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Ponto Cego* - 1963 *tradu��o livre.
- � voc�, querida? - Sim, Paul.
Pensava que iria diretamente na casa de Margo.
Pensava fazer isso, mas passava por aqui e quis vir ver como estava.
�timo.
- Havia outro motivo. - Sim?
Dinheiro.
Prometi a Margo emprestar dez libras e esqueci de fazer seu cheque.
- Tem algo em dinheiro? - Sim.
Margo sempre est� no mesmo no fim do m�s.
Sempre est� quebrada.
Obrigada, querido.
At� logo.
N�o demore.
Tentarei, mas sabe o que acontece quando mulheres come�am a conversar.
Sim.
Adeus.
- Por que demorou tanto? - Sentia-se s�.
Conseguiu o dinheiro?
Iremos jantar por cortesia do meu generoso marido.
Como pode gostar disto?
Elimina toda a emo��o de beber cerveja.
Sa�de.
Por meu marido e pelo dinheiro dele.
Querida, aproveitaria mais este momento se n�o me lembrasse quem paga tudo isto.
� melhor se acostumar com a ideia, Ricky.
Isto poderia durar algum tempo.
Claro.
Oh, vamos.
Isto ter� sua compensa��o.
Voc� � a compensa��o.
Querida, Paul era cego quando se casou com ele?
Pensava que n�o queria falar de Paul.
N�o quero falar do dinheiro dele.
Era?
Sou esposa dele, Ricky.
N�o posso abandon�-lo assim.
Por que n�o?
Porque se fizesse isso,
ser�amos n�s que pagar�amos o o jantar desta noite.
Querida, pensou alguma vez que esse sentimento seu poderia ser...
...um complexo de inferioridade?
Vamos � casa de campo.
Paul?
- Paul! - Aqui fora!
Ol�, querido.
- � um pouco tarde para estar aqui fora. - Estava lhe esperando.
Esteve bebendo, n�o?
Pensava que estava trabalhando.
Trabalhando?
Resisti tr�s minutos e meio de m�sica comercial,
se a isso se pode chamar de m�sica.
Comp�e boas can��es.
T�m muito sucesso.
Pode ser que tenham sucesso, querida,
mas n�o necessariamente t�m que ser boas.
Trarei algo de beber.
N�o se incomode, eu vou.
N�o, n�o, n�o. Sente-se.
Posso fazer isso perfeitamente.
Eu sei, Paul.
- Tenha cuidado! - Estou bem.
Sei exatamente onde est� qualquer coisa deste apartamento.
Demorei tr�s anos para aprender.
Eu sei, Paul.
Mas quando bebe muito fica um pouco inst�vel.
Essa mesa est� muito baixa.
N�o se preocupe, querida. Posso me ajeitar.
Paul, vou deixar voc�.
De que diabo est� falando?
Eu lhe disse, voc� n�o se lembra? No casamento.
O casamento de John. O que disse que n�o iria.
Oh, sim, eu me lembro.
Paul, que faria se lhe deixasse?
Provavelmente pularia desta varanda.
Que faria de verdade?
Deixaria voc� sem um centavo.
Ah, realmente.
Falo s�rio!
Voltaria quando precisasse de dinheiro.
Voc� tem uma �tima opini�o da sua esposa, certo, Paul?
Somente brincava, querida, como voc�.
Estou cansado.
Acho que vou dormir.
Enquanto acabe o drinque, sentarei para ver as estrelas.
N�o demore.
Joan!
Ol�, Paul.
Estou no terra�o. Traga-me a correspond�ncia, sim?
Sim, sim, est� bem. J� vou.
- Bom dia. - Ol�.
Sirva-se de caf�.
N�o, obrigada.
Algo importante no jornal esta manh�?
Dormi muito e n�o escutei as not�cias.
Nada importante.
Como foi o concerto de Carl Mayer ontem � noite no Festival Hall?
Sim, aqui est�.
"O concerto de Carl Mayer foi virtuoso.
Uma noite inesquec�vel.
Bom para Karl.
- Algo mais? - N�o.
Aqui h� meia d�zia de cartas de f�s.
Quatro delas solicitam uma fotografia.
Paul Gregory, o novo �dolo de adolescentes, hem?
Eu cuidarei disso.
E uma carta de Mike.
Que diz?
"Conseguimos ter 'Onde voc� vai',
que nos deu um grande n�mero de produ��o...
...no show de televis�o do dia 18."
Bom, algo mais?
N�o, nada mais.
"Esperamos lhe ver na sess�o de grava��o de "Ponto Cego" esta tarde."
Manda lembran�as para Anne.
N�o sei por que odeia Anne.
Sempre fez isso.
Mike � um bom representante.
Gosta de ver todos felizes.
Bem, Ronnie, quer voltar a escut�-la?
N�o fiquei muito satisfeito com ela. E voc�, Paul?
Acho que � muito lenta, Ronnie.
N�o aguenta esse ritmo.
Fazemos outra tentativa?
Est� bem.
Est� bem, companheiros, uma vez mais.
Desta vez "mui alegro", hem?
Vamos ver como vai.
# H� um desvio, h� uma rua.#
# H� algu�m que deve esperar e que ela n�o conhecer�. #
# Ningu�m a conhecer� #
# Escolha o lugar, #
# um ponto cego. #
# Abrace forte entre seus bra�os #
# Agora � o momento... #
# ...para usar seus encantos. #
# Ela nunca saber�. #
# Ningu�m querer� que ela o cuide em um ponto cego. #
# Terminamos nos amando em uma estrada acidentada. #
# Signific�vamos muito um para o outro. #
# E todos os dias do ano... #
# ...direi a ela o quanto eu a amo. #
# Toda nossa vida diremos... #
# ...que encontramos o amor nesse dia t�o feliz. #
# Gra�as a Deus que ningu�m a quis...
# ...naquele ponto cego. #
Bom, Ronnie. Obrigado, companheiros.
- Satisfeito, Paul? - Sim, esteve bem.
Encabe�ar� as listas de sucessos, est� destinada a isso.
Essa � a boa, Ronnie. Quer voltar a escut�-la?
