All language subtitles for A Próxima Vítima Capítulo de 25031995 Globoplay

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Original subtitles

Sabe o quê?

Eu não entendo. Eu não entendo como é que o Marcelo passou todos esses anos

você. Teve filhos e tudo.

Mas o que é isso?

Mas o que você quer comigo, hein?

Eu quero que você saiba que não adianta você ficar fazendo chantagem pra cima

dele. E botando seus filhos contra ele. Você tá entendendo? Não adianta.

Mas do que você tá falando, hein?

Eu tô falando que ele não suporta mais olhar pra sua cara.

E que agora... Agora eu sou a mulher da vida dele.

E que pra você, acabou.

Mas nós estamos entendendo.

Acabou. Mas quem é você, hein?

É uma maluca que resolveu me encher meu saco, é?

Nossa, ainda por cima de tão lugar.

O que é isso?

Vai sair daqui.

Vai daqui.

Sabe o quê? Eu não entendo.

Realmente não entendo como é que o Marcelo passou 20 anos com uma mulher

você. O que é isso?

O que o Marcelo tem na cabeça?

Mas sai daqui!

Mas sai daqui que senão eu te meto a mão na cara! Sai daqui!

Mas me bota essa mulher pra fora! Me bota!

Não, não, não. Não precisa me tocar.

Eu já tava de saída.

Sabe que eu pertenço ao cheiro de cozinha vagabunda.

Calma, calma.

Calma, calma. Meu Deus, meu Deus.

Meu Deus, meu Deus.

Será que ele teve coragem?

Será que ele teve coragem? Fica na caixa pra mim.

Será que ele teve coragem?

Mas o Marcelo não ia fazer isso comigo, não.

Ele não ia fazer isso comigo.

Ele não ia fazer.

Ele não ia fazer.

A minha vida com a sua mãe não dá mais, filho.

Não dá.

Eu não tenho como manter essa relação.

Eu não sei como explicar.

Acabou.

A paixão acabou.

Isso é um sentimento.

É um sentimento que é muito forte dentro de mim.

E eu tenho que respeitar esse sentimento.

Eu adorei todos os anos que vivi com a sua mãe, mas agora acabou.

Eu já expliquei para você, para os seus irmãos.

Eu acho que, quando você for mais velho, quando você tiver que

enfrentar um problema como esse, você vai me entender.

Não.

Não vou entender, eu nunca vou entender, Pabllo.

Uma pessoa que foi importante pra sua vida, como você mesmo disse, te ajudou a

estar na posição que você tá hoje.

Uma companheira teve sempre do seu lado.

Escuta, filho.

Fala de paixão, Pabllo.

Pabllo, a paixão acaba.

Mas o carinho continua, o companheirismo, a amizade, é isso que eu

Eu não sei como explicar.

Você é o meu filho mais velho.

Você é a pessoa mais importante para mim.

Você... Você é um homem.

Você é um homem como eu sou.

O Pomba.

Eu não tenho mais 20 anos.

Eu não tenho mais a vida inteira pela frente.

Eu não quero ficar sentado numa cadeira do papai com um chinelo confortável no

pé.

Se eu fizer isso, eu vou morrer. Eu não quero. Eu quero viver.

Eu quero ser livre.

Daqui a pouco eu tô um velho.

Nossa.

Você precisa ver quantas vezes você diz eu.

Quantas vezes eu disse...

Mas de que você está falando? Você só pensa em você.

Sempre assim, eu, eu, eu.

A pouco se importando o que vai acontecer com ela, né?

Com defensa, bala.

Sérgio, volta aqui.

Volta aqui, Sérgio.

O que foi, Josias? Me conta aí.

Não, depois a gente conversa. Sabe que eu deixei a pizzeria sozinha. Peraí,

peraí, peraí. Vamos lá pro meu quarto e a gente conversa. Não, não.

Deixa.

Afinal, essa casa é sua, não.

Eu e o Vitinho já acabamos mesmo de comer.

O quê?

Mas quem acabou?

Eu não falei que queria umas polenta? Traz a polenta.

É, vem, vamos.

Não se preocupa não, senta aí.

Me fala aí, peraí.

O que foi que aconteceu, Júlio?

Bom, é que apareceu na pizzeria uma mulher.

Eu não escutei o que elas estavam falando, mas eu sei que era sobre o

Uma mulher? É, uma mulher morena, morena, bonita, sabe, nova, ainda com os

cabelos compridos.

Quando eu me aproximei, a Ana já estava explodindo.

Aí a mulher foi embora, a Ana pegou o carro e saiu. E ela estava muito

Pera, pera, pera, pera, não estou entendendo. Ela foi atrás da mulher, é

Não, ela foi atrás do Marcelo, no frigorífico.

