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A gente não devia ter nada de ter se metido. O problema é com os dois.
Socorro, né, Sandrinho?
Nessa sala mesmo ele falou que você podia explicar.
Se eu não tivesse entregado, a mãe já até sabia.
Mas ele quer ir embora por quê? Ele falou isso, ele... Meu Deus, ele tá
apaixonado por outra mulher? Não, mãe, ele não falou nada disso.
Ele só falou que vocês não se amam mais como se amassem.
Mas como não se amam mais?
Meu Deus, eu não faço outra coisa na minha vida, não sei amar esse homem.
Deixa, Karina, não fala mais nada.
Quando o Babo chegar, eles te explicam, conversam.
Babo?
Bem, o que está acontecendo aqui?
A Karina, o Júlio e eu, a gente se reuniu e decidiu... A mãe já sabe,
Mas sabe o quê? Já sei tudo.
Já sei por que levou as crianças para almoçar.
Já sei que quer ir embora.
Já sei tudo.
Mas escuta... É melhor vocês saírem agora que eu vou ter uma conversinha com
pai de vocês. Mãe, olha... Vamos embora, Sandrinha. Deixa que ele se entende.
Mas por que meter as crianças no meio dos nossos problemas?
Eu queria que eles entendessem as minhas razões.
Ah.
E quais são as suas razões?
Que você quer me ver pelas costas? Que já está cheio de mim?
Fala assim, Ana. Mas como é que você quer que eu fale? Como é que você quer
eu fale?
Você quer que eu seja fina?
Educada? Adulta?
Que eu finja que não está acontecendo nada?
Ou você prefere que eu seja atrevida, hein?
Atrevida como a sua sobrinha que entrou na minha pizzeria pra me ofender.
Fala! De que jeito você quer que eu fale? Me diz, de que jeito? Seu
Seu ordinário! Seu safado! Sem vergonha! Que jeito?
Você tá louca, né? De que sobrinha você tá falando? A sua sobrinha.
A que podia ser sua filha, seu indecente, seu safado, seu velho babão.
sobrinha! Me traindo, é!
Eu não admito que você me ofenda dessa maneira. Vai me largar por causa dela?
Vai ficar com aquela franguinha, é? Para ele te botar chifre, é?
E me responde. Olha na minha cara.
Não é homem, não, é?
Eu sou homem.
Eu sou muito homem.
Um homem que não aguenta mais ficar do lado de uma mulher feito você.
Uma mulher desagradável.
Grossa. Que não fala, só grita.
Que não aprende educação.
Mulher que fica dentro de casa, descalço, de pé no chão.
Que me dá vergonha.
Ah, seu ordinário.
Nós vivemos juntos mais de 20 anos.
Mais de 20 anos que eu te dei o meu corpo, te dei a minha alma, te dei tudo.
Deu porque quis.
Eu nunca lhe obriguei a isso.
Mais de 20 anos te esperando como uma idiota.
Para no final ouvir isso de você?
Mais de 20 anos te amando acima de qualquer coisa para no final você me
que você tem vergonha de mim?
Você não pode me dizer isso, Marcelo. Não pode.
Não, não é possível. Você não sente isso por mim.
Não é verdade isso. Não é possível.
Eu não quis dizer isso.
Você me ofendeu.
Sério.
Não me toque. Não me toque. Não me toque.
Está encostando a mão em mim para quê? Para quê? Não estou velha? Não estou bem
velhinha para você? Não estou não?
Eu não queria que a nossa conversa fosse desse jeito.
Desculpa pelo que eu falei.
Nada disso que eu acho.
Você me agrediu, revidei.
Eu respeito muito você, Ana.
Eu respeito muito.
O bico doce de sempre.
Primeiro o fere.
E depois a sobra.
Você fica... Você fica falando da minha sobrinha?
Eu não sei que sobrinha é essa.
Mas como que não sabe?
Como que não...
Sabe, ela entrou aqui na minha pizzeria e me ofendeu.
Disse que entre eu e você não existe mais nada.
Que agora ela é que é a mulher da sua vida.
A Isabela falou isso. Ah, tá vendo?
Eu não disse que ela chamava Isabela. Eu nem sabia que ela chamava Isabela.
Pois se é Isabela a moça que você tá tendo um caso, então foi ela sim.
Ai, Deus do céu.
Marcelo, eu posso até entender, viu?
Ela é tão jovem, ela é tão bonita.
Ela deve ter te seduzido.
Mas você não pode me largar assim.
Nós temos uma vida inteira juntos. Você não pode me largar por causa de uma
franguinha.
Marcelo, eu te amo.
Marcelo, eu te amo mais que tudo na minha vida.
Você não pode me largar assim.
Há pessoas que tiveram mil
coisas.
Todo o bem...
Para procurar novas aventuras Há pessoas
que amam mil coisas
E se perdem
pelas estradas de morte
Me engana, agora já falou.
O Babo já tá indo.
Babo!
Babo! Você já vai embora?
Falou com a mãe.
Como é que a mãe tá?
Eu falei.
Mas isso não acaba assim.
A gente vai ter que se ver muitas vezes ainda.
Odio.
Odio o que vai acontecer.
Ô, pai.
Oi. Oi.
Algum problema aí?
Não, não.
Tô aqui pensando, só.
Pensando.
Filho.
Dá uma coisa aqui.
Se... Se você tivesse um amigo... Um amigo, não.
Uma amiga.
Uma amiga...
