All language subtitles for The Chronology of Water (2025)_[PT-BR]

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Original subtitles

Eu pensei em começar do início.

Mas nĂŁo Ă© assim que eu me lembro.

Tudo é uma série de fragmentos.

RepetiçÔes.

Formação de padrÔes.

Quando nĂŁo hĂĄ palavras para a dor...

...deixe sua imaginação transformar o que vocĂȘ sabe.

Conglomerado Ă© o movimento da terra na liberdade da ĂĄgua.

Um anel em volta de uma pedra Ă© sorte.

Lisa e pequena.

Arenito Ă© calmante e claro. ArdĂłsia, naturalmente racional.

Arenito vermelho Ă© o sangue da terra.

VocĂȘ acredita no azul.

Desculpa.

MemĂłrias...

...sĂŁo histĂłrias.

É melhor inventar uma com a qual vocĂȘ consiga viver.

I. PRENDER A RESPIRAÇÃO

Um rosto sorridente.

Flor.

Árvore de Natal.

Para.

Claudia, sobe pro andar de cima. Vai!

Agora!

Me avisa quando vocĂȘ terminar.

A gente pode ficar aqui a noite toda.

Porra!

É tão gostoso, Claudia. Eu realmente acho que isso vai

te fazer sentir melhor na hora.

Te fazer sentir melhor na hora.

Canta comigo, Belle.

Vamos, Lidia Belle. Canta comigo. VocĂȘ sabe a letra toda.

Foi minha voz que sumiu.

Às vezes acho que ela saiu no papel.

-Eu escrevia... -...imagens e coisas verdadeiras...

-...mentiras alternadamente. -Isso me fazia sentir que...

-Me fazia sentir como outra pessoa. -Pelo amor de Deus!

-Eu escrevia palavras pra pertencer. -É sua filha!

NĂŁo filha.

Pra nadadores.

Pra segurança.

Pra garotas. VocĂȘ me dĂĄ arrepios e me dĂĄ dor de cabeça.

MĂŁe.

O cabelo dela.

As cicatrizes dela.

A histĂłria dela.

Eu ganhei um prĂȘmio por essa histĂłria, Belle.

E seu pai...

...ganhou um prĂȘmio de arte por esse desenho.

TĂŁo ausente ela estava.

E minha irmã. Minha adoração.

Minha irmĂŁ. Minha reverĂȘncia.

VocĂȘ parece uma mendiga com essa camisa folgada e feia.

NĂŁo te favorece em nada.

Olha pra mim.

VocĂȘ tĂĄ tentando parecer um homem?

Minha irmĂŁ. Ela pega tudo.

Minha irmĂŁ. Ela pega tudo.

Na casa.

Sozinha no meu quarto.

Meus braços doem.

Minha irmĂŁ foi embora.

Minha mĂŁe estĂĄ...

...ausente.

Meu pai desenha casas no quarto ao lado. Ele fuma.

Oi, querida.

Eu espero até as cinco da manhã.

Eu peço pra

poder nadar.

Minha menininha.

VocĂȘ tĂĄ crescendo tĂŁo rĂĄpido.

Adolescente.

No ensino médio. Não acredito.

Tå, façam fila. Garotas, hora da pesagem.

VocĂȘs sabem como funciona. Um tapa pra cada quilo acima.

Torres.

Boa menina.

Isso. É isso aí.

Reimer. 1,5 quilo.

Vamos, querida.

Yuknavitch.

Uma pra vocĂȘ, caloura. Vamos fazer direito.

Quantos quilĂŽmetros sĂŁo necessĂĄrios

pra nadar

até um eu?

Quantos...

...malditos quilĂŽmetros?

Batemos o recorde! Caramba, batemos o recorde!

Nossas medalhistas de ouro do revezamento

medley do Florida Aquatic Swim Team

fizeram o melhor tempo do paĂ­s inteiro.

Parabéns.

Os olheiros estĂŁo de olho, terceiranistas.

EntĂŁo vocĂȘ quer mesmo isso, nĂ©?

VocĂȘ sĂł conseguiu trĂȘs quartos.

Se eles quisessem vocĂȘ de verdade, teriam dado tudo, nĂŁo Ă©?

"Temos o prazer de oferecer uma bolsa parcial."

Metade. VocĂȘ Ă© melhor que isso.

A Ășltima.

Na minha cabeça, eu nadava voltas.

VocĂȘ nem conseguiu bolsa integral.

NĂŁo me culpa.

Se eles nĂŁo te querem, vocĂȘ nĂŁo pertence lĂĄ.

Eu sentia o gosto de sangue.

A resposta Ă© nĂŁo.

Por quĂȘ?

Porque ele podia.

O quĂȘ?

E eu era dele.

Ei, olha pra mim.

Olha pra mim.

Eu sĂł quero o melhor pra vocĂȘ. VocĂȘ sabe disso.

Eu sabia que ele conseguia sentir.

Aquele mĂșsculo rosa.

