All language subtitles for A Próxima Vítima Capítulo de 28031995 Globoplay

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Original subtitles

Desculpa interromper.

Minha filha Irene.

Você não disse que ela esteve na sua casa?

Oi, Irene.

Eu sou Cacá de Vasconcelos.

Sou irmã de Filomena que você foi lá procurá -la em casa, lembra?

Claro que vai.

Você não pode ver a luz que o fogo dá no teu cabelo.

Te deixa linda.

Eu tô sentindo.

Você não vai me contar onde você teve a tarde inteira?

Eu já te disse, amor.

Tava com dor de cabeça, você tava dormindo, eu não quis te acordar.

Aí eu saí pra dar uma volta.

A dor de cabeça passou, agora eu tô ótimo.

Mesmo?

Vai me dizer que você tá com ciúmes.

Quem sabe eu não saio por aí pra namorar um peão.

Eu confio em você.

Mas bem que você podia ter me acordado, né?

O que eu tô fazendo é pra ficar com você, Isabela. Não pra ficar dormindo.

Tá bom, amor. Da próxima vez eu te acordo, tá?

Sabe o que eu tava pensando?

Que a gente podia voltar pra São Paulo amanhã de manhã.

Você não disse que queria ficar aqui o final de semana inteiro?

Mas eu estou preocupada com a minha mãe.

E além do mais, eu já fiz tudo o que eu tinha que fazer aqui.

Tudo o quê?

Pai, não sei o que você já esqueceu.

E como é que eu devia me comportar, Filomena?

Como? Com mais educação, pelo menos.

Você me ofendeu.

Imagina se algum empregado, aquela inútil da Carmela, escuta as ofensas

que você me fez.

Eu sinto muito.

O raciocínio nesse caso foi apenas óbvio, nada mais.

Eu não mandei matar minha irmã, isso é um absurdo. Calma, calma, filó, calma.

Ela passou a tarde inteira com os nervos em pandarecos. Você não devia falar

dessa maneira com ela, Marcelo. Eu acho muito engraçado.

Eu sou o maior prejudicado nesse testamento e tenho que me conformar.

Abaixar a cabeça.

Eu não posso nem protestar.

Juridicamente eu não posso fazer nada.

O maior beneficiado por esse testamento foi você.

Isso é óbvio.

Eu também tenho um raciocínio bem óbvio sobre essa questão.

A Francisca acabou descobrindo sobre seus filhos.

E quis castigar você.

Qual a melhor maneira de fazer você sofrer, de ferir você?

É te deixando na miséria.

Mais óbvio do que isso.

Eu acho estranho que ela tenha feito esse testamento sem me falar nada.

E não ia falar mesmo.

Ela disse pra Filó que não queria que você soubesse. Veram, Filó?

Veram. Então você também acha que ela sabia que ia morrer?

Porque para fazer esse testamento e ser envenenada uma semana depois... Uma

coisa não tem nada a ver com a outra.

Foi uma coincidência.

Uma coincidência horrível, pavorosa, mas uma coincidência.

Calma, calma, calma, Filó.

Muita calma.

Eu não posso provar nada.

Eu não tenho como contestar o testamento na justiça. É como você disse,

Filomena.

Daqui pra frente eu sou apenas um empregado.

Ou, como diz o meu advogado, um empregado bem remunerado, mas apenas um

empregado.

Quem sabe não seria melhor que a gente entrasse num acordo trabalhista.

Você paga os meus direitos e me bota na rua.

Ia ser muito melhor pra nós dois.

Ele é teu?

Eu não quero ele fora do frigorífico. Isso eu não quero.

Aí, quando essa tal de cacá tava indo embora, a Irene ligou pro guincho e

uma carona. Aí ela até onde tava o carro. E saíram as duas juntas. Eu

irritada, Júlia. Eu não quero a minha filha metida nessa história. Não quero.

acho perigoso.

Mas ela tem modo igual uma mula, né? Não me ouve.

Aí vão ficar esmiuçando o caso. Você vai ver.

Olha, eu acho que a Irene vai te dar muito trabalho por causa disso.

Eu não sei.

O que é, hein, Júlia?

Que tanto você olha pra essa favela?

Ah, é.

Eu não devia te contar.

Eu sei que você vai ficar apavorada, vai dizer que eu sou maluca.

O que aconteceu?

Um garoto aí, um menino.

Ele foi atropelado.

Por minha causa.

Na verdade, deve ser muito ruim.

Você acha?

Uma ideia me passou aqui na cabeça.

Alguém estivesse querendo matar a minha irmã e que seu pai morreu apenas porque

estava ao lado dela?

Não. Eu acho que foi exatamente o contrário.

