fantástic essa outra
aqui é feita no
Canadá Parque de Glaciar no Canadá
interessante essa aqui nas ilhas
sandwich do
Sul é uma sequência que ela cri você
entende ela começa nos países do Norte
ela desce a África América Latina
Ásia nos países quentes depois ela volta
aos países frios outra vez termina com
os países frios de novo termina com os
países começa um pouco com os países do
sul os países do sul ent e depois
termina com
país
P então durante 8 anos que eu esse
projeto que eu fotografei eu tive um
grupo de revistas que me seguiram
publicando em S oit países diferentes e
que permitiu a gente obter os fundos
para fotografia nós tivemos também um
espor brasileiro para esse projeto que é
a compania V do RV e que participou
no no financiamento das reportagens e
vai ser o nosso expor pras Exposições no
mundo inteiro
aqui são as pranchas de contato isso
isso para mim é uma base do meu trabalho
não sei P uma qualquer aqui
n tem uma série isso aqui já é do
projeto Gênesis isso aqui feito no no
ano 2006 a história número 4 a prancha
de contrato
363 então aqui todas essas fotografias
que estão marcad em vermelho eu eu
copiei essas fotografias foram editadas
né
e depois aí aí vocês pegam aqui nessas
caixinhas aqui eu tenho as todas essas
fotografias estão aqui né foram copiadas
e e e são são essas são minhas cópias de
leitura são a minha referência do meu
trabalho
eu devo ter aqui Ness cada caixa dessa
tem mais ou menos entre 2500 e 3000
fotos cada caixa dessa aqui eu devo ter
aqui em torno de entre 400 e 500.000
fotografias copiada embaixo estão os
filmes da época que eu ainda trabalhava
com filme O que não tem muito tempo nada
porque eu parei de trabalhar com filme
há 3 anos e meio só aqui eu tenho todos
os meus filmes estão todos aqui dentro
dessas dessas dessas caixas aqui olha
esse aqui foi realizado em 1989
a história número um filme 196 então
Eh aí estão todos os meus filmes Peg uma
caixa atrás da outros são todos hiper
organizados todos aam então o digital
para mim mudou muita coisa e mudou ao
mesmo tempo muito pouca coisa na
realidade é muito mais fácil para mim
hoje fotografar com digital quando eu
viajava com a câmara de filme no início
do projeto Gênesis eu levava na mão
entre 28 e 30 kg porque eu tinha que
levar 600 rolos de filme que era uma
quantidade razoável de filme que se eu
fosse para algum local e ficasse
bastante tempo eu tinha que ter filme
então era uma briga Todas as viagens
primeiro com a segurança no aeroporto
para não passar no raio x olha eu era a
primeira pessoa a est na fila para
entrar no avião porque tinham que
Verificar meus filmes e na realidade eu
era o último a entrar no avião até eu
tiar aqueles películas todas verificar
uma por uma na mão era uma tensão
permanente então isso me facilitou muito
a vida porque hoje numa caixinha que
pesa menos de 1 kg eu levo muito mais
material do que isso você entende hoje
eu levo tudo na mão como todo mundo eu
passei a ser um cidadão normal outra vez
todo o processo de laboratório era um
processo muito sujo
muito profunda poluição a quantidade de
ácidos que você tinha que usar para
revelar os filmes depois você tinha que
jogar esse fixador revelador que são
ácidos todos no esgoto né isso caía na
rede pública isso acaba poluindo as
águas infilando no solo é é muito sujo
né isso para mim terminou mas o meu
processo quando eu falo aqui n na
realidade mudou muito e não mudou quase
nada É que eu não sei editar num
computador eu não sei olhar pra tela do
computador escolher minhas fotografias
aí eu não sei eu me perco completamente
então Eu
fotografo volto e aquelas cartas são
descarregadas aqui nos computadores e
meu assistente os assistentes fazem para
mim prancha de contato depois que eu
escolhi eles me fazem as cópias de
leitura depois me fazem 2430 me quase 30
40 do mesmo jeito exatamente do mesmo
jeito que eu sempre trabalhei na
realidade eu só mudei um suporte
plástico profundamente poluidor para um
suporte digital
[Música]
nó V copiar umas 400 mais ou menos
Pantanal para depois selecionar aqui
umas
20 e na exposição vão entrar quantas
vamos cim
mas pressas cinco fota é um trabalho de
quanto tempo Ah isso aqui uns 40 dias no
Pantanal isso aqui são os as montanhas
de arenito que tem na Serra do amolar no
fundo do Pantanal a partir logo depois
daqui já é bol o Parque Nacional do
Pantanal até
aqui por enquanto são só fotografias
aéreas e depois aí eu entro nos nos
animais
ce monsieur là Il a Il a un Visage Plus
moderne mais celui-ci Il est vraiment
ancien pe on peut garder CD Pour les 30
mais Il faut chois une seulement Pour
mais Sera Plus fac oui oui
d'accord je
vois fois mieux
Pour
oui que les autres pas du tout
TRS
jol
[Música]
fond Photo TR cette
Lumi tout Belle phot
je trve trss
beau IL
pos Il est Plus penché
[Música]
[Aplausos]
ouis vem cá deve ser difícil voltar
também né Você fica tão integrado que
vol volta não não é difícil voltar não e
na realidade você volta pra sua tribo
não é aqui é minha tribo minha mulher
minha tribo meus filhos minha tribo você
entende as pessoas com quem a gente
trabalha junto então você volta também
para um grupo Na realidade eu acho que a
história do ser humano é história da
comunidade humana
[Música]
oua
bage va écoute va bien anniversaire de t
grandre
demain
ou écoute va être demain début
d'i os meus livros as minhas Exposições
Foi a que desenhou Foi a que fez então
na realidade não é só mais a minha vida
é a nossa vida os nossos filhos o
Juliano Hoje faz filme trabalha no
cinema é também uma pessoa da imagem o
Rodrigo pinta desenha e tudo então
nós dentro da nossa vida Eu que vim num
uma família de de produtor rural que
nasci no campo passei a a criar uma
família e ter uma família hoje de
pessoas demais pessoas de comunicação
zamb é Ciência e com consciência só ter
paciência que eu chego até
lá sonó na madeira lenha na fogueira que
já vai pegar ser fogo que fica ninguém
mais apaga é apaga da Praga que eu vou
te rogar devagar sonou na madeira lenha
na fogueira que já vai pegar ser fogo
que fica ninguém mas apaga é a paga da
Praga que eu vou te rogar
eu sou é madeira em samba de roda já dei
muito nó em roda de samba sou
considerado de chinelo novo brinquei
carnaval Carnaval sou é madeira meu
peito é do povo do samb da gente e dou
meu recado de coração quente não ligo a
tristeza não fura eu sou
gente sou é madeira trabalho é besteiro
o negócio é sambá que samb é Ciência e
com consciência só ter paciência que eu
chego até
lá Son na madeira lenha na fogueira que
já vai pegar
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