Que aperta

e aperta...

VocĂȘs deviam estar lĂĄ fora aquecendo.

...com toda força.

Lidia!

Precisa de ajuda?

Sou treinador da Texas Tech.

Prazer em te conhecer. Vamos conversar.

GostarĂ­amos de ter vocĂȘ no nosso time.

Sim.

Eu quase a amava.

Vamos, Belle.

Eu te conheço, Lidia. Eu sei o que vocĂȘ faz.

E Ă© nojento. TĂĄ me ouvindo?

É muito nojento, Lidia. VocĂȘ devia ter vergonha!

Isso Ă© controle.

Eu me controlo.

VocĂȘ nĂŁo sabe atĂ© onde eu consigo ir.

Meu quarto comporta o Ășmido e escuro do meu corpo.

Cheira ao meu suor

e cloro.

Oi. Não consegue dormir, né?

É, eu tambĂ©m nĂŁo.

Vem cĂĄ. Quero conversar com vocĂȘ.

Desculpa se tenho sido tĂŁo dura com vocĂȘ ultimamente.

Acho que eu sĂł...

...estou tĂŁo preocupada com vocĂȘ lĂĄ fora.

As coisas vĂŁo ser diferentes quando vocĂȘ for pra faculdade.

Quero que vocĂȘ me escute.

Ele contava o que os garotos iam fazer comigo.

Como eles iam enfiar suas mĂŁos sujas por baixo da minha saia e me comer.

Apalpar meus peitos.

Chupar eles.

O quanto os garotos podiam ser nojentos.

As mĂŁos deles, os quadris deles querendo entrar e subir.

E os paus deles.

E o dele.

Eu sento ao lado dele,

sentindo o calor dele sem nem olhar.

O que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui fora?

Qual Ă© o seu problema?

Quero que vocĂȘ saiba

que eu te amo.

VocĂȘ Ă© uma puta do caralho.

Tem alguma coisa pra me dizer?

Vai se foder, seu filho da puta.

O que vocĂȘ acabou de dizer?

Vai se foder... seu filho da puta.

Me deixa em paz, caralho!

Tudo em que eu pensava

era na minha buceta escancarada.

Escancarada como uma boca... gritando.

Seu filho da puta!

Seu filho da puta.

Eu nĂŁo sabia que um corpo de garota podia fazer isso.

Ejacular.

Minha comida, meus pensamentos, meus amigos, meu lugar.

Minha bebida, meus dias, minhas noites.

-Meu sexo, minhas drogas. -Meu.

Algo tĂŁo empurrado pra baixo num corpo

que tinha que explodir.

Eca!

Onde vocĂȘ pensa que vai?

Eu te conheço.

VocĂȘ nĂŁo vai a lugar nenhum.

TĂŁo longe do meu pai.

TĂŁo longe do meu pai...

Eu sĂł quero...

Eu amo suas mĂŁos.

Eu amo sua voz.

SĂŁo meu pai e meu irmĂŁo que tĂȘm as vozes de verdade.

Eu sempre ouço elas na minha cabeça.

É verdade?

O que elas dizem?

Elas sĂł cantam "Amazing Grace".

Vozes de Deus.

Me come.

Ah, mesmo?

Coitado do Philip.

Queria poder voltar e pedir desculpas.

VĂŁo se foder, todos vocĂȘs!

Me chupa!

Ele Ă© sĂł um James Taylor comum

cantando com toda a alma aqui no Texas!

E Ă s vezes eu me pergunto

Se vocĂȘ ainda pensa em mim

Esse mundo talvez nunca mude

Do jeito que sempre foi

E eu sei que a paz virĂĄ

Por que vocĂȘ sempre faz isso, Lidia?

É divertido, vai!

É divertido! VocĂȘ sabe disso.

VocĂȘ Ă© um... medroso!

Vamos, aprende a aceitar...

...uma piada. VocĂȘ Ă© muito sensĂ­vel.

Isso é uma das coisas mais patéticas que eu jå vi.

Isso Ă© o que... Isso Ă© do que eu tĂŽ falando.

É como falar com uma maçaneta de porta.

Por que vocĂȘ nĂŁo diz alguma coisa?

Por favor, diga qualquer coisa.

Eu sou uma vadia do caralho, entĂŁo por

que vocĂȘ nĂŁo faz nada sobre isso?

VocĂȘ nĂŁo Ă© uma vadia.

Vai se foder, Philip!

VocĂȘ nem me conhece, porra.

Philip significa "amante de cavalos".

Puta que pariu.

Ou "irmandade".

Acorda, seu filho da puta!

Ei, Lids. Quer sair daqui?

Ela tĂĄ bem. Eu levo ela de volta.

Ei, fecha a porta aĂ­.

SĂł fecha a porra da porta!

NĂŁo te vi no treino.

É, fui expulsa.

De boa.

Eu ainda consigo sentir meu rosto.

O vĂ­cio claramente existe em mim.