N�o, estou satisfeito com ela, Paul.
Esteve brilhante, Ronnie.
Tome um drinque...
N�o, vou embora. Tenho uma sess�o esta tarde.
- Vamos nos ver em Elstree. - Est� bem. At� logo, Ronnie.
- Mike. - Sim?
Venha em casa tomar um drinque.
Tentarei escapar antes que poss�vel,
mas Paul sempre � dif�cil depois de uma sess�o de grava��o.
Gosta de reclamar da inefic�cia do que faz.
Sim, querido, Tamb�m sinto saudade.
Est� bem, adeus.
Sirva uns drinques, Joan.
- Ol�, Paul. - Ol�, querida.
Que tal a sess�o?
Sensacional. Vento em popa. Tudo vai direto ao sucesso.
N�o precisa nos vender nada, Mike.
J� somos pessoas adultas.
Fale nosso idioma para variar, hem?
Como quiser, Srta. Annie.
Parece que com voc� nunca vou pelo caminho certo.
Isso � o que acho.
� muito engra�ado, mas mas ainda assim prefiro nosso idioma.
Prefere, isso, hem?
Parece uma ideia boa. Uma ideia espl�ndida.
O que voc� acha de aparecer na TV e essas coisas todas, hem?
Mike, est� me dando dor de cabe�a.
� esta voz que tenho... Mike, fa�a-me um favor, sim?
Cale-se, Mike!
Por que n�o acalmam os dois?
Cada vez que os veem, sempre acontece o mesmo.
Se n�o podem falar de modo civilizado, n�o o fa�am.
Parece que Mike deixa voc� sem g�nios criativos.
Aonde vai?
Fora, nos vemos depois.
Sinto muito, Paul. N�o resisto a tenta��o, sabe.
Obrigado, querida.
- Ol�, querida. - Ol�.
Veio antes do que pensava.
Foi mais f�cil do que pensei.
- Como vai? - Bem.
- � muito bonito. - �.
Gostaria de lhe pintar agora mesmo.
Tal como vai.
Muito bonita.
E por que n�o faz?
Eu n�o conseguiria me livrar dele.
E devo vender para ganhar dinheiro.
Poder� vender este?
Sim, � o que as pessoas querem.
Algo an�nimo.
H� uma maneira que poderia me pintar.
Sim? Como?
Eu diria a Paul que quero que me retratem.
Ele lhe daria uma comiss�o por fazer isso.
Para qu�?
Voc� n�o poderia ver.
Ele faria isso por mim.
Al�m disso, daria uma grande chance de estar juntos.
Uma ideia muito inteligente.
Porque sou uma garota inteligente.
Oh, a bandeja das x�caras de caf�.
Dois de a��car, s� e r�pido.
Sinto muito, Paul.
Paul, por que n�o continua e termina o concerto?
Os concertos n�o pagam o aluguel, as can��es populares, sim.
Tente de novo.
Lembre-se que sei quanto dinheiro tem no banco.
Est� bem.
Concertos s�o um trabalho �rduo e sou bastante pregui�oso.
Sim, prefiro isso.
Ainda assim, � uma pena ver tanto talento desperdi�ado.
Joan, n�o estar� se envolvendo demais comigo, verdade?
Que insinua?
Sabe perfeitamente.
Voc� tem esperan�as demais, Paul.
Eu gosto, isso � tudo.
Se isso � tudo, ent�o n�o tem de que se preocupar.
N�o estou preocupada.
Porque estou apaixonado por minha esposa.
Fico feliz por voc�.
Eu estou apaixonada por voc�.
Desculpe.
Mas n�o estou em situa��o de lhe corresponder.
Admiro muito a sinceridade em um homem.
Sobretudo quando faz com tanto tato e compreens�o.
S� esperava tranquilizar os �nimos.
Sim.
Estou pronta para trabalhar quando voc� estiver.
N�o me permite tomar minha segunda x�cara de caf�?
Est� na mesa.
Minhas ordens s�o para manter as fun��es de secret�ria.
Se quiser uma gar�onete, contrate.
Que noite quer vir conhecer Paul?
Conhec�-lo?
Eu n�o quero conhec�-lo.
Ter� que fazer isso.
Ele vai querer falar com voc� sobre o retrato.
Para qu�?
Qu�?
� um homem que gosta de valorizar o dinheiro.
Vai querer ter certeza que pinta o tipo de retrato pelo que paga.
N�o tenho certeza de querer o dinheiro t�o desesperadamente.
Oh, Ricky.
N�o se trata s� do dinheiro.
Sim, suponho que tem raz�o.
Mas prefiro n�o ter que conhec�-lo.
Oh, vamos.
N�o � para tanto.
- Anne? - Ol�, querido.
Quem est� com voc�?
Oh, algu�m com quem esbarrei na casa de Margo v�rias vezes.
Ricky Sullivan.
Ricky, este � meu esposo Paul.
Ol�.
Muito... Muito prazer.
Servirei um drinque, Sr. Selden.
Pode cham�-lo de Ricky, Paul.
Oh, claro, Ricky.
Que quer tomar?
U�sque, genebra?
Um pouco de u�sque, obrigado.
Gelo, �gua?
S� gelo.
Que vai tomar, Anne?
N�o quero nada, obrigada.
A prop�sito, acabemos com isto.
N�o deixe que minha cegueira lhe preocupe.
Eu consigo muito bem.
J� percebi.
O que voc� faz, Ricky?
Por isso est� aqui, Paul.
Ricky � pintor.
Oh, quer pintar o apartamento outra vez?
- � um artista, querido. - Oh, desculpe.
N�o tinha percebido.
� uma mania que tenho.
Tento adivinhar o que as pessoas fazem por suas vozes.
N�o h� nada.
N�o tem ideia como ajuda a avaliar as pessoas...
...por sua roupa, suas m�os, seu sapato, seu corte de cabelo e essas coisas.
Comigo � como escutar o r�dio toda hora.
Paul.
Gostaria que Ricky pintasse meu retrato.
Est� especializado, em pintar retratos?
Quando posso.
Soa melhor.
D� uma olhada neste.
