All language subtitles for Partner.Bernardo.Bertolucci.1968.DVDRip.lucmor-PT-BR

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Original subtitles

"PARTNER"

Senhor...

Senhor...

- Senhor, o consumo! - Desculpe?

O consumo!

Desculpe?

O consumo!

O consumo � obrigat�rio nas mesas. Est� escrito!

Desculpe, coloquei os tamp�es. N�o consigo mais ler.

- Quer dizer, "ouvir. - N�o, "ler".

O que est� dizendo? Se voc� estava lendo?

N�o, eu olhava as figuras.

Traga-me um ch� com leite.

Petrushka.

"Se ainda existe algo infernal...

e verdadeiramente diab�lico no mundo...

� hesitar esteticamente sobre as formas...

e n�o ser como m�rtires na pira...

fazendo gestos desesperados".

Petrushka...

Vamos abolir o palco e a sala...

e substitu�-los por um ambiente �nico...

assim se estabelecer� uma comunica��o direta...

entre o espectador e o espet�culo...

entre o ator e o espectador.

Petrushka!

N�o haver� mais cenografia.

Haver� manequins de 10 metros de altura...

representando a barba do rei Lear na tempestade...

e instrumentos musicais...

grandes como homens.

Petrushka!

N�o recitar�amos textos escritos...

mas sobre temas ou fatos, ou trabalhos teatrais famosos...

far�amos experi�ncias de encena��o improvisada.

Petrushka!

� preciso recriar a id�ia do espet�culo total.

O problema � fazer falar, nutrir, encher o espa�o.

Por mais que seja po�tica...

a imagem cinematogr�fica � limitada � pel�cula.

N�o pode ser comparada � imagem teatral...

que obedece a todas as exig�ncias da vida.

Sem um toque de crueldade como base do espet�culo...

o teatro n�o � mais poss�vel.

Petrushka, minhas cal�as!

Mam�e, me d� o sol! D�-me o sol, mam�e!

Antigamente, era isso que se chamava saber soprar.

Esta besta do Petrushka venderia a m�e por 1000 liras...

e tamb�m seu patr�o. E me vendeu.

E estou certo que me vendeu por menos de 1000 liras.

J� n�o h� bons pontos.

O mundo est� ruindo porque ningu�m mais sabe soprar...

e o que ainda � pior: n�o h� nada para soprar.

Petrushka!

Petrushka!

Petrushka!

Petrushka. O que est� fazendo?

Faz uma hora que espero minhas cal�as.

O jantar n�o ser� servido antes das 20h30 ou das 21 h.

Talvez tenha chegado cedo demais, mas qual � o problema?

N�o � um jantar oficial, pode se chegar um pouco antes...

e eu quase sou parte da fam�lia, todo mundo sabe, n�o � Clara?

Boa noite, senhor professor!

Clara...

Clara.

Boa noite, senhora.

Por que tem sempre de me seguir?

Como um gato preto?

Boa noite. O professor est�?

Sim, est� em casa. Ali�s, n�o est� em casa.

Como assim?

Foi ele que me convidou. Sabe que eu o conhe�o?

Claro, senhor, mas ele me pediu para n�o deix�-lo entrar.

Est� enganada. Eu sou o Jacob...

e fui convidado para o jantar de anivers�rio da Clara.

N�o � poss�vel, disseram para n�o deix�-lo entrar.

N�o � poss�vel? Como n�o � poss�vel? A� est�!

- Boa noite. - Boa noite.

O professor pede desculpas, hoje n�o pode receb�-lo...

- Mas o que � isso? - Por favor...

- Garanto-Ihe que eu... - N�o insista.

Mas...

- Boa noite. - Boa noite.

Ent�o voltarei mais tarde. Boa noite.

Aconteceu algo? O que �, Jacob? O que voc� tem?

Nada, estou aqui por minha conta.

� a minha vida! Minha vida privada.

Privada?

Isso mesmo. � um par�ntese deliciosamente pessoal.

Fique calmo!

Vamos, entre! Vamos fechar a porta!

Jacob.

Jacob.

N�o fique t�o tenso, Jacob!

Eu n�o estou tenso.

Sim, Jacob...

sente o sangue que corre nas veias?

Nas veias? Nos bra�os, Jacob.

Nos bra�os?

Como bate nas t�mporas?

Nas t�mporas?

Voc� n�o sente que est� quase desmaiando?

Est� quase desmaiando, n�o �?

- N�o. - Ah, Jacob...

Olhe para mim!

Sim.

Seus olhos est�o se fechando...

sozinhos!

Voc� est� nas minhas m�os.

Volte � casa do professor.

Entre pela porta de servi�o...

atravesse o jardim...

depois a sala de jogo...

depois o sal�o de baile.

V�, Jacob! V�!

Mas eu estou com medo.

Voc� � um covarde, um verdadeiro covarde!

N�o tenho culpa por ter medo.

Estar� l� dentro com a Clara.

Voc� quer dan�ar com ela, n�o �?

Dan�ar com ela e apert�-la em seus bra�os?

Sim...

Ent�o v�!

Sim... J� vou.

Ent�o, tchau.

Clara! Clara!

Ol�.

Sim, gostaria que esta escada ca�sse!

Assim, eu poderia me precipitar para salvar a Clara.

"N�o tenha medo", diria. "Eu estou aqui, amor".