Mas quero te descrever outra coisa.

Algo menor.

É uma palavra menor.

MĂŁe?

TĂŁo pequena que consegue viajar pela corrente sanguĂ­nea.

Sai daqui, Belle.

Sai daqui, Belle.

Fica longe.

Isso nĂŁo Ă© pra vocĂȘ.

Eu nĂŁo vou falar sobre nada.

Eu nĂŁo vou falar sobre nada.

Eu nĂŁo vou falar sobre nada.

Dorothy?

Vem. Levanta.

Me desculpa!

Me desculpa.

Sim. Lidia...

VocĂȘ pode falar com a gente.

Ajuda.

Confia em mim.

Eu nĂŁo vou falar sobre nada.

Eu sempre quero dizer... Sim.

Encontre sentido no trĂąnsito da vida

limpando barreiras espirituais.

Tenho orgulho de vocĂȘ.

VocĂȘ sabe disso?

Sei.

Quer casar comigo?

E crianças tĂȘm seus sonhos

Pra se agarrar

E como eles voam

Nos levam pra lua

Sim, eles se afastam de vocĂȘ

Eles se afastam de vocĂȘ

E eles se afastam de vocĂȘ

E mulheres tĂȘm a si mesmas Pra se agarrar

E como elas voam Me surpreendem

Elas se afastam de mim

Elas se afastam de mim

E elas se afastam de mim

Querida, vocĂȘ foi muito bem.

VocĂȘ foi muito bem!

Fiz um chĂĄ pra vocĂȘ.

NĂŁo quero chĂĄ. O que a gente vai fazer?

Lidia...

Eu te amo.

E o que quer que vocĂȘ queira fazer, eu vou te apoiar.

Foi sĂł isso?

Eu preciso de mais que nada

do homem mais passivo do planeta Terra!

Desculpa, estou meio doente.

VocĂȘ nĂŁo quer nada, e vocĂȘ me mata por nĂŁo querer nada!

-No que vocĂȘ tava pensando? -NĂŁo sei.

Não sei. Não sei. É impossível pra caralho!

NĂŁo aguento o quanto ele Ă© bonzinho. Simplesmente nĂŁo aguento!

NĂŁo aguento a bondade dele.

Mas também não conseguia terminar.

Pensei que talvez exista um mundo onde eu...

...vĂĄ morar com vocĂȘ

em Eugene e faça algumas aulas que vocĂȘ dĂĄ.

NĂŁo sei. Talvez a gente possa formar uma pequena...

...famĂ­lia.

Porque acho que minha vida com ele vai ser uma triste mĂșsica sertaneja.

-E essa Ă© a Ășnica... -Lidia, eu disse sim.

Vem pra casa.

TĂĄ bom.

Legal.

Porque ela me deixou uma vez

pra salvar a prĂłpria vida.

O que vocĂȘs duas estĂŁo fazendo aĂ­ atrĂĄs? Brincando com vocĂȘs mesmas?

UĂ©? Eu trago elas pra paisagem mais linda do mundo

e elas sĂł ficam de besteira.

Olha pela janela maldita!

Claudia, pega o serrote debaixo do banco da sua mĂŁe.

Vamos! Bora.

Aqui, querida.

Como alimento.

Como alimento.

NĂŁo quer?

Vem, querida. SĂł um golinho pra te esquentar.

Graças a Deus!

CadĂȘ a ĂĄrvore?

Ali.

É a imagem.

Bem-vinda em casa.

Entra. Eu pego isso.

-Porque estou grĂĄvida? -Sim.

Aqui.

Obrigada.

Caramba.

Obrigada, Claudia.

Lembra quando vocĂȘ costumava me fazer fazer coisas?

Tipo...

"Aqui. Morde essa maçã."

Empurra na minha boca.

-"Aqui. Cheira esse cinzeiro." -"SĂł assopra. Um, dois..."

Cinza na minha cara toda.

Eu faria qualquer coisa.

VocĂȘ era incrĂ­vel aos meus olhos.

Lembro quando eu descia depois que vocĂȘ se mudou pro porĂŁo.

Eu não entendia o quanto era esperto na época, mas...

Eu costumava olhar todas as suas coisas e mexer nelas.

Uma vez achei uma gilete na sua bolsa.

Me cortei com ela.

Ardia quando eu fazia xixi.

Eu sei que isso Ă© um... sacrifĂ­cio.

NĂŁo.

É só que...

VocĂȘ era tĂŁo pequena.

Essa Ă© uma forma de remendar a prĂłpria vida.

Talvez eu estivesse esperando por isso.

Respira.

Eu sei.

Vamos. Vamos.

VocĂȘ...

...consegue.

CadĂȘ ela?

Posso segurĂĄ-la?

Claro.

SĂł um momento. Estamos sĂł limpando...

Os lĂĄbios dela sĂŁo rosas.

SĂŁo rosas.

SĂł joga o mais longe que puder.

Não tem graça.

Busca.