Que acha?
� bom, muito bom.
Foi tirado de uma foto minha quando ganhei o trof�u Silverwood.
Fico feliz em ter a opini�o de um perito.
Nunca o vi.
Isso aconteceu antes de eu terminar.
- Podemos falar de outra coisa? - Claro, querida.
Minha esposa sempre se incomoda de falar da minha cegueira.
Voltemos ao retrato de Anne.
Pinta muito?
N�o, n�o tenho comiss�es suficientes para trabalhar.
E por que isso? Voc� n�o � bom?
Querido, sabe que isso nem sempre adianta.
Desculpe.
Quanto voc� cobra?
Isso depende.
Cerca de 300.
Libras ou guin�s?
Guin�s.
Est� bem, Ricky, v� em frente com ele.
Obrigado.
Demorar� muito?
Uma semana.
Oh, que rapidez!
- Trabalhar� aqui? - Oh, n�o.
Ricky tem um ateli� em Buckinghamshire.
- Quer trabalhar l�. - Bem.
De qualquer modo aqui n�o h� espa�o suficiente.
Eu abro.
Ol�.
Bem.
E a mala?
N�o sei de que fala, que mala?
� que vem aqui com tanta frequ�ncia que talvez tenha pensado em se mudar.
Direi o que farei.
Pensarei.
Enquanto isso, tenho assuntos importantes a falar com seu esposo.
Posso entrar?
Como n�o.
Obrigado, querida.
Ol� papai.
Como vai meu compositor favorito?
Tendo a noite livre.
Mike, quero que conhe�a Ricky Seldon
� um artista.
Ricky, este � Mike Williams, meu representante, agente e amigo.
Oi..
- Que tipo de artista, um cantor? - Pintor.
Pintar� o retrato de Anne.
Espero que seja favorecida.
E... muito boa sorte, amigo.
Paul, deveria ir e deixar que fale de seus assuntos com seu representante.
Al�m disso, prometi a Ricky lev�-lo em casa.
N�o tem carro?
Que tipo de taxa voc� cobra?
Como lhe disse, Paul, s�o poucos e distantes uns dos outros.
Sim, voc� disse.
Quando come�a?
Por que n�o amanh�, se voc� acha?
Bem.
Vou sentir falta de ter minha esposa por perto.
Quanto antes comece e antes acabe, melhor.
S� estarei fora durante o dia, querido.
E s� ser� uma semana.
Verei voc� por toda a minha vida.
At� logo.
- Adeus, Paul. - Adeus, Ricky.
Que acha?
O artista?
N�o sei.
Mas direi uma coisa.
Ent�o voc� pode me dizer para cuidar da minha vida, se quiser.
V� em frente.
Eu diria que voc� tem um claro caso de paix�o por parte de sua esposa.
E quer saber algo mais?
Eu diria que ela gosta disso.
� poss�vel, quase todas mulheres fazem isso.
Mas confio nela... por completo.
Esteve muito calado.
Que houve, Ricky?
� que me sinto indignado, nada mais.
Comigo?
N�o.
Comigo mesmo.
Sobre Paul?
Eu tenho pena.
Assim � como eu me sentia � alguns anos.
Tem ideia do que � viver com algu�m que vai e vem continuamente,
quando o �nico sentimento que tem � pena?
Querida, n�o seria melhor que o deixasse?
Suponho que sim.
Mas n�o posso.
J� lhe disse por qu�.
Pelo dinheiro.
Ricky, tente entender.
Querida, eu entendo.
� que eu nunca tive dinheiro.
E se eu tivesse, provavelmente n�o gostaria de desistir t�o facilmente.
A� o tem.
Voc� n�o tem dinheiro e � livre.
Mas eu tenho dinheiro, e estou presa.
Oh, querida, n�o est� presa!
E como chamaria isso?
Asfixia-me.
Chego � conclus�o que gostaria de v�-lo morto.
- N�o fala s�rio. - Ah, n�o?
Daria o que fosse para me livrar dele.
�timo, e por que n�o p�e umas gotas de veneno no ch� dele?
Sempre pode dizer que ca�ram por acidente.
Todo mundo sabe que Paul bebe muito.
E que sai � varanda quando bebeu demais.
Todos seus amigos avisaram a ele.
Tomarei isso como uma piada.
O terra�o tem uma grade muito baixa.
Seria f�cil empurr�-lo por ela.
Ent�o eu seria livre e poder�amos estar juntos.
Onde?
Balan�ando de um lado para outro na forca?
Oh, vamos, Anne. Est� cansada.
N�o fala s�rio e sabe disso.
Sim.
Desculpe.
Acho que estou cansada.
Mas quero que estejamos juntos.
Eu tamb�m, querida.
- Ol�, querido. - Ol�.
Desculpe o atraso.
O tr�fego est� pior cada dia.
- Voc� sentiu minha falta? - Sim, muito.
Como vai o retrato?
N�o sei, n�o me deixa v�-lo.
- Parece um artista ciumento. - Algo parecido.
Tem que ir amanh�?
Prometi que iria, Paul.
Est� desejando acabar.
Ficarei feliz quando essa maldita coisa esteja terminada.
Agora parece um compositor ciumento.
- Que aspecto tem? - N�o est� mal.
- � bom de ver. - Bonito?
Suponho, se gostam desse tipo.
E a voc� n�o?
N�o pensei nisso.
Estou feliz com o que tenho.
- Bastante feliz? - Muito feliz.
- Certeza? - Claro.
Desculpe, Sra. Gregory, n�o sabia que havia voltado.
Esqueci de pegar essa c�pia de "Ponto Cego" para Larry Parsons.
Lembra-se, Paul?
Disse que queria v�-la.
Haver� um grande esc�ndalo se decidir toc�-la.
Sim, �timo.
Bem, j� vou embora.
Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite.
- Paul. - Sim?
Talvez seja minha imagina��o,
mas acho que ela est� come�ando a gostar de voc�.
� poss�vel.
Ainda n�o perdi todos meus dentes.
Sempre e quando se lembre.
� meu... s� meu.
- Ol�, Ronnie. - Ol�, Barry.