Na verdade, isso já está praticamente provado. O investigador diz que todas as

doses do ícone... O que eles beberam estava envenenado. E meu pai tinha dado

entrevista, uma revista importante, algumas semanas atrás, e contou que

antes dele viajar, ele tomava aquela marca de uísque para relaxar e perder o

medo de avião.

Alguém deu e envenenou a bebida.

Mas como é que iam saber o dia que o seu pai ia viajar? Ele contou.

Também nessa reportagem que todo ano, na mesma data, ele embarcava para Roma

para participar de um jantar de confraternização com seus ex -colegas da

Universidade de Direito de Roma, onde ele fez sua graduação.

Quer dizer que a data também era conhecida, né?

É.

Mas a polícia apurou que houve um telefonema para a secretária dele, de

que se fez passar por agência de viagem, mas que na verdade não era.

Essa pessoa falou que meu pai tinha que embarcar um dia antes para Roma, porque

teria uma greve no aeroporto.

Quer dizer, queria que meu pai viajasse naquele dia específico.

Vai ver que o esquema que ele ou ela tinha no aeroporto era só para aquela

Uma armadilha, então?

Sem dúvida.

A pessoa que ligou para a secretária do seu pai era homem ou mulher.

Como é que eu não pensei nisso?

Sim, porque essa pessoa deve ser a mesma que botou veneno nas doses de juízo.

Claro.

Amanhã eu vejo isso.

Pelo menos se a assassina é homem ou mulher, a gente descobre.

Será que a polícia não pensou nisso?

Bem, mas o investigador nunca me disse nada.

Estou dizendo agora.

A polícia já investigou isso com a secretária do seu pai.

Ele gostou, sendo que ele deveria viajar um dia antes por causa da tal grepe

fajuta. Foi uma mulher.

Então quem venenou as doses de uísque também?

Não necessariamente.

Como?

Nem sempre o assassino liga pessoalmente.

Depois, quem sabe, ele também pode ter uma secretária.

Eu nunca ouvi falar em assassino que tivesse secretária.

Então ele pode ter uma irmã, ou uma amante.

Ah, uma mãe.

Mãe, todo mundo tem, né? Tem um assassino.

Por que você está não gozando?

Porque nós trabalhamos com os patos, e não com conjecturas.

Tudo que nós sabemos é que uma mulher ligou para a companhia aérea e para o

escritório do seu pai, se fazendo passar por secretária de um agente de viagens.

Não sabemos de onde, não sabemos quem foi.

A secretária do seu pai não conseguiu identificar a voz, apenas que notou um

sotaque nordestino.

Muito bem, então nós temos uma mulher com sotaque nordestino, que ligou

que a viagem deveria ser antecipada.

Pronto. Isso é tudo que nós sabemos.

A gente não pode sair por aí aprendendo tudo contra a mulher que tem sotaque

modestino, né? Ainda mais aqui em São Paulo.

Você já imaginou o tamanho da cadeia que a gente ia precisar?

A mulher vai sério, né?

Escuta, minha filha.

Investigação policial, roubo, assassinato, tudo isso é coisa muito

Envolve muita gente, muitos profissionais especializados.

A vocês que ficam de fora dando palpite, tudo é muito fácil, né?

A gente tem que obedecer a lei.

Nós temos notas a seguir.

Dá uma olhada aqui em volta aí.

Isso aqui é Brasil.

Essa aqui é a realidade.

Agora vocês ficam aí dando meia dúzia de livros lágrimas que eles acham que

podem desvendar tudo quanto é crime.

Pera lá, vamos com calma.

Eu só estou querendo ajudar.

Então fica naquela cobertura maravilhosa que você mora lá no Morumbi.

Estudar direitinho para acabar a faculdade e dar uma alegria para sua

E deixa a gente fazer o nosso serviço em paz.

Não fica chateada comigo não, tá?

É que eu tenho muito cedo.

Meia pizza marguerita pra ela e meia pizza de calabresa pra você. E vão

continuar no refrigerante.

Quer dizer que vocês gostaram da minha canção, idiota? Foi, obrigada pela

presença.

Que beleza de movimento.

Isso aqui está cada dia mais cheio. Graças a Deus.

Oi. O que foi?

Eu acho que nós vamos ter mais problemas.

Meu Deus, aconteceu alguma coisa.

Mas essa mulher nunca vem aqui.

. .

.

. .

Não dirijo no milésimo andar.

Espio noite e dia sua vida secreta. O frio de São Paulo me faz

transpirar. Sou vítima.

Vítima.

Vítima da sua janela indiscreta.

A diva lá em casa faz o que pode, mas não chega a sucesso. Ah, o que é isso? A

sua cozinha é divina.

Vê -lo, Eliseu. Vê -lo, vê -lo. Ai, gente, obrigada.