Clara! Clara!

Ol�!

Clara! Clara!

Ela me ama. Ela me ama.

Juro que esta noite dou um tiro na boca.

Estou aqui s� por motivos particulares.

Tenha vergonha! Tenha vergonha!

N�o entendo por que eu deveria me envergonhar.

� um par�ntese deliciosamente particular.

- Algu�m Ihe procura na entrada. - Quem me procura?

N�o sei, mas disse que � uma coisa urgente.

Urgente?

N�o, minha amiga. Ningu�m me procura.

Por favor, senhor, venha comigo.

N�o creio que me procurem. Deve estar enganada...

como antes, quando me disse que o professor...

que � como um pai para mim n�o queria me deixar entrar em casa.

Est� enganada, como se enganam os criados!

Permite?

Est�o enganados, como se enganam os criados!

Deixe-me!

J� disse para me deixar!

� pior que sarna!

Que valent�o h� pouco, hein?

E agora morre de medo! Pegue!

E voc�? E voc�?

Quero ver o que sabe fazer!

Como falava, antes! Eram 50! Estavam em 50!

Vamos, agora tente voc�!

E voc�, seu canalha!

E voc�s? Voc�s? Eu sei que est�o a� escondidos!

Canalhas! Mas eu sou mais forte!

Ah! Est� de joelhos?

Est� pedindo perd�o?

Pe�a, vamos, pe�a perd�o!

Mais alto!

Mais alto porque quero ouvir!

Isso, est� chorando! � bom. Pode chorar!

Deixe-me!

Largue minha perna! Largue!

Deixe-me em paz!

Pegue!

E agora...

voltaram a se esconder, hein?

Mas eu pego voc�s! Saiam!

S�o uns covardes! Covardes!

Canalhas!

Sangue! Sangue! Sangue!

Otelo... sangue!

Eu havia Ihe dito para n�o tocar meu filho.

Maria Caffarel, num antigo trabalho...

"As Duas �rf�s". Deixe-a em paz.

Poder� fazer com que a esque�a...

com que n�o a veja mais...

mas n�o poder� tir�-la do meu cora��o.

Assim se atuava antigamente.

N�meros, n�meros...

ditos com viol�ncia. com sensualidade, com nojo.

Um...

dois...

Tr�s...

quatro...

nojo...

que vale cinco.

Dou outro exemplo.

A ironia.

Um...

dois...

tr�s...

quatro... Como voc� � feia...

cinco.

A sensualidade.

Um...

dois...

tr�s...

quatro...

cinco...

seis...

sete...

oito...

E antes de dizer "dez" engulam, criem saliva.

Sintam esse "dez", assim...

Dez...

E assim, se forem afetados na escola...

n�o o ser�o no palco, pois ter�o vergonha disso.

Bom dia, mo�o.

Quem est� dentro, est� dentro. Quem n�o est�, n�o est�.

N�o come�o at� que a sala esteja em ordem.

Falando de banalidades...

beijava-Ihe o seio.

S�o...

No dia de S�o Benedito, as andorinhas fazem ninho.

Todas as estradas levam a uma cama.

A It�lia passa bem sem Piacenza.

Sabem por que os astronautas s�o todos brancos?

Porque muito tempo atr�s...

uma nave caiu na terra.

Houve sobreviventes, que eram brancos.

Esses brancos perceberam...

que os terrestres eram todos negros.

Ent�o, gra�as � situa��o...

os astronautas quiseram voltar de onde tinham vindo...

no planeta deles.

O que explica...

por que nenhum negro nunca quis ir ao espa�o.

S�o os brancos que tentam voltar ao planeta de origem...

mas nunca conseguir�o. Nunca conseguir�o.

- Papagaio... - Nunca.

espi�o e verde...

mas a av� da Helena vai � missa todas as manh�s.

Prefere a sopa no cabelo, ou o cabelo na sopa?

A minha empregada tem o mamilo retr�til.

N�o, n�o, n�o...

E agora, vamos para o "O".

Quem n�o aprecia o coco � incivilizado e bobo.

Os sinos Tocavam a rebate.

No fundo do po�o...

se esconde um mo�o, um indiv�duo pobre.

Sete horas, um corpo, oito horas, um porco.

O clima do Congo � t�rrido para os mercen�rios.

Nasce o sol, canta o galo. Mussolini sobe no cavalo.

"Monta" a cavalo.

VIETN� LIVRE!

"Trit�o...

temos de ir ver o Escul�pio"...

disse S�crates.

E depois se matou.

- N�o fa�a bobagem. - O que est� fazendo, a�?

- O que se faz num urinol? - Quero morrer.

Mentira...

sei de suic�dios em trens...

em po�os, em avi�es, nas catacumbas...

mas num urinol nunca tinha ouvido.

Deixe-me em paz.

Ali�s, agora me lembro, houve um padre.

Deixou um bilhete escrito...

"Bot�es demais para abotoar e desabotoar. Eu vou me matar".

Por que todos me perseguem?

- Por favor, levante-se! - S� se eu quiser.

Agora, abotoe o pulso da camisa. Vamos.

N�o... s� farei isso se eu quiser.

Olhe ao redor. Veja a natureza.

A natureza n�o � natural.

As �rvores...

O rio...

N�o, n�o, n�o... voc� e eu Tomamos rumos diferentes.

� matematicamente certo que seguimos rumos diferentes.