Sabe, eu estou preocupado, Juca, ela nunca fez isso.

Como? Dona Ana Carvalho da Força Aérea da Mama?

Tá, pode entrar.

O Sr. Marcelo não está, Dona Ana.

Me aprende, por favor.

Por favor, Dona Ana. A senhora está me criando uma situação embaraçosa. Ainda

aprende.

Eu disse que o Sr. Marcelo não estava.

A senhora... Eu posso ajudar a senhora em alguma coisa?

Baby, baby, baby Com o flango e frio de um

torturador Eu planejo passo a passo atacar teu amor, baby

Ah, baby

Do meu esconderijo no milésimo andar

Desfio noite e dia sua vida secreta O frio de São Paulo me faz

transcurar Sou vítima, vítima,

vítima da sua janela

indiscreta.

Eu quero falar com o seu Marcelo, com o Marcelo Rossi.

Ok, ele saiu. A senhora não quer se sentar um pouco? Está um pouco nervosa.

eu não quero nada. Eu só quero falar com o Marcelo. Só isso.

Pode deixar que eu atendo ela.

A senhora é uma das nossas clientes? É a dona Ana Carvalho, da pizzaria da mama.

Uma das nossas principais clientes.

Obrigada. Por favor, eu atendo ela. Traz um cafezinho para ela, por favor. Não,

querido, obrigada, que eu não quero, mas não quero nada.

Eu já disse, eu só quero falar com o Marcelo.

Por favor, sente -se.

Esse homem não pode fazer isso comigo.

Desculpa. Me desculpa.

Não é desculpa, mas eu estou tão nervosa.

Me desculpa.

A Ana de boba não tem nada, viu? Desde aquele almoço que o Marcelo levou as

meninas que ela está com a pulga atrás da orelha. Agora aparece essa bonitona

que você vende, meu Deus do céu. O que ela faz? O que ela faz? Falou, meu Deus

do céu, mas não é possível que você não tenha escutado nada.

Eu não escutei. Agora a Ana mandou botar ela pra fora.

Pra você ver, pra Ana mandar fazer isso, né? Pra Ana fazer isso, pra Ana fazer

isso, porque já tava com os pacovais estourando, né? Só faltava ela.

Só faltava o Marcelo ter uma terceira mulher na vida dele.

É tudo sacrifício pra nada.

Ai, nem me fale isso.

Pesola, esola, mas vou te contar, viu? Que raça, hein? Que raça de homem!

Ah, não posso fazer isso, meu filho. Não posso.

Não ia ser honesto nem com ela, nem comigo.

Eu tô pedindo pra você dar um tempo, papo.

Manda.

Mas eu não tenho esse tempo pra dar.

Tá, então você paga aí. Eu tô indo embora, tá?

Não, não. Não.

Não faz isso.

Não me olha desse jeito.

Tenta entender, filho.

Só já entendi, Bárbara.

Não entendi, não tem jeito.

Qual o sinal?

Vamos jogar uma partida de sinucão?

Vai embora.

Escuta, filho.

Vou dizer uma coisa que eu não devia dizer.

Eu vou dizer pra você.

Só não quero que seus irmãos fiquem sabendo disso nunca.

Nunca.

Deus lhe disse uma vez que você foi a maior alegria da minha vida.

Deus não disse que... Eu não disse, mas eu vou dizer agora.

Dos três.

Dos meus dois filhos e da minha princesinha.

Você é o meu preferido.

Você diz que eu sou egoísta.

Vai ver, eu sou mesmo.

Eu gosto de você porque você é o que mais se parece comigo, é o que tem mais

meu jeito.

Eu olho para você e vejo você fazendo as coisas que eu fazia quando tinha a sua

idade.

Eu ia suportar que qualquer um dos dois voltasse contra mim.

Mas você... Você não ia suportar.

As coisas têm que ser desse jeito, hein, babo?

Por quê?

Obrigada. Já estou melhor.

Que ótimo.

Eu imagino que deve ter acontecido alguma coisa muito grave.

É. Pena que eu... Eu não sei como te ajudar.

Ah, você já ajudou meu filho. Muito obrigada.

Me desculpa.

Você quer que eu dê algum recado, Marcela?

Quero.

Quero. Eu quero que você diga que eu vim até aqui, que eu... que eu tenho que

falar com ele, que é uma coisa muito importante e urgente.

Você, pelo amor de Deus, só não diga que eu... que eu chorei, que eu me

descontrolei, que... que praticamente eu fiz esse papelão horrível aqui no

escritório de vocês.

Imagine papelão.

Todos nós temos os nossos problemas.

É, meu filho.

Todos nós temos.

Alô, André.

Não, pode passar.

Eu falo com ela.

É minha noiva.