Vão querer alguma suprimenta?

Eu estou no regime, Eliseu. Quer dizer, não abro mão das vacas, mas dou -te de

jeito nenhum.

Ah, talvez uma fruta?

Não sei.

Você vai querer o quê, Eliseu?

Bom, eu como não estou de regime, eu vou querer aquele zabaione com morangos que

você faz e que é uma coisa de louco.

Eu tinha me esquecido que o senhor era louco pelo meu creme de zabaione. Um

creme de zabaione com morango para o seu Eliseu. E duas colheres.

Eu não gosto que o Eliseu coma muito. Tenho medo do colesterol. Ah, e uma

colherinha para a dona Filomena beliscar.

Que bom que vocês sentiram saudade da minha comida e resolveram vir almoçar

aqui, né?

É, é.

Ficamos com saudade.

E temos também um assunto para discutir com você.

Que assunto?

Um assunto que eu acho que de interesse de todos nós.

Mas vamos esperar primeiro os Havaianas, senão depois o Eliseu não me dá

sossego.

E aí o investigador achou que a nossa teoria era uma grande bobagem.

Bom, eu só estou ligando porque eu tinha prometido.

Muito obrigada, hein?

Obrigada, querida.

Se bem que, na minha opinião, esse investigador é uma besta.

É, é claro.

Tá bom, tá bom. Tudo que você souber, você me avisa. E eu também faço o mesmo

com você, tá bom? Um grande beijo. Tchau.

Besteira. Claro, é claro que a pessoa que ligou é a assassina, é claro. O que

foi, mamãe?

Aquela história daquela nordestina que telefonou pro tal advogado mudando a

do voo.

Isso aí, daí?

A polícia acha que não prova nada que ela pode ter ligado a mão de uma outra

pessoa, do que eu discordo plenamente.

Imagina, então, um assassino que se preze, faz tudo sozinho, ele não deixa

testemunha. Ou então ele elimina as testemunhas.

O que você está falando?

Você acha então que ele mandou a mulher ligar e depois acabou com ela?

Ele, ele. Você fala sempre ele, mamãe, como se você tivesse certeza que fosse

homem. Não, eu não tenho certeza de nada, é maneira de falar.

Pois é, eu tenho quase certeza que foi uma mulher.

Por quê?

Bem, porque, não sei, porque eu acho que um homem mataria mais violento. Eu acho

que um homem mataria com uma faca, um tiro.

Vendo uma coisa feminina.

Você não acha?

Eu não tinha pensado nisso.

Pois é. E a tal entrevista do advogado, eu acho que foi uma boa desculpa para

quem realmente queria eliminar a tia Francesca. Então, assim, digamos que a

pessoa soubesse que a tia Francesca se encontrava com esse advogado.

Leu a entrevista.

Soube que dizia que ele ia viajar.

Fez com que a tia Francesca viajasse no mesmo dia e matou os dois.

Como quem deu a entrevista foi o tal advogado, ninguém iria desconfiar que a

verdadeira vítima era a Tia Conte.

Gente, mas é perfeito.

Como é que ninguém pensou nisso antes?

Porque é uma ideia sem ver em cabeça.

Pensei que você fosse ficar todo fim de semana na fazenda.

Pois é, mas eu achei que a mamãe fosse precisar de mim, querida.

O que é, Irene?

Nada.

Como nada?

Você saiu de manhã e volta agora com essa tromba?

É que eu já estou quase com a certeza que o assassinato do meu pai vai ser

arquivado. Por falta de provas.

Só a mãe já pediu para você tirar isso da cabeça.

Eu não acredito que até você está me dizendo isso, Júlia.

Quem matou meu pai, matou. Eu não tenho o direito de saber quem foi.

Você tem o direito de saber. Tem todo o direito.

Mas deixa a polícia descobrir.

Bancar o detetive não vai adiantar nada.

Eu não preciso de conselhos, Julia. Eu preciso de apoio.

Deus, que grosseria.

Desculpa, eu fiquei nervosa.

A minha mãe falou que você levou ontem um trombadinho pro pronto -socorro.

Foi horrível.

As pessoas nesse país são tratadas como bichos.

Você precisava ver.

É, eu vejo sempre na televisão.

É um horror mesmo.

De perto.

É muito pior.

Alô?

Ela mesma.

Ah, sim. Eu já estou descendo. Obrigada.

É o moço da favela que eu conheci lá no pronto -socorro. Moço da favela?

Não fala nada para sua mãe, hein?

O que ele tinha que fugir?

Estou morrendo de medo que a senhora chamasse o juizado, né?

Imagina se eu fazer uma coisa dessa?

Todo mundo tem pavor da Febem.