Esta � a c�mara escura...

pelo menos eu a chamo assim.

N�o me parece t�o escura.

N�o gosto. Cheira a mofo.

Talvez porque est� desarrumada.

Como devo tratar voc�? Desculpe, o senhor?

Jacob.

"Ja" e "Cob".

J�nior e s�nior.

Criminal e diab�lico.

Eu sou o Jacob.

Ent�o, quem sou eu?

Desculpe, gostaria de trat�-lo informalmente.

Jacob, gostaria de saber a que devo a honra...

S�o coisas que acontecem.

A vida � bela

- A vida � bela � uma frase idiota! - E eu quebro sua cara!

Desculpe. N�o queria ofend�-lo.

S� queria Ihe ensinar que "A vida � bela" � um lugar comum.

- Bem... - Eu Ihe ensino a n�o ensinar.

E ent�o? A que devo a honra?

- Estou com fome. - O que voc� quer comer?

Ovos fritos.

Eu tamb�m gosto muito. Estou indo!

- Jacob? - Sim?

Voc� se parece comigo, mas gosto de voc�.

S� falta decidir se sou eu...

que me pare�o com voc�, ou vice-versa.

Hei! Que cara � essa, Petrushka?

S� disse: "4 ovos? Que novidade!"

2 ou 4, o que Ihe importa?

Nada! S� disse "que novidade"!

Por que se importa com meus ovos?

Porque � uma novidade.

Ou�a bem, Petrushka...

a partir de hoje haver� muitas novidades...

somente novidades. Um mont�o de novidades. A vida � bela!

� uma frase feita, um lugar comum. Quem a disse?

D�-me os ovos.

Depressa!

- O que � isso? N�o vai ficar? - N�o, senhor.

Vou comer no quarto.

Petrushka...

um dia conseguirei faz�-lo sair da�...

e morrer� de medo...

porque esse buraco...

� a sua vis�o do mundo.

E ent�o?

- Ele percebeu? - Quem?

O seu empregado.

Petroushka? Est� brincando?

A prop�sito, quer saber?

Petrushka n�o � meu empregado.

� o dono da casa.

� ele que quer ser considerado empregado.

E quanto mais mal tratado, mais ele fica contente.

� um pouco masoquista, como todos.

Trabalhava no teatro como ponto.

Jacob, ainda n�o me disse se aceita ou n�o.

- Quantos livros! - Gosta?

S�o seus. S�o seus, Jacob. Todos seus.

O que � meu, � seu tamb�m. � nosso.

- Voc� os comprou? - Sim, todos. Comprei todos.

Isto �, quer saber um segredo?

Bem, eu roubei estes, por isso gosto mais deles.

Vou Ihe mostrar.

Este � o �ltimo. O meu preferido.

Jacob...

seremos como dois irm�os.

E voc�, por enquanto, pode ficar aqui...

ou mesmo para sempre. O que acha?

Ou�a, aqui est�... adivinhe!

O seu quarto.

S� falta a cama, mas hoje mesmo vou arrumar uma.

N�o tenha medo. N�o Ihe faltar� nada.

Farei a comida e belas sobremesas.

E depois...

Ajude-me. Quero que todos morram de inveja!

Se voc� recusar... ser� um pecado.

Um pecado?

Sim, isso mesmo. Ser� um insulto � natureza.

Olhe!

Veja como � generosa a natureza.

Olhe s�!

Viu?

Est� convencido? Parece feito sob medida.

Fant�stico, n�o?

Agora vamos experimentar os sapatos.

Mas sabe que...

o que � extraordin�rio?

� mesmo!

Inacredit�vel! Coisa de louco!

� fant�stico!

Que divina semelhan�a a dos nossos p�s!

Eu e voc� seremos espertos.

Precisamos ser espertos, entende?

Faremos intrigas. Sim, em detrimento dos intrigados.

Eu e voc� juntos seremos...

seremos como os vermes em um cad�ver.

Pense bem, Jacob...

n�s dois sozinhos...

n�s dois sozinhos e juntos...

dentro de uma grande coisa morta.

Jacob!

Ja...

Jacob.

� o Petrushka.

� o Petrushka.

� o Petrushka.

� o Petrushka...

� o Petrushka! � o Petrushka!

Venha aqui.

Venha se esconder.

Espere, Petrushka.

Um momento! Petrushka!

Uma carta.

Quem trouxe?

Enfiaram-na debaixo da porta.

Vamos, leia, Petrushka.

Em voz alta, com sentimento, como voc� sabe fazer.

- Com voz diafragm�tica! - Diafragm�tica?

"Querido, sei que sofre por mim. "

"Mas eu tamb�m sofro e voc� n�o sabe. "

"Os ardilosos, os blasfemos, os mesquinhos...

querem me perder. "

Bandeira vermelha.

"Intu�ram seus sentimentos e nos dividiram...

e desde ent�o proibiram que eu fosse a todos os lugares...

onde eu pudesse encontr�-lo. "

"N�o posso mais continuar assim. "

"Ap�s os epis�dios daquela noite...

em que se festejava tudo menos o meu 18� anivers�rio...

tomei uma decis�o. "

"Esta noite haver� uma festa...

na casa das minhas primas na Rua Trengolone, 17."

"Espere-me na rua � meia-noite. "

"Eu descerei para tomar ar e fugiremos juntos. "

"Eu te amo, Clara. " "PS: Arrume um carro. "

O que est� fazendo?