Desculpa.

Olha. Ela tĂĄ toda em vocĂȘ.

VocĂȘ tĂĄ rindo, porra.

O que viveu e morreu entre nĂłs

ainda me assombra.

II. DEBAIXO DO AZUL

Meu Deus, garota! VocĂȘ Ă© algum tipo de sereia?

Sou.

Tem algo a dizer?

Deixa pra lĂĄ.

Vem. VocĂȘ merece isso.

NĂŁo quer vir comigo?

Nem sou aluna. SĂł fico no departamento de inglĂȘs.

Acha que o Kesey liga pras regras da universidade?

-VocĂȘ vai se arrepender se nĂŁo for. -Eles nem querem me matricular.

Besteira! JĂĄ contei pra ele sobre vocĂȘ.

Essas...

Ele vai te adorar.

VocĂȘ nĂŁo quer escrever um romance com Ken Kesey?

Oi, pessoal. Oi, todo mundo.

VocĂȘ Ă© um idiota.

Oi. Essa Ă© a Lidia.

-Diz oi. -Oi.

E aĂ­.

O que temos aqui?

Uma rebelde com notas altas?

Eu sei o que aconteceu com vocĂȘ.

A morte Ă© uma merda.

Porra.

Jeff, pode enrolar um? Odeio sentar numa sala cheia de escritores.

A cadeira aguenta.

Quero que todos vocĂȘs...

Quero que todos vocĂȘs sejam vencedores.

Quero que sejam guerreiros.

Guerreiros. Vou dar a vocĂȘs o teste do guerreiro.

Merda boia. Creme sobe.

Merda boia. Jerry Rubin.

Creme sobe.

Ferlinghetti.

Lord Buckley.

Lenny Bruce.

Os grandes.

Quero que vocĂȘs sejam grandes.

Porra, porque alguém...

...tem que criar nossa cultura nos prĂłximos 50 anos

e quero que sejam vocĂȘs. SĂł hĂĄ duas regras. Um:

NĂŁo fale sobre o enredo do nosso romance

com ninguém que não seja dessa turma.

Dois: Eu sou 50 por cento da turma,

entĂŁo sĂł escrevemos juntos,

porque vamos publicar ou afundar juntos.

Nelson Algren disse:

"O trabalho do escritor

é arrastar o juiz até o cais,

pra fazer o Todo-Poderoso sentir como Ă© estar lĂĄ embaixo."

Ele vai ficar bem.

Maconha nunca matou ninguém.

EntĂŁo, manda ver.

De uma vez. Escrevam algumas frases bizarras.

Ei! Onde vocĂȘ estĂĄ?

NĂŁo tome calmantes antes da aula.

Agora mergulha na sua imaginação. Vamos!

Mergulha na sua imaginação. NinguĂ©m estĂĄ na sala alĂ©m de vocĂȘ e a caneta.

Melhor.

É isso. Isso Ă© sensacional.

Eu escrevi "Demon Box" aqui.

Essa sala aqui Ă© um espaço criativo. É um lugar criativo.

Ei, Bennett. VocĂȘ nĂŁo trouxe calmantes, nĂ©?

Esse tipo de droga fica no corpo, não na cabeça.

Fica no LSD, psilocibina, San Pedro.

Algo que possa quebrar seu ego pra vocĂȘ ouvir sua voz interior.

E vocĂȘ escreve a partir dessa voz.

VocĂȘ quer que sua voz saia.

Jesus...

NĂŁo era pra isso acontecer.

Tenho joelhos de lutador.

TĂĄ.

Vamos sair antes do sol se pĂŽr.

Quero que vocĂȘs...

...conheçam alguém.

Vamos!

Vai se foder, Deus!

Deus errou nos mandamentos. Acho que hå um décimo primeiro.

E deveria ser o primeiro mandamento. Tenha piedade.

Senhor, tenha piedade!

Imagina se todos tivessem piedade uns dos outros, onde estarĂ­amos hoje.

VocĂȘ vĂȘ um cara na rua precisando de dinheiro. DĂĄ pra ele.

Tenha piedade. Ele precisa.

Ele nĂŁo pediria se nĂŁo precisasse.

Piedade.

Eles vĂŁo ter que me contratar pra reescrever a BĂ­blia.

O que vocĂȘ Ă©, algum tipo de sereia?

Sou.

Sabe, quando Judd morreu, meu filho,

eu queria deixar de existir.

E todo mundo que falava comigo dizia alguma idiotice.

Ou nada.

Ninguém mais entende a morte.

Costumava ser sagrada. TĂŁo sagrada.

Porra. Ninguém é grande o suficiente pra

carregar o que acontece com a gente.

Ninguém é grande o suficiente pra carregar o que acontece com a gente.

Tem algo a dizer?

EstĂĄ nas suas mĂŁos.

Tudo sobre meu pai estava nas mĂŁos dele.

É tudo sobre coordenação.

Uma dança perfeitamente equilibrada.