Você perguntou se eu podia falar com ele?

Olha, eles não querem que a senhora entre lá, não.

Ele quem?

Bom, a senhora pediu notícias do Arezinho e eu trouxe.

Agora eu tenho que ir.

Tchau.

Fala pro menino se ele precisar de alguma coisa que pode me chamar aqui.

tempo, Jefferson, no meio daquela confusão?

Filho da mãe.

Ele me pediu desculpas, Jefferson.

Pediu desculpas, ele me pediu desculpas, Jefferson. Imagina, e daí que ele pediu

desculpas? Olha aqui, Patrícia, você não vai se encontrar com esse cara outra

vez, não. Ele já mostrou que é um louco, a flagela. Ele falou que estava

arrependido. Escuta aqui, se você se encontrar novamente com esse cara, eu

pessoalmente pelo pai e pelo filho.

Puxa, pensei que você fosse meu amigo, sabia? E sou seu amigo.

Por isso mesmo que eu não quero você fazendo papel de tonta.

Mas eu não tô brincando não, Patrícia.

Por que você foi agarrando a garota assim, sem mais nem menos, aqui

dentro de casa?

Pior você não sabe.

Acho que ela é menor.

Não posso acreditar.

Uma garota de menor aqui dentro de casa.

Ô, Cláudio, pô, eu te falei, cara. Eu não quero confusão aqui dentro da minha

casa. Quando é que você vai criar juízo, hein?

Pô, você lá que me deu, cara.

Saber eu sei, né?

Quando você ver a garota, você vai me dar razão. O que dá razão? Coisa

Não dá razão pra um maluco que nem você que vai agarrando mulher.

Onde você pensa que você tá? Na Idade da Pedra?

Vai dando porrada em cabeça de mulher e arrastando pra dentro da gruta?

Pensei que você tinha melhorado. Tinha ficado um pouco mais civilizado, né?

Tá bom, vai. Você tem toda a razão.

Uma bola fora.

Pior que a garota não tem nada a ver. Toda de família.

Olha aqui, ô, Cláudio.

Mais uma aprontada dessa vai pegar o teu cheque e vai pra rua. Tá, cara?

Não quero confusão com os juizados menores.

Ficou claro?

Ô, Diego.

Cara.

Tu tem que ver a mina, cara.

Ela é linda, Diego.

Ela é maravilhosa. É uma princesa, cara.

Que você se apaixonou pela vítima, é?

Você é um maluco, Cláudio.

Você é completamente maluco, cara. Você é pirata. Você é louco.

Estúpido.

Não, eu não entendo essa menina.

Ela entra pela sala, não fala com ninguém, se tranca no quarto. É a idade,

filho. Eu era igual.

Eu já falei pra sua mãe conversar com ela.

Mas, ultimamente, falar com sua mãe e nada é a mesma coisa.

Olha, papai, eu tava querendo falar um negócio com o senhor. Essa história da

mamãe querer trabalhar fora de casa, eu acho que ela tá certa.

O quê?

De jeito nenhum!

De jeito nenhum!

Só depois que eu te ver estendido em cima dessa mesa com quatro velas

o meu caixão. Que exagero, pai.

Seu Cléber, desculpa estar me intrometendo, mas quando eu ficar com o

não vou deixar ele trabalhar fora também.

Esse problema é seu e dele.

A minha mulher eu quero dentro da minha casa.

O que você estava falando aí, Cléber? Eu disse que a minha mulher eu quero

dentro da minha casa.

Está vendo, Sidney? Agora é assim.

É a minha casa, a minha mulher, é o dono de tudo, é o proprietário. Eu não quero

discutir mais esse assunto. Mas vai discutir. Eu já te falei que eu não sou

escravo que não vou ficar te obedecendo.

Calma, mãe.

Quer trabalhar fora pra quê?

Grande secretária que você é.

Ganhava uma porcaria que não vai dar nem pra pagar essa empregadinha que vocês

querem colocar aí pra encher o meu saco. Calma, pai.

Calma, pai.

Fica comigo.

Então é pra arrumar namorado na rua.

Só pode ter.

Porque o homem que você tem dedicado não serve mais pra você. É isso, né?

Eu não posso mais morar nessa casa, Betinho.

Eu não posso.

Ô, mamãe, calma, mamãe. Papai só estava nervoso. Daqui a pouco ele volta aqui e

te pede desculpa.

Ô, pai.

Não foi com esse homem que eu casei.

Não foi.

Ah, faz uma calma. Esse Kleber só está nervoso. Isso passa.

Não passa não, minha filha.

Eu conheço o Kleber.

Eu vou -me embora.

Ele está pensando que eu não vou.

Mas eu vou embora dessa casa.