Ah, é sua noiva. Que bom.

Então me desculpa mais uma vez. Tchau.

Obrigada. Desculpa.

Oh, meu amor, que surpresa.

E aí, está tudo bem?

Mas aquela mulher, aquela mulher pode ser uma maluca.

Marcelo não ia fazer isso comigo, mas ele não ia fazer isso comigo.

Mas o que você está fazendo aqui?

Ô, Josias, ninguém falou.

Você falou com o Marcelo?

Não, ele não estava. Mas o que foi que o Josias falou?

Ah, que... Que apareceu uma mulher lá na pizzaria.

Que você saiu perturbada. Ai, Juca.

Juca, pelo amor de Deus, olha pra mim.

Tô olhando.

Não, mas olha. Olha assim de verdade. Olha.

Olha nos meus olhos, Juca.

Pelo amor de Deus, mas não responde.

Pelo amor de Deus, não me esconde nada, seja sincero.

Não, faz o seguinte, vamos sair daqui, vamos.

Vamos, aqui não é lugar para a gente estar conversando.

Você está me escondendo alguma coisa, eu juro. Você está me escondendo alguma

coisa assim.

Ana, vamos embora daqui e a gente conversa em outro lugar.

Eu estou com o meu carro, mãe, deixa o teu carro aqui.

Depois o Marcelo manda te levar o carro, ou então os meninos dentro do carro.

Vamos embora daqui, vamos.

Mas você está me escondendo alguma coisa.

Ana, me faz um convite. Mas só me diz...

Ela encontrou um cara.

Não, claro que não é o Marcelo.

É irmão de criação dele.

Droga! Não, ela não encontrou o Marcelo? Eu não acredito. Só me faltava essa.

Não, se ele tá pensando que ele vai ficar nesse chove e no molha comigo,

ele ficou com a tia Francesca, ele tá muito enganado.

Muito enganado.

Pronto, seu celular.

Não adianta ligar que o Marcelo não está no frigorífico.

Você ligou pra lá?

Liguei enquanto descia a escada.

Ele já saiu.

Eu já falei que não quero ver você gastando ligações no meu celular à toa.

Filomena, quer fazer o favor, Filomena?

O senhor aceita mais um cafezinho?

Não, senhora, muito obrigado.

A senhora me desculpe, mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. O meu

cunhado já está chegado.

Haja paciência.

Ah, Eliseu, a Isabela está lá no quarto. Quer chamar ela?

Ué, ué, ela não tem que estar aqui?

É claro que sim, mas vai você chamar sua filha.

Meu marido não é seu empregado?

Quando você acorda com o pé esquerdo.

É uma inútil.

Com licença.

Tem uma garota aí fora querendo falar com o seu Marcelo.

Garota? É, disse que é filha do advogado que foi envenenado junto com Dona

Francisca.

Já do dia.

Entra, por favor.

Ainda bem que a senhora pôde me receber.

Eu estava de saída para a clínica visitar o meu filho. Eu disse que era

importante.

Clínica, a senhora disse?

É, meu filho catula e está internado numa clínica.

Problemas com drogas.

Sente -se, por favor.

Isso é muito comum hoje em dia.

Bom, eu disse que era importante.

O senhor precisava de um muito carizento, não é?

É, obviamente é sobre o seu marido, não é?

Sim. Ele tinha medo de andar de avião?

Por favor.

E costumava tomar alguma coisa para encorajá -lo?

Costumava.

Ele não era muito de beber, não, mas ele costumava tomar umas três ou quatro

doses de uísque para relaxar.

E tinha alguma marca preferida?

Tinha.

Não era nem uma marca assim muito conhecida, mas ele gostava de Shadow.

Por quê?

Alguém mais sabia desse hábito dele?

Não sei.

Bom, isso também não era segredo pra ninguém.

Quem envenenou o seu marido e a dona Francesca, sem dúvida alguma, também

disso.

Não entendi.

Todas as garrafinhas e doses individuais desse uísque que nós encontramos na

sala VIP do aeroporto naquele dia, estavam envenenadas.

Todas? Obviamente o assassino sabia que o seu marido iria se servir desse

determinado uísque.

E pode ser que a dona Francesca tenha tomado da mesma marca induzida por ele.

Ô vice -berto.

Qual?

Vice -berto.

O veneno pode ter sido preparado para a dona Francesca.

E o Hélio só tomou porque estava em sua companhia.

Essa é minha irmã, Júlia Braga.

Julia, o investigador Lopes... Eu tenho a sensação de ter vivido uma situação

exatamente igual a essa, nessa mesma sala.

Um prazer.

Os franceses costumam chamar essa sensação de déjà vu.

Como vai?

Bem, obrigada.

A sua filha não está?