De sombra e luz.

Antes de meu pai ser meu pai

ele era artista.

Seu pai ganhou um prĂȘmio por esse desenho.

Antes de meu pai ser artista

ele era atleta.

Antes de meu pai ser meu pai...

...ele era bonito.

E ela também era.

Antes de meu pai ser meu pai

ele era um menino.

Apenas um menino

cuja mĂŁe cortou sua lĂ­ngua.

Antes de eu odiĂĄ-lo

eu o amava.

Olha pra cima. Se vocĂȘ nĂŁo olha pra onde vai, vocĂȘ cai, entendeu?

No fim da descida vocĂȘ sĂł freia o suficiente pra fazer a curva. TĂĄ?

Vai. Olho na estrada!

Continua.

Cabeça erguida!

Olho na estrada. VocĂȘ precisa frear!

Mike!

-Pega uma lanterna! -Por quĂȘ?

Acho que ela se machucou lĂĄ embaixo. TĂĄ sangrando.

-O que aconteceu? -SĂł fecha a porra da porta!

Terminou o capĂ­tulo?

Tudo que eu era era meu corpo sangrando

OlĂĄ!

Sou escritora.

Obrigado.

Estamos reunidos aqui porque queremos ver o resultado.

Queremos testemunhar os resultados desse experimento,

um romance colaborativo

escrito por nĂłs.

EntĂŁo vamos dar as boas-vindas ao primeiro

dos palhaços não tão alegres ao palco

pra apresentar "Cavernas".

Lidia, vem aqui.

Vai dar certo.

Minha coxa atrĂĄs do joelho...

VocĂȘ tambĂ©m? Minha bunda.

AtrĂĄs dos meus joelhos, e eles estĂŁo...

Pai da Lidia.

O que posso dizer? Sou um grande admirador.

Mike, certo?

Sim, isso mesmo.

Bom que vocĂȘ pĂŽde vir.

Lidia e eu assistimos Um Estranho no Ninho

e Às Vezes Dá uma Grande Loucura juntos,

e sĂŁo brilhantes. Quer dizer, livros brilhantes.

Sabe, Mike...

Lidia aqui...

Ela consegue acertar em cheio.

Quer que eu autografe?

Obrigada por vir, pai.

Para... Mike?

Pode ser.

"Para Mike."

"Seja...

...corajoso."

Aqui estĂĄ, Mike.

-Aqui, cara. -Valeu.

Eu vi muitos escritores irem e virem.

VocĂȘ tem o que Ă© preciso.

Tenho uma coisa pra vocĂȘ.

Aqui.

Toma.

Vem da praia mais espiritual da Terra.

Segura.

VocĂȘ pode segurar tudo.

VocĂȘ vai segurar tudo, garota.

EntĂŁo...

O que vem a seguir?

-A seguir? -A seguir. O que vem a seguir?

A seguir.

Quero escrever "O Som e a FĂșria".

Claro que quer, amiga.

Ai, Jesus...

-Joga e vĂȘ se eu pego. -Pronto?

Merda!

Tudo dependia de ela entrar.

NĂŁo tem metĂĄfora.

-TĂĄ. -Foda-se metĂĄforas.

-Tá. -É só uma pedra que caiu.

-Vou buscar a pedra e ir mijar. -TĂĄ.

Isso aĂ­! VocĂȘ consegue.

Essa foi a Ășltima vez que o vi.

VocĂȘ sabe escrever, garota!

Na minha versĂŁo, ele se afogou.

III. O MOLHADO

Caddie quer foder. Ela Ă© insaciĂĄvel,

e como o vizinho tem um volume enorme na calça

e um som que sai dele em vez de linguagem,

ela vai até ele e tira toda a roupa,

entĂŁo ele a come no final

e a esmaga.

Ele a come até a morte, e ela adora!

Ela ri até chorar e uma ambulùncia precisa vir.

Mas Ă© tarde demais.

Isso Ă© "O Som e a FĂșria".

Banal.

JĂĄ li "O Som e a FĂșria".

Retrabalhar Faulkner Ă© sĂł coisa de faculdade.

Talvez tente algo original.

Meu Deus, eu odeio eles.

O que diabos ele sabe?

É original. É uma maldita pastiche.

Ei, quer ir pra praia? Reservei um quarto pra gente.

Oi, Hannah.

Na verdade, vamos trabalhar nisso no fim de semana.

Vem. Sua braguilha tĂĄ aberta.

Lids...

O que Ă© isso?

Faz se tiver coragem.

Vem.

Qualquer coisa.

A qualquer hora.

Em qualquer lugar.

Por favor, cuidado.

Qualquer coisa. A qualquer hora. Em qualquer lugar.

NĂŁo sentir absolutamente nada.

-Vou buscar lenha. -NĂŁo faz nada que eu nĂŁo faria.

Isso Ă© tipo uma...

...viagem pra trepar?

O quĂȘ?

Eu nunca... Nunca gostei de buceta.