Que você gostasse mesmo, assim, bastante.
Uma amiga assim de muitos anos. Uma pessoa que você gostasse muito.
E que amiga que é essa?
Uma amiga... Uma amiga de muitos anos que você não conhece.
Ah, sei.
Ela tem um marido aí, um cara... O marido dela é um cara... Um cara que
também não conhece. É gente nova no mercado.
Ah, e daí?
Essa moça está com um problema, ela veio me pedir um conselho.
E eu sei de umas coisas do marido dela aí, umas coisas desse cara que, se ela
viesse a saber, ela ia ficar vendo como ele é de verdade.
Está entendendo? Ela ia descobrir isso, ela ia entender como ele é mesmo.
Ela ia sentir também que era melhor dar um pé nele, que era melhor separar dele,
pronto, e começar uma outra vida, e não falar mais nisso, acabou.
Era muito melhor para ela.
Ela ia ver por ela mesma, entendeu? Se eu conto. Mas aí que tá. Eu tô achando
que eu não devo contar isso pra ela. Eu não sei se eu devo, se eu não devo.
É uma coisa meio complicada, porque eu não acho bom a gente se meter em vida
outros.
Eu acho feio a gente se meter na vida dos outros. Uma coisa que ainda mais se
meter na vida de um casal.
É, já.
Mas eu também nem sei como eu tô te contando isso, filho.
Não adianta, deixa pra lá. Você não ia poder me ajudar, não.
Por que não?
É muito novo ainda.
Entendeu?
Esquece, deixa pra lá. O que é isso?
Pra namorar a Karina eu sou muito velho. E pra entender as coisas agora eu sou
muito novo? Não me mete a Karina no meio dessa história.
Não me mete a Karina nisso aí.
O que foi?
O quê?
Nada. Como nada?
Deu um susto, você parece que deu um fantasma.
Como é que eu vou ver fantasma aqui na vila?
Enfim, não veio o caso. Vamos voltar ao seu assunto, que é bem mais importante.
Estou com uma ideia aí que pode ser boa para você.
Por que que não vai logo lá na pizzaria e fala logo com a Ana tudo o que você
está achando? Mas quem te falou de Ana aqui? Quem foi que falou? Como que
parece? Quem foi?
Cadê a casa?
Eu te falei de Ana, por acaso. Falei de Ana?
Eu te falei alguma coisa de Ana aqui? É uma amiga amada do mercado.
O quê?
Vai jogar, vai jogar isso agora pra cima de mim?
Rapaz, o que que é, né? Eu já, já, já saquei tudo.
Você não sacou, já saquei. Você não sacou coisa nenhuma, rapaz. O que que
sacou? Nada.
Cristo, isso só pode ser castigo. Isso só pode ser castigo. Eu tenho um único
filho e não consigo conversar direito com ele. Eu não consigo. Peraí. Estamos
conversando aqui.
Vai, vai.
É.
Conversamos, mas não conseguimos conversar direito.
Você não falou pra ele que nem eu?
Mas por que o Marcelo está fazendo isso comigo?
Uma passagem para Roma.
Primeira clave.
Lá no aeroporto vai ter um carro ali esperando para ele levar para um hotel
Sorrento. E lá chegando, você vai encontrar a Ana.
O único trabalho que vai ter vai ser de convencê -la de que você é melhor para
ela do que eu.
Eu estou entregando a Ana.
prejuízo tanto
Ah, Juca, desculpa.
Eu te deixei aqui me esperando. É que eu estava deitada.
Desculpa eu te acordar assim, mas eu preciso muito falar com você. É agora ou
nunca.
O que foi?
Baby, baby, baby.
Vítima, vítima, vítima da sua janela
indiscreta.
Bom, é que eu... Olha, Ana, eu não quero me meter de novo na sua vida com uma
série, mas de jeito nenhum, não quero mesmo, é que...
Você tinha me perguntado se eu sabia de alguma coisa e eu não quis falar.
Ah, então você sabia. Você sabia de alguma coisa com aquela moça? Eu não sei
moça nenhuma. Juro que eu não sei de nada dessa moça. Não sei mesmo. A única
coisa que eu sei, o Josias me falou que ela é morena, nova, bonita.
É, eu sei. Eu vi.
Não precisa ficar descrevendo. Não, eu estou descrevendo. Eu estou tentando...
Pelo amor de Deus, eu estou tentando te falar uma... Pelo amor de Deus, fala. O
que foi?
Pelo amor de Deus, também digo eu.
Eu estou sentindo aqui um fofoqueiro. Eu não gosto disso. Eu detesto fofoca.
Eu sempre te falei que o Marcelo não te respeitava. Você lembra disso, né? Eu
lembro, sim, Juca. Você também sempre me falou que ele nunca ia largar da
Francesca. E você estava certa, ele nunca largou.
Agora ele me aparece com aquela franguinha.
Mas eu não entendo, Juca. Eu não entendo mesmo.
Ele me pega as crianças, me leva pra almoçar, conta que não quer mais nada
comigo, que quer me largar.
Mas um pouco antes me leva pra Itália. E nós ficamos de romance lá mais de uma
semana. O que ele quer comigo?
Ele quer me deixar maluca, é isso?
Não sei porque ele te convidou lá pra Itália. Não sei também.
Pra mim tinha alguma coisa muito esquisita nisso.
Tinha uma coisa esquisita?
Juca, pelo amor de Deus, esquisita assim como?
Bom, ele marcou com você um dia e não apareceu lá.