Não. A essa hora a Irene está na faculdade.

Infelizmente, nós não podemos ajudá -la.

Para nós também essa história toda tem sido um pesadelo.

Não sabemos com que interesse a imprensa tem divulgado a notícia de que os dois

se conheciam.

Sinceramente, nenhum de nós aqui nessa casa tem ideia de onde esse conhecimento

possa ter surgido.

Minha irmã Francesca nunca citou o nome do seu pai nessa casa.

Vê -lo, Eliseu.

Vê -lo, vê -lo.

Desculpe, eu devendo assim, sem avisar, talvez eu devia primeiro ter telefonado.

Não tem importância.

Agora você já está aqui e nós já dissemos tudo o que sabíamos.

Vê -lo, Eliseu.

Vê -lo, vê -lo.

Agora, se nos dá licença, nós estamos com o tabelião nos esperando no

escritório. Claro, desculpe.

A senhora tem certeza que não vai adiantar nada eu falar com seu cunhado?

Eu acho que não.

Você vai perder seu tempo.

Marcelo sabe tanto quanto nós.

E é muito penosa pra ele essa história da mulher ter morrido em companhia de um

outro homem.

E com tudo que o jornal tá falando.

Você é crescidinha, compreende tudo isso muito bem.

Claro.

Boa tarde.

O senhor deve ser Marcelo Rossi. Eu já vi uma fotografia sua.

A Filomena tem razão.

Eu não tenho mais nada a acrescentar ao que eles já falaram.

Eu não faço a menor ideia de como a minha mulher conhecia o seu pai.

Talvez você possa nos ajudar.

Indagando no escritório dele.

Não, eu já fiz isso. Ela não era cliente do meu pai.

É melhor deixar tudo isso da mão da polícia.

Bom, eu creio que você estava de saída quando eu cheguei.

É verdade.

Eu já estou indo.

Eu posso fazer só mais uma pergunta?

Caríssima. Eu já disse que temos um tabelião nos esperando.

É o último, eu prometo.

Põe -o que se subiu um momento. Com licença.

A senhora disse que tem um tabelião esperando.

Sim.

Desculpa, mas é para ler o testamento da sua irmã?

É melhor sair.

São assuntos particulares e não devemos dar nenhuma explicação.

Não, eu não estou pedindo nenhuma explicação.

Eu só perguntei.

E por que perguntou?

Porque num caso como esse, geralmente o beneficiário do testamento é o maior

suspeito.

Eliseu, essa menina já devia estar longe daqui.

Falou assim, com o nariz pra cima e foi lá pra dentro.

Eu nunca vi uma gente mais esquisita.

E o pai do Sandro, como é, Irene?

Também, muito estranho. Não, nessa casa todo mundo tem cara de ser grego.

Será que meu pai estava metido com a mulher do pai do Sandro mesmo?

Nem que ninguém soubesse.

Nem tivesse visto.

Nem desconfiado eu, hein? Duvido.

Ah, eu queria ser uma mosquinha. Pra entrar naquela sala e ouvir a leitura

testamento, viu?

Irene. Será que alguém seria capaz de mandar matar uma mulher por causa de

dinheiro? Ué, por que matam as pessoas?

Por paixão, por vingança, por poder, dinheiro.

É bem provável que o alvo tenha sido essa dona Francesca. Meu pai morreu por

engano nessa história.

Eu acho que não.

Pra falar a verdade, baseado na minha experiência, posso dizer que não com

certeza.

Nós já chegamos com a família da dona Francesca. Ela não tinha o hábito de

antes de entrar no avião.

E depois sempre deu preferência ao vinho, não é? E não ao uísque.

A senhora me confirmou que o seu marido tinha por hábito beber dessa determinada

marca. A senhora disse também que isso não era nenhum segredo.

Isso me parece muito claro.

A armadilha foi preparada para ele.

Se todas as garrafinhas estavam envenenadas, todas as pessoas naquela

corriam perigo.

Todas, é. Mas eu já me informei no aeroporto. Essa marca de uísque é pouco

consumida.

Quem os envenenou sabia muito bem o que estava fazendo.

Sim, a pessoa não poderia ter certeza que nenhum outro passageiro não iria

consumir da mesma bebida.

Realmente não, mas eu acho que se outras pessoas morressem, isso não iria fazer

muita diferença para o assassino.

Que horror.

A senhora sofreu alguma violência?

Sofri, não é?

Eu acho que a polícia poderia policiar melhor o nosso bairro, não é?

A minha irmã, por exemplo, foi assaltada aqui, praticamente em frente de casa

por uns trombadinhas.

E registrou o quê?

Não.

Esse é o problema.

As pessoas se calam e nós da polícia não podemos prender esses bandidos.