Eu queria ficar daquele jeito.

Além de todas as palavras.

Dentro do molhado sem nome.

VocĂȘ tĂĄ bem?

Eu te amo, Lids.

Eu realmente te amo.

Te vejo depois.

Na ĂĄgua,

como nos livros,

vocĂȘ pode deixar sua vida.

Peguei! Peguei.

-Lembro de uma infĂąncia feliz. -Vem, vem!

-Mergulhamos, nadamos, competimos. -VocĂȘ foi rĂĄpida dessa vez.

Rimos como outras crianças.

Lembro de nomes completos como Evie Kosenkranius

e Lynn Colella-Bell.

Lynn Colella-Bell. Lynn Colella-Bell. Lynn Colella-Bell.

Fazendo loops de mĂșsica na minha cabeça.

Mononucleose?

Não é a doença do beijo?

NĂŁo. NĂŁo seja bobo.

Tudo vai ficar bem, Belle. Vai ver. VocĂȘ vai melhorar.

E seu pai vai cuidar bem de vocĂȘ.

-NĂ©? -A gente se vira.

MamĂŁe vai vender umas casas.

Oi, querida.

Minha menininha.

Em poucos dias vai passar.

-A linguagem me permite expressar... -Isso aĂ­.

...como quatro semanas podem ser anos.

É a superfície maleável de uma página branca.

VocĂȘ mostrou isso pra alguĂ©m?

NĂŁo.

Pele, cicatrizes...

As pessoas sempre me perguntam por que meu trabalho Ă© tĂŁo sombrio.

O que vocĂȘ sabe sobre dor, Lidia?

Eu sei

que isso importa pra mim.

Vou cuidar de vocĂȘ.

Entende?

Me pede o que vocĂȘ quer agora.

NĂŁo Ă© verdade, anjo.

Eu...

...quero que vocĂȘ...

Bata isso pra fora de mim.

...me chicoteie.

Onde vocĂȘ quer ser chicoteada, anjo?

Em todo lugar.

Leve isso pra algum lugar.

Leve a dor pra algum lugar.

MĂŁe.

Tenho orgulho de vocĂȘ.

NĂŁo estou tentando te deixar desconfortĂĄvel.

Estou tentando ser precisa.

IV. RESSUSCITAÇÕES

"AĂ­ mamĂŁe choramingou, papai cheirou minha buceta.

Meu melhor momento foi atingido, ele declarou.

Eu tinha certeza do que ele queria dizer. É o momento da verdade.

Eu vou, vou, vou, me masturbo.

Minhas mãos vão se partir. Nem reconheço meu corpo.

NĂŁo importa. Sei que vocĂȘ Ă© minha. Eu te fiz, eu te faço.

Jurei viver pelo prazer. Minha língua é enorme. Vai até a cintura.

VocĂȘ vĂȘ seu verdadeiro pai em seu momento de verdade.

Deus Todo-Poderoso, nada importa. VocĂȘ Ă© meu Deus, minha filha.

Eu te adoro. Faz com que eu possa te satisfazer. Olha pra ela.

Ela Ă© grande na minha mĂŁo retorcida. Beija.

Meu pai declarou de novo, eu sou Deus porra e criei Deus. Puta merda!

SĂł olha pra Deus e ele estĂĄ feliz porque eu o fiz gozar.

Deus estå no céu. Eu estou no céu e eu morri.

Eu gozo toda na sua cara. Eu lambi a porra dele.

-Isso me enoja.

ALEGORIAS DA VIOLÊNCIA

Quem diabos vocĂȘ pensa que Ă©?

A filha do meu pai.

Sou uma mulher que fala consigo mesma em mentiras.

Puta que pariu.

Ano um.

Vodka!

Eu bebo vodka, quase o tempo todo.

-Uma dose direto, direto. -E nĂŁo sentia nada sobre mim mesma.

Bebemos, rimos, fodemos. Fazemos sombras de corpos fodendo em tinta.

Fazemos performance. Performamos a nĂłs mesmos.

Vai se foder, Deus!

Abre a porta!

Gravamos nossos nomes nos braços uma do outro.

Eu fiz isso por vocĂȘ!

Fodemos infectados.

Estava bem na minha frente, Devin. Vi exatamente o que aconteceu.

-VocĂȘ nem entende. -O quĂȘ?!

Que vou casar com vocĂȘ.

Por Mike e Dorothy!

Fico tĂŁo feliz que eles foderam.

Pra pular pro ano seis quando histĂłrias

submersas começam a arranhar

e gritos começam um ritmo onde a bebida fica mais alta...

Vai beijar mulheres que eu conheço e não conheço!

O que é um casal ao longo do tempo senão uma repetição?

Vou te dar uma repetição. Sua conversa

fiada tĂĄ tomando conta da casa!

Estava tomando conta da casa.

NĂŁo quero foder.

Quero ler.

Vai se foder.

Eu nĂŁo queria beber.