Então, ele não queria ir.
Ele não queria ir.
Mas como que ele não queria ir? Como?
Eu não sei. Eu não sei como ele não queria ir. Eu não sei te explicar o que
passa na cabeça do Marcelo. Isso também eu não sei.
A única coisa que eu sei é que um dia ele falou que ia conversar comigo.
Que ele queria almoçar.
Bom, enfim, a gente foi almoçar num lugar aí.
Depois... Aí ele me...
Me apresentou lá uma passagem. Falou assim, toma aqui uma passagem pra você
pra Itália. Quando você chegar em Roma, vai ter um carro lá te esperando.
Depois você vai pra Sorrento. Quando você chegar em Sorrento, aí você vai se
encontrar lá com a Ana no hotel.
Mas por quê?
Eu ia me encontrar com você no hotel, é isso.
Que eu não ia ter... Não ia ter trabalho nenhum. A única coisa que eu tinha que
fazer era tentar convencer você... De que... De que eu era muito melhor pra
do que ele.
O que, Shuka?
Estava... Estava me entregando a você.
Estava me entregando?
É, aí... Aí eu discuti com ele. Eu discuti feio mesmo.
Achei isso o fim da picada, né? Eu comecei... Comecei a falar com ele.
isso tem um negócio que não devia ter e... Sei lá, é...
Saí dali, saí louco dali. Nunca mais eu falei com ele, não quero falar.
Sabe, eu achei que foi uma cafá gestada sem tamanho. Estou me entregando pra
você.
Olha, Ana, eu estou com esse negócio há muito tempo aqui. Eu não sabia se eu
devia contar pra você ou não.
Acho até que eu devia ter contado. O que ele pensa que eu sou?
Mas o que ele pensa que eu sou? Que eu sou um pacote?
Que ele pode entregar pra quem ele quer como um pacote? Não devia ter falado pra
você. Não devia estar aí, eu sabia. Não, Juca.
Você fez muito bem de me falar.
Eu tenho que saber quem é o Marcelo. Meu Deus, meu São Genaro. Eu vivi mais de
20 anos com esse homem. Que era praticamente uma besta, uma fera.
Eu não percebia isso.
Ana, você gosta dele. Você ama.
Ama? É quando a gente ama. Ele disse que ele estava me
entregando para você.
Pelo amor de Deus, Juca, ele disse isso mesmo? Ele disse?
Disse, Ana, disse.
Me desculpa.
Desculpa, Sr. Marcelo.
Eu estou com uma cisma de que eu deixei o registro geral do gás ligado. Eu não
estou conseguindo pregar o olho. Dá licença.
Não, não pede.
Imagina. Não é que tinha ficado aberto?
Ah, meu Deus do céu. Que perigo.
Não sei como é que é. O senhor está com fome? Quer que eu faça alguma coisa?
Não. Não, eu vim só pegar um copo de leite para mim.
Ah, eu não sei. Eu nunca esqueci de fechar o gás. Não sei... Ah, eu já sei.
tava limpando a cozinha quando a dona Isabela entrou e me pediu uma roupa que
tava lá na lavanderia e que ela queria levar pra viagem. A Isabela viajou?
Viajou. Ela foi passar uns dias na fazenda do noivo dela.
Eu aí fui pegar a roupa pra ela e esqueci de fechar o registro geral.
Ah, meu Deus.
Bom, agora já está tudo certinho e não tem mais perigo.
Boa noite, boa noite.
Boa noite.
Na fazenda com aquele paspalho.
Sabe que nunca curti assim, desse jeito, a fazenda do meu pai?
É você que está me fazendo gostar daqui.
Às vezes eu gosto desse silêncio.
Dessa calmaria.
Você é surpreendente, Isabela.
Linda.
E surpreendente.
Tá certo que é legal, às vezes, ir pra uma fazenda, dar uma relaxada.
Mas a gente tinha três festas nesse final de semana pra... pra ir.
O libertado da Maurícia falou que ia de qualquer jeito.
Aí, de repente, você muda de ideia, larga tudo e vem embora pra fazenda.
Você não curtiu?
É que eu queria te conhecer um pouco melhor.
Às vezes você me parece uma pessoa que eu conheço bem.
Outras vezes não sei. É super estranho.
E qual das duas você mais gosta?
Você gosta de mim, Isabela?
Eu perguntei primeiro.
Qual das duas você mais gosta?
A Isabela?
Que você conhece.
Ou aquela que se esconde de você?
O que é que você está escondendo de mim?
Você ainda não me respondeu. Qual das duas você mais gosta?
Posso ser sincero?
Das duas.
Já vai, tô indo.
Que saco.
Oi.
Oi, o que é?
Eu sou a Patrícia.
Das fotos que você levou na minha casa, na climação.
Eu te liguei ontem, você falou pra eu vir aqui nessa hora.
Claro.
Tudo legal?
Entra, entra.
Eu fui dormir meio tarde ontem.
Eu vou fazer um café, você toma?
Obrigada. Não precisa se incomodar.
Já ia fazer pra mim mesmo.
Desculpa ter esquecido do nosso encontro.
Mas você é linda.
Barbaritante.
Ela disse que ia passar lá na casa de uma colega do colégio.
Que colega?
Sei, ela falou o nome, mas eu não me lembro, não.
Você vê que essa menina é muito solta, Fátima.
Como muito solta?
Por acaso ela é só minha filha?
Não é isso que eu tô dizendo.