Estou arrumando sua mala.

Seria bom comprar meias novas.

Como � poss�vel, fugir...

com os calcanhares remendados... com uma mulher?

Vista-se!

Eu... estou vestido.

Ent�o, se disfarce. � ou n�o meu empregado?

- Empregado. - Empregado, motorista...

N�o...

Motorista, pois precisa dirigir o carro.

- Eu n�o sei dirigir. - Nem eu.

Quer dizer que roubaremos um carro numa subida...

e o faremos deslizar na ladeira. Sim, deslizaremos para baixo.

Petrushka, como ainda est� aqui?

V�! Corra! Voe!

Ent�o est� feliz?

- O que est� fazendo? - Nada, nada. Deixe-me.

A Clara sugeriu que n�s fug�ssemos...

Ela quer fugir comigo.

J� pensou?

Est� t�o apaixonada, que deseja fugir comigo.

Comigo. D�-me isso!

Est� escrito aqui.

"Eu te amo, Clara. "

Pensou em fugir.

Quer fugir comigo!

Est� feliz ou infeliz?

Feliz, infeliz, feliz, feliz, feliz, feliz, feliz...

O freio, Petrushka. O freio!

- Venha, n�o seja boba. - Sen�o, onde est� a gra�a?

Pobre Jacob, tenho pena dele.

J� recebeu a carta. L� est� ele, vamos!

Vamos, Petrushka.

Vamos.

J� viu quantas luzes?

Os pirilampos?

Ah! Os vermes luminosos!

Vermes luminosos?

N�o gostei.

"Vermes luminosos" � feio.

Nojenta.

Vaca.

Leviana.

Prostituta.

Olhe para a minha m�o. Olhe.

Disse para olhar. Olhe para a minha m�o!

O Petrushka � completamente surdo.

Sobre as coxas...

voc� a sente?

Sobre os seios.

Aqui.

Aqui!

Vamos, cheire aqui.

Cheire aqui, em baixo. Nas axilas.

Vamos, cheire antes. Isso.

Fa�a isso.

Respire forte... respire forte com o nariz.

Gosta da minha m�o, n�o �?

Vadia. Vadia!

� uma vadia.

� vadia mesmo, n�o �?

Voc� gosta.

Vamos, diga! Voc� gosta.

� uma cadela. � uma cadela.

Beije-me.

Beije-me.

Beije-me.

Chega!

Hei, velho!

Lamento que tenha corrido mal.

Tenho a impress�o que n�o foi um sucesso, n�o �?

N�o leve t�o a s�rio!

Ulisses volta para �taca!

Quem consegue reconhec�-lo?

� um velho c�o, cheio de pulgas, cego e meio surdo.

Ah! As mulheres s�o assim, meu velho.

T�m o instinto dos animais. Eu sabia que n�o se deixaria enganar.

Mas correu Tudo bem com a Clara, Jacob.

Como bem?

Agora estou cansado. Amanh� eu Ihe conto.

Hei! N�o ou�o mais nada. Quero saber tudo!

Jacob!

Ela o ama, o ama muito.

E mais?

Gosta de ouvir o que Ihe diz.

- E mais? - Gosta... como a beija.

- E mais? - Gosta...

- De qu�? - Gosta...

- N�o entendo. - Gosta...

Gosta...

Gosta...

Gosta...

Gosta...

Gosta...

Gosta...

A primeira noite com o s�sia.

A segunda noite com o s�sia.

A Terceira noite com o s�sia.

Detido pela primeira vez...

no Hotel Dinamarca.

Rua Jacob...

1959.

13 de fevereiro.

Trazido, em carro celular, para o Castelo de If.

Chegou de noite.

Ficou preso 14 dias.

Quatro interrogat�rios...

e uma inspe��o.

Transferido para o c�rcere de Aix-en-Provence.

Condenado a 5 anos.

Recebeu a visita de... ponto de interroga��o.

Seis tentativas de fuga.

A �ltima, bem sucedida.

Reencarna��o de Arthur Rimbaud.

Internado no Hospital Val de Gr�ce.

Neuropsiquiatria militar.

Interrogado, declaro-me Arthur Rimbaud.

Tr�s meses depois, identificam-me pelo nome de "Arthur".

Outra fuga.

Liberdade.

Tr�fico de armas.

�pio.

Haxixe.

Kiff.

Detido pela pol�cia abiss�nia.

Estuprado por 108 guardas.

Repatriado na Fran�a, a pedido da Rep�blica.

Condenado a trabalhos for�ados.

10 anos.

Preso novamente na llha de Elba.

Libertado cinco anos depois, por boa conduta.

Assumiu a identidade de um padre oper�rio.

Corrup��o de mineiros...

em Marcinelle, B�lgica.

Preso novamente no quarto 14...

do Hotel Dineur, por falta de lugar na pris�o.

Outra fuga.

Liberdade.

Escondido em um carro de gado...

ia para o sul.

Liberdade.

Liberdade.

Estreita rela��o no Matadouro de Testaccio...

Roma, It�lia...

com um agente, eternamente fiel.

Abandonado.

Explorando minha beleza...

vivi por tr�s meses.

Segundo encontro com...

Ponto de interroga��o.

Eh! Tive uma id�ia. Jacob.