Eu queria escrever.

O que Ă© um casal ao longo do tempo?

Ano sete. Terminei minha tese.

Ano oito tirei um doutorado.

Ano dez.

Fingimos.

VocĂȘ disse

que me amaria até eu morrer.

VocĂȘ disse que morrerĂ­amos juntos de amor.

VocĂȘ me disse isso.

CadĂȘ vocĂȘ?

CadĂȘ o homem?

Quem amaria uma mulher como eu?

Nem pense.

A data da sua leitura Ă© 15 de junho de 1998.

"A data da sua leitura."

O quĂȘ?

Recebam...

...lendo um trecho de sua primeira

coleção de contos "Suas Outras Bocas".

Lidia Yuknavitch.

Lidia, por favor.

"O dia em que minha filha nasceu.

Depois que segurei o futuro.

Natimorta.

E rosa.

E lĂĄbios de rosa.

E låbios de rosa nos meus braços tremendo.

Pequenas tragédias são difíceis de organizar.

Cronologia nos convence de que estamos indo a um lugar real.

'Nadadores, em suas marcas.'

Um tiro de pistola.

Um tiro de pistola soltou nossa carne tensa.

Pais eram frequentemente insustentĂĄveis enquanto

as pequenas mulheres nadavam por suas vidas.

'Nada.

Nada!

RĂĄpido!

Vamos, querida.

Mais forte.

Mais forte!

Mais rĂĄpido!'

Uma cacofonia de homens inchando

e pressionando contra o movimento molhado.

Quantas vezes deslizei para as profundezas cloradas

e secretamente esperei trocar essa pele sem valor

e produzir algo...

...anfĂ­bio

e sem gĂȘnero?

A questĂŁo Ă©

que essa coisa de deixar tudo entrar

e esperar pra ver o que sai

Ă© assustador

e idiota.

E estå começando a me deixar puta

eu ter que pensar nisso tudo.

O que estou dizendo Ă©...

HĂĄ uma mulher num quarto que estĂĄ cansada de olhar pra baixo

e sangrar

e aguentar, desejar e ansiar

e estĂĄ cansada de estar aberta

sem esperança de se costurar.

Não é que eu queira que isso desapareça.

É só que

eu quero...

Querer...

...vir de outro lugar.

Hå momentos com anos entre eles que aparecem com grande força."

-Me lembra por que estamos aqui.

-Pensei que foi ideia sua. -Vim com vocĂȘ.

DelĂ­rio.

Mulheres adultas sĂŁo idiotas.

NĂŁo sei.

Ela implorou.

Eu mudei meu nome.

Lidia! Lidia!

-Vira ele.

-Me ajuda!

"Matar.

Ou sugar o matar de volta.

E bombear pra dentro

da histĂłria de outra pessoa.

Meu pai perdeu a memĂłria por falta de oxigĂȘnio naquele dia.

Eu nĂŁo o matei.

Eu nĂŁo o salvei.

Estou aprendendo a viver em terra."

Obrigada por...

Seus pais leram a histĂłria? O que eles acharam?

Aproveite Nova York. Arranje um agente.

Lidia, prazer em conhecĂȘ-la. Obrigada por estar aqui.

Com licença.

VocĂȘ tem algo...

...um pouco mais forte?

Obrigada.

Carol Houck Smith, Norton Publishing.

Foi muito impressionante o que vocĂȘ fez lĂĄ.

Obrigada.

Não, sério. Não pareceu fåcil.

Tem mais de onde isso veio?

Talvez algo mais longo?

VocĂȘ deveria me mandar algo.

É só que

algo em mim tinha nascido...

...natimorto.

V. O OUTRO LADO DE SE AFOGAR

É uma pequena pedra que carrego.

A vergonha de querer algo bom.

Minha vida!

Lixo do caralho.

Ei, o que vocĂȘ tĂĄ fazendo? Continua trabalhando.

Oi.

O bloco de cortes. Avaliação de pares.

Quem quer começar?

É muito Ăștil. VocĂȘ nĂŁo pode viver a vida errada.

É a histĂłria que te contaram. A sua Ă© igualmente importante. É sua.

Deve doer, mas fico feliz por vocĂȘ.

TĂŽ nem aĂ­!

Algo pequeno e específico chamou minha atenção,

um detalhe importante,

um hematoma no osso do nariz dela

que me fez perceber que seus olhos eram azuis, como os meus.

Quanto?

Pago 100 dólares pro cafetão dela. Peço pra ela entrar.

Peço pra ela sentar.

Na histĂłria eu digo:

"É assim que Ă© ser eu.

Uma mulher que ensina inglĂȘs,

olhando pra uma mulher que chupa paus

que passa o dia todo no meu sofĂĄ

fumando.

Quando olho pra ela, acho que ela parece com Maria.

Quando vejo uma imagem de Cristo

imagino Maria tĂŁo consumida, magra e cansada

e tĂŁo furiosa Ă  beira da exaustĂŁo que

mal consegue carregar o prĂłprio rosto.