Não é isso, mas parece.
Você vê a menina sair toda hora. Ela entra e sai, entra e sai. Você vê, não
nada. Espera ela sair pra ele perguntar pra mim, né?
Mas você é a mãe.
E você é o pai.
Mas a mãe é mais amiga da filha, pode conversar. Pai também, é só abrir a
Ah, você está tão azeda, Fátima. Meu Deus do céu, qualquer coisa que eu falo,
você vem com duas pedras na mão?
Eu não estou azeda, Cleber. Eu estou te falando há uma semana que eu quero
trabalhar. Ah, de novo esse assunto? Como de novo?
Como de novo?
Eu comecei a conversar com você, você deu um murro naquela mesa e deu o caso
encerrado. Que história é essa agora? Eu tenho que baixar a cabeça? Sou sua
escrava, por acaso? Você está exagerando. Não estou exagerando coisa
Coisa nenhuma.
Algum problema aí? Pergunta aí pro seu pai. A gente tem que ter uma paciência.
Bom, aí eu tive que me mandar de lá.
E as suas fotos eu fiquei com pena.
Vamos ver.
Ficaram tão boas, né?
Eu achei que você queria ficar com elas.
Me passa a geleia, por favor.
Você achou que as fotos ficaram boas mesmo?
Bomba.
De primeira.
Bom. Modéstia às favas, o garoto aqui tem bastante talento. Não, não é disso
eu tô falando.
No seu talento eu sei, né?
É que eu queria saber se você acha que eu tenho... jeito pra modelo, sabe?
Pra... pra posar?
É. Pra posar, pra desfilar.
Você tá vindo levar esse troço sério mesmo?
Tô muito.
É tudo que eu mais quero na minha vida.
Bom, foi por isso que eu te telefonei.
Quer dizer, eu não me expliquei direito porque eu achei que você podia me
dispensar, né?
Sabe como é que é? Gente pedindo oportunidade. É sempre chato, né?
Mas é que eu não tenho como começar.
Eu não conheço ninguém.
Eu não tenho dinheiro.
Sabe?
Eu sei que é uma carreira muito difícil, né?
Importância. Eu quero tentar.
É tudo que eu mais quero na minha vida.
Olha, eu só tô insistindo, porque se você levou as fotos lá em casa, alguma
coisa em mim você viu, né?
Eu sou cesta.
Eu não sou cega.
Você é linda.
Para com isso.
Eu sei que tem que fazer curso, tem que ter dinheiro pra fazer book.
Não sei onde que eu vou arranjar, mas se você...
Que é um cara do ramo. Se você me disser que eu tenho jeito pra coisa... Aí...
Bom, é o seguinte, ó. Dinheiro não é um problema, que eu posso fazer as fotos
pra você.
Depois eu conheço muita gente nas revistas, nas agências... Foi isso que
vendei!
Que isso!
Me larga!
Me larga!
Menina, menina. Ai!
Ai! Ai!
Ai! Ai! Ai! Ai!
Ai!
Foi.
O que foi, menina? Você passou correndo pela sala?
Você nem me viu.
Não.
Ele tava na cozinha, papai no banheiro. Pô, você nem falou nada comigo.
Foi tão horrível, Jefferson.
Horrível? O que foi horrível?
Ele é um cafajete.
Grosso.
Por que tem que ser assim, Jefferson? Ô, maninha.
Pois é, entrou, foi direto pro quarto e francou
lá dentro.
O Jefferson foi lá falar com ela.
É. Mas eu vou pôr a mesa sem ele. Não, espera um pouquinho, mãe.
Essa história de você querer trabalhar fora de casa, você está falando sério?
Claro que é sério, meu filho.
Você acha que eu tirei diploma para ficar mofando aí na gaveta?
Quando eu casei com seu pai, eu já trabalhava fora.
Quando vocês nasceram, eu achei que eu devia ficar em casa, cuidando de vocês.
Mas naquela época era diferente.
Seu pai tinha uma boa clientela, meu salário não fazia a menor falta.
Agora não. Vocês cresceram. O que eu vou ficar fazendo aqui em casa? Não preciso
mais de mim. Como é que a senhora não tem o que fazer aqui dentro, mãe?
Como é que essa casa aqui vai andar, senhora?
Ai, anda muito direitinho. Tem micro -ondas, tem a faxineira que vem uma vez
semana, tem frise. Se cada um fizer a sua parte, dá certo.
Em qualquer país civilizado é assim.
Cada um faz a sua parte e a casa funciona.
Mas aqui não. Tem que ter uma burra de cara. Eu não falei isso.
Só a gente arranja uma empregada.
Empregada? O mamãe e o papai trabalham o dia inteiro aqui dentro de casa. A
senhora vai deixar ele sozinho com o empregado aqui dentro de casa?
Ah, eu não acredito. Isso é preconceito seu. Você acha que seu pai vai ficar com
minhoca na cabeça porque tá com o empregado em casa?
Mamãe e o papai é homem.
Ai, meu Deus do céu, eu não acredito. Eu criei um filho machista.
Você acha que toda empregada vinde pra cama com o patrão? Não, mas não foi isso
que eu quis dizer, mãe.
Mas foi o que você disse.
Esse celular tem que virar esse almoço.
Eu acho.
Eu acho que sua mãe tem toda a razão. Se você tá pensando que eu vou me casar e
me enfiar na polícia, você tá enganado.
Você já falou isso.