Eu tenho a impressão que a polícia sabe muito bem onde estão os verdadeiros

assassinos deste país.

Não prendem porque não querem.

Júlia. Olha aqui, minha senhora. Desculpe.

Por

que

isso, hein, Júlia? Por que falar desse jeito com o investigador? Posso saber?

Você queria que eu retrate o quê?

Cadê a sequência daqueles pobres coitados que roubaram minha bolsa?

coitados, Júlia?

Marginal, assassino, bandido, tudo bandido.

Nem por isso deixam de ser pobres coitados.

Eu não acredito que ninguém escolha viver na marginalidade.

Dormindo debaixo de ponte, comendo lixo. Pois eu acho que escolhe -se, senhora.

Olha, Helena, faça -me o favor.

Faça -me o favor você, Júlia. Você está vivendo fora do Brasil há muito tempo.

Você não sabe como é que as coisas estão aqui, não.

Tem muita amiga minha que já tentou ajudar essa gente.

Dando emprego, casa, comida.

E sabe o que eles fizeram?

Essas coisinhas que você tá tentando proteger, roubaram tudo que puderam, ó,

sumiram.

Quantas amigas? Ah, sei lá, quantas, quantas várias.

Não, me diz, quantas? Ah, não lembro.

A Carla, a Carla é um exemplo. Quer reformar o mundo igualzinho a você.

Deu emprego de motorista pra um rapaz que mora aí na favela.

Deu um bom salário, casa, comida.

Sabe o que o coitadinho fez?

Pegou os carros dela, todos novos, vendeu as peças novas, trocou por velhas

vendeu tudo no mercado.

Quando ela deu por si, estava com três calembeques na garagem. Coitadinho dele,

né, Júlia? Que mimo.

Tá bom, esse foi um ladrão que perdeu a oportunidade de conservar um bom

emprego. Mas nem todos são assim.

Ah, e os bandidinhos que roubaram sua carteira e seu dinheiro, hein? O que é

são? Andinhos caídos do céu, né, Júlia? Ah, ele é tudo pirralhinho.

A Alcina falou que o investigador veio aqui.

Alguma novidade?

Veio um mudo até aqui, né, seu Juca?

Mas não me respondeu.

Uma só pergunta que eu te fiz. Ana, escuta.

Olha, há mais de 20 anos que eu venho te falando aqui que eu acho que tu

mataste.

Eu só tenho que vir aqui pra te dizer que esse tipo de vida que você leva...

Juca, o que é isso, hein?

Mas o que é isso agora, hein?

Vai me recriminar? Vai me culpar por me acusar, é?

Ô, peraí, peraí.

Eu não estou te acordando coisa nenhuma. O que é isso? Você sabe de alguma

coisa, Juca?

Eu sinto que você sabe, mas você não quer me dizer o que é isso.

Ana, deixa embora.

Não, não deixo não. Juca, volta aqui.

Pelo amor de Deus, Juca. O que é isso?

A moça que vive aqui, ela disse que a sobrinha morreu. É.

Ela é filha da irmã da mulher que morreu.

Mas você acha que aquele cachorro ia ter coragem de ter um caso com a própria

sobrinha? Juca!

Meu Deus do céu.

Desde que Marcelo levou as crianças para almoçar.

Porque eu sinto alguma coisa aqui. Mas me martelando, mas me martelando. Eu

sinto que tem alguma coisa errada. Que alguma coisa vai acontecer.

Mas se você visse o jeito que ela entrou aqui.

Toda assim, narizinho empinado.

Como se fosse a rainha do mundo me enfrentando.

Mas aquela besta só pode ter as costas quentes.

Eu só te peço isso que você me diga. Se ele tem alguma coisa com a sobrinha.

Mas será que o Marcelo é maluco? É cachorro a esse ponto?

Me diz, Juca, eu só te peço isso. Me fala, ele tem alguma coisa com ela? Não,

não sei de nada do Marcelo com essa moça.

Está sendo sincero comigo?

Estou. Estou sendo sincero.

Eu não sei quem é essa moça.

Ana, o Marcelo nunca me falou nada dela.

Você me fez muito mal, Juca.

Depois a Ana descobre tudo, vai soltar os cachorros em cima de você.

Mas me devia ter falado a verdade.

Que verdade, tia? Já falei a verdade.

Lógico que é verdade. Marcelo nunca me falou nada dessa sobrinha dele.

Pra mim é novidade isso.

Devia ter falado da passagem que ele quis te dar pra você ficar com a Ana lá

Itália. Devia ter falado que a gente já tá sabendo que ele foi conversar lá com

os filhos dele e falou pra eles que quer dar um pé nela. Mas eu não vou falar

isso. Mas não vou mesmo.

Não vou.