Tive uma id�ia extraordin�ria.

O que voc� Tem?

� uma id�ia maravilhosa, sublime.

Ent�o conte.

� uma id�ia... N�o, n�o posso cont�-la.

N�o posso. � t�o bonita que me envergonho.

- Bem, vou me barbear. - Espere...

Jacob, voc� � a minha id�ia genial.

Voc� � forte, � grande, com voc� conseguirei.

- Tenho certeza. - Fazer o qu�?

Quero...

montar...

montar meu espet�culo.

Que espet�culo?

"O poder � imagina��o".

O que �?

Imagine. Tente.

Imagine tudo o que conseguir imaginar...

Com quem far� esse espet�culo?

Por exemplo, com os alunos da Academia.

- Os mo�os de Alcatraz? - Por que n�o?

O que est� fazendo?

Estou imaginando...

O que � agora?

Uma coisa que n�o entendo.

O qu�? Vamos, diga.

- Por que raz�o a porta est� aberta? - Eu me perguntei o mesmo.

Ontem, n�s a fechamos.

N�o est� fechada porque voc� a abriu.

Mas se Ihe disse que at� eu n�o entendo!

Mas eu tenho certeza...

que ontem � noite trancamos a porta. Tenho certeza.

Esta noite, ter� sa�do...

- N�o? - N�o!

N�o, foi voc� que saiu!

� mesmo?

Na verdade, s� h� uma resposta.

Isso, s� h� uma explica��o.

Um dos dois est� mentindo.

Para mim, est� claro.

Mas n�o posso ser eu o mentiroso...

porque... esta noite sonhei...

e, sonhando, n�o se dorme, e, dormindo, n�o se pode sair.

Com o que sonhou esta noite?

Sonhei com uma enorme garrafa de Lambrusco...

e depois... com teias de aranha...

e depois...

n�o me lembro mais.

Esconda-se.

Estamos aqui para trabalhar... e trabalhar...

para preparar um espet�culo.

Quando estivermos prontos, algo acontecer�.

Quando algo acontecer, n�s estaremos prontos.

Por�m, tirem as cadeiras e as mesas.

Sentem-se em c�rculo.

Ninetto, levante-se!

O Ninetto vai tocar berimbau.

Jean Robert acende um cigarro...

e o oferece ao Salvatore.

Sibila, caminha e roda sobre si mesma.

A Rochelle penteia a Nicole.

Paolo l� o "Paese Sera".

Ler...

Sibila roda sobre si mesma.

Girar...

Girar...

Girar...

Girar...

A Rochelle penteia a Nicole.

Pentear...

dormir, sonhar...

girar, fumar um cigarro...

contar os sonhos, recolher livros...

tocar o berimbau.

Podemos dizer que est� acontecendo algo?

N�o. N�o acontece nada.

As coisas n�o s�o como vemos...

nem como geralmente sentimos.

Mas como o teatro mostra.

O ATOR - 100 VIDAS EM

As coisas s�o recept�culos do mal...

I - A VOZ ll - OS TEST�CULOS

ou seja, da irrealidade.

O teatro � uma das vias que conduzem o homem � realidade.

No in�cio, as coisas eram verdadeiras...

o mundo, na sua inf�ncia, era real...

tinha uma resson�ncia nos homens.

Olhar para o mundo naquele tempo...

era ver o infinito.

Agora, est� crescendo em mim algo de horr�vel...

que n�o vem de mim, mas das trevas que est�o em mim.

E logo nada mais haver�. S� as nossas m�scaras obscenas...

que imitam a realidade...

no meio dos escarros e do esterco do mundo.

Moral?

� preciso uma garrafa.

Enche-se um ter�o dela de areia.

Pronto.

Um dedo de sab�o em p�.

Pronto.

Depois, vodca Maiakovski.

Pronto.

Depois com algod�o...

impregnado de gordura...

impede-se que o ar filtre.

�ltima opera��o, uma rolha e um pavio.

Acende-se o pavio...

Explode uma vez em cinco.

Explode uma vez em cinco.

Explode uma vez em cinco.

N�s somos a favor da alegria...

da gra�a e da felicidade.

37...

28, 32, 52... 89...

37, 47, 80... 42.

- Na minha sala. -42.

Nos veremos no "Filippi".

- Bom dia, professor Jacob. - Bom dia, mas n�o estou.

Estou lecionando na Academia.

- Diga-me, como vai a escola? - Bem. Muito bem.

E o Arthur? Como est�?

Muito bem, foi para o M�xico.

Voc� j� fez isso uma vez.

Temos de reconhecer que vivemos...

numa �poca de decad�ncia para os l�quidos purificantes.

O consumidor ficou prudente e desconfiado.

Acabou relacionando-os a uma esp�cie de fogo...

que devora os objetos.

O cloro e o amon�aco provocam...

uma violenta transforma��o da mat�ria.

O l�quido do amon�aco queima a sujeira, mata.

Em vez disso...

o "Splash", por exemplo, ou produtos afins...

e os detergentes em p�...

n�o estragam nada.

- Voc� est� cansada. - De maneira alguma.

- Mas parece cansada, � vis�vel. - N�o.

N�o, n�o... n�o.

Dizia que os detergentes em p� n�o estragam...

ali�s... libertam o objeto...

de um estado de imperfei��o tempor�ria sem o traumatizar.