Então eu tô falando que pra você não esquecer. São duas pipocas. Tá bom,
Rosângela. Eu acho que eu sei o que a minha mãe tá passando.
Eu tava olhando ela na hora do almoço.
Coitada, ela tá arrasada.
Eu nunca vi minha mãe daquele jeito. Nunca.
Vai ver, você nunca prestou atenção direito nela.
Como eu nunca presto atenção, Rosângela? Não é minha mãe?
Se eu fosse você, eu levava um papo com seu pai.
Acho que eu vou fazer isso.
Espera.
Pode me dar licença?
Obrigado. Senta aqui, amor.
Se tem uma coisa que me deixa profundamente irritado são essas pessoas
se esparramando no cinema.
Ai, não vai arrumar a encrenca, né?
Já imaginou ficar o filme inteiro com o pezão balançando do seu lado?
Ai, bem, agora fica quietinho.
Sabia que falar durante o filme é mais forte a educação ainda.
Rosângela... Opa, capiradão, te chamei a atenção, não foi à toa, não.
Você finila a utopia, mas a guerra todo dia é de adirana.
Tá bom.
Então você vai.
Pode deixar, vai numa boa aí que a gente dá um jeito aqui. Tá bom? Obrigado.
Obrigado mesmo, hein, Júlio.
Vai com o seu, hein.
Vamos ver.
Tchau.
Tchau, Júlio.
Tchau, até amanhã. Boa conversa.
Para você eu sou que nem eles, um empregado. Ah, tio, para com
isso. Mas para eu não quis que a Janina falasse, também não falei nada.
Porque é um assunto muito delicado, tio.
Não queria que ninguém fosse lá buzinar no ouvido da Ana.
Essa é a história.
Eu queria que fosse eu, assim, pra explicar pra ela tudo direitinho,
Pronto, voltei, acabou.
Eu queria que todo mundo lá, na moca, ficasse sabendo que o Marcelo queria
passar ela assim pra frente, como se ela não fosse nada.
Eu sou algum linguarudo e eu ia buzinar.
Eu sou um linguarudo pra cá.
Não me faça escândalo, porra. Senta aí.
Senta aí. Não me faça escândalo.
Seguinte, eu já falei pra ela, já contei tudo, ela já sabe. Pronto, ninguém
precisa saber de mais nada. Acabou o assunto aí, morreu.
Tá?
Poxa, tem que ver, coitado, o jeito que ela ficou.
Também tem uma coisa, hein?
Muito difícil agora ela continuar se enganando com o Marcelo.
Pra você ficou melhor, então.
Você vai lá e... Isso é jeito de falar?
É por isso que eu não se conto nada?
O que a tia tá fazendo?
O que você está fazendo aí?
Não se mexa na minha vida, tá?
Ela quer que a gente assine uma lista para andar para fora, chegar para a
vizinhança com vocês.
Está ficando louca, senhora?
Eu já falei para ela que isso não adianta.
Mas é teimosa, é teimosa a vida do mamuro.
É o pessoal da vizinhança que tem que assinar. O pessoal do mercado não sabe
quem é que tem.
Vocês estão pensando que eu me esqueci daquela vaciada de água suja?
Vocês estão muito enganados, viu? Estão muito enganados.
Pode demorar um dia, mas aquela magabunda sai de lá.
Se sai.
Não acredito.
Eu não acredito. Eu não acredito que o Marcelo tenha feito uma coisa dessa. Meu
Deus do céu, o que é isso, gente? Eu conheço muito homem que faz gestos, mas
desse jeito?
Ai, não acredito fazer uma coisa dessa.
O que é isso? Ainda mais para o Juca.
E você acha que o Juca ia mentir? De jeito nenhum.
O Juca não. Ai, meu Deus, eu me senti tão humilhada.
Mas por quê? Por que que o Marcelo tá fazendo isso comigo?
Por quê, meu pai do céu?
Se fosse eu, se fosse eu, eu ia logo falar com essa moça, viu? Eu dava logo
cascudos no meio da testa, botava ela pra correr, acabava logo com essa
história. Ô, mãe. Ai, mãe, peraí, mãe. Tadinha, vou botar um pouquinho de
Não tá conseguindo engolir.
O Marcelo não tem mais carinho comigo.
Não tem respeito.
O que você tá falando aí? O que foi?
O que você tá falando?
Eu tava falando comigo mesma.
O Marcelo não me ama mais.
O que é isso? Não vai acontecer boba. Isso aí é fácil.
Homem é assim mesmo. De vez em quando eles se encantam com o rabo de saia novo
dão um trabalho.
Depois levam logo um chifre na testa e voltam tudo pra casa com o rabo no meio
das pernas.
Conhece essas histórias? Conheço.
Sabe como é que é, né?
Cliente. Cliente fala tudo.
Pra eles, a gente é assim, uma espécie de psicóloga.
Eu tenho uma amiga, Janice.
A Janice disse que a gente é psicóloga.
O que foi? Eu vou perder ele pra aquela franguinha.
Eu sei que vou.
Eu vou perder ele.
Você tem certeza que a Isabela foi pra esta fazenda? Eu tenho sim, senhor. O
telefone também está aqui.
Obrigado.
Pra você.
O que é isso? Não é preciso.
Eu faço questão.
Eu não quero que ninguém dessa casa saiba que eu fui para essa fazenda.
Ninguém vai saber.
A dona Filomena sabe que eu quero falar com ela.
Ele está esperando o senhor no escritório.