- Fico feliz em lhe ver. - E eu tamb�m de ver voc�.
A �ltima vez foi em Luxemburgo, acho, em um de meus programas.
Sim, foi assim.
- Que acha deste n�mero? - Eu gosto. Acho que � muito bom.
De fato, acho que � um dos melhores de Paul Gregory.
Creio que est� muito bem.
Gosto muito.
Como se chama? Deixe-me adivinhar.
"Aonde vai?"
Um onze em dez.
Obrigado.
Aqui est�, senhoras e senhores,
Se conseguirmos mant�-lo acordado por tempo suficiente,
Ronnie Carroll.
Sensacional!
Que maravilha acabamos de escutar.
- Ronnie � muito bom. - Fabuloso � a palavra apropriada.
Joan, des�a ao camarim de Ronnie...
...e diga a ele para nos encontrar no bar quando ele se trocar, sim?
Sim, John.
Voc� fez muito bem, Paul.
Paul.
Paul, h�...
H� algo que venho esperando para lhe dizer.
Levo o dia todo esperando esta chance.
V� em frente!
Pode dizer que n�o � da minha conta,
pode at� me dar um soco no nariz,
mas acho que deveria saber.
De que se trata? Diga logo, pelo amor de Deus.
Estive jantando no Ricardo's na outra noite.
E?
E ela estava l� com esse pintor, com esse tal de Ricky.
N�o se comportavam precisamente como desconhecidos,
se sabe ao que me refiro.
Ela me disse que pensava ir na casa de Margo.
Sinto muito, Paul.
N�o tinha que ter dito nada, a menos de ter certeza.
Eu sei, Mike.
Mas...
O de bater no meu nariz continua valendo.
Des�a ao bar. Eu irei em um momento.
Tenho que fazer uma chamada importante.
Est� bem.
- Sinto muito mesmo, Paul. - Eu sei, Mike.
Al�, pode me passar com o restaurante Ricardo's em Greek Street, por favor?
O n�mero de reserva.
Quero falar com o ma�tre.
N�o d� ouvidos a ele, Paul, tenho certeza que ser� fabuloso.
- Ao retrato. - Ao retrato.
Creio que j� brindamos por tudo.
Oh, n�o. Esquecemos do mais importante!
O homem que fez tudo isso poss�vel, o Sr. Martel.
- Viva a Fran�a! - Viva a uva!
Mais um gole e n�o serei capaz de dar uma pincelada.
N�o, n�o, n�o, n�o.
S� mais um. Ser� o �ltimo, eu prometo.
Gostaria de propor um brinde por minha esposa.
Por sua generosidade, compreens�o, toler�ncia e amor.
Por Anne.
Por Anne.
Diga-me, Ricky, como vai o retrato?
Que express�o voc� escolheu para captur�-lo na tela?
J� est� constitu�do.
� um lado do rosto e ela olha ligeiramente para cima.
Olhando as estrelas, talvez?
Essa � a maneira que me lembro dela.
Olhando as estrelas com os olhos ligeiramente fechados...
...e uma express�o intrigante no rosto.
Embora ela esperasse que uma delas ca�sse...
...e sussurrasse para ela os segredos do universo.
N�o � assim exatamente.
� dif�cil explicar a atitude exata com a que quero retrat�-la.
Oh, naturalmente.
N�o � escritor, � artista.
Sua especialidade s�o as cores e as formas.
Anne.
Posso te dar outro conhaque?
Para mim n�o, Anne.
Creio que devo ir embora.
N�o quero perder a luz do entardecer.
Ricky est� impaciente para terminar este retrato.
Sabe? Antes de come�ar a compor,
n�o podia entender como um homem que cria algo,
chega a estar t�o envolvido com sua cria��o.
Paul.
� uma obsess�o, Ricky.
Seja artista, escritor ou compositor.
Deve chegar a ser parte do que est� fazendo.
Acho que est� dramatizando as coisas um pouco, querido.
Estou de acordo com Anne.
N�o me envolvo dessa maneira com meu trabalho.
Pinto porque gosto.
A �nica vez que estou infeliz...
...� quando n�o tenho dinheiro suficiente para pagar o aluguel.
Ent�o n�o � artista, � um comerciante.
Vende seus quadros para pagar o aluguel...
...e descobrir sua fuga emocional em outro lugar.
Paul, isso foi muito cruel.
Essa era minha inten��o.
O que me incomoda, Ricky, �,
onde encontra sua fuga emocional.
N�o preciso dela.
Nem todos n�s somos t�o distorcidos por dentro.
Por exemplo, o que diz sobre os trabalhadores da linha de montagem?
Eles dependem de um pouco de cola em cada peda�o de madeira para continuar.
De onde eles tiram suas fugas emocionais?
De casa, com suas esposas ou suas namoradas.
Ou das esposas de outros.
Que significa isso?
Significa que quando l� no jornal...
...que o leiteiro fugiu com a esposa d vig�rio,
pode parecer engra�ado para voc� e tr�gico para o vig�rio.
Mas para o leiteiro � a maneira de compensar o mundo...
...por todas as manh�s que tem que dizer: "Bom dia, senhora".
Eu vejo o jovem Johnny voltando do internato,
...isso estar� a duas caminhadas de Jersey pelas pr�ximas duas semanas.
Prefere que n�o continue com o retrato?
N�o, n�o, n�o, continue com ele.
Gostaria que ficasse com voc� esta tarde, querido?
N�o, n�o, v� com Ricky.
A caminho da casa de campo, pode explicar a ele...
...que eu �s vezes me comporto desta forma.
Mas n�o estou realmente falando s�rio o que digo.
Est� bem, querido.
Como quiser.
Adeus.
N�o demorarei.
Quando est�vamos no terra�o, ela o beijou, verdade?
- Verdade? - Sim.
E que fez mais?
Paul, tenho certeza que n�o quer todos os detalhes.
Isso � exatamente o que quero.
Posso tomar um drinque?
Sirva-se.
Estou esperando.
Que fez, acariciar seu cabelo, sentar-se em seu colo?
Vamos, diga-me!
Ela est� apaixonada por ele.