Os detergentes em p� n�o matam a sujeira...

a eliminam.

Para n�s, amigos dos detergentes...

a sujeira � um pequeno inimigo...

um diabinho maligno...

que foge dos len��is...

amedrontado pelas amea�as vingativas de "Splash".

Em suma...

Em suma...

Em suma...

o cloro e o amon�aco s�o instrumentos de guerra...

e � sabido... que todas as guerras s�o cegas.

Em vez disso, os detergentes em p�...

t�m uma a��o discriminativa...

desenvolvem uma a��o seletiva...

n�o de guerra, mas de limpeza.

"Splash" elimina sem matar.

Mas a publicidade � um instrumento fascista...

e voc� serve ao fascismo.

N�o entendo por que.

Voc� vive com todos esses detergentes?

Sim...

mas vivo tamb�m com a televis�o.

- Quantos televisores voc� tem? - Dois...

um em cores e outro em preto e branco.

Mas a televis�o em cores ainda n�o existe.

� mesmo? Eu a vejo em cores.

Vive com seus pais?

Eu vendo detergentes.

� casada?

N�o!

N�o gosta de casamento?

N�o.

N�o gostaria de ter filhos?

- N�o. - Por qu�? O que pensa do amor?

� uma coisa suja.

69... Ihe diz alguma coisa?

69? N�o. O que �?

Em 1969, acontecer�o coisas importantes...

que mudar�o o mundo.

O tornar�o mais limpo?

Conhece os patr�es para os quais trabalha?

N�o.

N�o Ihe interessa saber quem s�o?

Tenho certeza que s�o pessoas limpas.

Por qu�?

Ora... por qu�?

Acha que usam os seus detergentes?

Os detergentes sim, mas n�o os l�quidos amoniacais.

Quando faz a ronda das casas, vende mais a homens ou a mulheres?

A homens.

E quando se recusam, o que faz?

- Eles nunca se recusam. - Por qu�?

Bem... ent�o o que faz com os homens?

Fa�o isto... Fa�o isto...

Podemos dizer que a liberdade � sempre preta...

e se confunde com a liberdade do sexo, que � mais preta.

O veneno do teatro espalhado pelo corpo social o decomp�e...

como diz Santo Agostinho.

O VENENO DO TEATRO ESPALHADO PELO CORPO SOCIAL O DECOMP�E...

COMO DIZ SANTO AGOSTINHO.

Mas � um veneno que tem o efeito da peste...

um flagelo vingativo, uma epidemia salvadora.

O que posso fazer por voc�?

� a primeira pessoa...

que nos viu juntos.

Sim.

N�o pode acontecer mais.

Sim.

Onde pode ter ido?

Jacob.

Jacob!

Quem �?

Sem brincadeira.

Sou eu.

- Eu quem? - Eu! Quem poderia ser?

Onde est�?

O que Tem com isso?

Como pode dormir, com esta Tempestade?

Mas... n�o entendo.

N�o Tem medo de dormir?

Como quer que...

Como quer que algu�m que dorme...

tenha medo de dormir, se est� dormindo?

- Jacob? - Sim?

N�o me diga que ainda est� na cama!

E onde deveria estar, para voc�?

LevanTe-se! LevanTe-se j�!

� um inconsciente!

N�o sabe que a cama � o lugar mais perigoso?

E chega de discuss�o!

Onde est�?

No arm�rio de treli�a.

- No arm�rio? - Sim.

Olhe s�... o s�sia Tem medo de Trov�o.

Apague! Apague a luz! Est� louco?

Ambos podemos morrer!

N�o h� nada como a eletricidade para atrair os raios!

Viu? Acho que deve estar contente, agora!

Ouvi um ru�do.

Que barulho � esse?

- Sou eu. Eu que me mexo. - Por qu�? O que est� fazendo?

Coloquei um cobertor nas costas. Estou com frio.

Est� louco? Jogue-o fora! Tire-o!

O ar est� carregado de eletricidade, n�o sabe?

- Parece que faz de prop�sito! - Ent�o, diga-me o que devo fazer.

- Pegue quatro copos. - Preciso ir at� a cozinha!

"Tenho de ir at� a cozinha"...

nunca viu ningu�m carbonizado?

V� embora!

Que chatice!

Onde voc� est�?

Jac�, n�o o ou�o mais! Jac�!

- Tropecei em Mark Twain. - Em quem?

� um americano. N�o o conhece.

O que eu fa�o com esses copos?

Coloque-os no ch�o...

nos quatro cantos de um quadrado imagin�rio.

- J� est�. - Pegue uma cadeira. Depressa!

Estou indo!

- E agora, o que fa�o com a cadeira? - Enfie as pernas dela nos copos.

� maluco.

E agora?

E agora... agora... agora sente-se nela!

Seus p�s n�o podem tocar o ch�o ou tudo ser� in�til.

J� est�?

Bom, assim est� a salvo.

Est� completamente isolado.

Boa noite, Jacob.

Eu digo que come�a assim...

com a noite...

a violenta luz dos raios...

e o estrondo dos trov�es.

Voc�, fechado num arm�rio...

e eu empoleirado numa cadeira como uma coruja.

O Petrushka entra e pergunta...

"O que est� fazendo a� em cima?"

Nada, estou um pouco nervoso por causa da tempestade.

O Petrushka cai na risada.

E ent�o... agitado como uma crian�a, diz...