Não levante a voz comigo.
Mesmo que eu fale sussurrando, Filomena, vai ter a mesma força.
Você. Me traiu. Não tenho culpa se a Francesca resolveu desertá -lo. Eu não a
induzia a nada.
É impossível acreditar nisso.
É impossível.
Você conhecia minha irmã muito bem.
Tão bem quanto eu.
Sabe que ela não faria nada que não quisesse.
E sei também que no momento de raiva seria capaz de qualquer loucura.
A Francesca ficou sabendo dos meus filhos com a Ana.
Você se aproveitou disso.
Foi com ela ao cartório e deve ter sugerido, assim como quem não quer nada,
era o seu feitio, que uma vingança maravilhosa contra mim seria me deixar
miséria. Eu não aceito uma acusação dessas.
Não é de mim, tu.
Eu fiquei sem nada.
A Carmela ficou sem nada.
Tudo isso é muito suspeito, Filomena.
Eu não vou mais discutir com você.
O que está feito, está feito.
Eu disse que acho suspeito e vou explicar porquê.
Pouco mais de uma semana de você ter se tornado praticamente a única herdeira da
Francesca, ela é assassinada.
Você está insinuando o quê?
Eu não estou insinuando nada.
Mas eu tenho certeza de que a polícia vai achar tudo isso muito interessante.
Se você quiser chamar a polícia, fique à vontade.
Mas tenha certeza que quando o investigador entrar por aquela porta,
pela porta dos fundos. Levando todos os seus cacarecos que não são muitos.
E pode começar a se despedir dessa casa e do frigorífico.
É claro que você pode continuar da sociedade dos restaurantes. Mas tenha
que eu também vou dar um jeito de tirá -lo dessa sociedade.
Você está me ameaçando.
Não.
Não é uma ameaça.
É uma decisão.
Entendeu? Vamos trocar de roupa, que já estamos atrasados por turrasca dos
alunos. Sim, antes das quatro horas da tarde, lá naquela casa não sai comida.
Já são quase quatro horas, Alonso. Eu já vou, já vou.
Eliseu, escuta uma coisa. Olha, olha o que o jornal está falando.
Olha aqui.
Cinco funcionários do aeroporto internacional foram presos e depois
por falta de provas. A firma que presta segurança na sala VIP foi
responsabilizada e vai se defender na justiça.
Já fizemos vários artigos nesse jornal sobre a falta de segurança dos
passageiros. Mas até agora nada de concreto foi descoberto do envenenamento
que foram vítimas o doutor Hélio Ribeiro e dona Francesca Ferreto Rossi. Quer
dizer, isso vai acabar como os crimes de colarinho branco no Brasil. Quer dizer,
arquivado. É, eu espero que não, viu, Eliseu?
Escuta, aquela moça, a filha do Hélio Ribeiro que esteve aqui, ela deixou
endereço? É, deixa assim, por quê?
Não, nada demais.
Você me dá depois?
E agora chegou você a atender a Filoque, tá de ouvirado.
Olha, quando ela fica assim, olha, não tem quem aguente.
Eu estava pensando, já que você fica aqui o tempo todo, quem sabe você
alguém aí da favela. Olha, dona, eu não conheço ninguém mesmo aí.
Você sabe que roubaram a minha bolsa com todos os documentos, não sabe? Sei,
olha, mas eu não tenho nada com isso.
Eu sei, não é isso que eu estou dizendo.
Você podia conhecer alguém, aí eu ia falar com essa pessoa e dava uma
para recuperar a minha bolsa, porque...
Vai ser um trabalhão ter que tirar todos esses documentos de novo.
Olha, eu não conheço o mesmo, dona. Já falei pra senhora.
Olha lá!
Olha lá aquele menino! Ele estava junto com os meninos que roubaram a minha
bolsa! Menino! Não se mete com essa gente, não, dona!
Vem cá!
Espera aí, menino!
Acorda ali.
Levanta ali.
Alguma coisinha.
Me ajude aqui, por favor.
Meu Deus. Ele vai morrer.
Irene, eu já li isso aqui, minha filha. Já reli.
Eu não sei se você quer que eu veja.
Como não sabe, mãe?
É tão óbvio.
Irene, para de mistério. Você sabe que não tem menor jeito para detetives. Fala
logo, vai.
Mãe. O pai falou aqui que tomava três a quatro doses de uísque antes de embarcar
no avião. Deu a marca que ele preferia e tudo.
E daí?
Todo mundo sabia disso?
Todo mundo das nossas relações. Só que depois que ele falou isso na revista,
ficou público. Qualquer um pode ter lido. Inclusive o assassino.
Você percebe?
Aquela história do investigador de que o assassino do papai forçosamente alguém
das nossas relações foi por terra.
Verdade.
Qualquer um podia ter lido isso, né?
Eu vou passar na delegacia porque eu deixei essa revista pro investigador.
Irene, eu já pedi pra você não se meter nessas investigações. Não fica nervosa.
Eu só vou passar e deixar na delegacia.
Eu tô indo pro jogo de vôlei com o pessoal da faculdade.
Tchau. Tchau.
Eu queria jogar profissionalmente, meu filho. Ah, o time ainda vai ficar
mamãe. Bem melhor. Parece que o Sandrinho e o irmão dele estão saindo de
Pediram transferência pra faculdade aqui de São Paulo. O time vai ficar que é
uma beleza, papai. Tô tão orgulhosa, Jéssica. É, mas eu não acho que vocês
precisando dessas pernas de pau, não. Que perna de pau, mamãe? Mas eu fulei,
mamãe.