Eu acho que est� comprovado al�m de qualquer d�vida,
que j� n�o est� apaixonada por mim.
Sirva-me um drinque tamb�m.
Paul, j� bebeu demais.
Um u�sque... duplo.
Sabe o que detesto mais que ser cego?
N�o poder ver minha esposa de manh� sem maquiagem.
Com seu cabelo e seus rolos.
S� posso me lembrar que era muito bonita.
Quero v�-la feia.
Quero odi�-la, mas n�o posso odiar a mulher que me lembro.
Algu�m j� lhe disse que voc� � uma empresa maravilhosa?
Sua conversa me fascina.
E que quer que diga?
Qualquer coisa.
Vai se divorciar dela, Paul?
Por qu�? Espera ocupar seu lugar?
Paul, n�o digo isso por ocupar o lugar dela.
S� quero lhe ajudar.
Sirva-me outro drinque. Acho que vou ficar b�bado.
Essa n�o � a resposta.
Joan.
Joan, d�-me!
Joan, d�-me!
Joan!
Joan!
- D�-me agora. - Paul!
D�-me!
Paul, est� me machucando!
Onde est�? Que fez com ela?
Paul, sinto muito!
Volte a p�r o u�sque no bar.
Al�, sou Paul Gregory, do apartamento 23.
Gostaria de um carro em cinco minutos, por favor.
Obrigado.
Ponha mais um drinque, sim?
Conformo-me com o tamanho normal e muita �gua.
Depois pode ir para casa.
Hoje j� n�o vou mais trabalhar.
Ent�o nos vemos amanh�.
Esquece do drinque!
Boa noite, Paul.
Como pode o idiota de meu esposo lhe chamar de comerciante?
N�o sei, n�o vi este.
Por um momento horr�vel pensei que tinha visto outra coisa.
- Ricky, � cego, n�o pode ver. - Mas n�o � surdo.
Sabia o que acontecia quando nos beij�vamos.
Isso n�o sabia. Ele confia em mim, Ricky.
Deixe que lhe beije.
- Espere um momento. - Qu�?
- Pinte. - Obrigado.
Estou observando as estrelas...
...esperando que uma delas me conte os segredos do universo.
Est� bem.
Levante a cabe�a.
Assim est� bem.
Vejamos, fa�a esse olhar intrigante.
Que tal?
N�o est� ruim, n�o est� ruim. Feche um pouco mais os olhos.
Bem, aguente assim.
� perfeita, muito bonita.
Ricky! Ricky, est� louco?
Querida, s� � tinta de �gua!
Tira-se com uma ducha.
Querida, querida, deixe-me entrar!
V� embora!
Querida, voc� vai precisar que eu entre.
Tem tinta nas m�os.
Ricky. Ricky, Paul est� aqui.
Entre!
- Ricky, acha que sabe? - Logo descobriremos.
N�o pode saber com certeza. N�o pode ter certeza.
Querida, esconda-se. � melhor que o motorista n�o lhe veja.
- Ol�, Ricky. - Paul, entre!
Obrigado.
Anne est� aqui?
Teve que ir �s compras. Levou o carro � cidade.
Entendo.
Costuma oferecer um drinque para os convidados que v�m ver voc�?
Claro. Tenho u�sque. Com �gua, n�o?
Pouca �gua.
H� algo na sala com que eu possa trope�ar?
H� um cavalete bem na sua frente.
Deve ser o retrato.
Ainda est� �mido.
Anne disse que estava come�ando a preencher o fundo.
Assim �. Os tra�os precisam de mais trabalho.
Est� ficando muito bem.
Esta deve ser a frente.
O nariz.
Os olhos olhando para algo pr�ximo.
E a boca, mas sem rir.
Aqui tem, Ricky.
300 guin�us. Sua conta, n�o?
E Ricky, acabou a pintura.
E tamb�m os jantares no Ricardo's.
Quando Anne voltar, mande-a diretamente a Londres.
Verificou?
Sim, senhor. S� h� um carro, um Sunbeam branco.
Como estava perto!
Voc� foi uma grande ajuda.
Por que n�o negou?
Negar o qu�?
N�o me acusou de nada.
Ao menos podia ter explicado o do Ricardo's.
E que parec�ssemos culpados? Querida, jantamos juntos.
- A que vem isto? - Vem que menti para ele.
Disse a ele que ia passar a tarde com Margo.
Agora sabe que fui jantar com voc� em um restaurante que fecha �s onze.
e n�o cheguei em casa at� 1:30 h. A isso vem tudo isso.
Est� bem, voc� me levou para casa.
Demora uma hora de ida e outra hora de volta.
Antes disso, tomamos uns drinques no Clube Barton.
O gar�om de l� mentir� por mim se Paul decidir verificar.
Por favor, deixe disso. Eu cuidarei disso.
Eu costumava bancar a doce e inocente esposa incompreendida...
...que n�o machucaria seu esposo por nada do mundo.
J� tenho pr�tica de fazer isso.
Como diabo ele soube do Ricardo's?
O ma�tre conhece todos os que v�o a esse restaurante.
Pensava que o gar�om era discreto.
� prov�vel que Paul desse mais gorjeta que voc�.
Bem, � demais pelo retrato.
Agora ser� muito mais dif�cil encontrar alguma desculpa para nos ver.
Ainda assim, posso lhe levar para jantar, para variar.
Ouviu o que Paul disse, Ricky?
Nada de jantares.
Querida, n�o estamos sugerindo que vamos p�r um an�ncio.
Deve haver muitos restaurantes tranquilos na cidade.
Paul n�o conhece todos os ma�tres.
� muito arriscado.
Bem, darei algumas aulas de cozinha.
Al�m disso, o caminho para o quarto � muito curto.
N�o vou voltar a lhe ver, Ricky.
A festa terminou.
Nada de jantares, nem retratos, nem fazer amor.
Assim de repente?
N�o quero ser pobre, Ricky.
N�o me importa quanto eu ame voc�.
N�o dividirei com voc� a mis�ria.
Encontrou-me quando eu ainda era uma atriz nova e desempregada...
...que nem sequer sabia o que significava o luxo.