Não quero saber disso.

Só sabe que eu não gosto de fofoca.

Micirico. Isso pra mim é micirico. Eu não quero saber desse assunto.

Vou te dizer o seguinte.

Isso não é brincadeira, não.

É a felicidade da Ana que está em jogo.

Se eu pudesse, eu sofria no lugar dela. Te juro por Deus que eu sofria. Sofria

mesmo.

Mas eu não posso.

Qual o problema dela? Ela vai ter que passar por isso. Ela vai ter que... Ela

mesma descobrir quem é o Marcelo.

Isso ninguém vai poder fazer por ela.

É.

Nisso você está certo, Juca.

O que a gente já preveniu para ela.

Mas eu não sei por que mulher quando gosta fica massa.

Fica toqueira desse jeito.

Ou a senhora quando ficou apaixonada pelo meu pai, né, tia?

Mami, sai daqui.

Mami, sai daqui.

Sai daqui que tá me atrapalhando aqui na cozinha. Vai lá pra sala.

Eita, briga aí.

Não é briga não, é que é sua tia. A sua tia é coisa nenhuma.

É que homem dentro da cozinha só atrapalha.

Espera, espera.

Agora, vai.

Desculpe, eu me atrasei lá em cima.

Todos os beneficiários estão aqui reunidos, como ela pediu.

O senhor pode começar a leitura do testamento da Francesca, por favor.

Muito bem.

Está nervosa por quê?

Eu não estou nervosa.

Estamos esperando, Sr. Davidão.

Escritura de testamento público que faz Francesca Ferreto Rossi.

Saibam quantos essa escritura de testamento público virem que.

Em cartório perante mim, escrivão, compareceu como otorgante testador

Ferreto Rossi, brasileira, maior, casada, empresária,

que desta forma, sendo casada com Marcelo Rossi, em regime

de separação de bens atuais e futuras, não tendo herdeiros,

ascendentes ou descendentes, podendo, pois, dispor livremente da totalidade de

seus bens e haveres que houverem por ocasião do seu iniquitável falecimento,

o seu testamento da seguinte forma.

Deixo e lego a minha irmã, Carmela Ferreto Vasconcelos, Um apartamento de

propriedade, cito, a rua 35 da cidade Oceã, na Praia Grande.

E para minha irmã, Filomena... Ei, um momento.

Esse apartamento foi tudo que ela deixou pra mim?

Calma, irmã. Que calma? Que calma o quê? Um apartamento horroroso, podre, que

anda aos pedaços como aquele? Que isso?

O idiota do Didi comprou aquilo quando o empreendimento foi lançado? Não vale

mais nada, ninguém mais vai lá? Só dá despesa? Não, ela fez pra me irritar,

aquela víbora!

Mas que maneira de se referir a ela, Cacá?

Continue, por favor, seu tabelão.

Para minha irmã, Filomena Ferreira do Jardim, deixo a minha parte na casa que

habitamos, cito a rua São Salvador 135,

no Jardim Europa, em São Paulo.

A minha parte nas fazendas, conforme escritura.

Um apartamento de cobertura, cito a rua Doc Lobo 145, 18º andar,

em São Paulo.

Também todas as ações que me pertencem e que me foram legadas pelo meu querido

pai, já falecido, de todos os empreendimentos ligados ao frigorífico

para que ele jamais saia de nossa família.

Isso é um absurdo!

E de como assim o disse do que dou fé, pediu -me e eu lhe lavrei o presente em

meu livro de notas,

Acabou? Acabou? É só isso?

Carmela, o senhor escrevão tem que ler também todas as formalidades do

documento. Eu não quero ouvir mais nada.

Para mim chega. É impossível que ela não tivesse lembrado da Isabela.

Não é impossível que ela não tivesse se lembrado da única sobrinha. Oh, mãe,

isso não tem a menor importância. Como é que não tem a menor importância?

Esse testamento é uma fraude.

Absolutamente, minha senhora.

Fui eu que lavei esse documento pessoalmente quando a dona Francesca

no nosso cartório, acompanhada da dona Filomena.

Ah.

Você acompanhou a Francesca ao cartório?

Francesca estava muito nervosa, pediu que eu a acompanhasse.

Você me paga.

Você me paga.

Você me paga.

Mãe, que isso? Você vai quebrar o quarto inteiro e não vai adiantar em nada.

Enganada, mais uma vez enganada, roubada, pisoteada pelas minhas próprias

Por que será que a tia Francesca fez isso com você, hein, mãe? Porque ela me

odiava, como a Filomena me odeia.

Tem inveja de mim, de eu ter uma filha, de eu não ter o útero seco como elas

têm, de eu ter tido um... Coragem de casar com um homem que eu amava e que me

amava também.