Maju. Ô, você tá aí? Eu tava te procurando pra jogar uma cacheta.

Vai você, tio, vai. Eu não tô afim, não.

Mas o que que aconteceu?

Não aconteceu nada, por isso que eu tô assim.

Fui até lá, falei com a Ana, ela me falou do Marcelo, inclusive falou de uns

rolos dele com uma garota aí.

Que garota?

Isso não interessa, tio. O que interessa é que a coisa continua na mesma,

entendeu? A Celo deve ter inventado alguma história pra ela, sei lá.

Ela gosta dele mesmo, ponto final. Olha,

vai me desculpar.

Manchela aceita ele ainda, depois de tudo. É que nem ele, não presta. Não

comida que come.

Eu vim de atrás da porta. Eu não posso conversar com meu irmão e meu

único sobrinho?

Claro que pode.

Fica aí, pode.

E lá vem aquela...

Botar propaganda na tacada.

Que propaganda, tia? A calcinha dela, que ela dependura para chamar atenção.

Ai, indecente.

Não vou, não vou. Eu estou na minha casa. Eu sou uma mulher de família.

Cuidado que ela está com o bacião de água. Olha, não me enche. Para.

Para. Me faz, por favor. É melhor entrar.

Eu vou, porque você está pedindo. Não quero encrenca com o vizinho, gente.

É uma bela aí.

Entra, tio.

Deus do céu.

Tudo bem, Kiter?

Tudo, né?

Escuta, Kiter, sabe alguma coisa da Ana?

Sabe se o Marcelo esteve aí?

Se ela falou com ele?

Também estou louca para saber, viu? Mas eu acho que a coisa continua na mesma.

O que foi que ela falou?

Não falou mais nada.

Limpou os olhos e foi lá pra dentro.

Ai, não acredito.

Seu pai?

Tá lá dentro da cozinha, empacado, como uma mula.

Não é desse jeito.

Tô indo embora, meu filho.

Já falei com a Patrícia.

Eu deixei um bilhete pro seu irmão.

Eu tô indo morar em Campinas, na casa da sua tia.

Eu não quero mais morar com um homem que não me respeita.

Estou indo embora dessa casa.

E o pai, não apareceu mais?

A mãe disse que não.

Agora vem essa sócia deles almoçar aí.

Ela é a irmã da mulher do pai, aquela que morreu. Vocês sabem, né?

Complicado isso, né?

A mãe é sócia no restaurante da irmã da mulher do pai.

Ah, socorro, né, Júlio?

Pô, negócio é negócio.

Sabe que às vezes eu acho que você não tem nada nessa cabeça?

Oi, tudo bem?

Credo, só queria saber se ninguém tá a fim de tomar um sorvete comigo.

Não é assim que se fala, Yara, é assim, sem o S. Então, alguém topa?

Obrigado. Não.

Tá, eu vou.

Vocês querem que eu traga um pra vocês?

Bonitinha essa Yara, né?

Dá até dó, coitada.

Ela fala muito errado, né, Julio?

Parece até Aurora Analfabeta, aquela lá de Bauru, lembra?

Imagina, Julio.

Aurora Analfabeta de Bauru?

Ah, ia sacanagem com a menina.

Eu tô louco pra saber o que essa mulher e o marido dela querem com a mãe, viu?

Bem, já que vocês querem falar comigo, é importante. Achei melhor conversar

aqui, porque lá dentro tá uma confusão, né?

É muito bom o movimento, mas já tivemos anos melhores.

Os outros dois restaurantes também não estão dando tanto lucro.

Enfim, coisas da economia brasileira que é um saco de gatos.

Mas eu acho que os negócios estão muito bem.

Na Trispe seria.

Eu já vi que temos pontos de vista diferentes.

Por isso eu vim aqui lhe fazer uma proposta.

Uma proposta?

Eu resolvi tomar mais a pulso os nossos negócios.

Veram, Eliseu?

Veram.

Agora que minha irmã Francesca morreu, eu estou com quase todos os encargos.

Estou cuidando praticamente de tudo sozinha.

E devo confessar que tenho um grave defeito.

O Eliseu vive me criticando por isso, mas o que eu posso fazer?

Eu sou muito centralizadora.

Não gosto de ficar discutindo.

Ficar esperando a opinião de sócios para resolver um negócio.

Sócio é muito bom, mas às vezes atrapalha. Vê, Eliseu.

Vê, não.

Eu não estou entendendo.

Você entendeu muito bem. Você é uma moça inteligente, esperta, empreendedora.

Eu vim aqui propor comprar a sua parte no restaurante.

nos restaurantes.

Me deu um preço razoável e nós fechamos o negócio.

A vista.

Uma nota em cima da outra como manda o filme.

que disse pra senhora que eu quero vender a minha parte nos restaurantes.

foi? Ninguém me disse nada.