Vamos
lá,
vamos lá. Junta aí, Jéssica.
Socorro, né? Vocês precisavam perder tão feio assim.
É que o time tava meio desfalcado.
Nossa, gostei tanto de te ver você jogar.
Desculpa, desculpa.
Depois que você saiu, eu corri atrás pra te pedir desculpas.
Eu não sou nenhum santo, mas eu não precisava ter sido cafajense pra ter
jeito com você.
Eu devia ter visto logo que você era um tipo de garota.
Você me desculpa.
Isso, bora, me solta. O que é isso? Tá segurando minha filha por quê? Por quê?
Eu sou um fotógrafo profissional, hein?
Bom, eu tô fazendo um bico aqui no jogo, né? Então eu vi o rosto da sua filha e
achei que ela podia ser modelo.
Eu queria tirar uma foto dela, mas ela se recusou. O senhor fica aqui com o meu
irmão. Que cartão que nada.
Está pensando o quê? Que pode ir forçando as pessoas a tirar fotografias
Sem mais, sem menos.
Nada disso.
O senhor me desculpa. Isso é um abuso. Está entendendo? Um abuso. Uma falta de
respeito. Papai, ele já pediu desculpas.
Olha, eu não sei onde estou. Porque eu não meto a mão na sua cara.
Foi lento, chato, foi um jogo chato. Mas agora a sua parte, Júlio, a sua
participação em especial foi uma coisa que me deixou muito emocionado. Eu
conheço nós, socorro, né? Os outros vão de trás.
Acho bom que você tenha vindo com eles ver o jogo, viu, Karen?
Ué, por quê?
Porque agora, um na frente do outro, eu posso fazer uma pergunta que tá
martelando na minha cabeça faz tempo.
Toninho.
Como é que você soube que meu pai chamou a gente pra conversar pra dizer que ia
se separar da minha mãe? Ih, cara, ô, Julio, não venha ao caso esse tipo de
coisa, né? Depois a gente vê isso aí.
É, é, mas eu não esqueci, não.
Foi a Karina, né?
Eles continuam se encontrando.
É ou não é?
É ou não é?
Você não paga imposto? Você não é descontado do INPS?
Então, você tem direito a atendimento médico. Não é favor nenhum, não.
Falei que estamos fechando, dona. Estamos fechando uma pinóia.
Sai da minha frente, porque eu não vou deixar esse menino morrer aqui.
Sai da minha frente, porque se eu não volto aqui com polícia, jornal,
você vai ver o escândalo que eu faço aqui nessa porcaria.
Ai.
Não liga a Júlia, não.
É, adora andar a pé, né?
Deve estar aí pela cidade.
É, no outro dia não foi assaltado aqui na porta de casa?
É. Espera um pouquinho, Carla.
O que foi?
A moça que a senhora mandou subir.
Já vou.
Carla, vou ter que desligar. Tem uma senhora aqui querendo falar comigo.
Sobre a morte do Hélio.
Pois não?
Eu sou Helena Ribeiro.
Como vai?
Cacá Ferreira de Vasconcelos. Prazer.
Gente, obrigada.
Você vai embora comigo agora.
Já.
Até lá.
É dela?
Não vai saber que eu tô aqui.
Eu vim a pé depois que eu falei com você no telefone, deixei o cavalo lá no
cocheiro e vai pensar que eu tô na casa.
Você não aguentou, né?
O que
foi?
Você não tinha nada que teria de procurar, Ana.
Você não tem esse direito.
Você veio pra cá pra brigar comigo?
A cozinheira foi se queixar com o patrão, né?
Você não precisa seguir filha dela dessa maneira.
Ah, vá para o inferno. Volta aqui.
Você fica só com ela?
Ah, fica com ela. Faça bom proveito. Não sei o que você está fazendo aqui
comigo. Fica aqui.
Me solta. Me solta.
Ela já está humilhada demais.
Você não tinha que ter feito o que fez.
É dela que você gosta?
É?
Não, não gosto.
Eu gosto de você.
É de mim que você gosta?
É de mim que você gosta?
Fala.
Fala que é de mim que você gosta.
Você sabe que é.
É.
Você me quer.
Você me quer agora.
E nenhuma outra mulher te deixa assim como eu te deixo.
Eu quero você agora.
Senta que eu te faço o que ela nunca te fez.
Quer?
Só pedi. O que você quer que eu faça?
Vem. Fala pra mim o que você quer.
Fala o que eu faço.
Você me deixa louco.
Fala que eu faço.
Fala. Mas fala que é de mim que você gosta. Fala o nome dela.
Fala que é de mim que você gosta. Fala.
É de você que eu gosto.
Fala.
Marcelo apareceu?
Não. Não, até agora não.
Deixa o Dias me faz um pouco.
Toma conta de tudo que eu vou me deitar um pouquinho, tá bom? Tá.
Ah, e as crianças foram aonde?
Ao vôlei. Eles te falaram.
Esqueci. Vai falar um pouco, vai começar.
Para de me enrolar, Toninho. Para de me enrolar.
Júlio, larga ele.
Júlio, larga o cara. Ficou maluco, rapaz.
Fala, quem foi que falou da história do almoço que meu pai teve com a gente?
Quem foi? Fui eu, Júlio. Fui eu que falei. Pode falar, Tonico. Foi ele. Foi
você? Que história é essa? A gente tinha combinado de não falar nada.