"Como?"

"A noite est� magn�fica, o c�u est� repleto de estrelas. "

"O que acabou de ouvir...

� o canh�o. "

"O que viu s�o...

os clar�es das metralhadoras!"

Explodiu!

Explodiu!

Explodiu!

1, 2... 2, 3, 4, 1, 2, 2...

Antes de mais nada, o nosso Tema � a vida.

Mas se acharem que falta algo na vida...

roubem uma c�mera, e Tentem dar um estilo � vida.

Filmem longas panor�micas sobre a vida...

em Techniscope e em cores se Tiverem id�ias amplas.

Filmem cenas est�ticas da morte...

em preto e branco se gostarem do in�cio de Godard...

ou filmem em Tomadas duplas.

O cinema faz parte do nosso espet�culo.

O nosso espet�culo faz parte do cinema.

E o que � o nosso espet�culo?

Metralhem um homem...

ou o guilhotinem, ou o cortem em peda�os.

Logo seu corpo n�o ser� mais vis�vel...

mas o homem decapitado continuar� a existir...

n�o em um s� lugar, mas em todos os lugares.

Eis o nosso espet�culo...

decapitado, mutilado, cortado em peda�os...

n�o em um s� lugar, mas em todos os lugares.

Amanh� � noite �s 21 h, a cidade ficar� sem luz.

Caf�s, teatros, pra�as...

ruas, casas, televisores!

Escurid�o completa!

Dois de voc�s entrar�o na central el�trica...

apagar�o e acender�o...

apagar�o e acender�o...

muitas vezes, 30 vezes, 40 vezes...

A luz vir� e desaparecer� de modo r�tmico e obsessivo.

Milh�es de breves flashes nos olhos de milh�es indiv�duos.

O espet�culo come�a assim, em fam�lia.

E agora Todos juntos...

� proibido proibir.

"� proibido proibir".

� vedado vedar.

"� vedado vedar".

Liberem as paix�es.

"Liberem as paix�es".

Liberem a express�o.

"Liberem a express�o. "

Os distribuidores n�o T�m alma.

"Os distribuidores n�o t�m alma. "

Ejaculem seus desejos.

"Ejaculem seus desejos".

Roubem sua felicidade.

"Roubem sua felicidade".

Consumam mais, viver�o menos.

At� amanh�. Tchau.

O �nico dever de um homem de teatro � fazer teatro.

Porque o �nico dever de um homem de teatro...

� fazer teatro!

Eu fa�o s� exerc�cios.

Por isso...

Por isso os atores devem ir para as ruas.

Vamos tirar as m�scaras.

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras!

Vamos tirar as m�scaras.

Vamos tirar as m�scaras.

Vamos tirar as m�scaras.

Chore, Jacob, chore.

Eu n�o sou ator. N�o sou mais ator.

Pare!

Est� louco, Jacob.

Foi voc� que me quis Ian�ar nesse jogo, n�o �?

E agora...

Agora � a loucura.

� preciso...

construir...

paredes...

paredes...

paredes...

paredes...

paredes...

paredes...

Prometeu que me falaria do espet�culo.

Falarei um pouco a cada dia.

- Comece. - Ser� aterrorizante.

Prometeu que me falaria do espet�culo.

O contrabando da poesia.

A fatalidade dos moribundos.

As gera��es n�o reconciliadas.

E depois?

E depois...

as pessoas acham que s�o imortais.

� preciso restituir-Ihes o sentido da morte.

Prometeu que falaria do espet�culo.

Explodir� em poucas horas.

- Onde? - No cora��o da cidade.

- A rapaziada estar� pronta? - Est� pronta.

- Como come�a? - Teatro.

- Como acaba? - Teatro.

- Teatro? - Teatro.

- Teatro. - Teatro.

- Teatro. - Teatro.

- Teatro. - Teatro.

Teatro.

- Teatro. - Teatro.

- Teatro. - Teatro.

Teatro.

Cinema...

Talvez os pais os descobriram e os fecharam em casa.

N�o.

N�o, n�o, n�o.

O Ninetto n�o tem fam�lia.

A Nicole vive com a Gigi...

ent�o o que pode ter acontecido? O que aconteceu?

Os ardilosos...

foram eles...

que nos denunciaram.

N�o...

t�m muito medo do esc�ndalo.

Uma classe inteira faltando na Academia os assustaria.

Ent�o, o que est� acontecendo?

O que est� acontecendo?

O que est� acontecendo?

O que est� acontecendo?

Porque o �nico dever de um homem de teatro...

� fazer teatro!

S�o todos testemunhas!

Impediram-nos de vir...

porque eu queria que eles fizessem teatro!

O que � esse vai-e-vem de nuvens?

E este vento africano?

O que est� acontecendo?

Para qu� estas velhas pedras?

Rochelle.

Rochelle.

Rochelle.

Rochelle...

O que est� acontecendo?

Umberto!

Umberto!

Umberto!

Umberto!

Umberto.

Umberto.

Umberto?

Umberto.

Umberto! O que est� acontecendo?

O que est� acontecendo? Umberto!

Nicole!

Voc� n�o sente um mau cheiro?

- Tem cheiro de coisa guardada. - N�o.

N�o, � diferente.

N�o, � como se...

como se houvesse algo apodrecendo.

N�o sinto nada.

- Talvez seja impress�o minha. - Ent�o, fale.