Eu vim aqui me fazer uma proposta.

Mas eu não quero vender nada.

Mas isso nunca me passou pela cabeça.

Você não precisa me responder agora.

Nunca lhe passou pela cabeça e agora pode começar a pensar.

Você faça as contas, pondere.

Sabe, você pode vender a sua parte no restaurante e abrir um lugar só pra

Mas não precisa me responder agora.

Daqui a uns dois, três dias o Eliseu passa por aqui e você responde. Vê,

Vê. Mas eu não tenho nada para responder para a senhora Filomena.

Eu não quero vender nada.

Não precisa me responder agora.

Foi um prazer almoçar com você.

É claro que o serviço está um pouco lento, mas eu acho que na hora de pico é

normal.

Não precisa nos acompanhar.

Boa tarde.

Encantado. O seu sabayone é mesmo especial.

Ele é meu.

Não vendo nada.

Nunca nem morta.

Você falou assim mesmo, na cara dela, na lata.

Falei.

Mas foi como se não tivesse falado nada, porque ela fingiu que não entendeu,

ainda pior.

Disse que daqui a três dias vai mandar o marido dela lá pra saber a minha

resposta. Ah, tá bom. Você disse que não quer e pronto.

Mas olha, ela não pode obrigar você a fazer aquilo que você não quer. Mas é

minha sócia, Júlia. E daí que ela é tua sócia? Ela não é fofa, ela é perigosa.

Falou em dinheiro, ela vira uma fera. Você já imaginou se ela começa a me

prejudicar, a me boicotar nos meus negócios?

Peraí, como?

Eu não sei, mas eu fiquei pensando, de repente, eu preciso de dinheiro pra

comprar sei lá o quê, e ela veta.

Eu preciso de mais mercadoria, ela manda dizer que não tem.

Ela pode também ligar praqueles amigos dela do jornal e dizer que o restaurante

vai mal, você se imaginou?

Eu tenho que tomar cuidado, Juca, ela é muito perigosa. Pera, pera um pouquinho.

Marcelo é teu sócio, não é? Então como é que ele fica nessa história toda?

Marcelo.

Juca.

Eu não sei do Marcelo.

Depois da discussão que nós tivemos ontem, ele sumiu.

Liguei até pra casa dele. O Mordomo me disse que ele tinha ido viajar.

E quase que eu perguntei pra Filomena, mas... Sei lá, eu fiquei com medo. Não

sei se ela sabe. Eu não sabe que nós temos esse caso há 20 anos.

Já imaginou? Se eu pergunto, ela começa a me dizer uns desafor, aquela bruxa. É.

Tá certo, é.

Fez bem, irmã, arriscar, né?

Eu não sei, mas tem uma coisa me martelando, me martelando aqui na minha

Desde que aquela mulher saiu da minha casa.

O que é? É que eu acho, eu acho que foi o Marcelo que mandou aquela mulher me

fazer essa proposta. Ah, não, é isso não. Eu acho que foi ele.

É ele.

Ele quer se ver livre de mim.

Ele quer me tirar da vida dele, dos negócios dele, pra ficar com aquela

franguinha. É isso, Juca. Eu não vou suportar isso.

Eu acho que é sim.

Ah, meu Deus.

Ah, meu Deus.

É ele, foi ele.

Ele que mandou.

Não fica assim, não.

O senhor vai deixar ela ir embora?

Vai deixar ela ir embora?

O papai e a mamãe têm razão, papai. Quando vocês começaram a namorar, a

trabalhava. Mas agora eu não preciso trabalhar mais, pai.

Eu posso sustentar minha mulher muito bem em casa.

Ou não posso?

Não adianta, Sidney.

Seu pai só consegue pensar nele.

Só nele. Eu não estou pensando só em mim.

Eu estou pensando em você.

Eu quero te dar o melhor conforto. Eu não quero ver minha mulher saindo por aí

para pegar condução e chegar no escritório e ganhar uma miséria.

Kleber, eu andei pensando muito bem em tudo que você me falou. Você não está

preocupado comigo com a vítima nenhuma.

Você só tá preocupado com você mesmo. Você tá pouco se lixando porque eu tô

sentindo, porque eu tô não sentindo.

Se isso é importante pra mim, se não é importante.

E tem mais. Você deve tá muito preocupado é com o que os seus parentes

dizer. Que você não tem dinheiro suficiente pra sustentar sua mulher

casa. É isso, não é? E vão falar mesmo.

E você sabe muito bem que vão.

Eu tô pouco me lixando pra eles. Eles não servem pra nada. Não aparecem aqui

nunca pra nada.

Escuta aqui!