As coisas poderiam ter sido diferentes.
Por isso desenvolvi o gosto pelo caviar, o champanhe e roupas caras.
Muitas coisas que voc� n�o poderia comprar para mim.
Esse dinheiro nos duraria um m�s.
Depois disso, de onde vir� o caviar?
E que sugere que fa�a?
Que procure outra Anne Gregory...
...que ainda n�o tenha provado as coisas boas da vida?
Por Deus, Ricky, j� sabe o que tem que fazer.
H� meio milh�o de libras e eu lhe esperarei.
Mas para consegui-las, ter� que matar meu esposo.
N�o h� risco algum.
Fica b�bado e cai da varanda.
E cego, Ricky.
Tudo est� l� lhe esperando.
A �nica coisa que tem que fazer � estender a m�o e peg�-lo.
N�o tenho muitos escr�pulos, Anne,
mas ponho limite no assassinato.
Est� bem, Ricky,
se � assim como pensa.
N�o vai fazer um discurso de despedida?
Algo assim como: foi bonito enquanto durou?
Sim.
Farei um discurso de despedida.
� melhor ter amado e perdido, que nunca ter amado.
Que tal?
Anne, mudar� de ideia, n�o?
N�o, mas se voc� fizer, j� sabe meu n�mero de telefone.
Al�?
Que aconteceu com essa eficiente secret�ria sua?
Que houve, Mike? Que aconteceu?
Os est�dios de grava��o, lembra-se?
Alguns "playbacks"?
O n�mero que fiz em North Country.
Tenho alguns problemas a resolver.
Voc� deve se lembrar de que colocou as coisas em movimento.
Oh, sim.
Sim, eu gostaria de n�o ter feito isso.
N�o posso fingir que esteja preocupado com sua esposa, mas...
...n�o gosto de ver pelo que est� passando.
Voc� vai em frente e escolhe as se��es.
Eu irei quando os rapazes juntarem tudo.
Est� bem. Enquanto isso, cuidarei da loja...
...e telefonarei quando tudo isto esteja resolvido,
e depois, talvez traga as fitas para que as escute.
Sim, fa�a isso, Mike. Adeus.
Ol�, querida.
Bem, vamos escutar.
Mantenha seu dedo preparado no bot�o de "parar"...
...e deixe o sotaque de Liverpool soar alto e claro.
Sabe o que quero dizer?
Pobre Ricky.
Todo esse trabalho destru�do por seu esposo man�aco.
Deveria ter estado l�. Ficou sem palavras.
Ainda assim dei a ele um bom cheque.
Isso o ajudar� a superar.
Pobrezinho.
N�o h� nada entre Ricky e eu.
N�o quis comentar o do jantar para n�o lhe incomodar.
Se como � ciumento.
J� sei que n�o h� nada entre Ricky e voc�.
Receio que tenha sido demais e tamb�m tenho uma grande imagina��o.
Desculpe, querida. Soube do jantar por acidente.
Infelizmente, chegou meia garrafa tarde demais...
...para pensar nisso de modo razo�vel.
Odeio quando � desagrad�vel.
Mas adoro que seja ciumento.
Da pr�xima vez quero meu retrato pintado.
Encontrarei um velho bigodudo de pelo menos 75 anos.
Perdoe, querida. Sei que Ricky n�o...
N�o conhecemos ningu�m chamado Ricky.
N�o havia nenhum retrato, nenhuma cena,
nem nada que perdoar.
Voc� � um encanto.
E acertei no brinde que fia na varanda...
...sobre sua generosidade, compreens�o e toler�ncia.
E amor.
Sa�de, Ann.
� Ann, n�o?
Aqui est�.
Por um momento pensei que era o dem�nio.
� por esses olhos t�o frios que tem, Ann.
Os que usa para olhar as estrelas.
Os que fazem que me apaixone por voc�.
Aqueles que me transformaram em um idiota falador.
Agora querem me transformar em um assassino.
Ei!
Tr�s brindes por voc� e tr�s brindes por mim.
Porque...
Poderia me voltar contra voc�, Ann.
Poderia pintar seu nariz de verde.
Sim, poderia fazer isso.
Farei voc� t�o feia como um gato velho...
...e n�o voltarei a amar voc�.
Poderia pintar at� uns bigodes.
Vou sentar e rir alto.
O problema � que nem sequer saber�.
E n�o se importar�.
Ann, Ann, poderia lhe esquecer facilmente.
Poderia esquecer voc� agora mesmo.
O que est� claro �...
...que n�o quero.
Al�?
Ricky.
� cativante, n�o �?
Temos um t�tulo provis�rio para ela?
Pensemos em um t�tulo provis�rio.
Que acha...
..."Por que minha garota est� triste"?
Sim, muito apropriado.
Embora n�o seja muito comercial.
Repassemos o primeiro verso, vamos ver se isso ajuda.
# N�o posso esquecer... #
#...o amor em seus olhos. #
# Ela olhava as estrelas... #
#...em uma fria noite de ver�o. #
# N�o posso esquecer... #
#...a alegria de meu cora��o, #
# quando deixou o outro... #
#...e voltou aos meus bra�os. #
� tarde, querido.
Sabe como � isto quando vou ao teatro.
Estou obrigada a me encontrar com velhos amigos e...
Bem, insistir�o que fique para tomar um drinque.
N�o tem nada. V� em frente, divirta-se.
� um encanto.
N�o trabalhe at� tarde.
- N�o farei. Adeus. - Adeus.
A� est�.
Uma cena mais de uma fam�lia acolhedora que n�o esperava ver.
Ru sei!
Venho observando isso h� tr�s anos.
Deixa-me doente.
Deveria tentar ver isso como um feliz reencontro...
...entre um homem e sua mulher.
Cheio de perd�o e compreens�o.
E quanto tempo acha que durar�?
Quanto, antes que apare�a o pr�ximo Ricky?
"Ricky aparece".
Poderia ser uma boa can��o.
Uns suaves violinos ao fundo...
...dirigidos �s mam�es e os papais,
cheios de sentimento no coro.
Eu tenho raz�o. Voc� est� errado e sabe disso.