Na histĂłria eu digo:

"O que devo fazer?

EnsinĂĄ-la?"

Isso é o que eu, uma viciada em recuperação,

penso quando me dĂŁo algo tĂŁo infinitamente

pequeno quanto palavras pra acreditar.

Olho pra ela.

Ofereço palavras.

As pessoas sempre me dizem:

"Aquelas coisas nas suas histĂłrias aconteceram de verdade?"

NĂŁo Ă© essa a pergunta

quando se trata da vida?

Isso realmente aconteceu comigo?

Andy.

NĂŁo sei.

Coisas que acontecem com a gente sĂŁo verdadeiras.

Mas escrever Ă© outra histĂłria.

Esperava que a gente pudesse discutir meu manuscrito.

Claro. Com certeza.

Também quero te emprestar meu carro.

Vi vocĂȘ pegando ĂŽnibus

e acontece que tenho dois carros.

VocĂȘ entende muito sobre uma pessoa quando a vĂȘ na ĂĄgua.

Obrigada.

-Por quĂȘ? -Por me deixar nadar com vocĂȘ.

Li algumas das suas histórias. Sei que natação é importante.

Sempre deixo meus alunos escolherem o lugar.

Queria dizer que jĂĄ te vi algumas vezes antes.

Li que Ken Kesey dava aula na universidade,

quando eu estava no exterior. Me inscrevi pro curso,

mas jĂĄ estava cheio.

-Caramba. Que engraçado! -Pois é, eu sei.

Eu te vi andando pelo departamento de escrita criativa.

Eu estava na leitura que vocĂȘ fez no Gerlinger.

É estranho. Estranho.

Estranho.

Foi um dia estranho pra mim.

Por quĂȘ?

Meu pai...

...foi meu...

Meu pai...

Seu pai?

...abusou de mim.

Seu pai.

Como?

Sexualmente.

Que merda.

Espero que ele tenha levado um karma pesado.

Na verdade, levou.

Que bom.

Faz muito tempo. Eu era uma pessoa completamente diferente entĂŁo.

EntĂŁo, quem vocĂȘ Ă© agora?

Eu sou sua professora.

E aĂ­, professora, vai aceitar meu carro?

NĂŁo sei direito como contar como Ă©

ver a pequena mulher nadando pela prĂłpria vida.

Quer dizer...

VocĂȘ tĂĄ completamente maluco?

NĂŁo.

VocĂȘ acha que sou outra pessoa.

Consigo ver a mĂŁe em vocĂȘ.

HĂĄ mais na sua histĂłria do que vocĂȘ imagina.

-É lindo. -É sim.

Lindo.

A gente sĂł vai por aqui, pra esquerda.

E o quarto?

Disseram que vai ficar pronto amanhĂŁ, com certeza.

Deve ter sido uma viagem estranha.

Obrigada.

VocĂȘ nunca precisa me agradecer.

-Estou bem. -Tem certeza?

Tenho.

Oi, pai.

-Marilou? -NĂŁo, sou eu. Sou a Lidia.

Eu sei, querida.

Eu li esse livro.

-É? -Sim.

Sabe quem escreveu?

VocĂȘ.

Isso mesmo.

VocĂȘ leu todas as histĂłrias?

Tinha uma sobre natação.

Eu gostei dessa.

Obrigada.

Mas nĂŁo muito lisonjeira pra mim.

Ganhei um prĂȘmio por essa histĂłria.

Fui pra Nova York.

É, nada mal.

É bonito aqui.

É uma casa de verdade que vocĂȘ tem aqui.

Muito bem.

Muito bem feito.

As memĂłrias mais seguras estĂŁo trancadas

no cérebro de pessoas que não lembram.

Pega ela, Mike!

VocĂȘ sabe que eu nĂŁo nado. - Claudia, busca sua irmĂŁ!

Debaixo d'ĂĄgua pra sempre.

Isso aĂ­, amigo.

Olha, eu tĂŽ nadando!

O que foi?

A ågua vai entrar no meu nariz, nos meus ouvidos e no meu cérebro.

Miles...

Quantas vezes vocĂȘ viu a mamĂŁe nadar?

Muitas vezes, né?

VocĂȘ jĂĄ pensou

que eu nunca tive ågua no cérebro?

A ågua nunca entrou no meu cérebro.

Quer ver? Olha isso.

Me diz quanta ågua entra no meu cérebro. Tå?

Viu?

TĂĄ, vai.

Tenho uma brincadeira muito importante.

Vou colocar minha cabeça inteira debaixo d'ågua.

E a gente vai olhar um pro outro debaixo d'ĂĄgua.

-Que brincadeira Ă© essa? -Eu inventei.

O segredo Ă©

inventar coisas.

NĂŁo Ă© besteira o que eu tĂŽ dizendo.

Entra.

A ĂĄgua vai te segurar.

Legendas e sincronização: vdmnk

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