Você não vai falar dos meus parentes desse jeito na frente dos meus filhos.

o caparite no meio agora, mãe, pra piorar tudo.

Senta lá, pai, faz favor.

Senta um pouquinho. E a família dela é muito boa.

Tudo bom de bico, tudo bom de bico. A gente quer saber de uma coisa, vamos

acabar logo com essa novela? Eu vou -me embora, porque eu não vou ficar agora

discutindo família pra lá, família pra cá. Essa selva de família não vai levar

nada. Calma, amor. Eu não tô falando mentira. Calma, gente.

Oi, oi, oi, oi, galera do astral. O que tá acontecendo, hein?

Estava ouvindo a berraria lá de fora. Você tem que calar a boca, senão você

piorar ainda mais o que está acontecendo aqui dentro. Calma, calma, eu cheguei

agora e não estou sabendo de nada.

Desculpa, desculpa.

Escuta aqui, pai.

Presta atenção no que eu vou te falar.

Deixa um pouquinho só a tua teimosia de lado e presta atenção no que eu vou te

falar. Amanhã eu vou lá no imobiliário e vou trazer os papéis do nosso

apartamento. Um dinheiro que a mamãe vai ganhar. Vai dar pra ajudar e muito nas

prestações do nosso apartamento. Até nas intermediárias.

Agora, uma coisa.

Você tem que concordar comigo.

Você exagerou, pai.

Você não devia ter falado o que você falou pra mamãe. Você sabe muito bem a

mulher que você tem aqui dentro de casa. Não devia ter falado.

Puxa, pai.

Eu achei que você era um pai legal, hein?

Falar o que você falou pra mãe.

Puxa.

Não, mãe. Não chora, mãe.

Tá aí. Tá tudo bem.

Todo mundo nessa casa contra mim. Não tá.

Se você quer ir trabalhar lá fora, vai trabalhar.

Agora, depois, não volta pra aqui pra encher o meu saco com os problemas que

você vai arrumar. Não volta!

Perdi a cabeça.

Perdi a cabeça.

Desculpa.

Desculpa o jeito que falei.

Graças a Deus.

Para, para, Tonico. Para que eu fico sem ar. Eu não consigo ficar perto de você

sem te beijar o tempo todo.

Você topa ou não topa? Topo o quê?

O quê?

Você sabe?

A gente ir lá no motel. Ah, socorro, né, Tonico? É pro motel.

O que que tem?

Todo mundo vai?

Todo mundo quem?

Todo mundo que eu conheço vai.

Mas ninguém que eu conheço vai pro motel, não.

Conheço. Pensa direito que você conhece, sim. Eu não conheço ninguém mesmo.

Sim, e o que tem? Eu conheço, você não conhece. O fato de eu conhecer e você

conhecer não vem ao caso. O que importa, Ocarina?

É te fazer um convite, entendeu? Eu estou te convidando para a gente ir

num hotel.

Você topa?

Não, eu não topo.

O que mais?

Socorro, né, Ocarina?

Foi ele. Foi ele que rolou isso.

Peraí, meu Deus. Olha, escuta o que eu estou te falando. Meu Deus do céu.

Você sempre me avisou e eu, tonta, não queria ver.

Agora está tudo muito claro.

Juca, o Marcelo não presta.

Ele é um canalha, um ordinário. É um aproveitador.

Ele não presta e você sempre me avisou. E eu nunca quis te ouvir.

Juca. Ana, pelo amor de Deus.

Eu passei na pizzeria e me disseram que você tinha vindo pra cá.

É, eu tinha uns negócios pra falar com o Juca.

Você não quer tratar?

Não, obrigado.

A gente já tá de saída.

Vamos, Ana.

Peraí, Marcelo, peraí.

Você não pode ir entrando assim sem mais nem menos e me chamar e eu ir correndo

atrás de você. Não sou seu cachorrinho, não. Tô ouvindo?

Eu não quero discutir aqui, Ana.

Ah, não.

Faz o favor, vai com o Marcelo, vai, vamos.

Vamos resolver o que você tem que resolver.

Oh, Marcelo!

Criou vergonha, veio visitar a tia?

Como vai, tia? Tudo bem, meu filho?

Tia, o Marcelo veio aqui rápido, viu? Ele veio só para buscar a Ana, tá?

Que ingrato!

Maledito, mas cacione!

Tia... Eu volto depois daqui. A gente está com uns problemas.

Não precisa voltar aqui, não.

Pode sumir, pode morrer.

Para mim não tem mais importância mesmo.

Você já morreu para mim faz tempo.

Desgraciado.

Deixa que depois eu converso com ela. Pode deixar.

Obrigada, Juca.

Obrigada.

Agora, tem uma coisa.