Ela lhe enganou, mentiu e lhe tratou como um est�pido.
N�o entendo como pode seguir em frente com isto...
...como se n�o tivesse acontecido nada.
O perd�o � algo maravilhoso.
# Ricky aparece.#
Creio que � um n�mero para um grupo.
Como apoio dever�amos pensar em violinos.
Eu n�o a perdoaria pelo que fez,
Violinos e guitarras.
Sem introdu��o.
O grupo entra diretamente.
Paul, n�o acredito!
N�o tem que acreditar em mim.
Ningu�m lhe pediu isso.
Voc� � paga para ser minha secret�ria,
n�o por organizar minha vida privada.
E tamb�m n�o para espionar sua esposa.
Eu fiz isso porque amo voc�.
Acho que ela terminar� por lhe destruir.
E eu n�o penso em me sentar para ver como isso acontece.
Talvez seja melhor que v� embora.
Pode escrever sua pr�pria refer�ncia, continuar� cobrando seu sal�rio...
...at� que encontre um novo trabalho.
N�o posso ir embora, Paul.
N�o seria feliz trabalhando com outra pessoa.
Eu n�o diria exatamente que voc� est� transbordando de felicidade aqui.
Eu sei.
Fui infeliz durante toda a minha vida.
Obrigada.
H� uma coisa que quero que compreenda.
Posso ser cego, mas n�o sou idiota.
Quando quiser sua ajuda, eu pedirei.
Se continuar me pressionando, reagirei automaticamente contra.
Al�m disso, n�o quero perder voc�.
� uma secret�ria muito boa.
Odeio ser uma boa secret�ria.
Quero ser mais que uma boa secret�ria.
Joan, pegue isso e v� embora por algumas semanas.
V� �s Ilhas Can�rias ou �s Bermudas e tome sol.
Quando voltar,
Daremos uma pequena pausa ao mundo pop.
Tentaremos proporcionar um pouco de oposi��o a Tchaikovsky...
...no Festival Hall.
Tchaikovsky pode estar mirando um pouco alto.
Mas poder�amos tir�-lo no intervalo, se pedirmos amavelmente.
Preferiria ficar aqui.
Aqui n�o h� o que fazer.
Vou ter que descansar umas semanas.
Agora, vamos... v�.
Permite-me dar um bom beijo de secret�ria antes de ir embora?
Permiss�o concedida.
Obrigada, Paul
Gostaria de uma garrafa de vinho local de onde quer que voc� v�,
e alguns cigarros.
Vamos, v�.
Ricky, um momento.
Ter� que ser r�pido.
Estive pensando em minha dieta.
Desenvolvi o gosto pelo caviar e champanhe.
Vamos nos ver esta noite na casa de campo.
Estarei l� perto das sete, o mais tardar.
Esconda o carro na esquina dos apartamentos.
Atravesse o jardim por tr�s at� a sa�da de inc�ndios.
A cozinha sai do quinto andar.
- Lembra-se do resto? - Sim.
Deve haver uma maneira mais f�cil de ganhar um milh�o de paus.
Coloque-as.
Deixe-as postas, n�o importa o que aconte�a.
- Ele supostamente deveria estar na cama. - N�o.
Pensa que fui ao teatro.
Sempre me espera acordado.
Acha que bebeu u�sque suficiente?
Sempre faz isso.
H� chance que algu�m esteja no jardim?
Algu�m poderia v�-lo cair.
Ricky, j� lhe disse que o jardim sempre est� deserto a essas horas.
Amo voc�.
- Quem � a mais bonita? - Voc�, minha encantadora bruxa.
E quem � a bruxa mais sabida e doce de todas?
A �nica que pode trazer um assassino do nada...
...e mand�-lo fazer o trabalho sujo.
E quem vai se casar com essa bruxa...
...e comprar o mundo para ela com o dinheiro de seu pobre esposo?
Mike Williams, antigo representante e agente de grava��o.
Em caso de que algo saia mal,
acho que dever�amos fazer que pare�a que estivemos juntos a noite toda.
Em que pensou?
Quem �?
Sei exatamente onde est�. Ao lado do bar.
Voltou a se mover.
Quase chegando at� a mesa do caf�.
� Ricky, n�o?
Preferi estar lhe esperando.
Que pensa fazer, Ricky? Assassinar-me?
Prefiro que n�o me bata com isso, � muito valioso.
Quase chegou at� mim.
Deve lhe fazer sentir muito bem em matar um cego.
Mas n�o � t�o simples.
N�o � t�o f�cil, hem, Ricky?
Ou�o tudo o que faz.
Agora estamos em igualdade de condi��es, Ricky.
Ah!
Perde tempo, Ricky.
Nunca far� que pare�a um acidente.
Por que n�o? Por que n�o?
Estava b�bado.
Como sempre.
Cometeu um erro no apartamento ao trope�ar nos m�veis...
...e cometeu outro erro na varanda.
N�o vai funcionar para voc�.
N�o vai querer descobrir.
Que bebeu, Ricky?
U�sque, derramei um poco em voc�.
Sim.
Posso sentir o cheiro.
De onde tirou o u�sque?
Da licoreira do bar.
Quanto resta na licoreira?
N�o foi muito sabido, hem?
Qualquer um que me conhe�a diria que bebo muito mais u�sque que isso...
...para me embriagar.
Bebeu mais de outra garrafa.
Todas as garrafas est�o fechadas.
S� se abre para p�r na licoreira.
Depois se jogam fora as garrafas vazias.
Bem.
Vou derramar um pouco da garrafa na pia.
Quando?
Depois de ter lhe empurrado.
Por que n�o faz agora?
Se algu�m me ver ou me ouvir cair,
poderia chegar ao apartamento em 30 segundos.
Isso n�o lhe deixa muito tempo.
Acho que o que planeja fazer, deveria ser feito antes da minha queda.
Se voc� olhar embaixo do bar, h� uma pequena pia.
Que tenta fazer?
Eu odeio ver voc� fazendo papel de bobo.
Espera alguma chamada...
...e por isso ganhar tempo?
Quem poderia telefonar?