Eu estava muito chateado em encontrar o Tonico. Eu me abri com ele.
Eu não fiz por mal, Júlio.
Agora tanto faz. A mãe já sabe.
Nem no irmão a gente pode confiar, viu?
Nem no irmão. Júlio!
Júlio, calma a bolsa, Júlio.
Eu estava te devendo essa.
Nossa, Andressa, fui no máximo.
E aí, garota?
Como é que é ali, otário? Vai ficar por aí? Não, não, já vou.
Então vamos, né?
Tô saindo, te espero lá fora.
Juízo vocês dois, hein?
Obrigadão.
E Dom Leme?
Não sei, viu?
Só sei de uma coisa, meu irmão quietinho.
Só sei que de agora em dia a gente tem um aliado.
E aí, Ireninha.
O Jefferson e o Sandro já foram embora.
Mas se você quiser, eu posso te dar uma carona.
Ah, então eu quero.
Vamos.
Curtiu o jogo?
Bom, eu cheguei um pouco atrasada. Meu caro, que rencona marginal.
Olha esse saco, viu?
Mas deu pra ver um pouquinho.
Você tá cada vez mais de fome, hein?
Obrigado. Tô treinando, né?
Você tá indo pra casa agora?
Tô. Poxa, se você quiser me deixar lá, ainda tem que mandar um guincho pegar
carro, pode?
Tudo.
Ai, droga.
Tá se sentindo melhor?
Eu tô com dor aqui, aqui.
Mas o médico disse que vai passar.
Ele já te deu remédio, não deu?
Uhum.
Esquisente, mas sacana. Você viu?
Não queria te atender.
Por ele se morria lá na sala de espera.
Aqui é assim mesmo, dona.
Eles nunca atendem a gente.
Mas se não atender em você, vou atender quem?
Eu cúmulo.
Dona, olha lá o Marco, ó.
Você conhece ele?
Ele mora de vizinho lá na favela.
Olha, acho que ele está te chamando.
Vai lá, vai ver o que ele quer.
Vai. Eu vou lá ver o que ele quer.
Você quer falar comigo?
É que eu vi que a senhora peita o pessoal aí.
Minha mãe está precisando desse remédio.
Eles têm, mas não é para todo mundo que eles dão.
Amanhã eu vou levar ela a um médico particular, mas se ela não tomar o
não dorme de dor.
E com o que a gente fala pra pegar o remédio?
É com o rapaz ali, ó.
É bom, é bom.
Mas dá pra acostumar não, hein?
Eu não sei porque é tão difícil uma pessoa pegar um remédio aqui dentro.
Desculpa eu estar te perguntando isso, Irene.
Bom, você também já deve estar sabendo que é o que todo mundo anda comentando
na faculdade, né? Claro, é natural, né?
Uma história que teve em todos os jornais, na televisão, tudo bem. Pois é,
descobriram nada até agora?
Nada.
Já investigaram todo mundo no aeroporto, prenderam o pessoal, depois soltaram,
responsabilizaram as seguranças, mas pista sobre assassino nenhuma.
Isso é muito estranho, viu, Irene?
E você tem alguma ideia do que realmente pode ter acontecido?
Sim, cada hora eu me faço uma ideia diferente pela cabeça, viu?
Eu acho que tinha que investigar na família da mulher que morreu junto com
pai.
Eu tentei, mas é uma agência estranha.
Eu dava tudo pra poder voltar praquela casa.
Bom, pelo jeito, né, você tá como um nojo lá em casa, sem ter a mínima ideia
como. Seu marido conhecia minha irmã?
Não faço a menor ideia.
É muito estranho isso, sabe? Eu tenho pensado, pensado, porque que ele se
conheceu, se conheceu. E muito bem. É, como eu já falei, eu e a minha filha,
vimos todos conversando na sala de embarque.
Eu realmente não sei o que falar pra senhora. Ah, por favor, me chama de
Que ser senhora, hein, me dá mais uns 10 anos.
Desculpe.
Eu realmente não sei o que falar para você.
Eu já falei tudo sobre esse assunto. Eu não tenho mais nada para falar.
Na verdade, eu não gosto de falar sobre isso. Me faz mal.
Eu prefiro deixar esse problema com a polícia.
Ah, mas aí é que está. A polícia não está fazendo grandes avanços na
investigação, não é? Não concordo.
Muito pelo contrário.
Eu acho até que eles têm sido muito eficientes.
Eles têm levantado todas as possibilidades, têm feito uma
minuciosa. Ah, então você deve estar sabendo de coisas que nós não sabemos.
Desculpe, eu realmente já falei tudo que eu sabia sobre esse assunto e
eu estou um pouco atrasada por um compromisso.
Não, desculpe, eu imagino que estou aqui tomando o seu tempo. Não, de maneira
nenhuma, desculpe.
Só mais uma coisinha.
A sua filha, a Irene, aquela moça que esteve lá em casa, ela não está?
A Irene esteve na sua casa.
Desculpa interromper.
Minha filha Irene. Você não disse que ela esteve na sua casa?
Não, Irene.
Sou Cacá de Vasconcelos.
Sou irmã de Filomena que você foi lá procurá -la em casa, lembra?
Ah, não pode mais.
esconderijo no milésimo andar, desfio noite e dia sua vida secreta, o
frio de São Paulo me faz transpurar, sou vítima,
vítima, vítima
da sua janela indiscreta.
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