Se precisar da gente pra alguma... Cadê ele?

Desgraçado.

Maledito, mas cacione.

O que será que sua mãe e seu pai vieram fazer na minha casa, hein? Eu não sei,

viu? Não gosto de ver meu pai brigando com a minha mãe, não.

Essa história dele ir embora me deixou tão... Por que eles não podem se

entender? Tem tanto pai e mãe que se gostam, que se curtem.

Isso daí, né?

A gente já falou disso daí, né?

Agora quer saber uma coisa?

Eu vou achar muito bom se sua mãe se separar do seu pai e se entender aí com

meu. Ah, você acha?

Mas eu não acho, não. Não acho graça nenhuma nessa história.

Não, né?

Sabe por quê?

Porque você não sabe o quanto que o meu pai gosta da sua mãe.

Ele gosta.

É de uma forma... Eu não quero saber, Tonico. Não quero saber, entendeu?

Se for pra minha mãe largar o meu pai pra ficar com o seu, é melhor que ela

fique sozinha.

Minha mãe trabalha, ela não precisa de homem.

Vá, vá, vá.

O quê? E homem só serve pra trabalhar pra mulher?

Socorro, né, Karina? Só vê que a gente não combina mesmo, né, Tonico?

Olha aqui, para com essa história de falar socorro, tá?

Que quem fala socorro aqui sou eu.

Ah, socorro, né, Tonico?

Karina! Karina!

Parece mentira, mas... a gente não conseguiu conversar ainda.

É.

É que as crianças adoram ficar com você.

Mas agora a gente pode conversar. Eu estou esperando.

Eu não sabia que o Juca te colocava contra mim.

Fiquei chocado. É melhor deixar o Juca fora disso, tá?

Mas quando eu cheguei na casa dele, você estava falando que...

Que você é um cachorro.

Que você é um ordinário. Que você é um canalha.

Mas não foi o Juca que me disse, não.

Fui eu que descobri isso, sozinha.

Eu não vou entrar nesse tipo de discussão. Fica uma gritaria inútil que

à conclusão. Ah, e você?

E você quer chegar a uma conclusão?

Quer chegar a uma conclusão definitiva, não é?

Sim.

Sem vidaria.

Sem acusação.

Como duas pessoas civilizadas.

Ah, sim.

Ah, é como se fosse um negócio.

Isso, é.

Muito bem, você me diz quanto eu devo a você pelos anos da sua vida que você me

deu. Você diz e eu pago. Depois eu digo a você quanto você me deve pelos anos de

dedicação que eu dei a você, pelos filhos que nós tivemos. Eu digo, você

gente bota tudo direitinho.

Num papel, soma, divide, multiplica, tudo certinho, civilizado, como você

É assim, não é?

Não, Ana, não é assim. Ah, não é assim.

Então, como é que é?

Você fala tanto em gente fina, gente civilizada, não é assim

que eles fazem?

Por favor, Ana, não torne as coisas mais difíceis do que elas já são.

Mas...

Eu não estou tornando nada difícil.

Marcelo, nós vivemos 20 anos juntos.

Mas o que é isso, hein?

Quase nada.

E os filhos? Nós tivemos três filhos, mas o que é isso também?

Ah, é quase nada.

Claro, eles estão grandes, estão crescidos, eles...

Não precisam mais do pai, né?

Bom, mas e eu?

E eu?

Eu tenho que entender, não é?

É.

Tá chegando perto dos 50 anos, é isso? Você, você tá se sentindo velho e...

dizem as revistas, você tá na idade do lobo.

É, precisa se sentir jovem, vigoroso.

Talvez essa...

Franguinha, ela faça você... Marcelo...

Não me deixa, Marcelo.

Não me deixa.

Mas como é que eu posso entender a vida sem você, Marcelo? Me diz.

Eu não posso.

Eu vou ficar louca.

Mas como é que eu posso passar o resto da minha vida sem esperar você?

Sem ouvir os seus passos na calçada de madrugada? Me diz.

Como é que pode? Como é que eu posso viver sem você? Me explica.

Eu não vou saber, Marcelo.

Como é que eu vou conseguir viver sem sentir você?

Sem sentir você como eu estou sentindo agora?

Como é que eu vou poder entender a vida sem você na cama comigo, Marcelo? Como é

que eu vou?

Não vai assim, Ana.

Pelo amor de Deus.

Por tudo que é mais sagrado, não me deixa.

Eu faço tudo o que você me pedir, tudo.

Eu te juro. Eu sempre fiz, mas não me deixa, Marcelo.

Por favor, não me deixa.

Marcelo, pelo amor de Deus, não me deixa.

Não me deixa, não.

Não me deixa.

Não me deixa.

Vítima, vítima da tua janela inquieta.

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