Minha esposa? Duvido.
Qual � a isca, Ricky?
Meio milh�o de d�lares e minha esposa depois de minha morte?
Isso mesmo.
- E voc� acredita nela? - Sim.
Engana-se.
Voc� tamb�m n�o a ter�.
Quando terminarem todas as formalidades,
iremos juntos com seu dinheiro, legalmente.
Volta a se enganar.
Ann ir�, mas n�o com voc�.
Voc� cumpriu sua parte.
Cometeu um assassinato para ela.
E ela n�o se incomodar� que lhe prendam.
Que quer dizer?
Que Ann est� apaixonada por Mike Williams,
meu representante, agente e amigo.
N�o acredito em voc�.
Ela lhe odeia.
Se eles lhe enforcarem por homic�dio,
Ann chorar� na frente do caix�o...
...e dir� ao j�ri como lhe suplicou que a esquecesse.
Ela interpretar� a parte dela.
Ela sempre foi uma atriz muito sens�vel,
mas ela n�o se sai mal na sala de um tribunal.
Depois que o j�ri lhe declarar culpado,
o juiz dir� que lhe pendurar�o pelo pesco�o at� morrer.
Ann se sentar� ao lado de Mike na silenciosa e bonita sala do tribunal,
...com um encantador, pat�tico e bonito vestido de luto.
Quando o juiz terminar,
a renda vai subir um pouco...
...e um solu�o estrangulado escapar�.
Assim o fez em "O ato de Caim".
Por outro lado,
ela poderia deslizar elegantemente para frente...
...e entrar em colapso, embora n�o sem faz�-lo de uma forma atraente.
Assim fez em "Assassinato intr�pido".
Foi bastante eficaz.
Realmente a odeia, verdade?
Sim.
Por outro lado, Mike deve estar orgulhoso dela.
Esfor�ou-se muito para que matasse por eles.
Ela n�o queria que Mike corresse algum risco,
por isso escolheu voc�.
Sem dinheiro, impression�vel, era uma presa f�cil para ela.
Ela lhe odeia, detesta!
J� ouviu como se davam mal.
J� lhe disse.
Ann � uma atriz sens�vel. Interpretou seu papel.
Creio que lhe fiz saber como Ann �.
Sim.
Mike...
Mike foi ele que me disse que voc�s jantaram juntos.
por isso verifiquei com o restaurante.
O ma�tre me confirmou,
mas tamb�m me confirmou que Mike n�o esteve l� nessa noite,
portanto, algu�m deve ter contado a ele.
Tenho como certo que voc� n�o foi,
ent�o deve ter sido Ann.
Supunha que Ann iria lhe proporcionar seu �libi para esta noite?
Pensava dizer que foram juntos � casa de campo...
...para terminar o retrato?
Sim.
Isso levaria muito mais tempo do que voc� esperava.
De fato, se tudo sa�sse como estava planejado,
agora estaria lhe esperando.
Telefone para ela.
Por que voc� fez isso?
Por que deixou que planejasse lhe matar sem fazer nada?
Por que o macho de uma vi�va-negra...
...faz amor quando sabe que vai morrer no final?
E ainda sabendo disso, segue em frente.
Como eu.
Eu tinha que ver se Ann realmente iria em frente com isso.
E agora que vai fazer?
Chamar a pol�cia?
N�o.
E quanto a mim?
Eu o tentei matar.
Ann, creio que est� chegando a hora que vai descobrir o corpo.
Mike, n�o posso.
Ann, meio milh�o de libras para cada um.
Isto ter� acabado antes de que perceba.
N�o posso ir sozinha.
Ficamos nisso.
Quero que venha comigo.
Est� bem.
Claro, n�o se preocupe.
Chamarei a pol�cia.
Ricky!
Que faz? Saia daqui, peda�o de idiota.
Que faz ele aqui?
Mike?
Acompanhou-me.
Para lhe ajudar a descobrir o cad�ver?
Eu o chamei, Ricky.
Estava muito nervosa para vir aqui sozinha,
e n�o podia esperar mais tempo na casa de campo.
Estava preocupada com voc�.
Agora precisa ir embora.
Irei agora mesmo... � pol�cia.
� pol�cia? Est� louco?
Contarei tudo a eles.
Vou contar a eles o que aconteceu.
Tudo sobre voc� e eu.
Ele amava voc�, Ann.
- Ricky, querido, escute-me. - Desta vez n�o.
Mike, isto foi ideia sua.
Fa�a algo.
Deixe que ele v� � pol�cia.
Em que acreditar�o ap�s contar sua vers�o?
Minha vers�o?
Oh, sim.
Contarei como voc� se apaixonou por mim e como eu implorei para voc� ir embora.
Que me disse que mataria Paul...
...se essa era a �nica maneira de me conseguir.
Quanto a esta noite,
ela esteve comigo o tempo todo.
Paul � meu melhor amigo.
Se continua acreditando que pode convenc�-los,
o telefone est� ali.
N�o?
Est� bem, ent�o eu chamarei.
Direi a eles que aconteceu um um acidente tr�gico.
Ricky.
O melhor que pode fazer � voltar para sua sombria casa de campo...
...e esquecer que me conheceu.
Paul!
Muito bem, senhor.
Acho que ouvimos o suficiente.
Bem. Obrigado, inspetor.
Vamos.
E voc�.
Voc� tem sido muito esperto, Paul.
Devia ter imaginado.
Sra. Gregory.
N�o h� pressa, inspetor, verdade?
Um caso interessante, senhor.
Conspira��o de assassinato.
N�o � muito comum.
Voc� ter� que vir tamb�m, senhor.
Ajudarei a conseguir um bom advogado.
- Seu carro para o aeroporto, senhora. - Oh, sim. Obrigada.
S� essa mala.
Paul!
Pensei que usaria a mesma empresa de aluguel de carros.
Disseram-me que o voo 287 para as Bermudas.
Isso � uma despedida?
N�o, vou com voc�.
Que aconteceu?
Contarei no avi�o.
Tradu��o das legendas: PARENTE - SERGIPE - BRASIL Inserido no site em 19/04/2024
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