Inveja, inveja de eu ter tido coragem de romper com essa família horrorosa.

Deus do céu, mas que castigo, meu Deus, que castigo. Eu tenho que depender da

caridade dessas víboras.

Sabe quem acabou com o meu casamento? Não, você sabe?

Sabe? Sabe quem acabou com o meu casamento?

Foram elas.

As duas, as duas ali, ali, ali, ó, macumunadas, as duas.

Tentaram infeliz com dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro.

Compraram a alma dele pedacinho por pedacinho.

Fizeram ele me enganar, me roubar.

Sabe pra quê?

Sabe pra quê?

Pra que ele vendesse as minhas ações pra elas, pra que elas continuassem

mandando sozinhas pra aquele maldito frigorífico. Tudo pra que elas

mandando, mandando, mandando até nesses banana desses homens com quem elas se

casaram. Eles deu tudo bem, né, mamãe? Agora o Marcelo, o Marcelo não é tão

banana assim. Ah, não é banana não? Não é banana não? Não, não é banana não.

Um banana não, é isso que ele é, um banana não.

Trabalhou a brindeira pra elas. E o que que ele ganhou? Fala aí, fala aí. O que

que ele ganhou?

Nem aquele apartamento da Cidade Oceana, ele ficou com nada, bem feito, bem

feito. Porque se ele aguentou aquela víbora horrorosa esse tempo todo,

em dar o golpe do baú, se deu mal.

Agora, ou ele se arranja lá com a cozinheira, ou ele morre de fome.

O que você está falando, mamãe?

O que eu estou falando, Isabel? O que eu estou falando, Isabel?

Você não sabe, você não sabe que ele viveu mais de 20 anos com essa

lá da pizzaria mama.

Que essa cozinheira, ele e a sua tia, Filomena, tem sociedade, você não sabe

disso. Então, então, se ele não tirar o dinheiro de lá, vai ter que ser

empregadinho a vida inteira da Filomena.

Olha aqui.

Nós fomos muito prejudicados nesse testamento, fomos.

Mas o seu tio Marcelo, esse... Bem feito.

Não foi bem feito, hein? Vai pagar todos os seus pecados.

Talvez a saída esteja no artigo 1611 do Código Civil. Deixa eu ver.

Não. Esse artigo se refere à sucessão legítima e não à sucessão testamentária.

Não tem nada a ver. Com relação ao testamento que a sua esposa deixou, ele

legítimo e válido.

É como eu já tinha te explicado, Marcelo. Você não era meeiro no

Vocês não tinham herdeiros necessários.

A sua mulher podia deixar para quem ela bem entendesse os bens dela.

Agora, se mesmo assim você quiser entrar com uma ação... O senhor acha que eu

tenho alguma chance?

Infelizmente, eu acho que nenhum juiz iria.

E os meus direitos como marido? É como eu já te expliquei, Marcelo. O casamento

de vocês foi feito com separação de bens atuais e futuras.

Todos os bens que porventura fossem adquiridos após o casamento não

nem a um nem a outro. Ou seja, tudo aquilo que era seu continua sendo seu. O

pertencia a ela também.

E esses anos todos que eu trabalhei no frigorífico? Mas isso não tem nada a

Marcelo. Você, como empregado, tem todos os seus direitos garantidos.

Carteira assinada, férias, fundo de garantia, décimo terceiro.

Você deve estar brincando comigo.

Infelizmente, não, Marcelo. Você é apenas um empregado do frigorífico

Um empregado muito bem remunerado, é verdade, mas apenas um empregado.

Itaí que tem o testamento.

Como Itaí?

É bem possível que eu tenha feito uma armadilha para essa dona Francesca e o

pai que eu não estou enganando. Você é teimosa mesmo, hein, menina? Eu já

de explicar que a dona Francesca não tinha o hábito de tomar esse lixo antes

pegar o avião.

Está mais do que na cara que visada no seu pai.

Isso ainda não me convenceu.

Por favor, você está prejudicando o meu serviço. As investigações continuam.

Aliás, a polícia está fazendo a parte dela brilhantemente.

Nós já interrogamos todo mundo que estava naquela sala.

Inclusive os garçons e atendentes.

Garçons, claro.

Com garçons seria muito fácil entrar naquela sala e envenenar as garrafinhas.

Muito fácil não.

Mas é possível.

Agora, por favor, vai na hora, tá?

Esse não é o único crime que eu estou investigando.

Se você soubesse o que tem acontecido aqui em São Paulo ultimamente... Olha,

não estou querendo ser mal educado, tá?

Acredite, nós da polícia estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance.

Mas agora me dá um tempo, vai.

Não, aí ela disse que foi embora, coitada.

Pô, acho que esse investigador podia ter sido um pouquinho mais legal com a

Irene, viu?