- O que devo falar? - Bem... tudo.

- N�o h� nada para falar. - O espet�culo...

N�o h� nada para falar.

Foi um verdadeiro desastre.

- N�o h� nada para falar. - A rapaziada o traiu...

e o vendeu. Aconteceu o que eu menos esperava.

Fala da rapaziada?

N�o, falo de voc�.

- Foi um fracasso. - Sim, e da�?

Nada, foi um fracasso e pronto.

Mas n�o significa nada, podemos recome�ar...

com gente nova, como voc�, como eu...

e o espet�culo ser� montado.

N�o. Agora � imposs�vel.

Ou seja n�o haver� mais espet�culo?

Sim, o espet�culo ser� feito...

mas n�s n�o estaremos nele.

Que pena!

- Eu gostava muito. - Eu sei...

desde o dia em que Ihe falei dele.

Mas � incompreens�vel o que a rapaziada fez.

Eles tamb�m gostavam do espet�culo.

- � claro, tanto que tiveram medo. - � simples.

Acha que eles gostavam mais do que eu?

N�o... mas eles s�o diferentes de voc�, s�o...

- Como? - s�o iguais a mim.

- E voc� teve medo? - Sim... um medo terr�vel...

desde que comecei a pensar nele.

- Medo de verdade? - Medo de verdade, pavor!

Ou n�o teria mandado voc� no meu lugar.

Ent�o, quer dizer que eu sou uma esp�cie de exce��o?

Sim, � um grande partner.

Eu sou um grande partner?

Fico muito contente, sim...

Mas, na verdade, n�o � bem assim.

Por que n�o?

Porque, na verdade, fui um fracasso.

- Sim, foi um fracasso... - Justamente.

...mas se salvou.

Ou�a...

o que � isso?

- Uma guilhotina. - Serve para... cortar a cabe�a?

Sim, geralmente sim.

Corta de verdade.

J� foi usada.

- � novinha em folha. - Pronta para ser usada.

Deveria ser para voc�.

Tanto trabalho para mim?

Sim. Foi um esfor�o in�til...

porque n�o vale mais a pena matar voc�.

Um momento, creio que n�o entendi muito bem.

Se eu tivesse conseguido...

teria cortado a minha cabe�a...

mas como fui um fracasso n�o vai cort�-la mais.

� l�gico, n�o acha?

Sim, claro... mas nem tanto.

Se voc� tivesse conseguido...

eu teria Ihe eliminado e tomaria seu lugar...

isto �, voltaria ao meu.

Mas voc� foi um fracasso..

e n�o me serve mais mat�-lo, agora tudo acabou...

Mesmo a cicatriz...

n�o serve para mais nada, ent�o?

N�o.

Ou�a...

tenho algo chato a dizer, se n�o se importar.

- � uma coisa pesada? - Sim, bastante.

- Pegue, coloque-os. - N�o, n�o...

desculpe mas... tenho os meus.

N�o se ofenda.

Vamos abrir um par�ntese.

Eu aposto...

que n�o entenderam nada, Por�m, � t�o evidente.

Basta olhar ao redor...

perto de voc�s ou duas filas � frente...

ou atr�s de suas costas, pronto a espi�-los, est� ele:

o seu Jacob. Porque voc�s tamb�m t�m um.

� o que gostariam de ser...

por isso t�m medo dele e o evitam...

negando-Ihe a exist�ncia.

Mas pensem o que fariam juntos...

O que aconteceria se todos os nossos Jac�s se reunissem...

em uma m�fia, um partido, um ex�rcito...

e lutassem contra os nossos inimigos.

Coragem, quando sa�rem daqui, procurem seu Jacob.

Convidem-no, ofere�am-Ihe dois ovos.

Liberem a fera e o espet�culo acontecer�...

e ser� permanente. Fecho o par�ntese.

Est� perfeita...

- parece mesmo feita para mim. - Moldei-a pelo meu pesco�o.

- O que disse? - Nada, nada.

Mas, n�o poderia ter achado um sistema mais simples para me matar?

Sua cabe�a. Precisava da sua cabe�a.

Devia faz�-la sumir para evitar equ�vocos.

Eu estou chateado. O que vamos fazer?

Pare! Um minuto.

- Quer um cigarro? - Obrigado, n�o fumo.

Olhe...

- fingem n�o v�-lo. - Ainda n�o me viram.

Jacob, fingem n�o v�-lo porque temem que mude de id�ia.

O que voc� quer dizer?

Quero dizer que querem que voc� salte...

- porque o odeiam. - Fique quieto.

Jacob, foi voc� que me ensinou.

Se quiser v�-los felizes, salte!

- Salte j�! - Fique quieto!

Daqui a pouco n�o resistir�o.

Olhar�o para cima e gritar�o.

"Salte!", gritar�o.

Chega, n�o fale mais.

Se saltar, eu tamb�m saltarei.

- Jacob, aonde vai? - Vou dar uma volta.

Espere, vou com voc�.

Jacob...

vamos recome�ar?

N�o sei. Veremos com o tempo.

E a rapaziada? Nos traiu mesmo?

N�o sei. Com o tempo, veremos.

Jacob... ainda n�o percebi se n�s dois somos um...

- ou dois. - N�o sei.

Com o tempo, veremos.

Jacob! Jacob! Tenho uma id�ia!

FIM

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