Mas ela morreu, Pombas.

Sando, você não tá nem aí porque eu tô te falando, né?

Não tô mesmo, Jefferson.

Desculpa, tá?

Pô, desculpa tá me metendo, cara.

Mas você não já falou que seu pai já se abriu com vocês?

Que antes da discussão, antes de você dedar a sua irmã, ele não falou que

podiam falar pra sua mãe?

Quem é que tem coragem?

Pô,

se eu fosse você, ele se reunia. Ah, você e seus irmãos decidiam o que melhor

fazer.

Pô, vocês se gostam tanto, cara.

Se seu pai vai falar pra sua mãe, ele vai.

Já disse que vai e pronto.

Acho que você tá certo, viu?

Eu vou bater um papo com os meus irmãos.

Obrigado, viu?

Papai?

Mãe, tudo bem?

Tudo, pai.

Oi, mãe.

Esse é o Sandro, amigo meu lá da faculdade. Como vai? Vocês estão

ajuda? Não, não pode deixar.

Obrigado, Sandro.

Essa é a famosa Dona Fátima, Sandro.

Para com isso, gente. Para com isso.

Faz muito tempo que vocês estão aqui.

Não, não, não muito. Inclusive, eu tava de saída. Não pode ficar. Eu só

perguntei por perguntar. Não, eu tava falando sério. Eu tô descendo. Tá bom.

Ué, já vai?

Até a próxima.

Pai, eu vou descer ele lá embaixo, tá?

O que foi, Fátima?

Nada. Eu estava aqui pensando, o Jefferson sempre fala nesse menino.

Ele é filho de uma mulher que tem uma pizzaria. Aquela pizzaria lá que o

falou que a gente já foi. Aí o pai é dono do frigorífico perreto, né? Não

não sei. Ele só falou que ele era lá do frigorífico.

Quando eu vi aquela Ana entrar e ficar trancada com o Diego, eu gelei.

Você imaginou se ela junta uma coisa com a outra?

E ela podia até dizer que você esteve lá na piscaria.

Que falta de sorte a minha.

Ela ia encontrar logo o Diego.

Ainda bem que eu não dei nada.

O Marcelo. O Marcelo apareceu por aí de novo. Não sei de Marcelo.

Olha, eu vou viajar com o Diego. Eu vou tomar fazenda dos amigos dele. Vou te

deixar aqui o número, tá? Qualquer coisa, você me liga.

Agora. Não vai dizer que é você, tá? Pra ninguém desconfiar. Fala que... Fala

que é minha mãe.

Pronto. Tá aqui, ó. Você vai demorar?

Não, vou fazer só um final de semana.

Outra coisa.

Fala pro Marcelo que eu fui viajar com o Diego.

Tá bom?

Não esquece disso não, viu? É importante.

Já sei, você quer que ele fique com o filme, não é? Ah, não seria pra da minha

vida? Faz o que eu mandei?

Você sabe que eu fiquei até com pena daquela cozinheira?

Ela saiu daqui tão arrasada.

Ai, meu Deus. Só me faltava essa.

Só me faltava ele não querer terminar com aquela cozinheira por causa da

propriedade dos vegetalantes. Só me faltava essa.

Só me faltava.

Então é isso, meu filho.

É, mãe.

Eu falei pra você porque... o Babo tá sendo sincero.

Sendo sincero?

Meu Deus, isso não pode ser verdade. Isso não pode, não pode. Eu arrumei

confusão toda.

Bebei a carinha e tudo.

Mas é só porque eu queria que você não sofresse, mãe.

Mãe, a gente não sabe o que a gente vai fazer. Eu falei pro Padrinho que não

adiantava nada ficar escondendo, mentindo.

Foi você mesmo quem disse.

Depois que a gente falou que já sabia que vocês não eram casados. Que você não

queria mais mentira dentro dessa casa.

Eu nunca pensei que eu pudesse sentir uma dor assim na minha vida. Tão linda.

Agora eu já nem sei se a gente devia ter falado ou não.

A gente não devia ter nada de ter se metido. O problema é com os dois.

Socorro, né, Sandrinho?

Nessa sala mesmo ele falou que você podia explicar.

Se não tivesse entregado, a mãe já sabia.

Mas ele quer ir embora por quê? Ele falou isso?

Meu Deus, ele está apaixonado por outra mulher? Não, mãe. Ele não falou nada

disso. Ele só falou que vocês não se amam mais como antigamente.

Mas como não se amam mais?

Meu Deus, eu não faço outra coisa na minha vida, não sei amar esse homem.

Deixa Karina, não fala mais nada.

Quando o papo chegar eles te explicam, conversam.

Vítima da sua janela indiscreta.

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